Pesquisar este portal

17 fevereiro, 2026

Europa busca soluções contra ameaça de drones: Super Tucano brasileiro desponta como alternativa viável

Comissão Europeia lança plano abrangente enquanto Polônia avalia aeronave brasileira para missões anti-drone 


*LRCA Defense Consulting - 17/02/2026 

A União Europeia apresentou na última semana um plano estratégico para enfrentar a crescente ameaça de drones hostis, em meio a um contexto marcado por violações do espaço aéreo, perturbações em aeroportos e riscos para infraestruturas críticas. A iniciativa, descrita pela Comissão Europeia como um modelo ambicioso de cooperação entre Estados-membros, surge paralelamente ao interesse de países como a Polônia em soluções práticas e economicamente viáveis, incluindo a possível aquisição do A-29N Super Tucano brasileiro.

Um plano de quatro pilares
O plano da Comissão Europeia assenta em quatro prioridades fundamentais: reforçar a preparação tecnológica e industrial; melhorar a detecção através de Inteligência Artificial e redes 5G; coordenar respostas com sistemas anti-drone e equipes de intervenção rápida; e fortalecer a prontidão de defesa com maior inovação e cooperação industrial.

Além da vertente de segurança, Bruxelas pretende impulsionar um mercado europeu competitivo de drones, promovendo inovação, crescimento e criação de emprego. O executivo comunitário iniciará agora discussões com os Estados-membros, a indústria e o Parlamento Europeu para concretizar as medidas propostas.

Embora o documento da Comissão não especifique detalhes sobre aquisição de aeronaves tripuladas para missões anti-drone, a lacuna está sendo preenchida por iniciativas nacionais que buscam complementar os sistemas tradicionais de defesa aérea.

Polônia na linha de frente da ameaça
A Polônia, que relatou a invasão de cerca de 20 drones russos em seu espaço aéreo em setembro de 2025, tornando-se um dos países mais expostos à ameaça, está avaliando soluções práticas para enfrentar o problema. O Major-General Ireneusz Nowak, Comandante de Grupo da Força Aérea Polonesa, confirmou ao portal especializado Defence24 que o país testará o A-29N Super Tucano no início de 2026.

"Com certeza iremos testar o Super Tucano e examiná-lo mais de perto no início de 2026", afirmou Nowak, acrescentando que a Força Aérea está considerando o uso de plataformas aéreas para combater alvos lentos e de baixa altitude, como drones kamikazes iranianos Shahed 136 e Geran-2, amplamente utilizados no conflito ucraniano.

Em meados de janeiro de 2026, uma delegação militar polonesa liderada pelo mesmo Major-General Ireneusz Nowak visitou as instalações da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Durante a visita, pilotos poloneses realizaram voos de familiarização com o A-29, avaliando especificamente suas capacidades contra drones do tipo Shahed, os mesmos UAVs de ataque que a Rússia tem empregado massivamente contra a Ucrânia. 

A Polônia não está sozinha nesta busca. Países como Romênia, Estônia, Alemanha e Dinamarca também reforçaram medidas legais e militares para lidar com drones russos, incluindo autorizações para abatimento em tempos de paz e investimentos em novos sistemas de detecção e neutralização.

Super Tucano: uma solução brasileira para um problema europeu
O A-29 Super Tucano, aeronave de ataque leve desenvolvida pela Embraer, surge como uma alternativa economicamente viável para o dilema europeu. A lógica é simples: usar mísseis Patriot, que custam milhões de dólares por disparo, ou empregar caças F-16 e F-35 contra drones que custam poucos milhares de dólares cria um desequilíbrio financeiro insustentável.

Em novembro de 2025, a Embraer anunciou uma versão adaptada do Super Tucano especificamente para combate a Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANTs). Equipada com sensores eletro-ópticos e infravermelhos, enlaces de dados para designação de alvos e armamentos como foguetes guiados a laser e metralhadoras calibre .50, a aeronave pode identificar e neutralizar drones com precisão.

No entanto, esta Consultoria acredita que, até meados de 2026, a Embraer deva anunciar novidades significativas nas capacidades anti-drone do Super Tucano. 

"Continuamos a expandir as capacidades do A-29 para cumprir com as missões mais recentes enfrentadas por muitas nações ao redor do mundo", declarou João Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. "Os desafios contínuos na guerra moderna e os conflitos recentes em todo o mundo demonstraram a necessidade urgente de soluções para combater SANTs."

Vantagens operacionais e econômicas
O Super Tucano apresenta características que o tornam particularmente adequado para missões anti-drone na Europa. Com autonomia de até 8,4 horas de voo, pode realizar patrulhas prolongadas sobre vastas áreas. Sua capacidade de operar a partir de pistas curtas e não pavimentadas, com pouco apoio logístico, é considerada relevante em cenários de defesa territorial distribuída.

O custo operacional é outro fator decisivo. Enquanto uma hora de voo com um F-16 custa cerca de US$ 22.000 e um F-35 ultrapassa US$ 44.000, o Super Tucano opera por apenas US$ 1.000 a US$ 1.500 por hora. O custo de aquisição, estimado entre US$ 15 a 18 milhões por unidade (incluindo armamento e suporte logístico), é apenas uma fração do valor de um caça supersônico.

Portugal como porta de entrada europeia
A estratégia da Embraer para o mercado europeu passa por Portugal, que se tornou, em dezembro de 2025, o primeiro operador europeu do Super Tucano ao receber os pioneiros A-29N, versão adaptada aos requisitos e padrões da OTAN. O país assinou com a Embraer uma carta de interesse para avaliar a instalação de uma linha de montagem final do avião em território português.

A OGMA, empresa controlada majoritariamente pela Embraer em Portugal, ou mesmo a nova unidade em Beja, podem se tornar o centro de montagem do Super Tucano para o mercado europeu. 

A fabricante brasileira firmou acordos de cooperação com o Grupo Polonês de Armamentos (PGZ), estimando que as parcerias podem gerar até US$ 3 bilhões para a economia polonesa em uma década.

Um histórico comprovado em combate
Com mais de 600.000 horas de voo acumuladas e operação em 22 forças aéreas ao redor do mundo, o Super Tucano tem histórico operacional real. Países como Colômbia, Afeganistão e Nigéria utilizaram o modelo em combates diretos contra grupos insurgentes, provando sua eficácia em condições adversas.

O reconhecimento pelo Comitê de Catalogação da OTAN, que incluiu o Super Tucano no Sistema de Catalogação da aliança e em sua lista de "projetos de relevância", facilita a troca de informações técnicas entre países membros e pode abrir portas para futuras compras.

Múltiplas plataformas em avaliação
A Polônia não se limita ao Super Tucano. O Major-General Nowak revelou que o país também está considerando adaptar helicópteros de transporte M-28 Bryza e até os 96 helicópteros Apache AH-64E recentemente adquiridos para missões anti-drone. "Quando surge uma ameaça de grande escala, todos os recursos disponíveis devem ser levados em conta", afirmou o comandante.

A avaliação incluirá uma revisão das opções de armamento tanto para helicópteros quanto para plataformas de asa fixa contra UAVs, em um processo que se encontra em fase de avaliação técnica e operacional, sem anúncio oficial de aquisição ou cronograma definido.

Acredita-se ser bastante provável que a decisão polonesa aguarde a divulgação, pela Embraer, das novas características anti-drone do Super Tucano, o que deverá ocorrer até meados deste ano. 

Guerra híbrida e o futuro da defesa europeia
A intensificação do uso de drones de baixo custo pela Rússia, tanto em ataques diretos quanto em ações de provocação e teste de resposta dos países da OTAN, transformou a ameaça de drones em uma questão central de segurança europeia. O episódio polonês de setembro de 2025 levou Varsóvia a acionar o Artigo 4º do Tratado da OTAN, que determina consultas em caso de ameaça à segurança coletiva.

Com mais de 600.000 horas de voo acumuladas e operação em 22 forças aéreas, o Super Tucano tenta se reposicionar não apenas como uma aeronave de treinamento ou contrainsurgência, mas como uma peça complementar da defesa aérea europeia em um cenário de guerra híbrida.

Desafios e perspectivas
A potencial avaliação do A-29N em 2026 na Polônia é vista como um passo pragmático para entender, em condições reais, até que ponto uma aeronave turboélice de ataque leve pode desempenhar o papel de "caçador de drones" no ambiente operacional europeu. Além do desempenho contra alvos aéreos de movimento lento, os testes permitirão analisar integração com radares, centros de comando e controle, regras de engajamento e custos operacionais.

Qualquer decisão sobre aquisição dependerá da conclusão das avaliações técnicas, operacionais e orçamentárias conduzidas pelas autoridades polonesas, que também podem ser fundamentais para embasar uma decisão da União Europeia sobre a aeronave. Até o momento, o Ministério da Defesa da Polônia não confirmou a abertura de negociações formais para a compra do A-29N Super Tucano.

O que está claro é que a Europa enfrenta uma nova realidade de segurança, na qual a ameaça não vem apenas de caças supersônicos e mísseis de cruzeiro, mas também de enxames de drones baratos e numerosos. Neste contexto, soluções como a versão NATO do Super Tucano brasileiro podem oferecer a combinação de eficácia operacional e viabilidade econômica que os países europeus buscam desesperadamente.

WEG anuncia nova fábrica de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) em Itajaí/SC

Nova unidade ampliará capacidade produtiva para até 2GWh ao ano e reforçará o posicionamento da companhia como uma empresa de soluções para transição energética


*LRCA Defense Consulting - 17/02/2026 

A WEG anuncia a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) em Itajaí/SC. A unidade será a mais moderna do país nesse segmento e representa um avanço estratégico da companhia em soluções para a transição energética.

Para viabilizar o projeto, a WEG contou com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação, aprovado no âmbito da chamada pública voltada à transformação de minerais estratégicos para transição energética e descarbonização, realizada em parceria com a Finep.

As obras da nova fábrica iniciarão em breve, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2027. A operação da unidade resultará na criação de aproximadamente 90 novos empregos diretos. Além disso, a nova planta ampliará a capacidade produtiva da WEG em sistemas BESS para até 2 GWh ao ano, equivalente a 400 sistemas de 5 MWh, e contará com um alto nível de automação, incluindo linhas automáticas e semiautomáticas de montagem, além do uso de robôs móveis autônomos para movimentações internas.

O complexo também abrigará um laboratório dedicado a testes, desenvolvimento e qualificação de produtos, responsável por aprimorar processos, garantir controle de qualidade e acelerar a criação de novas soluções. A infraestrutura incluirá ainda uma subestação de energia para simulação de condições reais de operação.

“Com esse passo, a WEG amplia a sua oferta de soluções de alto valor agregado, desenvolvidas e fabricadas no Brasil, e contribui para o avanço da segurança energética e resiliência do nosso grid. Trata-se de um investimento alinhado com o objetivo estratégico de posicionar a WEG e o Brasil de forma mais competitiva no cenário global de transição energética, mitigando riscos e fortalecendo a presença nacional nesse segmento em expansão”, explica Alberto Kuba, Presidente da WEG.

Os sistemas de armazenamento de energia em bateria são essenciais para a estabilidade das redes elétricas, especialmente com o avanço das fontes renováveis, como a solar e a eólica. Eles permitem armazenar energia em períodos de baixa demanda e liberá-la quando necessário, contribuindo para a confiabilidade do sistema e reduzindo riscos de interrupção. 

16 fevereiro, 2026

Fragata Tamandaré recebe certificação da DNV e marca estreia operacional da “Embraer naval”

Primeiro navio da Classe Tamandaré obtém aval da DNV e está pronto para operação, consolidando o maior projeto de construção naval de defesa já desenvolvido no país


*LRCA Defense Consulting - 16/02/2026 

Em um marco histórico para a indústria de defesa brasileira, a Fragata "Tamandaré" (F200), primeira unidade da Classe Tamandaré da Marinha do Brasil, recebeu nesta semana a certificação estatutária emitida pela Det Norske Veritas (DNV), uma das mais respeitadas sociedades classificadoras do mundo. A certificação oficializa a mudança de status da embarcação de "em construção" para "em operação", abrindo caminho para sua plena integração à Esquadra Brasileira.

A certificação representa muito mais do que um passo burocrático no processo de aceitação do navio. Trata-se do reconhecimento internacional de que o Brasil conseguiu conceber, construir e colocar em serviço uma escolta de última geração, cumprindo rigorosos padrões de segurança, desempenho e proteção ambiental estabelecidos por convenções como SOLAS (Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar) e MARPOL (Convenção Internacional para a Prevenção da Poluição por Navios).

"A certificação da DNV é um reconhecimento objetivo da maturidade técnica da Fragata Tamandaré e do trabalho rigoroso realizado ao longo de todo o processo de construção e comissionamento", afirmou Fernando Queiroz, CEO do Consórcio Águas Azuis, em comunicado oficial. "Esse avanço posiciona o navio em um novo patamar operacional, dentro dos mais altos referenciais internacionais".

A "Embraer dos mares": tecnologia aeronáutica navega para o oceano
Mais do que um avanço para a Esquadra, a Fragata Tamandaré consolida-se como vitrine tecnológica da indústria de defesa brasileira, em especial da Embraer Defesa & Segurança e da Atech. A fragata representa, literalmente, a expressão naval da capacidade tecnológica desenvolvida pela Embraer ao longo de mais de cinco décadas de experiência em sistemas aeronáuticos complexos.

Integrante do Consórcio Águas Azuis, ao lado da alemã thyssenkrupp Marine Systems (TKMS), a Embraer leva para o mar sua expertise acumulada em integração de plataformas complexas, sistemas embarcados e engenharia de missão. Se nas alturas a empresa consolidou o Brasil como potência aeronáutica regional, agora transporta essa mesma filosofia de integração de sistemas e inovação tecnológica para as águas da chamada "Amazônia Azul".

A Atech, subsidiária do Grupo Embraer especializada em engenharia e integração de sistemas, desempenha papel ainda mais central no projeto. A empresa é responsável pelo desenvolvimento e fornecimento de dois dos sistemas mais críticos da fragata: o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS – Combat Management System) e o Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS – Integrated Platform Management System).

O CMS, derivado do Atlas ANCS e desenvolvido em parceria com a Atlas Elektronik (subsidiária da TKMS), é o "cérebro" que integra sensores, armamentos e sistemas de comunicação do navio, permitindo que a tripulação processe informações táticas e tome decisões de combate em frações de segundo. Já o IPMS, baseado no sistema da L3Harris e desenvolvido em cooperação com a empresa canadense, monitora e controla 68 sistemas integrados da plataforma, incluindo propulsão, geração e distribuição de energia, sistemas auxiliares e controle de avarias.

Para viabilizar esse trabalho, a Atech inaugurou em outubro de 2021 um escritório de 3 mil metros quadrados no Rio de Janeiro, equipado com laboratórios de integração e testes (LIT), instalações para simulação de sistemas (LBTF – Land Based Test Facility) e ambientes de treinamento com ferramentas do tipo Computer Based Training System (CBTS). Nesses laboratórios, os sistemas da fragata foram testados exaustivamente antes de serem embarcados, em um processo que envolveu estreita colaboração entre equipes da Atech, da Marinha e dos demais parceiros do consórcio.

 

O Consórcio Águas Azuis: parceria estratégica para soberania tecnológica
O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) é executado pela Sociedade de Propósito Específico (SPE) Águas Azuis, formada por três players com papéis complementares:

thyssenkrupp Marine Systems (TKMS): líder do consórcio, fornece a tecnologia naval da comprovada plataforma MEKO, já utilizada em mais de 80 embarcações em operação em marinhas de 15 países, incluindo Portugal, Grécia, Austrália, Argentina e Argélia. A TKMS adaptou o design MEKO A-100 para as necessidades específicas da Marinha brasileira e gerencia a construção no estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí (SC).

Embraer Defesa & Segurança: responsável pela integração de sensores e armamentos ao sistema de combate, trazendo ao programa seus mais de 55 anos de experiência em soluções de tecnologia de sistemas e suporte em serviço. A empresa aplica à plataforma naval a mesma metodologia de integração de sistemas complexos que a tornou referência mundial na aviação.

Atech: desenvolve e fornece os sistemas CMS e IPMS, além de realizar as atividades de integração e testes dos sistemas de combate e da plataforma. A empresa consolida sua posição como fornecedora estratégica de sistemas críticos para a Defesa Nacional.

O contrato, assinado em março de 2020, tem valor de R$ 9,1 bilhões (posteriormente atualizado para aproximadamente R$ 13,8 bilhões com a incorporação de sistemas e equipamentos adicionais) e prevê não apenas a construção das quatro fragatas, mas também robusta transferência de tecnologia em engenharia naval para fabricação de navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e plataforma, além de apoio logístico durante o ciclo de vida das embarcações.

Um navio para proteger a "Amazônia Azul"
A Fragata Tamandaré é um navio de escolta multimissão de aproximadamente 3.500 toneladas, com 107,2 metros de comprimento, 15,95 metros de boca e capacidade de atingir 25 nós (cerca de 47 km/h). Projetada para operar em todos os ambientes de guerra – superfície, aéreo e submarino – a embarcação incorpora armamentos e sensores de última geração.

Entre seus sistemas de combate, destacam-se mísseis de defesa aérea Sea Ceptor com lançamento vertical, mísseis antinavio MANSUP, torpedos antissubmarinos, canhão principal OTO Melara de 76mm e sistema de armas de proximidade (CIWS) SeaSnake de 30mm. Para detecção e rastreamento, o navio conta com radar AESA (Active Electronically Scanned Array) Hensoldt TRS-4D, sonares e sistemas eletrônicos de última geração.

A fragata possui ainda convoo e hangar para operação de helicóptero embarcado, ampliando significativamente seu raio de ação e capacidade de detecção. Sua autonomia de 5.500 milhas náuticas permite operações prolongadas sem necessidade de reabastecimento.

A missão principal das Fragatas Classe Tamandaré é proteger os 5,7 milhões de quilômetros quadrados da "Amazônia Azul", nome dado à área marítima sob jurisdição brasileira, que inclui águas territoriais, zona econômica exclusiva e plataforma continental. Além da defesa territorial, os navios realizarão operações de busca e salvamento, combate à pirataria e pesca ilegal, monitoramento de poluição e participação em missões de paz e ajuda humanitária internacionais.

Impactos econômicos e estratégicos
O PFCT foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) no eixo de inovação para a indústria, e também integra a Missão nº 6 "Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacional" da iniciativa Nova Indústria Brasil (NIB), refletindo seu caráter estratégico para o desenvolvimento nacional.

A construção das fragatas mobiliza cerca de 2.000 profissionais diretamente nas obras, com reflexo de aproximadamente 6.000 postos de trabalho indiretos e cerca de 15.000 empregos induzidos, totalizando 23.000 oportunidades geradas. O programa envolve uma extensa cadeia de fornecedores nacionais, com aproximadamente 2.000 empresas brasileiras participando do processo produtivo, contribuindo para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) do país.

Lançada ao mar em agosto de 2024, a Fragata Tamandaré passou por rigorosos testes de aceitação no mar ao longo de 2025. Durante as navegações pela costa catarinense, foram avaliados sistemas de propulsão, geração de energia, automação, quadros elétricos e sistemas de alarme e segurança sob diversas condições de carga, mar e vento. A tripulação de 112 militares vem sendo capacitada para operar a embarcação desde o início do programa.

 

O futuro da Esquadra Brasileira
Com a certificação da F200, o foco agora se desloca para a plena incorporação operacional da primeira unidade, com a aceitação militar completa prevista para os próximos meses, e a continuidade das obras das demais fragatas da classe:

  • Jerônimo de Albuquerque (F201): segunda fragata, lançada em agosto de 2025, já com estrutura montada e em fase de equipagem. Previsão de entrega em 2027.

  • Cunha Moreira (F202): terceira unidade, em estágio intermediário de construção.

  • Mariz e Barros (F203): quarta fragata, em fase inicial de montagem. Entrega prevista para 2029.

As entregas graduais entre 2025 e 2029 permitirão à Marinha substituir progressivamente as antigas fragatas da Classe Niterói, adquiridas do Reino Unido na década de 1970 e que já passaram por múltiplos processos de modernização, mas que estão tecnologicamente superadas e próximas ao fim de sua vida útil operacional.

Projeção internacional e soberania tecnológica
Simbolicamente, a chegada da Tamandaré ao status de navio "em operação" sinaliza ao mercado internacional e aos parceiros estratégicos que o Brasil consolidou capacidade de conceber, construir e operar escoltas de última geração, integrando tecnologia nacional em sistemas críticos de missão e combate.

Para a Embraer e a Atech, a fragata funciona como vitrine tecnológica em potenciais futuras exportações e cooperações internacionais na área naval. "Essa parceria valida os esforços para expandir nosso portfólio de defesa e segurança além do segmento aeronáutico", destacou Jackson Schneider, então CEO da Embraer Defesa & Segurança, quando da assinatura do contrato em 2020.

Para a Marinha do Brasil, a Fragata Tamandaré representa o início concreto de uma nova geração de escoltas, mais capazes, flexíveis e alinhadas às demandas de um ambiente marítimo cada vez mais complexo e contestado. Para o país, é a materialização de décadas de investimento em capacitação tecnológica e industrial, provando que o Brasil pode ser protagonista não apenas como usuário, mas como desenvolvedor e potencial exportador de tecnologias de defesa de alta complexidade.

A "Embraer naval" acaba de fazer sua estreia nos mares brasileiros. E o oceano, assim como o céu, agora tem sotaque brasileiro.


Sobre o Programa Fragatas Classe Tamandaré:

  • Valor: R$ 13,8 bilhões
  • Quatro fragatas previstas (F200 a F203)
  • Construção: TKMS Estaleiro Brasil Sul, Itajaí (SC)
  • Gestão: EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais)
  • Execução: Consórcio Águas Azuis (TKMS + Embraer + Atech)
  • Entregas: 2025 a 2029
  • Empregos gerados: 23.000 (diretos, indiretos e induzidos)
  • Fornecedores nacionais: aproximadamente 2.000 empresas

 


Postagem em destaque