Empresa de Botucatu completa 30 anos de atuação e apresenta o veículo aéreo não tripulado Classe 4 entre os destaques de sua participação, ao lado de um portfólio de aviônica, certificação e modernização de aeronaves
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| Imagem renderizada por IA de uma Caçador II sobre o Aeroporto de Botucatu |
*LRCA Defense Consulting - 23/07/2026
A Avionics Services, empresa brasileira de engenharia aeronáutica com sede em São Paulo e base operacional e industrial no Aeródromo Municipal de Botucatu (SDBK), interior do Estado de São Paulo, confirmou participação no Farnborough International Airshow 2026, um dos principais eventos da indústria aeroespacial mundial. O evento ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, no Farnborough International Exhibition & Conference Centre, em Hampshire, no Reino Unido, e deve reunir mais de 1.400 expositores, cerca de 400 delegações oficiais e mais de 100 mil visitantes. A empresa brasileira ocupa o estande nº 41124, no Hall 4, dentro do espaço do Pavilhão Brasil.
O Caçador II
Entre os
destaques da participação está o projeto do Caçador II, veículo aéreo não tripulado (VANT)
de asa fixa, Classe 4, desenvolvido para aplicações civis e militares. O
sistema é uma nova geração do Caçador original, lançado em 2016 como versão
brasileira do Heron-1, da israelense Israel Aerospace Industries (IAI), fruto
de um acordo de transferência de tecnologia entre as duas empresas. Segundo
reportagem do portal espanhol Infodefensa, o Caçador II é baseado no IAI Heron
CAT 4 MALE e é capaz de realizar toda a missão de forma autônoma, incluindo
pouso automático sem interferência humana. Segundo a Avionics Services, o
Caçador II foi projetado para missões de monitoramento ambiental, vigilância de
fronteiras, proteção de infraestruturas críticas, combate a incêndios, busca e
salvamento, fiscalização de atividades ilícitas e apoio a operações de
segurança pública, mantendo o perfil de uso dual que já caracterizava o modelo
anterior.
Registros fotográficos de um exemplar com a inscrição "experimental" e a matrícula civil PP-ZVM, feitos no hangar da empresa em Botucatu e creditados pela Infodefensa ao jornalista especializado Roberto Caiafa, indicam que o novo VANT já realiza voos de ensaio sob autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), ainda sem certificação de tipo definitiva. Visualmente, a aeronave preserva a configuração aerodinâmica de asa de grande envergadura e cauda em V invertido que caracteriza a família Heron. Segundo a mesma reportagem, o Caçador I e o Caçador II são operados a distância por meio de um shelter, contêiner padrão de vinte pés, com toda a aviônica de missão apresentada em telas multifuncionais coloridas, e podem empregar conexão via satélite, o que amplia de forma significativa o alcance da missão.
O que ainda não
foi revelado
Até a publicação
desta matéria, a Avionics Services não havia divulgado uma ficha técnica
própria do Caçador II, com dados como envergadura, peso máximo de decolagem,
autonomia de voo e teto de serviço. O Caçador original, para efeito de
comparação, tem envergadura de 16,6 metros, peso máximo de decolagem de 1.270
quilogramas, autonomia de 40 horas, teto de serviço de 9.100 metros e alcance
de até 1.000 quilômetros com uso de canal satelital em banda Ku. Se o Caçador
II repete ou supera esses números, ainda não está confirmado publicamente.
Uma vitrine mais
ampla que o drone
Segundo release
oficial da empresa, o Caçador II está entre os destaques de sua participação,
ao lado de um portfólio mais amplo de soluções em engenharia aeronáutica:
modernização de painéis e sistemas aviônicos, retrofit de aviônicos,
conectividade em voo por meio do Gogo Galileo HDX, simuladores de voo, soluções
de interiores desenvolvidas pelo Aircraft Interiors Center, além de serviços de
engenharia e certificação. A empresa afirma acumular mais de 600 processos conduzidos
junto à ANAC, o maior volume entre companhias brasileiras do setor, e atuação
também junto à Federal Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos, e à
European Union Aviation Safety Agency (EASA), da União Europeia.
O catálogo da empresa reúne mais de 70 produtos para aplicações aeronáuticas, entre sistemas de iluminação em LED, equipamentos eletrônicos embarcados, conversores, inversores e sistemas de segurança, desenvolvidos conforme as normas DO-160, DO-178 e DO-254 e testados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A Avionics Services também desenvolve projetos de integração de sistemas como EFIS, FMS, TCAS, EGPWS, CVR, GPS, comunicação via satélite e entretenimento de bordo, além de programas de modernização de interiores para aeronaves civis e militares.
Em nota, o presidente da empresa, João Vernini, afirmou que o Farnborough International Airshow reúne fabricantes, operadores, autoridades aeronáuticas e empresas de tecnologia de todo o mundo, e que a participação no evento representa uma oportunidade de ampliar a presença global da companhia, estabelecer novas parcerias e demonstrar a capacidade da engenharia brasileira.
Trinta anos de
história
A Avionics
Services celebra, em 2026, 30 anos de atuação, com fundação registrada em
janeiro de 1996. A empresa acumula certificações RBAC 145, da ANAC; Part-145,
da EASA; ISO 9001; e AS9100D, além do reconhecimento do Ministério da Defesa
como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Mantém projetos em desenvolvimento
com fabricantes como a Embraer e o Grupo Airbus e, em 2025, participou de
outros seis eventos internacionais de porte: o Paris Air Show, o Dubai Airshow,
o NBAA-BACE, nos Estados Unidos, o EDEX, no Egito, e a Expodefensa, na
Colômbia, entre outros, reforçando a estratégia de internacionalização da
companhia.
A parceria com a
IAI
A relação entre a
Avionics Services e a IAI remonta a 2013, quando as duas empresas firmaram
acordo de cooperação para o desenvolvimento do Caçador original. O processo
envolveu transferência de tecnologia e a entrada da IAI Brasil na sociedade,
com participação acionária minoritária, o que preserva o enquadramento da
Avionics Services como Empresa Estratégica de Defesa segundo a legislação
brasileira, que exige controle de dois terços do capital por sócios nacionais.
O primeiro Caçador voou pela primeira vez em fevereiro de 2016 e passou a ser
usado, entre outros clientes, pelo Departamento de Polícia Federal, no controle
de fronteiras do País.

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