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25 junho, 2026

Embraer e WZL-2 assinam novo memorando para ampliar cooperação industrial na Polônia visando o KC-390

Documento assinado em São José dos Campos amplia o escopo da parceria para serviços e suporte, acabamento e conversão de aeronaves, e reforça a ofensiva da fabricante brasileira sobre o programa Drop, da Força Aérea polonesa 


*LRCA Defense Consulting - 25/06/2026

A Embraer assinou, nesta quinta-feira, 25 de junho, um novo Memorando de Acordo (MoA) com a Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 SA (WZL-2), uma das principais empresas de manutenção aeroespacial da Polônia e integrante do conglomerado estatal Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ). A cerimônia ocorreu nas instalações da fabricante brasileira em São José dos Campos (SP) e contou com a participação de Piotr Zawieja, membro do conselho de administração da PGZ, de Marcio Monteiro, diretor de marketing da Embraer Defesa & Segurança, e de Douglas Lobo, vice-presidente de Suporte ao Cliente e Vendas Pós-Venda da Embraer Serviços & Suporte.

Pelo acordo, as duas empresas vão elaborar em conjunto um quadro mais amplo de cooperação futura, que passa a abranger não apenas manutenção, mas também acabamento e conversão de aeronaves, incluindo pintura externa e integração de sistemas. O documento está diretamente vinculado ao KC-390 Millennium e aos serviços de suporte associados à aeronave.

Da apresentação em Bydgoszcz ao novo memorando
O acordo de hoje é o terceiro marco público da relação entre Embraer e WZL-2 em pouco mais de seis meses. Em 2 de dezembro de 2025, em Varsóvia, as empresas firmaram o memorando de entendimento (MoU) original, que lançou as bases da cooperação industrial e tecnológica. Em 13 de março de 2026, a Embraer levou um KC-390 Millennium até as instalações da WZL-2, em Bydgoszcz, para uma apresentação direta à empresa polonesa, chamada pela fabricante de primeiro passo concreto da parceria.

O MoA assinado agora, em território brasileiro, sinaliza um avanço de fase: da apresentação técnica do produto para a formalização de um arcabouço de cooperação industrial mais detalhado, que cobre desde manutenção, reparo e revisão (MRO) até etapas de acabamento e transformação de aeronaves.

Em comunicado, Jakub Gazda, presidente do conselho de administração da WZL-2, disse que o objetivo é desenvolver capacidades industriais e de manutenção na Polônia para apoiar o KC-390, e afirmou esperar benefícios tangíveis tanto para as Forças Armadas polonesas quanto para a indústria de defesa do país. Já Douglas Lobo afirmou que a parceria reforça a estratégia da Embraer de fomentar a cooperação industrial local.

O pano de fundo: o programa Drop
A movimentação ocorre em pleno andamento do programa Drop, conduzido pela Agência de Armamentos do Ministério da Defesa Nacional da Polônia, que busca substituir a envelhecida frota de C-130E/H Hercules do país. Criado em 2019 e suspenso ainda naquele ano por redefinição de requisitos operacionais, o programa foi reativado e atravessa, em 2025 e 2026, uma fase de diálogo técnico com cinco fabricantes convidados a apresentar propostas: Airbus, Boeing, Embraer, Leonardo e Lockheed Martin.

Na prática, a disputa concentra-se em três plataformas: o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, sucessor natural da frota atual; o A400M Atlas, da Airbus, de maior porte e custo mais elevado; e o KC-390 Millennium, da Embraer, apresentado como alternativa a jato, mais rápida e com maior carga útil que os turboélices concorrentes. A Embraer já propôs à Polônia até 20 aeronaves com produção localizada e transferência de tecnologia. A empresa também já fala em gerar cerca de 1.350 empregos no país e em uma rede de 18 fornecedores poloneses associados ao programa.

Por que a Polônia importa
A Polônia ocupa posição central na arquitetura de defesa da Otan no flanco leste europeu e conduz um dos mais agressivos programas de modernização militar do continente. Para a Embraer, fechar um contrato no país teria peso duplo: agregaria um operador relevante à base já consolidada de clientes europeus do KC-390 (Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia e, mais recentemente, Grécia) e consolidaria a aposta de transformar o país em um polo regional de manutenção da aeronave na Europa Central, em linha com o modelo que a fabricante já constrói com a OGMA, em Portugal.

A WZL-2, por sua vez, soma 80 anos de experiência em manutenção, revisão e modernização de aeronaves militares e já presta suporte às frotas de C-130 Hercules e F-16 das Forças Armadas polonesas, além de clientes estrangeiros. Sua entrada na cadeia de suporte ao KC-390 oferece à Embraer um parceiro industrial com histórico consolidado junto às autoridades de defesa do país, ponto sensível em qualquer concorrência que envolva, como o programa Drop, exigências de produção local e transferência de tecnologia.

Embraer disputa terreno na Europa
O movimento com a WZL-2 ocorre em meio a um avanço continuado do KC-390 no continente. Em junho, a Grécia confirmou a aquisição de três unidades dentro de um pacote de até US$ 1,38 bilhão, tornando-se o 13º operador, atual ou futuro, do cargueiro multimissão da Embraer. A aeronave também segue em negociação avançada com a Turquia, com memorando assinado junto à Turkish Aerospace, e com a Finlândia, além de Marrocos e Índia, fora do continente europeu.

A entrada formal da WZL-2 no ecossistema industrial do KC-390 reforça, ainda, a estratégia mais ampla da Embraer de associar a venda da aeronave a compromissos de manutenção, suporte, treinamento e integração industrial local. Não se trata apenas de colocar a aeronave em operação, mas de ancorar, no país comprador, parte da cadeia de sustentação logística de longo prazo da plataforma, fator que tende a pesar a favor da fabricante brasileira em concorrências que avaliam o custo total de ciclo de vida, ou life cycle cost, critério central no programa Drop.

O que vem a seguir
Nem a Embraer, nem a WZL-2 ou a PGZ indicaram, no comunicado desta quinta-feira, um cronograma para a conclusão do quadro de cooperação anunciado, tampouco vincularam formalmente o memorando a uma decisão do programa Drop. Resta à Agência de Armamentos polonesa avançar na fase de diálogo técnico, ainda sem data oficial confirmada para a escolha do fornecedor.

De toda forma, o adensamento sucessivo de acordos entre Embraer e WZL-2, do MoU de dezembro de 2025 à apresentação de março e ao MoA assinado agora, em junho, sugere que a fabricante brasileira trata a Polônia como uma das frentes prioritárias de sua ofensiva europeia, ao lado da disputa pela Grécia, já fechada, e das negociações em curso com Turquia e Finlândia.

 

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