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12 julho, 2026

FAB ativa Comando de Atividades Espaciais para centralizar governança espacial de Defesa

Novo comando, subordinado ao Comandante da Aeronáutica, reúne atribuições estratégicas para consolidar o Brasil como Autoridade Espacial de Defesa

 

*LRCA Defense Consulting - 12/07/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) ativou, em 7 de julho de 2026, o Comando de Atividades Espaciais (COES), novo Grande Comando destinado a centralizar, integrar e coordenar as atividades espaciais de interesse da Defesa. A criação e a ativação do COES foram formalizadas pela Portaria GABAER/GC3 nº 1.684, de 24 de junho de 2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU1 nº 118, de 26 de junho de 2026) e assinada pelo Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno. O ato entrou em vigor exatamente em 7 de julho de 2026, data da cerimônia militar de ativação, realizada das 11h às 12h no Salão Nobre da Base Aérea de Brasília, segundo a agenda oficial do Ministério da Defesa.

A cerimônia reuniu o Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho, o próprio Damasceno, além de autoridades civis e militares, representantes da academia e da indústria. Entre os presentes estava a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB), representada por seu presidente, Julio Shidara, acompanhado de Rafael Mordente, CEO da Concert Space, empresa associada à entidade. A Saipher participou da cerimônia e foi representada por seu Diretor de Inovação e Novos Negócios, Brigadeiro José Vagner Vital , e por seu Consultor Estratégico, Tenente-Brigadeiro Jeferson Domingues de Freitas. 

Pela portaria de criação, o COES é diretamente subordinado ao Comandante da Aeronáutica, e tem por finalidade planejar, coordenar, controlar, integrar e empregar as capacidades espaciais de interesse do Ministério da Defesa; atuar na implantação da Consciência Situacional Espacial; exercer as atribuições de Autoridade Espacial de Defesa, nos termos da Lei nº 14.946, de 31 de julho de 2024; coordenar o ciclo de vida das capacidades espaciais, da concepção à desativação; e desenvolver e consolidar a doutrina espacial de defesa. A sede do novo comando fica na área perimetral do Sexto Comando Aéreo Regional (VI COMAR), no Distrito Federal, e o cargo de Comandante do COES é privativo de Oficial-General ou Coronel do Quadro de Oficiais Aviadores da ativa. O apoio administrativo caberá ao Grupamento de Apoio do Distrito Federal (GAP-DF), que atuará como Unidade Gestora Executora.

A nomeação da cúpula do COES já constava do Diário Oficial da União desde o mês anterior à publicação da portaria de criação. Pela Portaria GABAER nº 850/GC1, de 12 de junho de 2026, também assinada por Damasceno, o tenente-brigadeiro do Ar Sérgio Barros de Oliveira foi nomeado Comandante de Atividades Espaciais. O major-brigadeiro do Ar André Luiz Alves Ferreira foi designado chefe do Estado-Maior do COES, e o brigadeiro do Ar Sandro Bernardon, até então chefe do Centro de Operações Espaciais (COPE), assumiu a Subchefia de Operações Espaciais do novo comando, o que evidencia a continuidade entre a antiga estrutura do COPE e a nova organização.

A criação do COES é o desfecho de um processo formalmente iniciado em 29 de maio de 2026, quando a Portaria GABAER/GC3 nº 1.658 aprovou a Diretriz de Implantação do Comando de Atividades Espaciais (DCA 19-12). O texto da diretriz justifica o novo comando pela dispersão institucional das capacidades espaciais, hoje distribuídas entre diferentes organizações do Comando da Aeronáutica, e pela crescente dependência de serviços espaciais, fatores que, segundo o documento, impõem desafios à coordenação estratégica, à eficiência operacional e à autonomia nacional. A criação do COES decorre das conclusões de um Grupo de Trabalho instituído especificamente para esse fim, consolidadas em relatório final aprovado pelo Comando da Aeronáutica.

A diretriz também define o cronograma de transição. A implantação observará duas fases, a de ativação e a de consolidação, esta última com prazo de até dezoito meses a partir da criação do comando. Nesse período, o Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) deverá transferir ao COES o controle operacional do COPE em até quinze dias após a ativação, mantendo o apoio administrativo, logístico e de tecnologia da informação durante a transição, enquanto o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) terá até cento e oitenta dias para transferir ao COES a subordinação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI). A diretriz prevê ainda a criação do Sistema de Atividades Espaciais (SISAE), a ser disciplinado por norma específica e tendo o próprio COES como órgão central.

A criação do comando brasileiro se insere em uma tendência internacional de ampliar a importância organizacional das atividades espaciais nas forças aéreas, segundo reportagem da Revista Asas. A Itália criou o Comando Operazioni Spaziali em 2020, e o Reino Unido lançou o Space Command em 2021. Espanha e França alteraram os próprios nomes de suas forças aéreas, em 2022 e 2020, passando a se chamar, respectivamente, Ejército del Aire y del Espacio e Armée de l'Air et de l'Espace. Nos Estados Unidos, a mudança foi ainda mais ampla, com a criação, em 2019, de uma força armada específica, a United States Space Force.

Durante a cerimônia, o Comandante do COES, Tenente-Brigadeiro Sergio Barros de Oliveira, afirmou que a Força Aérea tem tanto a vocação quanto a autoridade legal para operar em diversas áreas do segmento espacial e permanece determinada a continuar trabalhando em parceria com instituições públicas e privadas, bem como com nações amigas, para superar os desafios que o Brasil enfrenta em sua busca por acesso autônomo ao espaço.

Para o presidente da AIAB, Julio Shidara, a criação do COES tem valor simbólico e prático para o setor. Com a implantação do COES, avaliou Shidara, o Comando da Aeronáutica (COMAER) transmite à sociedade brasileira a mensagem de que elevou a prioridade com que os temas espaciais serão tratados a partir de agora. A entidade avalia que a nova estrutura fortalece o ambiente institucional necessário para ampliar as capacidades nacionais, estimular a inovação e criar oportunidades para a indústria brasileira em áreas estratégicas de alto valor agregado, e manifestou a expectativa de que outras instituições responsáveis pela condução do Programa Espacial Brasileiro (PEB) sigam o mesmo caminho, de modo a reduzir a atual dependência estrangeira em áreas sensíveis para o desenvolvimento e a soberania do País.

Segundo o Brigadeiro Vital, da Saipher, é necessário evitar a fragmentação de esforços, reduzir a vulnerabilidade dos Sistemas Espaciais Brasileiros e estabelecer um ponto focal operacional capaz de pavimentar o caminho para a criação e o desenvolvimento de missões de Controle e Defesa Espacial e de Apoio Espacial. “Essa unidade de comando operacional facilitará a gestão durante crises ou batalhas envolvendo o Domínio Espacial, de forma integrada com os demais domínios”, afirmou.

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