Atech, SIMTECH e Equipaer formam o Espaço Brasil da EURONAVAL 2026, feira que reúne quase 700 expositores de 40 países; delegação oficial terá o chefe do EMCFA e o secretário de Produtos de Defesa
*LRCA Defense Consulting - 30/10/2026 - 14h35
A Base Industrial de Defesa (BID) brasileira volta a marcar presença na principal vitrine mundial do setor naval. De 3 a 6 de novembro, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) coordenam o Espaço Brasil na EURONAVAL 2026, no Centro de Exposições Paris-Nord Villepinte, nos arredores da capital francesa. A iniciativa tem o apoio do Ministério da Defesa (MD) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Instalado no Hall 6, estande J94, o pavilhão nacional terá três expositoras: a Atech, empresa do Grupo Embraer; a SIMTECH; e a Equipaer, do Grupo Mac Jee. O objetivo, segundo a ABIMDE, é colocar as empresas diante de compradores em potencial, abrir contatos comerciais e identificar oportunidades de cooperação com organizações estrangeiras.
Uma feira em expansão
Organizada pela SOGENA, subsidiária do GICAN (o grupo que reúne a indústria marítima francesa), a EURONAVAL chega à 30ª edição. Bienal, a feira reúne representantes de Marinhas, autoridades governamentais, responsáveis por aquisições militares e empresas que desenvolvem tecnologia para operações marítimas, além de uma programação de conferências e rodadas de negócios.
Levantamento do portal especializado The Flying Engineer, feito com base na lista publicada pelos organizadores, contabiliza 694 expositores de 40 países em 2026. A França responde por 309 deles, seguida por Alemanha (50), Itália (49), Reino Unido (36), Países Baixos (27) e Estados Unidos (24). Entre os nomes de peso estão Naval Group, Fincantieri, Navantia, BAE Systems, Leonardo, Lockheed Martin, Saab e Thales.
O perfil dos expositores indica para onde caminha a guerra no mar. Os veículos autônomos de superfície e submarinos formam o maior segmento, com 101 empresas, à frente de manutenção e reparo naval (65) e de sistemas de vigilância marítima (59). Há ainda 36 expositores de sistemas aéreos não tripulados e 28 dedicados à defesa antidrone naval, tema que ganhou urgência com os ataques de drones e embarcações não tripuladas no Mar Negro e no Mar Vermelho.
O salto é visível na comparação com a edição anterior. Em 2024, segundo o balanço divulgado ao fim do evento, a EURONAVAL reuniu 480 expositores de 30 nacionalidades, 26 mil visitas profissionais e 150 delegações oficiais de 79 países.
Quem vai a Paris
A Atech é a expositora de maior perfil naval do grupo. A empresa desenvolve e integra o Sistema de Gerenciamento de Combate (Combat Management System, CMS) e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS) das fragatas da classe Tamandaré, construídas para a Marinha do Brasil pelo consórcio Águas Azuis, do qual a Embraer faz parte. Também fornece o sistema de gerenciamento de dados táticos navais do programa H-XBR, dos helicópteros Super Cougar, e é a principal fornecedora de instrumentação e controle do Laboratório de Geração de Energia Núcleo-Elétrica (LABGENE). Os produtos estão reunidos no portfólio Arkhe, que a empresa apresentou no pavilhão da ABIMDE na DSEI 2025, em Londres.
A SIMTECH, que atua em assessoria estratégica e desenvolvimento de negócios, é veterana do Espaço Brasil: esteve na edição de 2024 e mantém parceria de mais de 20 anos com a europeia MBDA, fabricante de mísseis com presença na Marinha do Brasil. Naquela ocasião, a empresa realizou reuniões com representantes do Ministério da Defesa e da Força Naval.
A Equipaer, certificada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), é conhecida pelos alvos aéreos para treinamento de artilharia, pelos lançadores de foguetes de 70 mm fornecidos à Força Aérea Brasileira (FAB) e pela aeronave remotamente pilotada DIANA, que simula ameaças aéreas em testes de artilharia antiaérea e armamento ar-ar. Desenvolvido em 2014 com transferência de tecnologia do Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA) da Espanha, o sistema poderia, em tese, interessar a Marinhas que precisam treinar a defesa antiaérea de seus navios. A empresa, que funcionava em Cotia (SP), foi incorporada ao Grupo Mac Jee, sediado em São José dos Campos (SP) e com operações também na França.
Delegação de alto nível
A comitiva oficial dá peso político a uma participação empresarial modesta. Estão confirmados o embaixador do Brasil na França, Ricardo Neiva Tavares; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), Almirante de Esquadra Renato Rodrigues de Aguiar Freire; e o secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Tenente-Brigadeiro do Ar Heraldo Luiz Rodrigues. Representantes da Secretaria-Geral do MD, da Marinha do Brasil e de outras áreas da administração militar completam a delegação.
A coordenação do Espaço Brasil caberá a Miquéias Souza, coordenador do Projeto Setorial Brazil Defense, responsável pelo acompanhamento das expositoras e pela articulação institucional da ABIMDE durante a feira. Para ele, a conquista de mercados externos depende de presença constante, conhecimento das particularidades de cada país e capacidade de responder às demandas dos compradores. “A EURONAVAL oferece um ambiente especializado para ampliação da presença da indústria no setor naval”, afirma.
Continuidade como estratégia
A ida a Paris integra o Brazil Defense, projeto conduzido pela ABIMDE e pela ApexBrasil, em colaboração com o MD e o MRE, para impulsionar as exportações do setor. A iniciativa atende tanto empresas que ainda não exportam quanto as que já estão em diferentes estágios de internacionalização, com monitoramento de mercado, participação em feiras e ações comerciais integradas. A ABIMDE reúne mais de 240 associadas, entre elas as principais empresas de defesa e segurança instaladas no País.
A presença brasileira na EURONAVAL segue enxuta. Em 2024, o Espaço Brasil teve duas expositoras, a MK Logistics e a SIMTECH, e recebeu delegações do Chile e de Camarões interessadas em cooperar com a BID. Na avaliação da ABIMDE à época, o setor naval brasileiro vivia um momento de retomada. Com três empresas em 2026, diante de quase 700 concorrentes, o desafio do pavilhão é converter visibilidade institucional em negócios concretos num mercado dominado por grandes estaleiros e integradores europeus.
Serviço
EURONAVAL 2026
Data: 3 a 6 de novembro de 2026
Local: Paris-Nord Villepinte, Paris, França
Espaço Brasil: Hall 6, estande J94
Site: www.euronaval.com

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