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22 abril, 2026

Embraer amplia presença na América do Norte com novo acordo estratégico no Canadá

Com o novo contrato, a Jazz Aviation LP se torna a primeira cliente canadense do programa ECIP da Embraer

 


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LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

A Embraer anunciou a assinatura de um acordo inédito com a Jazz Aviation LP para suporte ao estoque de peças de reposição da frota de jatos E-Jets da companhia canadense. A parceria marca a entrada do programa de Planejamento Colaborativo de Estoque da fabricante brasileira no Canadá, consolidando sua estratégia de expansão na América do Norte.

A Jazz, maior companhia aérea regional do país e principal operadora da Air Canada Express, opera atualmente 25 aeronaves do modelo Embraer E-175. Com o novo contrato, a empresa se torna a primeira cliente canadense do programa ECIP (Embraer Collaborative Inventory Planning), iniciativa baseada em análise de dados e gestão compartilhada de materiais.

Segundo a Embraer, o modelo do ECIP prevê que a fabricante arque com a maior parte do investimento em peças de reposição, além de assumir a gestão logística e operacional desses itens. O objetivo é reduzir o tempo de inatividade das aeronaves e otimizar a eficiência operacional das companhias aéreas.

“O novo contrato demonstra o ritmo acelerado de crescimento da nossa área de Serviços e Suporte na América do Norte, região com a maior presença de E-Jets do mundo”, afirmou Carlos Naufel, presidente e CEO da divisão. “Estamos ansiosos para apoiar a Jazz e fortalecer seu desempenho operacional.”

Do lado canadense, o acordo é visto como um avanço na confiabilidade das operações. “Ao aderir ao programa, estamos aproveitando a expertise global da Embraer para reduzir o tempo de inatividade e garantir um serviço consistente aos passageiros”, destacou Doug Clarke, presidente da Jazz.

Modelo baseado em dados e previsibilidade
O ECIP oferece um conjunto de vantagens operacionais e financeiras. Entre os principais pontos estão a redução de custos iniciais com estoque, a previsibilidade de despesas por meio de preços fixos anuais por peça e a melhoria na disponibilidade de componentes críticos.

O sistema também utiliza recomendações semanais baseadas no consumo real e nos níveis de estoque, com apoio de softwares avançados e da expertise da Embraer em planejamento logístico. A fabricante destaca ainda que a rede global de suporte garante prazos de entrega predefinidos e níveis de desempenho elevados.

Relevância estratégica
A América do Norte concentra a maior frota mundial de E-Jets, o que torna a região prioritária para a expansão dos serviços da Embraer. O acordo com a Jazz reforça esse posicionamento e amplia a presença da empresa em um mercado altamente competitivo.

Perfil da Jazz Aviation
A Jazz Aviation opera voos para cerca de 70 destinos na América do Norte e integra o grupo Chorus Aviation Inc.. A companhia tem se destacado por reconhecimentos recentes no Canadá, incluindo prêmios de segurança, diversidade e ambiente de trabalho.

Com a nova parceria, a empresa busca elevar ainda mais seus padrões operacionais e consolidar sua posição como uma das principais operadoras regionais do continente.

Aço 100% brasileiro: Usiminas é única fornecedora do material para as Fragatas Tamandaré

Siderúrgica mineira supera concorrentes internacionais e garante participação estratégica no maior programa naval militar do Brasil em décadas 

Concepção artística das oito fragatas da Classe Tamandaré

*LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

Quando a Fragata Tamandaré (F200) foi entregue à Marinha do Brasil em março deste ano, um feito passou quase despercebido sob a imponência do navio de guerra: toda a estrutura de aço que sustenta o casco e os conveses da embarcação veio de fábricas brasileiras. Mais especificamente, de uma só empresa: a Usiminas.

A companhia foi a única no Brasil fornecedora de aço plano para as embarcações, reforçando seu papel no fortalecimento da indústria nacional e na defesa das águas brasileiras. O feito ganha dimensão ainda maior quando se considera que, segundo publicação especializada, em projetos anteriores o Brasil importava parte do material para a construção naval militar.

O programa
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é uma iniciativa estratégica da Marinha do Brasil para a obtenção, por meio de construção nacional, de quatro fragatas de alta complexidade tecnológica. O contrato foi formalizado em março de 2020 no valor de R$ 9,1 bilhões, com o consórcio Águas Azuis, formado pela alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e pela Embraer Defesa & Segurança. A construção ocorre na TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, Santa Catarina.

As fragatas são embarcações multipropósito projetadas para atuar em cenários de guerra de superfície, antiaérea e antissubmarino, com elevada capacidade de combate e interoperabilidade. O programa foi criado com o objetivo principal de substituir as fragatas Classe Niterói em operação desde 1975 e as Type 22 adquiridas de segunda mão do Reino Unido na década de 1990.

A batalha pela homologação
A conquista da Usiminas não foi trivial. Desde 2020, a empresa participou de um rigoroso processo de homologação para atender às exigências técnicas do PFCT, em um trabalho conjunto que envolveu diversas áreas da companhia para assegurar que o aço atendesse aos padrões internacionais definidos pela certificadora.

As exigências eram severas. Para aplicação nas fragatas, o material precisava apresentar elevada resistência mecânica, tenacidade e excelente soldabilidade, características essenciais para suportar condições severas do ambiente marítimo e operações de defesa. O plano de testes incluiu ensaios mecânicos, análises macro e microestruturais, testes de dureza e impacto, além de avaliações específicas das juntas soldadas, simulando condições reais de fabricação no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Usiminas, o maior em siderurgia da América Latina.

O resultado foi uma vitória sobre concorrentes internacionais. A iniciativa evidencia a competitividade da Usiminas frente a siderúrgicas europeias.

5.200 toneladas de aço nacional
Os números revelam a escala do fornecimento. Cada embarcação utiliza cerca de 1.300 toneladas de aço plano; somadas as quatro fragatas, o total chega a 5.200 toneladas de chapas grossas e bobinas laminadas a quente produzidas exclusivamente em duas fábricas da Usiminas: as chapas grossas em Ipatinga (MG) e as bobinas em Cubatão (SP).

É a primeira vez que o Brasil constrói fragatas desse nível usando exclusivamente material siderúrgico produzido no próprio país.

Para Lúcio Sávio Miranda, especialista em assistência técnica da Usiminas, o significado vai além do contrato. "Nos enche de orgulho a participação da Usiminas no Programa Fragatas Classe Tamandaré, com o qual a Marinha do Brasil poderá ampliar sua atuação na defesa das águas territoriais brasileiras. É um projeto que evidencia a capacidade da indústria nacional, e esperamos seguir contribuindo nas próximas etapas", afirmou.

Modernização da esquadra e soberania marítima
A entrega da F200, em março de 2026, representou um marco histórico. O Termo de Aceitação e Recebimento Provisório (TERP) foi assinado no Rio de Janeiro, simbolizando não apenas a conclusão de uma etapa contratual, mas a consolidação de capacidades industriais e tecnológicas no Brasil.

A Fragata Tamandaré também recebeu os certificados estatutários emitidos pela classificadora internacional Det Norske Veritas (DNV), confirmando a atualização oficial do status da embarcação de "em construção" para "em operação", dentro dos mais altos referenciais internacionais.

As outras três fragatas seguem em diferentes estágios de construção. Em janeiro de 2026, foi iniciada a construção da quarta e última embarcação do primeiro lote, a Fragata Mariz e Barros (F203), fazendo com que o TKMS Estaleiro Brasil Sul atingisse o auge da produção prevista, com as quatro fragatas sendo construídas simultaneamente em território brasileiro.

O programa ainda prevê a geração de cerca de 23 mil empregos - entre diretos, indiretos e induzidos - durante a construção das embarcações, além da reativação do estaleiro em Itajaí, que estava fora de operação.

O futuro: mais quatro fragatas e mais aço brasileiro
O horizonte é ainda mais promissor. Em abril de 2026, o presidente brasileiro confirmou, durante visita à Alemanha, a aquisição de mais quatro fragatas da Classe Tamandaré, elevando a frota total para oito navios. "Um consórcio binacional está construindo quatro fragatas da classe Tamandaré, para entrega até 2028. Aqui em Hanôver, avançamos nas tratativas para a aquisição de mais quatro unidades", afirmou o presidente.

Para o segundo lote, a meta é elevar o índice de conteúdo local de 32% para 42%, e as novas unidades deverão ser integradas com o míssil antinavio brasileiro MANSUP-ER, com alcance estendido para 250 quilômetros.

Se a Usiminas mantiver a condição de fornecedora exclusiva de aço no segundo lote, o volume de material poderá dobrar, chegando a mais de 10 mil toneladas de aço nacional nas fragatas mais modernas já construídas no Brasil.

Grécia na reta final para adquirir o KC-390 Millennium: aeronave fornecerá um poder aéreo que o país não tinha

Aeronave brasileira da Embraer desponta como favorita para substituir a frota obsoleta de C-130H da Força Aérea Helênica, com reabastecimento de caças, sistema de autodefesa e evacuação médica avançada no pacote 


*LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

A Força Aérea da Grécia está na reta final de uma das decisões de defesa mais estratégicas das últimas décadas. A aquisição inicial de três aeronaves de transporte KC-390 Millennium entra em fase de definição, um programa que vai muito além da simples substituição dos envelhecidos C-130H, constituindo uma atualização integral das capacidades de aerotransporte, evacuação médica e reabastecimento aéreo helênicos.

Segundo informações do portal de defesa grego OnAlert, a decisão final para o início dos procedimentos necessários pode ser tomada ainda em maio, com o programa avançando em cooperação com Portugal. Se confirmado, o movimento representará um salto qualitativo inédito para as Forças Armadas gregas e um novo e expressivo triunfo comercial para a Embraer no coração da Europa.

O fim da linha dos Hércules gregos
A situação da frota de C-130H da Grécia é o principal catalisador das negociações. Apesar dos esforços da Força Aérea Helênica, da indústria aeroespacial nacional (EAB) e do 356º Esquadrão de Transporte Tático "Hércules", os índices de disponibilidade do C-130 continuam baixos; no início de 2025, apenas quatro aeronaves estavam operacionais, com a possibilidade de uma quinta retornar ao serviço nos meses seguintes.

A Grécia possui nove C-130 Hercules em seu inventário, mas a maioria está em condições inadequadas para voar. O país chegou a considerar a aquisição de C-130Js usados da Itália, mas nenhum acordo foi alcançado. Uma solicitação formal ao governo norte-americano para aeronaves C-130J-30 novas foi feita em dezembro de 2025, porém o balanço final da avaliação militar parece pender de forma crescente para o lado da Embraer.

Na avaliação do Estado-Maior da Aeronáutica grego, a aeronave brasileira apresenta clara vantagem, não apenas pelo custo de aquisição em relação à proposta americana para os C-130J, mas também por uma série de vantagens operacionais e técnico-econômicas relacionadas à manutenção, suporte, disponibilidade e ao papel múltiplo da plataforma.

 

Uma aeronave de combate disfarçada de cargueiro
O diferencial da proposta grega está nas especificações exigidas. A Força Aérea Helênica não estuda uma simples compra de transporte. O KC-390 deverá ser adquirido com sistema de autodefesa, capacidade de reabastecimento aéreo de aeronaves de combate e equipamento de evacuação médica (medevac), características que transformam a aeronave em multiplicador de poder para o conjunto das Forças Armadas.

No pilar de autodefesa, o modelo já adotado por outros operadores inclui uma suíte integrada de guerra eletrônica, com sensores de alerta contra radares, lasers e mísseis em aproximação, sistema de lançamento de flares e chaffs, além de sistema de contramedidas infravermelhas direcionadas para neutralizar mísseis de guiagem infravermelha. Para os gregos, que operam em um dos cenários de tensão mais delicados da OTAN, o Mar Egeu e o Mediterrâneo Oriental, essa configuração é considerada essencial.

O reabastecimento que a Grécia nunca teve
Talvez o aspecto mais estratégico do programa seja a capacidade de reabastecimento aéreo. A Força Aérea Helênica vê no KC-390 a oportunidade de obter, ainda que numa primeira fase em escala limitada, uma capacidade que historicamente faltou ao arsenal grego. As novas aeronaves deverão ter sistema de reabastecimento com cesta (basket), de modo a poder apoiar, numa primeira fase, os caças franceses da frota helênica.

Os Rafale gregos, adquiridos em um processo acelerado de modernização nos últimos anos, ganhariam assim autonomia operacional significativamente ampliada. Em segundo momento, permanece sobre a mesa a perspectiva de uma configuração com haste rígida (boom), para que se possa apoiar também aeronaves de outras categorias, incluindo os F-16, caso as soluções correspondentes amadureçam.

Essa capacidade de reabastecimento já está consolidada na versão KC-390 operada pelo Brasil. A Força Aérea Brasileira intensificou operações de reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium durante eventos críticos como a COP30 em Belém, apoiando caças F-5M Tiger II responsáveis pela defesa aérea da região; a aeronave permitiu que os caças permanecessem em voo por mais tempo sem precisar pousar para abastecimento, ampliando o alcance e a eficiência das missões de vigilância.

Medevac e a realidade insular grega
O terceiro pilar do projeto é a evacuação aeromédica. A plataforma pode ser equipada para missões de evacuação aeromédica com modernos pacotes de suporte médico, permitindo o transporte de feridos ou doentes em condições muito superiores às que garantem soluções mais antigas. Para a Grécia, com suas centenas de ilhas habitadas, essa capacidade tem dimensão tanto militar quanto humanitária.

O KC-390 Millennium suporta uma gama de missões que inclui transporte de carga, transporte de tropas, evacuação aeromédica, reabastecimento aéreo e combate a incêndios, e pode ser reconfigurado rapidamente para diferentes missões usando kits modulares.

Portugal como porta de entrada... e modelo
O papel de Portugal é considerado fundamental. A cooperação com a Força Aérea Portuguesa oferece à Atenas a possibilidade de se apoiar em um quadro já estabelecido de exploração operacional, suporte e transferência de conhecimento. Lisboa já incorporou o tipo ao serviço e funciona essencialmente como o pilar europeu do KC-390.

A parceria lusitana com a Embraer está em franca expansão. Em setembro de 2025, Portugal assinou aditamento ao contrato para aquisição da sexta aeronave KC-390 Millennium e inclusão de dez novas opções de compra para potenciais aquisições por futuras nações parceiras. A Base Aérea nº 11 de Beja consolida-se como centro de referência europeu para o treinamento de tripulações do modelo.

A expansão europeia da aeronave brasileira
A dinâmica europeia em torno do KC-390 é, por si só, um argumento de peso para Atenas. Até o momento, um total de oito países europeus selecionaram a aeronave, incluindo Portugal, Hungria, Holanda, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Suécia e Lituânia, a maioria deles membros da OTAN.

O KC-390 é mais veloz que o C-130J (870 km/h contra 660 km/h) e carrega mais carga (26 toneladas contra 21 toneladas do turbopropulsor americano). Os motores turbofan IAE V2500, amplamente utilizados na aviação comercial com mais de 7.200 unidades construídas, tornam sua manutenção mais simples e barata.

No plano global, a Embraer chegou a um acordo de colaboração com a Northrop Grumman para desenvolver uma nova versão da aeronave destinada a operações de reabastecimento em voo para a Força Aérea dos Estados Unidos, anúncio feito em fevereiro de 2026 em Melbourne, na Flórida. O interesse americano reforça o prestígio internacional da plataforma precisamente no momento em que a Grécia avalia sua adesão ao programa.

Decisão iminente
As informações do OnAlert indicam que o programa já recebeu o "sinal verde" tanto do Estado-Maior das Forças Armadas gregas (GEETHA) quanto da liderança política. O que está em jogo agora é a formalização da decisão e o início dos procedimentos institucionais e interestatais que abrirão caminho para a implementação da aquisição.

O plano inicial contempla a aquisição de três aeronaves em uma primeira fase, com previsão de unidades adicionais em um segundo momento. Esse modelo permite à parte grega limitar o impacto econômico inicial, avançar mais rapidamente nos procedimentos e integrar gradualmente o novo tipo na estrutura operacional da Força Aérea Helênica.

Se a decisão for confirmada ainda em maio, como indicam as fontes, a Grécia se tornará o mais novo membro de um clube europeu em rápida expansão, ao passo que a Embraer consolidará mais um avanço decisivo na substituição dos veteranos C-130 no Velho Continente.

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