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05 outubro, 2025

EUA testam com sucesso tecnologia que neutraliza enxame de drones em segundos

 

*LRCA Defense Consulting - 05/10/2025

A Epirus, empresa norte-americana especializada em guerra eletrônica, alcançou um marco tecnológico significativo com o seu sistema de micro-ondas de alta potência, o Leonidas, comprovado como uma solução eficaz contra enxames de drones em testes recentes realizados em Indiana, Estados Unidos. Durante uma demonstração exclusiva para autoridades norte-americanas e aliados, o sistema neutralizou com sucesso 61 drones em tempo real, atingindo 100% de eficácia, inclusive derrubando 49 deles simultaneamente através de um único pulso eletromagnético.

Tecnologia e inovação do Leonidas
Diferente das armas convencionais que usam projéteis, o Leonidas emite feixes de micro-ondas de alta potência que sobrecarregam a eletrônica dos drones, causando perda de controle e queda. O sistema possui destacada versatilidade operacional, capaz de selecionar e atingir alvos específicos sob comando, além de operar em múltiplas direções simultaneamente. Um teste notório demonstrou a possibilidade de direcionar a queda controlada de drones para zonas seguras definidas por software, o que reforça a precisão e segurança do equipamento em operações reais.

Batizado em homenagem ao rei espartano Leônidas I, o Leonidas utiliza tecnologias avançadas baseadas em semicondutores de nitreto de gálio (GaN), que garantem maior durabilidade, menor peso e consumo reduzido de energia em comparação com dispositivos mais tradicionais. O sistema é também software-driven, o que permite discriminar entre drones inimigos e drones aliados em operação na mesma área, otimizando a resposta tática.

Avanços recentes e investimentos robustos
A primeira geração do Leonidas foi desenvolvida em 2022, com a Epirus investindo intensamente em pesquisa e desenvolvimento internos. Em julho de 2025, a empresa apresentou a versão Leonidas Generation II, que promete mais que o dobro do alcance e letalidade do modelo inicial na mesma configuração compacta.

Desde 2023, a Epirus firmou contratos com o exército dos EUA que ultrapassam US$ 66 milhões e, em março deste ano, captou mais US$ 250 milhões em rodada de investimentos, totalizando mais de US$ 550 milhões em financiamentos para aprimorar e expandir a produção do sistema.

Contexto estratégico global e demandas modernas
O uso crescente de drones em guerras assimétricas representa um desafio crescente nas áreas de defesa e segurança. Drones são baratos, difíceis de detectar e podem ser usados em enxames para sobrecarregar defesas convencionais. O Leonidas se posiciona como uma resposta tecnológica de ponta para neutralizar esse tipo de ameaça de maneira rápida, precisa e com menor custo operacional, tanto em campos de batalha quanto em proteção de infraestruturas críticas militares e civis, bases aéreas, quartéis-generais, centros de comando, aeroportos, portos e estádios.



Vozes da indústria e impacto futuro
Andy Lowery, CEO da Epirus, classificou o teste como um “momento decisivo” para as operações de guerra eletrônica e para a defesa americana, destacando o sistema como a única solução capaz de enfrentar enxames, em um combate conhecido como “one-to-many fight” (um contra muitos). O sistema está sendo integrado em plataformas móveis, como veículos blindados Stryker, e versões compactas para operações especiais e marítimas já foram apresentadas.

Especialistas afirmam que a demonstração abre um novo capítulo na corrida por tecnologias de defesa antimicrodrones, fundamental para manter a superioridade nas futuras operações militares de alta intensidade e segurança doméstica.

02 agosto, 2025

Olhos que atravessam o solo: a nova fronteira do reconhecimento por drones


*LRCA Defense Consulting - 02/08/2025

Um drone equipado com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR) está permitindo enxergar estruturas enterradas no subsolo com precisão inédita — como colônias de formigas, túneis ou pertences escondidos. Essa solução, desenvolvida no Brasil pela startup brasileira Radaz com apoio da Unicamp e aplicada em parceria com empresas como a Klabin, está transformando setores que vão da agricultura à arqueologia, passando por defesa e segurança pública, evidenciando seu uso dual.

Como funciona a tecnologia

Radar de Abertura Sintética (SAR): instalados em drones, transmitem sinais de baixa frequência (como na faixa P‑band), capazes de penetrar o solo e gerar imagens tomográficas do subsolo 

Padrões de voo sofisticados: trajetórias helicoidais permitem manter o radar sobre a área de interesse por mais tempo, melhorando a resolução tomográfica.

Inteligência artificial integrada: redes neurais profundas detectam padrões consistentes com objetos enterrados, como ninhos ou estruturas, com alta precisão.

Aplicações civis práticas
Agricultura e silvicultura
Na Klabin, a tecnologia foi testada em plantações de eucalipto para identificar ninhos de formigas cortadeiras a até 4 metros de profundidade. A taxa de acerto ficou em cerca de 80%, sem falsos positivos. Isso evita perdas significativas na produção e reduz o uso de inseticidas, ao detectar infestação de forma precisa e eficiente.

Mineração e geologia
Pode mapear subsidência de solos em áreas densamente vegetadas e detectar rochas até 100 metros abaixo da superfície — algo que satélites não conseguem com precisão similar.

Arqueologia
Projetos usam a tecnologia para localizar túmulos, objetos ou vestígios arqueológicos com mínima intervenção no solo. 

Aplicações em defesa e segurança pública
A capacidade de "enxergar" o que está enterrado sem contato físico com o solo abre um leque de aplicações estratégicas para uso militar e de segurança pública. Entre os possíveis usos estão:

Detecção de explosivos enterrados, minas terrestres e armadilhas: drones equipados com radar SAR de baixa frequência podem sobrevoar áreas suspeitas e identificar objetos metálicos ou cavidades artificiais, reduzindo o risco para equipes humanas e agilizando operações em zonas de conflito ou de pós-guerra.

Localização de túneis e esconderijos subterrâneos: em contextos de combate ao narcotráfico, contrabando ou terrorismo, a tecnologia pode identificar passagens escavadas sob fronteiras, favelas, presídios ou áreas de mata fechada — com mais precisão do que sensores térmicos ou satélites convencionais.

Reconhecimento tático e inteligência geológica: forças armadas podem empregar a tecnologia para mapear áreas de interesse estratégico, como terrenos acidentados ou potencialmente instáveis, ou para obter informações sobre infraestrutura oculta de oponentes.

Busca e salvamento: após terremotos, deslizamentos ou desabamentos urbanos, o radar pode ajudar a localizar vítimas presas sob os escombros ou áreas instáveis, guiando os resgates com segurança e rapidez. A tecnologia já foi empregada também em operações de busca a desaparecidos em terrenos alagadiços ou pantanosos, direcionando equipes para áreas promissoras.

O uso de drones SAR nesses cenários oferece a vantagem de operações remotas, discretas e não intrusivas, com risco reduzido e maior capacidade de cobertura. A adoção pela Defesa brasileira ou por forças policiais especializadas (como BOPE ou PF) ainda é incipiente, mas o potencial de aplicação é elevado — especialmente em um país de vasto território e diversidade geológica como o Brasil.

Exemplos internacionais do uso militar da tecnologia SAR em drones

Estados Unidos: as forças armadas norte-americanas já utilizam radares de abertura sintética embarcados em aviões e drones como o Global Hawk e o RQ-170 Sentinel para vigilância em tempo real e mapeamento do terreno — inclusive com sensores de penetração de solo para detectar túneis do cartel mexicano ao longo da fronteira sul.

Israel: além de radares SAR convencionais, Israel tem investido em drones táticos com sensores de penetração para localizar infraestruturas subterrâneas do Hamas, como túneis de contrabando e bunkers, em Gaza. A integração com inteligência artificial tem sido chave para diferenciar estruturas naturais de artificiais.

China: o exército chinês tem testado drones SAR de médio porte para mapeamento de cavernas e bunkers em regiões montanhosas e fronteiras críticas, com foco em dissuasão estratégica e capacidade de contrainteligência.

Por que essa inovação é relevante?
Custo reduzido e maior eficiência: grandes áreas podem ser mapeadas em poucos voos, sem necessidade de trabalho de campo intenso ou métodos invasivos.

Menor impacto ambiental
: escavações podem ser evitadas, mantendo sítios arqueológicos ou áreas agrícolas intactas até onde realmente houver algo enterrado.

Precisão aprimorada: a combinação de radar e IA minimiza falsos positivos e aumenta a confiabilidade dos resultados.

Desafios e perspectivas

Tipo de solo influenciando a penetração do sinal: solos argilosos ou úmidos podem limitar a profundidade alcançada pelo radar, exigindo ajustes de frequência e processamento 

Especialização técnica exigida
: desde a criação das trajetórias de voo até a interpretação dos dados de radar, são necessárias capacidades técnicas e conhecimento profundo da tecnologia.

Evolução constante: conforme miniaturização e sensores avançam, a expectativa é que drones SAR tornem-se ainda mais autônomos, podendo operar em enxames (swarm) e com processamento em tempo real.

Contexto no Brasil
A solução foi desenvolvida em parceria entre a Unicamp, a startup brasileira Radaz e a Klabin, dentro de programas de inovação como o PIPE da FAPESP. Trata-se da primeira vez no mundo que ninhos subterrâneos de formigas foram detectados com esse nível de acurácia usando tecnologia SAR embarcada em drone. 

O que vem pela frente?

Ampliação de usos: áreas como defesa, segurança pública, arqueologia, agronegócio, geologia e mineração devem continuar adotando essa tecnologia para detectar artefatos enterrados sem escavações.

Integração com outras tecnologias
: sensores como LiDAR e térmicos podem ser combinados, ampliando ainda mais o espectro de aplicação dessa abordagem.

Operação autônoma e enxames de drones
: sistemas que trabalham em cooperação poderão realizar mapeamentos amplos com rapidez e detalhamento.

Novo capítulo em exploração subterrânea
A união entre drones e radar SAR abre um novo capítulo em exploração subterrânea: é possível enxergar o que está oculto sem destruir o que está por cima. Seja para proteger plantações, acessar áreas geologicamente sensíveis ou realizar investigações forenses, essa tecnologia coloca o Brasil na vanguarda de uma revolução que combina mapeamento de precisão com inteligência artificial — uma verdadeira visão de raio-X do mundo real.

Além das imensas aplicações civis, o potencial para defesa e segurança pública é estratégico: drones com radar SAR podem localizar túneis clandestinos, armadilhas explosivas, esconderijos e outras ameaças invisíveis a olho nu, com baixo risco e alta precisão. Em um cenário global onde conflitos assimétricos, segurança de fronteiras e desastres naturais exigem respostas ágeis e tecnológicas, o radar embarcado em drones se torna uma ferramenta crucial para forças militares e operações policiais.


 Saiba mais:
- Radar RD350, da Radaz, em potenciais aplicações militares e de segurança 

04 junho, 2025

Radar RD350, da Radaz, em potenciais aplicações militares e de segurança

 


*LRCA Defense Consulting - 04/06/2025

A Radaz, uma empresa brasileira de tecnologia fundada em 2017, é especializada no desenvolvimento de radares de sensoriamento remoto de alta precisão. Originada a partir de pesquisas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a empresa está sediada em São José dos Campos, São Paulo, e tem se destacado por criar soluções inovadoras e compactas para monitoramento de superfícies e estruturas subterrâneas.

O radar RD350 da Radaz representa uma inovação significativa no campo do sensoriamento remoto, destacando-se como o único radar de abertura sintética (SAR) embarcado em drones de classe 3 que opera simultaneamente nas bandas P, L e C. Com peso de apenas 5 kg, ele é compatível com drones como o Pelicano R3 da SkyDrones e o DJI Matrice 600 Pro, permitindo levantamentos aéreos de alta precisão em diversas condições ambientais.

Como uma solução compacta e poderosa para sensoriamento remoto, oferece capacidades únicas de penetração no solo e na vegetação, processamento automatizado e versatilidade operacional. Suas aplicações precípuas e potenciais abrangem o agronegócio, a pesquisa científica e operações de defesa e segurança.

Principais Características Técnicas
Três bandas simultâneas (P, L e C)
A banda P penetra até 120 metros no subsolo, a banda L fornece dados volumétricos e a banda C capta informações da copa das árvores, permitindo análises detalhadas do terreno e da vegetação.

Modos de voo versáteis

Suporta voos lineares para levantamentos topográficos amplos e voos helicoidais para tomografia de alta resolução, adaptando-se às necessidades específicas de cada missão.

Processamento automático de dados
Os dados coletados são processados automaticamente em um laptop fornecido com o sistema, entregando resultados como imagens SAR, modelos 3D e relatórios analíticos no mesmo tempo de duração do voo.

Alta produtividade

Capaz de cobrir até 500 hectares por dia em modo linear e 50 hectares em modo helicoidal, otimizando operações em larga escala.

Aplicações civis práticas
Inventário florestal automatizado
O modelo Forest Keeper RD350 estima automaticamente volume, DAP (diâmetro à altura do peito), altura das árvores e área basal com precisão de até 2%.

Detecção de estruturas subterrâneas
Identifica formigueiros, rochas e vazamentos em dutos, mesmo sob vegetação densa, com assertividade significativa, como demonstrado em projetos com empresas como a Klabin.

Monitoramento de subsidência
Detecta afundamentos do solo em áreas cobertas por vegetação, superando limitações de radares orbitais.

Agricultura de precisão
Auxilia na previsão de safra e na medição de umidade do solo, contribuindo para uma gestão agrícola mais eficiente.

Pesquisa e desenvolvimento
O modelo Explorer RD350 oferece acesso aberto aos dados brutos e de navegação, sendo ideal para universidades e centros de pesquisa que desejam desenvolver novas aplicações e algoritmos.

Aplicações potenciais em operações militares e de segurança
O radar RD350 da Radaz, embora desenvolvido inicialmente para aplicações civis e científicas, possui características tecnológicas que o tornam altamente aplicável em operações militares e de segurança, especialmente nas áreas de inteligência, vigilância, reconhecimento (ISR) e operações especiais, como:

Reconhecimento e inteligência (ISR) em terreno denso

As bandas P e L, que penetram vegetação e até o subsolo, são extremamente úteis para detectar:
- Abrigos camuflados.
- Redes de túneis.
- Depósitos subterrâneos.
- Posições inimigas sob cobertura florestal.

Aplicações práticas:

- Operações na Amazônia, selvas ou áreas de floresta densa.
- Reconhecimento de rotas clandestinas, como trilhas de narcotraficantes.

Detecção de ameaças subterrâneas
A penetração de até 120 metros no subsolo (banda P) permite:
- Localização de túneis transfronteiriços (contrabando, tráfico de drogas ou armas).
- Verificação de estruturas enterradas, como bunkers ou esconderijos.
- Monitoramento de atividades ilegais em fronteiras e zonas de conflito.

Vigilância persistente
A operação embarcada em drones de longa autonomia permite:
- Monitoramento de grandes áreas por longos períodos.
- Detecção de movimentos de tropas, veículos, embarcações e até pessoas, mesmo sob cobertura vegetal.
- Acompanhamento de atividades suspeitas sem necessidade de sobrevoo tripulado.

Controle de fronteiras e contrainteligência
Identificação de:
- Passagens clandestinas.
- Estruturas ocultas.
- Movimentações de grupos armados ou contrabandistas.

Análise de terreno e planejamento tático
- Geração de modelos digitais de terreno (MDT) com ou sem cobertura vegetal.
- Planejamento de rotas seguras.
- Avaliação de linhas de visada.
- Identificação de pontos estratégicos para vigilância ou operações ofensivas.

Monitoramento de infraestrutura crítica

- Vigilância de oleodutos, gasodutos, linhas de transmissão e outros tipos de pontos sensíveis.
- Detecção de tentativas de sabotagem ou interferências físicas.
- Identificação de subsidências, deslizamentos ou atividades clandestinas nas proximidades.

Operações especiais e busca e salvamento (SAR)
- Detecção de pessoas, veículos ou equipamentos ocultos em ambientes de difícil acesso.
- Auxílio em missões de busca de pessoas desaparecidas ou vítimas em áreas remotas.

Vantagens estratégicas
Portabilidade
Radar de 5 kg, operável por drones de médio porte, ideal para forças que necessitam de mobilidade.

Baixa detectabilidade
Operação embarcada em drones permite reduzir risco de detecção e exposição.

Processamento rápido
Dados processados em tempo real ou quase real, facilitando decisões rápidas em campo.

Versatilidade

Modos de voo linear (vigilância ampla) ou helicoidal (tomografia detalhada).

Limitações e considerações

- Dependência de drones de médio porte, com limitação de tempo de voo em comparação a aeronaves tripuladas.

- O radar não substitui sensores ópticos, térmicos ou eletromagnéticos, mas é complementar e pode preencher lacunas importantes não cobertas pelos demais tipos de sensoriamento.

- Sua capacidade de detecção é excelente contra alvos fixos ou semimóveis, mas menos eficaz contra alvos altamente móveis em tempo real.

Reconhecimento e expansão internacional
A tecnologia da Radaz tem ganhado destaque internacional, com exportações para países como Alemanha, Emirados Árabes Unidos, Suécia e Reino Unido. Instituições de pesquisa utilizam o RD350 em projetos diversos, incluindo o monitoramento de vulcões ativos na Islândia. No Brasil, a empresa tem colaborado com organizações como a Vale, Nexa, UNICAMP e o Instituto de Estudos Avançados da Força Aérea Brasileira.

No primeiro dia da DroneShow Robotics 2025 - principal evento da América Latina dedicado às tecnologias de drones, robótica e geotecnologia - que acontece de 03 a 05 de junho no Expo Center Norte – Pavilhão Azul, em São Paulo (SP), o estande da Radaz foi visitado por integrantes das três Forças Armadas do Brasil, evidenciando o interesse de militares pela tecnologia de sensoriamento remoto por radar (SAR).

Conclusão
O RD350 tem vasto potencial para uso militar e de segurança, especialmente em operações de inteligência, controle de fronteiras, combate ao narcotráfico, detecção de túneis, reconhecimento de terreno e localização de pessoas, equipamento, viaturas e construções sob vegetação densa. Sua portabilidade, aliada às capacidades de penetração no solo e cobertura vegetal, torna-o uma ferramenta estratégica, especialmente para forças que operam em biomas como a Amazônia ou em ambientes onde a camuflagem é um fator crítico. 

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