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Divulgado durante a MRO Europe 2026, o credenciamento reforça o suporte à primeira geração dos E-Jets; habilitação da empresa para os E2 segue pendente
*LRCA Defense Consulting - 29/10/2026 -09h24 A Embraer credenciou a FL Technics, empresa lituana de manutenção, reparo e revisão de aeronaves, como Embraer Authorized Service Center (EASC) para seus jatos comerciais em operação na Lituânia. O anúncio foi feito pela FL Technics na quarta-feira (28), em Vilnius, em meio à MRO Europe 2026, realizada em Amsterdã, e repercutido nesta quinta-feira (29) pela Aviation Week. A autorização abrange os E170 e E190, que serão atendidos nas instalações da empresa em Vilnius e Kaunas.
O recorte geográfico é o dado central do anúncio: o credenciamento vale para aeronaves que operam no país báltico. O release da FL Technics fala em atender operadores Embraer em todo o continente, mas a autorização descrita, tanto no comunicado quanto na Aviation Week, está vinculada à Lituânia. Ainda assim, a notícia fortalece a infraestrutura de apoio à primeira geração dos E-Jets em um mercado no qual disponibilidade técnica e continuidade do atendimento pesam na decisão dos operadores.
A parceria também não marca a estreia da FL Technics no atendimento à fabricante brasileira. A empresa presta manutenção de linha em aeronaves Embraer desde 2023 e recebeu, em março de 2025, aprovação Part-145 da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) para manutenção pesada dos E170 e E190. O credenciamento atual é, portanto, uma nova etapa de uma capacidade técnica já desenvolvida.
Quem é a FL Technics A empresa integra o Avia Solutions Group, que se apresenta como o maior provedor mundial de ACMI (aircraft, crew, maintenance and insurance, modalidade de arrendamento em que a aeronave é cedida com tripulação, manutenção e seguro). Segundo o release, a FL Technics tem mais de 4 mil profissionais, certificações europeias Part-145 e Part-147 (formação técnica) e hangares de manutenção na Lituânia, no Reino Unido, na Indonésia e na República Dominicana.
Presença concentrada na Escandinávia Segundo o release, a FL Technics executa manutenção de linha em aeronaves Embraer em estações que considera estratégicas: Palanga e Vilnius, na Lituânia; Ålesund, Bergen, Bodø, Oslo e Trondheim, na Noruega; e Bucareste e Cluj-Napoca, na Romênia. O peso das bases norueguesas indica a importância do mercado escandinavo para a operação. Essa presença mais ampla, porém, não se confunde com o escopo do novo credenciamento, restrito às instalações lituanas.
No comunicado, Frank Stevens, vice-presidente de Centros Globais de MRO da Embraer Services & Support, afirmou que as capacidades de manutenção da FL Technics e sua presença crescente na Europa darão aos operadores de E-Jets maior acesso a soluções de suporte. Saulius Bajarunas, CEO da FL Technics, classificou o credenciamento como uma validação da capacidade técnica e dos padrões de qualidade da empresa.
Para Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer Services & Support, a entrada da FL Technics na rede fortalece a estrutura global de suporte da fabricante e amplia sua presença na Europa. Em declaração à Aviation Week, ele afirmou que uma rede de apoio sólida e acessível é essencial para que os clientes obtenham o máximo de disponibilidade e eficiência de suas aeronaves, e que o acordo aumenta as opções de manutenção dos operadores de E-Jets. Na prática, uma oferta mais distribuída pode reduzir deslocamentos e dar flexibilidade à programação de serviços, conforme as certificações, a capacidade disponível e os contratos de cada companhia aérea.
A primeira geração permanece relevante A concentração da autorização nos E170 e E190 evidencia a longevidade comercial da primeira geração dos E-Jets. Mesmo com o avanço dos E2, os modelos anteriores continuam exigindo inspeções, manutenção programada, reparos e apoio técnico. Para uma fabricante aeronáutica, a capacidade de sustentar essas frotas por muitos anos influencia tanto a satisfação dos clientes atuais quanto a percepção de risco de futuros compradores.
A fronteira dos E2, contudo, ainda não foi cruzada pela empresa lituana. Quando obteve a aprovação para manutenção pesada, em 2025, o então CEO da FL Technics, Zilvinas Lapinskas, afirmou que o passo seguinte seria buscar habilitação para a nova geração. Lapinskas foi sucedido por Saulius Bajarunas, e o release desta semana não menciona os E2: a capacidade oficialmente incorporada é a dos E170 e E190.
Suporte aos E2 está em outras oficinas Para a geração mais recente, a Embraer já conta com capacidades europeias específicas. Em abril de 2025, a LOT Aircraft Maintenance Services (LOTAMS), na Polônia, tornou-se o primeiro centro de serviço autorizado da fabricante para os E2 na Europa, após processo de autorização e auditoria. A empresa polonesa já mantinha relação de longa data com a Embraer no atendimento aos ERJ-145 e aos E-Jets de primeira geração.
A OGMA, empresa portuguesa controlada pela Embraer, também integra essa estrutura e oferece manutenção pesada para os E2. A combinação de instalações próprias e parceiros com qualificações distintas forma uma rede que acompanha a convivência das duas gerações de jatos, sem que todos os centros executem os mesmos serviços ou atendam a todos os modelos. Manutenção e Programa Pool são frentes complementares A ampliação da rede ocorre em paralelo a uma sequência de acordos na área de componentes. Em reportagem de 28 de outubro, a LRCA mostrou os contratos do Programa Pool com Air Dolomiti e Austrian Airlines, ligados à reorganização da frota regional do Lufthansa Group. Esses acordos garantem acesso a componentes e a serviços de troca, reparo e revisão de peças, enquanto os centros autorizados oferecem a capacidade de intervir nas próprias aeronaves. São instrumentos distintos que, juntos, mostram a amplitude do suporte que a Embraer procura oferecer ao longo da vida útil de seus produtos. Mais do que entregar aviões A expansão europeia expõe uma dimensão menos visível da competição aeronáutica: a disputa pela capacidade de sustentar as frotas em operação. Um jato pode permanecer em serviço por décadas, período em que a disponibilidade de componentes, oficinas, pessoal qualificado e documentação técnica pesa sobre custos e confiabilidade. Não foram divulgados valores, investimentos nem metas de capacidade associados ao credenciamento.
Para a FL Technics, o próximo marco está definido desde 2025: a habilitação para os E2. Para a Embraer, cada novo centro na Europa amplia a malha de apoio a operadores que ainda voam a primeira geração dos E-Jets enquanto avaliam a transição para a nova.
Parceria acompanha a renovação operacional da companhia australiana e reforça a importância dos serviços de manutenção para a fabricante brasileira
*LRCA Defense Consulting - 21/10/2026 - 20h15
A Embraer e a Alliance Airlines renovaram seu Acordo de Suporte de Componentes para a frota E190 da companhia australiana. Anunciada em Singapura em 22 de outubro de 2026, a renovação busca garantir disponibilidade operacional, confiabilidade e custos de manutenção competitivos. O valor e o prazo do contrato não foram divulgados.
A Alliance opera o E190 desde 2021. Segundo Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte, a fabricante continuará oferecendo soluções de manutenção e conhecimento técnico para sustentar o desempenho da frota, importante para a conectividade regional australiana.
Frota e substituição dos Fokker No encerramento do exercício financeiro em 30 de junho de 2026, a Alliance informava uma frota de 45 E190, 23 Fokker 100 e 12 Fokker 70, incluindo aeronaves arrendadas a terceiros e armazenadas. Seu relatório anual prevê a substituição progressiva dos Fokker 100 pelos E190 até 2030. O objetivo é melhorar a eficiência, a confiabilidade e a experiência dos passageiros, além de reduzir a complexidade operacional.
O papel das operações FIFO A Alliance atende companhias aéreas, clientes governamentais e setores de mineração e energia. Nas operações chamadas Fly-in Fly-out (FIFO), trabalhadores são transportados entre centros urbanos e instalações industriais remotas. Nesses serviços, a disponibilidade da aeronave influencia diretamente o funcionamento dos empreendimentos atendidos. O E190, com configurações de 94 a 100 lugares na frota da Alliance, adapta-se a essa demanda.
Revisão do contrato com a Qantas Em 2025, a Alliance havia disponibilizado 30 E190 à Qantas em contratos ACMI, que abrangem aeronave, tripulação, manutenção e seguro. Em agosto de 2026, as empresas revisaram a parceria, com redução gradual de 30 para 23 aeronaves durante o exercício financeiro de 2027. A mudança libera capacidade para outras atividades, inclusive FIFO. Segundo a Alliance, até 12 E190 poderão ficar disponíveis pela combinação dessa revisão e do encerramento de arrendamentos a terceiros.
A revisão ocorre durante um processo de reorganização financeira. A Alliance registrou prejuízo líquido estatutário de 90,9 milhões de dólares australianos no exercício de 2026, afetado por baixas contábeis, principalmente ligadas à frota Fokker. O suporte técnico da Embraer pode contribuir para controlar custos e aumentar a utilização dos aviões, embora não haja dados públicos para quantificar economias do contrato renovado.
Uma relação iniciada em 2021 A LRCA noticiou em setembro de 2021 o acordo original de suporte entre Embraer e Alliance, que cobria mais de 300 componentes reparáveis, materiais e administração técnica, com apoio de instalações na região Ásia-Pacífico. Em 2024, a Fokker Services Asia foi credenciada como centro autorizado da Embraer em Singapura, tendo recebido um E190 da Alliance em suas instalações. Esses antecedentes mostram a continuidade do relacionamento e a importância de uma rede regional de manutenção.
A estratégia de pós-venda Segundo a Embraer, cerca de 70 E-Jets operam hoje em seis empresas australianas. Em fevereiro de 2026, a fabricante também anunciou acordo plurianual com a Airnorth para apoiar E170 e E190. Fora da Austrália, contratos recentes com SkyWest, Japan Airlines, LATAM e Portugália demonstram o alcance internacional da atividade de serviços e suporte.
Ao contrário de uma venda pontual de aeronaves, a manutenção e o fornecimento de componentes podem sustentar relações comerciais durante anos. No caso da Alliance, a oportunidade imediata para a Embraer está na continuidade do suporte a aeronaves já em operação, e não em uma encomenda nova, que não foi anunciada.
Perspectivas A substituição gradual dos Fokker 100 até 2030 favorece a utilização prolongada dos E190 na Austrália. A renovação do acordo reafirma que o valor industrial da aeronave se estende para além de sua fabricação: disponibilidade de peças, manutenção eficiente e suporte especializado são determinantes para a viabilidade econômica de sua operação.
Farnborough recebe memorando que prevê colaboração de longo prazo em
MRO, formação de mão de obra e pesquisa e desenvolvimento, com caminho
para a Strata se tornar fornecedora de primeira linha da Embraer
*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026
A Embraer e a Mubadala Investment Company, investidora soberana de Abu Dhabi, assinaram nesta terça-feira (21/7) um acordo-quadro estratégico no Farnborough International Airshow, evento que será realizado entre 20 e 24 de julho no Reino Unido. O documento estabelece um caminho para uma colaboração de longo prazo nas áreas de fornecimento, manutenção, reparo e revisão (MRO), desenvolvimento de capital humano e pesquisa e desenvolvimento conjuntos.
O acordo foi assinado por Dimas Douglas Tomelin, diretor de estratégia e inovação da Embraer, em nome da fabricante brasileira, e por Amer Siddiqui, diretor executivo da plataforma de investimentos da Mubadala nos Emirados Árabes Unidos, em nome do fundo soberano.
A parceria se apoia no ecossistema aeroespacial integrado dos Emirados, que reúne aeroestruturas, materiais avançados e serviços de MRO e de aviação. À medida que os grandes fabricantes de aeronaves concentram suas cadeias de fornecimento em torno de um número menor de parceiros capazes de atender a toda a cadeia de valor, o acordo com a Mubadala coloca essa lógica em prática para a Embraer no Oriente Médio.
O desenvolvimento de mão de obra é um dos pilares centrais do entendimento. As duas organizações vão planejar em conjunto programas de treinamento voltados ao aprimoramento de habilidades em engenharia e no setor aeroespacial nos Emirados, incluindo treinamento prático, transferência de conhecimento e estágios nas instalações da Embraer para talentos emiratis. Na frente de pesquisa e desenvolvimento, as empresas pretendem trabalhar em tecnologias de aeroestruturas de próxima geração, como compósitos, manufatura aditiva e ligas de alta temperatura, com a ambição declarada de criar um centro de inovação conjunto para acelerar a prototipagem.
"Os Emirados Árabes Unidos são um parceiro estratégico para a Embraer", afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da companhia, ao destacar a expectativa de fortalecer a presença da fabricante no país e na região. Já o Dr. Bakheet Al Katheeri, CEO da plataforma de investimentos da Mubadala nos Emirados, descreveu o acordo como uma extensão natural de duas décadas de investimentos da estatal no setor aeroespacial local, citando o princípio de "investir cedo, construir localmente e se preparar com antecedência".
No centro da colaboração estão duas subsidiárias da Mubadala. A Sanad, especialista em MRO de motores que atende a mais de quarenta companhias aéreas globais, ganha a oportunidade de fornecer serviços de manutenção à Embraer, com potencial de expansão para os mercados do Golfo e do norte da África. Já a Strata Manufacturing, fabricante de aeroestruturas sediada em Al Ain e cuja força de trabalho é composta por 68% de cidadãos dos Emirados, passa a ter um caminho para se tornar fornecedora de primeira linha das plataformas da Embraer, participando de programas de aeroestruturas, materiais avançados e componentes.
O anúncio ocorre em um Farnborough particularmente movimentado para a Mubadala, que levou ao salão britânico quatro de suas subsidiárias aeroespaciais, entre elas a própria Strata e a Sanad, além da Piaggio Aero e da AMMROC (Advanced Military Maintenance Repair and Overhaul Center). A Strata já tem histórico de grandes contratos fechados justamente durante edições do Farnborough, como o acordo plurianual com a Boeing para fins verticais do 787 Dreamliner, assinado no salão de 2014.
O acordo com a Mubadala se soma a uma agenda extensa da Embraer no salão britânico deste ano. A companhia também avança na Polônia, onde assinou memorando com a Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 (WZL-2) para manutenção, conversão e integração de sistemas, replicando ali a estratégia de enraizamento industrial já aplicada em países como Portugal, Países Baixos e República Tcheca. No mercado comercial, a fabricante também fechou nesta edição do Farnborough novos pedidos de jatos da família E2, incluindo a negociação com a Abra, controladora da Gol, que já vinha sendo apurada pela Bloomberg antes do início do salão.
Segundo o comunicado da Embraer, o entendimento com a Mubadala se insere nos objetivos dos Emirados Árabes Unidos no âmbito da Operação 300 Bilhões e da Estratégia Industrial de Abu Dhabi, iniciativas de diversificação econômica que buscam ampliar a produção industrial doméstica emirati. Para a Embraer, o acordo reforça o movimento de expansão internacional que a companhia já vinha construindo em mercados como Índia, Polônia, Marrocos, Grécia e o próprio Golfo, ampliando o alcance de sua base industrial para além do Brasil.
Acordo amplia escopo e capacidade do programa
existente nas unidades de Nashville, Macon e Fort Worth, em meio à expansão da
rede de MRO da fabricante brasileira no mercado americano
*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026
A Embraer e a SkyWest
Airlines assinaram, durante o Farnborough International Airshow, em 21 de julho
de 2026, uma extensão de longo prazo do contrato de manutenção pesada que cobre
os 271 jatos E175 operados pela companhia aérea norte-americana. A extensão
amplia o escopo do programa já existente entre as duas empresas e aumenta a
capacidade disponível para atender ao planejamento de longo prazo da frota e às
necessidades operacionais da SkyWest.
Segundo o acordo, as atividades de manutenção
serão realizadas em três instalações de Serviços e Suporte da Embraer nos
Estados Unidos: Nashville, no Tennessee; Macon, na Geórgia; e Fort Worth, no
Texas.
As declarações Para Joe Sigg, vice-presidente de Manutenção da
SkyWest, o contrato é “fundamental para manter a frota de E175 robusta e
confiável”. Segundo ele, como maior proprietária e operadora de aeronaves E175
do mundo, a SkyWest depende desse tipo de acordo para seguir oferecendo o
padrão de confiabilidade esperado por seus clientes.
Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer
Serviços e Suporte, classificou a SkyWest como “uma cliente de longa data e uma
parceira estratégica”. Segundo ele, o acordo reforça o compromisso da Embraer
em fornecer soluções de MRO lideradas pela fabricante original do equipamento,
aumentando a confiabilidade da frota e a eficiência operacional dos clientes,
ao mesmo tempo em que sustenta a expansão da rede de manutenção da empresa nos
Estados Unidos.
Expansão da rede
nos Estados Unidos O novo contrato se soma a um movimento mais
amplo de expansão da presença da Embraer no segmento de manutenção, reparo e
revisão (MRO) no mercado americano. Em Fort Worth, a empresa está investindo
cerca de US$ 70 milhões na construção de uma nova instalação de MRO voltada à
aviação comercial, no aeroporto Perot Field Alliance, com início de operações
previsto para 2027. Após a conclusão das obras, a unidade deve elevar em mais
de 50% a capacidade de atendimento da Embraer a clientes de E-Jets nos Estados
Unidos.
A futura unidade de Fort Worth vai complementar
as operações que a Embraer já mantém no aeroporto Alliance desde junho de 2025,
e deve ter papel central no atendimento à demanda crescente por manutenção de
E-Jets na América do Norte.
No total, a rede global de Serviços e Suporte da
Embraer reúne atualmente mais de 80 centros de serviço autorizados e 13 centros
de serviço próprios, com atuação em diferentes regiões do mundo.
Sobre a SkyWest
Airlines A SkyWest Airlines é subsidiária integral da
SkyWest, Inc. (Nasdaq: SKYW) e é a maior proprietária e operadora do jato E175
no mundo. A companhia opera por meio de parcerias com a United Airlines, a
Delta Air Lines, a American Airlines e a Alaska Airlines, e transportou 46
milhões de passageiros em 2025. A frota da SkyWest soma aproximadamente 500
aeronaves, conectando passageiros a mais de 260 destinos na América do Norte.
Jornalista e Editor do portal DefenceWeb (África do Sul), Guy Martin, traça um panorama bastante detalhado sobre a Embraer, onde esteve a convite da empresa
A gama de aeronaves da Embraer abrange aviação de defesa, comercial, executiva e de mobilidade aérea. Imagem: Embraer
A Embraer é a terceira maior fabricante de aeronaves civis do mundo, depois da Airbus e da Boeing, e tem grandes planos para aumentar seu faturamento e participação de mercado nos setores de defesa, aviação comercial e executiva.
Desde a sua fundação em 1969, a Embraer já produziu mais de 9.000 aeronaves. Em média, uma aeronave Embraer decola a cada dez segundos em algum lugar do mundo, transportando 150 milhões de passageiros por ano. A empresa possui mais de 2.000 clientes em mais de 100 países e é a principal fabricante de jatos comerciais com capacidade para até 150 passageiros.
Francisco Gomes Neto, presidente e CEO do Grupo Embraer, disse a jornalistas durante uma visita da imprensa às instalações da empresa em São José dos Campos, no início de junho, que a empresa possui contratos de defesa com 60 forças armadas e 170 clientes comerciais (além de uma base considerável de clientes de jatos executivos e uma presença menor no segmento de aeronaves agrícolas). A Embraer tem presença global, com instalações nos Estados Unidos, México, Reino Unido, França, Portugal, Holanda, Emirados Árabes Unidos, Índia, China e Singapura, e clientes em todos os continentes para seus produtos comerciais, executivos e de defesa.
A Embraer está apresentando um crescimento substancial e pretende se tornar uma empresa de US$ 10 bilhões antes de 2030. Ela registrou uma taxa de crescimento anual composta de 13% em sua carteira de pedidos desde 2021, que atualmente totaliza US$ 32,1 bilhões (aviação comercial representa 47% desse valor, com US$ 15 bilhões; aviação executiva, 24%, com US$ 7,6 bilhões; defesa e segurança, 13%, com US$ 4,4 bilhões; e serviços e suporte, 16%, com US$ 5,1 bilhões), o que corresponde a vários anos de produção.
Felipe Santana, Vice-Presidente de Relações Financeiras e com Investidores, observou que a Embraer tem apresentado um sólido desempenho financeiro e operacional nos últimos anos, adicionando US$ 1 bilhão em receita anual nos últimos quatro anos. A receita líquida atingiu US$ 7,5 bilhões em 2025 e a previsão é de que alcance entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões este ano, impulsionada pela entrega planejada de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 aeronaves executivas.
A empresa está trabalhando para garantir novos pedidos, ao mesmo tempo em que aumenta a produção e melhora a eficiência e o desempenho da cadeia de suprimentos. A Embraer tem investido muito em eficiência geral, disse Neto, pois a empresa quer entregar mais com menos e está usando novas tecnologias para isso: ele quer que a empresa seja a fabricante de equipamentos originais (OEM) mais eficiente. Essa dedicação à eficiência ficou evidente durante a visita às instalações da empresa em São José dos Campos e Gavião Peixoto, onde a automação e os robôs são amplamente utilizados e não se viu nenhum resíduo de material nos galpões de produção.
A melhoria da eficiência é evidente na gestão da cadeia de suprimentos da Embraer – a empresa registrou um aumento de 18% nas entregas de aeronaves e uma redução de 22% na média de faltas de peças no último ano. Nos últimos cinco anos, os prazos de produção caíram 45% para a aviação executiva, 34% para a aviação de defesa e 28% para a aviação comercial. A Embraer firmou uma parceria com a Toyota para implementar o Sistema de Produção Toyota (TPS) e otimizar a fabricação de aeronaves. Ao aplicar essas metodologias de produção enxuta, a fabricante aeroespacial reduziu significativamente os prazos de produção, alcançando uma redução de 17% no tempo de produção de asas e impulsionando ganhos de eficiência operacional geral de cerca de 20%.
Defesa e segurança
O portfólio de defesa da Embraer abrange principalmente a aeronave de transporte militar multimissão de nova geração C-390 Millennium e a aeronave de treinamento e ataque leve A-29 Super Tucano, mas a Embraer também oferece uma linha completa de soluções integradas para sistemas aéreos, espaciais, marítimos, terrestres e cibernéticos. Por exemplo, a empresa (juntamente com sua subsidiária Atech) firmou parceria com o estaleiro alemão TKMS para construir as quatro primeiras fragatas da classe Tamandare para a Marinha do Brasil. A primeira fragata da classe entrou em serviço este ano, e o contrato para mais quatro unidades já foi assinado. Na área de radares, a Embraer desenvolve e produz radares táticos terrestres, como o M20, M60, M200 e radares de contrabateria. A empresa também produz aeronaves de alerta aéreo antecipado, como o R-99/E-99 e o Netra, baseadas em suas plataformas de aeronaves comerciais.
KC-390 Millennium. Foto: Guy Martin
O C-390 Millennium é capaz de transportar até 26 toneladas métricas de carga a uma velocidade máxima de 470 nós (870 km/h), com capacidade para operar em ambientes austeros, incluindo pistas não pavimentadas ou danificadas. A aeronave já está em operação no Brasil, Portugal e Hungria, foi encomendada pela Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia e Emirados Árabes Unidos, e foi selecionada pela Eslováquia e Lituânia. A Grécia iniciou recentemente o processo de aquisição de três aeronaves. A Embraer está de olho em muitos novos clientes, como Marrocos e África do Sul.
A Embraer descreve o A-29 Super Tucano como líder global em sua categoria, com mais de 300 encomendas e mais de 600.000 horas de voo acumuladas, incluindo 65.000 horas de combate. Atualmente, 22 forças aéreas selecionaram o Super Tucano, com outras encomendas em análise. O Super Tucano pode realizar uma ampla gama de missões, como patrulha aérea, operações especiais, coordenação aérea e tática (TAC), inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), vigilância de fronteiras, reconhecimento, escolta aérea, combate a sistemas aéreos não tripulados (UAS) e treinamento básico, operacional e avançado de pilotos. O Super Tucano tem desempenho comprovado em combate, com diversas forças aéreas africanas utilizando o modelo em operações de contra-insurgência – a Força Aérea Nigeriana o utiliza extensivamente para combater o Boko Haram e outros grupos terroristas.
A-29 Super Tucano. Foto: Guy Martin
Ainda no setor de defesa, a Embraer monta o caça Gripen da Saab para a Força Aérea Brasileira. O Gripen foi selecionado em 2014 em um acordo que incluía compartilhamento de tecnologia – em março deste ano, o primeiro Gripen E produzido no Brasil saiu da linha de montagem da Embraer – a única instalação desse tipo para a aeronave fora da Suécia. A Embraer montará e entregará 15 Gripens para a Força Aérea Brasileira e espera aumentar a participação da Saab na montagem final do Gripen para atender à crescente demanda pelo jato. O Brasil encomendou 28 unidades do modelo E (monoposto) e oito do modelo F (biposto). Dias após a entrega do primeiro Gripen F para o Brasil, o país sul-americano anunciou, no início de junho, planos para comprar mais 20 Gripen E. Embora a cooperação com a Saab esteja indo bem, Neto afirmou que desenvolver seu próprio caça não é algo que a Embraer realmente deseja priorizar, e que estudará outros segmentos de mercado primeiro, além de se concentrar em produtos já existentes.
Aviação comercial
A Embraer Aviação Comercial possui mais de 100 clientes em todo o mundo operando as famílias de aeronaves ERJ e E-Jets. A família E-Jets começou com quatro aeronaves com capacidade entre 70 e 130 assentos: o E170, E175, E190 e E195. Em 2013, a Embraer lançou o E2, a segunda geração da família de aeronaves comerciais E-Jets, composta por duas novas aeronaves – o E190-E2 e o E195-E2 – com capacidade para até 146 passageiros. Um total de 202 aeronaves E2 foram entregues, acumulando 1,25 milhão de horas de voo desde que entraram em serviço em 2018, enquanto os pedidos e opções somam 397 aeronaves (em comparação, 819 aeronaves E175 foram entregues, acumulando 17,9 milhões de horas de voo).
A Embraer afirma que a família E2 possui os maiores intervalos de manutenção na categoria de jatos de corredor único – com 10.000 horas de voo para verificações básicas e sem limite de calendário para operações típicas do E-Jet, permitindo operação com tempo de inatividade mínimo. Além disso, a tecnologia embarcada na aeronave permite o uso de ferramentas de manutenção preditiva que geram dados para que as companhias aéreas antecipem suas necessidades de manutenção.
E-Jets da Embraer em sua unidade de São José dos Campos. Foto: Guy Martin
O programa E-Jets registrou mais de 2.000 encomendas e 1.900 entregas para 90 companhias aéreas em 60 países, incluindo a África do Sul. A Airlink é a maior operadora comercial de aeronaves Embraer na África, utilizando os modelos E170, E175, E190, E195 e E195-E2, além dos jatos regionais ERJ 135/140. A Airlink encomendou dez novos E195-E2 (arrendados pela Azorra) para substituir modelos mais antigos e aumentar a capacidade. O primeiro E195-E2 entrou em serviço na Airlink em dezembro de 2025 – vários outros estão em construção nas instalações da Embraer em São José dos Campos. A Airlink tornou-se a primeira companhia aérea da África Austral a operar o E195-E2, que é equipado com motores turbofan Pratt & Whitney PW1009G com redução de potência, ampliando o alcance em relação aos modelos anteriores. A Airlink já recebeu três aeronaves E195-E2, e as restantes deverão ser entregues nos próximos 18 meses.
Rodrigo Silva e Souza, Vice-Presidente de Marketing da Divisão de Aviação Comercial, afirmou que o setor de aviação comercial enfrenta desafios constantes, como a pandemia de Covid-19 e agora o conflito no Irã, mas a divisão comercial da Embraer permanece resiliente, com crescimento previsível e vendas sólidas: a Aviação Comercial registrou US$ 7,4 bilhões em vendas em 2025, com a carteira de pedidos atingindo US$ 15 bilhões. A Embraer registrou 397 pedidos/opções do E2 e 215 pedidos/opções do E175 desde 2024 – detendo 76% da participação de mercado em sua categoria (contra o Airbus A220). A Embraer espera entregar de 80 a 85 E-Jets em 2026, um aumento em relação aos 78 em 2025 e 73 em 2024, além de até 170 jatos executivos este ano.
Um Embraer E-Jet. Foto: Guy Martin
A Embraer está de olho na Índia e recentemente assinou um Memorando de Entendimento com a Adani Defence and Aerospace para estabelecer uma linha de montagem final para os E-Jets no país, prevendo um grande crescimento das companhias aéreas regionais indianas. No âmbito militar, a Embraer e o Grupo Mahinda firmaram uma parceria para produzir o C-390 na Índia, caso a empresa vença uma possível licitação – um edital formal ainda não foi publicado, mas acredita-se que a Índia esteja buscando adquirir até 80 novas aeronaves de transporte. Um Pedido de Propostas (RFP) para o programa de Aeronaves de Transporte Médio é esperado ainda este ano. Os requisitos de defesa indianos estipulam que cerca de metade dos componentes sejam de origem local para grandes compras. Uma linha de montagem completa poderia ser estabelecida na Índia, replicando a atual unidade de produção do C-390 em Gavio Peixoto.
Souza enfatizou que as companhias aéreas estão adicionando mais capacidade regional do que capacidade de longo alcance, especialmente em decorrência do aumento dos preços do combustível devido ao conflito com o Irã, o que está beneficiando a carteira de encomendas da Embraer. Jatos regionais tornam-se valiosos quando os preços do combustível sobem ou a demanda enfraquece, pois as companhias aéreas podem continuar operando rotas sem ter muitos assentos vazios. Os clientes da Embraer não estão solicitando adiamento de entregas ou suspensão de vendas em meio aos preços mais altos do combustível.
Serviços e suporte
Serviços e Suporte é uma das quatro principais unidades de negócios da Embraer, juntamente com seus ramos de Aviação Comercial, Defesa e Segurança e Aviação Executiva, e representa quase um terço da receita total da empresa. A área de Serviços e Suporte tem crescido rapidamente, com uma carteira de pedidos de US$ 4,9 bilhões para 2025 e US$ 5,1 bilhões atualmente – um novo recorde (em 2020, era de US$ 2 bilhões).
A unidade de negócios de Serviços e Suporte também inclui a OGMA, com sede em Portugal, fornecedora de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) para aeronaves e motores civis e militares, e a Embraer CAE Training Services (ECTS), que oferece soluções avançadas de treinamento para os jatos Phenom e E-Jets E2. Com mais de 5.000 profissionais em todo o mundo, a Embraer Serviços e Suporte atende a mais de 2.000 clientes em mais de 100 países. Sua rede global compreende 80 centros de serviço autorizados, 14 instalações próprias de MRO, 200 representantes de suporte em campo, sete centros de distribuição globais e 100 simuladores de voo. O Centro de Atendimento ao Cliente oferece suporte global 24 horas por dia, 7 dias por semana, com uma equipe qualificada de técnicos disponível ininterruptamente, atendendo a mais de 35.000 chamadas anualmente e realizando mais de 100.000 interações com clientes. O portfólio inclui soluções de materiais, programas de pagamento por hora, manutenção, modificações de aeronaves, treinamento, suporte integrado, serviços digitais, serviços de engenharia e muito mais.
Limpeza da aeronave em andamento. Foto: Guy Martin
Na África do Sul, a ExecuJet é a fornecedora autorizada de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) para a Embraer no setor comercial, mas um recente memorando de entendimento com a Denel a designaria como fornecedora de serviços de MRO para o setor de defesa, caso a África do Sul, por exemplo, adquira o C-390 Millennium.
Carlos Naufel, presidente e CEO de Serviços e Suporte, afirmou que a divisão está crescendo 50% ao ano e, consequentemente, expandindo suas instalações. O segmento de serviços de defesa está testemunhando um aumento na demanda, com a Embraer inaugurando novos centros de serviço autorizados para o C-390 em todo o mundo, à medida que as vendas aumentam. A empresa também está recebendo mais serviços de manutenção de suas frotas de Super Tucano – muitas forças aéreas costumavam realizar sua própria manutenção, mas a Embraer agora está conquistando mais contratos de manutenção para o turboélice.
Aviação executiva
Em meados da década de 1990, a Embraer diversificou suas atividades para o mercado de aviação executiva e, em 2000, lançou o Legacy 600, baseado em seu jato regional ERJ 145. Em 2005, foram lançados o Phenom 100, um jato muito leve (VLJ) totalmente novo, e o Phenom 300, um jato leve. O carro-chefe da empresa, o Lineage 1000, uma versão para 19 passageiros do avião comercial E190, surgiu em 2006.
A Embraer Executive Jets introduziu o sistema fly-by-wire em jatos de médio porte com o lançamento do Legacy 450 e 500 em 2008. O Legacy 650, uma versão aprimorada e de maior alcance do Legacy 600, estreou em 2009. A linha de jatos executivos foi atualizada ao longo dos anos, incluindo o Lineage 1000E (Enhanced), com cabine, cockpit e alcance aprimorados (2013); o Phenom 100E, com spoilers multifuncionais (2014) e o 100EV (Evolution), com motor e aviônicos aprimorados (2016); o Legacy 650E, com a adição de visão sintética e acelerador automático (2016); e o Phenom 300E, com novo interior e aviônicos (2017). Os Legacy 450/500 foram atualizados para os modelos Praetor 500 e 600, de maior alcance.
Os modelos Lineage 1000/1000E e Legacy 600/650 não são mais fabricados: atualmente, a Embraer produz o Phenom 100EX e o 300E na categoria de jatos leves, bem como os jatos médios Praetor 500E e Praetor 600E nos segmentos médio e supermédio, respectivamente. A Embraer afirma que o Phenom 300E é o jato leve mais rápido em produção, enquanto o Praetor 500E foi otimizado para voar mais longe e mais rápido em seu segmento. Da mesma forma, afirma que o Praetor 600E é o jato supermédio com maior alcance do mundo.
Molho secreto
Cleiton Diniz, vice-presidente de Tecnologia e Equipamentos Eletrônicos da Embraer, acredita que a empresa possui o que ele chama de "ingrediente secreto" quando se trata de excelência em engenharia. Todos os engenheiros trabalham sob uma mesma estrutura, dando suporte a todas as divisões. Isso permite que eles transitem entre as divisões comercial, executiva e de defesa, onde podem compartilhar novas tecnologias (como os mais recentes sistemas fly-by-wire), melhores práticas e ideias inovadoras. Diniz afirmou que este é um momento empolgante para ser engenheiro na Embraer, pois a empresa tem muitos projetos para os engenheiros trabalharem – desde 2000, a Embraer certificou 22 aeronaves diferentes. "Não conheço nenhuma outra empresa que faça tanto quanto ele", disse.
Em 2019, a Embraer recebeu a certificação simultânea para seu E192-E2 da ANAC (Autoridade Nacional de Aviação Civil do Brasil), da Administração Federal de Aviação dos EUA e da Agência Europeia para a Segurança da Aviação, em um feito inédito no mundo.
A Embraer mantém seus engenheiros ocupados com inúmeros projetos de tecnologias futuras, como emissão zero, voo autônomo, inovações da Indústria 4.0, inteligência artificial, ciência de dados e segurança cibernética, entre outros. No que diz respeito à emissão zero, a empresa está explorando combustíveis sintéticos para aviação, energia de hidrogênio, sistemas elétricos de degelo e tecnologias futuras para cabines, como reconhecimento de voz.
Mobilidade aérea urbana
O projeto de mobilidade aérea urbana Eve Air Mobility da Embraer é a sua maior iniciativa de emissão zero. Ele começou como um projeto dentro da Embraer-X, uma aceleradora de mercado da Embraer encarregada de encontrar oportunidades disruptivas para crescimento exponencial. A ideia da mobilidade aérea urbana foi concebida para melhorar a mobilidade das pessoas em cidades ao redor do mundo. A Eve abriu seu capital com uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Valores de Nova York em 2022.
A aeronave totalmente elétrica possui oito hélices para voo vertical e uma única hélice propulsora para voo horizontal de cruzeiro. Ela foi projetada para um alcance de 85 km (mais reservas), transportando quatro passageiros e um piloto (no futuro, uma versão não tripulada poderá transportar seis passageiros); a tecnologia aprimorada de baterias promete aumentar ainda mais o alcance. Graças ao uso de motores elétricos, a aeronave deverá ser substancialmente mais silenciosa do que os helicópteros tradicionais, facilitando a operação a partir de cidades. Por questões de ruído, a Embraer optou por uma aeronave totalmente elétrica em vez de híbrida.
Protótipo Eve eVTOL em voo. Foto: Embraer
O primeiro voo do protótipo de engenharia não tripulado ocorreu em dezembro de 2025. Johann Bordais, CEO da Eve, afirmou que o protótipo já realizou 59 voos, acumulando duas horas e meia de tempo de voo. Este ano, a empresa planeja aumentar o envelope de voo da aeronave e expandir o voo vertical para transições horizontais completas. Um protótipo tripulado voará em 2027 e a certificação pela ANAC no Brasil é esperada para 2028. A certificação estava anteriormente prevista para 2026 e depois para 2027.
Até o momento, o Eve eVTOL conquistou 27 clientes em nove países, com 2.700 pedidos firmes e cartas de intenção (100 delas já estão em fase de contratos vinculativos). A carteira de pré-encomendas está avaliada em US$ 13,5 bilhões, com US$ 500 milhões em contratos vinculativos. Um dos pedidos vinculativos é da Revo, uma empresa de transporte aeroportuário por helicóptero em São Paulo, que encomendou dez aeronaves e possui 40 opções.
Embora muitos fabricantes estejam investindo pesado no setor de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), os obstáculos relacionados à certificação, desenvolvimento e regulamentação continuam a dificultar o progresso devido à complexidade de introduzir uma categoria de aeronave completamente nova. Ainda assim, a Embraer está otimista quanto às perspectivas do Eve e acredita que ele poderá gerar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão em receita anual.
*Guy Martin estava no Brasil a convite da Embraer.