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13 maio, 2026

Da pistola ao drone: Taurus acelera virada para o mercado militar e reforça presença civil nos EUA

Reportagem do Financial Times desvenda a estratégia de diversificação da fabricante gaúcha; parceria com maior associação equestre dos Estados Unidos aponta para a outra frente do tabuleiro 


*LRCA Defense Consulting - 13/05/2026

Aos 87 anos de história, a Taurus Armas atravessa uma das transformações mais ambiciosas de sua trajetória. Conhecida mundialmente por pistolas acessíveis voltadas ao consumidor civil, a fabricante gaúcha sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, aposta agora em uma dupla ofensiva: de um lado, uma entrada decisiva no segmento militar global, com drones armados, metralhadoras pesadas e contratos de defesa em mercados emergentes; de outro, o fortalecimento da marca junto ao público civil norte-americano, por meio de parcerias com comunidades de nicho ligadas à cultura do oeste e do tiro esportivo. Dois acontecimentos recentes iluminam essa estratégia e, juntos, compõem um retrato nítido do momento da empresa.

O Financial Times e a virada militar
Em reportagem publicada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, como parte de uma série especial sobre investimentos no Rio Grande do Sul, o Financial Times traçou um panorama detalhado da reorientação estratégica da Taurus. O jornal britânico, uma das mais respeitadas publicações econômicas do mundo, enviou o correspondente Michael Pooler à fábrica de São Leopoldo para entrevistar o diretor executivo Salésio Nuhs e documentar a nova fase da empresa.

A narrativa do FT parte dos altos e baixos recentes. As vendas dispararam nos EUA durante o período da Covid e dos distúrbios civis que lá aconteceram. No mesmo período, durante o governo Jair Bolsonaro, quando as leis de porte de arma foram flexibilizadas, o mercado civil brasileiro cresceu exponencialmente. Tais fatos criaram uma "tempestade perfeita" e fizeram com que a Taurus tivesse o melhor período de sua história.

No entanto, após os momentos críticos nos EUA e com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil, em 2023, as regras foram revertidas e a demanda retraiu. O golpe seguinte veio dos Estados Unidos: as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros em 2025, descritas pelo próprio Nuhs como um "embargo", afetaram um mercado que respondia por três quartos do faturamento da companhia.

O impacto financeiro foi severo. A receita líquida de R$ 1,46 bilhão registrada em 2025 representou pouco mais da metade do pico alcançado em 2021. O lucro líquido caiu 77% em relação ao ano anterior, para R$ 17,7 milhões. As ações da empresa na B3 recuaram quatro quintos desde o auge, resultando em valor de mercado de aproximadamente US$ 140 milhões.

A resposta da empresa foi uma reestruturação operacional e uma aposta agressiva em novos mercados. Para absorver a sobretaxa americana, a Taurus demitiu 400 funcionários na planta de São Leopoldo, cerca de um quinto da força de trabalho local, e transferiu a montagem de algumas pistolas para sua fábrica nos Estados Unidos, em Bainbridge, Geórgia. Mesmo assim, Nuhs afirma ao FT que a empresa manteve a maior margem bruta entre os concorrentes do setor que divulgam seus resultados, e que o pior já ficou para trás: a tarifa foi considerada ilegal pela Justiça americana, abrindo a possibilidade de recuperação retroativa de pagamentos da ordem de US$ 18 milhões.

Mas a mudança mais significativa não é defensiva. É ofensiva. "A principal prioridade para o crescimento da Taurus é completar seu portfólio militar", declarou Nuhs ao jornal. A empresa está desenvolvendo submetralhadoras calibre .50 para uso em veículos blindados e aeronaves, metralhadoras leves em 5,56x45mm e 7,62x51mm, e lança-granadas, além de drones armados em parceria com fornecedores externos. Toda essa linha compõe o chamado Taurus Military Products, apresentado pela primeira vez ao público na LAAD Defence & Security 2025, maior feira de defesa da América Latina, realizada no Rio de Janeiro.

Taurus Military Products

A lógica por trás da virada, segundo o executivo, é o cenário geopolítico atual. "Há um déficit de mais de dez anos para reabastecer os estoques estratégicos de defesa", afirmou Nuhs. O mercado global de armas leves movimentou mais de US$ 41 bilhões em 2023 e projeta atingir US$ 71,5 bilhões até 2032, com o segmento militar respondendo por cerca de 39% desse total, segundo estimativas do setor.

Dois movimentos concretos ilustram a nova fase. Na Índia, a Taurus estabeleceu uma joint venture com a Jindal Defence Systems e, no início de 2026, fechou seus primeiros grandes contratos militares no país, para o fornecimento de 12 mil pistolas 9mm. No front europeu, a empresa negociou a aquisição de participação majoritária na turca Mertsav, fornecedora de fuzis de infantaria e precisão, lançadores de granadas, submetralhadoras e metralhadoras leves e pesada, em uma operação ainda sujeita a diligências.

A participação em feiras internacionais também integra essa estratégia. Em 2025, a Taurus marcou presença na Milipol Paris, em novembro, e na Enforce Tac, em fevereiro de 2026, na Alemanha, onde lançou a pistola TX9 e a submetralhadora RPC (Raging Pistol Carbine). Em abril de 2026, a empresa levou seu portfólio completo à FIDAE, em Santiago, fortalecendo relações com as forças militares e policiais do cone sul, inclusive com os Carabineros do Chile, já clientes da marca.

Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé, think tank de segurança com sede no Brasil, deu ao FT uma avaliação cautelosa sobre a estratégia. Para ele, a aposta na Índia vai além de uma estratégia de exportação: trata-se de produção local, transferência de tecnologia e acesso ao vasto mercado de aquisições de defesa do país, o que a tornaria o "caso de teste mais importante" da empresa. Por outro lado, alertou que muitas das novas oportunidades ainda são memorandos de entendimento ou contratos em fase inicial, longe de representar receitas previsíveis a longo prazo.

O próprio Nuhs reconhece o risco. "O investimento e a tecnologia são mais caros, o tempo de amadurecimento é muito maior e a incerteza é ainda maior porque [a licitação] é binária", disse ele ao jornal. "Ou você ganha ou perde. Mas o retorno é bom."

Imagem: AQHA - American Quarter Horse Association

A parceria com a AQHA e o outro lado do tabuleiro
Enquanto a Taurus Armas avança no tabuleiro militar, sua subsidiária americana, a Taurus Holdings, executa um movimento paralelo e igualmente revelador no mercado civil dos Estados Unidos. A empresa anunciou uma nova parceria com a American Quarter Horse Association (AQHA), a maior organização equestre do mundo, com sede em Amarillo, Texas, e mais de 234 mil membros em dezenas de países.

A AQHA é o registro oficial da raça quarter horse e a principal entidade organizadora de competições e eventos da modalidade nos Estados Unidos, com representação em mais de 80 nações. Sua base de membros é composta em grande parte por proprietários rurais, criadores, vaqueiros e entusiastas da cultura western, um público com forte afinidade histórica com armas de fogo e com a tradição do oeste americano.

A parceria da Taurus Holdings com a AQHA se insere em uma estratégia deliberada de aproximação com comunidades civis que representam o núcleo do consumidor americano de armas de porte. Não é a primeira vez que a subsidiária americana da Taurus busca esse tipo de alinhamento: a empresa figura como principal aliada industrial da NRA (Associação Nacional do Rifle) em sua lista oficial de parceiros, participou da campanha "100K Challenge" de recrutamento de membros e é patrocinadora da Firearms Policy Coalition em nível Platinum.

A associação com a AQHA, porém, tem uma dimensão diferente das parcerias com entidades de defesa da Segunda Emenda. Enquanto estas têm caráter mais político e legal, a parceria com a maior organização equestre do mundo conecta a marca Taurus a um estilo de vida. A AQHA organiza centenas de eventos por ano, do rodeio ao tiro montado (cowboy mounted shooting), e reúne uma comunidade que une o amor aos cavalos à tradição rural e ao uso legítimo de armas de fogo em competições e no campo.

O timing é estratégico. Com as tarifas sobre produtos brasileiros já declaradas ilegais e a produção parcial localizada em solo americano, a Taurus Holdings intensifica seus esforços para consolidar a marca junto ao público norte-americano e explorar o espaço aberto pela retração de concorrentes. A empresa é, segundo o próprio Nuhs, a marca de armas mais importada pelos americanos.

Dois mundos, uma estratégia
As duas notícias parecem, à primeira vista, pertencer a universos distintos: uma grande reportagem sobre contratos militares na imprensa financeira global; um anúncio de parceria com criadores de cavalos no interior do Texas. Mas ambas são peças do mesmo mosaico.

A Taurus enfrenta o desafio de uma empresa que superou os picos conjunturais que a impulsionaram na década passada, tanto no Brasil bolsonarista quanto nos EUA pós-pandemia, e precisa agora construir fundamentos mais sólidos e menos dependentes de ciclos políticos. A diversificação geográfica e de portfólio é a resposta estrutural: por um lado, contratos militares de longo prazo em mercados com demanda crescente; por outro, a fidelização de uma base consumidora civil americana ampla e enraizada culturalmente.

O segmento militar atrai pelo retorno elevado, ainda que os ciclos de maturação sejam longos e os contratos incertos. Em 2025, a empresa mais do que dobrou as receitas oriundas do mercado externo em outros segmentos além dos EUA, alavancada justamente por contratos militares, incluindo fornecimentos de 7,6 mil e 10 mil fuzis a países não identificados. A TX9, projetada segundo padrões militares e policiais com sistema modular e opções de mira com trítio, é o produto-símbolo dessa fase.

O mercado civil americano, por sua vez, segue sendo o maior e mais lucrativo. Mesmo sob tarifas de 50%, a Taurus manteve margens brutas superiores a Smith & Wesson e Sturm Ruger, seus principais concorrentes diretos. Com a normalização tarifária em curso, o potencial de recuperação é significativo. Parcerias como a com a AQHA funcionam como investimento de marca em uma comunidade que, pelo perfil sociográfico, é exatamente o público-alvo da empresa no país.

"Teremos um aumento no consumo e um melhor desempenho", projetou Nuhs ao Financial Times. "Mas não será um boom." A frase resume bem o momento da empresa: pragmática, resiliente e consciente de que a travessia do modelo antigo para o novo ainda não terminou.

Quando uma imagem vale mais que um porta-aviões

Ilustração: LRCA
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 13/05/2026

O novo tabuleiro sul-americano já não é movido apenas por tropas, tratados diplomáticos ou disputas ideológicas tradicionais. Hoje, ele é movimentado por narrativas, influência digital, pressão econômica e demonstrações psicológicas de poder. E talvez seja exatamente isso que parte da nossa região ainda tenha dificuldade de compreender.

Uma simples imagem publicada por uma liderança global pode produzir mais efeitos estratégicos do que semanas de reuniões diplomáticas. A recente postagem sugerindo a incorporação de um país sul-americano aos Estados Unidos não deve ser vista apenas como ironia política ou provocação eleitoral. Ela revela algo maior: as grandes potências voltaram a olhar para a América do Sul com atenção crescente.

E não por acaso, energia, água doce, minerais críticos, biodiversidade, alimentos, terras raras e acesso ao Atlântico Sul transformaram o continente em um ativo estratégico valioso para as próximas décadas.

O norte da América do Sul concentra algumas das maiores reservas energéticas do planeta. A região das Guianas ganhou importância no novo jogo energético mundial. O Brasil reúne capacidade agrícola gigantesca, reservas minerais, matriz energética privilegiada e a maior floresta tropical do mundo. Em um planeta pressionado por disputas energéticas, climáticas e tecnológicas, isso deixa de ser apenas riqueza. Passa a ser interesse estratégico internacional.

E há um detalhe que muitos brasileiros esquecem, o Brasil também faz fronteira com a França. A Guiana Francesa é parte da França e da União Europeia. Na prática, isso significa que o Brasil possui uma fronteira terrestre direta com uma potência nuclear, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e integrante da OTAN. Isso deveria provocar reflexões mais profundas sobre Amazônia, soberania e defesa estratégica.

Nesse cenário, o papel do Brasil torna-se decisivo. Pela dimensão territorial, estabilidade relativa e capacidade econômica, o país é o principal fator de equilíbrio regional. E suas Forças Armadas deixam de ter apenas função convencional de defesa territorial. Passam também a exercer papel de dissuasão, proteção de infraestruturas críticas, presença na Amazônia, defesa cibernética e garantia da soberania nacional em um ambiente cada vez mais híbrido e complexo.

A Amazônia não é apenas patrimônio ambiental. É território estratégico.

O mundo mudou. E mudou rápido. Hoje, influência não se projeta apenas com porta-aviões. Também se projeta através da tecnologia, da informação e da capacidade de moldar narrativas globais.

Um simples post pode testar reações internacionais, pressionar governos e medir fragilidades institucionais. Parece apenas uma imagem. Mas raramente é apenas isso.

A história é pouco gentil com países que ignoram sinais estratégicos. O novo tabuleiro sul-americano já está em movimento. A dúvida é se teremos maturidade para compreender o jogo antes que outros decidam as regras por nós. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

Nota da LRCA: A postagem de Trump com a imagem da Venezuela foi publicada na rede social Truth Social, como pode ser visto na reportagem da CNN Brasil e de outros órgãos. 

De 2023 à guerra de hoje: o recado do Exército ao mercado de defesa

Post do COTER/DF/CAEx sobre o UGV THeMIS chega quando a Força acaba de aprovar política que coloca sistemas não tripulados no centro de sua transformação

UGV THeMIS integrado ao sistema de armas de controle remoto REMAX 4
 

*LRCA Defense Consulting - 13/05/2026

O Comando de Operações Terrestres (COTER), juntamente com a Diretoria de Fabricação (DF) e com o Centro de Avaliações do Exército (CAEx), publicou nas redes sociais, nesta semana, imagens sobre a demonstração do veículo terrestre não tripulado THeMIS, realizada em abril de 2023 no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), na Marambaia (RJ). O evento, promovido pela Milrem Robotics e pelo EDGE Group, apresentou o veículo integrado ao sistema de armas de controle remoto REMAX 4, de tecnologia nacional.

Veículos Terrestres Não Tripulados (UGVs), ou "drones terrestres", são robôs operados remotamente ou autônomos que atuam em solo, essenciais em cenários perigosos. Amplamente usados em 2025 e 2026 para logística, desminagem e evacuação, especialmente na Ucrânia, eles oferecem baixo perfil e riscos reduzidos aos soldados. Podem integrar drones aéreos presos (tethered) para inteligência 360°. 

À primeira vista, a publicação poderia parecer apenas um registro histórico ou um exercício de ufanismo institucional, do tipo “o Exército viu antes de todo mundo”. Mas o contexto em que o post aparece sugere algo mais calculado.

Da prospecção à política formal
Em 9 de abril de 2026, menos de cinco semanas antes da publicação do 
COTER/DF/CAEx, o general Tomás Paiva assinou a Portaria nº 2.662, que aprova a Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031). O documento representa a mais profunda reformulação doutrinária da Força Terrestre nas últimas quatro décadas, segundo analistas especializados.

Entre os pilares centrais da nova política está, precisamente, a “integração de sistemas não tripulados (drones) em diversos escalões”, com emprego previsto em plataformas aéreas, terrestres e marítimas. O documento determina ainda a incorporação acelerada de tecnologias emergentes, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa nacional e a atualização doutrinária para operações multidomínio, os mesmos três eixos que o COTER/DF/CAEx destacaram ao descrever a demonstração de 2023.

Em outras palavras: o que em 2023 era prospecção tecnológica virou, em 2026, orientação estratégica formal.

O intervalo entre a demonstração e o post
O THeMIS já era conhecido do Exército desde pelo menos a LAAD 2023, feira de defesa realizada no Rio de Janeiro em abril daquele ano, quando a Milrem Robotics o apresentou pela primeira vez na América Latina. A demonstração no CAEx ocorreu dias depois, com a presença do general Alexandre Martins Castilho, então chefe do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). O evento foi noticiado na época por portais especializados como o Tecnodefesa.

O THeMIS é um veículo de lagartas com motorização híbrida diesel/elétrica, peso de 1.650 kg e capacidade de carga de até 1.200 kg. Sua arquitetura modular permite configurações para transporte logístico, evacuação de feridos, reconhecimento, desativação de explosivos e apoio de fogo remoto. O sistema está em uso em 16 países, incluindo oito membros da OTAN.

Entre 2023 e agora, o interesse do Exército pelos sistemas não tripulados terrestres não ficou estacionado. Em dezembro de 2025, a Diretoria de Fabricação abriu consultas públicas para identificar fornecedores de drones de ataque, tanto os do tipo kamikaze (Sistemas de Munições Remotamente Pilotadas, ou SMRP) quanto os reutilizáveis com capacidade de lançar munições (SARP). O movimento, noticiado no fim do ano passado, ocorreu em paralelo a uma solicitação semelhante da Comissão do Exército Brasileiro em Washington.

Recentemente, surgiram informes de que conhecidas empresas brasileiras de defesa já estão se movimentando para desenvolver modelos de UGVs, inclusive armados, o que pode significar que perceberam a nova tendêcia das Forças Armadas e estão se agilizando, ou receberam um input delas para tanto.

 

Por que publicar agora
A publicação do 
COTER/DF/CAEx tem uma leitura institucional bastante clara: ao resgatar a demonstração de 2023, a Força sinaliza continuidade e coerência. Mostra que a nova política de transformação não surgiu do nada, mas é o desdobramento de um processo de prospecção que vinha sendo conduzido há pelo menos dois anos. É, em resumo, a narrativa do “não nos pegaram de surpresa”.

O contexto geopolítico reforça a urgência do recado. A guerra na Ucrânia tornou os sistemas não tripulados terrestres parte incontornável do debate militar mundial. O próprio documento da Política de Transformação cita a “proliferação de sensores, sistemas não tripulados e fogos de precisão” como uma das lições fundamentais dos conflitos recentes, e aponta que o Exército não estará preparado para esse cenário se não acelerar a transformação.

Há também uma dimensão de Base Industrial de Defesa. Ao destacar a integração do THeMIS com o REMAX 4, sistema de armas nacional, o Exército sinaliza ao mercado que a demanda por tecnologia estrangeira passa necessariamente por parcerias com a indústria brasileira. Não por acaso, a nova política estabelece que os investimentos em modernização devem beneficiar empresas nacionais.

R$ 400 bilhões e o desafio do financiamento
A nova política estima que serão necessários R$ 400 bilhões até 2040 para viabilizar a modernização completa da Força Terrestre. As primeiras mudanças já estão sendo incorporadas ao Plano Estratégico do Exército 2024-2027, com consolidação prevista para o ciclo 2028-2031. Analistas, porém, alertam que, sem financiamento adequado, parte das transformações pode avançar mais devagar do que o planejado.

O que o post do COTER/DF/CAEx faz, nesse quadro, é simples mas eficaz: ancora no passado recente uma transformação que começa agora. O THeMIS visto em 2023 no Campo de Provas da Marambaia pode nunca ser comprado pelo Exército Brasileiro, mas o fato de ele ter sido avaliado serve, hoje, como prova de que a instituição estava atenta quando o futuro ainda era tendência.

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