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21 outubro, 2026

C-390 impulsiona cooperação industrial entre Brasil e Portugal e amplia espaço da ETI no treinamento militar

Empresa estatal portuguesa integra soluções de capacitação da Embraer para operadores europeus, enquanto OGMA e outras organizações demonstram o alcance industrial do programa 



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LRCA Defense Consulting - 21/10/2026 - 18h13

A expansão internacional do C-390 Millennium está criando oportunidades que vão além da fabricação de componentes aeronáuticos. Um exemplo é a EMPORDEF Tecnologias de Informação (ETI), empresa estatal portuguesa especializada em simulação e treinamento, identificada pela Embraer como participante de soluções de instrução destinadas a operadores europeus da aeronave. Sua trajetória evidencia como a cooperação industrial Brasil–Portugal também alcança software, capacitação de pessoal e serviços associados à vida operacional do cargueiro multimissão.

A participação não começou agora. Em novembro de 2024, ao anunciar o pacote de treinamento da Força Aérea Real dos Países Baixos, a Embraer afirmou que trabalhava havia mais de dez anos com a ETI no desenvolvimento de treinamento baseado em computador (CBT, na sigla em inglês). A relação antecede, portanto, a recente expansão das vendas do Millennium na Europa.

Uma empresa portuguesa de tecnologia de defesa 
Criada em 2004 a partir de uma separação de atividades da OGMA, a ETI é integralmente controlada pela idD Portugal Defence, entidade vinculada ao setor público português. Atua no desenvolvimento de simuladores operacionais, táticos e de manutenção, aplicações de treinamento virtual e soluções de apoio técnico. Em apresentação institucional de 2021, a idD informou que a ETI exportava 80% de sua produção e atendia mais de 50 usuários em diferentes continentes. Esses números descrevem aquele período e não devem ser interpretados como indicadores atualizados de 2026.

A empresa já desenvolvia conteúdos CBT para diferentes plataformas da Embraer, entre elas o Super Tucano, o KC-390 e a aeronave identificada pela idD como VU-Y. A Força Aérea Brasileira figurava entre os usuários finais desses materiais. Isso, contudo, não demonstra contratação direta da ETI pela FAB: a documentação consultada identifica a Embraer como cliente e parceira industrial.

Da cooperação tecnológica aos contratos internacionais 

Em março de 2022, Embraer, idD Portugal Defence e ETI assinaram um memorando de entendimento para estudar colaboração em treinamento e simulação, abrangendo realidade virtual, aumentada e mista, além de análise de dados. O instrumento também mencionava o A-29 Super Tucano e outros programas. Como memorando de intenções, não deve ser confundido com contrato de fornecimento de sistemas específicos.

A cooperação ganhou outra dimensão com o acordo de abril de 2023 envolvendo a Embraer e organizações portuguesas, entre elas ETI, OGMA, CEiiA e GMV, associado ao fortalecimento da base tecnológica e industrial de defesa de Portugal e a oportunidades em programas aeronáuticos, incluindo o A-29N. A iniciativa integra um relacionamento industrial mais amplo, sem representar, por si só, uma encomenda de CBT para o C-390.

O marco comercial mais explícito ocorreu em 1º de novembro de 2024. A Embraer anunciou que forneceria à Força Aérea Real dos Países Baixos um conjunto de treinamento composto por simulador completo de voo e estação de instrução de manuseio de carga, desenvolvidos com a alemã Rheinmetall, além de CBT concebido com a ETI. Na ocasião, a previsão era colocar todas as soluções em operação até o final de 2026; o anúncio não comprova que essa etapa já tenha sido concluída.

O CBT organiza a instrução teórica de pilotos, mestres de carga, demais tripulantes e pessoal de manutenção por meio de recursos digitais e de um sistema de gestão da aprendizagem compatível com o padrão SCORM. Ele complementa, mas não substitui, o simulador de voo completo nem os dispositivos práticos de treinamento de carga.

Em 20 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, a Embraer anunciou novas soluções para Suécia e Áustria. O pacote sueco inclui simulador completo, estação de treinamento de carga em parceria com a Rheinmetall e CBT desenvolvido com a ETI. Para a Áustria, a fabricante anunciou uma solução CBT, mas o comunicado não atribuiu nominalmente seu desenvolvimento à empresa portuguesa. Não seria rigoroso, portanto, tratar o fornecimento austríaco pela ETI como confirmado. 

Portugal como elo industrial e operacional 
A importância da ETI deve ser compreendida dentro de uma estrutura de cooperação mais ampla. A OGMA, empresa portuguesa de manutenção e fabricação aeronáutica, tem 65% de seu capital controlado pela Embraer e 35% pela idD Portugal Defence. Já a ETI permanece integralmente sob controle da idD. As duas empresas ocupam posições diferentes, porém complementares, no ecossistema aeronáutico e de defesa de Portugal.

Em publicação institucional, a idD registrou a participação de 15 entidades portuguesas no desenvolvimento do KC-390, com mais de 650 mil horas de engenharia, mais de 2 mil desenhos técnicos e mais de 350 empregos qualificados. A entidade estimou ainda que cada KC-390 vendido no mundo representaria 10 milhões de euros em exportações portuguesas de bens e serviços. Trata-se de uma estimativa histórica divulgada pela instituição, e não de receita atual auditada ou de valor atribuído especificamente à ETI.

A dimensão operacional também se destaca. Em janeiro de 2025, a LRCA noticiou a chegada à Base Aérea n.º 11, em Beja, de um simulador de voo e missão do C-390, fabricado pela Rheinmetall, com expectativa de futura utilização na formação de tripulações europeias. Em agosto daquele ano, a imprensa portuguesa informou o início do treinamento de militares holandeses em Portugal. Esses fatos mostram a formação de uma infraestrutura regional de capacitação, mas não comprovam que o CBT da ETI tenha sido empregado em cada atividade realizada em Beja.

Um modelo de internacionalização que vai além da aeronave 
O caso da ETI demonstra que a exportação do C-390 pode estimular uma cadeia de serviços especializados, com possibilidades de atualizações de conteúdo, formação de novos profissionais e suporte ao longo da vida útil das aeronaves. São oportunidades coerentes com a natureza do produto, embora os documentos públicos examinados não permitam quantificar receitas futuras da ETI nem identificar todos os seus contratos.

Também não há comprovação pública suficiente de que a ETI forneça especificamente para o C-390 simuladores virtuais de manutenção, treinadores de parte-tarefa ou sistemas práticos de manuseio de carga. A empresa possui competências em áreas próximas, mas a atribuição desses equipamentos ao programa exige documentação própria.

Para o Brasil, a experiência evidencia uma característica da estratégia internacional da Embraer: combinar competências nacionais com fornecedores especializados de países parceiros, oferecendo ao cliente não apenas a aeronave, mas soluções de treinamento e suporte. Para Portugal, representa a possibilidade de preservar e ampliar capacidades tecnológicas próprias em um programa de alcance internacional.

O resultado é uma relação industrial que não se esgota na entrega de aviões. À medida que a frota do Millennium cresce, a preparação de tripulações e mantenedores torna-se parte relevante da capacidade operacional dos compradores. A ETI já ocupa um espaço documentado nessa estrutura. A extensão futura de sua participação dependerá de novos contratos e de decisões ainda não tornadas públicas.

02 maio, 2022

Embraer e Aernnova concluem acordo de parceria estratégica em Évora

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem


*LRCA Defense Consulting - 02/05/2022

A Embraer e a Aernnova concluíram hoje o acordo de parceria estratégica anunciado no início de 2022. Desta forma, a Aernnova passa a deter todas as ações da Embraer Metálicas e Embraer Compósitos, num investimento que totaliza cerca de US$ 174 milhões.

Para a Embraer, esta parceria é mais uma oportunidade para o aumento da capacidade produtiva destas duas unidades, uma vez que além de fornecer componentes para a aviação comercial, executiva e área de defesa da empresa, existe a expetativa de aumento da produção de componentes para outros fabricantes aeronáuticos globais. Isso significa mais empregos nesta região do interior de Portugal, além de um potencial crescimento das exportações. Dessa forma, as fábricas em Évora também contribuem para o aumento da capacidade de produção aeronáutica da região do Alentejo e garantem uma posição de referência no Cluster Aeronáutico de Portugal.

O acordo também está em linha com a estratégia de crescimento da Aernnova, que reforça ainda mais o status da companhia como uma líder global em design e produção de aeroestruturas, e tem como objetivo aumentar a capacidade de produção dos centros de excelência em Évora, cuja operação tem uma importância estratégica para os produtos atuais e futuros da Embraer.

Com 500 colaboradores, as unidades de Évora produzem, entre outros, componentes para asas e estabilizadores verticais e horizontais para programas aeronáuticos da Embraer como os aviões executivos Praetor 500 e Praetor 600, as duas gerações de aviões comerciais da família de E-Jets e a aeronave multimissão KC-390 Millennium. As unidades industriais em Portugal serão os maiores centros produtivos da Aernnova no mundo.

O acordo reforça a posição da Aernnova como fornecedora de primeira linha para aeronaves de corredor único, avançando a posição da companhia nos mercados de aeronaves executivas e de defesa. As atividades nas instalações industriais de Évora adicionarão cerca de US$ 170 milhões (157 milhões de euros) em receitas para a Aernnova. A capacidade dessas unidades industriais também permitirá a assinatura de novos contratos, seja com a Embraer ou com outros fabricantes.

A Embraer mantém o seu compromisso estratégico com Portugal, país onde, fora do Brasil, mais investe em capacidade industrial. Exemplo disso é o investimento anunciado recentemente de 74 milhões de euros na OGMA para trazer para Portugal a manutenção dos motores GTF da Pratt & Whitney, usados pela nova geração de aviões comerciais. Este acordo criará 300 postos de trabalho e poderá triplicar o volume anual de negócios para 600 milhões de euros.

Mas não é só em unidades industriais que a Embraer tem concentrado os seus novos investimentos em Portugal. Em março, foi lançado um projeto de cooperação de desenvolvimento tecnológico com a assinatura de um Memorando de Entendimento com a idD Portugal Defence e a ETI. Esta nova parceria tem como objetivo o desenvolvimento de produtos de Defesa e de dupla utilização em áreas relacionadas com tecnologias de treino e simulação, mais especificamente com Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Realidade Mista e Análise de Dados.

20 março, 2022

idD assina Memorando de Entendimento com Embraer e ETI


*idD Portugal Defence - 15/03/2022

A Embraer, a idD Portugal Defence e a ETI assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para uma potencial colaboração estratégica relacionada com o treino e simulação, para produtos de Defesa e de dupla utilização. As áreas abrangidas incluem o desenvolvimento e inovação de tecnologias de Realidade Virtual, Realidade Aumentada, Realidade Mista e Análise de Dados.

O MoU inclui a oportunidade de expandir e aumentar o relacionamento de longo prazo entre a Embraer e a ETI para o desenvolvimento dos produtos de treino da Embraer, para o A29 Super Tucano, entre outros programas. Nesse contexto, as duas empresas já discutem as potenciais oportunidades.

A Embraer e a ETI colaboram há muitos anos e cada empresa trará a expertise específica necessária para realizar pesquisa e desenvolvimento a serem aplicados em tecnologias avançadas e produtos de treino inovadores. Este MoU é mais um passo importante nesta relação de longo prazo.

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