Parceria tripartite entre governo, indústria e academia é a primeira do tipo na América Latina e amplia a presença dos Emirados Árabes Unidos na base industrial de defesa brasileira
*LRCA Defense Consulting - 26/08/2026
O EDGE Group, conglomerado de tecnologia avançada e defesa dos Emirados Árabes Unidos, e o Exército Brasileiro anunciaram nesta quarta-feira (26) a criação de um Centro de Excelência (COE - do inglês Centre of Excellence) em Defesa Cibernética. Pelo lado brasileiro, o acordo é conduzido pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), órgão operacional conjunto que integra militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Segundo comunicado conjunto das duas instituições, a nova estrutura será a primeira da América Latina a operar sob um modelo tripartite, reunindo governo, indústria e academia. EDGE Group e ComDCiber farão aportes diretos na iniciativa, o que, de acordo com as partes, deve reforçar a solidez operacional, a independência institucional e a continuidade do projeto no longo prazo. O local onde o centro funcionará ainda não foi definido, assim como a estrutura de governança e o volume dos investimentos.
O COE deverá prestar serviços a todas as Forças Armadas brasileiras e a instituições federais, entre eles capacitação, desenvolvimento e certificação profissional; resposta a incidentes cibernéticos e perícia digital; consultoria estratégica em segurança cibernética; pesquisa e desenvolvimento de doutrina e capacidades de defesa cibernética; planejamento e execução de exercícios nacionais e regionais; e desenvolvimento de soluções e capacidades avançadas nessa área.
Como referência internacional, o EDGE cita o Cooperative Cyber Defence Centre of Excellence, ligado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O objetivo declarado pelas partes é posicionar o Brasil como polo regional de cibersegurança soberana e ampliar a integração do País à comunidade internacional de defesa cibernética.
O executivo-chefe do EDGE Group, Hamad Al Marar, afirmou que a resiliência cibernética exige colaboração de longo prazo entre governos, indústria e academia e que essa convicção orienta a parceria. Segundo ele, o grupo pretende combinar tecnologia avançada, experiência operacional e conhecimento compartilhado para construir capacidade duradoura e ajudar a posicionar o Brasil como centro de excelência em cibersegurança na América Latina.
A parceria é mais um passo do avanço do EDGE Group na base industrial de defesa (BID) brasileira. Nos últimos anos, o conglomerado, controlado pelo governo de Abu Dhabi, adquiriu 50% da SIATT, fabricante de mísseis; 51% da Condor, especializada em tecnologias não letais; e acertou a compra de 100% da Akaer, de São José dos Campos, negócio que ainda depende de aprovação regulatória. O grupo também mantém memorando de entendimento com a Marinha do Brasil para o desenvolvimento de um futuro centro de excelência em ciberproteção naval, além de acordo com o Exército para avaliação operacional de fuzis da marca CARACAL.
No caso do novo centro de ciberdefesa, porém, não há aquisição de uma empresa brasileira: o EDGE Group ingressa como sócio fundador de uma instituição criada em conjunto com o próprio Exército, que participa diretamente do projeto. Essa configuração diferencia o negócio de outras aquisições do grupo no País e reacende o debate sobre a presença de capital estrangeiro, ligado a outro governo, em estruturas estratégicas para a proteção de redes e dados das Forças Armadas e de instituições federais brasileiras.
O anúncio ocorre poucos dias depois de outro movimento relevante no setor: os irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio da Globe Investimentos, acertaram a compra de 100% da Avibras, fabricante dos foguetes Astros e do míssil MTC-300, mantendo o controle da companhia em mãos nacionais. Os dois negócios ilustram caminhos distintos para financiar a indústria brasileira de defesa: capital nacional, no caso da Avibras, e participação estrangeira, nas aquisições e parcerias do EDGE Group.
O EDGE Group, conglomerado de tecnologia avançada e defesa dos Emirados Árabes Unidos, e o Exército Brasileiro anunciaram nesta quarta-feira (26) a criação de um Centro de Excelência (COE - do inglês Centre of Excellence) em Defesa Cibernética. Pelo lado brasileiro, o acordo é conduzido pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), órgão operacional conjunto que integra militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Segundo comunicado conjunto das duas instituições, a nova estrutura será a primeira da América Latina a operar sob um modelo tripartite, reunindo governo, indústria e academia. EDGE Group e ComDCiber farão aportes diretos na iniciativa, o que, de acordo com as partes, deve reforçar a solidez operacional, a independência institucional e a continuidade do projeto no longo prazo. O local onde o centro funcionará ainda não foi definido, assim como a estrutura de governança e o volume dos investimentos.
O COE deverá prestar serviços a todas as Forças Armadas brasileiras e a instituições federais, entre eles capacitação, desenvolvimento e certificação profissional; resposta a incidentes cibernéticos e perícia digital; consultoria estratégica em segurança cibernética; pesquisa e desenvolvimento de doutrina e capacidades de defesa cibernética; planejamento e execução de exercícios nacionais e regionais; e desenvolvimento de soluções e capacidades avançadas nessa área.
Como referência internacional, o EDGE cita o Cooperative Cyber Defence Centre of Excellence, ligado à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O objetivo declarado pelas partes é posicionar o Brasil como polo regional de cibersegurança soberana e ampliar a integração do País à comunidade internacional de defesa cibernética.
O executivo-chefe do EDGE Group, Hamad Al Marar, afirmou que a resiliência cibernética exige colaboração de longo prazo entre governos, indústria e academia e que essa convicção orienta a parceria. Segundo ele, o grupo pretende combinar tecnologia avançada, experiência operacional e conhecimento compartilhado para construir capacidade duradoura e ajudar a posicionar o Brasil como centro de excelência em cibersegurança na América Latina.
A parceria é mais um passo do avanço do EDGE Group na base industrial de defesa (BID) brasileira. Nos últimos anos, o conglomerado, controlado pelo governo de Abu Dhabi, adquiriu 50% da SIATT, fabricante de mísseis; 51% da Condor, especializada em tecnologias não letais; e acertou a compra de 100% da Akaer, de São José dos Campos, negócio que ainda depende de aprovação regulatória. O grupo também mantém memorando de entendimento com a Marinha do Brasil para o desenvolvimento de um futuro centro de excelência em ciberproteção naval, além de acordo com o Exército para avaliação operacional de fuzis da marca CARACAL.
No caso do novo centro de ciberdefesa, porém, não há aquisição de uma empresa brasileira: o EDGE Group ingressa como sócio fundador de uma instituição criada em conjunto com o próprio Exército, que participa diretamente do projeto. Essa configuração diferencia o negócio de outras aquisições do grupo no País e reacende o debate sobre a presença de capital estrangeiro, ligado a outro governo, em estruturas estratégicas para a proteção de redes e dados das Forças Armadas e de instituições federais brasileiras.
O anúncio ocorre poucos dias depois de outro movimento relevante no setor: os irmãos Joesley e Wesley Batista, por meio da Globe Investimentos, acertaram a compra de 100% da Avibras, fabricante dos foguetes Astros e do míssil MTC-300, mantendo o controle da companhia em mãos nacionais. Os dois negócios ilustram caminhos distintos para financiar a indústria brasileira de defesa: capital nacional, no caso da Avibras, e participação estrangeira, nas aquisições e parcerias do EDGE Group.
A expansão do capital estrangeiro no setor ocorre em um cenário de restrições orçamentárias para investimentos em tecnologia militar no Brasil. O orçamento de Defesa soma R$ 142,9 bilhões em 2026, mas 75,5% desse montante são destinados a despesas com pessoal, o que reduz a parcela de recursos disponível para investimentos tecnológicos e encomendas à indústria nacional. O movimento também acompanha o crescimento dos gastos militares no mundo: em 2025, as despesas militares globais somaram US$ 2,887 trilhões, recorde histórico segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).
A criação do COE se soma a outras iniciativas do ComDCiber para ampliar as capacidades cibernéticas do País. Em 2026, o antigo Programa de Defesa Cibernética foi renomeado para “IA e Defesa Cibernética”, incorporando formalmente a inteligência artificial ao escopo de suas atribuições. O comando também coordena o Exercício Guardião Cibernético 2026, previsto para o período de 21 a 25 de setembro, com sede em Brasília e hubs regionais em seis capitais, reunindo cerca de 240 organizações entre Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de ensino e operadores de setores estratégicos.
A criação do COE se soma a outras iniciativas do ComDCiber para ampliar as capacidades cibernéticas do País. Em 2026, o antigo Programa de Defesa Cibernética foi renomeado para “IA e Defesa Cibernética”, incorporando formalmente a inteligência artificial ao escopo de suas atribuições. O comando também coordena o Exercício Guardião Cibernético 2026, previsto para o período de 21 a 25 de setembro, com sede em Brasília e hubs regionais em seis capitais, reunindo cerca de 240 organizações entre Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de ensino e operadores de setores estratégicos.


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