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26 junho, 2026

Link-BR2: tecnologia nacional consolida interoperabilidade entre as Forças Armadas


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LRCA Defense Consulting - 26/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou, em 25 de junho, um balanço sobre o emprego do Link-BR2 durante operações conjuntas recentes, reforçando o papel do sistema nacional de enlace de dados na construção de uma arquitetura de comando e controle mais integrada entre Marinha, Exército e Aeronáutica. Segundo a Agência Força Aérea, a tecnologia permite o compartilhamento seguro e instantâneo de informações entre aeronaves, radares, sensores e centros de comando, formando uma visão operacional comum e reduzindo o tempo de análise e decisão em cenários de alta complexidade.

Uma rede que substitui o rádio convencional
O Coronel Aviador da Reserva Fernando Mauro Medardoni, responsável pelo projeto na AEL Sistemas, empresa desenvolvedora da plataforma, recorre a uma analogia para explicar o funcionamento do sistema. “O Link-BR2 pode ser entendido como uma grande rede de dados que conecta os principais atores no cenário tático de forma segura e eficaz. É como se estivéssemos levando a lógica da internet para o ambiente operacional militar”, afirma. Na prática, dados como posição de meios aéreos e informações de sensores passam a ser distribuídos em rede, em vez de transmitidos isoladamente por voz, o que, segundo o oficial, transforma informações de valor limitado em uma visão ampliada e coordenada do cenário.

Da entrada em operação ao caça Gripen
O Link-BR2 é desenvolvido pela AEL Sistemas (em parceria com a Mectron Communication) e está em operação desde 2020, integrado inicialmente aos caças F-5M. Em outubro de 2024, o programa concluiu uma etapa de testes em que, pela primeira vez, os voos contaram com soluções embarcadas de criptografia e cibersegurança desenvolvidas pela Kryptus, etapa apontada como crucial para a certificação final do sistema.

Mais recentemente, entre os dias 22 e 24 de julho de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) sediou, no Laboratório de Guerra Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um workshop dedicado à integração do Link-BR2 ao caça F-39 Gripen, reunindo militares da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), do Comando de Preparo (Comprep), do 1º Grupo de Defesa Aérea e do próprio DCTA. Para o Coronel Romulo Silva de Oliveira, representante da Copac, o encontro foi decisivo para o progresso operacional da Força; já o Coronel George Luiz Guedes de Oliveira, gerente técnico do projeto F-X2, destacou o Link-BR2 como uma das principais ferramentas de conectividade e consciência situacional da FAB.

O sistema integra ainda um conjunto mais amplo de programas sensíveis de comando e controle conduzidos pela AEL Sistemas para o Ministério da Defesa, entre eles o Sterna, o SIC3MB e o RDS-Defesa, este último voltado ao rádio definido por software para interoperabilidade entre as três Forças.

Exportação e dependência tecnológica: duas faces da mesma moeda
A maturidade alcançada pelo Link-BR2 já repercute fora do país. Durante a feira aeroespacial chilena FIDAE 2026, em abril, a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil) firmou memorando de entendimento com a AEL Sistemas para ampliar a atuação conjunta em exportações governamentais (no modelo G2G), colocando o Link-BR2, ao lado do WAD (Wide Area Display) do Gripen, no radar de potenciais parceiros internacionais.

Esse avanço, contudo, convive com um ponto de atenção identificado por analistas do setor: a AEL Sistemas é subsidiária da israelense Elbit Systems no Brasil. Um eventual veto político brasileiro à aquisição de produtos e serviços de empresas israelenses, hipótese discutida em análises do setor de defesa ao longo de 2025, poderia, em tese, afetar a continuidade de programas que dependem da AEL, entre eles o próprio Link-BR2, o Sisfron e a suíte aviônica do F-39 Gripen. Trata-se, até o momento, de um risco hipotético, sem decisão de governo confirmada, mas que ilustra a sensibilidade estratégica da cadeia de fornecimento por trás de um sistema apresentado como símbolo de soberania tecnológica nacional.

 

Escudo-Tínia 2026: a vitrine do combate em rede
O emprego mais recente do Link-BR2 ocorreu durante o Exercício Conjunto (Excon) Escudo-Tínia 2026, realizado de 11 a 29 de maio na Base Aérea de Anápolis (BAAN), pela primeira vez fora do Rio Grande do Sul, sede tradicional do treinamento. A edição reuniu mais de 40 aeronaves (entre elas F-39 Gripen, F-5M, A-29 Super Tucano, A-1M, E-99, KC-390 Millennium e C-105 Amazonas), cerca de 2.000 militares e quase 1.000 horas de voo, com meios da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da FAB.

Em visita operacional à BAAN no dia 20 de maio, oficiais-generais das três Forças destacaram o papel do sistema na integração alcançada durante o exercício. “O grande sucesso desse exercício conjunto é reunir as Forças Armadas em torno de sistemas integrados, como o Link-BR2. Com todas as Forças conectadas, conseguimos ampliar a interoperabilidade e a capacidade de atuação conjunta”, afirmou um dos oficiais-generais presentes. O Major-Brigadeiro do Ar Ramiro Kirsch Pinheiro, Vice-Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, reforçou que o exercício permite treinar a proteção do espaço aéreo nacional de forma integrada entre meios aéreos, sistemas de defesa antiaérea e estruturas de operações especiais das três Forças.

O conjunto dos episódios recentes, do workshop de integração ao Gripen à validação em ambiente operacional no Escudo-Tínia, indica que o Link-BR2 deixou de ser um projeto em fase de maturação para se consolidar como peça central da arquitetura de comando e controle das Forças Armadas brasileiras, com efeitos que já transbordam para a política de exportação da base industrial de defesa nacional.

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