Parceria estratégica com SKA e HP coloca
fabricante brasileira de drones no seleto grupo de países que dominam
manufatura aditiva para aplicações militares
*LRCA Defense Consulting - 06/02/2026
Enquanto a Ucrânia revoluciona a guerra moderna com
drones produzidos em impressoras 3D espalhadas por fábricas secretas próximas à
linha de frente, o Brasil dá um salto estratégico na mesma direção, mas com uma
vantagem: a capacidade de construir essa tecnologia crítica em ambiente
controlado, antes que seja necessário utilizá-la sob pressão de conflito.
A XMobots, maior fabricante de drones da América
Latina, acaba de consolidar uma parceria que posiciona o país na fronteira
tecnológica da manufatura aditiva para defesa. A aliança com a SKA Automação de
Engenharias, representante da HP no Brasil, traz para o chão de fábrica
brasileiro impressoras 3D industriais de última geração, a mesma tecnologia que
tem permitido à Ucrânia produzir milhares de drones por mês em condições
extremas.
Da linha de frente ao laboratório industrial
Na Ucrânia, a guerra transformou a impressão 3D de promessa em
infraestrutura crítica. Empresas como Wild Hornets operam fazendas de
impressoras (dezenas de equipamentos Bambu Lab e Elegoo funcionando 24 horas
por dia) para produzir componentes de drones interceptadores Sting que combatem
os Shaheds iranianos. A Wild Hornets afirma ter neutralizado 1.738 ativos
inimigos no valor de US$ 1,69 bilhão, incluindo 448 UAVs adversários.
Outras fabricantes ucranianas, como a TAF Drones,
operam instalações secretas no oeste da Ucrânia onde mais de 100 funcionários
produzem cerca de 1.000 drones diariamente usando tecnologias de manufatura que
incluem impressoras 3D. O país já produz mais de quatro milhões de drones
anualmente, estabelecendo novos paradigmas para a indústria global.
O modelo ucraniano demonstrou que a impressão 3D
permite iteração em ciclos curtíssimos: imprimir, montar, testar e modificar
projetos quase em tempo real. Um protótipo que funciona hoje pode ser ajustado
até amanhã, com peças impressas localmente ou provenientes de fornecedores
regionais, comprimindo ciclos de desenvolvimento que poderiam levar anos na
fabricação aeroespacial tradicional em questão de semanas.
Essa agilidade não passou despercebida pelas forças da
OTAN. O Tenente-Coronel Ben Irwin-Clark, comandante do 1º Batalhão Irish Guards
do Exército Britânico, afirmou que a decisão de investir em produção interna de
drones foi "definitivamente uma lição que aprendemos da Ucrânia". Os
britânicos já imprimiram seu primeiro corpo completo de drone e treinam 78
soldados como pilotos ou instrutores.
XMobots: da prototipagem à produção em série
É nesse contexto global que a parceria entre XMobots, SKA e HP ganha
relevância estratégica. Durante visita recente à fábrica em São Carlos (SP),
representantes da SKA conheceram a integração das impressoras HP de última
geração aos processos produtivos da empresa, uma tecnologia ainda rara no
Brasil.
Participaram do encontro Jeisiane Valério, COO da
XMobots, e Gabriel Setim Porto Alegre, vice-presidente de Programas, além de
Paulo Ricardo, gerente de Projetos e Manufatura; Gustavo Francisco Nuñez Reyna
Junior, gerente de P&D em Sistemas Elétricos e Eletrônicos; e Gustavo
Sulino, supervisor de Produção Mecânica.
A XMobots deixou de usar impressão 3D apenas como
ferramenta de prototipagem para tratá-la como pilar central da manufatura de
seus sistemas de defesa. Com a SKA como parceira tecnológica, a empresa acessa
um ecossistema de softwares, processos e materiais que permitem fabricar em
série componentes de alta precisão, com repetibilidade e rastreabilidade,
exatamente o tipo de requisito que diferencia um laboratório experimental de
uma linha de produção militar certificada.
A família Nauru: casos de uso da Manufatura Aditiva
As soluções aplicam-se diretamente ao desenvolvimento dos drones da família
Nauru, especialmente os modelos Nauru 100D ISTAR, Nauru 500C ISR
e Nauru 1000C ISTAR, plataformas táticas pensadas para missões de
inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos.
O Nauru 1000C ISTAR, por exemplo, é o drone VTOL
(decolagem e pouso vertical) de categoria 2 selecionado pelo Exército
Brasileiro para missões de monitoramento de fronteiras. Com envergadura de 7,7
metros, autonomia de 10 horas e capacidade de carga útil de 18 kg, o sistema
integra sensores eletro-ópticos, infravermelho, telêmetro laser e sistemas SAR
e GMTI para vigilância.
A XMobots também firmou parceria com a MBDA, maior
empresa europeia de mísseis, para desenvolver a versão armada do Nauru 1000C
com mísseis Enforcer Air, tornando-o o primeiro drone brasileiro a integrar
capacidade de ataque guiado de precisão.
A impressão 3D industrial entra como facilitadora em
diversos pontos críticos:
- Produção de carenagens, suportes
internos, pods de sensores e estruturas secundárias complexas:
geometrias que seriam inviáveis ou extremamente custosas com processos
tradicionais;
- Redução de ferramental,
gabaritos e dispositivos de montagem, acelerando a entrada em produção;
- Iteração rápida de novas
geometrias, hardpoints, dutos e layouts internos, encurtando
drasticamente o ciclo entre projeto e validação em campo.
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| Drone Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA |
Manufatura Aditiva para defesa: casos globais
A adoção da impressão 3D pela indústria de defesa não é novidade nos países
desenvolvidos. A HP anunciou recentemente a disponibilidade geral do material
HP 3D HR PA 11 Gen2 para seus sistemas Multi Jet Fusion, oferecendo até 80% de
reusabilidade de pó e até 40% de redução nos custos variáveis de peças,
confirmando sua prontidão para componentes aeroespaciais, de defesa e energia.
A HP também lançou sua primeira impressora industrial
de filamento, a HP IF 600HT, projetada especificamente para materiais de alta
temperatura para fabricar peças complexas para ambientes exigentes como
aeroespacial e defesa.
Empresas como BMW, John Deere e Schneider Electric já
utilizam as impressoras HP Multi Jet Fusion para produção em série de
componentes finais, não apenas protótipos. Na defesa, a tecnologia permite
produzir desde brackets e jigs até peças estruturais certificadas para voo.
Soberania tecnológica em defesa
Para o Brasil, a parceria XMobots–SKA–HP representa mais do que um avanço
tecnológico pontual. Ela sinaliza:
- Soberania industrial em um dos segmentos mais
críticos da defesa contemporânea, reduzindo dependência de cadeias externas
para modificações ou lotes especiais de componentes;
- Alinhamento com as melhores práticas que emergem
do "laboratório de guerra" ucraniano, mas adaptadas à realidade de um
grande país em paz, com capacidade de construir essa infraestrutura em ambiente
controlado;
- Capacidade de resposta rápida a novas demandas
das Forças Armadas e de clientes internacionais, uma vantagem competitiva
crucial em mercados onde o tempo de desenvolvimento determina contratos.
Fundada em 2007 e incubada no CIETEC-USP, a XMobots
emprega hoje cerca de 700 funcionários e é líder no desenvolvimento de
aeronaves remotamente pilotadas na América Latina, ocupando o 6º lugar no
ranking mundial da Drone Industry Insights. A empresa recebeu investimento da
Embraer em 2022, consolidando sua posição estratégica no setor aeroespacial
brasileiro.
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| Drone Nauru 500C |
O futuro da guerra... e da indústria
Enquanto a Ucrânia demonstra que a impressão 3D pode
sustentar produção quase artesanal, mas em grande escala de drones militares, a
XMobots mostra que o Brasil é capaz de transformar essa lógica em política
industrial: uma fábrica digital de defesa, com robôs industriais, linhas
seriadas e manufatura aditiva integrada.
Em um cenário em que a próxima geração de conflitos
será protagonizada por enxames de drones projetados, fabricados e modificados
em ciclos cada vez mais curtos, ter uma XMobots conectada à SKA e à HP,
dominando impressão 3D industrial no Brasil, é jogar na mesma liga de quem hoje
redefine a guerra na Ucrânia, só que com a vantagem de construir essa
capacidade desde já, em ambiente controlado, para quando o país precisar.
A mensagem é clara: o Brasil não está apenas observando
a revolução da manufatura aditiva na defesa. Está construindo, em São Carlos,
um dos pilares dessa nova era.
Sobre a XMobots
Fundada em 2007, a XMobots é a maior fabricante de
drones do Brasil e da América Latina, com sede em São Carlos (SP). A empresa
desenvolve 100% da tecnologia presente em seus produtos: mecânica, hardware,
software e inteligência artificial. Com aproximadamente 700 funcionários, a
XMobots atende os mercados de agricultura, defesa, segurança pública e
geotecnologia.
Sobre a SKA Automação de Engenharias
A SKA é representante oficial da HP no Brasil para
soluções de impressão 3D industrial, oferecendo consultoria técnica,
implementação de processos e suporte especializado para manufatura aditiva em
diversos segmentos industriais.
Sobre a HP 3D Printing
A HP é líder global em soluções de manufatura aditiva,
com tecnologias Multi Jet Fusion (MJF) e Metal Jet que atendem indústrias
aeroespacial, automotiva, de bens de consumo e defesa. A empresa investe
continuamente em novos materiais e plataformas para expandir as aplicações de
impressão 3D na produção industrial em série.