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15 julho, 2026

Embraer negocia venda de jatos regionais para a Alliance Air, da Índia

Estatal indiana avalia opções para renovar frota de turboélices em meio a problemas recorrentes com os ATR 72; fabricante brasileira aposta em mercado potencial de 500 aeronaves no país na próxima década

 

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LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

A Embraer está em negociações preliminares com a Alliance Air, companhia aérea regional estatal da Índia, para um possível pedido de aeronaves. A informação foi divulgada pelo jornal indiano Financial Express, em reportagem assinada por Akbar Merchant e publicada em 15 de julho de 2026, com base em fontes ouvidas pelo veículo.

Segundo o jornal, as conversas ainda estão em estágio inicial e não há detalhes fechados sobre o possível contrato. As famílias E175 e E190-E2 estariam entre as aeronaves em avaliação pela companhia indiana.

Frota de turboélices enfrenta dificuldades
A Alliance Air é controlada pelo governo indiano por meio da AI Assets Holding Ltd. e opera atualmente cerca de 18 aeronaves ATR 72, das quais a maior parte estaria em solo por diferentes problemas, de acordo com as fontes citadas pelo Financial Express. A situação teria motivado a companhia a avaliar alternativas para reforçar sua frota.

A empresa é a segunda maior operadora regional da Índia, com cerca de 20% de participação no segmento de turboélices, atrás apenas da Star Air, primeira companhia aérea do país a operar o Embraer E175.

Embraer projeta mercado de 500 aeronaves
Em nota ao jornal indiano, um porta-voz da Embraer afirmou que a companhia está dialogando tanto com operadoras já estabelecidas quanto com potenciais novas entrantes no mercado indiano, sem confirmar detalhes sobre clientes específicos, incluindo a própria Alliance Air e a Star Air, que já manifestou publicamente interesse em adquirir até 20 jatos da família E2.

“A certificação da família E-Jet nos permite atender à demanda futura tanto de companhias já existentes quanto de possíveis novas entrantes que estejam avaliando aeronaves de menor porte para iniciar operações. O E175 já voa na Índia, e temos a expectativa de assegurar novos pedidos de E-Jets em breve”, afirmou o porta-voz da fabricante brasileira.

A companhia estima um mercado potencial de 500 aeronaves no país ao longo da próxima década, à medida que as companhias aéreas indianas expandem operações para além das capitais e reforçam a conectividade com cidades de médio e pequeno porte.

Encaixe no programa Udan
Segundo a Embraer, o E195-E2 se encaixa no programa governamental de conectividade regional Udan (Ude Desh ka Aam Nagrik), com custo por assento comparável ao de aeronaves narrowbody de maior porte e custo de viagem 25% menor, o que tornaria rotas de menor densidade mais viáveis comercialmente e permitiria maior frequência de voos.

“A Índia é o maior mercado inexplorado do mundo. Com uma frota predominante de narrowbodies grandes e turboélices, as companhias aéreas estão perdendo oportunidades significativas em rotas finas demais para narrowbodies e longas demais para turboélices”, disse um porta-voz da Embraer ao jornal.

Fabricação local ainda depende de pedidos firmes
Um eventual pedido da Alliance Air se soma a outros movimentos recentes da Embraer na Índia, entre eles a negociação da Star Air por um lote histórico de até 40 ou 50 jatos regionais e a definição, em junho de 2026, de Dholera, no estado de Gujarat, como sede de uma futura linha de montagem final (FAL) do E175, em parceria com o Adani Group.

A instalação da FAL, no entanto, segue condicionada à confirmação de pedidos firmes de companhias aéreas indianas, conforme declarou Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação Comercial, em entrevista recente na sede da empresa em São José dos Campos (SP). Nesse sentido, um contrato da Alliance Air reforçaria justamente a base de pedidos que a fabricante brasileira busca consolidar antes de avançar com a fabricação local.

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