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08 janeiro, 2026

Índia se prepara para fabricar aviões comerciais com parceria Adani-Embraer

 


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LRCA Defense Consulting - 08/01/2026

Em um marco histórico para a indústria aeroespacial indiana, o Grupo Adani firmou parceria com a fabricante brasileira Embraer para estabelecer a primeira linha de montagem final (FAL) de aeronaves comerciais de asa fixa no país, segundo reportagem publicada hoje (08) pelo Times of India.

Acordo estratégico
De acordo com a publicação, a Adani Aerospace assinou um memorando de entendimento com a Embraer no mês passado, no Brasil, em uma iniciativa descrita como o maior impulso para o programa "Make in India" do primeiro-ministro Modi no setor de aviação.

A parceria prevê a fabricação local dos jatos regionais da Embraer, aeronaves que operam em rotas de curta e média distância com capacidade para 70 a 146 passageiros. Com isso, a Índia se juntará a um seleto grupo de nações que possuem capacidade de montagem final de aviões comerciais.

Detalhes ainda em sigilo
O Times of India reporta que informações cruciais sobre o projeto permanecem confidenciais. Os dois grupos empresariais não comentaram oficialmente a notícia, e detalhes como localização da fábrica, volume de investimento e data de início das operações ainda não foram divulgados. Um anúncio formal é esperado durante o salão aeronáutico de Hyderabad, ainda neste mês de janeiro.

Incentivos governamentais
Segundo a reportagem, o governo indiano está avaliando formas de impulsionar o projeto. "Diversas questões estão sendo consideradas, incluindo incentivos fiscais para aqueles que fizerem pedidos a partir desta FAL", afirmou um funcionário governamental citado pela publicação.

A estratégia contempla incentivos decrescentes conforme o volume de pedidos aumenta, possivelmente a cada 50 aeronaves encomendadas, visando estimular o mercado inicial.

Mercado promissor
A Índia representa atualmente o mercado de aviação que mais cresce no mundo, com mais de 1.800 aviões já encomendados por companhias como Air India, IndiGo e Akasa, conforme destaca o Times of India.

Raul Villaron, vice-presidente sênior da Embraer, é citado pelo jornal afirmando que a Índia precisará de 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos.

Impacto no setor
A reportagem indica que o sucesso desta iniciativa poderá atrair outras grandes fabricantes. O governo espera que a presença de um ecossistema para montagem de aviões comerciais incentive gigantes como Airbus e Boeing a estabelecerem suas próprias linhas de produção no país, expandindo além do atual fornecimento de componentes.

A Embraer já possui presença na Índia com quase 50 aeronaves de 11 tipos diferentes, operando nos segmentos comercial, de defesa e executivo, segundo informações publicadas pelo Times of India.

07 janeiro, 2026

Detectar o indetectável: como sensores quânticos com IA redefinem poder e vulnerabilidades

Uma transformação tecnológica silenciosa está redefinindo o equilíbrio global de poder. O Coronel Eduardo Migon, pesquisador pós-doutor e oficial de Cavalaria do Exército Brasileiro, alerta para uma revolução que o Brasil não pode ignorar.

Imagem: Eduardo Migon em artigo no LinkedIn
 

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LRCA Defense Consulting - 07/01/2026

O fim da invisibilidade submarina
Durante décadas, a corrida tecnológica naval concentrou-se em tornar submarinos progressivamente mais silenciosos. Revestimentos especiais, sistemas de propulsão ultra-quietos e designs hidrodinâmicos transformaram essas embarcações em fantasmas dos oceanos. Mas a física impõe um limite que nenhuma engenharia pode superar: toda grande massa metálica em movimento perturba o campo magnético natural da Terra.

É exatamente essa perturbação inevitável que os sensores quânticos conseguem detectar.

"A detecção submarina sempre enfrentou um limite físico claro", explica o Coronel Migon em sua análise sobre o tema. "Sensores quânticos mudam essa equação ao explorar algo inevitável: a física."

Magnetômetros quânticos baseados em hardware atômico operam próximos aos limites fundamentais de sensibilidade da matéria. Eles conseguem medir variações magnéticas tão sutis que sensores convencionais simplesmente não conseguem detectar. E fazem isso de forma completamente passiva, sem emitir sinais, sem "pings" acústicos, sem revelar a posição do observador.

A inteligência artificial como multiplicador de capacidade
A verdadeira disrupção, porém, acontece quando esses sensores quânticos encontram a Inteligência Artificial. Sozinhos, os sensores geram volumes imensos de dados ruidosos. A IA permite filtrar esse ruído, reconhecer padrões magnéticos específicos e correlacionar informações ao longo do tempo e do espaço.

Sistemas modernos já conseguem mapear tanto ambientes terrestres quanto submarinos com precisão sem precedentes. Tecnologias integradas, desde gravimetria até arqueologia e detecção de erosão, criam um retrato tridimensional do ambiente, incluindo o subsolo e o subaquático.

O mapeamento do fundo oceânico através da Mid-Atlantic Ridge, entre Halifax (Canadá) e Southport (Reino Unido), demonstra a dimensão prática: com repetidores posicionados estrategicamente ao longo de milhares de quilômetros, é possível criar redes de vigilância distribuída e persistente.

"Em um oceano vasto como o Atlântico Sul, isso significa vigilância distribuída e persistente", pontua Migon. "Não se trata de 'ver tudo', mas de tornar movimentos relevantes progressivamente mais detectáveis e interpretáveis."

PNT: Quando navegação vira questão geoestratégica
Mas a revolução quântica não para na detecção. Ela atinge outra área crítica: Positioning, Navigation and Timing (PNT) — posicionamento, navegação e temporização.

Durante décadas, o GPS e outros sistemas de navegação por satélite (GNSS) tornaram-se infraestrutura invisível e essencial. Praticamente todas as operações militares e civis modernas dependem desses sinais espaciais. O problema é que toda infraestrutura crítica excessivamente centralizada se torna vulnerável.

Guerra eletrônica, spoofing (falsificação de sinais), jamming (interferência) e ameaças anti-satélite já fazem parte do arsenal estratégico contemporâneo. Em um conflito de alta intensidade, os primeiros alvos seriam justamente esses sistemas de navegação.

"É nesse cenário que sensores quânticos ganham relevância estratégica", destaca o Coronel Migon. Acelerômetros e giroscópios quânticos, combinados com navegação magnética, permitem sustentar PNT sem depender de sinais externos. Não é apenas resiliência técnica, é autonomia operacional, redução de vulnerabilidades sistêmicas e ampliação da liberdade de ação estratégica.

Essa tecnologia permite navegação precisa mesmo em ambientes subterrâneos (túneis, minas) e submarinos, com aplicações que vão desde operações militares urbanas até a navegação de submarinos sob o gelo polar.

Imagem: Eduardo Migon em artigo no LinkedIn

Uma nova arquitetura de poder
O que emerge desse cenário tecnológico é uma nova arquitetura de poder, menos dependente de infraestrutura espacial, mais distribuída, mais robusta e, sobretudo, mais soberana.

Países que dominarem essas tecnologias terão vantagens estratégicas significativas:

  • Detecção passiva de submarinos adversários sem revelar sua própria posição;

  • Navegação autônoma mesmo com satélites negados ou comprometidos;

  • Vigilância oceânica persistente em águas estratégicas;

  • Operações em ambientes negados (subterrâneos, urbanos densos, polares).

Para nações com extensas áreas marítimas, como o Brasil - que possui a chamada "Amazônia Azul", com 4,5 milhões de km² de Zona Econômica Exclusiva - essa tecnologia não é opcional. É estratégica.

O desafio brasileiro
"Para o Brasil, o desafio é conceitual e estratégico", alerta Migon. "Sensores quânticos não podem ser tratados apenas como pesquisa de fronteira, mas como ativos estruturantes de Defesa, soberania e inovação dual."

O pesquisador questiona se o país está pronto para incorporar sensores quânticos e PNT resiliente à sua doutrina e estratégia tecnológica, ou se continuará dependente de infraestruturas críticas que não controla.

A questão é particularmente relevante considerando que o Brasil possui:

  • Uma das maiores extensões costeiras do mundo (mais de 7.400 km):

  • Reservas estratégicas de petróleo em águas profundas (Pré-Sal);

  • Rotas marítimas críticas para seu comércio exterior (95% passa pelo mar);

  • Vulnerabilidade tecnológica em sistemas de defesa e navegação.

Aplicações além do uso militar
Embora as implicações militares sejam evidentes, a tecnologia de sensores quânticos tem aplicações duais significativas:

  • Exploração de recursos naturais: detecção precisa de depósitos minerais e reservas de hidrocarbonetos;

  • Monitoramento ambiental: rastreamento de mudanças no subsolo e no leito oceânico;

  • Infraestrutura crítica: inspeção de túneis, pontes e estruturas subterrâneas;

  • Arqueologia: descoberta de sítios históricos enterrados ou submersos;

  • Agricultura: análise da umidade e compactação do solo em larga escala.

A janela de oportunidade
A tecnologia quântica ainda está em fase de transição do laboratório para aplicações práticas em larga escala. Isso significa que existe uma janela de oportunidade, limitada, para que países em desenvolvimento invistam, dominem e integrem essas capacidades.

Esperar que a tecnologia amadureça completamente antes de agir significa aceitar uma posição de dependência tecnológica permanente. Significa comprar sistemas prontos, sem domínio da tecnologia de base, sem capacidade de adaptação e sem soberania estratégica.

O invisível que define o futuro
A revolução quântica é, por natureza, silenciosa. Não há demonstrações espetaculares, não há explosões visíveis, não há manchetes dramáticas. Há apenas a mudança progressiva e inexorável da relação entre ocultação e detecção, entre dependência e autonomia, entre vulnerabilidade e resiliência.

Como conclui o Coronel Eduardo Migon em sua reflexão: "O impacto não é apenas técnico. Trata-se de uma mudança estrutural na relação entre furtividade, vigilância e controle do espaço marítimo."

A pergunta que fica não é se essa mudança vai acontecer - ela já está acontecendo. A pergunta é: o Brasil estará entre os que controlam essa tecnologia ou entre os que apenas sofrem suas consequências?

Soberania sem poder é ilusão: quem está realmente seguro no tabuleiro mundial?

 


*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 06/01/2026

Os acontecimentos recentes envolvendo a Venezuela expuseram, de forma nua e crua, uma verdade incômoda que a história já ensinou inúmeras vezes, soberania não se sustenta apenas com discursos, votos em organismos multilaterais ou boas intenções diplomáticas. Sustenta-se, antes de tudo, com capacidade real de dissuasão, previsibilidade orçamentária e instrumentos efetivos de poder como o chamado hard power (poderío militar)que combinado de forma inteligente com o soft power (diplomacia), pode ser uma solução inteligente.

A captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em uma operação cirúrgica e de alto impacto político, revela a assimetria brutal entre Estados com forças armadas estruturadas, financiadas de forma contínua e integradas a uma estratégia nacional, e aqueles cuja defesa se tornou retórica vazia ou variável de ajuste fiscal. Não se trata aqui de juízo de valor, mas de constatação objetiva. Quem não consegue proteger seu território, suas instituições e seus líderes, não controla plenamente seu destino.

Nesse cenário, talvez não se trate de estratégia, mas da exposição de fragilidades acumuladas por Estados que abriram mão, ao longo do tempo, de capacidade real de dissuasão para ter discursos populistas ligados a auxílios travestidos de bolsas que no final só garantem outra eleição, mas os diminuem com Estados.

A resposta raramente agrada. Segurança nacional não é improviso, tampouco projeto de governo. É política de Estado, construída ao longo de décadas, sustentada por orçamento sustentável e contínuo, planejamento de longo prazo e clareza estratégica. Países que tratam defesa como gasto supérfluo acabam terceirizando, consciente ou inconscientemente, sua soberania.

O hard power que tem em seu esteio, Forças Armadas capacitadas, tecnologia, inteligência e prontidão não exclui o soft power. Pelo contrário, diplomacia eficaz, capacidade de mediação, liderança regional/mundial e credibilidade internacional só existem quando respaldadas por força real. O mundo respeita quem dialoga, mas ouve com atenção quem também pode se defender.

Para a América do Sul em 2026, a crise venezuelana tende a ser um divisor de águas. Fluxos migratórios, instabilidade fronteiriça, disputas de influência extrarregionais e precedentes perigosos pressionam os países vizinhos. O Brasil, em especial, não pode se dar ao luxo da ingenuidade estratégica. Sua tradição diplomática é um ativo valioso, mas perde eficácia se dissociada de capacidade militar crível e de uma política de defesa estável e previsível.

Tratar episódios dessa magnitude como “normalidade” é um erro estratégico. A soberania, quando negligenciada, não desaparece de forma ruidosa ela se esvai silenciosamente. E quando se percebe a perda, geralmente já é tarde demais para recuperá-la sem custos elevados.

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército, foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília. 

06 janeiro, 2026

Embraer supera meta de entregas em 2025 e registra melhor trimestre do ano

Fabricante brasileira entregou 244 aeronaves em 2025, ultrapassando em 18% o desempenho de 2024 


*LRCA Defense Consulting - 06/01/2026

A Embraer encerrou 2025 com resultados robustos, entregando 91 aeronaves no quarto trimestre e totalizando 244 jatos ao longo do ano, um crescimento de 18,4% em relação às 206 unidades entregues em 2024. Os números confirmam a recuperação da fabricante brasileira e o cumprimento das metas estabelecidas para o período.

Aviação executiva puxa crescimento
O segmento de Aviação Executiva foi o destaque do trimestre, com 53 entregas, um aumento de 29% em relação ao terceiro trimestre de 2025 (41 unidades) e de 20% comparado ao mesmo período de 2024 (44 jatos). O Phenom 300, líder de mercado pelo 13º ano consecutivo, foi responsável por 23 das entregas trimestrais.

No acumulado do ano, a divisão executiva entregou 155 aeronaves, atingindo o teto superior da projeção de 145 a 155 unidades e consolidando sua posição no mercado global de jatos executivos.

Aviação comercial atinge meta projetada
A Aviação Comercial registrou 32 entregas no quarto trimestre, superando os 20 jatos do terceiro trimestre e ligeiramente acima das 31 unidades do último trimestre de 2024. O E195-E2, maior modelo comercial da Embraer atualmente em produção, representou quase metade das entregas, com 15 unidades.

Ao longo de 2025, o segmento comercial entregou 78 aeronaves, dentro da faixa prevista de 77 a 85 jatos, demonstrando consistência na execução da estratégia da empresa.

Defesa e Segurança mantém ritmo
No setor de Defesa e Segurança, a Embraer entregou seis aeronaves no trimestre: duas unidades do KC-390 Millennium, avião de transporte militar multimissão, e quatro do A-29 Super Tucano. No ano, foram 11 aeronaves militares entregues, ante apenas três em 2024.

Destaques por modelo

Aviação Executiva

  • Phenom 300: 72 unidades em 2025 (vs. 65 em 2024)
  • Phenom 100: 14 unidades em 2025 (vs. 10 em 2024)
  • Light Jets: 86 unidades no total
  • Praetor 500: 39 entregas em 2025 (vs. 28 em 2024)
  • Praetor 600: 30 entregas em 2025 (vs. 27 em 2024)

Aviação Comercial

  • E175: 34 unidades em 2025 (vs. 26 em 2024)
  • E190-E2: 6 unidades em 2025 (vs. 8 em 2024)
  • E195-E2: 38 unidades em 2025 (vs. 39 em 2024)

Defesa e Segurança

  • KC-390 Millennium: 3 unidades em 2025 (vs. 3 em 2024)
  • A-29 Super Tucano: 8 unidades em 2025 (estreia nas entregas)

Perspectivas para 2026
Com a recuperação da demanda global por aeronaves e o fortalecimento de seu portfólio, especialmente nos jatos executivos e no E2, a Embraer se posiciona para dar continuidade ao crescimento em 2026. A empresa projeta entregar entre 222 e 240 aeronaves comerciais e executivas este ano, mantendo trajetória de expansão.

Os resultados reforçam a posição da Embraer como uma das principais fabricantes globais de aeronaves comerciais e executivas de pequeno e médio porte, competindo diretamente com gigantes como Bombardier e Gulfstream no mercado executivo, e mantendo protagonismo no nicho de jatos regionais.

Análise de Mercado
O desempenho da Embraer em 2025 reflete não apenas a execução eficiente de sua estratégia industrial, mas também a recuperação do setor de aviação após anos desafiadores. O crescimento de 267% nas entregas militares e o fortalecimento da linha executiva indicam diversificação bem-sucedida do portfólio.

A liderança do Phenom 300 pelo 13º ano consecutivo é particularmente notável em um mercado competitivo, demonstrando a aceitação consistente dos produtos brasileiros no segmento premium global.

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