Fabricante
brasileira discute venda de dezenas de aeronaves da família E2 para substituir
frota de turboélices ATR da maior companhia aérea indiana; negociações estão em
estágio inicial e podem aproximar a Embraer da instalação de uma linha de
montagem no país
*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026
A InterGlobe Aviation Ltd., controladora da IndiGo, maior companhia
aérea da Índia, está em negociações com a Embraer sobre uma possível encomenda
de grande porte de jatos regionais, segundo pessoas com conhecimento do assunto
ouvidas pela Bloomberg. As fontes, que pediram para não ser
identificadas em razão do caráter confidencial da informação, afirmaram que a
IndiGo avalia a compra de dezenas de aeronaves da família E2 da fabricante
brasileira.
De acordo com o levantamento, o objetivo da companhia aérea indiana é
duplo: substituir a frota de 46 turboélices ATR atualmente em operação e, ao
mesmo tempo, ampliar a capacidade de transporte em rotas regionais. As
conversas ainda estão em fase preliminar, e as fontes ressalvaram que não há
garantia de que um pedido será efetivamente fechado.
Valor bilionário
e maior pedido já negociado na Índia
Um eventual acordo pode ser avaliado em bilhões de dólares, considerando
o preço de tabela antes da aplicação dos descontos habituais do setor. Segundo
a Bloomberg, seria o maior pedido já negociado pela Embraer na Índia e
aproximaria a fabricante brasileira da instalação de uma linha completa de
montagem de aeronaves no país. O presidente-executivo da Embraer, Francisco
Gomes Neto, já havia declarado publicamente que a empresa precisa reunir
encomendas para pelo menos 200 jatos regionais antes de considerar viável essa
unidade fabril indiana.
Procuradas pela reportagem original, a IndiGo e a Embraer não
responderam de imediato a pedidos de comentário enviados por e-mail.
Mercado indiano
em expansão
A Índia é hoje o terceiro maior mercado de viagens aéreas do mundo e
segue em rápida expansão, segundo dados da IATA (Associação Internacional de
Transporte Aéreo). Apesar disso, o país ainda não conta com montagem comercial
de aeronaves em solo indiano, o que mantém o setor dependente de fabricantes
estrangeiros. IndiGo e Air India Ltd. concentram algumas das maiores encomendas
do mundo para jatos da Airbus e da Boeing. A própria IndiGo fechou, em junho de
2023, um pedido recorde de 500 aeronaves da família A320 junto à fabricante
europeia, reforçando seu perfil histórico de cliente da Airbus.
Segundo dados da própria companhia relativos a março deste ano, a frota
da IndiGo é composta por 441 aeronaves, das quais 46 são turboélices regionais
ATR. A companhia aérea ainda tem cerca de 900 aeronaves com entrega prevista
para a próxima década, o que torna um eventual pedido à Embraer uma mudança
significativa em relação ao padrão de compras da empresa.
Parceria com o
grupo Adani e ambição de manufatura local
A Embraer já firmou parceria com o conglomerado do bilionário Gautam
Adani para viabilizar a produção de aeronaves em território indiano, iniciativa
que se soma ao plano do governo de Narendra Modi de transformar o país em polo
global de manufatura aeronáutica. A fabricante brasileira também abriu
escritório em Nova Délhi, em outubro do ano passado, movimento que reforçou
suas ambições comerciais no mercado indiano.
A linha de montagem final planejada pela Embraer em parceria com a Adani
Defence & Aerospace terá sede na Região Especial de Investimento de Dholera
(DSIR), em Gujarat, e deve produzir o E175-E1, jato regional de 88 assentos da
primeira geração da família E-Jets, a partir de 2028. O modelo negociado com a
IndiGo, no entanto, integra a família E2, de segunda geração, o que indica que
a fabricante brasileira trabalha simultaneamente em diferentes frentes
comerciais no país: pedidos de aeronaves E2 para atender operadoras já
estabelecidas e o projeto de manufatura local voltado ao E175-E1.
Outras companhias
indianas na mira da Embraer
As tratativas com a IndiGo se somam a outras negociações já em curso da
Embraer no país. A fabricante mantém conversas com a Star Air, maior companhia
aérea regional da Índia, para a venda de até 20 aeronaves, negócio avaliado em
cerca de US$ 1 bilhão. A Alliance Air, operadora regional estatal, também
discute preliminarmente com a Embraer a renovação de sua frota de turboélices,
em meio a problemas recorrentes enfrentados com os ATR 72.
A própria IndiGo já vinha sendo apontada, desde o fim de 2025, como uma
das companhias em avaliação de um pedido regional de até 100 aeronaves, cujas
opções incluíam o ATR 72, o A220 da Airbus e o E175 da Embraer. A confirmação,
agora, de negociações específicas para jatos E2 indica um avanço nessas
tratativas, ainda que sem fechamento de contrato.
Próximos passos
Caso as negociações avancem e se traduzam em pedido firme, o acordo
representaria um marco para a presença da Embraer na aviação comercial indiana,
hoje modesta se comparada à de mercados como China e Japão. A confirmação de um
contrato com a IndiGo também poderia contribuir para que a fabricante
brasileira atingisse o patamar de encomendas necessário para viabilizar sua
planejada unidade de manufatura no País, ainda que a métrica de 200 unidades
citada pela Embraer se refira especificamente ao programa E175-E1 destinado à
linha de Dholera.
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