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19 maio, 2026

Muito além do KC-390: como a Embraer Defesa & Segurança se transformou em um conglomerado estratégico de defesa, espaço, cibernética e inteligência

 Uma gigante tecnológica que a maioria dos brasileiros ainda desconhece

 

*LRCA Defense Consulting - 19/05/2026

Para o grande público, a Embraer é sinônimo de aviões de passageiros. Para quem acompanha a indústria de defesa, o nome evoca o cargueiro militar KC-390 Millennium e o turboélice de ataque leve A-29 Super Tucano. Mas existe um universo paralelo, igualmente impressionante, que raramente ocupa manchetes: a extensa teia de tecnologias, subsidiárias, consórcios e participações acionárias estratégicas que compõe a Embraer Defesa & Segurança. Satélites, radares de fabricação nacional, sistemas de controle de tráfego aéreo, cibersegurança, fragatas de guerra, aviões de alerta precoce, monitoramento de fronteiras, aviônicos de combate e até aviação agrícola. Este é o retrato de uma empresa que poucos conhecem de verdade.

No encerramento de 2025, a divisão de Defesa & Segurança respondeu por cerca de 14% da receita total da Embraer, mas cresce consistentemente: registrou alta de 10% em comparação com o ano anterior, com carteira de pedidos da ordem de US$ 3,9 bilhões. Esses números, contudo, subvalorizam o peso estratégico do segmento para o Brasil, cujos desdobramentos vão da soberania territorial à infraestrutura espacial.

As aeronaves de combate: o rosto mais conhecido

✈ KC-390 Millennium
O KC-390 Millennium é hoje o carro-chefe de exportação da divisão. Produzido em parceria com a Força Aérea Brasileira, o bimotor a jato de transporte multimissão foi concebido para substituir o C-130 Hércules em diversas frotas. Desde que entrou em operação com a FAB em 2019, acumula taxa de conclusão de missão superior a 99%. A aeronave já foi selecionada por doze forças aéreas, incluindo vários países da OTAN: Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos, Lituânia (processo de aquisição em pausa) e Uzbequistão. No acumulado de 2025, foram entregues três unidades. Em 2025, o F-39 Gripen e o KC-390 foram certificados para missões de reabastecimento em voo no âmbito da Operação Samaúma, confirmando a interoperabilidade entre as duas aeronaves-símbolo do rearmamento brasileiro.

Em fevereiro de 2026, a Embraer anunciou parceria com a Northrop Grumman para aprimorar as capacidades de reabastecimento aéreo do KC-390 para a Força Aérea dos EUA e de nações aliadas. O acordo prevê sistema de reabastecimento aéreo autônomo avançado, comunicações aprimoradas, consciência situacional e recursos de autoproteção, sinalizando que a aeronave mira o disputadíssimo mercado norte-americano.

Parceiros: FAB (cliente e coprojetista), Northrop Grumman (EUA), Elbit Systems/AEL Sistemas (sistemas de autoproteção DIRCM), Rohde & Schwarz (rádios).

 A-29 Super Tucano
O Super Tucano é o turboélice de ataque leve e treinamento avançado mais bem-sucedido de sua categoria. Com mais de 290 pedidos e 580 mil horas de voo acumuladas, sendo 60 mil em combate, o A-29 opera com forças aéreas de América Latina, África, Oriente Médio e Europa. Em 2024, a Embraer anunciou vendas para Portugal (versão A-29N, certificada para uso pela OTAN), Uruguai, Paraguai e dois clientes não revelados. O coração tecnológico da aeronave é a suíte aviônica desenvolvida e integrada pela AEL Sistemas, de Porto Alegre, que inclui displays multifuncionais coloridos compatíveis com óculos de visão noturna, Head-Up Display (HUD) e sistemas de comunicação segura. Essa integração transforma o A-29 em uma plataforma tripla: ataque leve, ISR armado e treinamento avançado, além da versão antidrone que está desenvolvimento final.

Parceiros: FAB, AEL Sistemas (aviônicos completos), Sierra Nevada Corporation/SNC (EUA, variantes americanas).

 

 F-39 Gripen: montagem nacional e aviônicos brasileiros
Embora o Gripen seja um produto da sueca Saab, a Embraer ocupa papel central no programa: é responsável pela linha de montagem final no Brasil, instalada em Gavião Peixoto (SP). Os 36 exemplares F-39E/F encomendados pela FAB serão produzidos nessa fábrica até 2032. Em março de 2026, o primeiro F-39 Gripen montado pela Embraer foi entregue formalmente à FAB, marcando um marco histórico para a aviação de combate brasileira. A aeronave realizou os primeiros disparos reais do míssil Meteor, o mais avançado míssil ar-ar de longo alcance em serviço no mundo. Aqui, novamente, a AEL Sistemas desempenha papel decisivo, fornecendo o Wide Area Display (WAD), uma tela panorâmica de alta resolução que é o principal painel do cockpit, além do HUD e dos sistemas relacionados ao Link-BR2.

Parceiros: Saab (Suécia, fabricante e licenciadora), AEL Sistemas (displays e integração aviônica), Rohde & Schwarz (rádios Soveron AR5000), MBDA (míssil Meteor).

AEL Sistemas: o sócio israelense-brasileiro no coração dos aviônicos nacionais
Pouco conhecida do grande público, a AEL Sistemas é uma das empresas mais estratégicas da Base Industrial de Defesa brasileira. Sediada em Porto Alegre e com mais de quatro décadas de existência, a empresa é controlada pela israelense Elbit Systems Ltd. (listada na NASDAQ e na Tel Aviv Stock Exchange), tendo a Embraer Defesa & Segurança como acionista minoritária. Essa estrutura dual confere à AEL uma posição singular: é uma empresa genuinamente brasileira em sua operação, com engenheiros e técnicos nacionais no centro do desenvolvimento, mas com acesso às tecnologias de ponta de um dos maiores conglomerados de defesa do mundo.

A relação entre Embraer e AEL é muito anterior à participação acionária. A AEL foi uma das primeiras fornecedoras de sistemas eletrônicos para o Tucano e o caça AMX (A-1) nas décadas de 1980 e 1990. O acordo formal de participação societária e cooperação estratégica foi anunciado na LAAD de 2011, quando as duas empresas também firmaram intenção de explorar conjuntamente o mercado de veículos aéreos não tripulados (VANTs), com a criação da Harpia Sistemas, que chegou a ter também a Avibras como sócia minoritária (9%), antes de ser encerrada em 2016 por restrições orçamentárias.

 Presença em toda a frota militar brasileira
Hoje, a AEL Sistemas está embarcada em praticamente toda a aviação militar brasileira. No A-29 Super Tucano, forneceu a suíte aviônica completa. Nos caças F-5M, modernizados pela própria Embraer para a FAB, integrou aviônicos digitais. No F-39 Gripen, produz o Wide Area Display e o HUD. No programa E-99M, participou da modernização dos sistemas aviônicos de bordo. No KC-390, o grupo Elbit Systems fornece o sistema de autoproteção DIRCM (Directional Infrared Countermeasures), que protege a aeronave contra mísseis de infravermelhos em voo.

 

 Link-BR2: o datalink tático brasileiro
Um dos projetos mais estratégicos nos quais a AEL está envolvida é o Link-BR2, o sistema de enlace de dados tático criptografado e de desenvolvimento nacional que permitirá às aeronaves da FAB trocar informações em tempo real entre si e com centros de comando e controle em terra e no mar. O Link-BR2 é o equivalente brasileiro do Link-16 da OTAN. O desenvolvimento foi iniciado pela Mectron Communication, empresa que, em 2017, foi adquirida pela AEL Sistemas e passou a integrar seu grupo. A Mectron Communication, sediada em Porto Alegre, assumiu a liderança técnica do programa. Quando plenamente operacional, o Link-BR2 conectará o F-39 Gripen, o A-29 Super Tucano, o E-99M e o KC-390 em uma rede tática integrada, multiplicando exponencialmente a eficácia de cada plataforma individual.

Parceiros do Link-BR2: AEL Sistemas/Mectron Communication (liderança), FAB/COPAC (contratante), Rohde & Schwarz (rádios compatíveis).

 Uma parceria de dupla via
Para a Embraer, a participação acionária na AEL representa acesso privilegiado a tecnologias de eletrônica embarcada, sensores e guerra eletrônica que ela mesma não possui em casa. Para a AEL, a associação com a Embraer garante volume de contratos, escala industrial e o prestígio de integrar os programas mais importantes da defesa brasileira. Para o Brasil, o arranjo significa que tecnologias sensíveis são desenvolvidas e produzidas no país, com engenheiros nacionais, mesmo que sob a égide de um grupo israelense. É uma das formas mais eficazes de transferência e retenção tecnológica que o país conhece.

Os "olhos" das Forças Armadas: inteligência aérea

 E-99M: o avião-radar brasileiro
Bem menos comentada que o KC-390, a frota de aeronaves AEW&C (Alerta Aéreo Antecipado e Controle) da FAB é uma das mais sofisticadas do mundo em sua categoria. Baseado no jato regional ERJ-145, o E-99 foi desenvolvido nos anos 1990 para integrar o SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia) e entrou em operação em 2002. A FAB adquiriu cinco aeronaves do tipo AEW (designação original R-99A, rebatizadas E-99 em 2008) e três do tipo reconhecimento e sensoriamento remoto (R-99B, hoje R-99).

Em 2012, contrato de R$ 430 milhões deu início ao programa E-99M, modernização completa da frota. O quinto e último exemplar, na configuração FOC (Full Operational Capability), foi entregue em novembro de 2023. O E-99M passou a contar com o radar Erieye ER da Saab, capaz de detectar aeronaves em voo rasante a 450 km de distância e alvos em altitude a mais de 700 km, sete rádios V/UHF definidos por software, sistema de Guerra Eletrônica NCOM, novo transponder IFF e Data Link atualizado. Além do Brasil, o EMB-145 AEW&C também é operado pelas forças aéreas da Índia, México e Grécia.

Parceiros: Saab (radar Erieye ER, Suécia), AEL Sistemas (aviônicos de bordo e sistemas de missão), Rohde & Schwarz (comunicações), Atech (sistema de comando e controle e estações de planejamento de missão).

 R-99: reconhecimento e sensoriamento
O R-99, versão de reconhecimento e sensoriamento remoto do ERJ-145, é equipado com radar de abertura sintética capaz de produzir imagens de alta resolução do solo. Integra o SIVAM junto ao E-99, monitorando garimpos ilegais na Amazônia, movimentações de tráfico de drogas e missões humanitárias.

 P600 AEW&C: o próximo passo
Em 2019, durante o Paris Airshow, a Embraer firmou acordo de cooperação estratégica com a IAI/ELTA Systems, de Israel, para desenvolver o P600 AEW&C, versão militar do jato executivo Praetor 600. Com alcance civil de cerca de 8,7 mil km e teto de 45 mil pés, o P600 é proposto como plataforma de alerta antecipado mais ágil e econômica que as soluções baseadas em aeronaves de maior porte. O radar GaN AESA digital de Banda S oferece cobertura de 240° com dois arranjos de antenas dorsais back-to-back, IFF civil e militar integrado e cobertura 360° via ADS-B. O sistema foi apresentado em conferências internacionais como solução de ISR economicamente viável para países que não comportam o custo de frotas AEW de grande porte. A Índia avaliou o sistema em conjunto com o programa Netra Mk2.

Parceiros: IAI/ELTA Systems (Israel, radar ELM-2096 e sistemas de missão).

Radares e sistemas terrestres: a soberania que vem do chão
O Brasil pertence a um seleto grupo de países que domina a tecnologia de fabricação de radares. Essa conquista foi construída ao longo de décadas em parceria entre a Embraer, por meio da Bradar (hoje incorporada à Savis), e o Exército Brasileiro.

 Família Saber de radares
A linha de radares Saber, inteiramente desenvolvida no Brasil, abrange diferentes faixas de missão. O Saber M60 é um radar de vigilância e defesa aérea de baixa altitude, ideal para detectar aeronaves e drones em voos rasantes. O Saber M200 Vigilante é um radar de vigilância e alerta aéreo antecipado de longo alcance. Ambos já foram entregues ao Exército Brasileiro no âmbito do Programa Estratégico de Defesa Antiaérea. Em 2021, Embraer e o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército (DCT) assinaram acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento conjunto do Sistema Radar de Contrabateria, destinado a localizar morteiros, obuses e foguetes inimigos em tempo real.

Parceiros: Exército Brasileiro (DCT, principal contratante e coprojetista).

 SISFRON: a sentinela das fronteiras
O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras é um dos maiores programas de vigilância de fronteiras em execução no planeta. O SISFRON cobre os 16.886 quilômetros de fronteira terrestre do Brasil com uma rede integrada de radares, câmeras, sensores, postos de observação e centros de controle conectados em rede segura. A Embraer é a principal integradora do sistema, responsável pelos radares, pelos Centros de Comando e Controle (CC2) e pela arquitetura tecnológica como um todo.

Na Fase 1, o foco foi o trecho entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai, com resultados expressivos no combate ao crime organizado. Na Fase 2, o programa se expandiu para o restante do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e a Amazônia. Em novembro de 2025, a Embraer entregou ao Exército as primeiras quatro unidades do Centro de Comando e Controle Móvel (CC2), instaladas em viaturas táticas climatizadas. Esses CC2 integram rádios táticos de longo, médio e curto alcance, enlaces de dados, comunicações satelitais e redes IP com camadas de segurança militar, criando postos de comando avançados próximos à área de interesse.

Parceiros: Exército Brasileiro (contratante principal), Savis (empresa do grupo Embraer, especializada em monitoramento de fronteiras e proteção de estruturas estratégicas), Atech (sistemas de C2).

 

 Savis-Bradar: o braço de radares e vigilância
A Savis Tecnologia e Sistemas, sediada em Campinas (SP), foi consolidada pela Embraer Defesa & Segurança em 2016 junto com a Bradar Indústria, empresa de base tecnológica especializada no desenvolvimento e produção de radares SAR (Synthetic Aperture Radar). A fusão reuniu a capacidade de integração de sistemas da Savis com a engenharia de radares da Bradar, formando um único braço focado em projetos de defesa e vigilância territorial. Ambas compunham o Consórcio TEPRO, responsável pela implantação do SISFRON.

Atech: a "system house" invisível que está em todo lugar
Adquirida pelo grupo Embraer em 2013, a Atech Negócios em Tecnologia S.A. é descrita como uma "system house" brasileira, empresa capaz de integrar sistemas complexos de missão crítica para aplicações civis e militares. Ela está presente em praticamente todos os grandes programas do grupo.

 Controle do espaço aéreo
A Atech é responsável pelos dois sistemas-espinha-dorsal do controle de tráfego aéreo brasileiro. O SAGITARIO (Sistema Avançado de Gerenciamento de Informações de Tráfego Aéreo e Relatório de Interesse Operacional) processa dados de radares e satélites em tempo real, exibindo uma visão integrada do espaço aéreo para os controladores dos CINDACTAs e centros de aproximação do país. O SIGMA (Sistema Integrado de Gestão de Movimentos Aéreos) gerencia planos de voo, capacidade das aerovias e distribuição do tráfego. Em julho de 2024, durante o Farnborough Airshow, a Atech assinou contrato de US$ 17 milhões com o DECEA para modernizar ambos os sistemas. A Atech é uma das dez empresas no mundo que dominam tecnologia de controle de tráfego aéreo, garantindo ao Brasil autonomia na gestão do próprio espaço aéreo.

Parceiros: DECEA/FAB (contratante), CISCEA (Comissão de Implantação Sistema Controle Espaço Aéreo).

 Submarino e reator nuclear da Marinha
A Atech atua no LABGENE (Laboratório de Geração de Energia Nuclear) da Marinha do Brasil, desenvolvendo os sistemas de Controle e Proteção do reator nuclear que alimentará o futuro submarino de propulsão nuclear da classe Álvaro Alberto. O contrato, avaliado em R$ 231 milhões, representa um dos projetos estratégicos mais sensíveis da defesa brasileira.

Parceiros: Marinha do Brasil, CTMSP (Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo), Atlas Elektronik (em projetos navais complementares).

 Helicóptero naval e demais projetos
A Atech forneceu o sistema tático de missões de combate para o H225M/H-XBR Super Cougar da Marinha do Brasil. Também participou do programa de modernização dos P-3 Orion da FAB, em parceria com a Cassidian (braço de defesa da EADS/Airbus Group), e integrou sistemas de missão dos E-99M.

Visiona: o braço espacial da Embraer
Criada em 2012, a Visiona Tecnologia Espacial é uma joint venture entre a Embraer Defesa & Segurança (51%) e a Telebras (49%). Com sede no Parque Tecnológico de São José dos Campos, a Visiona tem por missão integrar sistemas espaciais e prestar serviços baseados em satélites para atender ao Programa Espacial Brasileiro e demandas de mercado.

 SGDC-1: o satélite geoestacionário estratégico
O principal marco da Visiona até hoje é o Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC-1), lançado em 2017 a bordo de um foguete Ariane 5. O satélite oferece cobertura de telecomunicações para todo o Brasil, com banda Ka destinada ao programa Banda Larga nas Escolas e com capacidade reservada para comunicações estratégicas das Forças Armadas. A Visiona gerenciou o programa, num contrato estimado em US$ 500 milhões.

Parceiros: Thales Alenia Space (fabricante, França/Itália), Arianespace (lançamento), Telebras (co-acionista e operadora).

 VCUB1: o primeiro satélite projetado pela indústria nacional
Em abril de 2023, a Visiona lançou o VCUB1 a bordo de um foguete Falcon 9 da SpaceX, na missão Transporter-7. Com 12 kg, o nanossatélite de observação da Terra foi o primeiro totalmente projetado por uma empresa brasileira. Em outubro de 2024, as primeiras imagens foram divulgadas, confirmando o sucesso da missão. O satélite foi descomissionado em fevereiro de 2025, após cumprir sua missão de validação tecnológica.

Parceiros: SpaceX (lançamento), D-Orbit (veículo de transferência orbital ION).

 SatVHR: o próximo salto
A Visiona lidera atualmente o projeto do satélite de observação da Terra de altíssima resolução (SatVHR), com apoio da FINEP e ampla participação de empresas e ICTs brasileiras. Quando lançado, colocará o Brasil entre os países com capacidade independente de imageamento de alta resolução para defesa, agricultura, monitoramento ambiental e gestão de desastres.

 

Consórcio Águas Azuis: Embraer no mar
O Consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), pela Embraer Defesa & Segurança e pela Atech, venceu a concorrência do Programa Corvetas Classe Tamandaré e assinou contrato com a EMGEPRON para fornecer quatro fragatas modernas à Marinha do Brasil, por valor estimado em US$ 1,6 bilhão.

Os navios são baseados no conceito da classe MEKO, desenvolvida pela TKMS, com 82 corvetas e fragatas entregues a 14 Marinhas desde 1982. A divisão de responsabilidades é clara: a TKMS lidera a engenharia naval; a Atech é responsável pelo CMS (Combat Management System) e pelo IPMS (Integrated Platform Management System); a Embraer Defesa & Segurança responde pela integração de sensores e armamentos. Os quatro navios serão finalizados no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, com grau de nacionalização de 31,6% a 41%.

Paralelamente, a Atech desenvolve para a Marinha os sistemas de controle e proteção do LABGENE, o laboratório que testa em escala real a planta nuclear do futuro submarino Álvaro Alberto.

Parceiros: Thyssenkrupp Marine Systems (Alemanha), Atlas Elektronik (sistemas eletrônicos navais), L3 MAPPS (sistemas de plataforma), Estaleiro Oceana (construção local), EMGEPRON e Marinha do Brasil.

 

Tempest Security Intelligence: a cibersegurança sob o guarda-chuva da Embraer
Em 2020, a Embraer se tornou acionista majoritária da Tempest Security Intelligence, a maior empresa especializada em cibersegurança e prevenção a fraudes digitais do Brasil. Fundada em 2000 no Recife por pesquisadores da UFPE, a Tempest já tinha participação indireta da Embraer desde 2016 por meio do FIP Aeroespacial, fundo criado em parceria com o BNDES, a FINEP e a Agência de Desenvolvimento Paulista.

Com escritórios em Recife, São Paulo e Londres, a Tempest atende mais de 600 empresas e conta com mais de 600 colaboradores. Um de seus produtos emblemáticos, o "Allow Me", está embarcado em mais de 30 milhões de smartphones brasileiros, integrando o sistema de autenticação do internet banking. O investimento da Embraer abriu à Tempest novos mercados em defesa, indústria aeroespacial e infraestrutura crítica.

Parceiros históricos: BNDES, FINEP e Desenvolve SP (via FIP Aeroespacial).

Centros móveis de operações táticas: o C2 vai ao campo
A Embraer Defesa & Segurança desenvolve e fornece Centros de Comando e Controle (CC2) móveis, instalados em viaturas táticas ou abrigos transportáveis. No âmbito do SISFRON Fase 2, as primeiras quatro unidades foram entregues ao Exército Brasileiro em 2025. Cada CC2 embarca estações de trabalho redundantes, servidores, sistemas de visualização georreferenciada, múltiplos meios de comunicação seguros (rádios táticos de longo, médio e curto alcance, enlaces de dados, comunicações satelitais e redes IP) e camadas de cibersegurança compatíveis com requisitos militares. A mobilidade permite que o comandante acompanhe o cenário em tempo quase real, mesmo em deslocamento ou após rápida instalação em terreno adverso.

 

Aviação agrícola: o Ipanema e um segmento à parte
A aviação agrícola é uma divisão própria da Embraer, tecnicamente separada da Defesa & Segurança, mas merece menção pelo peso histórico e pela peculiaridade de conter a única aeronave certificada e produzida em série no mundo movida a etanol. O Ipanema, fabricado na Unidade Botucatu (SP), herdeira da Neiva (adquirida em 1980), está em sua quinta geração. O modelo EMB-203 pulveriza mais de 200 hectares por hora. Em novembro de 2025, a empresa celebrou a entrega da unidade 1.700. O Ipanema detém 60% de participação no mercado nacional de pulverização aérea.

Parceiros: Koppert (bioinsumos), BNDES (financiamento via Fundo Clima), Sabri e Agroefetiva (consultorias técnicas).

A dimensão do conglomerado: síntese estratégica
Olhando para o conjunto, a Embraer Defesa & Segurança emerge como um dos mais completos ecossistemas de defesa e tecnologia do Hemisfério Sul. Ela não é apenas fabricante de aeronaves: é integradora de sistemas navais complexos, desenvolvedora de satélites, gestora do espaço aéreo civil e militar, guardiã das fronteiras terrestres, parceira estratégica do programa nuclear da Marinha, controladora da maior empresa de cibersegurança do país e acionista de uma das empresas mais críticas para a eletrônica de combate brasileira, a AEL Sistemas.

A internacionalização avança em múltiplas frentes. O KC-390 está presente em três continentes. O E-99M e o P600 AEW&C disputam mercados na Europa, Ásia e Oriente Médio. O Super Tucano segue como referência global. Os sistemas de controle de tráfego aéreo da Atech atraem interesse internacional. E o Link-BR2, em desenvolvimento pela AEL/Mectron Communication, promete conectar toda a aviação de combate brasileira em uma rede tática de última geração.

Para além dos números, o que esses programas representam é uma cadeia de transferência de tecnologia, formação de competências e consolidação de capacidades industriais que dificilmente poderiam ser reconstruídas do zero. A participação acionária cruzada, como a que une Embraer e AEL Sistemas, cria laços que vão além de contratos: são estruturas que garantem que o conhecimento permaneça no Brasil, que engenheiros brasileiros dominem tecnologias sensíveis e que o país mantenha autonomia nas decisões mais críticas de sua defesa. Em um mundo que se remilitariza a passos largos, isso tem um valor que nenhum balanço contábil consegue capturar inteiramente.

Taurus encerra 1T26 no vermelho, mas trimestre é um divisor de águas

Combinação de tarifa de 50%, acordo judicial não recorrente e câmbio desfavorável gerou prejuízo de R$ 36,6 milhões, mas a empresa encerrou o período com carteira de pedidos próxima a US$ 100 milhões, margem bruta superior à de concorrentes americanos e perspectiva de receber US$ 18 milhões em restituições tarifárias ainda no 2T26. 

 

*LRCA Defense Consulting - 19/05/2026

A Taurus Armas S.A. (B3: TASA3; TASA4) registrou prejuízo líquido de R$ 36,6 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), revertendo o lucro de R$ 18,6 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. O resultado, publicado na última sexta-feira (15), foi debatido nesta segunda-feira (18) em live com analistas e investidores, conduzida pelo canal do analista Marco Saravalle com a presença do CEO global Salesio Nuhs e do CFO Sergio Sgrillo.

O trimestre concentrou uma série de fatores adversos que a gestão classifica como não recorrentes ou já superados: dois meses de incidência da sobretarifa de 50% sobre exportações para os Estados Unidos (vigente até 24 de fevereiro), o reconhecimento integral de um acordo jurídico firmado nos EUA no início de abril, e a valorização do real frente ao dólar, cuja cotação média (PTAX) recuou 10,1% em relação ao 1T25.

"O nosso trimestre foi um trimestre especial, extraordinário", disse Nuhs na live. "Ele limpou os problemas que nós tínhamos com relação às tarifas." O executivo resumiu os 18 meses anteriores como um "kit de maldades" que reuniu ao mesmo tempo restrições regulatórias no Brasil, a sobretarifa americana e o impacto cambial. "O kit de maldades acabou", concluiu.

Receita e margens: resiliência acima dos pares
A receita operacional líquida consolidada alcançou R$ 354,9 milhões no 1T26, crescimento de 1,7% frente ao 1T25, desempenho considerado expressivo dado o ambiente tarifário que vigorou na maior parte do trimestre. O mercado interno avançou 14,8% na mesma comparação, reflexo da aceleração no processamento de documentos para caçadores, colecionadores e atiradores (CACs) com a migração do controle para a Polícia Federal, que neste mês de maio anuncia um novo sistema de gestão.

O lucro bruto somou R$ 100,1 milhões, com margem bruta de 28,2%. O indicador ficou 4,1 pontos percentuais abaixo do 1T25, mas superou os concorrentes americanos: a Ruger registrou margem bruta de 19,9% e a Smith & Wesson (S&W), 26,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2026. "A gente mantém a nossa tradição de empresa de capital aberto que tem a maior margem bruta", disse Nuhs, destacando que o desempenho foi alcançado mesmo com o peso das tarifas.

As despesas operacionais somaram R$ 135,5 milhões, alta de 15,4% sobre o 1T25, fortemente influenciadas pelo acordo judicial reconhecido no período. O Ebitda ficou negativo em R$ 20,1 milhões, ante resultado positivo de R$ 7,0 milhões no 1T25. Excluídos os efeitos não recorrentes, a companhia avalia que o 1T26 teria sido "um dos melhores primeiros trimestres dos últimos anos", nas palavras de Nuhs.

Tarifa derrubada e restituição em curso
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em 24 de fevereiro de 2026, que declarou ilegal a política tarifária de 50%, abriu caminho para a devolução de aproximadamente US$ 18 milhões pagos pela Taurus ao longo de cerca de oito meses. O release de sexta-feira informava o recebimento de uma primeira parcela de US$ 2,4 milhões, depositada em 13 de maio no caixa da subsidiária americana.

Na live desta segunda, Nuhs e Sgrillo atualizaram o dado: até a sexta-feira anterior (16/5), o total já recebido havia chegado a cerca de US$ 6 milhões, com o governo americano processando os pagamentos em tranches diárias. A expectativa é receber o valor integral até o final de junho, dentro do prazo máximo de 90 dias estabelecido pelas autoridades americanas. "Está sendo processado mais rápido do que a gente esperava", disse Sgrillo.

Há ainda um valor residual de aproximadamente US$ 700 mil a US$ 1.000.000 que a empresa ainda estuda se recupera por via administrativa ou judicial. Quando recebidos, os recursos serão lançados como "outras receitas operacionais", impactando positivamente o Ebitda e o resultado líquido do 2T26. Sgrillo confirmou que os valores entrarão diretamente no caixa da operação americana para abater dívida.

A tarifa atualmente vigente é de 10%, patamar ao qual a Taurus já operou anteriormente. "A partir do segundo trimestre, a gente começa a ter uma vida normal, como a que tinha antes da tarifação", disse o CFO, sinalizando que o 2T26 deve se assemelhar ao 2T25 em termos de condições operacionais, com melhora gradual esperada ao longo do ano.

Produção: pela primeira vez, EUA superam o Brasil
No 1T26, a produção nos Estados Unidos superou pela primeira vez o volume fabricado no Brasil, respondendo por aproximadamente 52% das 157 mil armas produzidas no trimestre. O movimento refletiu a estratégia de internalização adotada durante a vigência da sobretarifa, com a montagem de pistolas e revólveres transferida temporariamente para a planta de Bainbridge, na Geórgia.

Com o fim da tarifa, a empresa já reverteu o movimento. "Revólver a gente já trouxe 100% pro Brasil. A partir de abril, a gente também está produzindo as pistolas da família G no Brasil", informou Nuhs na live. A produção americana passou a se concentrar na família TX e nos produtos Heritage, mantendo a lógica de atender o mercado local com fabricação local. Em janeiro, a unidade brasileira concedeu 15 dias de férias coletivas, o que também contribuiu para reduzir o volume nacional no trimestre.

A flexibilidade de produção entre os dois países é apontada pela gestão como um diferencial competitivo estrutural. O retorno da produção ao Brasil, onde os custos são menores, deve contribuir para a recuperação de margem nos próximos trimestres. "A gente continua tendo os melhores custos no Brasil", afirmou Nuhs.

Portfólio em renovação: TX9, RPC e a aposta no mercado militar
O 1T26 marcou o início da vigência comercial de dois novos produtos estratégicos: a pistola TX9 e a RPC (Raging Pistol Carbine). A TX9 foi lançada globalmente em janeiro de 2026, fabricada nos EUA sob protocolos militares da OTAN, e já foi adotada pioneiramente pela Guarda Municipal de Esteio (RS) entre as forças de segurança brasileiras. A plataforma modular, com quatro tamanhos de pistola e sistema de segurança Tetralock, é posicionada acima de US$ 400 no mercado americano, rompendo com a faixa de entrada de consumo onde a Taurus historicamente concentrava suas vendas.

A RPC, lançada no NRAAM (National Rifle Association Annual Meeting) em Houston no dia 14 de abril, é uma PDW (arma de defesa pessoal) em calibre 9x19mm com ação retardada por roletes, categorizada nos EUA como pistola por ser comercializada sem a coronha. A recepção no mercado americano foi imediata e muito positiva, com o produto figurando entre os mais lidos no American Rifleman, publicação oficial da NRA, e gerando interesse de portais como Guns.com e Rifle Configurator. O preço em torno de US$ 700 a posiciona como a alternativa mais acessível no segmento de ação retardada por roletes, à frente da HK SP5 e da Springfield Armory Kuna.

Nuhs ressaltou na live que o portfólio está sendo racionado. "A gente tinha 240 SKUs de pistola num distribuidor. É humanamente impossível gerenciar isso", disse. A TX9 passa a ser a plataforma central, com versões para os mercados civil, policial, militar e esportivo. Uma versão Competition voltada para IPSC deve ser apresentada no SHOT Show de julho. A TX22, arma mais vendida nos EUA no portfólio Taurus, conta atualmente com carteira de 175 mil unidades, impulsionada pelo custo da munição calibre .22, mais barata em um cenário de inflação elevada nos Estados Unidos.

Índia e mercados internacionais: contratos crescem
A joint venture JD Taurus, na Índia, registrou avanço expressivo no período. Segundo dados consolidados, apenas em 2026 a JD Taurus já ganhou mais de 15 mil armas em licitações: 5.368 pistolas TS9 para as Forças Armadas Policiais Centrais (CAPF) em janeiro e 6.136 unidades para a Força-Tarefa Especial de Uttar Pradesh em março, além de contratos adicionais que completam o total divulgado no release. As vendas civis cresceram mais de 60% em 2025.

"A gente ganhou esse ano 15.000 armas em licitações só na Índia, mas estamos participando de mais de 25.000 em licitações para os próximos meses", informou Nuhs. A receita da JD Taurus não é consolidada nas demonstrações financeiras, sendo reconhecida via equivalência patrimonial. Para os próximos períodos, a empresa prevê o desenvolvimento de fornecedores locais para a TX9 e a expansão do portfólio civil no país.

Nos demais mercados internacionais, as vendas totalizaram 13 mil armas no 1T26, com destaque para Filipinas, África do Sul e Guatemala. A Taurus recebeu no trimestre o Notice to Proceed referente à licitação de 10.402 fuzis, vencida anteriormente, com entregas previstas ao longo de 2026. No Brasil, a empresa venceu licitação da Polícia Militar do Distrito Federal para fornecer mais de 1.800 submetralhadoras calibre 9 mm, no valor aproximado de R$ 12 milhões, aguardando a finalização do processo.

Mertsav: aquisição avança para os 'finalmentes'
Em 2 de abril de 2026, a Taurus divulgou fato relevante sobre proposta não vinculante para aquisição do controle acionário da turca Mertsav Savunma Sistemleri A.Ş., especializada em sistemas de armas de médio calibre, incluindo metralhadoras nos calibres 5,56, 7,62 e .50. Na live, Nuhs informou que a due diligence está "bastante avançada", com a auditoria dos resultados até o 1T26 em fase de conclusão.

"A gente tá indo pros finalmentes na auditoria dos resultados. Acho que até o final do ano a gente tem a decisão tomada, com certeza absoluta", afirmou o CEO. A estratégia é manter a operação na Turquia para exportações internacionais, dado o ambiente regulatório mais favorável do que o brasileiro para produtos de defesa, e trazer a tecnologia para São Leopoldo para atender às Forças Armadas brasileiras.

A Mertsav representa para a Taurus o elo que falta em seu portfólio para cobrir a faixa entre pistolas e calibres maiores. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs. O mercado global de armamentos de médio e grande calibre movimentou cerca de US$ 45,8 bilhões em 2025, com projeção de atingir US$ 74 bilhões até 2032, crescimento anual médio superior a 7%.

Como grande novidade, a empresa informa que está desenvolvendo, paralelamente, um portfólio de veículos não tripulados, aéreos e terrestres, que serão equipados com as armas do segmento médio e pesado quando a tecnologia estiver disponível. O drone TAS (Tactical Air Soldier), apresentado no World Defense Show 2026 em Riade, já integra o portfólio Taurus Military Products.

Endividamento recua; alavancagem deve cair no 2T26
A dívida líquida encerrou o 1T26 em R$ 541,1 milhões, redução de 5,4% frente ao encerramento de 2025. Sgrillo destacou que a companhia adotou, nos últimos cinco a seis meses, política ativa de desestocagem nos EUA, liberando cerca de R$ 100 milhões de produto acabado para gerar caixa sem aumentar o endividamento, mesmo em um ano de resultados menores.

O custo médio da dívida é de 7,04% ao ano, considerado competitivo. Parcela relevante dos financiamentos é proveniente de linhas com a Finep e o Plano Brasil Soberano, com custo médio de 5,32% ao ano. "A gente imagina que num período de um ano volta a ter uma alavancagem de duas a duas vezes e meia, que é super sadia", disse o CFO.

Com a entrada dos US$ 18 milhões de restituição tarifária, a dívida líquida deve recuar de forma relevante já no 2T26. Em setembro, a companhia prevê inaugurar o CITE (Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia) em São Leopoldo, que concentrará os esforços de pesquisa e desenvolvimento de produtos, aliviando a fábrica das interrupções causadas pelos tryouts de novos modelos.

Perspectivas: 2026 como ano de virada
A gestão da Taurus projeta recuperação substancial dos resultados a partir do 2T26. Os principais vetores apontados são: recebimento dos US$ 18 milhões de restituição tarifária (com impacto direto no Ebitda, resultado líquido e redução de dívida); operação sem sobretarifa de 50% pelo primeiro trimestre completo; carteira de pedidos nos EUA próxima a US$ 100 milhões, com faturamento previsto até junho/julho; retomada da produção no Brasil, com custos menores; e aceleração dos registros de CACs no mercado interno com o novo sistema da Polícia Federal.

O ano eleitoral no Brasil também é apontado como fator positivo para o setor. "2026 é um ano de eleição aqui no Brasil, que traz uma expectativa pro segmento", disse Nuhs. O CEO adicionou que o mercado americano, apesar das dificuldades econômicas (com o custo de combustível elevado sendo citado como preocupação dos funcionários da Taurus USA na Geórgia), segue em trajetória de lenta recuperação, com o Adjusted NICS registrando crescimento pelo terceiro mês consecutivo em abril.

"Olhando o nosso relatório e os resultados, a gente pode parecer que não é a realidade", concluiu Nuhs. "Mas nós estamos muito satisfeitos. Os resultados foram muito bons. Agora 2026 a gente tem boas perspectivas. É um ano menos tumultuado para nós, e a companhia está pronta para essa expansão internacional".

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