Documento firmado em Brasília durante visita da chanceler sueca celebra
bicentenário das relações bilaterais e abre novas frentes industriais em
blindados, munições, drones e ciberespaço
*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, esteve em Brasília nesta quarta-feira (5/8) para uma visita oficial que resultou na assinatura, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, do documento intitulado Parceria Estratégica Brasil–Suécia, plano de ação para o terceiro século das relações bilaterais. O ato, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) como Nota à Imprensa nº 258, celebra os duzentos anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, iniciadas em 1826, e estabelece diretrizes para o aprofundamento da parceria em oito áreas, entre elas a cooperação em defesa, tratada no capítulo III do texto.
Brasil e Suécia reafirmaram, no documento, a satisfação com o andamento do contrato firmado em 27 de outubro de 2014 entre o governo brasileiro e a Saab, relativo ao Programa FX Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB), destinado à modernização e ao reequipamento da frota de caças supersônicos do País. As partes elogiaram a continuidade das entregas das 36 aeronaves Gripen F-39 adquiridas pelo Brasil e a consolidação da integração do programa na Base Aérea de Anápolis.
O texto também celebra dois marcos recentes do programa: a apresentação, em 25 de março de 2026, do primeiro Gripen E produzido em território brasileiro, e a cerimônia de roll-out, realizada em 2 de junho de 2026 na fábrica da Saab em Linköping, do primeiro Gripen F destinado à FAB, ocasião que contou com a presença do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho.
O plano de ação recorda ainda a declaração conjunta assinada por ocasião da visita oficial de Múcio ao seu homólogo sueco, Pål Jonson, em 4 de junho de 2026, que formalizou o início de negociações para uma emenda ao contrato vigente, com vistas à aquisição de vinte aeronaves Gripen E/F adicionais, de modo a atender requisitos identificados para a defesa nacional do Brasil. O mesmo encontro tratou da criação de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen, iniciativa que, segundo o documento, deve fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio da ampliação de capacidades tecnológicas e da formação de recursos humanos qualificados.
Entre as estruturas industriais citadas no acordo estão a unidade de apoio da Saab instalada na Base Aérea de Anápolis, a planta de produção erguida em São Bernardo do Campo e a integração da empresa sueca às instalações da Embraer em Gavião Peixoto, onde funciona a linha de produção do Gripen e onde a primeira aeronave nacional foi concluída em 2026.
Em contrapartida, o documento saúda a aquisição, pela Suécia, de quatro aeronaves multimissão de transporte tático Embraer C-390 em outubro de 2025, e registra a intenção dos dois governos de atuar conjuntamente na promoção do Gripen e do C-390 em terceiros mercados. O ato também comemora a entrada em vigor, em setembro de 2025, do Protocolo sobre Controle de Exportação de Produtos de Defesa entre os dois países, assinado em Brasília em 8 de novembro de 2022.
Novas frentes de cooperação e integração entre as bases industriais de
defesa
Além da parceria aeronáutica, já consolidada, Brasil e Suécia
sinalizaram intenção de explorar novas frentes de cooperação em material de
defesa, incluindo veículos blindados, armamentos, munições, sistemas de
aeronaves não tripuladas (UAS) e de combate a esses sistemas (C-UAS),
resiliência de cadeias de suprimento, espaço e ciberespaço. O texto prevê ainda
o incentivo à participação de delegações dos dois países em atividades de
treinamento, no desenvolvimento de procedimentos táticos e em feiras e exposições
do setor de defesa.
O plano de ação encoraja a integração entre as bases industriais de defesa dos dois países, com a identificação de oportunidades para que empresas brasileiras atuem como fornecedoras certificadas de subconjuntos, matérias-primas e tecnologias de uso dual nas cadeias de suprimento sueca e brasileira. Os governos também manifestaram intenção de fortalecer a cooperação institucional e industrial para assegurar fornecimento contínuo e previsível de armamentos e munições, e de incentivar parcerias de longo prazo, joint ventures e o codesenvolvimento de tecnologias entre empresas dos dois países, com vistas ao fortalecimento das capacidades de Defesa Total e da estrutura de mobilização suecas.
Do ponto de vista institucional, o documento reforça a importância das reuniões do Diálogo Político-Militar Brasil–Suécia, conhecido como Diálogo 2+2 e estabelecido em 2015, bem como da continuidade dos encontros do Comitê Executivo de Alto Nível (CAE) entre os dois países. Também é mencionado o grupo de trabalho formado pelo Ministério da Defesa do Brasil, pela FAB e pelo Ministério da Defesa da Suécia, criado a partir da carta de intenções assinada pelos ministros da Defesa dos dois países em novembro de 2024, em Natal (RN).
Plano de ação mais amplo
A cooperação em defesa integra um plano de ação mais amplo, que também
trata de diálogo político, comércio e investimentos, ciência e tecnologia,
desenvolvimento sustentável, combate ao crime organizado e cooperação cultural.
Segundo o próprio texto, o documento não cria obrigações juridicamente
vinculantes, e sua implementação será acompanhada nas reuniões anuais do
Mecanismo Bilateral de Consultas Políticas, realizadas de forma alternada em
Brasília e Estocolmo.





