Tecnologia brasileira une sensores de radiofrequência, radar, câmeras e inteligência artificial para proteger infraestruturas críticas, fronteiras e grandes eventos, indo além da neutralização: estima a localização do piloto para apoiar operações de busca e captura
*LRCA Defense Consulting - 20/04/2026
O espaço aéreo de baixa altitude tornou-se uma das novas fronteiras da segurança pública. Drones são usados para lançar drogas e celulares em presídios, sobrevoar multidões sem autorização em eventos de massa, cruzar fronteiras com contrabando e, em cenários mais graves, realizar ataques a infraestruturas críticas. Diante desse cenário, a Atech, empresa brasileira de tecnologia do Grupo Embraer, desenvolveu uma resposta tecnológica de ponta: a Solução Antidrone Inteligente, baseada na plataforma Arkhe Integrated Surveillance (Arkhe IS).
"Estamos diante de um cenário em que o espaço aéreo de baixa altitude virou uma nova fronteira de segurança", afirma Claudio Nascimento, gerente comercial da Atech. "Os drones podem ser usados de forma legítima, mas também representam uma ameaça concreta quando operados sem controle. O desafio é identificar rapidamente o que é risco e reagir antes que o problema se torne um incidente."
Uma plataforma de inteligência, não apenas de
neutralização
O diferencial da abordagem da Atech está em tratar o problema antidrone
como uma questão de inteligência operacional, e não simplesmente de bloqueio. A
solução não se limita a derrubar ou interferir em drones suspeitos: ela
detecta, rastreia, classifica e, crucialmente, estima a localização do piloto,
permitindo que forças de segurança coordenem operações de busca e captura em
tempo real.
A arquitetura do sistema é multissensor e modular. Integra sensores de radiofrequência (RF) passivos, radares, câmeras eletro-ópticas e infravermelhas (EO/IR) e equipamentos de neutralização (jammers, spoofers). O sensor RF passivo, um elemento técnico relevante do ponto de vista regulatório, não requer homologação pela Anatel, e é capaz de detectar drones com ou sem RemoteID, o protocolo de identificação remota exigido pela ANAC para aeronaves não tripuladas. Sua cobertura abrange frequências entre 70 MHz e 6 GHz, incluindo as faixas 433 MHz, 868 MHz, 915 MHz, 2,4 GHz, 5,2 GHz e 5,8 GHz, praticamente todo o espectro utilizado por drones comerciais e militares disponíveis no mercado.
A cobertura é de 360°, operando continuamente, dia e noite, mesmo em condições climáticas adversas. O sistema pode ser instalado em estruturas fixas (prédios, torres), móveis (viaturas) ou transportáveis (tripês), o que lhe confere flexibilidade para ser empregado em diferentes contextos operacionais.
Como funciona na prática
Quando um drone entra na área monitorada, o Arkhe IS o detecta, calcula sua
trajetória e exibe o alvo na interface humano-máquina (IHM) com simbologia
padronizada conforme a norma militar internacional MIL-STD-2525. O operador
visualiza o drone georreferenciado em mapa, com informações de navegação e
parâmetros de voo. A classificação pode ser "amigo",
"neutro" ou "hostil".
Para drones que tentam mascarar sua posição com técnicas de ocultação, o sistema ativa o recurso Strobe, uma função de direction finding (DF) que indica o azimute de origem do sinal, mesmo sem localização precisa. Com dois ou mais sensores RF simultâneos, é possível fazer triangulação para determinar a posição exata da aeronave.
A tecnologia de machine learning integrada ao sistema aprende padrões de comportamento, otimizando o desempenho ao longo do tempo, reduzindo falsos positivos e contribuindo para a manutenção preditiva dos equipamentos.
Quando uma ameaça é classificada como hostil, a geolocalização do drone e do piloto é compartilhada com o Arkhe GDI (Gestão de Incidentes), plataforma de comando e controle que coordena a operação de busca e captura em campo, integrando o posicionamento dos agentes, seus próprios drones policiais e streaming de vídeo em tempo real. Em regiões com cobertura celular precária ou inexistente, o sistema mantém a comunicação via satélite em banda estreita, por meio dos chamados Mochilinks.
O ecossistema Arkhe: inteligência estratégica além do
campo
Os dados coletados pelos sensores são processados pela plataforma de Big
Data Arkhe Data Analysis, que transforma as informações brutas em inteligência
estratégica. Dashboards temáticos, mapas de calor, análise de tendências e
histórico de ameaças, incluindo modelos de drones identificados e localizações
de pilotos recorrentes, permitem que analistas de segurança desenvolvam
estratégias preventivas de médio e longo prazo.
Toda a infraestrutura é protegida pelo Arkhe Athena, módulo de segurança cibernética da plataforma, que atua tanto em ambientes on-premise quanto em nuvem.
"O Arkhe é resultado de anos de desenvolvimento para unir vigilância, análise e comando em um único ambiente operacional", explica Nascimento. "A meta é fortalecer a capacidade de resposta das forças públicas e garantir que o Brasil tenha autonomia tecnológica para proteger seu espaço aéreo e suas fronteiras."
Casos de uso: de presídios a infraestruturas críticas
O escopo de aplicação da solução é amplo. Os documentos técnicos da Atech
mapeiam ameaças que vão da invasão de privacidade e espionagem corporativa ao
transporte de ilícitos em zonas sensíveis, passando por ataques físicos com
drones adaptados para carregar explosivos.
No contexto de infraestruturas críticas, como usinas de energia, sistemas de abastecimento de água, instalações portuárias, bases militares e centros de comunicação, a solução foi concebida para priorizar a detecção precoce. A arquitetura escalonável permite que uma instalação comece com sensores RF e vá incorporando radares e câmeras conforme a criticidade e o orçamento disponível.
Para operações de segurança pública em eventos de grande porte, fronteiras e regiões de alta sensibilidade, a integração com o Arkhe GDI permite que a resposta tática seja coordenada em tempo real, com visibilidade completa do teatro de operações.
Estreia em grande palco: a LAAD Security Milipol Brazil
2026
A solução foi apresentada publicamente na LAAD Security Milipol Brazil
2026, principal feira de Defesa e Segurança da América Latina, realizada entre
os dias 14 e 16 de abril de 2026, em São Paulo. No estande da Atech, visitantes
puderam acompanhar demonstrações em tempo real, com ambiente em nuvem e
conectividade dedicada, simulando um fluxo operacional completo, da detecção à
coordenação de resposta.
"A LAAD é uma oportunidade de mostrar como nosso portfólio de defesa e segurança une a integração de dados, sensores e aplicações em campo para acelerar a tomada de decisão e aumentar a coordenação entre equipes. Em cenários de segurança pública e proteção de infraestrutura crítica, a diferença está na inteligência aplicada", afirmou Giacomo Staniscia, Diretor de Negócios de Defesa da Atech, em declaração divulgada durante o evento.
Além da solução antidrone, a empresa apresentou o Arkhe GDI para gestão de incidentes policiais, o VTMIS para monitoramento de tráfego marítimo e recursos de rastreamento via satélite para operações de Defesa Civil e corpos de bombeiros.
Soberania tecnológica como diferencial estratégico
O desenvolvimento do Arkhe IS como produto nacional tem implicações que vão
além do desempenho técnico. Ao manter o ciclo completo de desenvolvimento
internamente, da concepção ao suporte, a Atech reduz a dependência de
fornecedores estrangeiros em sistemas considerados estratégicos para a
segurança nacional. A empresa tem presença no Brasil e em Portugal e participa
de programas internacionais, o que amplia o potencial de exportação da
tecnologia.
A rápida evolução das ameaças com drones, em táticas, tecnologias e modelos de uso, exige que a plataforma acompanhe esse ritmo. A arquitetura modular do Arkhe IS foi desenhada precisamente para isso: incorporar novos sensores, atualizar algoritmos de machine learning e adaptar fluxos operacionais sem necessidade de substituição completa do sistema. A Atech posiciona isso não como uma característica técnica isolada, mas como um modelo de negócio: vender uma plataforma orientada à inteligência e em evolução contínua, e não apenas um produto de neutralização.
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