Fabricante brasileira apresenta pacote de aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, tanque externo adicional e bomba guiada INS/GPS para reforçar a missão contra sistemas aéreos não tripulados
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| Imagem: Defence Turkey |
*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026
A Embraer aproveitou o Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, para detalhar o avanço de seu roteiro de modernização do A-29 Super Tucano voltado à missão contra sistemas aéreos não tripulados (C-UAS, na sigla em inglês). Segundo apuração do portal especializado turco Defence Turkey, a apresentação, feita por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, reuniu tanto a arquitetura antidrone já conhecida do turboélice quanto um conjunto de novos investimentos em aviônica e armamento, anunciado durante o salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7).
O conceito operacional já
consolidado
A base da missão contra drones
do A-29 não é novidade: a Embraer formalizou a expansão do portfólio de missões
da aeronave para incluir operações C-UAS em 11 de novembro de 2025, e o tema já
vinha sendo trabalhado comercialmente desde o início daquele ano, com foco
inicial no Oriente Médio.
O conceito operacional (CONOPS) prevê que a aeronave receba, por meio de um link de dados dedicado, as coordenadas iniciais de um alvo detectado por sensores externos; em seguida, o sensor eletro-óptico e infravermelho (EO/IR) de bordo assume o rastreamento e a designação a laser do alvo, permitindo o engajamento por foguetes guiados a laser ou pelas metralhadoras calibre .50 montadas nas asas. A Embraer descreve a solução como baseada majoritariamente em sistemas já existentes na aeronave, o que permite oferecê-la tanto a operadores atuais quanto a futuros clientes do Super Tucano.
Os novos itens do roteiro
anunciados em Farnborough
Em Farnborough, segundo a
Defence Turkey, a Embraer acrescentou à missão C-UAS um conjunto adicional de
investimentos em aviônica e armamento, apresentado como parte do roteiro de
desenvolvimento do A-29. O pacote inclui aviônica de quinta geração, um display
de cabine de grande área (large-area cockpit display), um novo link de dados de
vídeo (video downlink) e um tanque de combustível externo adicional, destinado
a aumentar a persistência e o alcance de missão da aeronave.
A apresentação também trouxe uma bomba guiada por INS/GPS como parte do portfólio de armamento de precisão planejado ou em expansão para o A-29, além de reforçar a integração de foguetes guiados a laser sob o padrão Advanced Precision Kill Weapon System (APKWS), da BAE Systems, já usado pela aeronave. Segundo a Embraer, os investimentos têm o objetivo de manter o Super Tucano relevante à medida que os requisitos dos clientes e as ameaças operacionais evoluem.
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| Imagem: Defence Turkey |
Um turboélice contra a
ameaça dos drones
O apelo do A-29 para a missão
C-UAS está associado às suas características de voo, distintas das de um caça a
jato: velocidade de estol baixa, boa manobrabilidade a baixa velocidade e
sensores integrados que permitem acompanhar, identificar e engajar drones
lentos e de baixa altitude, como os do tipo Shahed, difíceis de interceptar por
aeronaves supersônicas. A proposta da Embraer é oferecer uma alternativa de
custo bem inferior ao emprego de caças de alta performance contra ameaças não
tripuladas relativamente baratas, especialmente na defesa de infraestrutura
crítica, bases militares e forças em operação.
Contexto comercial: frota em
expansão
A apresentação em Farnborough
também trouxe números atualizados de mercado para o A-29. Segundo a Embraer, a
frota mundial do Super Tucano já ultrapassa 625 mil horas de voo, e a
fabricante fechou 39 novos pedidos da aeronave em menos de 24 meses, com base
em dados até maio de 2026. Esse total mais recente inclui seis unidades para o
Paraguai, quatro para um cliente não divulgado, 12 A-29N para Portugal, seis
para o Uruguai, seis para as Filipinas, quatro para o Panamá e uma unidade
adquirida pela norte-americana SNC, fabricante licenciada do modelo nos Estados
Unidos. Até junho de 2025, a aeronave já somava mais de 600 mil horas de voo,
mais de 290 pedidos acumulados e presença confirmada em 22 forças aéreas ao
redor do mundo, entre elas a do Brasil, primeiro operador do A-29.
Por que importa
O anúncio reforça uma linha
editorial já explorada por esta consultoria desde meados de 2024: a de que o
A-29 Super Tucano tem potencial para se consolidar como uma das plataformas
antidrone ar-ar mais eficazes e acessíveis da atualidade, num momento em que o
uso de drones de médio e grande porte, como os Shahed de origem iraniana, se
multiplica em diferentes teatros de conflito.
Ao somar aviônica de quinta geração, novo link de dados de vídeo, maior autonomia e uma bomba guiada por INS/GPS ao conjunto de sensores e armamentos já existentes, a Embraer amplia a proposta de valor do Super Tucano para além da contrainsurgência, da vigilância de fronteiras e do ataque leve, mirando diretamente a lacuna deixada por caças e helicópteros de ataque, menos adequados a esse tipo de missão de baixa velocidade e baixa altitude.


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