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25 junho, 2026

Sistema FIERGS e Abimde mobilizam setor de defesa e segurança para fortalecer indústria nacional

Encontro em Porto Alegre reúne lideranças empresariais e Forças Armadas para discutir soberania tecnológica, ampliação de fornecedores nacionais e entraves do Termo de Licitação Especial 

Foto: Lucas Machado

*LRCA Defense Consulting - 25/06/2026

O Sistema FIERGS, por meio do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança (Comdefesa), e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) reuniram, nesta quarta-feira (24), líderes empresariais do setor e autoridades das Forças Armadas na sede da AEL Sistemas, em Porto Alegre. O encontro debateu oportunidades e desafios da indústria de defesa e segurança no país, com destaque para a manutenção da soberania nacional, o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da base industrial brasileira (BID).

Entre os temas tratados estiveram a ampliação da participação de fornecedores nacionais em contratos públicos e os mecanismos para estimular o crescimento da cadeia produtiva. O vice-coordenador do Comdefesa, Guilherme Cunha, destacou a capacidade tecnológica das empresas gaúchas: “temos uma diversidade de equipamentos semelhante à de São Paulo. Produzimos aeronaves, microssatélites, sistemas eletrônicos e aviônicos, entre outros produtos”, afirmou. Segundo Cunha, o cenário geopolítico internacional reforça a relevância do setor: “precisamos garantir soberania e autonomia tecnológica. Além disso, a indústria de defesa impulsiona o desenvolvimento. Muitas das tecnologias criadas para aplicações militares acabam sendo incorporadas ao uso civil e beneficiam toda a sociedade”, destacou.

Para ampliar a participação de pequenas e médias empresas na cadeia produtiva, Cunha defendeu processos mais transparentes e acessíveis. Ele também ressaltou a importância de ampliar o uso de soluções nacionais por órgãos ligados à defesa, segurança pública e proteção civil, como polícias, bombeiros e Defesa Civil.

Outro assunto debatido foi o Termo de Licitação Especial (TLE), instrumento criado pelo Decreto nº 7.970/2013 para regulamentar a Lei nº 12.598/2012, que estabelece regras especiais para as compras, contratações e o desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa. O mecanismo permite que licitações sejam destinadas exclusivamente a produtos ou sistemas de defesa produzidos ou desenvolvidos no Brasil, ou que utilizem insumos nacionais, prevendo contrapartidas como transferência de tecnologia e garantia de continuidade produtiva. Em Porto Alegre, os participantes apontaram que a falta de informação sobre o instrumento e a morosidade dos processos têm dificultado sua aplicação, inclusive por órgãos públicos, reduzindo o interesse das empresas em aderir ao mecanismo.

A plenária contou com a presença do deputado estadual Gustavo Victorino, presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Indústria da Defesa e Segurança. O parlamentar defendeu a construção de soluções em conjunto com o setor produtivo: “conhecemos os desafios e precisamos avançar na busca por alternativas. Por meio da Frente Parlamentar, já conseguimos trazer seis carros anfíbios modelo Urutu para o Rio Grande do Sul. Também é importante ampliar o conceito de indústria de defesa e segurança. Temos empresas capazes de produzir alimentos desidratados, por exemplo, fundamentais para ações de Defesa Civil em emergência. Elas também devem fazer parte do escopo de indústria da defesa”, afirmou.

O diretor-executivo da Abimde, tenente-brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso, acrescentou que o Brasil possui empresas altamente capacitadas para atender às demandas nacionais de defesa e segurança. Segundo ele, o desafio está em fortalecer a articulação entre a indústria e os órgãos contratantes, ampliando as oportunidades para fornecedores brasileiros.

Visita técnica
Além da reunião, os representantes da indústria participaram de uma visita guiada às instalações da AEL Sistemas. O Diretor de Negócios da empresa, José Eduardo Klippel, apresentou os processos de fabricação e integração de equipamentos eletrônicos utilizados na aviação e em aplicações de defesa, além de demonstrar como as tecnologias desenvolvidas em Porto Alegre são empregadas por clientes no Brasil e no exterior. “temos um capital humano excelente no Rio Grande do Sul e 50% da nossa equipe já teve experiência no exterior, o que nos ajuda a trocar conhecimentos e nos posicionarmos no cenário global”, afirmou.

Fundada em 1982 em Porto Alegre, a AEL Sistemas é uma das principais empresas brasileiras de tecnologia para os setores de defesa e aeroespacial. Credenciada como empresa estratégica de defesa (EED), desenvolve e integra sistemas eletrônicos avançados para aeronaves, veículos e plataformas militares, entre eles sistemas aviônicos, computadores de missão, displays multifuncionais, sistemas de comunicação e soluções de comando e controle. A empresa participa de programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o caça Gripen, o cargueiro C-390 Millennium e a modernização de aeronaves militares, além de exportar tecnologia para diversos países. Desde 2001, a AEL integra o grupo israelense Elbit Systems, que detém 75% do capital da companhia; os 25% restantes pertencem à Embraer Defesa e Segurança.

O encontro em Porto Alegre se insere em um movimento mais amplo de discussão sobre instrumentos de fomento à BID. Em novembro de 2025, o Ministério da Defesa e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já haviam promovido, em Brasília, o primeiro seminário dedicado especificamente ao TLE, no qual representantes do governo e da indústria defenderam o instrumento como ferramenta de soberania tecnológica e de redução da dependência de fornecedores estrangeiros, ainda que sua adoção mais ampla continue dependendo de maior divulgação e de agilidade nos trâmites internos dos órgãos contratantes.

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