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21 agosto, 2026

Radar SENTIR M20 é testado contra drones e amplia potencial antidrone do Exército Brasileiro

Ensaio do CTEx no CAEx usou um DJI Matrice 400 como alvo e obteve detecção a até 4 km; resultado é promissor, mas ainda não comprova uma capacidade antidrone plenamente operacional 



*LRCA Defense Consulting - 21/08/2026

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realizou, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), um ensaio específico para verificar a capacidade do radar de vigilância terrestre SENTIR M20 de detectar e acompanhar veículos aéreos não tripulados (VANTs). O alvo empregado foi um DJI Matrice 400, drone profissional de porte relativamente grande, fabricado pela chinesa DJI. Durante o teste, o radar conseguiu detectar e acompanhar o alvo a uma distância de até 4 km, resultado que o próprio CTEx classificou, em publicação institucional, como evidência de "excelente desempenho de sensoriamento".

O SENTIR M20 foi desenvolvido pelo CTEx e é produzido pela Embraer, por meio das empresas Savis e Bradar, ambas integrantes do grupo Embraer Defesa & Segurança, com apoio financeiro da FINEP e do próprio Exército. Trata-se de um radar de vigilância terrestre e de baixa altitude, portátil, de banda X, que utiliza tecnologia SAR (synthetic aperture radar), e que já integra o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) desde a primeira fase do programa. Sua versão portátil teve o protótipo homologado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército em abril de 2025, conforme o Relatório de Teste e Avaliação nº 58/24 do CAEx, e atualmente está licenciado à Embraer para produção.

Por que o teste era necessário 
As especificações originais do SENTIR M20 já previam a detecção de alvos aéreos de baixa altitude, como helicópteros e aeronaves de pequeno porte, com alcance declarado de até 20 km. No entanto, um VANT apresenta características de detecção distintas das de uma aeronave tripulada convencional: menor seção reta radar, menor velocidade, menor altitude de voo e maior manobrabilidade. Por isso, ainda que o radar já contasse com essa capacidade em suas especificações técnicas, era necessário verificar seu desempenho diante de um alvo real desse tipo. Foi exatamente esse o objetivo do ensaio conduzido pelo CTEx no CAEx. 



O que os 4 km efetivamente significam 
É importante não interpretar os 4 km obtidos no ensaio como o alcance máximo do SENTIR M20 contra drones. Trata-se da distância máxima de detecção alcançada naquele teste específico, com aquele tipo de alvo, o DJI Matrice 400, e nas condições em que o experimento foi conduzido. O desempenho do radar diante de drones menores, como os modelos FPV (first person view) e micro-VANTs, tende a ser significativamente diferente, já que esses alvos apresentam seção reta radar ainda mais reduzida. Para uma avaliação mais completa do real potencial do sistema, seriam relevantes dados adicionais sobre altitude, velocidade e trajetória do Matrice 400 durante o ensaio, a capacidade de manutenção da track ao longo do tempo, a capacidade de classificação do alvo, o desempenho na detecção simultânea de múltiplos VANTs e, sobretudo, o comportamento do radar contra drones de menor assinatura.

Sensor, não sistema completo 
O aspecto mais relevante da divulgação do CTEx está na conclusão de que o resultado "reforça o potencial do Radar SENTIR M20 como uma solução para sistemas anti-drone". Essa formulação não significa, contudo, que o M20 seja, isoladamente, um sistema C-UAS (counter-unmanned aircraft systems) completo. Seu papel numa arquitetura desse tipo é o de sensor, responsável pela detecção e pelo acompanhamento do alvo, e não pela neutralização dele. Numa arquitetura antidrone típica, o radar forneceria a pista, isto é, a posição e a trajetória do alvo, para outros componentes do sistema, como sensores eletro-ópticos de identificação visual, meios de comando e controle e, por fim, os efetores responsáveis pela neutralização, que podem ser sistemas de guerra eletrônica, armamento cinético ou outras soluções de interdição. 


A dimensão estratégica 

Há uma dimensão estratégica relevante embutida nesse resultado. O ensaio demonstra a possível expansão da utilidade de um sistema desenvolvido inteiramente no País, originalmente concebido para vigilância terrestre no âmbito do SISFRON, para a proteção do espaço aéreo de baixa altitude. Essa expansão permitiria ao Exército aproveitar uma tecnologia já madura, homologada e integrada ao seu ecossistema de vigilância e de comando e controle, para enfrentar uma ameaça, a dos drones, que ganhou importância crescente nos conflitos recentes e que vem sendo tratada como prioridade pela própria Força Terrestre.

O momento do teste também chama atenção por coincidir com outro movimento paralelo do Exército na mesma direção: o radar SABER M200 Vigilante, de médio alcance e também fruto de parceria entre o CTEx e a Bradar/Embraer, vem sendo submetido a testes semelhantes. No exercício Sagitta Primus 2026, o M200 detectou drones de baixa seção reta radar, categoria 0, a distâncias de até 8 km, com um novo modo de operação desenvolvido especificamente para alvos de assinatura reduzida. Os dois radares nacionais de vigilância terrestre e de médio alcance parecem, assim, caminhar simultaneamente rumo a uma capacidade de detecção antidrone orgânica à Força Terrestre.

Esse movimento ganha ainda mais relevância à luz do gap de detecção identificado durante a Operação Punhos de Aço 2025, quando os radares orgânicos das viaturas blindadas Gepard, o de vigilância MPDR-12 e o de controle de tiro em banda Juliet, falharam em adquirir drones de baixa seção reta, obrigando as guarnições a recorrer ao método manual de periscópio para acompanhar os alvos. Um sensor terrestre nacional com capacidade de detecção de VANT validada, como o SENTIR M20, seria um candidato plausível para prover a designação externa que o computador digital do Gepard 1A2 já possui capacidade latente de receber via datalink. 


Uma demonstração promissora, não uma capacidade comprovada 
Em síntese, o ensaio do CAEx demonstrou que o SENTIR M20 consegue detectar e acompanhar um DJI Matrice 400 a uma distância de até 4 km, e abriu uma possibilidade operacional relevante, a de transformar um radar nacional de vigilância terrestre em um dos sensores de uma futura arquitetura brasileira de defesa contra drones. O teste, no entanto, deve ser lido como uma demonstração inicial e promissora de capacidade, e não como a comprovação de uma solução antidrone plenamente operacional. A confirmação desse potencial dependerá de novos ensaios, com maior variedade de alvos, sobretudo os de menor porte e menor assinatura radar, e da eventual integração do radar a uma arquitetura completa de comando, controle e neutralização.

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