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02 setembro, 2026

Embraer entrega o 2.000º jato da família E-Jet, recebido pela Azul em São José dos Campos

Aeronave é um E195-E2 e também marca a 50ª entrega da versão E2 para a companhia aérea brasileira, uma das maiores operadoras da família no mundo



*LRCA Defense Consulting - 02/09/2026

A Embraer entregou nesta terça-feira (2), em cerimônia realizada em sua sede, em São José dos Campos (SP), o 2.000º avião da família E-Jet. A aeronave, um E195-E2, foi recebida pela Azul Linhas Aéreas, maior companhia aérea do País em número de destinos atendidos. O marco reforça a posição do programa entre os maiores da aviação comercial mundial em número de unidades entregues.

Em serviço desde 2004, a família E-Jet já foi operada por mais de 90 companhias aéreas em mais de 60 países, acumulou cerca de 48 milhões de horas de voo e transportou mais de 2,85 bilhões de passageiros, segundo dados divulgados pela fabricante. O programa reúne as gerações E170, E175, E190 e E195, além dos modelos de segunda geração, E190-E2 e E195-E2, que trouxeram nova motorização e maior eficiência de combustível em relação à primeira geração.

Para Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Commercial Aviation, a entrega da 2.000ª unidade é “um marco extraordinário” tanto para a fabricante quanto para o setor de transporte aéreo global. Segundo ele, ao longo das últimas duas décadas a família E-Jet teve papel relevante na conexão de comunidades, na abertura de novos mercados e na criação de oportunidades de crescimento sustentável para as companhias aéreas clientes.

A parceria entre Embraer e Azul remonta a dezembro de 2008, quando a companhia aérea recebeu, em seu voo inaugural, o primeiro E190, registrado como PR-AZL. Desde então, a Azul já operou mais de 140 jatos da família E-Jet e foi cliente de lançamento do E195-E2, tendo recebido a primeira unidade da versão em 2019. A aeronave entregue nesta semana marca também o 50º jato E2 recebido pela companhia. Para John Rodgerson, CEO da Azul, a coincidência dos dois marcos, o do programa da Embraer e o da própria trajetória da companhia aérea, dá um significado especial à entrega, que resume quase duas décadas de expansão da conectividade aérea regional no Brasil e de melhorias na experiência dos passageiros.

Além do peso simbólico, a marca de 2 mil unidades consolida o E-Jet como um dos três maiores programas de jatos comerciais do mundo em volume de entregas, atrás apenas das famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing, tradicionalmente as mais entregues da aviação comercial mundial. O resultado também sustenta a posição da Embraer entre as maiores fabricantes de aeronaves comerciais do planeta e permitiu à companhia brasileira ampliar sua presença no segmento global de narrowbodies de pequeno porte, além do tradicional nicho de aviação regional em que o programa nasceu.

03 agosto, 2026

BNDES aprova financiamento de até R$ 3,7 bilhões para exportação de jatos da Embraer ao Canadá

Operação da linha Exim Pós-embarque viabiliza venda de até 19 E195-E2 à Porter Airlines, com entregas previstas até 2030 e cobertura do Seguro de Crédito à Exportação

 


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LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta segunda-feira (03/08) um financiamento entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões destinado a viabilizar a exportação de até 19 aeronaves E195-E2 da Embraer para a canadense Porter Aviation Holdings, controladora da Porter Airlines. As entregas dos jatos, segundo o banco, devem ocorrer até dezembro de 2030.

A operação será estruturada por meio da linha BNDES Exim Pós-embarque, modalidade voltada ao financiamento de exportações brasileiras já embarcadas ou entregues ao comprador estrangeiro. O contrato conta com cobertura do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e operado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), mecanismo que reduz o risco da transação para o banco e amplia a competitividade da oferta brasileira frente a concorrentes internacionais.

A Porter Airlines opera o modelo E195-E2 desde 2023 e já recebeu 54 das 75 aeronaves encomendadas à Embraer, das quais três contaram com apoio financeiro prévio do BNDES, em contrato firmado em dezembro de 2025. A companhia aérea atende rotas na América do Norte, no Caribe e na América Latina. O novo aporte é o primeiro financiamento direto do BNDES destinado especificamente a exportações da Embraer para uma companhia aérea canadense.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, “O apoio do BNDES às exportações da Embraer garante a manutenção do nível de produção, de emprego da indústria aeronáutica nacional e com a ampliação de mercado para uma aeronave mais tecnológica”, afirmou, em comunicado divulgado pelo banco.

O vice-presidente executivo financeiro e de Relações com Investidores da Embraer, Felipe Santana, declarou que a operação amplia a parceria entre a fabricante e o banco de fomento no apoio às exportações brasileiras. Já o CFO da Porter Airlines, Rob Palmer, afirmou que a frota E195-E2 tem sido determinante para a expansão da companhia aérea na América do Norte e que a participação do BNDES reforça a confiança do mercado na estratégia de crescimento da empresa.

A aprovação ocorre poucos dias depois de a Porter Aviation Holdings ter anunciado, em comunicado próprio de 29 de julho, ter obtido o compromisso de financiamento do BNDES para as mesmas 19 aeronaves, com a formalização e o anúncio institucional do banco brasileiro vindo somente nesta segunda-feira.

A operação também se soma a uma linha de R$ 13,5 bilhões anunciada pelo BNDES na semana anterior, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), destinada a companhias aéreas que operam no País. Desse total, R$ 8 bilhões foram reservados para capital de giro e o restante para investimentos em combustível sustentável, manutenção, infraestrutura aeroportuária e aquisição de aeronaves.

O financiamento à Porter se insere em um histórico mais amplo de apoio do BNDES às vendas internacionais da família E2. Em janeiro de 2025, o banco havia fechado com a arrendadora Azorra, com apoio da ITASCA MGA Limited, uma linha de US$ 190 milhões para financiar até oito jatos E2, elevando para US$ 640 milhões o total disponibilizado à companhia para viabilizar a entrega de 23 aeronaves a operadoras como Royal Jordanian, Azul e Scoot.

Para investidores, a aprovação reforça a capacidade da Embraer de sustentar o fluxo de entregas internacionais e preservar a carteira de pedidos do programa E2, um dos principais motores de crescimento da fabricante em meio à concorrência global com Airbus, Boeing, ATR e Bombardier.

21 julho, 2026

Embraer vende ou negocia mais de 100 jatos em jornada histórica no Farnborough Airshow

Fabricante brasileira assina acordos com Saab, Anduril, Mubadala e Strata Manufacturing, enquanto a Eve amplia carteira de eVTOLs e a companhia soma novos pedidos de jatos comerciais com Abra Group, Binter, Fuji Dream Airlines, Luxair, SkyWest e Azorra


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer encerrou nesta terça-feira (21/7) uma das jornadas mais movimentadas de sua história recente no Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Entre a tarde de domingo (19/7) e o fim do dia local desta terça, a fabricante brasileira e sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, a Eve Air Mobility, encadearam treze anúncios distintos, somando encomendas comerciais, memorandos industriais e acordos de defesa que devem render à companhia muitos milhões de dólares em receita futura. O salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7), reúne o E195-E2 e o KC-390 Millennium na exposição estática, além de um modelo em tamanho real do eVTOL da Eve.

Saab amplia produção do Gripen em Gavião Peixoto
A Embraer e a Saab assinaram um memorando de entendimento (Heads of Agreement) que estabelece as bases para a produção de mais 20 caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto (SP), única linha de montagem final do caça sueco fora do território da Suécia. O documento não equivale a contrato fechado: define um arcabouço de cooperação que as duas empresas pretendem transformar em acordo definitivo ainda em 2026. 

O movimento já vinha sendo sinalizado por Brasília; em junho, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, mencionara "talvez 20 Gripen" adicionais aos 36 já contratados pela Força Aérea Brasileira, enquanto o governo sueco confirmara o interesse formal do País. O acordo não detalha valores, cronograma de entregas ou origem do financiamento das aeronaves adicionais.

Anduril: o C-390 vira plataforma de lançamento de mísseis
Em memorando separado, a Embraer e a norte-americana Anduril estabeleceram a intenção de integrar ao C-390 Millennium o míssil de cruzeiro Barracuda-500M (designação oficial AGM-189A na Força Aérea dos Estados Unidos), lançado a partir de paletes por meio de sistemas roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes na aeronave. O míssil, com alcance superior a 500 milhas náuticas (cerca de 926 quilômetros) e custo unitário estimado entre US$ 200 mil e US$ 216 mil, é apresentado pela Anduril como fração do preço de mísseis tradicionais como o Tomahawk ou o JASSM-ER. 

Se avançar para contrato firme, a integração aproximaria o C-390 do conceito de transporte militar convertido em lançador de munições em massa a baixo custo, tema já discutido em análises sobre a guerra na Ucrânia e em tratativas com a Índia, transformando a aeronave em uma plataforma de projeção de poder.

Mubadala e Strata Manufacturing: aprofundamento no ecossistema dos Emirados
A Embraer também assinou acordo-quadro estratégico com a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi, prevendo colaboração de longo prazo em manutenção, reparo e revisão (MRO), formação de mão de obra e pesquisa e desenvolvimento conjuntos. A Sanad, subsidiária da Mubadala especializada em MRO de motores, ganha oportunidade de prestar serviços à fabricante brasileira, com potencial de expansão para o Golfo e o norte da África. 

Já a Strata Manufacturing, também controlada pela Mubadala, firmou memorando separado que avalia o fornecimento de aeroestruturas compostas para a família E-Jet E2, com intenção declarada de estender a cooperação a outras plataformas da Embraer no futuro. Segundo o comunicado conjunto, o entendimento se insere nos objetivos da Operação 300 Bilhões e da Estratégia Industrial de Abu Dhabi, iniciativas de diversificação econômica dos Emirados Árabes Unidos.

Suécia e Áustria reforçam o ecossistema de treinamento do C-390
Um dia antes, a Embraer havia fechado acordo para fornecer dispositivos de treinamento do C-390 Millennium às forças aéreas da Suécia e da Áustria. A Força Aérea Sueca recebe um pacote completo, com simulador de voo (Full Flight Simulator) buscando qualificação Nível D, estação de manuseio de carga desenvolvida com a Rheinmetall e treinamento baseado em computador (Computer-Based Training) da empresa ETI; a Força Aérea Austríaca recebe apenas o módulo de treinamento computadorizado. O pacote dá continuidade ao modelo trilateral de aquisição compartilhada entre Suécia, Holanda e Áustria, que busca padronizar frotas e maximizar interoperabilidade. 

O anúncio coincidiu com a incorporação, pela Força Aérea da República Tcheca, de seu primeiro C-390, batizado em homenagem ao brigadeiro-general Karel Toman Mareš, ex-comandante do 311º Esquadrão Tchecoslovaco da Royal Air Force na Segunda Guerra Mundial.

Mercado comercial: onda de pedidos de E-Jets
No front comercial, a Embraer fechou uma sucessão de pedidos da família E-Jet. 

O Abra Group, holding controladora da Avianca, da GOL e da Wamos Air, assinou acordo para até 45 unidades do E195-E2 (20 firmes, 10 opções e 15 direitos de compra), confirmando negociação já apurada pela imprensa desde a semana anterior. 

A companhia espanhola Binter, sediada nas Ilhas Canárias e primeira operadora europeia do modelo, fechou pedido firme de mais cinco E195-E2, além de direitos de compra para outras quatro unidades, elevando para 21 o total de aeronaves encomendadas desde 2018. 

A Luxair, companhia aérea nacional de Luxemburgo, converteu direitos de compra existentes em pedido firme de três E190-E2, além de garantir direito de compra adicional para mais uma unidade, elevando sua carteira firme da família E2 para nove aeronaves; a primeira entrega está prevista para o final de 2028, com destino a rotas corporativas de alta frequência, entre elas a ligação entre Luxemburgo e o aeroporto de London City. 

Já a japonesa Fuji Dream Airlines comprou dois E175 em configuração de classe única, com entregas previstas para 2027 e 2028, passando a operar 15 aeronaves 100% Embraer. 

Em paralelo, a locadora Azorra fechou acordo para até 30 E-Freighters (20 firmes e dez direitos de compra), marcando sua entrada no leasing de aeronaves cargueiras. O E190F, primeiro modelo da linha, segue praticamente sem concorrência direta no segmento de conversão de jatos regionais em cargueiros. 

Ao todo, os cinco clientes somaram, em um único dia, pedidos firmes de 50 jatos comerciais, em meio a uma carteira que já reúne, entre encomendas recentes, as 18 unidades do E195-E2 firmadas pela finlandesa Finnair e o pedido de até 100 jatos da norte-americana Avelo Airlines.  

Se todos os pedidos firmes, opções e direitos de compra forem confirmados, só hoje a Embraer vendeu 90 jatos. Segundo estimativa do JPMorgan, o backlog comercial da fabricante pode se aproximar de US$ 15,6 bilhões no segundo trimestre de 2026, ano que já havia começado com a maior carteira de pedidos da história da companhia, avaliada em US$ 31,6 bilhões a preços de lista.

SkyWest: suporte pós-venda
A Embraer também ampliou sua presença em serviços e em um novo nicho de mercado. A norte-americana SkyWest Airlines, maior operadora de E175 do mundo, estendeu por longo prazo o contrato de manutenção pesada que cobre os 271 jatos do tipo em sua frota, com atividades distribuídas entre as unidades de Nashville, Macon e Fort Worth; a fabricante investe ainda cerca de US$ 70 milhões em nova instalação de MRO em Fort Worth, com operação prevista para 2027. 

Eve Air Mobility: eVTOLs Eve 100 para Cabo Verde e novos financiamentos
A subsidiária de mobilidade aérea urbana da Embraer também somou anúncios ao longo do salão. A Eve assinou carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da gestora de crédito privado Bay Point, para até 16 eVTOLs, e firmou entendimento com a companhia suíça Moov para até 30 unidades destinadas a turismo e mobilidade regional em Cabo Verde, além de operações na Europa. 

No campo regulatório, a ANAC publicou proposta de critérios de certificação acústica para o Eve 100, com consulta pública aberta até 8 de agosto. A empresa mantém carteira de cerca de 2.700 pré-pedidos e segue a campanha de testes de voo do protótipo de engenharia, iniciada em dezembro de 2025.

Por que importa
O conjunto de anúncios reforça o movimento de internacionalização da base produtiva da Embraer, que já mantinha parcerias e negociações em mercados como Índia, Polônia, Marrocos e Grécia, ao mesmo tempo em que amplia sua presença na cadeia de suprimentos dos Emirados Árabes Unidos por meio da Mubadala e da Strata. 

No plano de defesa, os memorandos com a Saab e com a Anduril sinalizam dois movimentos simultâneos: a consolidação de Gavião Peixoto como polo regional de produção do Gripen para a América do Sul, e a possível transformação do C-390 Millennium em plataforma de projeção de poder, para além do transporte tático. 

No mercado comercial, a sequência de pedidos de E195-E2 e E175, somada à entrada no segmento de cargueiros (E190F) com a Azorra, indica que a fabricante brasileira chega ao Farnborough 2026 em um dos momentos de maior impulso comercial de sua história recente.

Embraer amplia carteira da Luxair com pedido firme para mais três E190-E2 na Farnborough Airshow

Companhia aérea de Luxemburgo converte direitos de compra e eleva encomendas firmes da família E2 para nove jatos 


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer anunciou nesta segunda-feira (21), durante a Farnborough International Airshow 2026, no Reino Unido, que a Luxair, companhia aérea nacional do Grão-Ducado de Luxemburgo, converteu direitos de compra existentes para três aeronaves E190-E2 em pedidos firmes. A companhia aérea também garantiu um direito de compra adicional para mais uma unidade do mesmo modelo.

Com o novo acordo, a carteira de pedidos firmes da família E2 mantida pela Luxair sobe para nove aeronaves. A companhia já operava seis E195-E2 encomendados anteriormente, dos quais quatro já estão em serviço. As entregas do maior modelo da família começaram no final de 2025, com entrada em operação comercial em janeiro de 2026, na rota entre Luxemburgo e Viena.

Quem são as partes e o que dizem
Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, afirmou que a companhia está satisfeita com a decisão da Luxair de ampliar a frota de E2, destacando a combinação de economia, eficiência operacional e conforto do E190-E2 como fatores de atração para operadoras que buscam crescimento sustentável.

Gilles Feith, CEO da Luxair, disse que o bom desempenho das primeiras aeronaves E195-E2 confirmou que a família E2 é a plataforma correta para a companhia. Segundo ele, o E190-E2 complementa a frota em expansão, dando à Luxair maior flexibilidade para adequar a capacidade a cada rota sem abrir mão da uniformidade operacional entre os dois modelos, que compartilham licença de pilotos, infraestrutura de manutenção e procedimentos.

Como e quando será a operação
O primeiro E190-E2 deve integrar a frota da Luxair no final de 2028, configurado com 100 assentos. A aeronave será destinada principalmente a rotas corporativas de alta frequência, entre elas a ligação entre Luxemburgo e o aeroporto de London City, hoje operada com turboélices Dash 8 Q400 e cuja pista curta é historicamente dominada por jatos Embraer de primeira e segunda geração.

A cabine seguirá a configuração 2x2 sem assento central, característica dos E-Jets da Embraer. A Luxair optou por um layout premium, com espaçamento entre assentos (pitch) de até 34 polegadas (86 cm) na parte dianteira e 31 polegadas (79 cm) na traseira. Assim como os E195-E2 já em operação, as novas aeronaves terão carregamento USB em todos os assentos e entretenimento de bordo sem fio, acessado pelos dispositivos pessoais dos passageiros.

Por que a encomenda e o que representa para a Embraer
O pedido da Luxair integra um dia de vendas expressivo para a Embraer na Farnborough Airshow 2026. No mesmo dia, a fabricante anunciou pedidos firmes de 30 jatos comerciais de quatro clientes: 20 E195-E2 do grupo Abra (controlador de Avianca, GOL e Wamos Air), com opções que podem elevar o total para 45 aeronaves; cinco E195-E2 adicionais da espanhola Binter Canarias, com mais quatro direitos de compra; três E190-E2 da Luxair; e dois E175 da japonesa Fuji Dream Airlines, pedido que já constava no backlog da fabricante como cliente não identificado.

A Embraer entregou 30 aeronaves comerciais no primeiro semestre de 2026 (16 E175, cinco E190-E2 e nove E195-E2) e mira entre 80 e 85 entregas no ano, sobre uma carteira recorde. O programa E2 já ultrapassou 500 pedidos acumulados, somando-se a encomendas recentes como as 18 unidades do E195-E2 firmadas pela Finnair e o pedido de até 100 jatos da Avelo Airlines.

Segundo a Embraer, o E190-E2 é um dos jatos de corredor único mais silenciosos do mundo, com pegada de ruído até 63% menor que a de seu antecessor, o E190 original, o que reforça o apelo do modelo para operações em aeroportos urbanos com restrições de ruído, caso de London City.

Abra Group fecha acordo com a Embraer para até 45 jatos E195-E2

Encomenda firme de 20 aeronaves, anunciada no Farnborough International Airshow, confirma negociações que já vinham sendo apuradas pela imprensa desde a semana passada 


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e o Abra Group, holding controladora da Avianca, da GOL e da Wamos Air, anunciaram nesta terça-feira (21/7), durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um acordo para a compra de aeronaves E195-E2. O contrato prevê a aquisição firme de 20 unidades, além de 10 opções de compra e 15 direitos de compra, totalizando até 45 aeronaves, número que depende do cumprimento de condições adicionais ainda não detalhadas pelas duas empresas.

Segundo o comunicado conjunto, divulgado pela agência PRNewswire, a incorporação do E195-E2 à frota do Abra Group tem como objetivo permitir um melhor equilíbrio entre capacidade e demanda ao longo da rede do grupo, com abertura de novos mercados e aumento de frequências em rotas domésticas e regionais na América Latina.

As declarações
O presidente-executivo do Abra Group, Adrian Neuhauser, afirmou que o E195-E2 vai dar ao grupo flexibilidade para buscar novas oportunidades, dentro de uma abordagem disciplinada de alocação de frota, entregando mais valor quando e onde os clientes mais precisam. Segundo ele, o acordo reflete o compromisso do grupo em seguir investindo em aeronaves eficientes e de nova geração, à medida que amplia a conectividade e fortalece sua rede regional e doméstica.

Já o presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, disse que a empresa tem orgulho de apoiar o Abra Group em sua trajetória de crescimento com o E195-E2, descrito por ele como uma das aeronaves de corredor único mais eficientes e ambientalmente sustentáveis disponíveis atualmente. Meijer acrescentou que o acordo reforça a posição da Embraer como parceira estratégica de companhias aéreas na região.

Meses de negociação
O anúncio confirma um movimento que já vinha sendo apurado pela imprensa. Na sexta-feira (18/7), a Bloomberg News noticiou, com base em fontes não identificadas e em reportagem replicada pelo jornal Valor Econômico, que o Abra Group estava próximo de fechar um pedido de jatos E2 da Embraer, com possível anúncio durante o Farnborough International Airshow, evento que ocorre entre os dias 20 e 24 de julho.

O interesse do grupo, no entanto, é anterior. Em outubro de 2025, o CEO da GOL, Celso Ferrer, já havia afirmado, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a compra era uma possibilidade real, ainda que dependente de uma decisão do Abra Group e de um momento oportuno. À época, Ferrer citou tanto o E195-E2 quanto o Airbus A220 como opções em avaliação para as rotas regionais do grupo, com a perspectiva de incorporar até 30 aeronaves desse porte. No mesmo período, o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, chegou a declarar que a GOL estaria na fila para anunciar a compra de jatos E2, na esteira do acordo histórico fechado pela Latam para até 74 unidades do E195-E2.

Em março de 2026, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou ao Valor Econômico que havia conversas em andamento tanto com a GOL quanto com o Abra Group, e disse haver interesse em repetir com a GOL o movimento já realizado com a Latam e a Azul.

A aeronave e o programa E2
O E195-E2 é a maior aeronave da família E-Jet E2 da Embraer, projetada para oferecer maior eficiência de combustível, menores emissões e mais conforto aos passageiros em comparação com as gerações anteriores da família E-Jet. O modelo já opera com companhias como Azul, Azorra, Porter Airlines, LOT Polish Airlines e Air Astana, entre outras.

O acordo com o Abra Group chega poucas semanas depois de a Embraer ampliar, em 5 de junho, o pedido firme da arrendadora Azorra em mais 15 unidades do E195-E2, elevando o total de encomendas firmes da empresa para 54 aeronaves, além de direitos de compra para outras 15 unidades. Segundo dados divulgados pela fabricante, o programa E2 já soma mais de 500 pedidos, com mais de 200 aeronaves em operação em 24 companhias aéreas ao redor do mundo.

A Embraer chega ao Farnborough International Airshow em momento de forte impulso comercial. No primeiro semestre de 2026, a fabricante entregou 109 aeronaves, cerca de 20% a mais que as 91 unidades entregues no mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela imprensa especializada.

O que ainda não foi confirmado
O comunicado oficial não detalha valores financeiros da transação, cronograma de entregas, nem como as aeronaves serão distribuídas entre as operações da Avianca, da GOL e da Wamos Air. Também não há, até o fechamento desta reportagem, indicação de motor escolhido para a aplicação, item recorrente entre operadores do E-Jet E2, que utiliza motores Pratt & Whitney PW1900G.

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