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26 outubro, 2026

Embraer mira expansão militar na Ásia com C-390, produção local e Super Tucano antidrone

Entrevista de executivo da fabricante revela negociações regionais e novas capacidades, enquanto Índia, Coreia do Sul e Filipinas representam diferentes estágios de presença no mercado



*LRCA Defense Consulting - 26/10/2026 - 09h10

A Embraer vê na Ásia-Pacífico uma das principais frentes para ampliar suas atividades de Defesa e Segurança. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (26) pela Asian Military Review, Frederico Lemos, diretor comercial da divisão, afirmou que a empresa mantém conversações ativas com vários países da região, impulsionada pelo interesse no C-390 Millennium e no A-29 Super Tucano. O movimento reúne oportunidades de renovação de frotas, parcerias industriais e novas missões, especialmente a interceptação de drones.

Segundo a Embraer, o mercado endereçável na Ásia-Pacífico alcança 184 aeronaves de transporte militar, cerca de 40% do potencial global identificado pela companhia, e outras 90 aeronaves na categoria do Super Tucano. Esses números expressam estimativas de demanda, não pedidos, contratos ou previsões de participação efetiva da fabricante brasileira.

Coreia do Sul abre caminho para o C-390 

A Coreia do Sul é a primeira cliente asiática do C-390 e deverá receber sua primeira aeronave em 2026. Apresentado pela Embraer no Singapore Airshow, em fevereiro, o avião havia alcançado a fase final de montagem e ainda precisaria passar por voos de produção e integração de sistemas específicos. O avanço oferece à fabricante uma referência regional concreta, embora a entrada em serviço e seus resultados operacionais ainda precisem ser comprovados.

A empresa destaca a capacidade multimissão do C-390, que combina transporte, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento e apoio a operações especiais. Para países com arquipélagos, bases dispersas e grandes distâncias, a flexibilidade pode ser tão importante quanto a carga transportada. Lemos mencionou uma taxa de disponibilidade para missão de 93%, indicador apresentado pela própria Embraer e que não deve ser confundido com desempenho auditado de todas as frotas. 


Índia: aeronaves e indústria na mesma concorrência 
Na Índia, a Embraer disputa com o C-390 o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA), previsto para 60 unidades. A proposta contempla 12 aeronaves entregues prontas e 48 fabricadas localmente. Em parceria com a Mahindra, a companhia identificou Nagpur como local para uma possível linha de montagem final, cuja implantação depende da seleção brasileira e de um contrato efetivo.

O LRCA examinou em 16 de outubro o significado industrial dessa concorrência: além de preço e desempenho, a decisão indiana envolve conteúdo nacional, fornecedores, transferência de tecnologia e manutenção. A Lockheed Martin concorre com o C-130J, aeronave já conhecida da Força Aérea Indiana e apoiada por uma cadeia industrial estabelecida. A expectativa de seleção em 2028, mencionada pela Asian Military Review, permanece uma projeção, não um resultado definido.

Super Tucano: de ataque leve à defesa contra drones, inclusive a jato

A outra oportunidade está no A-29. As Filipinas encomendaram um segundo lote de seis Super Tucano, que deverá elevar sua frota a 12 aeronaves; segundo Lemos, as novas entregas estão próximas. A ampliação mostra o valor de uma base de clientes existente, que pode demandar treinamento, manutenção e futuras atualizações.

Mais relevante do ponto de vista tecnológico é a missão antidrone. A Embraer desenvolve um pacote de capacidades contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS), com possibilidade de empregar metralhadoras ou foguetes guiados a laser. Lemos afirmou que os ensaios iniciais sugerem capacidade para enfrentar inclusive drones a jato. A declaração, porém, não equivale à comprovação pública de um sistema certificado e pronto para emprego operacional em todas as condições.

O pacote seria predominantemente baseado em software e poderia, segundo o executivo, ser oferecido a operadores atuais do A-29. Paralelamente, a versão A-29NX, anunciada em Farnborough 2026, prevê uma nova interface homem-máquina, tela de grandes dimensões e melhorias de conectividade. Trata-se de frentes relacionadas, mas não idênticas: a modernização da aeronave e a capacidade antidrone possuem requisitos e cronogramas que ainda precisam ser esclarecidos. 


A economia da interceptação e os limites operacionais 
A possibilidade de empregar armamento de menor custo contra drones baratos responde a um problema crescente das defesas aéreas: o desequilíbrio entre o preço da ameaça e o do interceptador. O Super Tucano pode acrescentar uma camada à defesa, mas não substitui radares, identificação segura, comando e controle, guerra eletrônica ou sistemas de defesa antiaérea. Velocidade relativa, altitude, meteorologia e risco para áreas povoadas continuam a condicionar a viabilidade de cada interceptação.

Capacidade industrial será decisiva 
A entrevista também indica a ambição da Embraer de elevar a produção do C-390 a dez aeronaves por ano até 2030, após uma previsão de seis entregas em 2026. A expansão exige fornecedores, pessoal, certificação, logística e suporte compatíveis com o aumento da frota. A empresa também estuda, com a Anduril, o lançamento de armamentos de longo alcance a partir do cargueiro; até a publicação da entrevista, nenhum armamento havia sido lançado do C-390 nessa iniciativa.

O momento financeiro reforça a relevância da estratégia. Conforme o LRCA noticiou em 23 de outubro, a carteira firme de Defesa e Segurança da Embraer alcançou US$ 6,1 bilhões ao fim do terceiro trimestre de 2026, crescimento de 56% em relação ao ano anterior. Esse resultado não significa, contudo, que o mercado asiático estimado já esteja incorporado à carteira de pedidos.

Da oportunidade ao contrato 
A Ásia-Pacífico oferece à Embraer três caminhos complementares: consolidar o C-390 em uma força aérea regional, disputar grandes programas de substituição de cargueiros e ampliar a utilidade do A-29 diante de novas ameaças. Coreia do Sul, Índia e Filipinas ilustram, respectivamente, a passagem à fase de entrega, a competição industrial ainda aberta e a ampliação de uma frota existente.

A perspectiva é promissora, mas exige cautela. Negociações não são encomendas; estimativas de mercado não são receitas contratadas; e testes iniciais não representam capacidade operacional consolidada. O sucesso da Embraer dependerá de converter interesse em contratos, cumprir prazos, sustentar disponibilidade e transformar parcerias industriais em estruturas permanentes de suporte. É nessa passagem das intenções aos resultados que se medirá a dimensão efetiva de sua expansão asiática.

17 outubro, 2026

Super Tucano pode preservar meios de alto desempenho na defesa em camadas contra drones

Vocação do A-29 contra alvos lentos ganha relevância diante de ataques numerosos, enquanto vetores a jato como o Geran-5 exigem respostas de outra categoria



*LRCA Defense Consulting - 17/10/2026 - 08h15

O avanço dos drones de ataque a jato torna mais importante definir o lugar de cada sistema na defesa aérea. Para o A-29 Super Tucano, a oportunidade está sobretudo no combate a drones mais lentos, dentro de uma arquitetura em camadas capaz de distribuir as ameaças entre diferentes meios. Se validada nas condições previstas de emprego, essa capacidade poderá reduzir a necessidade de mobilizar caças de alto desempenho e consumir mísseis mais caros contra alvos que não exigem esses recursos.

Essa é a lógica que sustenta o conceito antidrone desenvolvido pela Embraer. A chegada de vetores como o russo Geran-5, cujo desempenho se aproxima do de um míssil de cruzeiro, delimita o campo de atuação do turboélice. O valor do Super Tucano deve ser medido pela contribuição que pode oferecer ao conjunto da defesa, especialmente diante da repetição de ataques com armas relativamente baratas.

Os drones lentos continuam sendo um problema militar 

O menor custo relativo de muitos drones a hélice favorece sua aquisição e emprego em quantidade. A velocidade reduzida não elimina a capacidade de causar danos: uma arma que alcança uma subestação, um depósito ou uma instalação industrial pode produzir efeitos muito superiores ao seu preço. Além disso, alvos numerosos impõem trabalho aos sensores, aos centros de comando e às unidades responsáveis pelos engajamentos.

A evolução tecnológica tampouco exige que todas as armas anteriores desapareçam. Para o atacante, permanece plausível combinar vetores de diferentes custos e desempenhos, explorando as dificuldades que cada categoria impõe. Trata-se de uma lógica operacional, não de uma previsão de que os drones a pistão conservarão determinada participação na produção russa.

Esse cuidado é importante porque os modelos a jato também estão sendo empregados em grande quantidade. A IEEE Spectrum, em reportagem de 30 de setembro, citou estimativa de cerca de US$ 80 mil para um Geran a jato, aproximadamente o dobro do valor atribuído aos antecessores a hélice. Os números são estimativas de fonte secundária, não preços contratuais comprovados para cada versão. A publicação também registrou forte expansão dos lançamentos desses modelos durante o verão europeu.

Portanto, o argumento em favor do A-29 não depende de supor que os drones rápidos serão raros. Depende da existência de uma parcela relevante de ameaças compatíveis com suas capacidades, para a qual possa oferecer uma resposta eficaz e economicamente sustentável.

Uma camada aérea móvel contra alvos compatíveis 
Em novembro de 2025, a Embraer anunciou a ampliação das capacidades do Super Tucano para combater sistemas aéreos não tripulados. O conceito combina enlaces de dados para receber informações iniciais sobre o alvo, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, metralhadoras .50 e foguetes guiados a laser. A proposta é aproveitar a plataforma existente e integrar os recursos necessários à nova missão.

Em 4 de março de 2026, a fabricante anunciou parceria com a Valkyrie Aero para incorporar o Gunslinger, sistema com inteligência artificial voltado ao apoio à decisão tática. A Embraer destaca a autonomia, a agilidade e a possibilidade de acompanhar com segurança a velocidade de determinados drones de ataque, criando condições favoráveis ao emprego do armamento. São atributos apresentados pela fabricante, cuja eficácia precisa ser medida na configuração e nos cenários de operação correspondentes.

Nesse arranjo, o A-29 atuaria conectado à vigilância e ao comando da defesa. A indicação externa de alvos reduziria a necessidade de procurar sozinho pequenos objetos em grandes áreas, enquanto os sensores embarcados contribuiriam para a identificação e o acompanhamento. Sua mobilidade permitiria reforçar setores ameaçados e criar oportunidades de engajamento antes da chegada dos drones aos pontos protegidos.

Contra alvos lentos, a capacidade de voar em velocidades compatíveis com o acompanhamento constitui uma vantagem potencial. Uma aeronave reutilizável também pode realizar sucessivos engajamentos, dentro dos limites de munição, combustível e tempo de missão. O resultado esperado seria aliviar a carga sobre outras camadas e preservar meios de maior desempenho para as ameaças que efetivamente os exigem.

O Geran-5 estabelece um limite importante 
Segundo a ficha da inteligência militar ucraniana disponível no portal War & Sanctions, o Geran-5 tem velocidade de cruzeiro entre 450 e 600 km/h, alcance de 950 km, ogiva de 90 kg e peso máximo de decolagem de 850 kg. A fonte pertence a uma das partes do conflito, e esses dados devem ser entendidos como sua avaliação técnica, não como resultado de ensaios independentes.

Com propulsão a jato, navegação guiada e emprego de ataque sem retorno, o Geran-5 pode ser descrito funcionalmente como uma arma próxima a um míssil de cruzeiro de baixo custo. A denominação não decorre apenas da aparência ou da velocidade, nem implica equivalência com mísseis mais sofisticados em precisão, alcance ou resistência às contramedidas.

A FAB informa velocidade máxima nivelada de 590 km/h para o A-29. Tomados como referência, esses números não oferecem vantagem de velocidade ao Super Tucano para perseguir um Geran-5 voando a 600 km/h. Contra um alvo situado na parte inferior da faixa publicada, pode existir vantagem, mas sua utilidade depende da altitude, da configuração da aeronave, da distância inicial e do tempo restante para o engajamento.

Uma geometria favorável e armamento adequado podem permitir interceptações sem perseguição prolongada. Essa possibilidade teórica, entretanto, não fundamenta a escolha do A-29 como resposta principal ao Geran-5. O planejamento deve atribuir vetores dessa categoria a sistemas com desempenho e capacidade de engajamento demonstrados para enfrentá-los.

Também seria impreciso tratar todos os drones a jato como equivalentes. O estudo de Kateryna Bondar e Nicole Errera, publicado pelo CSIS em setembro, descreve diferenças entre os Geran-3, Geran-4 e Geran-5, inclusive em estrutura e aerodinâmica. A seleção do defensor precisa considerar cada ameaça e suas condições de emprego, em vez de se apoiar somente no tipo de motor. 


Defesa em camadas significa integração e divisão de tarefas 

A política de defesa aérea e antimísseis integrada da OTAN, aprovada em fevereiro de 2025, estabelece a combinação de plataformas aéreas e sistemas de superfície com diferentes alcances e altitudes. Também enfatiza vigilância, comando e controle, interoperabilidade e medidas de proteção passiva. O princípio é criar respostas complementares, com redundância e possibilidade de enfrentar simultaneamente ameaças distintas.

Aplicada à discussão brasileira, essa lógica permite considerar o A-29 como uma camada aérea móvel contra drones lentos adequados ao seu sistema de armas. Canhões, mísseis de curto alcance, drones interceptadores e guerra eletrônica podem oferecer outras respostas, conforme suas capacidades e limitações. Caças e sistemas antiaéreos de maior desempenho preservariam a responsabilidade pelas ameaças que demandem seus recursos.

As camadas não precisam formar círculos rígidos, nem cada alvo deve pertencer exclusivamente a um único defensor. O comando precisa poder distribuir os engajamentos conforme a urgência, a probabilidade de sucesso, a disponibilidade de meios e a importância do objetivo ameaçado. A coordenação também deve impedir que a defesa terrestre coloque em risco aeronaves amigas e o tráfego civil.

Custo por neutralização e proteção das tripulações 
A vantagem econômica do Super Tucano precisa ser demonstrada pelo custo da missão e pelos resultados alcançados. Combustível, manutenção, sensores, treinamento, munições e disponibilidade da frota entram nessa conta. Uma metralhadora utiliza munição de menor preço unitário que muitos mísseis, mas isso não garante que seja a opção mais eficaz ou segura em qualquer situação.

Da mesma forma, disparar um míssil caro contra um drone barato pode ser justificável para impedir a destruição de uma instalação essencial. A defesa em camadas busca ampliar as opções disponíveis e sustentar a resposta ao longo do tempo, evitando a dependência sistemática dos recursos mais escassos.

A presença de tripulantes acrescenta uma exigência. O CSIS descreve adaptações de Gerans com armamentos antiaéreos, entre eles mísseis R-60 e Verba. Isso não significa que todos os drones possuam tais recursos, mas recomenda incorporar a possibilidade à avaliação de risco. Baixa velocidade do alvo não é sinônimo de ausência de ameaça à aeronave interceptadora.

O que precisa ser validado no Brasil 

A experiência brasileira já oferece um alerta sobre a importância de ensaios representativos. Em artigo publicado no EBlog em fevereiro de 2026, o general André Dias e o primeiro-tenente Vítor Siqueira Wollmann relataram dificuldades no emprego do Gepard 1A2 contra aeromodelos predominantemente de isopor na Operação Punhos de Aço 2025. A baixa assinatura dos alvos levou as guarnições ao acompanhamento manual pelo periscópio. O episódio diz respeito àqueles alvos e condições, não demonstra incapacidade geral do Gepard contra drones.

Para o A-29, a avaliação deve abranger toda a sequência de detecção, identificação, acompanhamento e neutralização, incluindo integração com sensores externos, operação noturna e desempenho sob interferência. Também importa conhecer quantos engajamentos podem ser realizados por missão, a disponibilidade necessária para manter a cobertura e as restrições ao emprego das armas sobre áreas habitadas.

Em setembro, o LRCA registrou que a Embraer trabalhava com um país não divulgado em uma demonstração com drones reais, destinada a aperfeiçoar o conceito operacional e a interface homem-máquina. A prova de conceito representa um avanço, mas não equivale à comprovação de eficácia contra qualquer drone nem à certificação de toda a solução.

Para o País, a oportunidade é avaliar essa capacidade em conjunto com as demais camadas e com as prioridades de proteção. O Super Tucano pode contribuir para enfrentar a quantidade de ameaças lentas, enquanto meios de maior desempenho respondem aos vetores mais exigentes. Sua relevância antidrone está justamente nessa missão delimitada: oferecer ao sistema de defesa mais uma opção sustentável, liberando recursos que precisam estar disponíveis para outros alvos.

09 outubro, 2026

Embraer e Atech apresentam aeronaves e sistemas de defesa em campanha conjunta no Marrocos

Depoimentos no Marrakech Airshow destacam KC-390, Super Tucano e integração de comando e controle, com interesse em participação industrial local; compra marroquina permanece sem anúncio público localizado



*LRCA Defense Consulting - 09/10/2026

A participação da Embraer no Marrakech Airshow 2026 ganhou um alcance mais amplo do que a divulgação inicial centrada no KC-390 Millennium. Em vídeo publicado pelo perfil oficial do evento, representantes da fabricante e da Atech, empresa do Grupo Embraer, apresentam uma atuação conjunta que reúne aeronaves de transporte, ataque leve e treinamento, sistemas de defesa aérea e soluções navais. Os depoimentos também reafirmam o interesse em integrar o ecossistema industrial do Marrocos.

O salão, realizado de 7 a 10 de outubro na base aérea de Marrakech, oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de apresentar capacidades complementares às autoridades e aos operadores da região. Até a manhã desta sexta-feira (9), a apuração não localizou anúncio público de seleção ou contrato marroquino envolvendo as duas empresas no evento.

Super Tucano também está na campanha 
No depoimento, Guillaume Beurnaux, apresentado como diretor de vendas da Embraer Defense, identifica o KC-390 e o A-29 Super Tucano como os dois principais produtos promovidos pela empresa. O executivo afirma que esta é a quinta participação da companhia no Marrakech Airshow e manifesta a motivação para apresentá-los à Força Aérea Real Marroquina.

A menção ao A-29 acrescenta uma frente à comunicação divulgada antes do salão, que destacava o cargueiro. A fabricante apresenta ao público marroquino tanto uma plataforma de transporte quanto uma aeronave de ataque leve e treinamento. O depoimento, entretanto, não informa a existência de negociação específica para a compra do Super Tucano, nem menciona quantidade, configuração ou cronograma.

Atech leva integração à apresentação brasileira 
Ricardo Machado, apresentado como diretor de desenvolvimento de negócios da Atech, explica que acompanha o representante da Embraer para mostrar os sistemas da empresa e suas possibilidades de integração, especialmente na defesa aérea. Ele também menciona a atuação naval, os sistemas de comando e controle e os sistemas de gerenciamento de combate.

Essa apresentação conjunta é o elemento mais significativo do vídeo. Além das aeronaves, o grupo coloca em evidência capacidades de integração de sistemas, permitindo discutir uma relação comercial mais abrangente com potenciais clientes. O portfólio oficial da Atech inclui C4I, sistemas navais, sistemas embarcados e integração, áreas compatíveis com o conteúdo do depoimento.

A declaração não identifica produtos específicos escolhidos para o Marrocos ou uma arquitetura já definida para suas Forças Armadas. Tampouco anuncia que aeronaves e sistemas serão necessariamente adquiridos em um único pacote. 


O vínculo com a proposta de C4I 
Em junho, a LRCA repercutiu informação do Africa Intelligence sobre a oferta de um centro de comando e controle C4I ao Marrocos, associada à campanha comercial do KC-390. Na ocasião, a negociação foi descrita pela imprensa como envolvendo cinco aeronaves e valor superior a US$ 600 milhões.

A presença da Atech e sua manifestação pública sobre integração com a Embraer são coerentes com aquele relato e lhe acrescentam um elemento direto: a empresa de sistemas está efetivamente promovendo suas soluções ao lado da fabricante no salão. Isso não equivale, porém, à confirmação integral da proposta noticiada em junho. Machado não menciona um centro nacional específico, os cinco cargueiros ou valores.

O dado novo, portanto, é a exposição pública da atuação conjunta. A composição de uma eventual oferta contratual e o estágio de avaliação pelas autoridades marroquinas continuam sem esclarecimento nos depoimentos.

Participação industrial permanece no horizonte 
Beurnaux também manifesta o objetivo de fazer parte do ecossistema industrial marroquino. A intenção se conecta ao memorando assinado pela Embraer e pelo governo local no Marrakech Airshow de 2024, que estabeleceu um quadro de cooperação em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, incluindo oportunidades em fornecedores, treinamento e manutenção.

Em balanço publicado antes da edição atual, o portal Aeronautique.ma registrou que uma delegação da Embraer avaliou a cadeia local em abril de 2025 e identificou possíveis fornecedores. A publicação observava, contudo, que ainda não havia confirmação oficial de projeto industrial específico, investimento firme ou encomenda diretamente decorrente daquele memorando.

O vídeo reafirma essa intenção industrial, mas não anuncia fábrica, fornecedor contratado ou compromisso de transferência de tecnologia. Também não permite concluir que a participação local esteja condicionada a uma aquisição militar específica.

O que o salão já revelou
Nas duas sessões de assinaturas do segundo dia divulgadas pelo organizador, foram relacionados acordos de outras empresas, sem menção à Embraer ou à Atech. Esse registro não exclui conversas reservadas ou anúncios posteriores, mas delimita os resultados formalmente apresentados nessas sessões.

Em relação à cobertura anterior da LRCA, a evolução está no alcance agora explicitado pelos executivos: KC-390 e Super Tucano são promovidos junto às possibilidades de integração da Atech, com interesse em cooperação industrial. Marrakech dá visibilidade a uma campanha brasileira que reúne plataformas e sistemas; a decisão marroquina de compra permanece uma questão em aberto.

17 setembro, 2026

A-29 Super Tucano antidrone: Embraer avança para demonstração com alvos reais

Demonstração conduzida com um país não divulgado busca validar o conceito operacional e aperfeiçoar a interface homem-máquina de uma solução que combina sensores, inteligência artificial e armamentos já integrados ao Super Tucano 


*LRCA Defense Consulting - 17/09/2026

A Embraer avançou para uma etapa decisiva do projeto destinado a adaptar o A-29 Super Tucano às missões de combate a sistemas aéreos não tripulados. A empresa está trabalhando com um país cujo nome não foi divulgado em uma demonstração de prova de conceito com aeronaves A-29 e drones reais empregados como alvos. O objetivo é refinar o conceito operacional e otimizar a interface homem-máquina de uma solução altamente integrada.

A informação, divulgada pelo portal norte-americano Breaking Defense em 16 de setembro, acrescenta um elemento novo aos anúncios feitos desde novembro de 2025. Até agora, a comunicação pública havia se concentrado na definição do conceito contra drones e, posteriormente, na integração do sistema de inteligência artificial Gunslinger, da Valkyrie Aero. O emprego de aeronaves e alvos reais mostra que o programa começa a sair do plano da arquitetura proposta para enfrentar condições representativas de uma missão.

O passo mais importante até agora 
Uma prova de conceito não equivale à conclusão do desenvolvimento, à certificação da configuração ou à declaração de capacidade operacional. Ainda assim, representa um salto qualitativo. É nessa fase que sensores, processamento, comunicações, armamentos, procedimentos e carga de trabalho da tripulação são avaliados como partes de uma única cadeia de engajamento.

O teste com drones reais permite verificar se o A-29 consegue receber ou gerar a indicação de alvo, localizá-lo, identificá-lo, acompanhá-lo e apresentar ao piloto uma solução de interceptação com rapidez suficiente. Também possibilita medir limitações difíceis de reproduzir apenas em simulação, como reduzida assinatura visual e térmica do alvo, manobras, interferências ambientais, geometria de aproximação e pouco tempo disponível para a decisão.

O cuidado com a interface homem-máquina é particularmente relevante. Caçar um drone pequeno, lento e de baixa assinatura não é apenas um problema de alcance de sensores ou de precisão do armamento. O sistema precisa transformar diversos dados em indicações claras, reduzir tarefas manuais e ajudar o piloto a priorizar ameaças sem retirar dele a decisão sobre o emprego da força. Uma apresentação inadequada pode aumentar a carga de trabalho justamente na fase mais crítica da interceptação.

Uma evolução construída em etapas 

A Embraer apresentou o conceito operacional do A-29 para missões contra drones em novembro de 2025. A proposta aproveita recursos existentes ou já integráveis à aeronave, entre eles sensores eletro-ópticos e infravermelhos, enlace de dados, metralhadoras calibre .50 e foguetes guiados a laser. A lógica é oferecer uma resposta de menor custo contra determinados drones, preservando caças de alto desempenho e mísseis antiaéreos mais caros para ameaças que realmente exijam esses meios.

Em março de 2026, a fabricante anunciou uma parceria com a norte-americana Valkyrie Aero para integrar ao A-29 o Gunslinger, conjunto baseado em inteligência artificial destinado a processar dados dos sensores da aeronave, detectar e acompanhar múltiplos alvos e apoiar rapidamente o ciclo de decisão. A tecnologia não transforma o Super Tucano em uma plataforma autônoma de combate. Sua função é aumentar a consciência situacional e reduzir o tempo entre a detecção, a identificação e a autorização de um engajamento pelo piloto.

A demonstração agora revelada parece unir essas duas linhas de trabalho: a plataforma e seus meios de detecção e ataque, de um lado, e a automação da análise e da apresentação das informações, de outro. Embora a Embraer não tenha identificado o país participante, a presença de um operador estrangeiro sugere que o esforço está sendo orientado por uma necessidade concreta e não apenas por uma iniciativa promocional.

Uma lacuna entre a defesa terrestre e os caças 
O crescimento do emprego de drones de ataque e munições vagantes criou uma lacuna na defesa aérea. Sistemas terrestres de curto alcance são essenciais para proteger bases, tropas e infraestruturas, mas sua cobertura é localizada. Caças supersônicos e mísseis de alto valor podem interceptar essas ameaças, porém o custo por engajamento e a disponibilidade limitada tornam essa solução difícil de sustentar diante de ataques numerosos e repetidos.

O A-29 busca ocupar uma camada intermediária. Sua autonomia, velocidade relativamente baixa, capacidade de permanecer na área, sensores, armamento interno e pontos externos permitem patrulhar corredores prováveis de aproximação e ampliar a área defendida. O avião também pode receber informações de radares e centros de comando, deslocar-se rapidamente entre setores e atuar antes que o drone alcance o objetivo protegido.

Essa solução, contudo, não substitui uma defesa antiaérea em camadas. O Super Tucano depende de alerta antecipado, identificação confiável, coordenação do espaço aéreo e regras de engajamento rigorosas. Também deverá operar em ambientes nos quais a ameaça inimiga permita o emprego seguro de uma aeronave tripulada. Seu valor está em complementar radares, guerra eletrônica, canhões, mísseis e drones interceptadores, acrescentando mobilidade e persistência ao conjunto.

Interesse comercial para operadores atuais e futuros 
A Embraer informa que o Super Tucano foi selecionado por mais de 20 forças aéreas e acumulou extensa experiência em missões de ataque leve, vigilância, patrulha e treinamento avançado. A adaptação contra drones amplia a utilidade de uma frota já existente e pode ser oferecida tanto a operadores atuais quanto a novos clientes, especialmente países que precisam proteger fronteiras, bases aéreas, instalações estratégicas e grandes extensões territoriais sem manter caças de primeira linha permanentemente em alerta.

A divulgação do tema em diferentes portais internacionais também indica uma ação de posicionamento de mercado. A Embraer procura apresentar o A-29 não apenas como uma aeronave de contrainsurgência e ataque leve, mas como uma plataforma capaz de responder a uma das demandas mais urgentes da defesa aérea contemporânea. O argumento comercial ganha força quando deixa de se apoiar somente em uma configuração planejada e passa a incorporar uma demonstração com usuário potencial e alvos reais.

O que ainda precisa ser demonstrado
Os dados divulgados não esclarecem qual país participa da prova, que tipos de drones são empregados, quais sensores externos integram a cadeia de detecção, quais armamentos serão efetivamente disparados nem o cronograma para conclusão dos ensaios. Também não há indicação pública de contrato de aquisição associado à demonstração.

Essas reservas são importantes, mas não reduzem o significado do avanço. O combate a drones exige que uma boa ideia seja transformada em uma sequência confiável e repetível: detectar, classificar, identificar, decidir e neutralizar. Ao colocar o A-29 diante de drones reais e de um usuário não divulgado, a Embraer começa a buscar a evidência operacional necessária para provar que o Super Tucano pode cumprir essa sequência com eficiência.

Se os resultados confirmarem o conceito, o A-29 poderá ganhar uma nova função em seu já amplo portfólio de missões e oferecer aos operadores uma alternativa móvel, persistente e potencialmente mais econômica para parte do desafio contra drones. Mais do que uma atualização isolada, trata-se de reposicionar uma aeronave brasileira consolidada diante de uma transformação que já redefine a defesa aérea em diferentes regiões do mundo.

18 agosto, 2026

Encontro entre Presidente de Angola e CEO de Defesa da Embraer reabre debate sobre o C-390 no país

Visita de autoridades angolanas à base portuguesa do KC-390 e sucessivas sinalizações de compra sugerem que a pauta de Defesa pode ter sido o centro da reunião de 17 de agosto


*LRCA Defense Consulting - 18/08/2026

O Presidente de Angola, João Lourenço, recebeu na segunda-feira, dia 17 de agosto, no Palácio Presidencial da Cidade Alta, em Luanda, o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior. A imprensa angolana, ao noticiar o encontro, deu ênfase à aviação civil e à possível ampliação da presença da Embraer no mercado doméstico e regional, citando a família E-Jets e a relação da TAAG com a Boeing. O próprio noticiário local, no entanto, reconheceu que aviação e segurança estiveram no centro das conversações, e citou nominalmente o C-390 Millennium e o A-29 Super Tucano como soluções da divisão dirigida por Bosco da Costa Junior. Uma análise dos antecedentes recentes sugere que a dimensão de Defesa da visita pode ter sido mais relevante do que a repercussão inicial deu a entender.

Uma relação militar já estabelecida 
Angola não é um mercado novo para a Embraer na área de Defesa. O país opera seis A-29 Super Tucano, cuja entrega teve início em 2013, além de 12 EMB-312 Tucano usados na formação de pilotos. Uma eventual negociação em torno do C-390 ocorreria, portanto, sobre uma relação prévia já consolidada, que inclui conhecimento da plataforma brasileira, da cadeia de suporte e da formação de tripulações associada.

Do interesse em quatro aeronaves ao pedido por três 
A possibilidade de Angola adquirir o C-390 não é recente. Em agosto de 2023, durante visita à África, o Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou que Angola poderia adquirir quatro unidades do C-390 Millennium, além de revitalizar a frota de Tucano e Super Tucano. À época, o presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Jorge Viana, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que qualquer venda dependeria de financiamento brasileiro.

Em 23 de maio de 2025, durante encontro com João Lourenço em Brasília, Lula voltou ao tema, mas revisou o número para três aeronaves e afirmou que pediria ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a operação, segundo reportagem da Aerospace Global News. Até aquele momento, segundo a mesma publicação, a Embraer não tinha nenhum cliente confirmado do C-390 no continente africano, embora houvesse negociações avançadas com a África do Sul, o Marrocos e o Egito.

Portugal como porta de entrada
Um sinal mais recente e concreto de aproximação ocorreu em janeiro de 2026, quando o ministro da Defesa Nacional de Angola, general João Ernesto dos Santos, visitou a Base Aérea nº 11, em Beja, Portugal, e teve contato direto com o KC-390 operado pela Força Aérea Portuguesa (foto abaixo). A comitiva angolana conheceu instalações da Esquadra 506, incluindo o simulador de voo usado na formação de pilotos, em visita acompanhada pelo ministro português Nuno Melo e pelo chefe do Estado-Maior da Força Aérea portuguesa, general João Cartaxo Alves.

Portugal tem hoje seis KC-390 encomendados e garantiu opções para mais dez aeronaves, mecanismo criado justamente para viabilizar eventuais repasses a países parceiros por meio de acordos governo a governo. A Força Aérea Portuguesa não integra formalmente o programa internacional de parceria industrial do KC-390, mas participa da cadeia produtiva do avião, com componentes fabricados no próprio país. Apesar de todo esse histórico de aproximação, o continente africano continua sem nenhum operador confirmado do C-390 ou do KC-390. 

Uma frota de transporte com espaço para renovação
Os inventários abertos mais recentes mostram uma Força Aérea Nacional (FAN) com uma frota de transporte numerosa, mas heterogênea e majoritariamente de origem soviética ou russa. Segundo o World Directory of Modern Military Aircraft (WDMMA), em levantamento de 2026, a frota inclui sete Antonov An-12, quatro Ilyushin Il-76, quatro An-72, três An-32, dois Kodiak 100, um Xian MA60 e um CASA/IPTN C-212. Outras fontes abertas apresentam números distintos para os mesmos modelos, o que é comum em levantamentos desse tipo, mas o quadro geral converge: a aviação de transporte angolana segue apoiada, em grande parte, em plataformas de gerações anteriores.

Esse cenário cria espaço para uma renovação gradual. O C-390 não substituiria os Il-76, que pertencem a uma categoria de transporte estratégico distinta, mas poderia ocupar o lugar dos An-12, An-32 e An-72, hoje mais antigos e com disponibilidade operacional questionável.

Complementaridade com o C-295 
Em 2022, o governo angolano firmou acordo com a Airbus para receber três turboélices C-295, sendo dois destinados à patrulha marítima e um ao transporte, o que já indicava a intenção de modernizar parte da frota. C-295 e C-390 poderiam cumprir papéis complementares, o primeiro atende à faixa de transporte tático e à vigilância com custos e dimensões menores, enquanto o segundo oferece maior velocidade, alcance e capacidade de carga, além de versatilidade para lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica e operação em pistas não pavimentadas.

O que está confirmado e o que ainda é hipótese 
Está confirmado que João Lourenço recebeu Bosco da Costa Junior em 17 de agosto e que a pauta divulgada envolveu aviação e segurança. Também estão documentados o histórico de interesse angolano pelo C-390 (com números que oscilaram entre quatro e três aeronaves conforme a fonte e a data); a visita de autoridades angolanas à base do KC-390 em Beja, em janeiro de 2026; e a relação já consolidada entre Angola e a Embraer por meio do A-29 Super Tucano.

Não está confirmado, porém, que o C-390 tenha sido formalmente discutido durante a audiência de 17 de agosto, nem que Angola tenha retomado oficialmente um projeto específico de aquisição. Qualquer afirmação nesse sentido seria, neste momento, uma extrapolação. O mais correto é tratar a hipótese como uma possibilidade que voltou a ganhar relevância e que deve ser acompanhada a partir de sinais concretos, como novos encontros entre Bosco da Costa Junior e autoridades de Defesa angolanas, contatos com a Força Aérea Nacional ou avanços em uma solução de financiamento.

Para a Embraer, uma eventual venda a Angola representaria a primeira colocação do C-390 no continente africano, além de consolidar uma relação de longo prazo que já inclui o A-29 Super Tucano e pode se estender à manutenção, ao treinamento e a outras soluções de Defesa & Segurança. Para Luanda, seria um passo na renovação de uma frota de transporte ainda concentrada em plataformas antigas, com uma aeronave já escolhida por operadores lusófonos como Portugal. 

06 agosto, 2026

Brasil e Suécia assinam plano de ação ampliando cooperação em defesa: Gripen, C-390 e novas frentes

Documento firmado em Brasília durante visita da chanceler sueca celebra bicentenário das relações bilaterais e abre novas frentes industriais em blindados, munições, drones e ciberespaço
 


*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, esteve em Brasília nesta quarta-feira (5/8) para uma visita oficial que resultou na assinatura, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, do documento intitulado Parceria Estratégica Brasil–Suécia, plano de ação para o terceiro século das relações bilaterais. O ato, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) como Nota à Imprensa nº 258, celebra os duzentos anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, iniciadas em 1826, e estabelece diretrizes para o aprofundamento da parceria em oito áreas, entre elas a cooperação em defesa, tratada no capítulo III do texto.

Brasil e Suécia reafirmaram, no documento, a satisfação com o andamento do contrato firmado em 27 de outubro de 2014 entre o governo brasileiro e a Saab, relativo ao Programa FX Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB), destinado à modernização e ao reequipamento da frota de caças supersônicos do País. As partes elogiaram a continuidade das entregas das 36 aeronaves Gripen F-39 adquiridas pelo Brasil e a consolidação da integração do programa na Base Aérea de Anápolis.

O texto também celebra dois marcos recentes do programa: a apresentação, em 25 de março de 2026, do primeiro Gripen E produzido em território brasileiro, e a cerimônia de roll-out, realizada em 2 de junho de 2026 na fábrica da Saab em Linköping, do primeiro Gripen F destinado à FAB, ocasião que contou com a presença do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho.

O plano de ação recorda ainda a declaração conjunta assinada por ocasião da visita oficial de Múcio ao seu homólogo sueco, Pål Jonson, em 4 de junho de 2026, que formalizou o início de negociações para uma emenda ao contrato vigente, com vistas à aquisição de vinte aeronaves Gripen E/F adicionais, de modo a atender requisitos identificados para a defesa nacional do Brasil. O mesmo encontro tratou da criação de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen, iniciativa que, segundo o documento, deve fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio da ampliação de capacidades tecnológicas e da formação de recursos humanos qualificados.

Entre as estruturas industriais citadas no acordo estão a unidade de apoio da Saab instalada na Base Aérea de Anápolis, a planta de produção erguida em São Bernardo do Campo e a integração da empresa sueca às instalações da Embraer em Gavião Peixoto, onde funciona a linha de produção do Gripen e onde a primeira aeronave nacional foi concluída em 2026.

Em contrapartida, o documento saúda a aquisição, pela Suécia, de quatro aeronaves multimissão de transporte tático Embraer C-390 em outubro de 2025, e registra a intenção dos dois governos de atuar conjuntamente na promoção do Gripen e do C-390 em terceiros mercados. O ato também comemora a entrada em vigor, em setembro de 2025, do Protocolo sobre Controle de Exportação de Produtos de Defesa entre os dois países, assinado em Brasília em 8 de novembro de 2022.

Novas frentes de cooperação e integração entre as bases industriais de defesa
Além da parceria aeronáutica, já consolidada, Brasil e Suécia sinalizaram intenção de explorar novas frentes de cooperação em material de defesa, incluindo veículos blindados, armamentos, munições, sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) e de combate a esses sistemas (C-UAS), resiliência de cadeias de suprimento, espaço e ciberespaço. O texto prevê ainda o incentivo à participação de delegações dos dois países em atividades de treinamento, no desenvolvimento de procedimentos táticos e em feiras e exposições do setor de defesa.

O plano de ação encoraja a integração entre as bases industriais de defesa dos dois países, com a identificação de oportunidades para que empresas brasileiras atuem como fornecedoras certificadas de subconjuntos, matérias-primas e tecnologias de uso dual nas cadeias de suprimento sueca e brasileira. Os governos também manifestaram intenção de fortalecer a cooperação institucional e industrial para assegurar fornecimento contínuo e previsível de armamentos e munições, e de incentivar parcerias de longo prazo, joint ventures e o codesenvolvimento de tecnologias entre empresas dos dois países, com vistas ao fortalecimento das capacidades de Defesa Total e da estrutura de mobilização suecas.

Do ponto de vista institucional, o documento reforça a importância das reuniões do Diálogo Político-Militar Brasil–Suécia, conhecido como Diálogo 2+2 e estabelecido em 2015, bem como da continuidade dos encontros do Comitê Executivo de Alto Nível (CAE) entre os dois países. Também é mencionado o grupo de trabalho formado pelo Ministério da Defesa do Brasil, pela FAB e pelo Ministério da Defesa da Suécia, criado a partir da carta de intenções assinada pelos ministros da Defesa dos dois países em novembro de 2024, em Natal (RN). 

Plano de ação mais amplo
A cooperação em defesa integra um plano de ação mais amplo, que também trata de diálogo político, comércio e investimentos, ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável, combate ao crime organizado e cooperação cultural. Segundo o próprio texto, o documento não cria obrigações juridicamente vinculantes, e sua implementação será acompanhada nas reuniões anuais do Mecanismo Bilateral de Consultas Políticas, realizadas de forma alternada em Brasília e Estocolmo.

22 julho, 2026

Embraer detalha em Farnborough o roteiro de modernização antidrone do A-29 Super Tucano

Fabricante brasileira apresenta pacote de aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, tanque externo adicional e bomba guiada INS/GPS para reforçar a missão contra sistemas aéreos não tripulados 

Imagem: Defence Turkey

*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Embraer aproveitou o Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, para detalhar o avanço de seu roteiro de modernização do A-29 Super Tucano voltado à missão contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS, na sigla em inglês). Segundo apuração do portal especializado turco Defence Turkey, a apresentação, feita por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, reuniu tanto a arquitetura antidrone já conhecida do turboélice quanto um conjunto de novos investimentos em aviônica e armamento, anunciado durante o salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7).

O conceito operacional já consolidado
A base da missão contra drones do A-29 não é novidade: a Embraer formalizou a expansão do portfólio de missões da aeronave para incluir operações C-UAS em 11 de novembro de 2025, e o tema já vinha sendo trabalhado comercialmente desde o início daquele ano, com foco inicial no Oriente Médio. 

O conceito operacional (CONOPS) prevê que a aeronave receba, por meio de um link de dados dedicado, as coordenadas iniciais de um alvo detectado por sensores externos; em seguida, o sensor eletro-óptico e infravermelho (EO/IR) de bordo assume o rastreamento e a designação a laser do alvo, permitindo o engajamento por foguetes guiados a laser ou pelas metralhadoras calibre .50 montadas nas asas. A Embraer descreve a solução como baseada majoritariamente em sistemas já existentes na aeronave, o que permite oferecê-la tanto a operadores atuais quanto a futuros clientes do Super Tucano.

Os novos itens do roteiro anunciados em Farnborough
Em Farnborough, segundo a Defence Turkey, a Embraer acrescentou à missão C-UAS um conjunto adicional de investimentos em aviônica e armamento, apresentado como parte do roteiro de desenvolvimento do A-29. O pacote inclui aviônica de quinta geração, um display de cabine de grande área (large-area cockpit display), um novo link de dados de vídeo (video downlink) e um tanque de combustível externo adicional, destinado a aumentar a persistência e o alcance de missão da aeronave. 

A apresentação também trouxe uma bomba guiada por INS/GPS como parte do portfólio de armamento de precisão planejado ou em expansão para o A-29, além de reforçar a integração de foguetes guiados a laser sob o padrão Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), da BAE Systems, já usado pela aeronave. Segundo a Embraer, os investimentos têm o objetivo de manter o Super Tucano relevante à medida que os requisitos dos clientes e as ameaças operacionais evoluem.

Imagem: Defence Turkey

Um turboélice contra a ameaça dos drones
O apelo do A-29 para a missão C-UAS está associado às suas características de voo, distintas das de um caça a jato: velocidade de estol baixa, boa manobrabilidade a baixa velocidade e sensores integrados que permitem acompanhar, identificar e engajar drones lentos e de baixa altitude, como os do tipo Shahed, difíceis de interceptar por aeronaves supersônicas. A proposta da Embraer é oferecer uma alternativa de custo bem inferior ao emprego de caças de alta performance contra ameaças não tripuladas relativamente baratas, especialmente na defesa de infraestrutura crítica, bases militares e forças em operação.

Contexto comercial: frota em expansão
A apresentação em Farnborough também trouxe números atualizados de mercado para o A-29. Segundo a Embraer, a frota mundial do Super Tucano já ultrapassa 625 mil horas de voo, e a fabricante fechou 39 novos pedidos da aeronave em menos de 24 meses, com base em dados até maio de 2026. Esse total mais recente inclui seis unidades para o Paraguai, quatro para um cliente não divulgado, 12 A-29N para Portugal, seis para o Uruguai, seis para as Filipinas, quatro para o Panamá e uma unidade adquirida pela norte-americana SNC, fabricante licenciada do modelo nos Estados Unidos. Até junho de 2025, a aeronave já somava mais de 600 mil horas de voo, mais de 290 pedidos acumulados e presença confirmada em 22 forças aéreas ao redor do mundo, entre elas a do Brasil, primeiro operador do A-29.

Por que importa
O anúncio reforça uma linha editorial já explorada por esta consultoria desde meados de 2024: a de que o A-29 Super Tucano tem potencial para se consolidar como uma das plataformas antidrone ar-ar mais eficazes e acessíveis da atualidade, num momento em que o uso de drones de médio e grande porte, como os Shahed de origem iraniana, se multiplica em diferentes teatros de conflito. 

Ao somar aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, maior autonomia e uma bomba guiada por INS/GPS ao conjunto de sensores e armamentos já existentes, a Embraer amplia a proposta de valor do Super Tucano para além da contrainsurgência, da vigilância de fronteiras e do ataque leve, mirando diretamente a lacuna deixada por caças e helicópteros de ataque, menos adequados a esse tipo de missão de baixa velocidade e baixa altitude.

23 junho, 2026

Embraer vê África como motor de crescimento e mantém aposta em Gana

A-29 Super Tucano em demonstração na Base Aérea de Accra, Gana, em 19 de fevereiro de 2024

*LRCA Defense Consulting - 23/06/2026

A Embraer afirmou estar pronta para apoiar qualquer pedido que venha a surgir da Força Aérea de Gana (Ghana Air Force) para a aquisição do A-29 Super Tucano, segundo reportagem publicada pelo portal sul-africano DefenceWeb em 23 de junho de 2026. A declaração foi feita por Marcio Monteiro, diretor de marketing da Embraer Defesa & Segurança, durante visita de imprensa à fábrica da empresa em São José dos Campos (SP), no dia 10 de junho.

Uma década de interesse sem contrato fechado
O interesse de Gana pelo Super Tucano remonta a mais de dez anos. Em junho de 2015, a Embraer anunciou ter fechado contrato para a venda de cinco unidades do A-29 ao país, condicionado ao cumprimento de exigências específicas; à época, o então chefe do Estado-Maior da Aeronáutica ganesa, vice-marechal do ar Michael Samson-Oje, chegou a declarar que os planos para recompor a capacidade de treinamento da força aérea estavam em estágio avançado. O acordo, no entanto, não avançou.

A Embraer não desistiu do projeto. Em fevereiro de 2024, a empresa levou um A-29 a Acra para uma demonstração estática e de voo na Base Aérea de Acra, ao lado da Sierra Nevada Corporation (SNC), parceira norte-americana no programa. Na ocasião, o então chefe do Estado-Maior, vice-marechal do ar Frederick Asare Kwasi Bekoe, e o então ministro da Defesa, Dominic Nitiwul, defenderam publicamente a aquisição como resposta ao crescimento das ameaças terroristas na sub-região. Segundo estimativa da consultoria GlobalData, o valor do negócio giraria em torno de US$ 52,8 milhões.

Togo entra na frente, mas Gana continua na fila
Em dezembro de 2025, a Embraer anunciou a venda de quatro Super Tucanos a um cliente africano não identificado, para entrega em 2026. À época, especulou-se que o comprador fosse Gana; meses depois, confirmou-se tratar-se do Togo, que se tornará o sexto operador do A-29 no continente, depois de Angola, Burkina Faso, Mali, Mauritânia e Nigéria. O contrato togolês, avaliado em cerca de US$ 82 milhões, prevê o emprego dos quatro aviões no combate ao grupo jihadista Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), que tem ampliado sua atuação do Sahel em direção ao litoral da África Ocidental.

Questionado sobre o caso ganês durante a visita a São José dos Campos, Monteiro reiterou que a Embraer permanece disponível para qualquer encomenda de Gana e lembrou que negócios de defesa costumam levar tempo para maturar; como exemplo, citou o contrato dos Emirados Árabes Unidos para o cargueiro KC-390 Millennium, fechado mais de dez anos depois das primeiras conversas.

Por que Gana quer o Super Tucano
A instabilidade no Sahel, com a expansão de grupos como o JNIM em direção aos países costeiros do golfo da Guiné, é apontada como pano de fundo da insistência ganesa. A força aérea do país já exibiu o A-29 ao lado de helicópteros Mi-171 e Z-9 e de jatos de treinamento K-8, e vê na aeronave um instrumento para reforçar o controle de fronteiras e a capacidade de ataque leve e contrainsurgência. Segundo a GlobalData, os gastos de defesa de Gana devem crescer a uma taxa média anual de 11,3% entre 2025 e 2029, atingindo US$ 509,6 milhões no período, depois de anos de retração.

Divulgação inicial da demonstração na Base Aérea de ACCRA, realizada somente em fevereiro de 2024

África como motor das vendas do A-29
O caso ganês se insere em um quadro mais amplo de demanda africana pelo Super Tucano. Segundo a Embraer, o continente deve responder por 28% das cerca de 500 novas unidades que a empresa projeta vender nas próximas duas décadas, na frente de América do Sul (23%), Oriente Médio (18%), Ásia (18%) e Europa (13%). Até o momento, o A-29 foi escolhido por 22 forças aéreas, com mais de 300 unidades encomendadas, das quais 39 nos últimos dois anos (entre os clientes recentes estão Uruguai, com cinco aeronaves, Panamá, com quatro, e a norte-americana Sierra Nevada Corporation, com uma). A Embraer produz cerca de 12 unidades por ano, a depender da demanda.

O maior pedido africano até hoje partiu da Nigéria, que adquiriu 12 aeronaves dos Estados Unidos em 2018, por meio do programa de venda militar direta (Foreign Military Sale), em negócio avaliado em US$ 500 milhões e que incluiu peças de reposição, suporte logístico, munição e obras de infraestrutura na base de Kainji. Os Super Tucanos nigerianos já somavam mais de 10 mil horas de voo até agosto de 2024, boa parte delas em combate contra o Boko Haram e outros grupos.

O que o A-29 oferece
O A-29 Super Tucano é um turboélice monomotor com motor Pratt & Whitney PT6 de 1.600 cavalos de potência, blindagem em pontos críticos e tanques de combustível auto-obturantes para resistir a tiros de armas leves. A aeronave carrega até 1.550 quilos de carga útil em cinco pontos de fixação e pode ser equipada com metralhadoras, bombas, foguetes e, nas estações externas, mísseis ar-ar. A Embraer descreve o avião como apto a missões de apoio aéreo aproximado, patrulha aérea, operações especiais, interdição aérea, controle aéreo avançado, reconhecimento armado, vigilância de fronteiras, treinamento básico, operacional e avançado, transição para caças de superioridade aérea e, mais recentemente, combate a aeronaves não tripuladas (missões contra-UAS, na sigla em inglês). Ao todo, a frota já soma mais de 625 mil horas de voo, das quais 65 mil em combate.

Para a Embraer, Gana permanece um mercado em aberto, mas sem data prevista; a empresa evita previsões e repete o discurso que sustenta há mais de dez anos de conversas, até agora sem contrato assinado.

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