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08 julho, 2026

Hyperlift anuncia ensaios de revestimento para aumentar resistência de plataformas a armas laser

Empresa brasileira apresenta resultados preliminares de defesa passiva contra energia dirigida 


*LRCA Defense Consulting - 08/07/2026

A Hyperlift Aerospace & Defense, empresa brasileira sediada em São Paulo, divulgou a realização de ensaios com um revestimento denominado LEAR (Laser Energy Absorption and Reflection), desenvolvido para retardar a degradação de superfícies expostas a lasers de alta potência. Segundo a empresa, os testes reproduziram condições mais severas do que as esperadas em cenários reais de emprego e demonstraram a capacidade do material de prolongar o tempo de integridade da superfície atingida durante a exposição ao feixe laser, intervalo que, em uma situação operacional, poderia ampliar as possibilidades de manobra evasiva ou contribuir para o cumprimento da missão.

O que é o LEAR
De acordo com a Hyperlift, o LEAR é um revestimento técnico de proteção passiva, e não um sistema eletrônico ou uma solução ativa de interceptação. Seu objetivo é reduzir o fluxo líquido de energia absorvida pela superfície tratada, combinando mecanismos de reflexão, absorção controlada e dissipação térmica, de forma a retardar o aquecimento responsável pela degradação estrutural do material de base.

A proposta guarda certa analogia com os sistemas tradicionais de proteção passiva empregados contra calor intenso, fragmentos ou impactos balísticos, mas aplicada a uma ameaça de natureza distinta: as armas de energia dirigida.

Diferentemente da percepção popular, um laser de emprego militar normalmente não provoca a destruição instantânea de um alvo. Seu efeito depende de fatores como potência do feixe, comprimento de onda, distância, condições atmosféricas e, principalmente, do tempo durante o qual o feixe permanece estabilizado sobre um mesmo ponto da superfície (dwell time). Materiais capazes de retardar o aquecimento podem aumentar esse tempo necessário de engajamento, reduzindo a eficácia prática da arma e ampliando as chances de sobrevivência da plataforma.

Segundo a Hyperlift, o LEAR também foi concebido com foco na viabilidade industrial. A empresa afirma que o revestimento é produzido a partir de matérias-primas de ampla disponibilidade no mercado nacional, o que contribuiria para reduzir seus custos de fabricação e facilitar uma eventual produção em escala. Outro aspecto destacado é sua arquitetura modular: o mesmo revestimento poderia ser empregado em diferentes plataformas, como drones, mísseis, veículos blindados, embarcações e aeronaves, variando principalmente a espessura da camada aplicada conforme o nível de proteção requerido por cada aplicação.


  

Uma resposta ao avanço das armas de energia dirigida
O anúncio da Hyperlift ocorre em um momento de rápida evolução das chamadas armas de energia dirigida (Directed Energy Weapons – DEW). Países como Estados Unidos, Reino Unido, China e Israel vêm investindo intensamente em sistemas a laser destinados à neutralização de drones, foguetes, projéteis de artilharia e mísseis, alguns já operando na faixa de centenas de quilowatts de potência.

À medida que essas capacidades amadurecem, cresce também o interesse por tecnologias defensivas capazes de reduzir sua eficácia, seja por meio de materiais resistentes ao aquecimento, seja por soluções voltadas ao gerenciamento térmico ou à diminuição do tempo de exposição ao feixe. Trata-se de um segmento ainda pouco explorado pela Base Industrial de Defesa brasileira.

Quem é a Hyperlift
Fundada em 2021, com sede em São Paulo e laboratório de desenvolvimento em Belo Horizonte, a Hyperlift Aerospace & Defense atua nas áreas de engenharia aeronáutica e espacial, propulsão supersônica e hipersônica, materiais avançados, sistemas não tripulados e tecnologias voltadas à proteção de plataformas.

A empresa tornou-se conhecida principalmente pelo desenvolvimento do conceito patenteado RISCRAM (Rocket-Integrated Supersonic Combustion Ramjet), uma arquitetura de propulsão destinada ao voo hipersônico que combina características de motores-foguete e scramjet.

À frente da empresa está o engenheiro aeroespacial Marco Gabaldo, italiano naturalizado brasileiro, com formação em Engenharia Aeroespacial pela FUMEC e especializações voltadas à propulsão hipersônica e ciências espaciais. Além de atuar como CEO da Hyperlift, Gabaldo participa regularmente de congressos, workshops e eventos técnicos da Base Industrial de Defesa e do setor aeroespacial, sendo reconhecido por sua atuação em pesquisa aplicada, desenvolvimento de tecnologias de propulsão, materiais avançados e sistemas aeroespaciais. Também mantém interlocução frequente com universidades, centros de pesquisa e empresas do setor, contribuindo para a aproximação entre a academia e a indústria.

A Hyperlift integra o Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, mantido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e já participou de workshops e eventos técnicos ao lado de empresas como Stella Tecnologia, AEL Sistemas, XMobots, SIATT e Modirum/GESPI.

O laboratório da empresa, em Belo Horizonte, também presta apoio técnico-científico a projetos acadêmicos de graduação, mestrado e doutorado, demonstrando uma estratégia de integração entre pesquisa universitária e desenvolvimento tecnológico voltado aos setores espacial e de defesa. 


Ressalva metodológica
Até o fechamento desta matéria, as informações sobre o LEAR têm como origem exclusiva os canais institucionais da própria Hyperlift.

Não foram localizados registros independentes sobre os ensaios, tais como a identificação do laboratório responsável, a potência e o comprimento de onda do laser empregado, a densidade de potência incidente, a distância de engajamento, o tipo de substrato utilizado, a espessura do revestimento, o ganho quantitativo de resistência obtido ou a publicação dos resultados em periódico técnico revisado por pares.

Também não há, até o momento, com exceção de uma reportagem do portal Brazilian Space, cobertura do tema por veículos especializados em defesa nem confirmação de que o LEAR esteja sendo avaliado ou incorporado a programas específicos da Base Industrial de Defesa brasileira.

Vídeo do portal Brazilian Space transmitido há três semanas

Próximos passos
Segundo a Hyperlift, os ensaios continuam em andamento. Um passo importante para a consolidação da tecnologia será sua eventual validação por centros de ensaio reconhecidos, civis ou militares, capazes de aferir seu desempenho em condições controladas e comparáveis às exigências operacionais.

Caso os resultados sejam confirmados por avaliações independentes, o LEAR poderá despertar o interesse de programas das Forças Armadas voltados à proteção de aeronaves, veículos terrestres, embarcações ou outras plataformas expostas às futuras ameaças representadas pelas armas de energia dirigida.

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