*LRCA Defense Consulting - 19/01/2026
A gigante aeroespacial francesa Safran anunciou nesta segunda-feira a venda de sua participação de 50% na EZ Air, joint venture de interiores de aeronaves localizada no México, para sua parceira brasileira Embraer. A transação marca uma reorganização estratégica nas operações de interiores de cabine da Safran, que vem implementando um robusto programa de recompra de ações.
Detalhes da transação
A operação inclui a participação da Safran na unidade fabril de Chihuahua,
além de atividades de pós-venda e trabalhos de engenharia no Brasil. O valor da
transação não foi divulgado pelas empresas. Com o acordo, a fábrica de
Chihuahua, que emprega aproximadamente 1.100 pessoas, passará a ser 100%
controlada pela Embraer.
As partes da Safran Cabin Brazil relacionadas à fabricante brasileira serão transferidas para a Embraer, enquanto os demais serviços de engenharia permanecerão sob controle da empresa francesa. A conclusão da operação está sujeita a aprovações regulatórias e outras condições habituais.
Sobre a EZ Air
Originalmente estabelecida pela Zodiac Aerospace antes de sua aquisição
pela Safran em 2018, a EZ Air fornece interiores completos para as aeronaves
regionais E-Jet das séries E1 e E2 da Embraer, incluindo compartimentos de
bagagem, cozinhas, banheiros, painéis de piso e paredes laterais.
A joint venture, iniciada em 2013, representava uma parceria estratégica importante entre as duas empresas. Com a Embraer assumindo o controle total, a fabricante brasileira ganha maior autonomia sobre a cadeia de suprimentos de seus jatos regionais, produtos que são fundamentais em seu portfólio.
Contexto estratégico
A movimentação da Safran ocorre em um momento de forte desempenho
financeiro para a companhia francesa. O grupo tem executado um ambicioso
programa de recompra de ações no valor de 5 bilhões de euros entre 2025 e 2028,
tendo já realizado 1,4 bilhão de euros em 2025. Apenas em janeiro de 2026, a
empresa iniciou uma nova tranche de recompra de até 500 milhões de euros.
A presença da Safran no México permanece significativa mesmo após a venda da EZ Air. O grupo mantém operações em Tijuana e Chihuahua dedicadas a equipamentos aeronáuticos, incluindo fiação elétrica, trens de pouso e sistemas de controle de voo. Em Querétaro, a empresa opera duas plantas especializadas em propulsão aeronáutica, produzindo componentes críticos para motores CFM56 e LEAP.
Chihuahua: hub aeroespacial
A região de Chihuahua consolidou-se como um dos principais polos
aeroespaciais da América do Norte, abrigando operações de empresas como
Honeywell, Bell Helicopter, Textron Aviation, entre outras. O cluster
aeroespacial local possui mais de 40 operações certificadas e se posiciona como
centro estratégico para manufatura e MRO (manutenção, reparo e revisão) no
continente.
Perspectivas
Para a Embraer, a aquisição representa maior integração vertical e controle
sobre componentes essenciais de suas aeronaves regionais, segmento onde a
companhia brasileira mantém posição de liderança global. A fabricante tem
investido consistentemente na modernização de sua linha E2, que compete
diretamente com modelos de Airbus e Boeing no mercado de jatos regionais.
Já a Safran demonstra foco em concentrar recursos em suas áreas principais: propulsão aeronáutica, sistemas eletrônicos de defesa e equipamentos aeroespaciais de maior valor agregado. A empresa recentemente adquiriu as atividades de controle de voo e atuação da Collins Aerospace por 1,8 bilhão de dólares, reforçando sua posição em sistemas de missão crítica.
A transação deverá ser concluída nos próximos meses, após o cumprimento das condições regulatórias necessárias.


