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16 julho, 2026

Avibras Aeroco e Exército Brasileiro avançam nas tratativas sobre contratos atuais e futuros

Reunião em Jacareí reúne generais ligados à fabricação, à artilharia e ao programa ASTROS-FOGOS para discutir contratos vigentes e novas oportunidades de cooperação com a Base Industrial de Defesa
 
 
*LRCA Defense Consulting - 16/07/2026

A Avibras Aeroco realizou, nesta quinta-feira, dia 16 de julho, em sua unidade industrial de Jacareí (SP), uma reunião de trabalho com oficiais-generais e demais autoridades do Exército Brasileiro (EB) que lideram organizações estratégicas nas áreas de defesa, tecnologia, fabricação e artilharia. O objetivo do encontro foi discutir os contratos já em vigor entre a empresa e a Força Terrestre, além de mapear novas oportunidades de cooperação para os próximos ciclos de contratação.
Participaram do encontro o General de Brigada Carlos Alexandre Bastos de Vasconcellos, Diretor de Fabricação (DF) do EB; o General de Brigada Sandro Ernesto Gomes, Comandante de Artilharia do Exército; o General de Brigada R/1 Marcelo Gurgel do Amaral Silva, gerente do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS; e o General de Brigada R/1 Moisés da Paixão Júnior, gerente do Subprograma Artilharia de Campanha do EB. Também integraram a comitiva os membros da Comissão de Absorção de Conhecimentos e Transferência de Tecnologia (CACTTAV) na Avibras Aeroco, Tenente-Coronel Eduardo Bento Guerra e Capitão Eduardo Henrique dos Santos.
Durante o encontro, a Avibras Aeroco apresentou à comitiva do Exército o estágio atual de suas atividades, sua capacidade industrial, tecnológica e produtiva, além das perspectivas para o fortalecimento da cooperação com a Força Terrestre. As discussões reforçaram o alinhamento entre as duas instituições e o compromisso mútuo com a continuidade dos programas estratégicos de defesa, com a soberania nacional e com o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa do País.
Uma sequência de encontros em 2026
O encontro de 16 de julho não é um episódio isolado. Ele se soma a uma sequência de reuniões e visitas realizadas ao longo de 2026 entre a Avibras Aeroco e o Exército Brasileiro, em meio ao processo de retomada industrial da empresa, historicamente responsável pelo Sistema ASTROS. Em 28 de janeiro, uma comitiva chefiada pelo então titular da Diretoria de Fabricação já havia visitado a fábrica de Jacareí para acompanhar a evolução da retomada industrial e o andamento dos projetos em parceria, com a presença do gerente do Programa Estratégico ASTROS e de engenheiros da CACTTAV.
Em 6 de maio, representantes das áreas operacional e comercial da Avibras Aeroco estiveram no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, em reunião que também contou com oficiais do Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e da CACTTAV, para alinhar demandas operacionais em andamento e avançar nas tratativas de novos contratos. Já em 1º de julho, o Comandante do Exército, General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, visitou pessoalmente as 18 unidades fabris do complexo de Jacareí, acompanhado de integrantes do Alto Comando da Força, em um movimento lido pelo setor como sinalização institucional de apoio à empresa.
A reunião mais recente, com a presença do Comandante de Artilharia do Exército e do gerente do ASTROS-FOGOS, aprofunda esse ciclo de aproximações, concentrando a pauta especificamente nos contratos vigentes e nas oportunidades futuras ligadas à artilharia de campanha.
O papel da CACTTAV e do programa ASTROS-FOGOS
A presença recorrente da CACTTAV nesses encontros não é acidental. Criada em 2013 para acompanhar as atividades de pesquisa e desenvolvimento ligadas ao Sistema Foguete Guiado e ao Míssil Tático de Cruzeiro no âmbito do Projeto Estratégico do Exército ASTROS, a comissão é subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) e tem como função absorver conhecimento técnico e viabilizar a transferência de tecnologia entre a indústria e a Força Terrestre. Sua atuação contínua evidencia que, além da entrega de produtos, o Exército acompanha de perto a capacitação tecnológica da Avibras Aeroco.
O ASTROS-FOGOS é hoje o principal programa estratégico entre a Avibras Aeroco e o Exército Brasileiro, com investimentos que já superaram R$ 1 bilhão. O programa visa dotar a Força Terrestre de capacidade de apoio de fogo de longo alcance, incluindo o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), com elevada precisão e letalidade. A presença de dois gerentes de programa distintos, o do ASTROS-FOGOS e o do Subprograma Artilharia de Campanha, na reunião de 16 de julho, indica que a pauta tratou tanto da execução dos contratos já firmados quanto da estruturação de novas frentes de fornecimento.
Contexto: a retomada industrial em Jacareí
As tratativas ocorrem em meio a um momento decisivo para a Avibras Aeroco. Após anos de dificuldades financeiras e de um processo de recuperação judicial que chegou a colocar em risco a continuidade da tradicional fabricante do Sistema ASTROS, a nova operação industrial de Jacareí retomou a montagem de foguetes e o corte de chapas para blindados do Exército em julho de 2026. A cerimônia oficial de inauguração do complexo industrial, inicialmente marcada para 2 de julho e que contaria com a presença dos comandantes das três Forças Armadas, foi adiada a pedido formal da Presidência da República, com nova data ainda prevista para este mês.
A empresa opera hoje com cerca de 500 funcionários, montante ainda inferior ao efetivo que mantinha em seu período de operação plena, e projeta faturar R$ 500 milhões em 2028. Paralelamente às tratativas com o Exército sobre o ASTROS-FOGOS, a Avibras Aeroco também discute, com a Força Terrestre e com as empresas israelenses AEL Sistemas e Elbit Systems, uma eventual nacionalização da montagem do obuseiro autopropulsado ATMOS, em negociação que envolveria ainda o sistema de lançadores PULS.
A sequência de reuniões ao longo de 2026, da visita de janeiro ao encontro de 16 de julho, reforça a leitura de que o Exército Brasileiro trata a retomada da Avibras Aeroco como prioridade estratégica para a artilharia de campanha nacional, mantendo acompanhamento próximo tanto da execução dos contratos vigentes quanto da absorção de tecnologia prevista nos programas em curso.

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