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25 julho, 2026

Seis lições que o Brasil precisa reaprender para levar sua indústria de defesa a sério

 
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 25/07/2026
 
A indústria de defesa não é um assunto da defesa. É um assunto de país. As nações que levaram a sério sua soberania entenderam há muito tempo que defesa, tecnologia, indústria, inovação e autonomia estratégica caminham juntas. Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Israel, Suécia e, mais recentemente, Turquia, não construíram suas bases industriais apenas para equipar suas Forças Armadas. Fizeram isso para proteger competências críticas, desenvolver tecnologia, reduzir dependências externas, gerar empregos qualificados e ampliar sua liberdade de ação no cenário internacional.

A primeira lição é que soberania não se terceiriza. Nenhuma nação relevante aceita depender integralmente de terceiros em áreas sensíveis como munições, sensores, comunicações, cibersegurança, satélites, radares ou manutenção de meios estratégicos. Dependência excessiva pode parecer econômica em tempos de normalidade, mas cobra um preço alto quando o ambiente geopolítico se deteriora.

A segunda lição é que capacidade estratégica leva tempo para amadurecer. A Coreia do Sul não virou potência em blindados, artilharia e construção naval da noite para o dia. A Turquia não consolidou sua indústria em um ciclo de governo. Israel não construiu sua autonomia tecnológica com improviso. Todos trabalharam com disciplina, constância e visão de Estado.

A terceira lição é que países sérios não desmontam competências críticas a cada crise. O Brasil ainda oscila entre o discurso grandioso e a prática da descontinuidade. Isso é grave porque a indústria de defesa exige planejamento, previsibilidade, encomendas regulares, financiamento, pesquisa, integração com universidades e proteção às empresas estratégicas.

A quarta lição é que política industrial não pode viver de impulsos. Defesa exige continuidade, orçamento minimamente previsível, coordenação entre governo, forças, academia e empresas, além da capacidade de transformar demanda estratégica em política pública.

A quinta lição é que defesa também é desenvolvimento. Nos países industrializados, a indústria de defesa não é vista apenas como fornecedora de equipamentos militares. Ela é motor de inovação, domínio tecnológico, empregos qualificados, exportação e tecnologias de uso dual.

A sexta lição é que poder nacional se constrói com disciplina, não com retórica. Países fortes não esperam a crise chegar para perceber que lhes faltam fornecedores, estoques, manutenção, sensores, softwares ou liberdade de ação. Eles investem antes, planejam antes e protegem antes aquilo que consideram estratégico.

No fim, a escolha é simples, ou o Brasil entende que a indústria de defesa é parte do seu projeto de país, ou continuará dependente de soluções prontas, vulnerável a pressões externas e condenado a discutir soberania sem possuir os instrumentos para sustentá-la. Países fortes não improvisam poder nacional. Eles o constroem.
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.   

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