Memorando firmado em Farnborough abre caminho para ampliar a linha de montagem em Gavião Peixoto, única fora da Suécia
*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026
A Embraer e a Saab assinaram nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um Memorando de Entendimento (Heads of Agreement, HoA) que estabelece as bases para a potencial produção de 20 caças Gripen adicionais no complexo industrial da Embraer em Gavião Peixoto (SP). O documento não equivale a um contrato fechado: define um arcabouço de cooperação que as duas empresas pretendem transformar em acordo definitivo ainda em 2026.
A Embraer ficará responsável pela montagem das novas aeronaves, que complementarão a linha de montagem final da Saab em Linköping, na Suécia, no esforço conjunto de atender à demanda global pelo caça sueco. A unidade de Gavião Peixoto é, hoje, a única linha de montagem final do Gripen fora do território sueco.
Uma parceria de dez anos
O acordo representa mais um
marco na parceria entre as duas empresas, iniciada há uma década, e amplia a
capacidade de entrega dentro de um modelo de fabricação globalmente integrado,
ao mesmo tempo em que proporciona maior flexibilidade para atender a futuras
necessidades dos clientes.
“A expansão desta parceria com a Saab reflete a confiança mútua construída ao longo dos últimos dez anos e reforça o papel estratégico da Embraer no programa Gripen. Estamos bem posicionados para apoiar o aumento da capacidade de produção, caso a demanda o exija”, afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.
“A parceria entre a Saab e a Embraer reforça nosso compromisso de longo prazo com a América Latina. Juntos, estamos fortalecendo nossas capacidades, garantindo capacidade adicional para futuras oportunidades de negócios e adotando uma abordagem proativa para atender às necessidades em constante evolução de nossos clientes em toda a região”, disse Micael Johansson, presidente e CEO da Saab.
Gavião Peixoto como polo estratégico
A unidade da Embraer em Gavião
Peixoto (GPX) consolidou-se como um polo industrial estratégico, reconhecido
por suas capacidades de manufatura, mão de obra qualificada e capacidade
produtiva. Operando dentro de um modelo de produção globalmente integrado, que
reúne fornecedores brasileiros e internacionais, a planta reflete a força da
parceria entre as duas empresas e amplia as oportunidades de crescimento para
programas aeroespaciais de alta tecnologia no País.
Ao longo de mais de uma década de colaboração, a parceria entre a Embraer e a Saab consolidou-se como referência de inovação, desenvolvimento industrial e troca de conhecimento. Por meio de um programa abrangente de transferência de tecnologia e treinamento em serviço, no âmbito do atual programa Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), engenheiros, pilotos de teste, técnicos, operadores de montagem e especialistas em manutenção foram qualificados na Suécia. Essa cooperação fortaleceu a expertise e as melhores práticas de ambas as partes e já gerou benefícios duradouros para as duas empresas.
Contexto: um interesse já sinalizado por Brasília
O memorando formaliza, no plano
industrial, um movimento que já vinha sendo sinalizado pelo governo brasileiro.
Em junho de 2026, o portal LRCA (LRCA Defense Consulting) noticiou que o Brasil
manifestara interesse em adquirir mais 20 Gripen além dos 36 já contratados,
com produção também prevista para o complexo de Gavião Peixoto. À época, o
ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, referiu-se a “talvez 20 Gripen”
adicionais, enquanto o governo sueco confirmou o interesse formal brasileiro.
O CEO da Saab, Micael Johansson, já havia declarado publicamente a intenção de transformar Gavião Peixoto em polo regional de produção do caça para a América do Sul, movimento que se soma a negociações paralelas envolvendo Colômbia e Ucrânia como potenciais compradores do Gripen E, ainda sem contratos assinados. Uma eventual ampliação da linha brasileira para 20 aeronaves adicionais tende a aumentar a escala produtiva do complexo e reduzir custos unitários, o que beneficiaria também os programas de exportação da Saab.
Por ora, o HoA assinado em Farnborough não detalha valores, cronograma de entregas ou a origem do financiamento das 20 aeronaves adicionais. A confirmação desses termos depende da conclusão do acordo definitivo, que Embraer e Saab pretendem fechar ainda em 2026.


