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27 abril, 2026

Embraer registra carteira de pedidos recorde de US$ 32,1 bilhões no 1T26; sexto trimestre consecutivo de máxima histórica

Fabricante brasileira amplia backlog 22% na comparação anual, impulsionada pela aviação comercial e novos contratos de defesa e serviços 

 

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LRCA Defense Consulting - 27/04/2026

A Embraer encerrou o primeiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos de US$ 32,1 bilhões, marcando o sexto recorde consecutivo para o indicador. O avanço de 22% em relação ao mesmo período de 2025 reflete a aceleração da demanda por aeronaves comerciais e executivas, além da expansão do portfólio de defesa e serviços da companhia.

No trimestre, a empresa entregou 44 aeronaves em todas as unidades de negócio, uma alta de 47% frente às 30 entregas do 1T25. O desempenho corresponde a aproximadamente 16% do ponto médio da orientação anual da companhia (248 aeronaves), quatro pontos percentuais acima da média histórica de cinco anos para o período, de 12%.

Aviação Comercial lidera crescimento com alta de 50% no backlog
A divisão de Aviação Comercial atingiu US$ 15,0 bilhões em carteira de pedidos no 1T26, expansão de 50% em relação ao 1T25 e 3% acima do trimestre anterior. O principal destaque foi a Finnair, que fechou um pedido de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo ordens firmes, opções e direitos de compra. Com isso, 18 unidades do modelo foram incorporadas ao backlog da Embraer no primeiro trimestre. Outros três E195-E2 foram vendidos a um cliente não divulgado.

No período, foram entregues seis E175 para Republic Airlines (3), American Airlines (2) e SkyWest (1); um E190-E2 para a Azorra; e dois E195-E2 para a Luxair e um para a AerCap. A unidade fechou o trimestre com índice book-to-bill de 3,0x nos últimos 12 meses.

Aviação Executiva mantém estabilidade e lança nova geração Praetor
A Aviação Executiva encerrou o trimestre com backlog de US$ 7,6 bilhões, estável tanto na comparação trimestral quanto anual. A divisão entregou 29 aeronaves no período, uma alta de 26% sobre as 23 do 1T25, com 16 unidades na categoria de jatos pequenos e 13 na de médio porte. As entregas corresponderam a 18% do ponto médio da orientação anual (165 aeronaves), seis pontos percentuais acima da média histórica para o período.

No trimestre, a Embraer anunciou a próxima geração da família Praetor, com o lançamento do Praetor 600E e Praetor 500E, que trazem cabine completamente redesenhada e tecnologias embarcadas avançadas. Além disso, o Phenom 300 foi reconhecido pelo 14º ano consecutivo como o jato leve mais entregue do mundo e, pelo 6º ano, o bimotor mais entregue, segundo dados do setor.

Defesa avança na Europa e na Ásia Central com novos clientes revelados
A unidade de Defesa & Segurança registrou backlog de US$ 4,4 bilhões no 1T26, alta de 5% em doze meses, com queda de 4% na comparação trimestral. No período, foram entregues um KC-390 Millennium e um A-29 Super Tucano à Força Aérea Portuguesa; dois A-29 Super Tucano à Força Aérea do Uruguai, como parte de programa de modernização voltado à vigilância e patrulha de fronteiras; e um A-29 Super Tucano a um cliente não revelado na África.

A Embraer também confirmou a República do Uzbequistão como o cliente anteriormente não divulgado do KC-390 Millennium, marcando a entrada da plataforma na Ásia Central. Paralelamente, as Filipinas foram reveladas como compradoras de seis A-29 Super Tucano, expandindo sua frota para 12 aeronaves. A divisão encerrou o trimestre com book-to-bill de 1,2x nos últimos 12 meses.

Serviços & Suporte bate recorde com contratos de longo prazo
A área de Serviços & Suporte atingiu backlog recorde de US$ 5,1 bilhões no 1T26, crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado por novos acordos de longo prazo firmados no trimestre, incluindo contratos com a Airnorth para suporte à frota E-Jet, com a Força Aérea Húngara para cobertura da frota KC-390 Millennium e com a Virgin Australia por meio do programa AHEAD de manutenção preditiva para a frota E2. O book-to-bill da divisão foi de 1,2x nos últimos 12 meses.
 
Backlog por segmento no 1T26 (em bilhões de dólares)

Segmento

1T26

4T25

1T25

a/a

Aviação Comercial

15,0

14,5

10,0

+50%

Aviação Executiva

7,6

7,6

7,6

Defesa & Segurança

4,4

4,6

4,2

+5%

Serviços & Suporte

5,1

4,9

4,6

+11%

Total

32,1

31,6

26,4

+22%

Com o backlog total crescendo pelo sexto trimestre consecutivo e entregas 47% acima do patamar de um ano atrás, a Embraer sinaliza momentum operacional robusto e perspectiva de demanda favorável para 2026, com orientação de 240 a 255 entregas nas divisões de Aviação Executiva e Comercial combinadas.

Brasil intensifica ofensiva comercial do KC-390 e prepara missão internacional para fechamento de contratos

 

*LRCA Defense Consulting - 27/04/2026

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, indicou que realizará, em junho, uma missão internacional com o objetivo de "fechar novas vendas" do C-390 Millennium, principal plataforma de transporte militar desenvolvida pela Embraer. A declaração foi divulgada hoje pela Reuters e coincide com um momento de forte expansão comercial da aeronave no mercado global.

Atuação governamental e dinâmica competitiva
A iniciativa do Ministério da Defesa reforça o papel crescente do governo brasileiro como facilitador direto das exportações de defesa, prática já consolidada entre os grandes players globais.

Essa atuação se torna particularmente relevante diante de um ambiente competitivo no qual fatores como financiamento, garantias soberanas e articulação diplomática desempenham papel decisivo na conclusão de contratos. 

Europa como eixo central das negociações
Na LAAD 2025, Múcio já havia destacado o otimismo do governo brasileiro em relação à expansão das vendas do cargueiro tático, anunciando negociações em curso com a Polônia, a Finlândia e a Turquia.

Polônia - desponta como o principal candidato à formalização de contrato. Em setembro de 2025, a Embraer ofereceu o KC-390 à Força Aérea Polonesa para suprir suas necessidades de transporte e reabastecimento, sugerindo a venda de 20 aeronaves com produção localizada incluída na oferta. A estimativa é que uma linha de montagem na Polônia gere cerca de US$ 1 bilhão em valor e crie aproximadamente 600 empregos, fortalecendo a indústria aeronáutica polonesa e promovendo transferência de tecnologia.

Turquia - representa um vetor distinto, com potencial para acordos de natureza industrial. Com sua indústria aeroespacial em expansão, o país assinou recentemente um Memorando de Entendimento com a Embraer por meio da estatal Turkish Aerospace. As negociações tendem a envolver não apenas a aquisição da aeronave, mas também mecanismos de coprodução, em linha com a política de autonomia estratégica de Ancara.

Finlândia - demonstrou interesse no C-390 em abril de 2025 para complementar suas aeronaves de transporte tático existentes.

Grécia: a decisão mais iminente
O caso grego merece atenção especial pelo horizonte de curto prazo. A Força Aérea Helênica está na reta final de seu processo de aquisição de três aeronaves C-390 Millennium, e uma decisão para abertura de procedimentos formais de contratação pode ocorrer já em maio.

A decisão é impulsionada por quedas mensuráveis na prontidão operacional e aumento dos custos de manutenção. Da frota original de cerca de 20 C-130H, apenas quatro a sete aeronaves estavam operacionais durante o período 2025–2026.

O C-390 Millennium emergiu como favorito na avaliação do Comando Aéreo grego, superando o C-130J Super Hercules norte-americano não apenas no custo de aquisição, mas também em eficiência de manutenção, disponibilidade operacional e flexibilidade multimissão. Uma eventual escolha pelo KC-390 teria efeito demonstrativo significativo dentro da OTAN, onde a aeronave já vem acumulando adotantes.

Marrocos: negociação avançada
No continente africano, o Marrocos figura como um dos casos mais concretos. Em agosto de 2025, a Embraer informou que Marrocos estava próximo de finalizar um acordo para a compra de quatro a cinco KC-390 Millennium, em um contrato avaliado em torno de US$ 600 milhões. O país já recebeu uma aeronave para fins de avaliação e testes.

O panorama atual de operadores e de outros candidatos
O KC-390 saiu da condição de promessa para a de referência no segmento. A aeronave já foi selecionada por 11 nações, incluindo 8 países europeus e 7 membros da OTAN.

Portugal, pioneiro europeu no programa, não apenas expandiu seu pedido para seis aeronaves, mas também viabilizou dez opções de compra adicionais para potenciais aquisições por nações parceiras europeias ou da OTAN, utilizando o contrato português como veículo. O mecanismo é inovador: permite que outros países acessem o KC-390 por uma rota já negociada, sem precisar iniciar um processo de aquisição do zero.

Entre as experiências recentes, a Lituânia sinaliza a complexidade do processo de expansão. O país báltico anunciou sua intenção de adquirir três KC-390 durante o Paris Air Show de junho de 2025, mas em janeiro de 2026 adiou a compra para depois de 2030, redirecionando recursos para defesa antiaérea, infraestrutura militar e apoio de longo prazo à Ucrânia.

Na América Latina, um avanço concreto recente veio da Colômbia. Em 30 de março de 2026, o presidente colombiano Gustavo Petro ordenou a compra de duas aeronaves C-390, para substituir dois C-130H fora de operação. O Chile também demonstra crescente interesse na aeronave brasileira.

No continente africano, além do Marrocos, a África do Sul apresenta demanda consistente por renovação de sua frota de transporte, com ênfase em soluções de maior eficiência operacional, com vivo interesse no C-390.

No Golfo, os Emirados Árabes Unidos permanecem como mercado de alto valor, com histórico de aquisições sofisticadas e interesse em diversificação de fornecedores, já tendo participado de uma reunião técnica no Brasil com outros operadores do C-390.

Desempenho operacional como argumento de venda
O KC-390 é movido por dois turbofans Pratt & Whitney/IAE V2500, com velocidade máxima de cruzeiro de Mach 0,8 a 36.000 pés, percorrendo distâncias mais rapidamente que o C-130 com consumo de combustível equivalente. "Uma missão de seis horas do C-130 na Amazônia levou quatro horas e 20 minutos no KC-390", explicou Pete Castor, executivo da Embraer. "Essa velocidade significa que as tripulações não precisam pernoitar, a aeronave retorna mais rápido, e você pode mandá-la de volta imediatamente."

As taxas de prontidão de missão ficam acima de 93% e as taxas de conclusão de missão acima de 99%. São indicadores que ressoam com comandantes que avaliam o custo real de manter frotas envelhecidas em operação.

Perspectivas e o alcance da missão de junho
O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirmou que a empresa negocia com "5, 10" países simultaneamente. A empresa projeta atingir um faturamento anual de US$ 10 bilhões até 2030, impulsionada por suas divisões de defesa, aviação comercial e executiva.

O timing da missão de Múcio, prevista para junho, coincide com o ciclo decisório europeu anterior ao recesso de verão, período historicamente crítico para formalização de aquisições militares. 

Com a Grécia prestes a decidir, Polônia avaliando uma compra potencialmente bilionária, Marrocos em negociação avançada e a Colômbia já comprometida com as primeiras unidades, além dos demais países citados, a janela de conversão é concreta.

Mais do que uma iniciativa pontual, a viagem sinaliza a consolidação de uma estratégia de Estado voltada à projeção internacional da indústria de defesa, com o KC-390 como seu principal vetor.

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