Projeto liderado pela empresa portuguesa Critical Software, em parceria com a sueca Saab, aposta em inteligência artificial para reduzir carga do piloto e ampliar capacidade de combate
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| Imagem meramente representativa |
*LRCA Defense Consulting - 01/05/2026
A empresa portuguesa Critical Software está desenvolvendo um avançado simulador de voo baseado em inteligência artificial que poderá mudar significativamente a forma como pilotos de caça operam aeronaves modernas. O sistema, ainda em desenvolvimento, tem como objetivo final viabilizar um “copiloto digital” para o Saab JAS 39 Gripen E, um dos caças mais avançados atualmente em operação.
A iniciativa ocorre em cooperação com a fabricante sueca Saab e integra um esforço mais amplo de evolução tecnológica do Gripen, cuja arquitetura já foi concebida para priorizar software, conectividade e atualizações contínuas.
Um simulador que vai além do treinamento
Diferentemente dos simuladores tradicionais, voltados apenas à formação de
pilotos, o sistema em desenvolvimento tem dupla função: treinar operadores
humanos e, principalmente, desenvolver algoritmos de inteligência artificial
capazes de atuar em cenários de combate aéreo.
Na prática, o ambiente virtual permite a criação de milhares de situações táticas, incluindo combates complexos e cenários extremos, nas quais agentes de IA podem aprender, errar e evoluir sem qualquer risco real. Esse processo é essencial para amadurecer sistemas autônomos antes de sua aplicação em aeronaves operacionais.
O conceito de “copiloto digital”
O objetivo central do projeto é incorporar ao Gripen E um assistente
inteligente capaz de atuar como um verdadeiro copiloto virtual. Esse sistema
não substituiria o piloto humano, mas funcionaria como um amplificador de suas
capacidades.
Entre as funções esperadas estão:
- Apoio à tomada de decisão em combate
- Sugestão de manobras táticas em tempo real
- Gerenciamento de sensores e fusão de dados
- Identificação e priorização de ameaças
- Assistência no emprego de armamentos
A proposta é reduzir significativamente a carga cognitiva do piloto, permitindo que ele se concentre nos aspectos mais críticos da missão.
Testes já avançam para o mundo real
Embora o simulador da Critical Software ainda não esteja concluído, a base
conceitual do projeto já começa a se materializar em testes práticos conduzidos
pela Saab.
Em experiências recentes, sistemas de inteligência artificial foram embarcados em voos reais do Gripen E, demonstrando capacidade de executar manobras e auxiliar o piloto em decisões de combate. Esses testes indicam que a transição do ambiente virtual para a operação real está em curso, ainda que de forma gradual e controlada.
Portugal ganha espaço na indústria de defesa
O envolvimento da Critical Software reforça o papel de Portugal na cadeia
global de defesa, especialmente no segmento de software crítico. A empresa já
possui histórico em setores como aeroespacial, energia e sistemas de missão
crítica, e agora amplia sua atuação para soluções de inteligência artificial
aplicadas ao combate aéreo.
Esse movimento acompanha uma tendência global: o valor estratégico dos sistemas militares está migrando do hardware para o software, especialmente para algoritmos capazes de processar grandes volumes de dados e tomar decisões em tempo real.
Uma nova era no combate aéreo
O desenvolvimento de um copiloto baseado em IA sinaliza uma transformação
mais ampla na aviação de combate. Em vez de operar isoladamente, o piloto passa
a dividir o cockpit com uma inteligência artificial capaz de analisar cenários
complexos em frações de segundo.
Especialistas apontam que essa integração pode redefinir o conceito de superioridade aérea, tornando a capacidade de processamento e decisão tão importante quanto velocidade, alcance ou poder de fogo.
Se bem-sucedido, o projeto liderado pela Critical Software e pela Saab poderá colocar o Gripen E entre os primeiros caças do mundo a operar com um verdadeiro “copiloto digital”, um passo decisivo rumo à próxima geração de sistemas de combate aéreo.

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