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14 agosto, 2026

Sucesso na OTAN aproxima o KC-390 de um lugar na frota de reabastecimento da USAF

Millennium acumula encomendas na Europa e ganha força como candidato ao futuro programa de reabastecimento da Força Aérea dos Estados Unidos



*LRCA Defense Consulting - 14/08/2026

Uma reportagem publicada em 13 de agosto de 2026 pelo portal norte-americano Simple Flying, assinada pelo jornalista Luke Diaz, colocou em discussão um paradoxo que acompanha o KC-390 Millennium, da Embraer, há alguns anos: enquanto o cargueiro tático brasileiro acumula encomendas e opções em pelo menos cinco forças aéreas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) segue sem sinalizar uma compra do avião, mesmo em meio a uma crise conhecida em sua frota de aviões-tanque.

Cinco países da OTAN já apostaram no Millennium 
O KC-390 Millennium já foi escolhido por Áustria (04), Países Baixos (05), Chéquia (02), Hungria (02), Suécia (04), Eslováquia (carta de intenção para 03) e Lituânia (processo adiado), além de Portugal (06 e mais 10 opções), primeiro operador europeu e maior parceiro internacional do programa. A esses nomes somam-se ainda, fora da OTAN, os Emirados Árabes Unidos, que assinaram contrato em maio de 2026 para até vinte aeronaves, marcando a estreia do modelo no Oriente Médio, a Coreia do Sul (02) na Ásia, a Colômbia (02) na América latina e o Uzbequistão (02) na Ásia Central. Ao todo, 11 países - sendo cinco da OTAN - já operam, encomendaram ou selecionaram o KC-390, que compete diretamente com o Lockheed Martin C-130 Hercules em uma disputa por substituir frotas envelhecidas de transporte tático em toda a Aliança.

O interesse da USAF e a doutrina de emprego ágil 
De acordo com a reportagem, a USAF vive um momento de reorganização de suas forças sob a doutrina de Emprego de Combate Ágil (Agile Combat Employment, ou ACE), que prevê a dispersão de caças em pequenas pistas remotas e semipreparadas no Pacífico como forma de reduzir a vulnerabilidade a ataques concentrados. Nesse cenário, o Simple Flying aponta o Chengdu J-20, caça furtivo chinês otimizado para patrulhas de longo alcance contra alvos de alto valor como aviões-tanque, como uma das principais ameaças que a Aeronáutica norte-americana busca mitigar. Um avião-tanque de menor porte e perfil mais flexível, como o Millennium, poderia reforçar a sobrevivência da frota logística da USAF, inclusive no apoio a futuras aeronaves de combate colaborativas, os drones que a Força Aérea pretende produzir aos milhares para operar ao lado dos caças F-35 e F-47.

Capacidade menor do que o 
KC-46 e o KC-135, mas superior ao C-130J 
Em termos de volume de combustível transportado, o KC-390 carrega cerca de 31.751 kg, valor inferior aos 96.162 kg do Boeing KC-46 Pegasus e aos 90.718 kg do veterano KC-135 Stratotanker. Ainda assim, a reportagem original destaca que o Millennium supera a variante KC-130J do Hercules (27.670 kg), usada há anos pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e compatível com diversas plataformas de aliados, o que explica parte do apelo do avião brasileiro entre operadores europeus que modernizam suas frotas de reabastecimento.

Programa de próxima geração perde força no orçamento 
O interesse limitado da USAF pelo KC-390 ocorre justamente quando o programa concebido para substituir os antigos KC-135, o NGAS (Next Generation Air Refueling System), perde espaço orçamentário. Levantamentos independentes mostram que o financiamento do NGAS foi zerado na proposta orçamentária de 2027, com a verba redirecionada para uma nova linha chamada Advanced Tanker Systems, voltada a sistemas de missão em vez do desenvolvimento de uma nova aeronave. No ano anterior, o programa havia recebido cerca de 13 milhões de dólares, valor considerado modesto diante da concorrência por recursos com outros programas prioritários da Força Aérea, como o caça F-47, o bombardeiro furtivo B-21 Raider e o míssil intercontinental Sentinel.

A crise por trás da hesitação: o KC-46 ainda não resolveu seus problemas 
Parte da explicação para a cautela da USAF em relação a qualquer novo avião-tanque, incluindo o KC-390, está nos problemas crônicos do KC-46 Pegasus, da Boeing. O general John Lamontagne, vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, afirmou ao Senado dos Estados Unidos que a Aeronáutica não assinará contrato para 75 KC-46 adicionais até que a fabricante resolva deficiências consideradas de categoria 1, a mais grave classificação usada pelo Pentágono. Entre as falhas seguem pendentes o sistema de visão remota usado pelos operadores de boom e o atuador telescópico da lança de reabastecimento, que já impediu o KC-46 de reabastecer aeronaves como o A-10 Thunderbolt II. O Congresso chegou a limitar a aquisição de KC-46A a 183 unidades e bloqueou a desativação de KC-135 adicionais até que o plano de correções esteja plenamente definido. 


Embraer aposta em produção nos Estados Unidos 
Diante desse cenário, a Embraer intensificou a ofensiva comercial pelo mercado americano. A empresa já sinalizou disposição para investir mais de 500 milhões de dólares em uma linha de montagem dedicada ao KC-390 em território americano, caso receba uma encomenda de porte suficiente da USAF, atendendo às exigências do Buy American Act. A companhia argumenta que mais da metade do conteúdo material de cada aeronave já é fornecida por 59 fornecedores americanos, o que facilitaria a transição para produção local. No segundo trimestre de 2026, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou estar avaliando os Estados Unidos como uma terceira linha de montagem do C-390, ao lado da unidade em Gavião Peixoto, no País, e de uma segunda linha em estudo na Índia.

De L3Harris a Northrop Grumman: o histórico acompanhado pela LRCA 
A LRCA Defense Consulting acompanha a movimentação mais intensa da Embraer junto à USAF desde 2022, quando a fabricante brasileira firmou parceria com a L3Harris para desenvolver o chamado Agile Tanker, uma versão do Millennium equipada com lança de reabastecimento rígida (flying boom) e sistemas de missão voltados às exigências da USAF. A parceria, no entanto, foi descontinuada em 2024. 
 
Em fevereiro de 2026, a Embraer anunciou novo memorando de entendimento, desta vez com a Northrop Grumman, para desenvolver um boom autônomo para o KC-390, além de sistemas de sobrevivência e comunicação. O objetivo declarado da Embraer é posicionar o Millennium como o elemento intermediário de uma futura "família de sistemas" de reabastecimento da USAF, ao lado de uma aeronave de maior porte e de um tanque não tripulado de menor custo.

O principal obstáculo técnico do KC-390 na configuração atual, segundo o Simple Flying, continua sendo a ausência de uma lança de reabastecimento fixa de série, item que o projeto com a Northrop Grumman busca suprir. Enquanto isso, o crescente número de operadores europeus e do Oriente Médio segue reforçando o argumento comercial da Embraer, mesmo sem sinal concreto de que a USAF vá, de fato, avaliar formalmente o Millennium para o NGAS.

20 abril, 2026

Embraer leva KC-390 Millennium e nova parceria com Northrop Grumman à Conferência ARSAG 2026 em Orlando

A ARSAG 2026 é o palco decisivo que pode abrir as portas da USAF para o KC-390 da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 20/04/2026

A Embraer Defense & Security participa, a partir desta terça-feira (21 de abril), da Conferência Anual da ARSAG (Aerial Refueling Systems Advisory Group), que ocorre até 23 de abril no DoubleTree by Hilton, na entrada do Universal Orlando. A empresa brasileira estará nos estandes 9 e 10 para apresentar seu portfólio de Defesa e Segurança, com destaque para a aeronave multi-missão KC-390 Millennium e a colaboração recém-anunciada com a norte-americana Northrop Grumman para o desenvolvimento de um sistema avançado de reabastecimento aéreo com boom.

 

A ARSAG é o principal fórum internacional dedicado ao reabastecimento aéreo, reunindo representantes militares e da indústria de mais de 20 países, além de organizações como OTAN, JAPCC, EDA, EATC e MCCE. Fundada em 1978 e designada pelo Departamento de Defesa dos EUA como Joint Standardization Board (JSB) para sistemas de reabastecimento aéreo, a conferência discute inovações, interoperabilidade, desafios operacionais e lições aprendidas por meio de painéis, briefings e exposições. A edição de 2026 ocorre em um momento estratégico para a aviação militar global, que busca soluções mais ágeis e versáteis para operações em ambientes contestados. 

O KC-390 Millennium, versão tanque da aeronave de transporte tático C-390, é o principal atrativo da Embraer. Já em operação na Força Aérea Brasileira e em processo de expansão para outros países, a aeronave é certificada militarmente e combina transporte de tropas e cargas com reabastecimento aéreo (atualmente com sistema probe-and-drogue). Versátil, ela também realiza missões de aeromedicina, inteligência, vigilância e reconhecimento, destacando-se pela capacidade de operar em pistas curtas e não preparadas, o que a torna ideal para o conceito de Agile Combat Employment (ACE) da Força Aérea dos EUA.

 

O grande diferencial anunciado pela Embraer na ARSAG é a parceria com a Northrop Grumman, formalizada em fevereiro de 2026 por meio de um memorando de entendimento. As duas empresas investem conjuntamente no desenvolvimento de um sistema avançado de reabastecimento com boom (centralizado na fuselagem), que complementará o sistema atual da KC-390. O objetivo é criar um “Multi-Mission Tanker” capaz de reabastecer aeronaves como o F-35 e outros caças de asa fixa usados por forças dos EUA e aliados da OTAN. A solução inclui capacidades autônomas de reabastecimento e comunicações aprimoradas, visando maior eficiência, segurança e interoperabilidade.

A colaboração posiciona O KC-390 como candidata a suprir demandas crescentes por tanques táticos de baixo custo e alta disponibilidade, especialmente para operações dispersas e em teatros de guerra modernos. Executivos da Embraer destacam que a aeronave já demonstrou confiabilidade e versatilidade em missões exigentes, sendo uma opção “pronta para o combate” e economicamente atrativa. A Northrop Grumman, por sua vez, aporta expertise em integração de sistemas de defesa e tecnologias avançadas de reabastecimento. 

 

A participação da Embraer na ARSAG reforça a estratégia da empresa brasileira de expandir sua presença no mercado de defesa dos Estados Unidos e de aliados. O KC-390 já é visto por analistas como uma plataforma promissora para o conceito de “tanker tático” da USAF, capaz de operar de bases improvisadas e apoiar forças aliadas em cenários de alta intensidade.

A conferência inclui painéis sobre status militares internacionais, interoperabilidade, cibersegurança, testes e avaliações, além de atualizações sobre programas como o KC-46 da Boeing e o A330 MRTT da Airbus. A presença da Embraer nos estandes 9 e 10 permite interação direta com a comunidade de reabastecimento aéreo, incluindo representantes de forças armadas e indústrias globais.

Com a parceria Embraer-Northrop Grumman ainda em fase inicial de desenvolvimento, a ARSAG 2026 serve como plataforma ideal para apresentar os avanços e captar feedback de potenciais clientes. O KC-390 Millennium, já consolidado como uma das aeronaves mais modernas de sua categoria, ganha agora um impulso estratégico que pode abrir novas portas no mercado internacional de defesa, com ênfase na Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

28 fevereiro, 2026

KC-390 Millennium na USAF: o jato brasileiro que pode transformar a mobilidade militar aérea americana

Parceria entre Embraer e Northrop Grumman relança candidatura do cargueiro brasileiro ao mercado norte-americano em momento crítico para a Força Aérea dos EUA, que enfrenta envelhecimento da frota e crescente pressão da China

 


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LRCA Defense Consulting - 28/02/2026

Em 19 de fevereiro de 2026, em Melbourne, Flórida, dois dos maiores nomes da indústria aeroespacial assinaram um memorando de entendimento que pode mudar o rumo da mobilidade aérea militar norte-americana: a brasileira Embraer e a norte-americana Northrop Grumman anunciaram parceria para desenvolver uma versão aprimorada do KC-390 Millennium voltada ao reabastecimento aéreo da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e de nações aliadas. A iniciativa acontece justamente quando generais aposentados e analistas alertam para o envelhecimento crítico da frota de mobilidade da USAF e para a crescente ameaça da China no Pacífico.

O alarme de um general que pagou o preço por falar a verdade
O cenário que motivou a parceria Embraer-Northrop não surgiu do nada. Em entrevista recente ao portal especializado The War Zone, o general aposentado Michael "Mini" Minihan, que comandou o Air Mobility Command (AMC) de outubro de 2021 a novembro de 2024, foi categórico: a frota de mobilidade aérea americana está perigosamente desatualizada e mal equipada para enfrentar um conflito de alta intensidade contra a China ou a Rússia.

Minihan ficou célebre, e pagou caro por isso, ao divulgar, em 2023, um memorando interno alertando sobre o risco de guerra com a China por Taiwan já em 2025. O vazamento do documento criou anticorpos institucionais que, segundo ele próprio admitiu na entrevista, foram determinantes para que fosse compelido a se aposentar antes do previsto. "Eu estava tocando o sino exatamente sobre as questões que você está fazendo agora", disse Minihan ao jornalista Howard Altman. "E esse alarme ainda permanece."

Agora como civil, Minihan foi ainda mais direto ao avaliar o estado da frota: os C-17 Globemaster III acumulam horas de voo em ritmo acelerado em crises encadeadas no Oriente Médio, e os C-5M Galaxy, a espinha dorsal do transporte estratégico pesado, registraram taxa de confiabilidade de missão de apenas 46%, segundo testemunho do general Randy Reed ao Congresso. "Não conheço nenhuma área da sua vida em que você tolera uma capacidade crítica operando menos da metade do tempo quando você precisa dela", sentenciou o general.

Embraer e Northrop: a aposta estratégica no coração da América
É nesse contexto de vulnerabilidade que a Embraer e a Northrop Grumman apresentaram sua proposta. O KC-390 Millennium já é operado pelas forças aéreas do Brasil, Portugal e Hungria, e foi selecionado por outros membros da OTAN. Trata-se do avião militar de transporte médio mais moderno em sua categoria, projetado para operar em pistas curtas e não preparadas, transportar cargas pesadas e realizar múltiplas missões, incluindo reabastecimento aéreo pelo sistema hose-and-drogue (mangueira e cesto).

O problema é que a USAF não usa o sistema hose-and-drogue para reabastecer seus caças. A Força Aérea americana adota exclusivamente o sistema de boom rígido, utilizado pelo KC-135 Stratotanker e pelo KC-46 Pegasus, para reabastecer aeronaves como F-35A, F-15 e F-16. Para entrar nesse mercado, o KC-390 precisaria ganhar um boom de reabastecimento autônomo integrado ao seu fuselagem.

É exatamente isso que a parceria Embraer-Northrop se propõe a desenvolver. Segundo o comunicado oficial, as melhorias planejadas incluem um boom de reabastecimento aéreo autônomo avançado, comunicações aprimoradas, consciência situacional, opções de sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis. "Queremos demonstrar a capacidade de reabastecimento por boom em poucos anos, no dígito baixo", afirmou Tom Jones, vice-presidente corporativo da Northrop Grumman Aeronautics Systems.

O CEO da Embraer Defense & Security, Bosco da Costa Junior, não mediu palavras ao anunciar a parceria: "O KC-390 é uma plataforma operacionalmente comprovada e com boa relação custo-efetividade que poderia ser rapidamente adicionada ao inventário da USAF."

ACE: a doutrina que o KC-390 foi feito para servir
O conceito de Agile Combat Employment (ACE - emprego ágil em combate) é hoje uma das pedras angulares da doutrina da USAF para um possível conflito no Pacífico contra a China. A lógica é dispersar aeronaves e capacidades por múltiplas bases avançadas, muitas vezes improvisadas e com pistas curtas, para dificultar ataques em massa por mísseis chineses. Nesse cenário, um tanker capaz de pousar em campos de batalha austeros, reabastecer um punhado de caças e decolar rapidamente para outro ponto é um ativo de valor incalculável.

O KC-390 foi projetado para exatamente isso. Seus dois motores turbofan IAE V2500 permitem velocidades e altitudes superiores aos C-130 turbohélice, enquanto seu trem de pouso reforçado e sistemas de navegação o habilitam a operar em condições adversas. Para o general Minihan, a lógica é clara: "Precisamos de uma família de tankers que possa atender todas as necessidades do combatente em todos os ambientes operacionais."

Ao ser perguntado diretamente sobre a candidatura do KC-390 para o papel de tanker ágil capaz de apoiar pequenos números de caças em bases avançadas, Minihan foi favorável ao conceito sem hesitação: "Há espaço na Força Aérea para tudo isso [a família de tankers]. Vamos ser claros: é o que a força cinética precisa."

Obstáculos políticos: o secretário que ainda não olhou para o KC-390
Apesar do entusiasmo da indústria, o caminho até o inventário da USAF é tortuoso. No Simpósio de Guerra da Air & Space Forces Association (AFA), realizado em Denver poucos dias após o anúncio da parceria Embraer-Northrop, o secretário da USAF, Troy Meink, foi perguntado diretamente sobre o KC-390. A resposta foi desanimadora: "Eu não olhei muito para isso", disse Meink, acrescentando um endosso caloroso ao Boeing KC-46 Pegasus: "O KC-46 é um ótimo avião."

A posição de Meink reflete um fato concreto: em 2025, a USAF não apenas manteve o compromisso com o KC-46 como expandiu seus planos de aquisição de 179 para uma frota potencial de 263 aeronaves. Boeing entregou 14 KC-46 em 2025 e projeta 19 entregas em 2026. O Pegasus continua sendo a espinha dorsal do reabastecimento aéreo americano de médio prazo, apesar de anos de problemas com o boom de reabastecimento e o sistema de visão remota.

A Embraer e a Northrop, no entanto, jogam com o horizonte mais distante. O programa Next Generation Air-refueling System (NGAS), cujo propósito é substituir eventualmente os KC-135 mais antigos, está em aberto desde sua concepção em 2023. Uma solicitação de informações (RFI) classificada como "informação não classificada controlada" foi emitida em agosto de 2025, mas sem requisitos específicos divulgados. É esse vácuo que as duas empresas esperam preencher.

O trunfo brasileiro: mais de 50% dos componentes já são americanos
Um dos argumentos mais poderosos da Embraer para o mercado americano é a origem de seus componentes. Segundo a empresa, mais de 50% das peças do KC-390 já são fabricadas em território norte-americano, um ponto crucial para atender aos requisitos do Buy American Act, legislação que exige preferência por produtos domésticos nas compras do governo federal dos EUA.

A Embraer já demonstrou capacidade de produção nos EUA: a montagem do A-29 Super Tucano para clientes americanos e de exportação via FMS (Foreign Military Sales) é feita em Jacksonville, Flórida. Agora, a empresa avalia a criação de uma linha de montagem dedicada ao KC-390 em solo americano, com Melbourne, Flórida, onde tanto a Embraer quanto a Northrop já têm instalações, sendo mencionada como possível sede.

Além disso, onze países já se comprometeram com o Millennium, e a parceria Embraer-Northrop mira um mercado além das fronteiras americanas. Holanda e República Tcheca, por exemplo, têm interesse em usar o KC-390 para reabastecer seus futuros F-35, que, por serem versões A (solo), operam exclusivamente com boom, abrindo uma lacuna de mercado hoje não atendida por nenhum tanker de porte médio.

Conectividade, IA e a modernização que não pode esperar
Para além do debate sobre qual aeronave comprar, o general Minihan identificou um problema ainda mais urgente: a falta de conectividade na frota existente. "O carro que aluguei dirigindo do aeroporto ao meu hotel tem mais conectividade do que a grande maioria da frota de mobilidade", disse ele, sem rodeios. A conectividade em tempo real para consciência situacional, manobra e distribuição de prioridades logísticas foi apontada como o principal contribuidor para a sobrevivência das aeronaves de mobilidade em ambientes contestados.

Não por acaso, o pacote de aprimoramentos do KC-390 Multi-Mission Tanker proposto pela Embraer e Northrop inclui explicitamente "comunicações aprimoradas" e "opções de consciência situacional e sobrevivência", itens que respondem diretamente às deficiências apontadas por Minihan e pelo exercício Mobility Guardian.

O general também defendeu fortemente o uso da IA no AMC e o conceito de operações com piloto único em tankers, como já testado no KC-46. Para ele, o KC-390, sendo um projeto do século XXI, nasce com vantagem estrutural sobre plataformas dos anos 1960: está desenhado para receber modernizações digitais e sistemas autônomos com muito menos atrito do que as aeronaves legadas.

Uma janela de oportunidade... e uma corrida contra o tempo
O KC-390 não entrará no inventário da USAF da noite para o dia, se é que entrará. O secretário Meink sinalizou frieza em relação ao jato brasileiro, e o KC-46 continua dominando os planos de aquisição de curto prazo. Mas o contexto estratégico joga a favor da candidatura da Embraer: a frota americana está envelhecendo mais rápido do que consegue ser substituída, o conceito ACE demanda exatamente o tipo de aeronave que o KC-390 representa, e a parceria com a Northrop Grumman confere ao projeto credibilidade e acesso institucional que faltavam nas tentativas anteriores.

O próprio Minihan, ao comentar o anúncio da Northrop com a Embraer, deu o seu aval implícito: "Esse anúncio aborda a criação de uma abordagem de sistema-de-sistemas para o problema... e fiquei feliz em ver que estão abordando o problema de forma diferente, porque esse é o tipo de abordagem que precisamos para ter sucesso."

Para o Brasil, que viu o KC-390 decolar como um dos maiores sucessos de exportação de defesa de sua história recente, a entrada no mercado americano seria um salto de legitimidade sem precedentes. Para a USAF, a questão não é se precisará de um tanker ágil e moderno, é se terá a visão estratégica de agir antes que o próximo "7 de dezembro" force a decisão.

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