Isenção de tarifas e parceria com Adani criam oportunidade estratégica para fabricante brasileira no mercado de aviação regional
*LRCA Defense Consulting - 02/02/2026
O Orçamento da União da Índia para 2026-27, apresentado em 1º de fevereiro pela ministra das Finanças Nirmala Sitharaman, trouxe notícias excepcionais para a aviação civil do país e, particularmente, para a Embraer. A isenção de tarifas alfandegárias sobre componentes e peças para fabricação de aeronaves civis, de treinamento e outras categorias representa um alinhamento perfeito com a estratégia da fabricante brasileira, que há poucos dias anunciou parceria com o grupo Adani para estabelecer uma linha de montagem final na Índia.
Medidas orçamentárias e reação do governo
O ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, saudou entusiasticamente as medidas do orçamento, afirmando que "a aviação civil foi uma grande beneficiária" das propostas fiscais. Segundo Naidu, o setor de manufatura aeroespacial tem sido historicamente dominado por outros países, obrigando a Índia a importar aeronaves de fabricantes estrangeiros.
O foco do governo é claro: Atmanirbharta (autossuficiência), trazendo a manufatura para o próprio país. "Temos muitos aeroportos hoje, mas há um descompasso na conectividade porque não temos tantos aviões. A forma de conseguir mais aviões é melhorar a manufatura no país", declarou o ministro.
As medidas específicas incluem:
• Isenção de tarifas alfandegárias básicas sobre componentes e peças para fabricação de aeronaves civis, de treinamento e outras;
• Isenção de tarifas sobre matérias-primas importadas para fabricação de peças de aeronaves usadas em manutenção, reparo e revisão (MRO) por unidades do setor de defesa;
• Medida única especial para facilitar vendas de unidades de manufatura em Zonas Econômicas Especiais (SEZs) para a Área Tarifária Doméstica (DTA) a taxas de impostos concessionais.
A parceria Embraer-Adani: timing estratégico
Em 27 de janeiro de 2026, apenas cinco dias antes da apresentação do orçamento, a Embraer e a Adani Defence & Aerospace assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para desenvolver um ecossistema integrado de aeronaves de transporte regional na Índia. A parceria foi celebrada em cerimônia organizada pelo Ministério da Aviação Civil em Nova Délhi, com a presença de autoridades seniores.
Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace, confirmou que uma instalação de manufatura de aeronaves regionais será estabelecida na Índia. As empresas planejam estabelecer uma Linha de Montagem Final (FAL) para aeronaves regionais e aumentar gradualmente o conteúdo doméstico para apoiar o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA) da Índia.
Esta será a primeira linha de montagem final de aeronaves comerciais de asa fixa a ser estabelecida em solo indiano, marcando um marco histórico para a indústria aeroespacial do país. O ministro Naidu destacou especificamente esta parceria em seus comentários sobre o orçamento, mencionando também que o governo russo está entrando em um acordo com a Hindustan Aeronautics Limited (HAL) para fabricar aeronaves a jato e turboélice no país.
Mercado indiano: uma oportunidade massiva
A Índia se tornou o terceiro maior mercado de aviação doméstica do mundo e está prestes a se tornar o terceiro maior mercado geral de passageiros aéreos. O potencial é especialmente significativo no segmento de aviação regional.
Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Commercial Aviation, observou que há cerca de 400 pares de cidades na Índia que atualmente não são atendidos porque são "muito longos para turboélices e muito finos para narrowbodies". Meijer também destacou que "o mercado de aviação regional ainda está subpenetrado na Índia. A Índia atualmente tem apenas 81 aeronaves de transporte regional em comparação com mais de 5.150 globalmente. Há um potencial de crescimento enorme".
Os jatos E2 da Embraer desempenharão um papel importante na substituição dos 800 turboélices na região Ásia-Pacífico, argumenta a empresa. Os E2 são mais rápidos, têm mais capacidade e maior alcance do que turboélices.
Programa UDAN
O esquema UDAN (Ude Desh ka Aam Nagrik — 'Cidadão Comum do País Voa') foi lançado em 21 de outubro de 2016, com a visão do primeiro-ministro Narendra Modi de que até mesmo um cidadão comum de chinelos deveria poder viajar de avião.
Desde seu início, o UDAN expandiu através de múltiplas fases:
• 625 rotas operacionalizadas;
• 90 aeroportos conectados (incluindo 15 heliportos e 2 aeródromos aquáticos);
• Mais de 14,9 milhões de passageiros beneficiados;
• Rede de aeroportos expandida de 74 (2014) para 159 (2024).
O esquema UDAN está transformando a conectividade aérea regional da Índia, focando em cidades Tier-2 e Tier-3 através de um modelo orientado ao mercado, mas financeiramente apoiado. O programa oferece Financiamento de Lacuna de Viabilidade (VGF) e tetos de tarifas para tornar a aviação regional comercialmente viável.
Expansão da Embraer na Ásia-Pacífico
A parceria indiana faz parte de uma estratégia mais ampla da Embraer de expandir sua presença na região Ásia-Pacífico. A empresa já tem clientes de alto perfil operando jatos E2 na região:
• Scoot (Singapura): recebeu a última de suas nove entregas de E2 em dezembro de 2025. A Embraer espera conquistar mais pedidos da subsidiária da Singapore Airlines.
• All Nippon Airways (Japão): fez seu primeiro pedido Embraer em 2024, encomendando 15 E190-E2.
• Virgin Australia: Opera jatos E2 na região da Oceania.
• Star Air (Índia): é atualmente a única companhia aérea na Índia operando regularmente aeronaves regionais Embraer (13 E175 e ERJ145).
Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Embraer e chefe de região para a Ásia-Pacífico, observou que essas presenças de alto perfil em diferentes partes da Ásia-Pacífico dão aos jatos E2 boa visibilidade. "Agora temos marcas de clientes realmente fortes em diferentes partes da Ásia-Pacífico", disse ele.
Há também potencial significativo para mais pedidos no mercado australiano, onde já existem cinco operadoras com várias aeronaves Embraer. Villaron projeta que poderia haver um total de 200 aeronaves Embraer operando na Austrália até 2030.
O esquema UDAN (Ude Desh ka Aam Nagrik — 'Cidadão Comum do País Voa') foi lançado em 21 de outubro de 2016, com a visão do primeiro-ministro Narendra Modi de que até mesmo um cidadão comum de chinelos deveria poder viajar de avião.
Desde seu início, o UDAN expandiu através de múltiplas fases:
• 625 rotas operacionalizadas;
• 90 aeroportos conectados (incluindo 15 heliportos e 2 aeródromos aquáticos);
• Mais de 14,9 milhões de passageiros beneficiados;
• Rede de aeroportos expandida de 74 (2014) para 159 (2024).
O esquema UDAN está transformando a conectividade aérea regional da Índia, focando em cidades Tier-2 e Tier-3 através de um modelo orientado ao mercado, mas financeiramente apoiado. O programa oferece Financiamento de Lacuna de Viabilidade (VGF) e tetos de tarifas para tornar a aviação regional comercialmente viável.
Expansão da Embraer na Ásia-Pacífico
A parceria indiana faz parte de uma estratégia mais ampla da Embraer de expandir sua presença na região Ásia-Pacífico. A empresa já tem clientes de alto perfil operando jatos E2 na região:
• Scoot (Singapura): recebeu a última de suas nove entregas de E2 em dezembro de 2025. A Embraer espera conquistar mais pedidos da subsidiária da Singapore Airlines.
• All Nippon Airways (Japão): fez seu primeiro pedido Embraer em 2024, encomendando 15 E190-E2.
• Virgin Australia: Opera jatos E2 na região da Oceania.
• Star Air (Índia): é atualmente a única companhia aérea na Índia operando regularmente aeronaves regionais Embraer (13 E175 e ERJ145).
Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas e marketing da Embraer e chefe de região para a Ásia-Pacífico, observou que essas presenças de alto perfil em diferentes partes da Ásia-Pacífico dão aos jatos E2 boa visibilidade. "Agora temos marcas de clientes realmente fortes em diferentes partes da Ásia-Pacífico", disse ele.
Há também potencial significativo para mais pedidos no mercado australiano, onde já existem cinco operadoras com várias aeronaves Embraer. Villaron projeta que poderia haver um total de 200 aeronaves Embraer operando na Austrália até 2030.
Detalhes da colaboração e próximos passos
Segundo Jeet Adani, múltiplos locais estão sendo explorados para abrigar a linha de montagem dos jatos regionais brasileiros. As fontes indicam que a linha de montagem poderia ser estabelecida em Gujarat ou Andhra Pradesh, enquanto a colaboração em MRO e treinamento poderia ocorrer nas instalações existentes de MRO e treinamento de pilotos da Adani.
A Adani está construindo o maior hangar de MRO de fuselagem larga da Índia em Ahmedabad e já opera 11 simuladores de voo completos avançados e 17 aeronaves de treinamento. Isso proporciona uma base sólida para o ecossistema completo de aviação regional que está sendo desenvolvido.
Os detalhes relacionados a investimento, localização e tipo de aeronave na Índia serão anunciados nos próximos meses. Fontes disseram que os dois países poderiam anunciar mais detalhes durante a visita do presidente brasileiro ainda neste mês.
Crucialmente, Jeet Adani revelou que as duas parceiras já estão tendo discussões com clientes prospectivos de companhias aéreas na Índia para um pedido. "Tudo deve estar no lugar quando os aviões estiverem saindo da FAL", afirmou. A Embraer está em conversações com IndiGo e Air India sobre vendas potenciais futuras ou decisões de frota.
Implicações estratégicas
A convergência do orçamento indiano com a parceria Embraer-Adani representa uma confluência de fatores estratégicos:
• Transferência de tecnologia e desenvolvimento de habilidades: a Embraer compartilhará tecnologias aeroespaciais avançadas, promovendo expertise local.
• Criação de cadeia de suprimentos: a parceria visa construir uma cadeia de suprimentos doméstica robusta para peças e sistemas de aeronaves.
• Expansão da conectividade: projetada para melhorar a conectividade aérea para cidades Tier-2 e Tier-3, apoiando o crescimento econômico regional.
• Geração de empregos: o projeto deve gerar empregos de alta qualificação em engenharia, logística e serviços de suporte.
• Fortalecimento de relações bilaterais: a parceria também fortalecerá as relações estratégicas entre a Índia e o Brasil, reunindo capacidades complementares.
Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace, descreveu a colaboração como um "divisor de águas" na autossuficiência da Índia, chamando-a de "um passo ousado em direção à aviação Aatmanirbhar que une divisões urbano-rurais, gera empregos de alta qualificação e eleva a posição da Índia na indústria aeroespacial global".
Segundo Jeet Adani, múltiplos locais estão sendo explorados para abrigar a linha de montagem dos jatos regionais brasileiros. As fontes indicam que a linha de montagem poderia ser estabelecida em Gujarat ou Andhra Pradesh, enquanto a colaboração em MRO e treinamento poderia ocorrer nas instalações existentes de MRO e treinamento de pilotos da Adani.
A Adani está construindo o maior hangar de MRO de fuselagem larga da Índia em Ahmedabad e já opera 11 simuladores de voo completos avançados e 17 aeronaves de treinamento. Isso proporciona uma base sólida para o ecossistema completo de aviação regional que está sendo desenvolvido.
Os detalhes relacionados a investimento, localização e tipo de aeronave na Índia serão anunciados nos próximos meses. Fontes disseram que os dois países poderiam anunciar mais detalhes durante a visita do presidente brasileiro ainda neste mês.
Crucialmente, Jeet Adani revelou que as duas parceiras já estão tendo discussões com clientes prospectivos de companhias aéreas na Índia para um pedido. "Tudo deve estar no lugar quando os aviões estiverem saindo da FAL", afirmou. A Embraer está em conversações com IndiGo e Air India sobre vendas potenciais futuras ou decisões de frota.
Implicações estratégicas
A convergência do orçamento indiano com a parceria Embraer-Adani representa uma confluência de fatores estratégicos:
• Transferência de tecnologia e desenvolvimento de habilidades: a Embraer compartilhará tecnologias aeroespaciais avançadas, promovendo expertise local.
• Criação de cadeia de suprimentos: a parceria visa construir uma cadeia de suprimentos doméstica robusta para peças e sistemas de aeronaves.
• Expansão da conectividade: projetada para melhorar a conectividade aérea para cidades Tier-2 e Tier-3, apoiando o crescimento econômico regional.
• Geração de empregos: o projeto deve gerar empregos de alta qualificação em engenharia, logística e serviços de suporte.
• Fortalecimento de relações bilaterais: a parceria também fortalecerá as relações estratégicas entre a Índia e o Brasil, reunindo capacidades complementares.
Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace, descreveu a colaboração como um "divisor de águas" na autossuficiência da Índia, chamando-a de "um passo ousado em direção à aviação Aatmanirbhar que une divisões urbano-rurais, gera empregos de alta qualificação e eleva a posição da Índia na indústria aeroespacial global".
Números-chave
• Mercado indiano: 3º maior mercado doméstico de aviação do mundo
• Aeronaves regionais na Índia: 81 (vs. 5.150 globalmente)
• Pares de cidades não atendidos: aproximadamente 400
• Turboélices na Ásia-Pacífico para substituição: 800
• Aeronaves Embraer operando na Índia: aproximadamente 50 (comercial, defesa e aviação executiva)
• Rotas UDAN operacionalizadas: 625 conectando 90 aeroportos
Uma janela de oportunidade
O Orçamento Indiano 2026-27 não poderia ter chegado em momento mais propício para a Embraer. A isenção de tarifas alfandegárias sobre componentes de aeronaves reduz significativamente os custos de entrada para fabricantes e operadores de MRO, incentivando a produção local e o desenvolvimento tecnológico.
Combinada com a parceria estratégica com a Adani, anunciada apenas dias antes, a Embraer está posicionada de forma única para capitalizar sobre um mercado de aviação regional massivamente subpenetrado na Índia. Com apenas 81 aeronaves de transporte regional servindo um país de mais de 1,4 bilhão de pessoas, o potencial de crescimento é imenso.
A linha de montagem final prevista marcará a primeira instalação desse tipo na Índia para aeronaves comerciais de asa fixa, colocando o país em um grupo seleto de nações que hospedam tais operações. Para a Embraer, isso representa não apenas acesso a um mercado em crescimento explosivo, mas também a oportunidade de se estabelecer como parceiro preferencial da Índia em sua jornada para se tornar um hub aeroespacial global.
À medida que a Índia trabalha para conectar suas centenas de cidades Tier-2 e Tier-3 através do programa UDAN, os jatos regionais da Embraer, particularmente a família E2, oferecem a solução ideal para preencher a lacuna entre turboélices e narrowbodies. Com apoio governamental claro, parceria industrial forte e demanda de mercado robusta, os próximos anos podem ver a Índia emergir como um dos mercados mais importantes da Embraer globalmente.



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