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23 julho, 2026

Embraer amplia presença na Flórida com nova parceria da Eve Air Mobility em mobilidade aérea avançada

Eve Air Mobility e Departamento de Transportes da Flórida vão usar o centro SunTrax Air para testar infraestrutura e procedimentos de operação de eVTOLs 


*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada a aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, uma parceria com o Departamento de Transportes da Flórida (FDOT, na sigla em inglês) para uma iniciativa de mobilidade aérea avançada, a Advanced Air Mobility (AAM), no centro de pesquisas SunTrax Air.

A iniciativa, conduzida pelo FDOT, vai reunir a experiência da Eve em aeronaves eVTOL, operações e serviços com a capacidade de pesquisa, testes e validação do SunTrax Air. Segundo a empresa, o esforço deve gerar subsídios sobre infraestrutura, procedimentos operacionais e regras de navegação aérea necessários para permitir a integração segura e eficiente da mobilidade aérea avançada à rede de transportes do estado americano.

O centro SunTrax Air é operado pelo FDOT e funciona como o principal polo estadual de pesquisa e desenvolvimento em mobilidade aérea avançada. Localizado em Auburndale, o complexo oferece um ambiente controlado para avaliação de tecnologias, conceitos operacionais e infraestrutura de apoio voltados à próxima geração de aviação.

Em nota, o presidente executivo da Eve Air Mobility, Johann Bordais, afirmou que a Flórida reconhece seu papel estratégico no futuro da mobilidade aérea avançada e vem construindo de forma proativa o ecossistema necessário para sustentá-la. Bordais também destacou o entendimento do secretário do FDOT, Jared W. Perdue, e de sua equipe de que a introdução de um novo modo de transporte exige alinhamento entre aeronaves, infraestrutura, operações e comunidades, e disse que a Eve tem orgulho de contribuir com sua experiência, dando continuidade ao relacionamento de longa data da Embraer com o estado.

Perdue, por sua vez, classificou o acordo como mais um avanço rumo à implementação da mobilidade aérea avançada na Flórida, e disse que os recursos e a infraestrutura exclusivos do SunTrax serão fundamentais para as pesquisas e os testes da Eve, com vistas à integração segura dessas aeronaves ao sistema de transportes estadual.

A parceria se soma a uma colaboração já em curso entre a Eve e o FDOT. As duas partes vão avaliar, a partir do SunTrax Air, conceitos operacionais, prontidão de infraestrutura, experiência do passageiro e requisitos futuros do ecossistema, com o objetivo declarado de posicionar a Flórida como referência nacional em mobilidade aérea avançada e de acelerar a comercialização das operações eVTOL.

O anúncio ocorre em meio a um período de intensa atividade da Eve no Farnborough International Airshow, no qual a empresa também divulgou avanços no processo de certificação global do seu modelo Eve 100 e um pedido firme de até 16 aeronaves feito pela Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point.

A Eve é listada na Bolsa de Valores de Nova York (EVEX, EVEXW) e na B3 (EVEB31), e tem como controladora a Embraer, fabricante brasileira com 56 anos de história na indústria aeroespacial.

Caçador II: Avionics Services destaca VANT brasileiro em participação no Farnborough International Airshow 2026

Empresa de Botucatu completa 30 anos de atuação e apresenta o veículo aéreo não tripulado Classe 4 entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio de aviônica, certificação e modernização de aeronaves

Imagem renderizada por IA de uma Caçador II sobre o Aeroporto de Botucatu
 
*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026

A Avionics Services, empresa brasileira de engenharia aeronáutica com sede em São Paulo e base operacional e industrial no Aeródromo Municipal de Botucatu (SDBK), interior do Estado de São Paulo, confirmou participação no Farnborough International Airshow 2026, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O evento ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, no Farnborough International Exhibition & Conference Centre, em Hampshire, no Reino Unido, e deve reunir mais de 1.400 expositores, cerca de 400 delegações oficiais e mais de 100 mil visitantes. A empresa brasileira ocupa o estande nº 41124, no Hall 4, dentro do espaço do Pavilhão Brasil.

O Caçador II
Entre os destaques da participação está o projeto do Caçador II, veículo aéreo não tripulado (VANT) de asa fixa, Classe 4, desenvolvido para aplicações civis e militares. O sistema é uma nova geração do Caçador original, lançado em 2016 como versão brasileira do Heron-1, da israelense Israel Aerospace Industries (IAI), fruto de um acordo de transferência de tecnologia entre as duas empresas. Segundo reportagem do portal espanhol Infodefensa, o Caçador II é baseado no IAI Heron CAT 4 MALE e é capaz de realizar toda a missão de forma autônoma, incluindo pouso automático sem interferência humana. Segundo a Avionics Services, o Caçador II foi projetado para missões de monitoramento ambiental, vigilância de fronteiras, proteção de infraestruturas críticas, combate a incêndios, busca e salvamento, fiscalização de atividades ilícitas e apoio a operações de segurança pública, mantendo o perfil de uso dual que já caracterizava o modelo anterior.

Registros fotográficos de um exemplar com a inscrição "experimental" e a matrícula civil PP-ZVM, feitos no hangar da empresa em Botucatu e creditados pela Infodefensa ao jornalista especializado Roberto Caiafa, indicam que o novo VANT já realiza voos de ensaio sob autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda sem certificação de tipo definitiva. Visualmente, a aeronave preserva a configuração aerodinâmica de asa de grande envergadura e cauda em V invertido que caracteriza a família Heron. Segundo a mesma reportagem, o Caçador I e o Caçador II são operados a distância por meio de um shelter, contêiner padrão de vinte pés, com toda a aviônica de missão apresentada em telas multifuncionais coloridas, e podem empregar conexão via satélite, o que amplia de forma significativa o alcance da missão.

O que ainda não foi revelado
Até a publicação desta matéria, a Avionics Services não havia divulgado uma ficha técnica própria do Caçador II, com dados como envergadura, peso máximo de decolagem, autonomia de voo e teto de serviço. O Caçador original, para efeito de comparação, tem envergadura de 16,6 metros, peso máximo de decolagem de 1.270 quilogramas, autonomia de 40 horas, teto de serviço de 9.100 metros e alcance de até 1.000 quilômetros com uso de canal satelital em banda Ku. Se o Caçador II repete ou supera esses números, ainda não está confirmado publicamente.

Uma vitrine mais ampla que o drone
Segundo release oficial da empresa, o Caçador II está entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio mais amplo de soluções em engenharia aeronáutica: modernização de painéis e sistemas aviônicos, retrofit de aviônicos, conectividade em voo por meio do Gogo Galileo HDX, simuladores de voo, soluções de interiores desenvolvidas pelo Aircraft Interiors Center, além de serviços de engenharia e certificação. A empresa afirma acumular mais de 600 processos conduzidos junto à ANAC, o maior volume entre companhias brasileiras do setor, e atuação também junto à Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, e à European Union Aviation Safety Agency (EASA), da União Europeia.

O catálogo da empresa reúne mais de 70 produtos para aplicações aeronáuticas, entre sistemas de iluminação em LED, equipamentos eletrônicos embarcados, conversores, inversores e sistemas de segurança, desenvolvidos conforme as normas DO-160, DO-178 e DO-254 e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Avionics Services também desenvolve projetos de integração de sistemas como EFIS, FMS, TCAS, EGPWS, CVR, GPS, comunicação via satélite e entretenimento de bordo, além de programas de modernização de interiores para aeronaves civis e militares.

Em nota, o presidente da empresa, João Vernini, afirmou que o Farnborough International Airshow reúne fabricantes, operadores, autoridades aeronáuticas e empresas de tecnologia de todo o mundo, e que a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar a presença global da companhia, estabelecer novas parcerias e demonstrar a capacidade da engenharia brasileira.

Trinta anos de história
A Avionics Services celebra, em 2026, 30 anos de atuação, com fundação registrada em janeiro de 1996. A empresa acumula certificações RBAC 145, da ANAC; Part-145, da EASA; ISO 9001; e AS9100D, além do reconhecimento do Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Mantém projetos em desenvolvimento com fabricantes como a Embraer e o Grupo Airbus e, em 2025, participou de outros seis eventos internacionais de porte: o Paris Air Show, o Dubai Airshow, o NBAA-BACE, nos Estados Unidos, o EDEX, no Egito, e a Expodefensa, na Colômbia, entre outros, reforçando a estratégia de internacionalização da companhia.

A parceria com a IAI
A relação entre a Avionics Services e a IAI remonta a 2013, quando as duas empresas firmaram acordo de cooperação para o desenvolvimento do Caçador original. O processo envolveu transferência de tecnologia e a entrada da IAI Brasil na sociedade, com participação acionária minoritária, o que preserva o enquadramento da Avionics Services como Empresa Estratégica de Defesa segundo a legislação brasileira, que exige controle de dois terços do capital por sócios nacionais. O primeiro Caçador voou pela primeira vez em fevereiro de 2016 e passou a ser usado, entre outros clientes, pelo Departamento de Polícia Federal, no controle de fronteiras do País.

22 julho, 2026

Embraer detalha em Farnborough o roteiro de modernização antidrone do A-29 Super Tucano

Fabricante brasileira apresenta pacote de aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, tanque externo adicional e bomba guiada INS/GPS para reforçar a missão contra sistemas aéreos não tripulados 

Imagem: Defence Turkey

*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Embraer aproveitou o Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, para detalhar o avanço de seu roteiro de modernização do A-29 Super Tucano voltado à missão contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS, na sigla em inglês). Segundo apuração do portal especializado turco Defence Turkey, a apresentação, feita por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, reuniu tanto a arquitetura antidrone já conhecida do turboélice quanto um conjunto de novos investimentos em aviônica e armamento, anunciado durante o salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7).

O conceito operacional já consolidado
A base da missão contra drones do A-29 não é novidade: a Embraer formalizou a expansão do portfólio de missões da aeronave para incluir operações C-UAS em 11 de novembro de 2025, e o tema já vinha sendo trabalhado comercialmente desde o início daquele ano, com foco inicial no Oriente Médio. 

O conceito operacional (CONOPS) prevê que a aeronave receba, por meio de um link de dados dedicado, as coordenadas iniciais de um alvo detectado por sensores externos; em seguida, o sensor eletro-óptico e infravermelho (EO/IR) de bordo assume o rastreamento e a designação a laser do alvo, permitindo o engajamento por foguetes guiados a laser ou pelas metralhadoras calibre .50 montadas nas asas. A Embraer descreve a solução como baseada majoritariamente em sistemas já existentes na aeronave, o que permite oferecê-la tanto a operadores atuais quanto a futuros clientes do Super Tucano.

Os novos itens do roteiro anunciados em Farnborough
Em Farnborough, segundo a Defence Turkey, a Embraer acrescentou à missão C-UAS um conjunto adicional de investimentos em aviônica e armamento, apresentado como parte do roteiro de desenvolvimento do A-29. O pacote inclui aviônica de quinta geração, um display de cabine de grande área (large-area cockpit display), um novo link de dados de vídeo (video downlink) e um tanque de combustível externo adicional, destinado a aumentar a persistência e o alcance de missão da aeronave. 

A apresentação também trouxe uma bomba guiada por INS/GPS como parte do portfólio de armamento de precisão planejado ou em expansão para o A-29, além de reforçar a integração de foguetes guiados a laser sob o padrão Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), da BAE Systems, já usado pela aeronave. Segundo a Embraer, os investimentos têm o objetivo de manter o Super Tucano relevante à medida que os requisitos dos clientes e as ameaças operacionais evoluem.

Imagem: Defence Turkey

Um turboélice contra a ameaça dos drones
O apelo do A-29 para a missão C-UAS está associado às suas características de voo, distintas das de um caça a jato: velocidade de estol baixa, boa manobrabilidade a baixa velocidade e sensores integrados que permitem acompanhar, identificar e engajar drones lentos e de baixa altitude, como os do tipo Shahed, difíceis de interceptar por aeronaves supersônicas. A proposta da Embraer é oferecer uma alternativa de custo bem inferior ao emprego de caças de alta performance contra ameaças não tripuladas relativamente baratas, especialmente na defesa de infraestrutura crítica, bases militares e forças em operação.

Contexto comercial: frota em expansão
A apresentação em Farnborough também trouxe números atualizados de mercado para o A-29. Segundo a Embraer, a frota mundial do Super Tucano já ultrapassa 625 mil horas de voo, e a fabricante fechou 39 novos pedidos da aeronave em menos de 24 meses, com base em dados até maio de 2026. Esse total mais recente inclui seis unidades para o Paraguai, quatro para um cliente não divulgado, 12 A-29N para Portugal, seis para o Uruguai, seis para as Filipinas, quatro para o Panamá e uma unidade adquirida pela norte-americana SNC, fabricante licenciada do modelo nos Estados Unidos. Até junho de 2025, a aeronave já somava mais de 600 mil horas de voo, mais de 290 pedidos acumulados e presença confirmada em 22 forças aéreas ao redor do mundo, entre elas a do Brasil, primeiro operador do A-29.

Por que importa
O anúncio reforça uma linha editorial já explorada por esta consultoria desde meados de 2024: a de que o A-29 Super Tucano tem potencial para se consolidar como uma das plataformas antidrone ar-ar mais eficazes e acessíveis da atualidade, num momento em que o uso de drones de médio e grande porte, como os Shahed de origem iraniana, se multiplica em diferentes teatros de conflito. 

Ao somar aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, maior autonomia e uma bomba guiada por INS/GPS ao conjunto de sensores e armamentos já existentes, a Embraer amplia a proposta de valor do Super Tucano para além da contrainsurgência, da vigilância de fronteiras e do ataque leve, mirando diretamente a lacuna deixada por caças e helicópteros de ataque, menos adequados a esse tipo de missão de baixa velocidade e baixa altitude.

21 julho, 2026

Embraer vende ou negocia mais de 100 jatos em jornada histórica no Farnborough Airshow

Fabricante brasileira assina acordos com Saab, Anduril, Mubadala e Strata Manufacturing, enquanto a Eve amplia carteira de eVTOLs e a companhia soma novos pedidos de jatos comerciais com Abra Group, Binter, Fuji Dream Airlines, Luxair, SkyWest e Azorra


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer encerrou nesta terça-feira (21/7) uma das jornadas mais movimentadas de sua história recente no Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Entre a tarde de domingo (19/7) e o fim do dia local desta terça, a fabricante brasileira e sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, a Eve Air Mobility, encadearam treze anúncios distintos, somando encomendas comerciais, memorandos industriais e acordos de defesa que devem render à companhia muitos milhões de dólares em receita futura. O salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7), reúne o E195-E2 e o KC-390 Millennium na exposição estática, além de um modelo em tamanho real do eVTOL da Eve.

Saab amplia produção do Gripen em Gavião Peixoto
A Embraer e a Saab assinaram um memorando de entendimento (Heads of Agreement) que estabelece as bases para a produção de mais 20 caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto (SP), única linha de montagem final do caça sueco fora do território da Suécia. O documento não equivale a contrato fechado: define um arcabouço de cooperação que as duas empresas pretendem transformar em acordo definitivo ainda em 2026. 

O movimento já vinha sendo sinalizado por Brasília; em junho, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, mencionara "talvez 20 Gripen" adicionais aos 36 já contratados pela Força Aérea Brasileira, enquanto o governo sueco confirmara o interesse formal do País. O acordo não detalha valores, cronograma de entregas ou origem do financiamento das aeronaves adicionais.

Anduril: o C-390 vira plataforma de lançamento de mísseis
Em memorando separado, a Embraer e a norte-americana Anduril estabeleceram a intenção de integrar ao C-390 Millennium o míssil de cruzeiro Barracuda-500M (designação oficial AGM-189A na Força Aérea dos Estados Unidos), lançado a partir de paletes por meio de sistemas roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes na aeronave. O míssil, com alcance superior a 500 milhas náuticas (cerca de 926 quilômetros) e custo unitário estimado entre US$ 200 mil e US$ 216 mil, é apresentado pela Anduril como fração do preço de mísseis tradicionais como o Tomahawk ou o JASSM-ER. 

Se avançar para contrato firme, a integração aproximaria o C-390 do conceito de transporte militar convertido em lançador de munições em massa a baixo custo, tema já discutido em análises sobre a guerra na Ucrânia e em tratativas com a Índia, transformando a aeronave em uma plataforma de projeção de poder.

Mubadala e Strata Manufacturing: aprofundamento no ecossistema dos Emirados
A Embraer também assinou acordo-quadro estratégico com a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi, prevendo colaboração de longo prazo em manutenção, reparo e revisão (MRO), formação de mão de obra e pesquisa e desenvolvimento conjuntos. A Sanad, subsidiária da Mubadala especializada em MRO de motores, ganha oportunidade de prestar serviços à fabricante brasileira, com potencial de expansão para o Golfo e o norte da África. 

Já a Strata Manufacturing, também controlada pela Mubadala, firmou memorando separado que avalia o fornecimento de aeroestruturas compostas para a família E-Jet E2, com intenção declarada de estender a cooperação a outras plataformas da Embraer no futuro. Segundo o comunicado conjunto, o entendimento se insere nos objetivos da Operação 300 Bilhões e da Estratégia Industrial de Abu Dhabi, iniciativas de diversificação econômica dos Emirados Árabes Unidos.

Suécia e Áustria reforçam o ecossistema de treinamento do C-390
Um dia antes, a Embraer havia fechado acordo para fornecer dispositivos de treinamento do C-390 Millennium às forças aéreas da Suécia e da Áustria. A Força Aérea Sueca recebe um pacote completo, com simulador de voo (Full Flight Simulator) buscando qualificação Nível D, estação de manuseio de carga desenvolvida com a Rheinmetall e treinamento baseado em computador (Computer-Based Training) da empresa ETI; a Força Aérea Austríaca recebe apenas o módulo de treinamento computadorizado. O pacote dá continuidade ao modelo trilateral de aquisição compartilhada entre Suécia, Holanda e Áustria, que busca padronizar frotas e maximizar interoperabilidade. 

O anúncio coincidiu com a incorporação, pela Força Aérea da República Tcheca, de seu primeiro C-390, batizado em homenagem ao brigadeiro-general Karel Toman Mareš, ex-comandante do 311º Esquadrão Tchecoslovaco da Royal Air Force na Segunda Guerra Mundial.

Mercado comercial: onda de pedidos de E-Jets
No front comercial, a Embraer fechou uma sucessão de pedidos da família E-Jet. 

O Abra Group, holding controladora da Avianca, da GOL e da Wamos Air, assinou acordo para até 45 unidades do E195-E2 (20 firmes, 10 opções e 15 direitos de compra), confirmando negociação já apurada pela imprensa desde a semana anterior. 

A companhia espanhola Binter, sediada nas Ilhas Canárias e primeira operadora europeia do modelo, fechou pedido firme de mais cinco E195-E2, além de direitos de compra para outras quatro unidades, elevando para 21 o total de aeronaves encomendadas desde 2018. 

A Luxair, companhia aérea nacional de Luxemburgo, converteu direitos de compra existentes em pedido firme de três E190-E2, além de garantir direito de compra adicional para mais uma unidade, elevando sua carteira firme da família E2 para nove aeronaves; a primeira entrega está prevista para o final de 2028, com destino a rotas corporativas de alta frequência, entre elas a ligação entre Luxemburgo e o aeroporto de London City. 

Já a japonesa Fuji Dream Airlines comprou dois E175 em configuração de classe única, com entregas previstas para 2027 e 2028, passando a operar 15 aeronaves 100% Embraer. 

Em paralelo, a locadora Azorra fechou acordo para até 30 E-Freighters (20 firmes e dez direitos de compra), marcando sua entrada no leasing de aeronaves cargueiras. O E190F, primeiro modelo da linha, segue praticamente sem concorrência direta no segmento de conversão de jatos regionais em cargueiros. 

Ao todo, os cinco clientes somaram, em um único dia, pedidos firmes de 50 jatos comerciais, em meio a uma carteira que já reúne, entre encomendas recentes, as 18 unidades do E195-E2 firmadas pela finlandesa Finnair e o pedido de até 100 jatos da norte-americana Avelo Airlines.  

Se todos os pedidos firmes, opções e direitos de compra forem confirmados, só hoje a Embraer vendeu 90 jatos. Segundo estimativa do JPMorgan, o backlog comercial da fabricante pode se aproximar de US$ 15,6 bilhões no segundo trimestre de 2026, ano que já havia começado com a maior carteira de pedidos da história da companhia, avaliada em US$ 31,6 bilhões a preços de lista.

SkyWest: suporte pós-venda
A Embraer também ampliou sua presença em serviços e em um novo nicho de mercado. A norte-americana SkyWest Airlines, maior operadora de E175 do mundo, estendeu por longo prazo o contrato de manutenção pesada que cobre os 271 jatos do tipo em sua frota, com atividades distribuídas entre as unidades de Nashville, Macon e Fort Worth; a fabricante investe ainda cerca de US$ 70 milhões em nova instalação de MRO em Fort Worth, com operação prevista para 2027. 

Eve Air Mobility: eVTOLs Eve 100 para Cabo Verde e novos financiamentos
A subsidiária de mobilidade aérea urbana da Embraer também somou anúncios ao longo do salão. A Eve assinou carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da gestora de crédito privado Bay Point, para até 16 eVTOLs, e firmou entendimento com a companhia suíça Moov para até 30 unidades destinadas a turismo e mobilidade regional em Cabo Verde, além de operações na Europa. 

No campo regulatório, a ANAC publicou proposta de critérios de certificação acústica para o Eve 100, com consulta pública aberta até 8 de agosto. A empresa mantém carteira de cerca de 2.700 pré-pedidos e segue a campanha de testes de voo do protótipo de engenharia, iniciada em dezembro de 2025.

Por que importa
O conjunto de anúncios reforça o movimento de internacionalização da base produtiva da Embraer, que já mantinha parcerias e negociações em mercados como Índia, Polônia, Marrocos e Grécia, ao mesmo tempo em que amplia sua presença na cadeia de suprimentos dos Emirados Árabes Unidos por meio da Mubadala e da Strata. 

No plano de defesa, os memorandos com a Saab e com a Anduril sinalizam dois movimentos simultâneos: a consolidação de Gavião Peixoto como polo regional de produção do Gripen para a América do Sul, e a possível transformação do C-390 Millennium em plataforma de projeção de poder, para além do transporte tático. 

No mercado comercial, a sequência de pedidos de E195-E2 e E175, somada à entrada no segmento de cargueiros (E190F) com a Azorra, indica que a fabricante brasileira chega ao Farnborough 2026 em um dos momentos de maior impulso comercial de sua história recente.

Embraer e Strata Manufacturing assinam memorando para aeroestruturas do E2

Acordo firmado no Farnborough International Airshow avalia o fornecimento de compósitos avançados da fabricante emiratense para a família E-Jet E2 e amplia a rede de parceiros da Embraer na cadeia de suprimentos aeroespacial  


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e a Strata Manufacturing PJSC, fabricante de aeroestruturas compostas integralmente controlada pela Mubadala Investment Company, assinaram nesta terça-feira (21/7) um Memorando de Acordo (MoA) durante o Farnborough International Airshow 2026, em Hampshire, no Reino Unido. O documento estabelece uma estrutura de avaliação para o eventual fornecimento, pela Strata, de aeroestruturas compostas avançadas destinadas aos programas de aeronaves comerciais da fabricante brasileira.

Segundo o comunicado conjunto das duas empresas, o acordo prevê que Embraer e Strata trabalhem juntas na avaliação de pacotes de trabalho voltados à família E-Jet E2, seguindo um roteiro estruturado de marcos técnicos, comerciais e contratuais. As partes também sinalizaram a intenção de estender a cooperação a outras plataformas de aeronaves da Embraer, sem detalhar, por ora, quais programas seriam contemplados.

Quem é a Strata
Sediada em Al Ain, nos Emirados Árabes Unidos, a Strata iniciou produção em 2010 e já entregou mais de 115 mil componentes aeroestruturais, produzidos por uma força de trabalho com mais de 25 nacionalidades, mais da metade composta por mulheres emiradenses. A empresa integra a plataforma UAE Investments da Mubadala e tem entre seus clientes históricos a Boeing, para quem fabrica peças compostas dos programas 777 e 787, incluindo, desde 2012, a aleta vertical do Dreamliner sob contrato direto de dez anos. A entrada da Embraer na carteira de clientes da Strata amplia o alcance da fabricante emiratense para além do eixo Boeing-Airbus, no qual historicamente concentrou sua produção.

O contexto: Farnborough e a expansão da cadeia de suprimentos

O memorando foi anunciado em meio a um Farnborough particularmente movimentado para a Embraer. A fabricante brasileira confirmou, no mesmo salão, encomendas firmes de 30 jatos comerciais junto a quatro clientes (Abra Group, Binter Canarias, Luxair e Fuji Dream Airlines), reforçando um backlog recorde. A companhia também expõe estaticamente o E195-E2 e o cargueiro militar KC-390 Millennium, além de apresentar a visão de mobilidade urbana da Eve Air Mobility.

Para a Strata, o entendimento com a Embraer se soma à estratégia declarada de diversificação de clientes e de consolidação dos Emirados Árabes Unidos como polo aeroespacial competitivo, alinhada à Visão Econômica de Abu Dhabi para 2030. A empresa vem registrando marcos de produção nos últimos anos, tendo atingido, em abril de 2025, a marca de 100 mil componentes aeroestruturais entregues desde o início de suas operações.

O que dizem os executivos
Sara Abdulla AlMemari, CEO interina da Strata, afirmou que o acordo representa "um passo importante na expansão das parcerias globais da Strata com os principais fabricantes de aeronaves", destacando a confiança nas capacidades de fabricação de compósitos da empresa emiratense.

Roberto Chaves, vice-presidente executivo de compras globais e cadeia de suprimentos da Embraer, disse que a Strata "construiu uma sólida reputação como fabricante aeroespacial confiável", e que o memorando é um passo para avaliar novas oportunidades de fortalecimento da cadeia de suprimentos global da fabricante brasileira, em apoio aos programas comerciais em curso.

Por que importa
O acordo se insere em um movimento mais amplo de internacionalização da cadeia produtiva da Embraer, que já mantém parcerias e negociações de fornecimento em mercados como Índia, Polônia e Marrocos para diferentes programas. Para a Strata, o entendimento reforça o esforço de diversificação de clientela para além de seus contratos históricos com a Boeing, em um momento de crescimento sustentado da fabricação aeroespacial nos Emirados Árabes Unidos. O memorando, por ora, tem caráter avaliativo: não configura contrato de fornecimento, mas estabelece o roteiro pelo qual as duas empresas pretendem, nos próximos meses, avançar rumo a etapas técnicas, comerciais e contratuais mais concretas.

Embraer e SkyWest Airlines estendem contrato de manutenção pesada para 271 E-Jets nos Estados Unidos

Acordo amplia escopo e capacidade do programa existente nas unidades de Nashville, Macon e Fort Worth, em meio à expansão da rede de MRO da fabricante brasileira no mercado americano

 

*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e a SkyWest Airlines assinaram, durante o Farnborough International Airshow, em 21 de julho de 2026, uma extensão de longo prazo do contrato de manutenção pesada que cobre os 271 jatos E175 operados pela companhia aérea norte-americana. A extensão amplia o escopo do programa já existente entre as duas empresas e aumenta a capacidade disponível para atender ao planejamento de longo prazo da frota e às necessidades operacionais da SkyWest.

Segundo o acordo, as atividades de manutenção serão realizadas em três instalações de Serviços e Suporte da Embraer nos Estados Unidos: Nashville, no Tennessee; Macon, na Geórgia; e Fort Worth, no Texas.

As declarações
Para Joe Sigg, vice-presidente de Manutenção da SkyWest, o contrato é “fundamental para manter a frota de E175 robusta e confiável”. Segundo ele, como maior proprietária e operadora de aeronaves E175 do mundo, a SkyWest depende desse tipo de acordo para seguir oferecendo o padrão de confiabilidade esperado por seus clientes.

Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte, classificou a SkyWest como “uma cliente de longa data e uma parceira estratégica”. Segundo ele, o acordo reforça o compromisso da Embraer em fornecer soluções de MRO lideradas pela fabricante original do equipamento, aumentando a confiabilidade da frota e a eficiência operacional dos clientes, ao mesmo tempo em que sustenta a expansão da rede de manutenção da empresa nos Estados Unidos.

Expansão da rede nos Estados Unidos
O novo contrato se soma a um movimento mais amplo de expansão da presença da Embraer no segmento de manutenção, reparo e revisão (MRO) no mercado americano. Em Fort Worth, a empresa está investindo cerca de US$ 70 milhões na construção de uma nova instalação de MRO voltada à aviação comercial, no aeroporto Perot Field Alliance, com início de operações previsto para 2027. Após a conclusão das obras, a unidade deve elevar em mais de 50% a capacidade de atendimento da Embraer a clientes de E-Jets nos Estados Unidos.

A futura unidade de Fort Worth vai complementar as operações que a Embraer já mantém no aeroporto Alliance desde junho de 2025, e deve ter papel central no atendimento à demanda crescente por manutenção de E-Jets na América do Norte.

No total, a rede global de Serviços e Suporte da Embraer reúne atualmente mais de 80 centros de serviço autorizados e 13 centros de serviço próprios, com atuação em diferentes regiões do mundo.

Sobre a SkyWest Airlines
A SkyWest Airlines é subsidiária integral da SkyWest, Inc. (Nasdaq: SKYW) e é a maior proprietária e operadora do jato E175 no mundo. A companhia opera por meio de parcerias com a United Airlines, a Delta Air Lines, a American Airlines e a Alaska Airlines, e transportou 46 milhões de passageiros em 2025. A frota da SkyWest soma aproximadamente 500 aeronaves, conectando passageiros a mais de 260 destinos na América do Norte.

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