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12 agosto, 2026

Índia emite RFP para aquisição de 60 aeronaves de transporte médio

Pedido de propostas, avaliado em US$ 10 bilhões, coloca o C-390 Millennium da Embraer em disputa direta com o C-130J da Lockheed Martin e com a candidatura da Hindustan Aeronautics Limited em parceria com a Rússia 

Imagem meramente ilustrativa renderizada por IA de um C-390 da Força Aérea Indiana e um tank leve Zorawar do exército desse país

*LRCA Defense Consulting - 12/08/2026

O Ministério da Defesa da Índia emitiu nesta quarta-feira (12 de agosto de 2026) um Pedido de Propostas (Request for Proposal, RFP) para a aquisição de 60 novas aeronaves de transporte destinadas à Força Aérea Indiana (Indian Air Force, IAF), com cláusula opcional para unidades adicionais. O programa, avaliado em cerca de US$ 10 bilhões, tem como objetivo substituir a envelhecida frota de An-32 e, possivelmente, parte dos Il-76 atualmente em serviço.

O documento foi encaminhado a diversas empresas indianas, entre elas o Tata Group, a Mahindra, a Adani Defence e a estatal Hindustan Aeronautics Limited (HAL). Pelas regras do contrato, as companhias indianas deverão se associar a um fabricante de equipamento original (Original Equipment Manufacturer, OEM) para instalar no País uma linha de montagem final e centros de manutenção, reparo e revisão (Maintenance, Repair and Overhaul, MRO).

Segundo apurou o portal indiano ThePrint, o primeiro lote de aeronaves será entregue em condição de voo (fly away), enquanto as unidades restantes serão fabricadas na Índia, com exigência mínima de 40% de indigenização, percentual que deverá subir para 60% de forma escalonada. Fontes ligadas ao establishment de defesa e segurança do País indicaram que as aeronaves buscadas se enquadram na categoria de 18 a 30 toneladas de peso. 


Vídeo: C-390 para a Índia

Embraer e Lockheed Martin como favoritos 

Os dois principais concorrentes do programa são o Tata Group, associado à norte-americana Lockheed Martin, e a Mahindra Defence, parceira da brasileira Embraer. A HAL, por sua vez, retomou a articulação com a Rússia, revivendo o projeto conjunto de 2009 para o Multi-role Transport Aircraft (MTA), iniciativa que havia sido encerrada em 2016.

O C-130J Hercules da Lockheed Martin, do qual a IAF já opera 12 unidades, atende a extremidade inferior do requisito, com capacidade de carga de cerca de 19 toneladas. Já o C-390 Millennium da Embraer se aproxima do limite superior, com capacidade de 26 toneladas. Segundo o ThePrint, a Airbus, que inicialmente havia oferecido o A400M, deve deixar a disputa, uma vez que sua aeronave excede os requisitos especificados, com capacidade de carga de 37 toneladas.

Com o RFP formalizado, as empresas selecionadas terão prazo para apresentar suas propostas, que passarão por análise técnica e, na sequência, por rodada de testes em campo, antes da escolha final da aeronave vencedora.

Uma peculiaridade do processo é que, embora a Embraer tenha firmado parceria com a Mahindra para a vertente militar, a fabricante brasileira mantém, paralelamente, uma associação com o Adani Group para aeronaves civis. Segundo o ThePrint, o desfecho dessa sobreposição de parcerias, caso o C-390M seja selecionado, ainda é incerto.

Requisitos operacionais e o cenário de Ladakh 
As aeronaves selecionadas deverão ser capazes de operar em grande altitude e de pousar e decolar em pistas não preparadas, como as Advanced Landing Grounds (ALGs) da região de Ladakh e do nordeste indiano. O requisito reflete as lições da crise militar entre Índia e China no Ladakh oriental, quando o transporte aéreo se tornou essencial para sustentar o deslocamento de tropas e equipamentos em áreas montanhosas.

O programa integra o esforço da IAF para dispor de um leque amplo de aeronaves de transporte, capazes de deslocar diferentes tipos e volumes de carga em operações humanitárias e de grupos especiais, complementando a frota de C-295 (também de origem europeia) na faixa mais leve e os C-17 Globemaster III na faixa pesada. 


Imagens meramente ilustrativas renderizadas por IA mostrando um tank leve Zorawar sendo transportado por um C-390

Antecedentes: quase dois anos de articulação entre Embraer e Mahindra 

O RFP publicado nesta quarta-feira é o desfecho de um processo que se arrasta desde fevereiro de 2024, quando Embraer Defense & Security e Mahindra assinaram, na embaixada do Brasil em Nova Délhi, um memorando de entendimento para buscar juntas o programa MTA. Em fevereiro deste ano, as duas empresas avançaram um passo além, anunciando planos para instalar na Índia uma unidade de MRO dedicada ao C-390 Millennium, caso a aeronave seja escolhida.

O aval institucional ao programa havia sido dado em março, quando o Defence Procurement Board (DPB), presidido pelo secretário de Defesa Rajesh Kumar Singh, aprovou a aquisição de cerca de 60 aeronaves para substituir os An-32, em programa então estimado em ₹ 1 lakh crore (cerca de US$ 10 bilhões). Na ocasião, o requisito de carga útil situava-se entre 20 e 26 toneladas, faixa que abrange tanto o C-130J quanto o C-390M.

A candidatura do C-390M à Índia é acompanhada por esta Consultoria desde seu início, inclusive quando se noticiou a possibilidade de um acordo governo a governo do tipo quid pro quo, pelo qual a Índia adquiriria de 40 a 80 unidades do C-390 Millennium em troca da compra brasileira de sistemas indianos, como o míssil antiaéreo Akash e o míssil de cruzeiro supersônico BrahMos. 
 
Mudanças posteriores nos requisitos da IAF, entre elas a exigência de transportar o veículo blindado leve Zorawar, de 25 toneladas, chegaram a ser apontadas como fator que eliminaria o C-130J da disputa, deixando o C-390M e o A400M como concorrentes; o RFP desta quarta-feira, no entanto, reintroduz a Lockheed Martin no páreo e sinaliza a provável saída da Airbus. 

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