A LRCA Defense Consulting é uma entidade sem fins lucrativos que se dedica a produzir e divulgar notícias e análises sobre as Empresas de Defesa. Não somos jornalistas e nem este é um blog jornalístico.
Hidalco é a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China
*LRCA Defense Consulting - 20/02/2026
A Embraer e a Hindalco Industries Limited assinaram um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) para avaliar e explorar potenciais oportunidades de negócios na Índia. A atuação em conjunto visa identificar possibilidades na fabricação de matérias-primas de alumínio aeroespacial para apoiar as iniciativas industriais da Embraer, ao mesmo tempo em que fortalece o compromisso da empresa com a ambição Make in India.
"Essa atuação em conjunto reforça nosso objetivo em identificar parceiros locais que possam se tornar nossos fornecedores e, ao fazer isso, acelerar o desenvolvimento da base industrial indiana", afirma Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Compras Globais e Cadeia de Suprimentos da Embraer. "A iniciativa fortalece o empenho da Embraer no avanço do ecossistema aeroespacial na Índia, criando valor em toda a cadeia de suprimentos no longo prazo".
A assinatura deste MoU ocorre em um momento em que a Embraer está expandindo sua presença na Índia de forma constante e mantendo um diálogo ativo com líderes locais da indústria e do governo. Ao longo desse ciclo de avaliação, a empresa avaliou diversas capacidades industriais no país, incluindo montagem de aeroestruturas, usinagem, forja e fundição, compostos, cablagem, desenvolvimento de hardware e software.
A Índia representa um mercado estratégico para a Embraer em todos os seus segmentos de negócios. Atualmente, a empresa possui uma frota de 47 aeronaves operando no país, atendendo clientes nas áreas de Aviação Comercial, Executiva e Defesa & Segurança. Isso inclui cinco jatos VIP da Embraer operados pelo governo indiano e três aeronaves EMB 145 AEW "Netra" operadas pela Força Aérea Indiana.
Hindalco Industries Limited em Renukoot, na Índia
Sobre a Hindalco Industries Hindalco Industries Limited é a empresa principal de metais do Grupo Aditya Birla. É a maior empresa de alumínio do mundo em receita e o segundo maior produtor mundial de barras de cobre fora da China.
A Hindalco atua em toda a cadeia de valor, desde mineração de bauxita, refino de allumina, mineração de carvão e geração de energia cativa até fundição, laminação, extrusões e folhas de alumínio. Junto com sua subsidiária Novelis, é líder global em produtos laminados planos e o maior reciclador mundial de alumínio.
A Hindalco é a maior produtora de cobre da Índia, fornecendo mais da metade da demanda nacional de cobre. Sua instalação de cobre em Gujarat conta com um complexo de fundição e refinaria de classe mundial, unidades a jusante e um cais cativo.
Com 52 fábricas em 10 países, a Hindalco foi classificada como a empresa de alumínio mais sustentável do mundo nos Índices de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI) por cinco anos consecutivos — 2020, 2021, 2022, 2023 e 2024.
Acordo formaliza colaboração voltada ao desenvolvimento de capacidades avançadas de reabastecimento em voo; a LRCA Defense Consulting havia antecipado a aliança em agosto de 2025 e em fevereiro de 2026
*LRCA Defense Consulting - 19/02/2026
A Embraer e a Northrop Grumman Corporation tornaram pública,
nesta quinta-feira (19), uma parceria estratégica para o desenvolvimento
conjunto de capacidades avançadas de mobilidade aérea, com foco no KC-390
Millennium. O acordo confirma o que esta Consultoria havia antecipado com
precisão: em 5 de agosto de 2025, a LRCA Defense Consulting publicou análise
identificando as negociações em curso entre as duas empresas, e em 1º de
fevereiro de 2026 reforçou os indícios da parceria iminente, apontando que se
tratava da iniciativa mais promissora da Embraer para conquistar o mercado
militar dos Estados Unidos.
O comunicado conjunto divulgado pelas empresas detalha que a
colaboração visa fornecer um sistema de reabastecimento aéreo de última geração
para a Força Aérea dos Estados Unidos e para nações aliadas. O foco imediato é
o desenvolvimento do KC-390 Multi-Mission Tanker, com ênfase em uma lança de
reabastecimento autônoma avançada, o chamado boom rígido, além de
comunicações aprimoradas, sistemas de consciência situacional, opções de
sobrevivência e sistemas de missão adaptáveis.
Uma parceria construída sobre complementaridade técnica A lógica do acordo é clara: a Embraer detém uma plataforma aeronáutica
moderna, operacionalmente comprovada e com boa relação custo-benefício,
enquanto a Northrop Grumman traz consigo décadas de experiência em sistemas de
reabastecimento aéreo e um relacionamento consolidado com o Pentágono. Trata-se
exatamente da combinação que a Embraer buscava desde o encerramento de sua
parceria com a L3Harris, no final de 2024, empresa com a qual havia trabalhado
no conceito "Agile Tanker" desde 2022.
Tom Jones, Vice-Presidente Corporativo e Presidente da
Northrop Grumman Aeronautics Systems, destacou que a iniciativa visa
"suprir a lacuna em soluções avançadas de mobilidade aérea em nível
global", ressaltando o foco na autonomia e eficiência operacional dos
países aliados. Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e
Segurança, foi direto ao ponto: "O KC-390 é uma plataforma comprovada
operacionalmente e com boa relação custo-benefício, que poderia ser rapidamente
incorporada ao inventário da Força Aérea dos EUA."
O KC-390 e o programa NGAS O pano de fundo estratégico é o programa Next Generation Air Refueling
System (NGAS) da USAF, destinado a substituir os antigos KC-135, parte da frota
de reabastecimento americano que data da década de 1950. Conforme antecipado
por esta Consultoria, a Embraer já havia respondido a uma solicitação de
informações sobre sistemas de missão NGAS e mantinha contato ativo com a Força
Aérea americana. A nova parceria com a Northrop Grumman eleva substancialmente
as credenciais da candidatura do KC-390, uma vez que associa a aeronave
brasileira a uma das empresas mais influentes do complexo industrial-militar
dos Estados Unidos.
A aeronave possui características que se alinham ao conceito
de Agile Combat Employment (ACE) da USAF: capacidade de operar em pistas
precárias, reconfiguração entre missões em horas por meio de kits roll-on/roll-off,
velocidade de cruzeiro de Mach 0,8 com motores Pratt & Whitney, e taxas de
disponibilidade operacional superiores a 93%. Mais de 50% dos materiais de cada
aeronave são fornecidos por 59 empresas aeroespaciais americanas, o que
facilita a conformidade com o Buy American Act.
Uma campanha longa, agora com novo combustível A parceria com a Northrop Grumman é a terceira grande tentativa da Embraer
de fixar o KC-390 no mercado americano. A primeira, com a Boeing, foi anunciada
em novembro de 2019 e encerrada unilateralmente pela empresa americana em abril
de 2020. A segunda, com a L3Harris, foi dissolvida no final de 2024 por
"prioridades diferentes". As duas experiências, embora frustradas,
ensinaram a Embraer a buscar um parceiro com complementaridade técnica mais
evidente, e a Northrop Grumman preenche esse requisito com folga,
especialmente no que diz respeito ao boom de reabastecimento rígido,
tecnologia que o KC-390 ainda não possui em sua configuração atual.
Paralelamente à parceria, a Embraer segue com sua estratégia
comercial multifacetada para os EUA: planos de estabelecer uma linha de
montagem no país com investimentos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão,
criação de 2.500 empregos de alta tecnologia, e uma proposta ousada de tarifa
zero em troca de produção local, resposta direta às tarifas de 10% impostas
pela administração Trump. A empresa projeta exportações de US$ 13 bilhões ao
mercado americano até 2030.
Em outubro de 2025, integrantes do Departamento de Defesa da
Embaixada dos EUA visitaram a Base Aérea de Anápolis para conhecer o KC-390 em
operação com o Esquadrão Zeus. Antes disso, Bosco da Costa Junior havia se
reunido com o Secretário de Defesa americano Pete Hegseth durante o Shangri-La
Dialogue, em Singapura. Esses contatos diplomáticos de alto nível, combinados
com matérias patrocinadas em portais especializados como o Breaking Defense
e postagens coordenadas de executivos-chave no LinkedIn, compõem uma campanha
que esta Consultoria descreveu, em fevereiro, como "a mais estruturada e
agressiva da empresa para conquistar o mercado americano".
O papel de Portugal A parceria ora anunciada também beneficia Portugal, primeiro cliente
internacional do KC-390 e parceiro industrial estratégico da Embraer. A OGMA,
empresa aeroespacial controlada em 65% pela Embraer e 35% pelo governo
português, fabrica componentes críticos da aeronave, incluindo a fuselagem
central. Uma eventual adoção do KC-390 pela Força Aérea americana
representaria, para Portugal, um efeito multiplicador que ampliaria a produção
na OGMA, reforçaria o papel do país como hub europeu de manutenção e
consolidaria a Base Aérea nº 11 como centro de excelência em treinamento, posição que Portugal já começou a construir ao ser o primeiro membro da OTAN a
operar o tipo.
Perspectivas A formalização da parceria com a Northrop Grumman representa um salto
qualitativo na campanha da Embraer. Diferentemente dos acordos anteriores, este
une uma plataforma comprovada a uma empresa com relacionamento orgânico com o
Pentágono e expertise direta na tecnologia que faltava ao KC-390. O
comunicado conjunto menciona explicitamente os investimentos coordenados das
duas empresas e o foco na "entrega rápida de capacidades às forças
armadas", linguagem que sugere alinhamento com as urgências operacionais
que a USAF tem sinalizado.
O desfecho desta parceria, e da candidatura do KC-390 ao
programa NGAS, definirá não apenas o futuro da aeronave, mas também as
ambições globais da Embraer no setor de defesa. Esta Consultoria seguirá
acompanhando os desdobramentos.
Em live transmitida simultaneamente por múltiplas plataformas
digitais, o CEO Global Salesio Nuhs apresentou a pistola full size ao mercado brasileiro
com disponibilidade imediata em mais de 50 lojas do país
*LRCA Defense Consulting - 19/02/2026
A Taurus Armas realizou ontem o lançamento
oficial da TX38 TPC, a versão em calibre .38 TPC da sua mais nova plataforma de
pistolas full size. O evento foi conduzido ao vivo pelo CEO Global da
companhia, Salesio Nuhs, em transmissão simultânea pelo YouTube, Instagram e
Facebook, canais oficiais da marca e pessoais do executivo, contando com a
participação de influenciadores digitais, lojistas, atiradores desportivos e um
embaixador americano da marca. A audiência superou a marca de mil espectadores
simultâneos ao longo da transmissão.
"Estamos bastante felizes e empolgados
com o lançamento da TX38", disse Nuhs, que reconheceu estar estreando como
âncora de lives. "O nosso sucesso é o sucesso de vocês, e o sucesso de
vocês é o nosso sucesso." A frase capturou bem o tom da noite: uma
apresentação que misturou números de vendas, especificações técnicas e uma
comunicação direta com o ecossistema de lojistas, clubes de tiro e consumidores
finais.
O calibre
brasileiro
A TX38 TPC chega ao mercado como a mais
recente integrante da família TX, plataforma que inclui a TX22, recordista de
vendas nos Estados Unidos na categoria .22, e a TX9, lançada globalmente em 8
de janeiro deste ano. O .38 TPC, no entanto, carrega um valor simbólico
específico: é o primeiro calibre desenvolvido integralmente no Brasil. O
projeto nasceu da necessidade de preencher simultaneamente uma lacuna balística
e uma demanda regulatória.
Com a restrição do 9mm ao uso permitido para
civis, exigindo credencial de nível 3 para aquisição, a Taurus e a CBC
(Companhia Brasileira de Cartuchos) desenvolveram em cerca de seis meses um
calibre que, nas palavras do CEO, "reuniu o que existe de melhor em
balística para defesa pessoal". O resultado foi um cartucho posicionado
entre o .380 e o 9mm: superior ao primeiro em efetividade e com recuo mais
suave que o segundo, tornando-o mais acessível a atiradores com menor
experiência ou sensibilidade ao recuo.
Os números reforçam a estratégia: segundo
Nuhs, o .38 TPC representa, isoladamente, 72% das armas registradas no Sinarm (Sistema Nacional de Armas) no Brasil, considerando todos os fabricantes e
todas as outras categorias da Taurus. "Aqueles que na época chamaram de
calibre tupiniquim ou tabajara, agora entendem o quão importante foi esse lançamento",
disse o executivo, sem citar nomes, mas claramente endereçando aos críticos do
período inicial.
A plataforma TX: protocolos militares, garantia
vitalícia
A TX38 TPC chega ao mercado brasileiro incialmente como
uma pistola full size (tamanho de serviço) desenvolvida segundo rígidos protocolos militares, padrão mais rigoroso que o exigido para armas de uso
civil. Entre os diferenciais apresentados estão o Taurus Modular System (Sistema
Modular Taurus - TMS), o sistema de mira optrônica integrado TORO, funilintegrado, design
totalmente ambidestro e sistema de segurança Tetralock com quatro travas. A
arma também está disponível em versão sem trava externa, opção que a empresa
indicou explorar em momento futuro.
Um dos aspectos mais enfatizados na live foi
a garantia vitalícia que acompanha toda a família TX. "Nós confiamos tanto
nessa arma que ela está sendo apresentada no mundo com garantia
vitalícia", afirmou Nuhs. As condições específicas estão detalhadas no
site da empresa. A Taurus também destacou que o gatilho apresentado na época
das feiras (incluindo o SHOT Show 2025, em Las Vegas) é exatamente o mesmo que
está sendo comercializado agora, sem alterações entre o protótipo e o produto
final.
Um dos momentos mais aguardados da
transmissão foi o relato de Matthew Little, ex-integrante das Forças Especiais
do Exército americano, instrutor da SWAT e embaixador da Taurus nos Estados
Unidos. Traduzido ao vivo por Juliano Perretti, influenciador brasileiro
radicado nos EUA, Matthew descreveu em detalhes o teste de tortura conduzido
com a TX9.
"Mil rounds em si não é uma quantidade enorme para
uma pistola, mas realizá-los em pouco mais de dez minutos é muito mais do que
os requisitos de engenharia das pistolas mais modernas. Eu não acho que toda
pistola lá fora faria isso, de qualquer forma. E a Taurus realmente demonstrou
isso." - Matthew Little, embaixador Taurus nos EUA
O instrutor relatou que, dada a intensidade
da cadência de disparos, o calor acumulado pelo equipamento chegou a níveis que
exigiram mergulhar a arma em água gelada por algumas vezes, não por falha
mecânica, mas para proteger suas próprias mãos. Ainda assim, segundo ele, não
houve nenhuma falha de funcionamento durante os mil disparos. Matthew também
elogiou a ergonomia e a qualidade do gatilho, apontando o conforto ao atirar
como um diferencial relevante, mesmo em condições extremas.
Sobre o .38 TPC especificamente, o instrutor
comentou que testou o calibre durante a Shot Fair em São Paulo no ano anterior. Comparou-o ao .30 Super
Carry americano, cartucho desenvolvido nos EUA com propósito similar,
destacando o recuo controlável e a precisão. Ressaltou que, embora não quisesse
citar números balísticos exatos por não os ter à mão, avaliou o calibre como
eficiente para defesa pessoal e mais confortável que o 9mm.
Vozes do
mercado: lojistas, atiradores e influenciadores
A live reuniu um painel diversificado de
especialistas. Samuel Cout, influenciador
digital com milhões de seguidores, avaliou positivamente a ergonomia e o
gatilho da TX38, destacando que a plataforma full size preenche uma
lacuna real no portfólio de armas de calibre permitido no Brasil, onde a
ausência de opções para atiradores iniciantes era sentida. "Esse problema
acabou", afirmou Thyago Almeida, instrutor de tiro e influenciador de
Brasília, ao se referir à chegada da TX às divisões do IPSC.
Fabi Venera, presidente da FECASC (Federação
Catarinense de Tiro Desportivo) e dona de loja e clube de tiro em Santa
Catarina, ressaltou a importância do calibre para o tiro esportivo. Segundo
ela, a homologação do .38 TPC no IPSC, com a TX9 e a TX38 TPC em processo de
registro na divisão Production (previsto para até o final de março), abre a
modalidade a atiradores de nível 1, que antes ficavam restritos à divisão
Light. "O mercado está precisando, e essa iniciativa aquecerá os clubes e
as lojas", disse.
Juliano Perretti, brasileiro que atua como
influenciador no mercado americano, trouxe a perspectiva do maior mercado de
armas do mundo. Destacou o caráter modular da plataforma TX como um diferencial
bem recebido pelo consumidor americano, habituado a personalizar seus
equipamentos, e comparou a estratégia de posicionamento da TX9, lançada acima
da faixa tradicional de preço da Taurus nos EUA, à trajetória da TX22, sucesso
de vendas consolidado.
Disponibilidade
e estratégia comercial
Seguindo o modelo já adotado nos Estados
Unidos, a Taurus optou por um lançamento com disponibilidade imediata. Mais de
50 lojas parceiras em todo o Brasil já receberam estoque antecipado e foram
autorizadas a iniciar as vendas e divulgar os produtos a partir do meio-dia do
dia do evento. As demais lojas que realizarem pedidos receberão os produtos
imediatamente, segundo Nuhs.
A família TX já acumula uma carteira de mais
de 150 mil unidades nos Estados Unidos, somando TX22 e TX9, desde o lançamento
global em janeiro. No Brasil, a empresa enfrenta o desafio adicional da carga
tributária sobre o produto final, fator mencionado por alguns dos convidados
como um limitador de acessibilidade ao consumidor de menor renda.
Contexto: a
nova fase da Taurus
Nuhs posicionou o lançamento da TX38 TPC
dentro de uma narrativa mais ampla de transformação da companhia. Citou a G2C,
pistola compacta que vendeu mais de 3 milhões de unidades globalmente e se
tornou a compacta mais vendida do mundo, como o grande sucesso da gestão atual,
e a família TX como o próximo capítulo dessa história.
"Da G2C para a TX tem uma evolução
enorme", avaliou Samuel Cout, enquanto Thyago Almeida acrescentou que nunca
havia visto uma empresa se esforçar tanto para se superar. A frase resume o tom
da noite: a Taurus apresentando não apenas um produto, mas uma afirmação de
identidade industrial, a de uma empresa brasileira competindo de igual para igual - com produtos
desenvolvidos localmente - no disputado cenário armamentista global.
Ação: Striker‑fired (SAO, “hair‑trigger”
de ferrolho), 3ª geração.
Funcionamento: pistola semi‑automática,
alma raiada, 6 raias à direita.
Capacidade: cerca de 17 tiros no
carregador (17+1 na grande maioria dos anúncios).
Tipo de carregador: bifilar.
Dimensões e peso
Cano: 4,5 pol (aprox. 114 mm).
Comprimento total: cerca de 197 mm.
Altura: 132 mm.
Largura: 32,5 mm.
Peso não carregado: 709 g (aprox. 0,7
kg).
Sistema modular e ergonomia
Taurus Modular System (TMS): chassi
interno com número de série, que permite a troca de empunhadura e
manutenção de segundo escalão sem ferramentas.
Empunhadura: texturizada, com 4
backstraps (encaixes para palma) intercambiáveis para ajuste ao
tamanho da mão.
Trilho Picatinny na parte inferior para
lanterna tática ou laser.
Miras e óptica
Miras mecânicas: massa de mira
ajustável, com ponto branco para melhor aquisição visual; alguns conteúdos
apontam para mira de trítio para baixa luminosidade em
versões específicas.
Sistema T.O.R.O. (Taurus Optic Ready Option): carcaça
preparada diretamente de fábrica para instalação de miras Red Dot (ópticas
compactas) sem necessidade de customização externa.
Segurança e gatilho
Sistema de segurança Tetra‑Lock: quatro
mecanismos independentes:
trava de percussor,
trava de gatilho,
trava manual externa,
trava de desarme da armadilha.
Gatilho: desenho plano e serrilhado,
com curso e reset otimizados para disparos rápidos,
típico de pistolas de uso operacional.
Controles: retém do ferrolho e trava
manual ambidestros, mais retém do carregador reversível.
Durabilidade e acabamento
Ferrolho: acabamento nitretado
a gás (gas‑nitrided), que oferece maior resistência à corrosão e ao
desgaste.
Cano: revestimento de tipo DLC
(Diamond Like Carbon), aumentando dureza e suavidade no deslizamento.
Classificada como “Duty Grade”:
projetada e testada sob protocolos militares/policiais, com foco em
confiabilidade e durabilidade em uso operacional.
Proposta de uso
Direcionada a uso operacional, defesa
pessoal e esportivo (IPSC/competição), aproveitando o calibre .38
TPC com energia cerca de 40% maior que o .380 AUTO, com
sensação de recuo menor que o 9×19, o que facilita o controle e a
recuperação de pontaria.
A Embraer e o Mahindra Group anunciaram hoje planos para estabelecer uma instalação de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO, na sigla em inglês) na Índia para o C-390 Millennium, caso a plataforma multimissão seja selecionada no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana (IAF). As duas empresas assinaram um Acordo de Cooperação Estratégica (SCA, em inglês) em outubro de 2025 para produzir a aeronave de transporte militar de multimissão C‑390 Millennium na Índia. A colaboração entre a Embraer e o Mahindra Group visa apoiar o programa MTA da Força Aérea Indiana, com planos de estabelecer fabricação local da aeronave, fortalecer a iniciativa “Make in India”.
O C‑390 Millennium é a aeronave de transporte militar mais moderna de sua classe, oferecendo capacidade de carga útil de até 26 toneladas, além de maior velocidade e alcance quando comparado a outras aeronaves militares de transporte médio. É capaz de executar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, lançamentos aéreos, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e missões humanitárias. A aeronave pode operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, e pode ser configurada para reabastecimento em voo, tanto como para abastecer ou ser reabastecido. A frota atual em operação já demonstrou taxa de conclusão de missão superior a 99%, destacando sua produtividade excepcional e confiabilidade.
A proposta de instalação de um MRO fornecerá a manutenção e apoio abrangente no próprio país para a frota do C-390, garantindo altos níveis de prontidão e disponibilidade operacional. A iniciativa reforça o compromisso conjunto das empresas em posicionar o C-390 Millennium. como uma solução robusta para as futuras necessidades de aeronaves de transporte de médio porte na Índia.
“A Embraer está empenhada em entregar não apenas uma aeronave de classe mundial, mas também um ecossistema de suporte robusto e de longo prazo, adaptado aos requisitos operacionais e industriais da Índia”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.
“Uma instalação de MRO de última geração para o C-390 Millennium na Índia garantiria alta disponibilidade da aeronave, maior autonomia operacional e uma solução abrangente de sustentação local para a Força Aérea Indiana ao longo de todo o ciclo de vida da aeronave”, disse Vinod Sahay, membro do Conselho Executivo do Mahindra Group.
A proposta de instalação de um MRO deve oferecer um conjunto completo de serviços, incluindo manutenção básica e pesada, inspeções e testes estruturais, reparo e revisão de componentes, suporte de aviônicos e treinamento.
“A Embraer e a Mahindra pretendem expandir a colaboração com empresas aeroespaciais indianas para aumentar a produção local do C-390 Millennium e apoiar as atividades de MRO, reforçando nosso compromisso com a iniciativa ‘Make in India’ do governo indiano e com a visão de “Atmanirbhar Bharat”, ressalta Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte. “Além do suporte à frota, essa nova instalação pode criar empregos altamente qualificados e contribuir para a integração de empresas indianas à cadeia de suprimentos global da Embraer.”
Embora o objetivo principal seja apoiar a frota da Força Aérea Indiana, a Embraer também está avaliando o potencial para que a Índia atue como um hub regional de MRO, fornecendo serviços de sustentação para outros operadores do C-390 Millennium no futuro.
O C-390 Millennium já foi selecionado pelas forças aéreas do Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, Coreia do Sul, Uzbequistão, República Tcheca, Suécia, Eslováquia e Lituânia.
A Embraer tem uma presença de longa data na Índia, com cerca de 50 aeronaves de 11 diferentes modelos atualmente em operação no país, atuando nos segmentos comercial, defesa e aviação executiva. No setor de defesa, a plataforma ERJ145 serve como base para a aeronave AEW&C “Netra” da Força Aérea Indiana, enquanto o Legacy 600 é operado pela Força Aérea Indiana e pela Border Security Force (BSF) para transporte de autoridades e VIPs.
- A série também é reconhecida como o jato bimotor mais entregue pelo sexto ano consecutivo. - A
Embraer encerrou 2025 com 155 entregas de aeronaves da Aviação
Executiva, atingindo o topo de sua projeção e entregando 72 aeronaves da
série Phenom 300.
*LRCA Defense Consulting - 18/02/2026
A Embraer anunciou hoje que sua série Phenom 300 mantém a posição de jato leve mais vendido do mundo pelo 14º ano consecutivo, de acordo com dados divulgados pela General Aviation Manufacturers Association (GAMA) durante sua conferência de imprensa State of the Industry em Washington, DC. Os dados também confirmaram que o jato leve é o jato bimotor mais entregue pelo sexto ano consecutivo.
Em 2025, a Embraer entregou 72 aeronaves da série Phenom 300, marcando o maior total anual desta década. Com mais de 900 aeronaves em serviço em todo o mundo, operando em 70 países e acumulando mais de 2,9 milhões de horas de voo, a série Phenom 300 mais uma vez estabelece o padrão de referência em desempenho, tecnologia e conforto no segmento de jatos leves.
“O Phenom 300E continua a dominar a categoria de jatos leves porque oferece o que os clientes mais valorizam: desempenho incomparável, tecnologia avançada e uma experiência de propriedade excepcional”, disse Michael Amalfitano, Presidente e CEO da Embraer Jatos Executivos. “Ano após ano, o Phenom 300E permanece a referência em sua classe, reforçando sua posição de liderança e a confiança que nossos clientes depositam em nossa marca. Temos orgulho de celebrar mais um marco no sucesso contínuo do jato leve mais desejado do mundo.”
O Phenom 300E é o jato leve mais rápido em produção, capaz de atingir uma velocidade máxima de Mach 0,80 e um alcance de 2.010 milhas náuticas (3.724 km) com cinco ocupantes e reservas IFR da NBAA. O conjunto de aviônicos avançados da aeronave inclui o Sistema de Alerta e Conscientização de Ultrapassagem de Pista (ROAAS) — o primeiro sistema desse tipo a ser desenvolvido e certificado na aviação executiva — além de acelerador automático, Sistema de Visão Sintética, Modo de Descida de Emergência e outros recursos. O Phenom 300E também incorpora tecnologias normalmente encontradas em jatos maiores, como reabastecimento em ponto único, banheiro com serviço externo e escada de acesso.
Além do segmento de jatos leves, a família Praetor da Embraer também apresentou um desempenho sólido em 2025, com 69 aeronaves entregues durante o ano. Esse bom momento impulsionou a Aviação Executiva para um total de 155 entregas, estabelecendo um novo recorde para a unidade de negócios, e marcou um importante marco para o programa, com a frota Praetor ultrapassando a marca de 400 aeronaves entregues em todo o mundo.
A Embraer entregou os dois primeiros A-29 Super Tucano à Força Aérea Uruguaia. As aeronaves fazem parte de um programa de renovação da frota e ampliação das capacidades operacionais da FAU, como proteção do espaço aéreo e das fronteiras. O contrato, assinado no final de 2024, inclui ainda equipamentos de missão, serviços logísticos integrados e um simulador de voo.
“É uma honra entregar os primeiros A-29 Super Tucanos à Força Aérea Uruguaia. Este marco fortalece uma parceria que se consolidou ao longo de mais de 50 anos, desde que o Uruguai se tornou o primeiro cliente internacional a adquirir uma aeronave da Embraer”, afirmou Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Estas aeronaves multimissão representam um marco significativo na história da Força Aérea Uruguaia, expandindo suas capacidades operacionais de maneiras nunca antes possíveis.”
"Hoje é um dia histórico, de grande relevância para o Uruguai e sua Força Aérea. Com a concretização da aquisição da aeronave Embraer A-29 Super Tucano, a tão esperada modernização se concretiza. Essa incorporação marcará uma mudança operacional e tecnológica em nossa frota de combate", afirma o Comandante-em-Chefe da Força Aérea Uruguaia, General de Aeronave Fernando Colina. "Este marco histórico posiciona o Uruguai na região com uma aeronave que opera em 22 forças aéreas ao redor do mundo, com tecnologia avançada e custo operacional adequado. Com a chegada dos Super Tucanos, o Uruguai obtém uma grande ferramenta para atingir seus objetivos. É o vetor com o qual poderemos recuperar e expandir as capacidades de proteção do nosso espaço aéreo e demonstrar o compromisso do nosso país com a segurança e a soberania nacional."
"A aquisição dessas aeronaves abre um novo horizonte tecnológico. Além do bom desempenho de voo, os modernos sistemas de bordo abrem novas possibilidades, permitindo a aquisição de novas capacidades, o que redefine o poder aéreo da Força Aérea Uruguaia", afirmou o Coronel SS (Av.) Shandelaio González, Comandante da II Brigada Aérea.
"Com a incorporação deste sistema de armas, a Força Aérea proporciona à República uma capacidade que auxiliará significativamente o sistema de defesa aérea no controle do espaço aéreo em todo o território nacional. Foi um marco a aquisição de um sistema de alta tecnologia que a Força tanto aguardava para desempenhar melhor suas funções", afirmou Luis H. De León, ex-comandante-em-chefe da Força Aérea Uruguaia.
O Super Tucano é líder mundial em sua classe, tendo sido selecionado por 22 forças aéreas em todo o mundo e acumulado mais de 600.000 horas de voo. A aeronave despertou o interesse de diversas outras nações devido à sua combinação incomparável de capacidades, tornando-a a opção mais eficiente do mercado.
Para forças aéreas que buscam uma solução comprovada, abrangente, eficiente, confiável e com boa relação custo-benefício em uma única plataforma, aliada a grande flexibilidade operacional, o A-29 Super Tucano oferece uma ampla gama de missões, incluindo treinamento avançado de pilotos, apoio aéreo aproximado (CAS), patrulha aérea, interdição aérea, ataque terminal conjunto (JTAC), inteligência armada, vigilância e reconhecimento (ISR), vigilância de fronteiras, escolta aérea e, mais recentemente, combate a drones.
O A-29 Super Tucano é a aeronave multimissão mais eficaz de sua categoria, equipada com tecnologia de ponta para identificação precisa de alvos, sistemas de armamento e um conjunto abrangente de comunicações. Sua capacidade é aprimorada por sistemas aviônicos avançados de interface homem-máquina (IHM) integrados a uma estrutura robusta. O A-29 é capaz de operar em pistas não pavimentadas, em ambientes hostis e sem infraestrutura. Além disso, a aeronave possui requisitos de manutenção reduzidos e oferece alto nível de confiabilidade, disponibilidade e integridade estrutural, com baixos custos de ciclo de vida.
Tecnologia que nasceu em laboratórios civis
transforma-se em arma estratégica nos campos de batalha da Ucrânia e impulsiona
a indústria brasileira de defesa
“Fábrica” de impressão 3D independente da The ExOne Company que opera a partir de um contêiner de transporte
*LRCA Defense Consulting - 18/02/2026
Quando o Exército Brasileiro publicou recentemente um artigo
técnico sobre Manufatura Aditiva e seus usos militares, poucos imaginavam que
aquela análise acadêmica refletia uma revolução silenciosa que já transformava
campos de batalha a milhares de quilômetros de distância. Na Ucrânia, soldados
imprimem peças de drones em impressoras 3D instaladas próximo à linha de
frente. Nos Estados Unidos, a Força Aérea substitui componentes de aeronaves
antigas com peças fabricadas digitalmente. E no Brasil, empresas como Taurus,
Embraer e XMobots investem milhões para dominar uma tecnologia que promete
redefinir não apenas como se fabricam armas, mas como se conduzem as guerras
modernas.
Do laboratório ao campo de batalha A Manufatura Aditiva (MA), conhecida popularmente como impressão 3D, consiste na
formação de objetos tridimensionais por meio da deposição sucessiva de camadas
de material. Embora tenha sido criada em 1984 e consolidada inicialmente em
setores civis como indústria automotiva, aeroespacial e médica, seu uso vem
crescendo de maneira exponencial no campo militar, oferecendo rapidez,
autonomia e flexibilidade em cenários onde cada segundo pode determinar o
destino de uma missão.
O artigo do EBlog do Exército Brasileiro, assinado pelo Subtenente Julio Cezar Rodrigues Eloi, detalha como essa tecnologia pode contribuir
para operações, logística e capacidades estratégicas das forças armadas. O
documento ressalta que a MA já ultrapassou a esfera experimental e se integra
gradualmente aos processos tradicionais de defesa em diversos países.
O caso ucraniano: quando a necessidade vira inovação Nenhum caso ilustra melhor o potencial militar da impressão 3D do que a
guerra na Ucrânia. Desde a invasão russa em fevereiro de 2022, o país
transformou-se em um gigantesco laboratório de inovação militar. Em 2024, foram
construídos 1,5 milhão de drones de ataque e reconhecimento, com expectativa de
produção de 4,5 milhões até o final do ano, um salto astronômico em relação às
300 mil unidades de 2023.
Empresas como a Wild Hornets operam verdadeiras fazendas de
impressoras 3D, dezenas de equipamentos Bambu Lab e Elegoo funcionando 24
horas por dia, para produzir componentes dos drones interceptadores Sting, que
combatem os Shaheds iranianos. A organização afirma ter neutralizado 1.738
ativos inimigos no valor de US$ 1,69 bilhão, incluindo 448 UAVs adversários.
Outras fabricantes ucranianas, como a TAF Drones, operam
instalações secretas no oeste da Ucrânia onde mais de 100 funcionários produzem
cerca de 1.000 drones diariamente. O modelo ucraniano demonstrou que a
impressão 3D permite iteração em ciclos curtíssimos: imprimir, montar, testar e
modificar projetos quase em tempo real. Um protótipo que funciona hoje pode ser
ajustado até amanhã, comprimindo ciclos de desenvolvimento que levariam anos na
fabricação aeroespacial tradicional em questão de semanas.
"Praticamente toda brigada ucraniana tem uma unidade de
drones, com capacidade de reparo e também de produção de novos drones",
explica Sandro Teixeira Moita, professor na Escola de Comando e Estado-Maior do
Exército Brasileiro. "Por mais incrível que pareça, um dos principais
insumos para o esforço de guerra ucraniano é o polímero, material que a
impressora 3D usa para a impressão de peças de drones."
Mas não é apenas na produção de drones que a Ucrânia inovou.
O país desenvolveu também capacidades em impressão 3D de metal para peças de
reposição de equipamentos militares. Empresas britânicas como a Babcock, em
parceria com a QinetiQ, receberam contratos para produzir desenhos digitais e
arquivos CAD de equipamentos essenciais, permitindo que o pessoal ucraniano
imprima peças localmente conforme necessário, reduzindo drasticamente a
dependência de cadeias de suprimentos externas.
Estados Unidos: investimento bilionário em autonomia
logística Se a Ucrânia improvisou sua revolução em manufatura aditiva sob pressão, os
Estados Unidos a planejaram meticulosamente. Desde 2017, as Forças Armadas
norte-americanas fazem investimentos substanciais em impressão 3D para melhorar
a resiliência da cadeia de suprimentos e o desempenho operacional geral.
Em 2021, o Departamento de Defesa dos EUA contratou a The
ExOne Company para desenvolver uma "fábrica" de impressão 3D
independente que opera a partir de um contêiner de transporte. Em 2022, o
fabricante australiano SPEE3D foi selecionado pela Marinha para fornecer sua
tecnologia de manutenção MAINTENX. Em 2024, os militares do Reino Unido
receberam seu primeiro lote de componentes impressos em 3D para sistemas navais
e de artilharia.
O mercado global de impressão 3D militar deve registrar uma
taxa de crescimento anual composta (CAGR) superior a 10% durante o período
2024-2029, segundo a Mordor Intelligence. O mercado aeroespacial e de defesa
especificamente deve atingir US$ 8,20 bilhões até 2029, crescendo a um CAGR de
15,13%.
A 3D Systems, em colaboração com a Força Aérea dos EUA, usa
fabricação aditiva para substituir peças difíceis de construir para aeronaves
militares antigas. Em novembro de 2024, a Agência de Logística de Defesa
concedeu um contrato para um componente impresso em 3D que protege a aeronave
F-15 contra danos estruturais, o primeiro contrato nesta categoria para
manufatura aditiva.
Brasil na vanguarda: Taurus, Embraer e XMobots
Impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Priting) Flex 350, da 3D Systems, em uso na Taurus
Taurus: pioneira em Manufatura Aditiva Metálica A Taurus Armas foi pioneira na América do Sul ao receber, em abril de 2020,
a impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Printing) Flex 350, da 3D Systems, a
primeira entregue em todo o Hemisfério Sul. O sistema de fabricação Direct
Metal Printing de alto desempenho oferece redução de desperdício, maiores
velocidades de impressão e peças de metal com propriedades mecânicas
excelentes.
Imprimindo em metal, a impressora faz o protótipo inteiro de
uma arma em apenas um dia ininterrupto de trabalho, enquanto o processo
anterior utilizava terceiros e demorava muitos dias. Além de precisão muito
maior, por ser totalmente robotizado, o processo gera considerável ganho de
tempo e economia de recursos.
Mas a Taurus não parou aí. A empresa também domina a
tecnologia Metal Injection Molding (MIM), sendo uma das apenas duas fabricantes
de armas no mundo com essa capacidade, e a única abaixo do Equador. Hoje,
fabrica mais de 80 mil peças MIM por dia, com planos de chegar a 110 mil
peças/dia após a instalação de um terceiro forno contínuo.
A empresa gaúcha tornou-se referência global ao anunciar a
produção de armas com grafeno, material revolucionário que proporciona melhor
desempenho contra oxidação, potencializa propriedades mecânicas como
resistência ao impacto e reduz o peso das armas. A versão da pistola GX4 com
grafeno, lançada em 2021, foi a primeira arma do mundo a usar esse material.
Embraer: aviões mais leves, mais eficientes A Embraer utiliza a Manufatura Aditiva para construir peças de plástico
encontradas no interior dos E-Jets E2, resultando em componentes até 40% mais
leves. O Termoplástico AM substituiu o processo demorado e manual anteriormente
utilizado para preparação e usinagem de peças e ferramentas.
As peças agora levam 50% menos tempo de produção, geram 65%
menos resíduos e evitam o contato de compostos orgânicos voláteis com os
funcionários. A MA é usada para construir 37 tipos de peças internas nos E2s,
incluindo grades de ar-condicionado, unidades de proteção de sistemas, flanges
do sistema de sucção dos lavatórios e dutos de ar.
"No ano passado, produzimos mais de 1.800 peças por MA para o programa E2. Nossos engenheiros já estão trabalhando para criar peças de
metal por meio do mesmo processo de MA", informou a fabricante brasileira.
"A manufatura aditiva é apenas mais uma ferramenta que nos ajuda a tornar
nossos E2s os aviões mais ecologicamente corretos do mercado".
XMobots: da Ucrânia para São Carlos É no caso da XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, que
vemos a convergência entre a experiência ucraniana e a capacidade industrial
brasileira. A empresa de São Carlos (SP) consolidou recentemente uma parceria
estratégica com a SKA Automação de Engenharias, representante da HP no Brasil,
trazendo impressoras 3D industriais de última geração para seu chão de fábrica.
A aliança posiciona o Brasil na fronteira tecnológica da
manufatura aditiva para defesa, com a mesma tecnologia que tem permitido à
Ucrânia produzir milhares de drones por mês. A XMobots deixou de usar impressão
3D apenas como ferramenta de prototipagem para tratá-la como pilar central da
manufatura de seus sistemas de defesa.
As soluções aplicam-se diretamente ao desenvolvimento dos
drones da família Nauru, especialmente os modelos Nauru 100D ISTAR, Nauru 500C
ISR e Nauru 1000C ISTAR — plataformas táticas pensadas para missões de
inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos.
O Nauru 1000C ISTAR, selecionado pelo Exército Brasileiro
para missões de monitoramento de fronteiras, é um drone VTOL (decolagem e pouso
vertical) de categoria 2 com envergadura de 7,7 metros, autonomia de 10 horas e
capacidade de carga útil de 18 kg. A empresa também firmou parceria com a MBDA,
maior empresa europeia de mísseis, para desenvolver a versão armada do Nauru
1000C com mísseis Enforcer Air, tornando-o o primeiro drone brasileiro a
integrar capacidade de ataque guiado de precisão.
A impressão 3D industrial entra como facilitadora em
diversos pontos críticos: produção de carenagens, suportes internos, pods de
sensores e estruturas secundárias complexas; redução de ferramental, gabaritos
e dispositivos de montagem; e iteração rápida de novas geometrias, acelerando
drasticamente o ciclo entre projeto e validação em campo.
Drone Nauru 100D, da XMobots
Vantagens e desafios da impressão 3D militar O artigo do EBlog sistematiza as principais vantagens e limitações da
tecnologia em ambientes de combate. Entre as vantagens destacam-se:
Produção
rápida e local de armamentos, munições e drones, atuando como fonte
alternativa em situações de escassez;
Fabricação
de componentes personalizados e sob demanda, aumentando a
adaptabilidade da tropa e acelerando reparos em campo;
Redução
de custos e dependência de fornecedores externos;
Autonomia
logística em operações remotas ou em ambientes hostis.
Quanto às limitações:
Durabilidade
menor das peças quando comparada às armas convencionais, devido ao uso
predominante de polímeros;
Confiabilidade
operacional dependente da qualidade do material e da habilidade do
operador, restringindo seu emprego a funções emergenciais ou suplementares;
Desafios
de certificação e controle de qualidade em ambientes militares
regulados;
Questões
de propriedade intelectual e segurança cibernética dos arquivos
digitais.
Aplicações além das armas A tecnologia não se limita à produção de armamentos. Pesquisadores
identificaram aplicações em diversos campos:
- Construção e engenharia: o Exército e a Marinha dos
EUA estão utilizando impressão 3D para construir quartéis militares,
aproveitando misturas de cimento e concreto de alta performance depositadas
camada por camada por robôs. Projetos menores podem ser concluídos em um dia,
enquanto estruturas maiores ficam prontas em uma semana.
- Equipamentos individuais: a tecnologia oferece
vantagens importantes ao permitir a produção de equipamentos personalizados
como capacetes, coletes e protetores auriculares ajustados às características
anatômicas de cada militar, melhorando conforto, proteção e capacidade
operacional.
- Veículos blindados: pesquisas relacionadas ao
Challenger 3 e aos veículos Boxer, da Rheinmetall BAE Systems Land, demonstram
que componentes estruturais podem ser fabricados por impressão 3D.
- Sistemas aeroespaciais: a NASA testa materiais
impressos em 3D para aplicações futuras no espaço. O mecanismo SuperDraco, que
fornece impulso de escape para a cápsula espacial Dragon V2 da SpaceX, está
totalmente impresso em 3D.
O futuro: impressão 4D e materiais inteligentes Pesquisadores apontam que a Manufatura Aditiva poderá viabilizar a produção
de sensores biométricos e exoesqueletos, ampliando significativamente as
capacidades físicas e cognitivas de militares em operação. A impressão 4D,
evolução natural da impressão 3D, incorpora materiais inteligentes capazes de
responder a estímulos externos.
Tal avanço pode permitir, por exemplo, uniformes com
camuflagem adaptativa ou sistemas capazes de alterar sua estrutura conforme
variáveis ambientais, ampliando as possibilidades de proteção e desempenho. A
tendência é a evolução em direção ao uso de materiais mais leves, resistentes e
complexos, além da integração de elementos eletrônicos.
Soberania tecnológica: o caso brasileiro Para o Brasil, as iniciativas da Taurus, Embraer e XMobots representam mais
do que avanços tecnológicos pontuais. Elas sinalizam:
- Soberania industrial em um dos segmentos mais
críticos da defesa contemporânea, reduzindo dependência de cadeias externas
para modificações ou lotes especiais de componentes.
- Alinhamento com as melhores práticas que emergem do
"laboratório de guerra" ucraniano, mas adaptadas à realidade de um
grande país em paz, com capacidade de construir essa infraestrutura em ambiente
controlado.
- Capacidade de resposta rápida a novas demandas das
Forças Armadas e de clientes internacionais, uma vantagem competitiva crucial
em mercados onde o tempo de desenvolvimento determina contratos.
A XMobots, fundada em 2007 e incubada no CIETEC-USP, emprega
hoje cerca de 700 funcionários e ocupa o 6º lugar no ranking mundial da Drone
Industry Insights. A empresa recebeu investimento da Embraer em 2022,
consolidando sua posição estratégica no setor aeroespacial brasileiro.
"Nosso objetivo é dar à Ucrânia a capacidade de recriar
as peças militares de que precisa, onde e quando realmente for
necessário", afirmou Tom Newman, CEO da Babcock's Land Sector, ao comentar
a parceria com a QinetiQ para apoio ao esforço de guerra ucraniano. A mesma
lógica se aplica ao Brasil: ter capacidade instalada de manufatura aditiva
significa poder responder rapidamente a crises sem depender de cadeias de
suprimento internacionais vulneráveis.
Lições da guerra e perspectivas futuras O Tenente-Coronel Ben Irwin-Clark, comandante do 1º Batalhão de Guardas Irlandeses do Exército Britânico, foi direto ao afirmar que a decisão de investir em
produção interna de drones foi "definitivamente uma lição que aprendemos
da Ucrânia". Os britânicos já imprimiram seu primeiro corpo completo de
drone e treinam 78 soldados como pilotos ou instrutores.
A Holanda desenvolveu o AMCOD (Additive Manufacturing
Container of Defense), um hub de reparo móvel na forma de contêiner de
transporte projetado para ser instalado em qualquer navio da Marinha Real
Holandesa, equipado com ar-condicionado, ventilação e fonte de alimentação
ininterrupta para produção de peças de polímero 24 horas por dia.
No Mali, desde 2015, o Exército Holandês utiliza impressão
3D para substituir peças de sobressalentes desgastadas dos veículos Fennek pelo
clima do deserto, reduzindo drasticamente os prazos de entrega que antes
dependiam de cadeias logísticas complexas.
A nova era da Defesa Os exemplos apresentados demonstram que a manufatura aditiva oferece
vantagens expressivas ao ambiente militar, especialmente em termos de redução
de custos, rapidez na produção, autonomia logística e personalização de
equipamentos. Esses benefícios se estendem à fabricação de armamentos,
munições, peças sobressalentes, equipamentos individuais e até estruturas de
construção civil.
Enquanto a Ucrânia demonstra que a impressão 3D pode
sustentar produção quase artesanal, mas em grande escala, de drones militares,
empresas brasileiras como Taurus, Embraer e XMobots mostram que o país é capaz
de transformar essa lógica em política industrial: fábricas digitais de defesa,
com robôs industriais, linhas seriadas e manufatura aditiva integrada.
Em um cenário em que a próxima geração de conflitos será
protagonizada por enxames de drones projetados, fabricados e modificados em
ciclos cada vez mais curtos, ter empresas brasileiras dominando impressão 3D
industrial é jogar na mesma liga de quem hoje redefine a guerra na Ucrânia, só
que com a vantagem de construir essa capacidade desde já, em ambiente
controlado, para quando o país precisar.
Como ressalta o artigo do EBlog do Exército Brasileiro,
fatores como segurança cibernética e sustentabilidade serão determinantes para
a evolução da Manufatura Aditiva nas próximas décadas. A mensagem é clara: o
Brasil não está apenas observando a revolução da manufatura aditiva na defesa.
Está construindo, em São Carlos, São Leopoldo e São José dos Campos, os pilares
dessa nova era.