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07 agosto, 2026
Embraer negocia com a IndiGo encomenda bilionária de jatos regionais na Índia
16 junho, 2026
Embraer e Adani definem Dholera como sede da linha de montagem de jatos regionais na Índia
*LRCA Defense Consulting - 16/06/2026
A linha de montagem final (Final Assembly Line), ou FAL, da Embraer na Índia terá sede na Região Especial de Investimento de Dholera (DSIR), em Gujarat. A definição do local, reportada em 16 de junho de 2026 pelo Economic Times, encerra meses de disputa entre dois estados indianos e consolida a aposta da fabricante brasileira no maior mercado emergente de aviação regional do mundo.
Da disputa entre estados à escolha de Gujarat
Desde janeiro de 2026, quando a
Adani Defence & Aerospace e a Embraer assinaram um Memorando de
Entendimento (MoU) para desenvolver um ecossistema integrado de aeronaves de
transporte regional na Índia, dois estados competiam pela FAL: Gujarat, com Dholera,
e Andhra Pradesh, com Bhogapuram. Dholera levou vantagem por reunir atributos
que o projeto exige: um aeroporto internacional greenfield em fase
avançada de desenvolvimento, um parque aeroespacial adjacente e o apoio do
governo federal, que vê a iniciativa como âncora do programa Make in India
no setor aeronáutico.
A DSIR está sendo construída do zero, próxima a Ahmedabad, como cidade industrial inteligente planejada, concebida para abrigar indústrias de alta tecnologia com infraestrutura dedicada. A Embraer abriu seu escritório em Nova Délhi em outubro de 2025, sinalização prévia do aprofundamento da presença da empresa no país.
O E175 como veículo do Make in India
A aeronave prevista para a FAL é
o E175-E1, jato regional de 88 assentos da família E-Jets de primeira geração.
O modelo já opera na Índia pela companhia aérea Star Air e é considerado pela
Embraer o produto mais adequado para o mercado indiano de conectividade
regional, cujo principal vetor de demanda é o programa governamental UDAN (Ude
Desh Ka Aam Naagrik), voltado a conectar cidades de médio porte à malha
aérea nacional a tarifas subsidiadas. O UDAN completa dez anos em operação.
A Embraer possui hoje cerca de 50 aeronaves em operação na Índia, atendendo à Força Aérea Indiana, agências governamentais, operadores de aviação executiva e a Star Air. Os E-Jets iniciaram operações no país em 2005.
Condicionante central: o compromisso das companhias
aéreas
Apesar da definição do local, o
projeto mantém uma condicionante crítica. Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação
Comercial, declarou na semana passada, durante interação com a imprensa na sede
da empresa em São José dos Campos (SP), que a FAL só faz sentido se houver
pedidos de companhias aéreas em paralelo.
“Precisamos obter o compromisso das companhias aéreas, porque não há necessidade de instalar uma linha de montagem se não houver pedidos de companhias aéreas em paralelo”, afirmou Meijer, que também qualificou a Índia como um mercado “complexo do ponto de vista da receita”.
A meta, confirmada pelo CEO Francisco Gomes Neto em março de 2026, é obter pedidos de ao menos 200 aeronaves para viabilizar a operação da FAL até 2028. Detalhes sobre volumes de pedidos já confirmados, estrutura de capital da joint venture e cronograma de obras em Dholera não foram divulgados. Embraer e Adani não comentaram o assunto.
Defesa e aviação comercial: dois eixos da estratégia
indiana da Embraer
O acordo com o Adani Group não
se limita à aviação civil. Em outubro de 2025, as duas empresas firmaram
parceria estratégica para produzir o C-390 Millennium, aeronave militar de
transporte multimissão da Embraer, na Índia. O país está em processo de licitação
para substituir sua frota de transportadores militares, e a Embraer figura
entre os concorrentes.
A fabricante brasileira busca fortalecer presença em todos os segmentos do mercado indiano: aviação comercial, defesa, aviação executiva, serviços e suporte, e mobilidade aérea urbana. A parceria com o Adani Group, conglomerado com presença em infraestrutura aeroportuária, MRO e treinamento de pilotos, oferece à Embraer uma plataforma integrada para essa estratégia.
Contexto: precedente do C295 e prazo realista
A referência mais próxima para o
projeto é a linha de montagem do C295, aeronave de patrulha e transporte da
Airbus, instalada em Vadodara (Gujarat) em parceria com a Tata Advanced Systems
Limited (TASL). O governo indiano assinou o contrato de 56 unidades em setembro
de 2021; a fábrica foi inaugurada em outubro de 2024 e a primeira aeronave
montada no país está prevista para setembro de 2025, quase quatro anos após o
acordo. Analistas do setor projetam cronograma semelhante para a FAL da
Embraer.
Uma linha de montagem final de aeronave comercial de asa fixa seria inédita na Índia e representaria marco relevante para o programa Aatmanirbhar Bharat (Índia Autossuficiente), com potencial de geração de até 5.000 empregos diretos e indiretos, segundo estimativas do setor, além de efeitos de adensamento na cadeia de componentes aeronáuticos, aviônica e materiais compósitos.
22 fevereiro, 2026
Embraer negocia 200 pedidos para instalar fábrica na Índia e entregar jatos em 2028
Fabricante brasileira negocia encomendas com Air India e IndiGo após ter firmado acordo com o Grupo Adani; Dholera, em Gujarat, desponta como
sede da linha de montagem.
*LRCA Defense Consulting - 22/02/2026
A fabricante aeroespacial brasileira Embraer tem uma meta clara para desembarcar definitivamente na Índia com produção local: conseguir pedidos firmes de mais de 200 aeronaves de companhias aéreas indianas. Esse volume é considerado pelo presidente e CEO da empresa, Francisco Gomes Neto, o patamar mínimo para tornar viável a instalação de uma Linha de Montagem Final (FAL, na sigla em inglês) no país para aeronaves comerciais de asa fixa.
"Sendo o mercado de aviação que mais cresce no mundo, a Índia precisará de pelo menos 500 jatos regionais nos próximos anos. Precisamos de um pedido firme de 200 aeronaves para que a FAL seja viável." - Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer
Em sua primeira visita à Índia após a assinatura, no mês passado, de um memorando de entendimento com o Grupo Adani para a instalação da FAL, Gomes Neto detalhou o cronograma ao jornal Times of India: a linha de montagem pode ser erguida em 24 meses após o início das obras, o que, caso os pedidos sejam firmados ainda em 2026, resultaria na entrega dos primeiros jatos em 2028.
Caso o volume de encomendas demore a se materializar, a Embraer avalia uma solução intermediária: um "centro de conclusão", onde aeronaves produzidas no Brasil voariam até a Índia para receber pintura, instalação de assentos e acabamentos internos antes de serem entregues aos operadores locais.
Números-chave do projeto
- 200 pedidos firmes necessários para viabilizar a FAL
- 24 meses estimados para montar a linha de produção
- Entrega dos primeiros jatos prevista para 2028, se pedidos vierem em 2026
- Aeronave-alvo: E175, de 76 a 88 passageiros
- Mais de 15 fornecedores indianos já na cadeia da Embraer
- Dholera (Gujarat) é o principal candidato para sediar a fábrica
Na pauta das reuniões durante a visita estão os principais grupos da aviação indiana. Gomes Neto se encontrou com executivos da Air India, braço aéreo do Grupo Tata, e tem encontros programados com a IndiGo, maior companhia aérea do país em número de passageiros. O modelo a ser montado localmente é o E175, jato regional com capacidade para 76 a 88 passageiros, voltado a rotas de curta e média distância. Atualmente, oito unidades do E175 operam na Star Air e uma integra a frota da Reliance Industries.
O compromisso com o programa "Make in India" do governo Modi vai além da montagem. A Embraer trabalha há cerca de um ano e meio na construção de uma base de fornecedores locais para abastecer inclusive as fábricas no Brasil. Recentemente, foi assinado um memorando com a Hindalco para explorar oportunidades na fabricação de alumínio aeronáutico. No segmento de defesa, a empresa também monitora o programa da Força Aérea Indiana para aeronaves de transporte médio, no qual pretende oferecer o cargueiro militar C-390 Millennium, incluindo capacidade de manutenção, reparo e revisão (MRO) no país caso seja selecionada.
Até hoje, a Embraer mantém linhas de montagem final apenas no Brasil, onde produz aeronaves comerciais e de defesa, e nos Estados Unidos, exclusivamente para jatos executivos, além de fabricar alguns componentes em Portugal. A Índia seria, portanto, sua primeira plataforma de produção comercial fora do continente americano. "Estamos vindo para a Índia principalmente para atender o mercado indiano. Uma vez estabelecidos aqui, buscaremos atender também mercados próximos a partir da Índia", afirmou o CEO.
21 fevereiro, 2026
Embraer e Adani firmam acordo histórico para montar aeronaves na Índia
Parceria prevê linha de montagem final do E175 no país
asiático, com aumento progressivo de conteúdo local, e pode inaugurar o
primeiro polo de montagem comercial de aeronaves da Índia
*LRCA Defense Consulting - 21/02/2026
O acordo foi assinado na presença do presidente brasileiro e do ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, e marca um passo estratégico tanto para a Embraer quanto para o programa Aatmanirbhar Bharat (“Índia Autossuficiente”), política do governo indiano voltada à industrialização e à redução da dependência de importações em setores estratégicos. Esse avanço aprofunda o MoU inicial de janeiro de 2026 e se insere em um plano mais amplo para desenvolver o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA), além de reforçar o estreitamento das relações estratégicas entre os dois países.
Um ecossistema, não apenas uma fábrica
Diferente de acordos convencionais de montagem, a parceria Embraer–Adani foi desenhada com escopo ampliado. A proposta vai além da FAL e contempla o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores local, serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de pilotos e técnicos e suporte de longo prazo às aeronaves entregues.
As duas empresas já trabalham em conjunto para avançar em todos os aspectos do MoU, incluindo oportunidades na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços pós-venda, treinamento de pilotos e obtenção de encomendas que sustentem a operação da futura linha de montagem.
“A aviação regional é um dos pilares da expansão econômica. Com iniciativas como o programa UDAN ampliando a conectividade aérea nas cidades de médio e pequeno porte, é essencial fortalecer a aviação regional no país”, afirmou Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. “Essa parceria também reforça as relações estratégicas entre Índia e Brasil, com a sinergia entre capacidades complementares dos dois países.”
“Estamos estruturando o segmento de jatos regionais na Índia. Esse é um passo importante rumo a uma aviação autossuficiente, capaz de reduzir as distâncias entre áreas urbanas e rurais, gerar empregos de alta qualificação e fortalecer a posição do país na indústria aeroespacial global”, declarou Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace.
Do lado brasileiro, o presidente e CEO de Aviação Comercial da Embraer, Arjan Meijer, ressaltou a importância estratégica do mercado indiano: “A Índia é um mercado central para a Embraer, e esta parceria combina nossa expertise aeroespacial com as robustas capacidades industriais da Adani e seu compromisso com a indigenização. Juntos, avaliaremos as soluções mais viáveis e eficientes para apoiar as ambições da Índia no transporte aéreo regional.”
“O E175 tem um histórico reconhecido de operação em rotas regionais de alta frequência em diversos mercados, e a Índia é um dos principais países em expansão nesse segmento”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. “Esta assinatura representa um marco importante para a parceria, à medida que seguimos trabalhando em todos os aspectos relacionados à implantação da linha de montagem final no país, incluindo a obtenção de encomendas.”
O papel do E175 no mercado indiano
Com capacidade para até 88 passageiros, o E175 é particularmente adequado para atender mercados pouco explorados em cidades de pequeno e médio porte na Índia, hoje subatendidas por aeronaves maiores. O modelo pode viabilizar novas rotas, ampliar a conectividade, assegurar operações confiáveis e acelerar a expansão da aviação regional, oferecendo uma solução comprovada e eficiente para o RTA, em linha com os objetivos do programa UDAN de levar o transporte aéreo a um número maior de cidades de segundo e terceiro escalão.
Embraer já tem raízes na Índia
A Embraer opera hoje com quase 50 aeronaves e 11 modelos diferentes na Índia, distribuídos entre aviação comercial, de defesa e executiva. A Força Aérea Indiana utiliza o Legacy 600 e o Netra AEW&C, baseado na plataforma ERJ145, enquanto a Star Air mantém uma frota totalmente composta por jatos Embraer, incluindo E175 e ERJ145 em rotas regionais que, em grande parte, se enquadram na malha do programa UDAN.
Esse histórico consolida a confiança institucional e operacional necessária para um projeto dessa magnitude, e é justamente sobre essa base estabelecida que a nova parceria pretende crescer.
Make in India e aviação regional
A parceria se alinha diretamente às diretrizes de Aatmanirbhar Bharat e ao programa Make in India, que buscam construir capacidades industriais domésticas em setores estratégicos, incluindo defesa e aeroespacial. No setor aeronáutico, o crescimento acelerado da demanda por viagens domésticas e a necessidade de conectar cidades de segundo e terceiro escalão criam um ambiente propício para aeronaves regionais como o E175.
Jeet Adani enquadrou o acordo como um movimento que vai além da dimensão industrial, ao unir capacidades complementares de Índia e Brasil em torno de uma mesma agenda de autossuficiência tecnológica e fortalecimento da conectividade aérea interna.
Detalhes ainda a definir, mas o sinal é claro
O MoU não especificou ainda o local da futura instalação, os volumes de produção previstos nem um cronograma definitivo. Segundo Jeet Adani, esses detalhes serão revelados nos próximos meses, mas o trabalho de seleção do local já foi iniciado em paralelo às negociações sobre a estrutura societária do empreendimento; a Embraer busca uma participação igualitária no projeto.
O anúncio definitivo das condições do investimento era esperado durante a visita do presidente brasileiro à Índia, que está ocorrendo agora, o que reforça a dimensão diplomática do acordo entre os dois países emergentes.
Um clube seleto de países
Se o projeto avançar conforme planejado, a Índia ingressará em um grupo restrito de nações com capacidade de montagem final de aeronaves comerciais, ao lado de Brasil, Estados Unidos, Canadá, França e China. O feito sinalizaria uma transformação estrutural na posição do país nas cadeias globais de valor da indústria aeroespacial.
Para a Embraer, o acordo representa mais um passo em sua estratégia de internacionalização da produção, que já conta com unidades industriais nos Estados Unidos e em Portugal, além dos polos de São José dos Campos, Gavião Peixoto, Botucatu e Taubaté, no Brasil.
Sobre a Adani Defence & Aerospace
A Adani Defence & Aerospace, parte do Grupo Adani, é considerada a maior empresa privada integrada de defesa e aeroespacial da Índia, atuando no desenvolvimento de capacidades estratégicas nos domínios terrestre, aéreo e marítimo. A companhia se dedica ao projeto, desenvolvimento, fabricação e sustentação de uma ampla variedade de plataformas e sistemas de defesa e aeroespaciais, incluindo soluções de vigilância aerotransportada e AEW&C, sistemas não tripulados, armamentos e munições, guerra eletrônica, aviônicos e tecnologias avançadas de munições.
Com foco em sustentação ao longo do ciclo de vida, serviços de MRO e treinamento aeronáutico, a Adani Defence vem desenvolvendo um ecossistema industrial de defesa robusto por meio de parcerias estratégicas com empresas globais, start-ups e MPMEs. Alinhada à visão Aatmanirbhar Bharat, a companhia reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de capacidades de longo prazo, a prontidão operacional e o fortalecimento da segurança nacional da Índia.
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