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19 junho, 2026

Finep formaliza contrato com a Bizu Space e amplia investimento no microlançador brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 19/06/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) assinaram, nesta quinta-feira (18), durante o SpaceBR Show 2026, em São Paulo, um novo contrato de inovação com a Bizu Space. O ato também marcou o início da fase de integração do modelo estrutural do Microlançador Brasileiro (MLBR) e reforça a estratégia do governo de reduzir a dependência tecnológica do país no setor espacial.

Dois contratos, R$ 75 milhões
O contrato com a Bizu Space integra um pacote maior, anunciado no mesmo dia, que soma R$ 75 milhões em recursos para projetos aeroespaciais da indústria de defesa. Desse total, R$ 49,7 milhões foram destinados à Iacit, empresa especializada em radares além do horizonte (tecnologia capaz de detectar embarcações e aeronaves a distâncias maiores do que o limite imposto pela curvatura da Terra). Outros R$ 25 milhões couberam à Bizu Space, para atividades relacionadas ao MLBR. Os dois projetos estão entre os primeiros aprovados na segunda rodada da chamada pública Mais Inovação Brasil, voltada à Base Industrial de Defesa (BID).

O que o dinheiro financia
Segundo a Finep, os recursos destinados à Bizu Space vão financiar o desenvolvimento de um terceiro estágio com propulsão líquida para o MLBR, além de tecnologias que poderão ser aproveitadas, no futuro, em foguetes de maior capacidade. O novo estágio é batizado de Arion: um motor que usa peróxido de hidrogênio de alto teste e querosene como propelentes, com empuxo entre 3 kN e 5 kN, projetado para substituir o atual terceiro estágio sólido do lançador.

A iniciativa já avança em testes. No início de 2026, o primeiro estágio do MLBR passou por um teste hidrostático (o envelope-motor foi preenchido com água e pressurizado até o limite, com aprovação confirmada). A Bizu Space também já anunciou um teste estático do motor líquido Arion-1, no campus da Univap, em São José dos Campos.

Um projeto, valores diferentes
É importante não confundir o novo contrato de R$ 25 milhões com o orçamento histórico total do MLBR. Em 2023, o programa, sob coordenação da Cenic, já havia recebido cerca de R$ 180 milhões da Finep, valor próximo aos R$ 189 milhões citados como custo total do projeto em reportagens recentes. O contrato anunciado nesta quinta-feira é um aporte novo, específico e adicional, dentro de um edital distinto, o Mais Inovação Brasil, vinculado à Base Industrial de Defesa.

A Bizu Space e o consórcio do MLBR
Fundada em 2020 como desdobramento da equipe ITA Rocket Design, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Bizu Space foi incorporada oficialmente em 2022 e hoje detém o selo de Empresa Estratégica de Defesa. Dentro do arranjo produtivo do MLBR, a empresa concentra sua atuação em planejamento de missão e em tecnologia de propulsão líquida.

A composição do consórcio variou ao longo do tempo: passou de sete para oito empresas entre 2024 e 2025, segundo registros do setor. A formação mais recente, apresentada durante o SpaceBR Show 2026, reúne Cenic, Concert Space, PlasmaHub, Delsis e Etsys como líderes da iniciativa, com Bizu Space, FibraForte e HorusEye Tech atuando como parceiras estratégicas.

Soberania como meta declarada
Ao comentar os investimentos, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, associou o avanço a um objetivo mais amplo: “Precisamos encarar o desafio da área espacial focando nas tecnologias que o Brasil ainda não detém, pois não existe soberania sem independência tecnológica.”

O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, reforçou o ponto ao citar uma meta concreta da política industrial do governo: elevar a autonomia tecnológica do país, hoje em 40%, para 75% até 2033, dentro do programa Nova Indústria Brasil.

Os dois contratos assinados no SpaceBR Show fazem parte de um esforço mais amplo da Finep. Desde 2023, a instituição já direcionou mais de R$ 2 bilhões a 76 projetos vinculados à Missão 6 da Nova Indústria Brasil, política que tem como objetivo reduzir a dependência tecnológica externa do país.

O que vem a seguir
Concluída a fase de integração estrutural, o MLBR avança rumo aos ensaios finais e à validação do veículo. O edital da Finep prevê dois lançamentos bem-sucedidos do foguete, na variante de propelente sólido, para considerar o projeto concluído. Depois disso, a expectativa do arranjo produtivo é migrar para a variante de propelente líquido como veículo comercial e, no longo prazo, desenvolver um lançador maior, com propulsão totalmente líquida.

Eve, da Embraer, vence prêmio de melhor eVTOL da Robb Report e reforça apostas no design 'lift plus cruise'

A publicação americana de referência em luxo escolheu a aeronave da subsidiária da Embraer como destaque de aviação em sua 38ª edição do Best of the Best, com certificação prevista para o final de 2027
 



*LRCA Defense Consulting - 19/06/2026

A Eve Air Mobility foi escolhida pela Robb Report como o melhor eVTOL (electric Vertical Take-Off and Landing) na categoria aviação do Best of the Best 2026, programa anual de premiação da publicação americana dedicada ao universo do luxo, hoje em sua 38ª edição. O prêmio, divulgado em 18 de junho, eleva a visibilidade da empresa no mercado internacional em um momento em que sua campanha de testes de voo avança rumo à certificação.
A Robb Report não justificou a escolha pela velocidade, pelo alcance ou pelo tamanho da aeronave. Ao contrário, destacou exatamente o que diferencia a Eve no mercado de táxis aéreos urbanos: a simplicidade deliberada de sua arquitetura. Em uma categoria em que concorrentes apostam em rotores inclináveis e asas com geometria variável, a Eve optou por separar as funções de sustentação e cruzeiro em sistemas fixos e independentes. A aeronave utiliza oito hélices de passo fixo para decolagem e pouso vertical e uma hélice pusher traseira, combinada a uma asa convencional, para o voo horizontal. Nada gira ou se inclina durante a transição entre modos de voo.
Para a publicação, essa escolha de projeto não é uma limitação, mas uma vantagem estrutural: menos componentes móveis significam menor probabilidade de falha, manutenção mais simples e um caminho mais direto pela burocracia de certificação aeronáutica. Com velocidade de cruzeiro máxima de cerca de 200 km/h e alcance de 97 quilômetros, a aeronave é projetada para voos curtos entre aeroportos e centros urbanos, não para competir com jatos executivos.
 
Primeiro voo e protótipos
O reconhecimento da Robb Report chega em um intervalo de semanas após a conclusão do primeiro voo do protótipo em escala real da Eve. O voo inaugural confirmou a integração dos sistemas-chave da aeronave, entre eles o conceito fly-by-wire de quinta geração e os rotores de sustentação de passo fixo. A empresa planeja realizar múltiplos voos ao longo de 2026, expandindo gradualmente o envelope de voo até atingir o regime de cruzeiro em asa fixa.
Ao todo, a Eve fabricará seis protótipos conformes para conduzir a campanha de testes. A empresa mantém interlocução ativa com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), autoridade certificadora primária do eVTOL, para avançar no processo regulatório. A certificação inicial está prevista para o final de 2027, segundo a própria publicação americana.
Contexto do prêmio
O Best of the Best da Robb Report reconhece produtos e experiências considerados referência em seus respectivos segmentos ao longo dos 12 meses anteriores. Na edição de 2026, a categoria aviação premiou diferentes tipos de aeronaves, entre eles o Dassault Falcon 10X, na classe de jatos ultra long-range, e o Robinson R88, no segmento de helicópteros. Na subcategoria de eVTOL destinado a uso recreativo e pessoal, o israelense AIR ONE recebeu o prêmio de melhor aeronave pessoal, categoria distinta da vencida pela Eve, que compete como táxi aéreo urbano voltado a operadores.
Posicionamento da Eve
A subsidiária da Embraer tem sede na Flórida e é listada na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE: EVEX) e na B3 (EVEB31). A empresa se posiciona como desenvolvedora de um ecossistema integrado de mobilidade aérea urbana, que inclui o eVTOL, uma rede global de suporte e serviços e uma solução proprietária de gerenciamento de tráfego aéreo.
No campo financeiro, a Eve conta com aportes do BNDES, incluindo linha de crédito de 40 milhões de dólares para o programa de eVTOL. A Embraer permanece como acionista majoritária e confere à empresa acesso a décadas de experiência em certificação e manufatura aeronáutica, um ativo que o próprio mercado tem reconhecido como diferencial competitivo em relação a entrantes sem histórico industrial.
O reconhecimento da Robb Report não altera cronogramas ou contratos, mas funciona como validação editorial em um segmento onde a percepção de credibilidade tem peso nos ciclos de vendas e nas negociações com operadores. Para a Eve, o prêmio reforça a narrativa de que sua abordagem conservadora e orientada à operação pode ser tão atrativa quanto os designs mais arrojados dos concorrentes americanos e europeus.

18 junho, 2026

IACIT lança projeto MANTA para vigiar a nova fronteira marítima do Brasil

Projeto receberá R$ 49 milhões da FINEP e contrapartida de R$ 12 milhões do consórcio liderado pela empresa de São José dos Campos, certificada como Empresa Estratégica de Defesa

Da esquerda para a direita: Elias Ramos de Souza, diretor de Inovação da Finep, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, Luiz Teixeira, CEO da IACIT, Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

A IACIT, Empresa Estratégica de Defesa (EED) sediada em São José dos Campos (SP), assinou nesta quinta-feira (18) contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para o desenvolvimento do MANTA, sistema voltado à vigilância da faixa marítima brasileira ampliada após o reconhecimento internacional da extensão da plataforma continental do país. A assinatura ocorreu durante a SpaceBR Show 2026, em São Paulo, evento que reúne, na mesma data e local, a MundoGEO Connect, a DroneShow Robotics e a Expo eVTOL, no Expo Center Norte (Pavilhão Azul).

O projeto nasce da decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), tomada em março de 2025, de reconhecer uma extensão de cerca de 360 mil quilômetros quadrados na plataforma continental brasileira: área que se soma à já consolidada Amazônia Azul, faixa marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados que concentra reservas de petróleo, recursos minerais e rotas estratégicas. A nova porção se estende além das 200 milhas náuticas que delimitam a zona econômica exclusiva, e é justamente essa fronteira mais distante que o MANTA deve passar a monitorar.

O desenvolvimento será financiado com R$ 49 milhões da FINEP, somados a uma contrapartida de R$ 12 milhões dos participantes do consórcio. Além da IACIT, que lidera a iniciativa, integram o projeto a Orbital Engenharia e a Polidesign Indústria e Comércio, ambas também sediadas em São José dos Campos, e três instituições de pesquisa: o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), o Centro Espacial do ITA (CEI) e a Divisão de Engenharia Eletrônica (IEE) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Um consórcio com perfis complementares
A escolha dos parceiros de consórcio não é aleatória. A Orbital Engenharia, fundada em 2001 e também certificada como Empresa Estratégica de Defesa, atua há mais de duas décadas em engenharia de sistemas para os setores espacial e de defesa, com histórico que inclui geradores solares para satélites do programa espacial brasileiro, plataforma suborbital de microgravidade e, mais recentemente, projetos de drones e propulsão. Já a Polidesign Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos fundada em 1994, é associada à Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), com classificação voltada à manutenção de antenas multibanda em alta frequência (HF), cabeamento, telemetria e proteção contra interferência eletromagnética; um perfil técnico que dialoga diretamente com a faixa de operação dos radares oceânicos que a própria 
IACIT já opera no país.

Terceiro contrato com a FINEP em pouco mais de um ano
O MANTA não é o primeiro projeto de vigilância marítima ou aérea bancado com recursos da FINEP na trajetória recente da 
IACIT. A empresa opera desde 2018 o radar Além do Horizonte OTH 0100, instalado no Farol do Albardão (RS), capaz de rastrear embarcações não cooperativas a até 200 milhas náuticas da costa; o desenvolvimento desse equipamento já havia recebido apoio da financiadora a partir de 2012. Em abril de 2025, durante a LAAD Defence & Security, a IACIT assinou dois novos contratos no mesmo mês: um com a Força Aérea Brasileira, por meio do DECEA, para o radar OTH 0200 Skywave, de alcance ainda maior; e outro com a própria FINEP para o desenvolvimento do MUST (Multi-Sensor Urban Surveillance and Tracking), sistema de monitoramento de drones e eVTOLs em ambiente urbano, orçado em R$ 28 milhões com contrapartida de R$ 12 milhões. O MANTA chega, portanto, como o terceiro grande contrato de financiamento público assinado pela empresa em pouco mais de um ano, e o de maior valor entre eles.

O que o projeto promete, e o que ainda falta esclarecer
Segundo a 
IACIT, o MANTA vai combinar tecnologias de sensoriamento, processamento de sinais e inteligência artificial para ampliar a capacidade de detecção, acompanhamento e identificação de alvos em ambientes marítimos complexos, com alcance operacional superior a 350 milhas náuticas. Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a iniciativa atende a uma necessidade ligada à extensão do litoral brasileiro: “um país que tem quase nove mil quilômetros de litoral precisa, cada vez mais, garantir que o oceano sob jurisdição brasileira tenha a proteção necessária”, afirmou durante a cerimônia de assinatura.

Já o vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, diretor de Gestão de Programas da Marinha, destacou o ganho de alcance: “a iniciativa MANTA da IACIT possibilitará ao país ter um sistema de altíssimo alcance, superior a 350 milhas náuticas, essencial para o monitoramento principalmente da porção norte do país”. Para o CEO da Iacit, Luiz Teixeira, o projeto reúne “tecnologias avançadas de sensoriamento, processamento de dados e inteligência artificial em uma solução desenvolvida no Brasil para ampliar a capacidade de vigilância marítima de longo alcance”.

O material de lançamento não detalha, porém, a arquitetura do sistema. Não há indicação pública, até o momento, sobre quais tipos de sensores serão empregados (radar, dados de satélite ou ambos), sobre o prazo de execução do contrato, sobre onde os equipamentos serão instalados, nem sobre a relação operacional entre o MANTA e sistemas de vigilância já existentes na Amazônia Azul, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da própria Marinha, e os radares OTH que a IACIT já opera no Sul do país. Os papéis específicos do CTMRJ, do CEI e da IEE dentro do consórcio também não foram detalhados no momento da assinatura.

Por ora, o MANTA se soma a uma sequência de investimentos da FINEP em tecnologia de vigilância nacional e reforça o papel da IACIT como uma das poucas fornecedoras brasileiras de sistemas de monitoramento de longo alcance para a faixa marítima do país, num momento em que a ampliação da plataforma continental impõe à Marinha a tarefa de proteger uma área ainda maior do que aquela já coberta pelos sistemas atualmente em operação.

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