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30 junho, 2026

Saab assina contrato com a FMV para fornecer 16 caças Gripen E à Ucrânia

Pedido de SEK 24,6 bilhões, equivalente a cerca de US$ 2,5 bilhões, será contabilizado no terceiro trimestre de 2026; entregas à Força Aérea sueca estão previstas para 2029 e 2030, antes da transferência dos caças a Kiev 


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2026

A fabricante sueca Saab assinou nesta terça-feira (30/06) um contrato com a FMV (Försvarets materielverk, a Administração de Material de Defesa da Suécia) para o fornecimento de 16 caças Gripen E destinados à Ucrânia. O valor do pedido corresponde a aproximadamente SEK 24,6 bilhões, cerca de US$ 2,5 bilhões, e será contabilizado no terceiro trimestre de 2026. As entregas da Saab à FMV estão programadas para o período de 2029 a 2030; depois de recebidas pela administração sueca, as aeronaves serão repassadas à Força Aérea da Ucrânia.

Além dos 16 caças, o contrato inclui peças de reposição e equipamentos e itens associados, segundo comunicado da Saab. A empresa não detalhou publicamente o cronograma de treinamento de pilotos, adaptação de bases ou pacote de armamentos que acompanhará as aeronaves.

Declarações
O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, declarou estar profundamente orgulhoso de que a Suécia e a empresa possam agora viabilizar o fornecimento do Gripen E à Ucrânia, afirmando que o caça vai transformar a capacidade da Força Aérea ucraniana e fortalecer significativamente a defesa aérea do país. O ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, classificou em rede social a assinatura como o primeiro passo da ambição ucraniana de adquirir até 150 caças Gripen E/F ao longo do tempo. O vice-primeiro-ministro ucraniano, Mykhailo Fedorov, descreveu o acordo como histórico e afirmou que os caças vão reforçar a capacidade de Kiev contra drones, mísseis de cruzeiro e aviação inimiga.

Características do Gripen E destacadas pela Saab
Segundo a fabricante, o Gripen foi projetado para operar em ambientes de ameaça avançada, com flexibilidade operacional que permite o uso a partir de pistas curtas, pistas temporárias ou rodovias, viabilizando operações dispersas e alta disponibilidade. A arquitetura baseada em software facilita atualizações contínuas e adaptação a requisitos operacionais em evolução. A Saab também ressalta o baixo custo de manutenção e o tempo reduzido de preparação entre missões como diferenciais do caça.

Como o acordo evoluiu
O contrato assinado nesta terça-feira representa um recuo em relação ao desenho anunciado em 28 de maio de 2026, quando o premiê sueco, Ulf Kristersson, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, divulgaram a intenção de Kiev de adquirir até 20 caças Gripen E/F, somados à doação de até 16 unidades usadas do modelo Gripen C/D pela Suécia. O acordo final ficou restrito a 16 unidades do Gripen E, sem confirmação pública, até o momento, da doação dos C/D. Segundo a Reuters, a entrega dos modelos C/D mais antigos, se confirmada, está prevista para o início de 2027, enquanto os primeiros Gripen E só devem chegar a partir de 2029.

A aproximação entre Suécia e Ucrânia no tema remonta a outubro de 2025, quando Zelensky visitou as instalações da Saab em Linköping e assinou, com o governo sueco, uma carta de intenções para aprofundar a cooperação em defesa aérea, citando um potencial de exportação de 100 a 150 caças Gripen E. O financiamento da compra ucraniana tem como referência recursos do Ukraine Support Loan, mecanismo europeu de apoio a Kiev lastreado, entre outras fontes, em ativos russos congelados.

Onde e quando
A assinatura ocorreu na Suécia e foi divulgada oficialmente pela Saab e pela FMV em 30 de junho de 2026. Segundo a Saab, o treinamento de pilotos e técnicos ucranianos no Gripen C/D já está em andamento e deve ser ampliado a partir do outono europeu, ou seja, entre setembro e novembro de 2026.

Por que agora
O acordo se insere no esforço ucraniano de reconstruir sua força aérea diante do desgaste da frota soviética remanescente e da necessidade de contrapor ataques russos com drones, mísseis de cruzeiro e bombas planadoras. A capacidade do Gripen de operar a partir de bases dispersas e pistas improvisadas é apontada por analistas como especialmente adequada ao cenário de bases aéreas ucranianas sob ameaça constante de ataques russos de longo alcance. Em paralelo, Kiev também negocia a compra de até 100 caças Rafale F4 da França, em carta de intenções que prevê aquisições ao longo de dez anos.

Para que: o Gripen como ativo estratégico para a Saab
Para a Saab, o eventual avanço do contrato ucraniano para o patamar de 100 a 150 unidades representaria um dos maiores negócios de exportação de caças da história da empresa, conferindo ao Gripen visibilidade inédita em um cenário de combate real. O programa já vive expansão comercial relevante: o Brasil encomendou 36 unidades do Gripen E/F, das quais cerca de dez já estão operacionais na Força Aérea Brasileira; a Colômbia assinou, em 2025, contrato para 17 unidades, no valor de 3,1 bilhões de euros, com entregas entre 2026 e 2032; e a Tailândia contratou inicialmente quatro aeronaves, com opção de ampliar a frota.

Diante da demanda crescente, a Saab avalia ampliar sua capacidade produtiva, hoje em torno de 20 a 30 aeronaves por ano, e já discute com a Bombardier, do Canadá, a possibilidade de localizar parte da produção do Gripen em solo canadense, parceria que também poderia se tornar fonte adicional de entregas para a Ucrânia, assim como as aeronaves colombianas poderão ser fabricadas nas instalações brasileiras da Embraer. O backlog de pedidos da divisão de aeronáutica da Saab soma cerca de SEK 82,2 bilhões, dentro de uma carteira total de pedidos de aproximadamente SEK 274 bilhões.

Avibras Aeroco anuncia portfólio de drones, projeta R$ 500 milhões em 2028 e revela detalhes do MTC e do S+100

O projeto do drone Falcão, em variantes a pistão e/ou a turbina, pode fornecer a base da nova família de VANTs da Avibras

*LRCA Defense Consulting - 30/06/2026

Em entrevista exclusiva ao Estadão, Sami Youssef Hassuani, diretor-presidente da Avibras Aeroco, revelou que a empresa pretende entrar no mercado de aeronaves não tripuladas, tem um protótipo de VANT pronto e um sistema antidrone por fragmentação de explosivos em desenvolvimento. Hassuani também detalhou especificações inéditas do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), confirmou a natureza hipersônica do futuro Míssil Tático Balístico (S+100), divulgou a nova inauguração da empresa e anunciou metas financeiras ambiciosas para os próximos anos. Esta matéria completa e amplia a anterior: Avibras Aeroco retoma produção e prepara dois novos mísseis após reestruturação

MTC-300: até 450 km, 200 kg de ogiva e meta de 200 unidades por ano
A matéria traz detalhes técnicos do MTC-300 que não haviam sido divulgados publicamente até então. O míssil, que pesa pouco mais de uma tonelada, tem alcance inicial de 300 quilômetros, podendo atingir alvos a até 450 quilômetros com precisão (CEP) de 9 metros. Carrega uma ogiva de até 200 quilos e é movido por motor com força de oito toneladas. O próximo lançamento de teste está previsto para novembro de 2026; ainda faltam três voos para concluir o processo de certificação.

Segundo o diretor-presidente, o sistema será operado tanto pelo Exército Brasileiro quanto pela Força Aérea Brasileira (FAB) e é lançado pelo sistema de artilharia ASTROS, também da Avibras Aeroco. A empresa projeta vender até 200 unidades por ano e exportar o míssil para países do Golfo Pérsico e do Sudeste Asiático. Na comparação com o mercado norte-americano, Hassuani foi direto: os fornecedores americanos só entregariam em 2032 o que for encomendado agora, enquanto a Avibras Aeroco estaria em condições de exportar em dois anos.

AV-SS-100 confirmado como hipersônico
O Míssil Tático Balístico AV-SS-100, em desenvolvimento conjunto com o Exército Brasileiro, foi descrito por Hassuani como hipersônico, um detalhe que vai além das informações anteriormente divulgadas pela empresa, que falavam apenas em voo supersônico e trajetória direta ao alvo. Com alcance superior a 120 quilômetros, o AV-SS-100 é mais barato que o MTC-300 e complementa o portfólio de fogos de longo alcance da Avibras Aeroco ao cobrir uma faixa de engajamento diferente, com velocidade de impacto significativamente maior.

Lançamento do futuro Míssil Tático Balístico AV-SS-100 pelo ASTROS (renderização)

Drones: empresa tem protótipo pronto e desenvolve sistema antidrone
A Avibras Aeroco pretende abrir um portfólio de aeronaves não tripuladas, com foco em sistemas de maior alcance e autonomia de voo, tanto para vigilância quanto para ataque. "Todos os nossos clientes querem drones", afirmou Hassuani, acrescentando que essas plataformas são mais baratas que os mísseis e aumentam a capacidade de vigilância do campo de batalha com tempo de resposta imediato para o engajamento de alvos.

A empresa já dispõe de um protótipo de VANT pronto, segundo Hassuani, que não revelou o nome ou as especificações da aeronave. A Avibras teve, em sua história, um projeto de VANT batizado de Falcão, desenvolvido a partir do final dos anos 2000 em parceria com o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e posteriormente incorporado, em 2013, à Harpia Sistemas, consórcio formado pela Embraer Defesa & Segurança e pela AEL Sistemas (subsidiária da israelense Elbit Systems), e posteriormente descontinuado. Não há, porém, confirmação de que o protótipo citado por Hassuani na entrevista ao Estadão seja esse mesmo programa; a identidade da aeronave permanece a esclarecer. No entanto, segundo alguns dados públicos
o Falcão segue formalmente listado no portfólio da empresa, mas isso é um dado de contexto, não uma confirmação.

Além do VANT, a Avibras Aeroco está desenvolvendo um sistema antidrone que satura o céu com uma cortina formada pela fragmentação de explosivos, com o objetivo de neutralizar enxames de aeronaves inimigas. O conceito responde à ameaça crescente representada por drones de pequeno porte em operações de combate, tendência amplamente documentada nos conflitos em curso na Ucrânia e no Oriente Médio.

Produção, empregos e metas financeiras
Dois meses após a reabertura, a Avibras Aeroco já conta com 500 funcionários e 90% da cadeia de fornecedores restabelecida. Em julho de 2026, a empresa inicia a montagem de novos foguetes e o corte de chapas para blindados do Exército Brasileiro. A data também marca a abertura oficial do complexo industrial de Jacareí, no interior de São Paulo, que deverá receber os comandantes das três forças armadas. A cerimônia havia sido adiada anteriormente.

O complexo tem 2,7 milhões de metros quadrados e 18 unidades fabris encravadas na Serra do Mar, próximas à Rodovia dos Tamoios. O acesso é controlado: celulares e computadores são proibidos no interior das instalações, e o servidor de engenharia não se comunica com a internet. A empresa dispõe de quatro estiradeiras de aço para a fabricação de foguetes, em processo a frio. Existem apenas cinco dessas máquinas no Brasil, quatro das quais pertencem à Avibras Aeroco. O Prédio dos Estirados, uma das 18 unidades fabris, tem capacidade para produzir até 5 mil foguetes envelopados por mês, incluindo os foguetes SS-80 e SS-40 e os foguetes Skyfire-70 de 70 mm usados pelos Super Tucanos exportados pela Embraer e pelos helicópteros do Exército e da FAB.

Para 2027, a empresa projeta entregas maiores ao Exército e à FAB, bem como as primeiras remessas de novas encomendas ao exterior. A meta é faturar R$ 500 milhões em 2028, quando Hassuani espera que a empresa esteja "em pleno vapor". Em 2029, a previsão é iniciar operações em dólar.

Inauguração do complexo: adiamento e novo calendário em julho
Em julho, o complexo industrial de Jacareí será oficialmente aberto com a presença dos comandantes das três forças armadas. A cerimônia, originalmente prevista para 2 de julho de 2026, foi adiada em 24 de junho, poucos dias antes da data marcada, a pedido formal da Presidência da República. Conforme comunicado enviado aos convidados, a reprogramação visou permitir a participação de autoridades do Governo Federal que manifestaram interesse em prestigiar o evento. A nova data, ainda em definição quando do adiamento, está confirmada para julho, segundo a entrevista de Hassuani ao Estadão.

O adiamento com antecedência tão curta não é trivial: para convidados de fora de São Paulo, como representantes militares de outros estados e eventuais delegações internacionais, a mudança implicou rever deslocamentos e estadias já planejados. A confirmação de autoridades do escalão presidencial, além de elevar o nível de representação esperado de ministros e comandantes, redimensiona o próprio evento como vitrine política.

Duas hipóteses, não confirmadas oficialmente, circulavam no setor à época do adiamento. A primeira é a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pudesse anunciar, na nova data, a liberação do aporte público previsto no plano de reestruturação da Avibras Aeroco, estimado em outros R$ 300 milhões, que poderiam vir da Finep, do BNDES ou do PAC e que, até dezembro de 2025, não havia sido destravado. A segunda é de natureza eleitoral: 2026 é ano de eleição presidencial, e a presença de Lula em um evento que simboliza o encerramento de uma crise de 1.280 dias de greve, com recuperação de empregos qualificados e discurso de soberania industrial, reuniria elementos típicos de capitalização política. Um indício contextual reforçou essa leitura: no dia 26 de junho, dois dias após o comunicado de adiamento, o presidente afirmou, durante o batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), que incluirá a defesa nacional em seu programa de governo pela primeira vez, como compromisso público sobre o tipo de defesa que o país deve ter. 

Sistema de defesa antiaérea de média altitude no ASTROS MK6 (renderização Avibras Aeroco)

Eurosatory e MBDA: defesa aérea no centro de uma parceria histórica
Recém-chegado da Eurosatory, feira de defesa realizada em Paris em junho de 2026, Hassuani revelou que a Avibras Aeroco manteve contatos com fornecedores e parceiros, sem fechar negócios. Entre as empresas com as quais se reuniu estão a francesa MBDA (com ênfase em defesa aérea), a alemã Rheinmetall, a franco-alemã KNDS, as turcas Aselsan e Baykar e as israelenses AEL Sistemas e Elbit Systems.

A menção específica à defesa aérea na reunião com a MBDA não é fortuita. A Avibras tem com o consórcio europeu, maior fabricante de mísseis da Europa, uma parceria que remonta a 2013, quando, na LAAD, apresentou um conceito antiaéreo baseado no míssil MICA VL, associado ao Dassault Rafale, então finalista do programa FX-2 da FAB. Com a não seleção do Rafale, o foco migrou para o míssil CAMM (Common Anti-Air Modular Missile). Em novembro de 2014, a Avibras e a MBDA apresentaram ao Exército Brasileiro, em Brasília, o conceito do AV-MMA (Míssil Modular Antiaéreo), desenvolvido em conjunto, com cerca de 70% de conteúdo nacional e baseado nas plataformas e veículos do Sistema ASTROS 2020. O projeto, no entanto, não chegou a ser contratado, e a crise de 2022 encerrou esse ciclo em momento crítico.

Em dezembro de 2025, o Exército formalizou a escolha do sistema EMADS (Enhanced Modular Air Defence Solutions), da MBDA, para preencher a lacuna de defesa antiaérea de média altitude e médio alcance, com aquisição via acordo governo a governo (G2G) com a Itália e investimento estimado em até R$ 5 bilhões. O míssil selecionado é o CAMM-ER (versão de alcance estendido, superior a 45 km), da mesma família que equipa as fragatas da Classe Tamandaré. A Avibras Aeroco não integra essa primeira fase, cujo contrato já está definido.

Existe, porém, uma janela nas fases seguintes, sustentada por dois pilares: a arquitetura aberta do EMADS, que prevê explicitamente a integração futura com radares da Base Industrial de Defesa nacional, e a sinalização do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, de que a aquisição poderá abrir caminho para a fabricação de mísseis no Brasil, mediante transferência de tecnologia com a Itália. Se esse cenário se concretizar, a Avibras Aeroco, única empresa nacional com histórico documentado de parceria com a MBDA no desenvolvimento de sistemas superfície-ar, seria a candidata natural para sediar essa produção. O fato de a empresa manter ativo o sistema de média altitude em seu portfólio e de Hassuani ter destacado a defesa aérea como tema central nas conversas com a MBDA na Eurosatory sugere que o diálogo entre as duas empresas não foi encerrado.

Consórcios e integração: SIATT, Mac Jee e o modelo europeu como referência
Na entrevista ao Estadão, Hassuani defendeu que empresas nacionais como a Avibras Aeroco, SIATT e Mac Jee estabeleçam parcerias ou consórcios, a exemplo do modelo europeu, para integrar o dinheiro da pesquisa (Finep e FNDCT), o crédito industrial (BNDES) e o orçamento do Ministério da Defesa. Para o executivo, programas estruturados segundo capacidade real de produção e entrega são o único caminho para que o Brasil feche o triângulo da soberania industrial, cujo terceiro vértice, a capacidade de repor estoques em escala e velocidade, passou a ser decisivo nos conflitos modernos a partir de 2022. 

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