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09 abril, 2026

Gigante brasileira de munições e armas adquire empresa britânica especialista em munições de precisão para uso militar

CBC adquire participação de controle no Extreme Performance Group, fornecedor do Ministério da Defesa do Reino Unido, e avança na corrida global por tecnologia balística de ponta

 

*LRCA Defense Consulting - 08/04/2026

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), maior fabricante de munições da América Latina e um dos principais fornecedores da OTAN, deu mais um passo ousado em sua estratégia de expansão internacional. Em 18 de março de 2026, a CBC Global Ammunition anunciou a aquisição de uma participação controladora no Extreme Performance Group (EPG), empresa britânica especializada em pesquisa, desenvolvimento e produção de munições de alto desempenho para os setores de defesa e segurança.

A operação, assessorada financeiramente de forma exclusiva pela G5 Partners, a maior empresa independente de serviços financeiros do Brasil em fusões e aquisições, representa a entrada da CBC no mercado britânico de defesa, considerado estratégico tanto pelo acesso a tecnologias avançadas quanto pela proximidade com estruturas da OTAN e do Ministério da Defesa do Reino Unido.

Quem é o Extreme Performance Group
O EPG não é uma empresa ordinária. Sediado em Retford, no condado de Nottinghamshire, na Inglaterra, ele opera sob uma estrutura societária registrada no Companies House britânico como Extreme Performance Limited (n.º 03893362). Por meio de sua divisão de produção, a EPA Manufacturing Ltd, a empresa se notabilizou por desenvolver e fabricar munições de precisão para uso militar e policial de elite.

Com mais de 15 anos de atuação, o EPG entrega projetos de defesa sob medida desde a concepção até a execução, com especialização em munições para armas leves (SAA), desativação de engenhos explosivos (EOD) e diversas soluções de defesa. A empresa é fornecedora homologada pelo Ministério da Defesa do Reino Unido e pelo Departamento de Defesa dos EUA, com reputação consolidada junto a forças armadas, governos e clientes de segurança nacional em todo o mundo.

Seu portfólio inclui alguns dos mais avançados projéteis para uso de franco-atiradores disponíveis no mercado, com capacidade de produção superior a dois milhões de cartuchos por ano em sua instalação em Faldingworth, Lincolnshire.

Uma aquisição estratégica, não apenas comercial
Para analistas do setor de defesa, a operação vai muito além de uma compra de capacidade produtiva. A CBC, fundada em 1926 e com sede em Ribeirão Pires (SP), já construiu ao longo das últimas décadas um portfólio global robusto: em 2007 e 2009, adquiriu os fabricantes europeus Sellier & Bellot, da República Tcheca (vendida ao Colt CZ Group em 2023/2024 em troca de dinheiro e participação acionária de 27,71% no grupo), e MEN, da Alemanha. Em 2014, adquiriu o controle da companhia gaúcha Taurus Armas S.A., hoje a maior vendedora de armas leves do mundo. Em 2023, incorporou a SinterFire, pioneira em tecnologia de projéteis sem chumbo. Em maio de 2025, anunciou um investimento de US$ 300 milhões para inaugurar uma fábrica nos Estados Unidos, no estado de Oklahoma, capaz de produzir cartuchos de calibres que vão do 9mm ao 12.7mm.

A EPG encaixa-se nessa lógica como um ativo de P&D de alto valor agregado, uma porta de entrada para tecnologia balística britânica desenvolvida em parceria direta com as Forças Armadas do Reino Unido. O comunicado oficial da CBC confirma que a equipe de liderança da EPG permanecerá à frente da gestão da empresa após a transação, sinalizando uma aposta na continuidade operacional e na preservação do conhecimento técnico acumulado.

Sede da CBC em Ribeirão Pires (SP)

Um conglomerado de alcance global
A CBC exporta seus produtos para mais de 100 países, atendendo os mercados militar, policial e comercial. O grupo CBC Global emprega 3.500 trabalhadores especializados e produz mais de 1,5 bilhão de cartuchos por ano.

Com a EPG, a empresa brasileira soma ao seu portfólio um ativo no coração da Europa Ocidental, num momento em que países do continente voltam a investir pesadamente em capacidade de defesa, especialmente após as pressões decorrentes do conflito na Ucrânia e da revisão das metas de gasto militar da OTAN.

Os detalhes que o mercado ainda aguarda
Apesar da relevância estratégica da operação, a CBC não divulgou publicamente o valor pago pela participação, a estrutura financeira da transação, ou seja, se houve pagamento à vista, earn-out ou combinação de instrumentos, e nem o percentual exato adquirido. O comunicado faz referência apenas a uma "controlling shareholding" (participação de controle), sem quantificar a fatia.

Os registros públicos do Companies House britânico também ainda não refletem formalmente a mudança de controle na Extreme Performance Limited, o que é comum em operações recentes que aguardam a atualização dos formulários societários de transferência de ações e notificação de pessoas com controle significativo (PSC).

A G5 Partners e o peso da operação
A escolha da G5 Partners como assessora exclusiva da CBC é um indicativo do grau de sofisticação e da sensibilidade da transação. A G5 Partners é reconhecida como a maior empresa independente de serviços financeiros do Brasil nas áreas de gestão de patrimônio, assessoria em fusões e aquisições e crédito privado. Desde 2007, sua equipe de assessoria estratégica concluiu mais de 170 transações, com fusões, aquisições e desinvestimentos que somaram mais de R$ 230 bilhões.

Operações cross-border no setor de defesa exigem due diligence rigorosa, incluindo verificações regulatórias, licenças de exportação de tecnologia de uso dual e aprovações governamentais que podem envolver tanto o governo britânico quanto autoridades brasileiras. A presença de uma boutique de M&A dessa envergadura sugere que esses processos foram conduzidos com o nível de cuidado exigido pelo mercado de defesa europeu.

Sede da EPA Manufacturing - divisão de produção do EP Group Ltd

O que vem a seguir
Com o EPG sob seu guarda-chuva, a CBC consolida uma presença inédita no mercado britânico de defesa e amplia sua capacidade de competir por contratos governamentais na Europa, um mercado em franca expansão dado o novo ciclo de investimentos militares no continente. A integração das tecnologias de munições de precisão da EPG com a escala industrial e a rede de distribuição global da CBC pode resultar em produtos mais avançados para clientes militares em todo o mundo.

Para o Brasil, a operação também tem um significado simbólico: uma empresa nacional, com status de Empresa Estratégica de Defesa, comprando tecnologia no coração do sistema de defesa britânico, e não o contrário.

08 abril, 2026

Embraer e ALADA firmam acordo para abrir canal G2G em mercados de defesa

Memorando assinado na FIDAE pode ampliar acesso da fabricante brasileira a países que exigem negociação direta entre governos, mas impacto real depende da operacionalização do modelo

 

*LRCA Defense Consulting - 08/04/2026

Em meio à maior feira aeroespacial da América Latina, a Embraer e a ALADA – Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil SA assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para explorar oportunidades conjuntas no mercado de defesa e segurança. O foco é específico: contratos do tipo governo a governo, os chamados G2G, modalidade em que o Estado brasileiro atua como interlocutor direto na negociação com países compradores.

O acordo chega num momento em que a Embraer busca ampliar sua presença em mercados estratégicos na América Latina e na África, e a ALADA — designada recentemente pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir aquisições G2G — tenta se firmar como braço operacional da Base Industrial de Defesa brasileira no exterior.

Um canal que ainda não existia
Até agora, países que adotam o modelo G2G como condição para comprar equipamentos militares encontravam um obstáculo estrutural ao negociar com o Brasil: a Embraer, empresa de capital aberto e natureza essencialmente privada, não se encaixava facilmente num formato de contrato entre estados soberanos. A ALADA foi criada justamente para preencher esse vácuo.

"A exportação G2G é um modelo de negócio inédito no Brasil, no qual a ALADA desempenha um papel estratégico e decisivo, abrindo novas oportunidades de mercado para produtos, serviços e projetos aeroespaciais", afirmou Sergio Roberto de Almeida, presidente da entidade, durante a cerimônia de assinatura.

Para a Embraer Defesa, o benefício mais imediato é o acesso a mercados que antes exigiam uma intermediação estatal que o Brasil simplesmente não oferecia de forma estruturada. "A assinatura deste memorando permitirá que países que necessitam de contratos entre governos acessem uma nova opção de negociação para a aquisição de produtos e soluções da Embraer", disse Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da divisão de Defesa e Segurança.

Os produtos em foco são os carros-chefe da linha militar da companhia: o KC-390 Millennium, cargueiro tático considerado o mais moderno de sua categoria, e o A-29 Super Tucano, líder global em missões de ataque leve e treinamento tático avançado.

Credibilidade institucional como diferencial competitivo
Além de abrir um canal inédito, o modelo G2G oferece à Embraer um argumento menos óbvio, mas igualmente relevante: credibilidade política junto a clientes que tradicionalmente desconfiam de fornecedores puramente comerciais em contratos de defesa.

Em muitos países africanos e latino-americanos, a decisão de compra de equipamentos militares envolve não apenas especificações técnicas, mas também a percepção de que o fornecedor tem respaldo de seu próprio Estado. Ao transitar por uma entidade oficial como a ALADA, o KC-390 e o Super Tucano deixam de ser apenas produtos de uma empresa privada brasileira e passam a carregar, ao menos formalmente, o endosso institucional do governo federal.

O Secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, reforçou essa leitura: "Operações como esta conferem credibilidade institucional às negociações, beneficiando a Base Industrial de Defesa e ampliando o acesso a novos mercados internacionais."

 

O que o acordo ainda não garante
Apesar do simbolismo do momento — a assinatura numa das principais vitrines da aviação mundial —, analistas do setor alertam que um MoU é, por definição, uma declaração de intenções, não um contrato. O impacto real sobre as receitas e o portfólio de exportações da Embraer só se materializará se a ALADA conseguir conduzir operações G2G concretas até o fechamento de negócios efetivos.

E há riscos no caminho. O principal deles é burocrático: se a ALADA introduzir etapas adicionais de aprovação ministerial sem contrapartida em agilidade ou financiamento soberano, pode acabar funcionando como mais uma camada de processo num setor onde velocidade de negociação frequentemente é fator decisivo. A Embraer já opera com suporte do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira; a ALADA precisará demonstrar que agrega valor distinto a esse ecossistema já existente.

Outro ponto de atenção é o modelo de divisão de riscos. Se a entidade estatal atuar apenas como "assinante" dos contratos enquanto a Embraer continua absorvendo a maior parte dos riscos financeiros e operacionais, o ganho será mais simbólico do que estratégico.

Um teste para o modelo brasileiro de exportação de defesa
O que o acordo sinaliza, acima de tudo, é que o Brasil está tentando construir uma arquitetura de exportação de defesa mais sofisticada — e usando a Embraer, sua maior e mais competitiva indústria do setor, como banco de ensaio para esse modelo.

Concorrentes como Estados Unidos, França e Itália já operam há décadas com estruturas G2G consolidadas, que combinam financiamento governamental, garantias políticas e suporte logístico de longo prazo. O acordo Embraer-ALADA é uma primeira resposta estruturada do Brasil a essa realidade.

Se a ALADA conseguir viabilizar contratos com parceiros africanos e latino-americanos que hoje compram de Boeing, Lockheed ou Leonardo por falta de um canal governamental brasileiro adequado, o MoU terá cumprido seu propósito. Se não, ficará como mais um protocolo de intenções bem-intencionado, assinado sob os holofotes de uma feira internacional.

O mercado — e os ministérios de defesa de Nairóbi a Bogotá — estarão de olho.

CIA revela “Ghost Murmur”: sistema de IA que detecta batimento cardíaco humano do céu e localizou piloto abatido no Irã


*LRCA Defense Consulting - 08/04/2026

Em um dos episódios mais marcantes de vigilância avançada já divulgados, a Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teria utilizado uma ferramenta secreta chamada “Ghost Murmur” para localizar um piloto norte‑americano abatido no Irã, em uma operação que mistura magnetometria quântica, inteligência artificial e sensores instalados em plataformas aéreas. A revelação, disseminada em meios internacionais e brasileiros, trouxe à luz um sistema que, até pouco tempo atrás, permanecia inteiramente classificado.

O que é o Ghost Murmur
Segundo relatos de fontes próximas ao assunto, o Ghost Murmur é um "sistema de vigilância de longo alcance" que combina magnetometria quântica com algoritmos de inteligência artificial para detectar sinais magnéticos extremamente sutis associados à atividade elétrica do coração humano. Em vez de depender de rastreadores, celulares ou sinais de rádio, o sistema “ouve” o padrão biológico do corpo por meio de variações no campo eletromagnético local, filtrando esse sinal de um grande volume de ruído ambiental.

Os sensores são montados em aeronaves ou drones voando a grande altitude, o que permite examinar vastas áreas de terreno sem necessidade de incursão terrestre. A IA, por sua vez, é treinada para reconhecer padrões típicos de batimento cardíaco humano, inclusive em situações de estresse, quando o ritmo muda, e para descartar interferências de máquinas, vegetação e outros fenômenos eletromagnéticos.

Resgate no Irã: um caso de uso operacional
O sistema entrou em destaque ao ser usado em uma operação para localizar um piloto da Força Aérea norte‑americana derrubado em uma região montanhosa do Irã. Segundo relatos, o militar sobreviveu ao abate e buscou refúgio em uma fissura rochosa, sem telefone, sem rastreador ativo e sem conseguir emitir qualquer sinal de rádio. Apenas pelo seu sinal biológico, captado por sensores aéreos e processados pelo Ghost Murmur, foi possível "triangular a posição aproximada do piloto" dentro de um raio de grande extensão.

A partir dessa informação, forças dos EUA teriam realizado uma operação de resgate, que, a seguir, tornou-se de conhecimento público. A história, acompanhada por numerosos veículos de imprensa, gerou ampla repercussão, sobretudo pela ideia de que um indivíduo “invisível” para meios tradicionais de rastreamento pôde ser encontrado apenas pelo ritmo de seu coração.

Por que a CIA decidiu revelar o sistema
A divulgação do Ghost Murmur não parece ser um anúncio técnico, mas sim uma decisão estratégica tardia. Analistas de inteligência lembram que, historicamente, governos tendem a reconhecer tecnologias secretas apenas quando já desenvolveram gerações mais avançadas ou quando a operação associada se torna impossível de ocultar. Em termos práticos, isso significa que o sistema usado no Irã provavelmente já havia sido testado por anos em cenários reais, antes de ter sua existência admitida publicamente.

A própria lógica de revelação reforça um velho axioma do setor: “toda tecnologia que um governo admite ter já foi superada em parte”. Em outras palavras, o Ghost Murmur, como hoje descrito na imprensa, pode representar apenas uma fatia do espectro de capacidades de vigilância que o Estado norte‑americano já em linha ou em desenvolvimento.

Limites e cuidados com o sensacionalismo
Apesar do impacto das manchetes, especialistas alertam para o perigo de confundir o que o sistema faz com o que ele pode fazer em qualquer circunstância. Não há evidência pública de que o Ghost Murmur consiga detectar um batimento cardíaco a exatamente "40 milhas de distância em todos os ambientes", nem de que ele “ouça” qualquer pessoa a qualquer momento. O alcance efetivo depende de fatores como altitude da plataforma, tipo de terreno, densidade de interferência eletromagnética e qualidade dos sensores.

Além disso, a ideia de que “o coração sempre transmite a localização” é uma metáfora retórica, não uma descrição técnica: o sistema requer condições específicas para funcionar, e não representa um panóptico universal permanente. Ainda assim, a operação no Irã mostra que a convergência entre IA, sensores quânticos e operações aéreas pode mudar radicalmente a forma como Forças Armadas e agências de inteligência localizam e protegem pessoas em cenários de guerra assimétrica.

Implicações para segurança e privacidade
O caso também reabre discussões sobre "vigilância biométrica de longo alcance" e os limites éticos entre operações militares e a proteção de dados biológicos sensíveis. Se, em um cenário de combate, a leitura remota de batimentos cardíacos pode salvar vidas, em outros contextos essa mesma tecnologia poderia ser aplicada a populações civis sem seu consentimento, com implicações profundas para privacidade e direitos humanos.

Em aguns centros de defesa, analistas já começam a discutir como países devem responder a esse salto de capacidade: seja investindo em contramedidas eletromagnéticas, seja subindo o patamar de regulamentação de dados biométricos em operações de segurança. 

O Ghost Murmur, por ora, aparece como um exemplo não de ficção científica, mas de um novo capítulo concreto na corrida tecnológica entre vigilância e sobrevivência humana. 

Embraer avança na Colômbia: Petro ordena compra de KC-390 e empresa assina acordo com indústria aeronáutica colombiana

Presidente colombiano determina início de processo de aquisição de duas aeronaves durante Conselho de Ministros; Embraer e CIAC firmam memorando de entendimento na FIDAE


*LRCA Defense Consulting - 08/04/2026

Os meses de março e abril marcaram um passo significativo no relacionamento entre o Brasil e a Colômbia no campo da defesa aeroespacial. 

No mês passado, segundo o Infodefensa, o presidente colombiano Gustavo Petro determinou, em reunião do Conselho de Ministros, o início formal de um processo de aquisição de duas aeronaves de transporte tático-estratégico KC-390 Millennium, fabricadas pela Embraer. Em paralelo, a fabricante brasileira e a Corporação Colombiana da Indústria Aeronáutica (CIAC) assinaram, hoje (08), um Memorando de Entendimento (MoU) durante a feira aeroespacial FIDAE, realizada no Chile, visando expandir a cooperação industrial entre os dois países.

Segundo apuração do Infodefensa, a motivação do presidente Petro para a decisão foi o desejo de fortalecer uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de compromissos assumidos com o presidente brasileiro. A ordem presidencial ganhou ainda mais urgência diante de um cenário operacional delicado: a Força Aeroespacial Colombiana (FAC) anunciou que dois de seus aviões C-130H Hercules estão temporariamente fora de serviço, aguardando o fornecimento de peças de reposição.

O interesse colombiano no KC-390 Millennium remonta ao menos a 2023, mas até agora não havia registrado avanços oficiais. A decisão de Petro marca um ponto de inflexão, fazendo a questão passar de uma fase meramente exploratória para um processo institucional que pode resultar em uma compra futura. Vale destacar que a FAC também mantém no radar outras opções para substituir seus Hércules, como o Airbus A400M Atlas e o Lockheed Martin C-130J Super Hercules, dentro de um processo que deverá observar a legislação contratual colombiana e as necessidades estratégicas do país.

Em 08 de abril, a Embraer e a CIAC formalizaram sua parceria por meio do MoU. O acordo cria um marco para uma possível ampliação da cooperação técnica e industrial em toda a linha de produtos da empresa brasileira, que inclui o A-29 Super Tucano, já operado pela FAC, além do próprio KC-390 Millennium. Segundo Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa e Segurança, o objetivo é não apenas fortalecer a indústria aeroespacial colombiana, mas também avaliar oportunidades para integrar a CIAC às cadeias de produção globais da Embraer.

Do lado colombiano, o Coronel Oscar Francisco Zúñiga Martin, presidente interino da CIAC, classificou o acordo como um passo estratégico para consolidar a empresa estatal como ator relevante no cenário internacional, avançando na transferência de conhecimento, no desenvolvimento de capacidades técnicas e na integração em cadeias de valor globais.

A Colômbia representa hoje um mercado expressivo para a Embraer. A empresa conta com uma frota de 50 aeronaves operando no país, distribuídas entre os segmentos de Defesa e Segurança, Aviação Comercial e Executiva. Entre elas, estão 24 A-29 Super Tucanos em serviço na FAC, presença que reforça a credibilidade da fabricante brasileira junto às forças armadas colombianas e pavimenta o terreno para novos negócios.

A CIAC, empresa estatal vinculada ao Ministério da Defesa da Colômbia, possui mais de 69 anos de experiência em manutenção de aeronaves e componentes, fabricação de sistemas de proteção balística e desenvolvimento de aeronaves tripuladas e não tripuladas (VANTs), atuando tanto no mercado comercial quanto no de defesa.

Os dois movimentos, a ordem presidencial de compra e a assinatura do MoU, sinalizam que a parceria entre Brasil e Colômbia no setor aeroespacial entra em uma nova fase, com perspectivas concretas de negócios e cooperação industrial nos próximos anos.

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