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04 julho, 2026

ALADA e INNOSPACE assinam contrato para primeiro voo de teste do foguete Sebit em Alcântara

Primeiro contrato de lançamento comercial firmado pela estatal brasileira prevê voo suborbital de validação de desempenho, prontidão operacional e confiabilidade da missão, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no segundo semestre deste ano 


*LRCA Defense Consulting - 04/07/2026

A ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.), estatal brasileira responsável pela exploração comercial dos centros de lançamento do país, e a INNOSPACE, empresa sul-coreana de serviços de lançamento de satélites, anunciaram nas redes sociais a assinatura de um contrato de lançamento para o primeiro voo de teste do foguete suborbital multipropósito Sebit, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Trata-se do primeiro contrato de lançamento comercial firmado pela ALADA desde que a empresa foi autorizada, em maio deste ano, a comercializar diretamente os centros de lançamento do Comando da Aeronáutica.

O contrato e a missão de teste
Pelos termos do acordo, a INNOSPACE planeja realizar o primeiro voo de teste do Sebit ainda no segundo semestre de 2026. A missão foi concebida para validar o desempenho de voo do foguete, sua prontidão operacional e a confiabilidade da missão, além de gerar dados essenciais para o aprimoramento do veículo e de seu modelo de serviço. Com base nos resultados, a empresa sul-coreana pretende reforçar a confiabilidade do Sebit e expandir seus serviços suborbitais de teste e verificação a instituições de pesquisa e clientes comerciais, ampliando o portfólio que hoje é centrado na família de lançadores orbitais Hanbit.

O foguete Sebit
Apresentado publicamente pela INNOSPACE em março deste ano, o Sebit é um veículo suborbital multipropósito voltado a testes de carga útil, verificação de tecnologias e missões de pesquisa, voando próximo ao limite do espaço sem entrar em órbita terrestre. O foguete é equipado com um motor híbrido de classe três toneladas e alcança altitudes superiores a 50 quilômetros, o que permite simular ambientes de microgravidade, realizar testes funcionais de componentes espaciais e demonstrar tecnologias em condições de voo de alta altitude e alta velocidade. Um sistema integrado de telemetria acompanha o voo em tempo real, transmitindo dados sobre a posição do veículo e o status da carga útil.

A INNOSPACE no Brasil
A relação da INNOSPACE com o CLA remonta a 2022, quando a empresa foi selecionada, em edital da Agência Espacial Brasileira (AEB) lançado em 2020, para operar a partir da base maranhense, assinando contrato à época com o Comando da Aeronáutica. Em março de 2023, a empresa lançou com sucesso o Hanbit-TLV, protótipo suborbital de estágio único que validou sistemas de propulsão, controle e estrutura posteriormente incorporados ao Hanbit-Nano. Em dezembro de 2025, porém, a tentativa de colocar o Hanbit-Nano em órbita, o que marcaria o primeiro lançamento orbital realizado a partir de território brasileiro por uma empresa privada internacional, terminou em anomalia de voo pouco depois da decolagem. O contrato do Sebit chega, assim, como um novo voo suborbital de validação, em linha com a trajetória de testes incrementais que a empresa sul-coreana já vinha adotando em Alcântara.

A ALADA e o mercado comercial de Alcântara
O acordo com a INNOSPACE se insere em uma sequência de atos que consolidaram o papel comercial da ALADA. Em novembro de 2025, a estatal assinou Acordo de Cooperação Técnica com o Comando da Aeronáutica (COMAER) e a AEB; em fevereiro de 2026, fechou seu primeiro contrato administrativo, relativo ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em parceria com a agência espacial francesa CNES; e, em maio, recebeu do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) a autorização para comercializar diretamente tanto o CLA quanto o CLBI junto a operadores privados nacionais e internacionais. Diferentemente dos contratos anteriores da INNOSPACE com a Força Aérea, restritos ao preço de custo por vedação legal ao lucro da União, os novos contratos sob gestão da ALADA permitem a cobrança de preços de mercado, com a receita revertida ao Programa Espacial Brasileiro e à modernização da infraestrutura dos centros de lançamento.

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