Pesquisar este portal

05 julho, 2026

Bizu Space lança o FTL-Perseu e realiza o primeiro voo brasileiro com propulsão totalmente líquida

Foguete de treinamento decolou em 29 de maio e feito foi anunciado oficialmente pela startup no dia 12 de junho

 

*
LRCA Defense Consulting - 05/07/2026

A Bizu Space, startup brasileira de tecnologias espaciais sediada em São José dos Campos (SP), realizou em 29 de maio o lançamento inaugural do FTL-Perseu (Foguete de Treinamento Líquido). O evento, classificado pela própria empresa como um marco para o setor aeroespacial nacional, corresponde ao primeiro voo de um foguete brasileiro impulsionado exclusivamente por propulsão líquida desde a decolagem.

A novidade foi divulgada oficialmente pela Bizu Space em nota publicada em sua página no LinkedIn na sexta-feira, 12 de junho. Na publicação, a empresa relembrou que, há cerca de um século, o cientista norte-americano Robert H. Goddard realizou o primeiro lançamento bem-sucedido de um foguete a propelente líquido, o Nell, feito que abriu caminho para as tecnologias de propulsão utilizadas atualmente. Segundo a Bizu Space, embora o Brasil já tivesse desenvolvido motores de propulsão líquida e participado de lançamentos de foguetes nacionais e internacionais, nunca havia realizado o lançamento de um foguete próprio movido exclusivamente por esse tipo de propulsão.

 

Da família SONDA ao FTL-Perseu
A empresa também posicionou o feito dentro de uma linha histórica do programa espacial brasileiro, dos foguetes de sondagem da família SONDA e do VSB-30 até o FTL-Perseu. Cada lançamento, segundo a nota da companhia, reflete a coragem e a perseverança que definem o esforço nacional de acesso ao espaço.

O FTL-Perseu é descrito pela própria Bizu Space como um foguete de treinamento líquido, concebido para capacitar equipes técnicas em operações de propulsão líquida antes de sua aplicação em veículos de maior porte. O foguete já havia circulado em réplica de tamanho real em eventos de divulgação científica, como a exposição Universo Espacial: a Terra é azul, promovida pela Agência Espacial Brasileira (AEB) no Manhattan Shopping, e em atividade acadêmica no IESB, onde foi apresentado como símbolo da conexão entre projetos aeroespaciais e o desenvolvimento de novas ideias.

Sobre a Bizu Space
Fundada em 2020 como spin-off da equipe de foguetes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA Rocket Design) e oficialmente constituída em 2022, a Bizu Space ganhou tração a partir de dezembro de 2023, quando garantiu dois contratos para apoiar o desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR). A empresa detém o selo de Empresa Estratégica de Defesa, concedido pelo Ministério da Defesa.

O principal projeto de propulsão da companhia é o motor foguete líquido ARION, que utiliza peróxido de hidrogênio e querosene de aviação (Jet-A) como propelentes e é projetado para o terceiro estágio do MLBR, com faixa de empuxo entre 3 kN e 5 kN. O motor já passou por ensaio de queima horizontal na missão batizada de Deitado em Berço Esplêndido (DeBE), com validação da versão ablativa; o próximo passo previsto é o teste na posição vertical. O sistema é classificado como Produto Estratégico de Defesa pelo Ministério da Defesa.

O desenvolvimento do ARION conta com aporte de R$ 25 milhões via subvenção econômica do Programa Finep Mais Inovação Brasil, recurso que também financia o desenvolvimento da turbobomba POSEIDON. O MLBR, veículo de doze metros capaz de colocar cargas de até 40 kg em órbita baixa, reúne oito empresas brasileiras sob coordenação da CENIC Engenharia e Indústria e Comércio, e é financiado pela FINEP em parceria com a AEB.

O lançamento do FTL-Perseu se soma a um conjunto de avanços recentes do programa espacial brasileiro, que inclui os preparativos de infraestrutura do MLBR e o objetivo, perseguido desde 1979, de lançar um satélite brasileiro a partir de solo nacional em um foguete também nacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será submetido ao Administrador. Não serão publicados comentários ofensivos ou que visem desabonar a imagem das empresas (críticas destrutivas).

Postagem em destaque