Acordo firmado no Farnborough International Airshow avalia o fornecimento de compósitos avançados da fabricante emiratense para a família E-Jet E2 e amplia a rede de parceiros da Embraer na cadeia de suprimentos aeroespacial
*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026
A Embraer e a Strata Manufacturing PJSC, fabricante de aeroestruturas compostas integralmente controlada pela Mubadala Investment Company, assinaram nesta terça-feira (21/7) um Memorando de Acordo (MoA) durante o Farnborough International Airshow 2026, em Hampshire, no Reino Unido. O documento estabelece uma estrutura de avaliação para o eventual fornecimento, pela Strata, de aeroestruturas compostas avançadas destinadas aos programas de aeronaves comerciais da fabricante brasileira.
Segundo o comunicado conjunto das duas empresas, o acordo prevê que Embraer e Strata trabalhem juntas na avaliação de pacotes de trabalho voltados à família E-Jet E2, seguindo um roteiro estruturado de marcos técnicos, comerciais e contratuais. As partes também sinalizaram a intenção de estender a cooperação a outras plataformas de aeronaves da Embraer, sem detalhar, por ora, quais programas seriam contemplados.
Quem é a Strata
Sediada em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, a Strata iniciou produção em 2010 e já entregou mais de 115 mil componentes aeroestruturais, produzidos por uma força de trabalho com mais de 25 nacionalidades, mais da metade composta por mulheres emiradenses. A empresa integra a plataforma UAE Investments da Mubadala e tem entre seus clientes históricos a Boeing, para quem fabrica peças compostas dos programas 777 e 787, incluindo, desde 2012, a aleta vertical do Dreamliner sob contrato direto de dez anos. A entrada da Embraer na carteira de clientes da Strata amplia o alcance da fabricante emiratense para além do eixo Boeing-Airbus, no qual historicamente concentrou sua produção.
O contexto: Farnborough e a expansão da cadeia de suprimentos
O memorando foi anunciado em meio a um Farnborough particularmente movimentado para a Embraer. A fabricante brasileira confirmou, no mesmo salão, encomendas firmes de 30 jatos comerciais junto a quatro clientes (Abra Group, Binter Canarias, Luxair e Fuji Dream Airlines), reforçando um backlog recorde. A companhia também expõe estaticamente o E195-E2 e o cargueiro militar KC-390 Millennium, além de apresentar a visão de mobilidade urbana da Eve Air Mobility.
Para a Strata, o entendimento com a Embraer se soma à estratégia declarada de diversificação de clientes e de consolidação dos Emirados Árabes Unidos como polo aeroespacial competitivo, alinhada à Visão Econômica de Abu Dhabi para 2030. A empresa vem registrando marcos de produção nos últimos anos, tendo atingido, em abril de 2025, a marca de 100 mil componentes aeroestruturais entregues desde o início de suas operações.
O que dizem os executivos
Sara Abdulla AlMemari, CEO interina da Strata, afirmou que o acordo representa "um passo importante na expansão das parcerias globais da Strata com os principais fabricantes de aeronaves", destacando a confiança nas capacidades de fabricação de compósitos da empresa emiratense.
Roberto Chaves, vice-presidente executivo de compras globais e cadeia de suprimentos da Embraer, disse que a Strata "construiu uma sólida reputação como fabricante aeroespacial confiável", e que o memorando é um passo para avaliar novas oportunidades de fortalecimento da cadeia de suprimentos global da fabricante brasileira, em apoio aos programas comerciais em curso.
Por que importa
O acordo se insere em um movimento mais amplo de internacionalização da cadeia produtiva da Embraer, que já mantém parcerias e negociações de fornecimento em mercados como Índia, Polônia e Marrocos para diferentes programas. Para a Strata, o entendimento reforça o esforço de diversificação de clientela para além de seus contratos históricos com a Boeing, em um momento de crescimento sustentado da fabricação aeroespacial nos Emirados Árabes Unidos. O memorando, por ora, tem caráter avaliativo: não configura contrato de fornecimento, mas estabelece o roteiro pelo qual as duas empresas pretendem, nos próximos meses, avançar rumo a etapas técnicas, comerciais e contratuais mais concretas.

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