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24 março, 2026

Brasil lança catálogo da indústria de defesa e mira mercado internacional

Publicação reúne 154 empresas e 364 produtos, do míssil ao blindado; setor exportou US$ 3,4 bilhões em 2025

 

*LRCA Defense Consulting - 24/03/2026

O Ministério da Defesa lançou nesta segunda-feira (23) o Catálogo de Produtos da Base Industrial de Defesa (BID) do Brasil, em cerimônia realizada em Brasília com a presença do Vice-Presidente da República, Geraldo Alckmin, e do Ministro da Defesa, José Mucio Monteiro.

A publicação, produzida em versões em português e inglês, reúne informações sobre 154 empresas e 364 produtos cadastrados, abrangendo uma diversidade de itens como embarcações, veículos blindados, aeronaves, aviônicos e sistemas de monitoramento. Entre as empresas listadas estão nomes de peso da indústria nacional, como Embraer, Taurus e Condor.

O que está no catálogo
A publicação está organizada por áreas temáticas - plataformas aéreas, terrestres, navais, cibernética e tecnologia - e cada empresa tem QR code próprio. O material existe em versão impressa, em português e inglês, e também em formato digital, e será distribuído em feiras internacionais, embaixadas e eventos de defesa.

O catálogo reforça o papel do Ministério da Defesa na articulação entre a indústria nacional, as Forças Armadas e a sociedade, sendo destinado a autoridades governamentais, delegações estrangeiras, investidores e potenciais compradores.

Recordes de exportação como pano de fundo
O lançamento ocorre em um momento de expansão expressiva do setor. A indústria de defesa brasileira cresceu mais de 110% em dois anos, saindo de um patamar anterior de US$ 600 milhões para atingir um recorde de US$ 3,4 bilhões em autorizações de exportação em 2025.

O ministro José Mucio destacou que o setor registrou dois recordes consecutivos, em 2024 e 2025, e classificou o resultado como "um grande feito". Em seu discurso, ele resumiu o duplo sentido da publicação: o catálogo mostra tanto o que a indústria brasileira já produz quanto o potencial de crescimento futuro. Mucio afirmou que o Brasil é "a maior indústria de defesa da América do Sul" e que o setor tem muito espaço para crescer.

Para sustentar essa trajetória, nos últimos cinco anos cerca de 140 projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação foram incorporados à carteira do Ministério, com investimentos que já somam R$ 700 milhões. Outros 34 projetos da BID receberam subvenções econômicas de agências como Finep e CNPq, totalizando R$ 1,1 bilhão em apoio financeiro.

Uma política de Estado, dizem autoridades
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, conectou o catálogo à Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, decreto assinado pelo presidente brasileiro em dezembro de 2025, e afirmou que o governo poderá adquirir produtos da BID "em condições especiais". Dweck não detalhou o que esse mecanismo significa na prática nem quais salvaguardas existirão contra eventuais sobrepreços.

O vice-presidente Geraldo Alckmin ressaltou a Missão 6 do programa Nova Indústria Brasil, que prioriza a indústria de defesa com foco em inovação, sustentabilidade, competitividade e exportações. Ele também anunciou o lançamento, na próxima quarta-feira (25), do primeiro caça F-39 Gripen montado no Brasil.

O Secretário de Produtos de Defesa do Ministério, Heraldo Luiz Rodrigues, descreveu o catálogo como um instrumento de abertura de mercados e de apresentação clara das capacidades nacionais. Ele também destacou que a Portaria nº 1.456/2026 regulamenta a atuação do ministério em processos de exportação de governo a governo.

Contexto histórico e aspirações
O Brasil foi o oitavo maior exportador mundial de produtos de defesa nos anos 1980 e, segundo o Ministério da Defesa, tem potencial para voltar a ocupar lugar de destaque num mercado internacional que movimenta cerca de US$ 1,5 trilhão por ano.

Em 2025, foram classificados 417 novos produtos e credenciadas 62 novas empresas ao sistema de catalogação do MD. O catálogo lançado ontem é a versão curada desse universo mais amplo, voltada especificamente para a promoção comercial no exterior.

Para o ministro José Mucio, o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa vai além do negócio: representa a capacidade do Brasil de manter sua estrutura nacional de defesa com autonomia, livre de ingerências externas, gerando empregos qualificados e fortalecendo a economia.

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