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07 setembro, 2026

BRVANT desenvolve o Carvalho, novo drone de ataque e vigilância com lançamento em enxame

Projeto brasileiro, ainda sem protótipo funcional, deriva da experiência com a munição inteligente Hunter e prevê emprego a partir de um veículo terrestre inspirado no conceito do ASTROS 

 Drone Carvalho em imagem renderizada por IA baseada na original exposta

*LRCA Defense Consulting - 07/09/2026

A BRVANT Soluções Tecnológicas está desenvolvendo o Carvalho, uma nova plataforma aérea não tripulada concebida para missões de vigilância e ataque. O projeto, apresentado publicamente em 2026, ainda está em fase de desenvolvimento e não possui protótipo funcional, mas já incorpora uma concepção operacional que combina lançamento terrestre, emprego em enxame e diferentes alternativas de propulsão.

As informações mais recentes sobre o sistema foram apresentadas pelo gestor de projetos da BRVANT, Nilton Calete, em entrevista realizada na Base Aérea de Brasília a Roberto Caiafa, jornalista especializado em Defesa (vídeo abaixo). Segundo ele, o Carvalho surgiu de um projeto embrionário relacionado à família Hunter e entrou agora em uma segunda fase de desenvolvimento. O nome é uma homenagem a um coronel Carvalho, apontado pela empresa como um dos idealizadores do programa ASTROS.

Propulsão por hélice ou por turbina e com características multimissão, mas ainda não operacional 
De acordo com Calete, o Carvalho foi concebido para desempenhar tanto funções de vigilância quanto de ataque a estruturas. A plataforma poderá ser configurada com propulsão por hélice ou por turbina, conforme os requisitos do emprego. A empresa também prevê um sistema auxiliar para o lançamento, independentemente da configuração de propulsão adotada.

Um dos aspectos mais relevantes do projeto é sua integração com um sistema terrestre de lançamento. A BRVANT pretende utilizar um caminhão de concepção semelhante à dos sistemas do programa ASTROS, com pelo menos quatro Carvalhos por veículo, permitindo o lançamento em enxame. A mesma arquitetura poderá ser empregada em missões de vigilância, ataque ou, conforme a entrevista, em outras funções definidas pelo usuário.

A concepção aproxima o Carvalho de uma nova tendência observada nos conflitos contemporâneos: a combinação de veículos aéreos não tripulados de baixo custo relativo, lançamento múltiplo e emprego coordenado para produzir efeitos sobre alvos a distância. A comparação visual com os drones de ataque Shahed-136 e Geran-2, feita por fontes especializadas e também associada ao projeto nas redes sociais, ajuda a situar sua proposta, mas não significa que o sistema brasileiro seja uma cópia daqueles modelos.

A BRVANT ainda não divulgou uma ficha técnica definitiva do Carvalho. Não há, portanto, dados oficiais consolidados sobre alcance, velocidade, autonomia, massa máxima de decolagem ou precisão. Também não se deve tratar como especificação fechada a possibilidade de uma cabeça de guerra de 30 kg. Na entrevista, Calete explicou que uma carga dessa ordem poderá ser instalada caso seja definida como requisito pelo cliente. 

A mesma entrevista esclareceu que o Carvalho ainda está longe da fase operacional. Questionado sobre a previsão para o primeiro protótipo, Calete afirmou que ele ainda não é funcional e informou que a empresa apresentou uma proposta para captação de recursos junto à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP). Assim, as características hoje apresentadas devem ser entendidas como parte de um projeto em evolução, sujeito a mudanças durante o desenvolvimento.


Experiência ligada à família Hunter
A experiência que sustenta o Carvalho está ligada à família Hunter, desenvolvida pela BRVANT como munição inteligente. O Hunter V1 utiliza motorização elétrica e possui uma asa que se abre após o lançamento por gravidade. Na entrevista, a empresa informou que a versão V1 utiliza uma cabeça de guerra de 580 gramas, enquanto a V2 pode empregar uma cabeça de guerra de 2 kg. A plataforma pode ser empregada contra alvos terrestres e também como interceptador.

Informações publicadas pela Janes acrescentam que a família Hunter recebeu financiamento da FINEP e possui recursos como sensores eletro-ópticos, piloto automático, telemetria criptografada, unidade de medição inercial e receptor GPS. A publicação também registra capacidades de navegação autônoma e voo em enxame. Esses dados ajudam a compreender a base tecnológica a partir da qual a BRVANT pretende avançar para uma plataforma de maior porte, embora não permitam concluir que todas essas capacidades já estejam incorporadas ao Carvalho.

Uma IA que pretende ser 100% brasileira
Outro ponto de interesse é o desenvolvimento de inteligência artificial. Na entrevista, Calete afirmou que a BRVANT está desenvolvendo no Brasil a inteligência artificial empregada em suas munições inteligentes. Segundo ele, o treinamento utiliza ativos militares e busca atender a requisitos de assertividade superiores a 90%. A empresa também prevê a possibilidade de manter o ser humano no circuito, permitindo controle manual quando necessário.

Essa informação, contudo, precisa ser tratada com precisão. A entrevista confirma o desenvolvimento nacional da inteligência artificial, mas não estabelece, de forma inequívoca, que toda a tecnologia descrita já esteja embarcada no Carvalho. A expressão “IA 100% brasileira”, utilizada pelo jornalista Roberto Caiafa ao apresentar o sistema nas redes sociais, é mais abrangente do que a formulação feita pelo representante da empresa na entrevista.

Passo que amplia significativamente o potencial operacional da tecnologia Hunter
O Carvalho representa, portanto, um passo de maior escala dentro da trajetória de sistemas não tripulados da BRVANT. A empresa já atua no desenvolvimento de VANTs e outros sistemas não tripulados e é reconhecida pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa. A evolução da família Hunter para um sistema maior, com possibilidade de propulsão a hélice ou turbina e lançamento múltiplo a partir de veículo terrestre, amplia significativamente o potencial operacional da tecnologia.

Mais do que a semelhança externa com o Shahed-136, o aspecto que merece atenção no Carvalho é a arquitetura do sistema. Se o projeto evoluir conforme a concepção apresentada pela BRVANT, o Brasil poderá dispor de uma plataforma capaz de ser lançada em grupos, receber diferentes configurações de missão e combinar autonomia, inteligência artificial e controle humano. Trata-se, entretanto, de uma capacidade ainda em desenvolvimento, cuja viabilidade dependerá das próximas etapas de financiamento, engenharia, construção e testes.

Por enquanto, o Carvalho deve ser visto como um projeto promissor da Base Industrial de Defesa brasileira, e não como um sistema de armas já pronto. O primeiro marco decisivo será a construção e o voo do protótipo funcional. A partir daí será possível avaliar, com dados concretos, se a proposta conseguirá transformar a experiência acumulada pela BRVANT com a família Hunter em uma plataforma de maior alcance, carga e relevância operacional.

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