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18 abril, 2026

Atech, da Embraer, e Marinha do Brasil aprofundam parceria no "cérebro" das Fragatas Classe Tamandaré

Protocolo de Intenções reforça papel da empresa do Grupo Embraer no desenvolvimento contínuo do Sistema de Gerenciamento de Combate em momento histórico para o Poder Naval brasileiro 


*LRCA Defense Consulting - 18/04/2026

O acordo chega em um momento de máxima relevância estratégica. A Atech, empresa do Grupo Embraer especializada em engenharia e integração de sistemas de defesa, e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha do Brasil (DSAM) firmaram um Protocolo de Intenções voltado à evolução e ao aprimoramento contínuo do Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS) das Fragatas Classe Tamandaré (FCT). O acordo consolida uma parceria que já estava no coração tecnológico do mais moderno programa naval do país.

A assinatura ocorre enquanto a Fragata "Tamandaré" (F200), primeiro navio da classe, vive seus dias mais decisivos antes da incorporação oficial à Esquadra. Entre os dias 9 e 13 de abril de 2026, a Marinha do Brasil conduziu a certificação técnica e operacional dos sistemas de combate da F200 na área marítima de Cabo Frio, onde o navio demonstrou a maturidade de seus sensores, a eficácia dos armamentos e a capacidade de conduzir operações. A cerimônia de Mostra de Armamento, que marcará a incorporação oficial, está prevista para o dia 24 de abril.

O "cérebro" do navio
No centro de todo esse arsenal tecnológico está o CMS, e é exatamente aí que a Atech desempenha papel insubstituível. A empresa, especializada em engenharia e integração de sistemas, é responsável pelo desenvolvimento e integração do Sistema de Gerenciamento de Combate, do Enlace de Dados Táticos e pelas atividades de Integração e Testes do sistema de combate, em parceria com a Atlas Elektronik, subsidiária da TKMS, e também pelo Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS), em parceria com a L3Harris.

O CMS das fragatas, resultado da parceria entre a Atech e a Atlas Elektronik, é responsável pela integração dos 22 componentes do Sistema de Combate dos navios, para a manutenção da consciência situacional e o emprego eficiente do armamento. Já o IPMS permite o monitoramento e controle de 68 sistemas integrados, segundo módulos de propulsão, geração e distribuição de energia, sistemas auxiliares e controle de avarias.

Na prática, o CMS funciona como o sistema nervoso central do navio de guerra. O sistema possui capacidade de identificar e classificar múltiplas ameaças simultaneamente, compilar dados de diferentes sensores: radar AESA, sonares e sistemas optrônicos, e apoiar a tomada de decisão do comandante com maior rapidez e precisão.

Os testes de abril comprovaram essa integração em condições reais de combate. O lançamento do torpedo permitiu verificar procedimentos operacionais, protocolos de segurança e a integração entre sonar, sistema de lançamento e o próprio CMS. Esse sistema é responsável por processar dados de sensores, identificar e classificar ameaças e indicar a melhor resposta tática em tempo real.

Um programa nacional, construído com tecnologia brasileira
O novo Protocolo de Intenções não surge do nada; é a continuação natural de uma trajetória de colaboração profunda. A Atech, empresa do Grupo Embraer, foi selecionada como fornecedora do CMS e do IPMS no âmbito do consórcio Águas Azuis, composto por TKMS, Embraer Defesa e Segurança e Atech, que venceu a licitação do Programa Fragatas Classe Tamandaré.

O programa nasceu de uma necessidade histórica de renovação. O objetivo é substituir meios navais veteranos, como as fragatas da Classe Niterói e as corvetas Classe Inhaúma, que se aproximam do fim da vida útil. Com investimento de R$ 12 bilhões via Novo PAC e quatro navios contratados inicialmente, as quatro Fragatas da Classe Tamandaré serão entregues à Marinha do Brasil até 2029.

A dimensão tecnológica do acordo vai além da operação imediata. A Atech participa, em conjunto com a Marinha do Brasil, do processo de transferência de tecnologia desses sistemas, atividade de grande importância que permitirá dispor dos conhecimentos e ferramentas necessários para operar e manter os sistemas das fragatas no futuro. Trata-se, portanto, de soberania tecnológica: o Brasil não apenas opera o equipamento, mas passa a deter o conhecimento para mantê-lo e aprimorá-lo.
 

Amazônia Azul: o contexto estratégico
O acordo entre Atech e DSAM insere-se num cenário de crescente valorização do poder naval brasileiro. As Fragatas Classe Tamandaré são consideradas estratégicas para as atividades de controle e monitoramento da área marítima sob jurisdição brasileira, conhecida como Amazônia Azul, que abrange mais de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

A Fragata "Tamandaré" incorpora tecnologia de ponta, contando com radares de vigilância aérea e de superfície, sonar de casco, além de sistemas eletro-ópticos e infravermelhos. Sua arquitetura é compatível com padrões da OTAN, o que permite interoperabilidade com outras forças.

O programa também estimula a indústria nacional. O PFCT envolve cerca de 2.000 empresas nacionais ao longo de sua cadeia produtiva. E a ambição cresce: a Marinha do Brasil já anunciou a intenção de contratar um segundo lote de mais quatro fragatas. Para esse segundo lote, a meta é elevar o índice de conteúdo local de 32% para 42%, e as novas unidades deverão sair de fábrica com o míssil antinavio brasileiro MANSUP-ER integrado, com alcance estendido para 250 quilômetros.

O que o novo protocolo significa
Com o novo Protocolo de Intenções entre Atech e DSAM, o que está em jogo é a garantia de que o CMS das fragatas não será estático. Pelo contrário: o acordo pavimenta a evolução contínua do sistema ao longo de toda a vida útil dos navios, permitindo que a Marinha incorpore novas ameaças, novos sensores e novos armamentos à medida que o cenário estratégico se transforme.

A posição da Atech como "Casa de Sistemas" do Grupo Embraer para a Defesa coloca a empresa num papel raro no setor, o de integradora nacional capaz de costurar tecnologias de diferentes origens numa plataforma coerente e sob controle soberano brasileiro. Numa era em que conflitos modernos exigem redes de sensores cada vez mais complexas e decisões cada vez mais rápidas, ter esse elo tecnológico firmemente nas mãos de uma empresa nacional não é detalhe: é doutrina e soberania.

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