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10 outubro, 2026

Tecnologia brasileira de navegação será testada em foguete orbital indiano

Contrato entre Concert Technologies e Skyroot Aerospace prevê novo ensaio do SNI-GNSS no Vikram I, ampliando a validação de um sistema desenvolvido para o Microlançador Brasileiro



*LRCA Defense Consulting - 10/10/2026

A Concert Technologies anunciou nesta sexta-feira (9) a assinatura de um contrato com a indiana Skyroot Aerospace para testar o Sistema de Navegação Inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS) no próximo voo do foguete Vikram I. O instrumento foi firmado durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), realizado em Antalya, na Turquia, por Rafael Mordente, CEO da Concert Space. A data do lançamento e as condições contratuais não foram divulgadas.

A notícia representa um avanço distinto do Memorando de Entendimento (MoU) assinado pelas mesmas empresas em 7 de outubro, destinado a estudar o codesenvolvimento de um lançador orbital com capacidade de carga útil a partir de 100 kg. Enquanto aquele documento estabelece uma perspectiva de cooperação futura, o novo contrato prevê uma atividade específica de ensaio em voo. Não foram informados valores, cronograma de integração nem eventual compromisso de fornecimento posterior.

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil 

O SNI-GNSS foi desenvolvido pela Concert em parceria com a HORUSEYE TECH e a CRON Sistemas e Tecnologias, mediante encomenda tecnológica da Agência Espacial Brasileira (AEB). Concebido para integrar os sistemas de navegação e controle do Microlançador Brasileiro (MLBR), combina sensores inerciais, como acelerômetros e giroscópios, com sinais de sistemas globais de navegação por satélite (GNSS). O conjunto estima posição, velocidade e orientação do veículo, inclusive durante períodos em que os sinais externos não estejam disponíveis.

A Concert é responsável por outros componentes do MLBR, entre eles o computador de missão e módulos eletrônicos associados ao controle do veículo. O programa reúne diferentes empresas nacionais e busca desenvolver capacidade brasileira de lançamento de pequenos satélites. A nova cooperação oferece a possibilidade de ampliar a experiência operacional de uma tecnologia originalmente concebida para esse projeto. 


Do HANBIT-Nano ao Vikram I 

O SNI-GNSS já passou por ensaios em aeronave e participou, em dezembro de 2025, do voo do foguete HANBIT-Nano, da sul-coreana INNOSPACE, lançado de Alcântara, no Maranhão. Segundo informações divulgadas sobre a análise posterior, o equipamento funcionou conforme o esperado desde a energização, aproximadamente meia hora antes da decolagem, até a perda de sinal cerca de 33 segundos após o lançamento.

O voo do HANBIT-Nano foi interrompido prematuramente por um problema de propulsão. Assim, os dados coletados permitiram avaliar o comportamento de sensores, algoritmos e resistência às condições experimentadas, mas não equivalem à demonstração do desempenho durante uma missão orbital completa. O novo ensaio no Vikram I deverá ampliar essa base de dados, caso o voo e a aquisição de informações ocorram conforme planejado.

A Skyroot apresenta o Vikram I como lançador para pequenos satélites, com capacidade anunciada de até 350 kg para órbita baixa da Terra e até 260 kg para órbita heliossíncrona. A empresa informa ter realizado um lançamento orbital em 2026 e prepara voos posteriores. A postagem da Concert não esclarece se o sistema brasileiro será instalado como experimento independente ou integrado à cadeia operacional de navegação do foguete. Portanto, não é possível afirmar que ele comandará o Vikram I.

Da qualificação à oportunidade industrial 
A realização de ensaios em diferentes plataformas pode fortalecer a chamada herança de voo, isto é, o histórico documentado de funcionamento de um equipamento em condições reais de lançamento. Esse histórico é relevante para futuras decisões de adoção por operadores espaciais, mas não dispensa processos adicionais de qualificação, integração e certificação aplicáveis a cada missão.

O contrato também aproxima, de forma prática, a indústria espacial brasileira da indiana. No dia 7, Concert e Skyroot anunciaram um MoU com vigência prevista de dois anos para estudar um lançador intermediário entre o MLBR e os veículos maiores da família Vikram. O documento contempla avaliações técnicas e comerciais, mas a definição do projeto, os investimentos e eventuais contratos de desenvolvimento ainda dependem de decisões posteriores.

Os dois anúncios são complementares, porém independentes em seus compromissos divulgados: o ensaio do SNI-GNSS tem objeto técnico definido, enquanto o novo lançador permanece em fase de estudos. Também não há confirmação de que o equipamento brasileiro será selecionado para a futura plataforma conjunta, nem de que essa plataforma utilizará Alcântara. No entanto, representa um passo importante em direção a esse objetivo.

Para o Brasil, a relevância imediata está na oportunidade de submeter uma tecnologia nacional de navegação a outro ambiente de voo orbital e de demonstrar competências desenvolvidas com participação da AEB. A dimensão comercial dessa conquista dependerá dos resultados efetivamente obtidos e de novos acordos que venham a ser anunciados.

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