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21 agosto, 2026

Como o Brasil já enfrenta a ameaça dos drones com tecnologia própria

SCE 0100, da IACIT, soma histórico operacional em fronteiras e grandes eventos, enquanto o projeto MUST prepara o país para vigiar o espaço aéreo urbano 


*LRCA Defense Consulting - 21/08/2026

A defesa antidrone de instalações críticas carrega um dilema técnico difícil de contornar: tanto as soluções eletromagnéticas quanto as cinéticas podem, ao neutralizar um drone hostil, provocar sua queda descontrolada, com risco de dano a pessoas e a patrimônio. É esse problema que vem orientando a evolução da indústria mundial de contramedidas antidrone (contra-UAS) na direção de técnicas de pouso controlado, capazes de neutralizar a ameaça sem repetir o efeito colateral que a própria neutralização deveria evitar.

O Brasil já tem uma resposta nacional a esse problema. Trata-se do SCE 0100, também comercializado como DroneBlocker, desenvolvido pela IACIT, empresa brasileira de base tecnológica sediada em São José dos Campos (SP), fundada em 1986 e certificada como Empresa Estratégica de Defesa pelo Ministério da Defesa. O equipamento integra sensores de radiofrequência, radares e câmeras infravermelhas para detectar drones a até 14 quilômetros de distância e neutralizá-los a até 2 quilômetros, sem recorrer a métodos cinéticos.

Como o equipamento nacional funciona, na prática 
O SCE 0100 não assume o comando do drone hostil. Segundo material técnico publicado pela própria IACIT, o sistema bloqueia o sinal de radiofrequência que liga o drone ao seu operador; a partir daí, é o comportamento de emergência já programado no próprio drone que determina o desfecho. Se apenas o canal de controle for bloqueado, a aeronave costuma retornar sozinha ao ponto de origem (return to home); se o bloqueio também atingir a recepção de GPS, o drone tende a pousar suavemente no local. A empresa afirma que a transmissão de bloqueio só é acionada após a detecção de um alvo e raramente ultrapassa trinta segundos de duração, o que limita a interferência em outros sistemas de comunicação que eventualmente compartilhem a mesma faixa de frequência.

Essa é uma diferença técnica relevante diante da tecnologia mais avançada hoje disponível no mercado internacional, o RF cyber takeover, empregada por sistemas como o EnforceAir, da israelense D-Fend Solutions. Nesse caso, o equipamento de defesa não apenas bloqueia o sinal original, mas assume ativamente o protocolo de comando do drone hostil, redirecionando-o para um ponto de pouso escolhido pelo próprio operador de defesa, com mínima interferência em outros sistemas ao redor. É uma capacidade mais sofisticada, porém também mais cara e tecnologicamente mais exigente. 

Testado em cenários reais, mesmo sem ser topo de linha 
A ausência da técnica de tomada de comando não impediu que o equipamento brasileiro acumulasse histórico operacional relevante. O SCE 0100 foi entregue ao Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) e ao 1º Batalhão de Guerra Eletrônica em 2023, e passou por nova capacitação de militares em junho de 2025, no Forte Marechal Rondon, em Brasília, integrado ao Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). O equipamento também já foi empregado na posse presidencial de 2023, na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro e em operações de segurança penitenciária, como em Charqueadas (RS), onde ajudou a impedir o transporte de drogas por drones para dentro de presídios.

Esse histórico é o argumento central a favor da solução nacional: mesmo sem alcançar o patamar tecnológico das soluções de cyber takeover, o SCE 0100 já demonstrou, em ambientes reais e sensíveis, capacidade de proteger tropas, fronteiras, eventos de grande porte e instalações penitenciárias sem recorrer a métodos cinéticos, mantendo componentes descritos pela fabricante como cem por cento nacionais. Trata-se de um ativo estratégico duplo: soluciona um problema operacional concreto e reduz a dependência do Brasil de fornecedores estrangeiros numa área sensível da Base Industrial de Defesa. 

A camada que ainda falta: detecção contínua com o projeto MUST
O SCE 0100 resolve a etapa de neutralização, mas depende de sensores próprios para detectar a ameaça a cada emprego. A IACIT trabalha, em paralelo, numa camada de vigilância mais ampla: o MUST (Multi-Sensor Urban Surveillance and Tracking), sistema que integra radares, câmeras, sensores de radiofrequência e inteligência artificial para rastrear em tempo real drones e aeronaves de mobilidade aérea avançada, como eVTOLs. O projeto nasceu de contrato firmado com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) em abril de 2025, no valor de R$ 28 milhões, com contrapartida de R$ 12 milhões da IACIT e das coexecutoras Ocellott (Modirum Gespi), Saipher ATC e Senai Cimatec, totalizando mais de R$ 40 milhões em 36 meses de execução.

Em 18 de junho de 2026, durante a DroneShow Robotics e SpaceBR Show, em São Paulo, a IACIT e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) assinaram protocolo para a prova de conceito do sistema, etapa que valida a tecnologia em ambiente operacional antes de qualquer aquisição em escala. O foco declarado do MUST é civil, voltado à gestão de tráfego aéreo não tripulado (UTM), num momento de expansão regulatória, com a implementação do BR-UTM iniciada em janeiro de 2026 e a nova ICA 100-40/2026 exigindo autorização prévia para drones a partir de 250 gramas.

É importante não confundir as duas frentes: MUST e SCE 0100 ainda são produtos distintos do portfólio da IACIT, apresentados lado a lado nas feiras do setor, mas não integrados num único sistema. Ainda assim, a própria empresa descreve a arquitetura do MUST como transversal, com aplicação potencial em segurança pública, proteção de infraestruturas críticas e defesa, além do uso civil original. Se essa integração avançar, o Brasil passaria a ter, produzida internamente, a combinação que falta para completar o ciclo de defesa antidrone de instalações críticas: vigilância contínua de baixa altitude alimentando, em tempo real, o sistema de neutralização, hoje limitado aos sensores próprios do bloqueador.

O caminho que há a percorrer 
A distância entre o jamming exploratório do failsafe e o sequestro ativo de comando não é apenas acadêmica. Nos Estados Unidos, o amadurecimento da tecnologia de cyber takeover caminhou junto com uma reformulação regulatória: o SAFER SKIES Act, sancionado em dezembro de 2025 dentro da Lei de Autorização de Defesa Nacional do ano fiscal de 2026, passou a autorizar agências estaduais, locais e tribais a empregar contramedidas contra drones que ameacem infraestrutura crítica, e uma proposta em tramitação no Senado americano busca estender essa autoridade a operadores privados de usinas nucleares e subestações de energia, sob supervisão federal.

O Brasil ainda não tem, publicamente, um debate regulatório equivalente sobre quem, além das Forças Armadas e das forças de segurança pública, poderia empregar legalmente um bloqueador de drones para proteger uma instalação crítica civil, como uma usina, uma subestação ou uma refinaria. Enquanto esse debate não avança, o principal fator limitante da defesa antidrone brasileira pode não ser a tecnologia disponível, mas a autoridade legal para empregá-la fora do ambiente militar.

Fica, também, a pergunta natural sobre o futuro do próprio equipamento nacional: nada na arquitetura de bloqueio de sinal usada pelo SCE 0100 impede, em tese, uma evolução futura em direção a alguma forma de tomada de controle mais ativa e que caracterizaria um salto de geração para a tecnologia antidrone desenvolvida no Brasil.

12 julho, 2025

Produzido pela brasileira IACIT, Sistema Anti-drone SCE 0100 reforça poder de defesa do Exército

 

*LRCA Defense Consulting - 12/07/2025

Em um contexto global marcado por transformações tecnológicas aceleradas e ameaças assimétricas cada vez mais sofisticadas, o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX) segue fortalecendo a capacidade do Exército Brasileiro. No mês de junho, foi realizada, no Forte Marechal Rondon, em Brasília, a entrega e capacitação do novo Sistema Antidrone SCE 0100, tecnologia de ponta integrada ao Projeto SAD/SISFRON, com impacto direto na proteção de tropas e infraestruturas críticas.

A atividade contou com a participação de representantes do 1º Batalhão de Guerra Eletrônica (1º BGE), do Centro de Instrução de Guerra Eletrônica (CIGE), de um engenheiro da Organização Brasileira para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Controle do Espaço Aéreo (CTCEA), além da equipe técnica da empresa responsável pelo sistema, que conduziu uma apresentação detalhada do equipamento e orientou os militares para sua operação segura e eficaz. 

Tecnologia de defesa contra SARP
Os sistemas antidrone são projetados para neutralizar os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (SARPs). Um dos principais mecanismos empregados é o bloqueio de radiofrequência (jamming), que interrompe a comunicação entre o drone e seu operador, podendo forçar seu pouso controlado ou retorno automático ao ponto de origem do equipamento. O sistema opera por meio de bloqueadores de radiofrequência de forma precisa e eficaz, garantindo a segurança de áreas sensíveis, instalações militares e tropas em movimento. Essa nova camada de proteção torna-se ainda mais relevante diante do crescente uso de drones em ações cinéticas e não cinéticas.

Ganho em prontidão operacional e resposta imediata
A incorporação do Sistema Antidrone SCE 0100 ao SISFRON representa um avanço significativo para o Exército Brasileiro, reforçando a proteção de estruturas estratégicas, a segurança da tropa e a prontidão tecnológica. Desenvolvido por empresa da Base Industrial de Defesa (BID), o sistema oferece neutralização eficaz e resposta adaptável a ameaças emergentes, inclusive de equipamentos de baixo custo e alta mobilidade. Durante a capacitação, os militares simularam diferentes cenários de interceptação, demonstrando na prática sua eficácia e potencial de integração ao sistema de comando e controle.

O uso de uma solução nacional reforça a autonomia tecnológica do Brasil, fortalece a Base Industrial de Defesa e contribui diretamente para a soberania e segurança do país.

Mais do que equipamentos: conhecimento e preparo

A entrega do Sistema Antidrone também reforça o papel dos Projetos SAD/SISFRON como um vetor de inovação dentro do Portfólio Estratégico do Exército. Mais do que fornecer tecnologia de ponta, os projetos promovem o assessoramento técnico, capacitação especializada e suporte contínuo, garantindo que cada entrega esteja acompanhada de conhecimento aplicado e domínio operacional.  

Sistema antidrones SCE 0100
O sistema antidrones SCE 0100, desenvolvido pela empresa brasileira IACIT, é uma tecnologia avançada voltada para a detecção, identificação e neutralização de drones, com foco em segurança pública, militar e proteção de infraestruturas críticas. Trata-se de uma solução robusta e versátil, adaptada para cenários de alta sensibilidade, com ênfase em precisão, eficácia e integração com sistemas de comando e controle.

Abaixo estão suas principais características, com base nas informações disponíveis:

Capacidade de Interferência (Jamming)
Utiliza tecnologia de bloqueio de sinais de radiofrequência (jammers) para interromper a comunicação entre o drone e seu controlador, neutralizando drones não autorizados.

Faixa de frequência operacional ampla, de 20 MHz a 6 GHz, permitindo atuar contra uma variedade de drones, além de outros dispositivos como IEDs (dispositivos explosivos improvisados) e celulares, dependendo da configuração.

Detecção e Monitoramento
Integra sensores avançados, como radares, câmeras infravermelhas e sensores de radiofrequência, para detectar e identificar drones em um raio de até 14 km.

Capaz de monitorar o espaço aéreo em tempo real, fornecendo dados para centros de comando e controle, como o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e o Centro de Monitoramento Antidrone.

Neutralização
Permite neutralizar drones a até 2 km de distância, forçando-os a pousar ou interrompendo seu curso sem a necessidade de métodos cinéticos (como destruição física), minimizando danos colaterais.

Pode operar em modo autônomo ou manual, com capacidade de assumir o controle do drone e direcioná-lo para uma zona segura de pouso.

Integração e aplicação

Integrado ao Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteira (SISFRON) do Exército Brasileiro, reforçando a defesa de fronteiras e instalações críticas.

Utilizado em eventos de grande porte, como a posse presidencial de 2023 e a Cúpula do G20, além de operações em presídios e segurança pública.

Tecnologia Nacional
Composto por componentes 100% brasileiros, destacando-se como uma solução de tecnologia nacional para contrapor a proliferação de drones em atividades criminosas e ameaças à segurança.

Impacto em Redes Wi-Fi
Estudos indicam que o SCE 0100 pode causar interferência em redes Wi-Fi outdoor, devido à sobreposição de frequências (padrão 802.11), especialmente em cenários urbanos, o que exige planejamento cuidadoso para minimizar impactos em comunicações civis.

Capacitação e uso
Requer treinamento específico para operação, sendo restrito às forças de segurança, como o Exército Brasileiro e a Polícia Penal.

Em 2025, o Exército Brasileiro concluiu a capacitação de militares para operar o sistema, destacando sua precisão e eficácia na proteção de tropas e infraestruturas.

Aplicações práticas

- Segurança Pública: utilizado em presídios para impedir o transporte de itens ilícitos por drones, como em Charqueadas (RS), onde resultou na apreensão de drogas e prisão de criminosos.

- Defesa nacional: reforça a segurança em fronteiras e instalações militares, com destaque para o combate à espionagem aérea na Amazônia.

- Eventos de grande porte: empregado em operações de segurança durante a posse presidencial de Lula em 2023 e na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro.

*Com informações do Exército Brasileiro e desta editoria.
 

 

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