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01 maio, 2026

ALADA e Atech firmam parceria estratégica para fortalecer a indústria de defesa brasileira no mercado global

Acordo de cooperação entre a estatal aeroespacial e a empresa do Grupo Embraer reforça o modelo G2G e amplia a presença do Brasil no setor internacional de defesa em momento de expansão recorde das exportações  


*LRCA Defense Consulting - 01/05/2026

Na última segunda-feira, 28 de abril, duas das empresas mais estratégicas do setor de defesa e tecnologia brasileiro sentaram-se à mesa na capital federal para selar uma parceria que pode marcar um novo capítulo na projeção internacional da indústria nacional. A ALADA – Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil e a Atech – Negócios em Tecnologias S/A, integrante do Grupo Embraer, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) na sede da ALADA, em Brasília, formalizando uma cooperação estratégica voltada ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio de negociações governo a governo, o chamado modelo G2G.

O documento foi assinado pelo presidente da ALADA, Sergio Roberto de Almeida, e pelo diretor-presidente da Atech, Rodrigo Persico de Oliveira Padron.

Quem são as signatárias
A ALADA é uma estatal relativamente jovem, mas de origem institucional robusta. Subsidiária da empresa pública NAV Brasil – Serviços de Navegação Aérea S/A, ela foi constituída com base na Lei nº 15.083, de 2 de janeiro de 2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a primeira lei do ano. Concebida como um catalisador do Programa Espacial Brasileiro (PEB), a empresa foi desenhada para identificar oportunidades, facilitar interações e promover a geração de negócios no setor aeroespacial, atuando ainda como representante institucional do Estado brasileiro em negociações internacionais.

A empresa também atua na execução de projetos estratégicos que envolvem o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e os lançamentos por meio do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Mais recentemente, ganhou protagonismo adicional ao ser designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir contratos no modelo G2G em nome do Estado brasileiro.

Do outro lado da mesa, a Atech não é uma recém-chegada. Sua história remonta à década de 1980, quando surgiu no âmbito de um programa de transferência de tecnologia na área de Controle de Tráfego Aéreo da Força Aérea Brasileira. Em 2011, a Embraer Defesa e Segurança anunciou a compra de 50% da empresa, e em setembro de 2013 a integração ao Grupo Embraer foi concluída. Com certificação de Empresa Estratégica de Defesa emitida pelo Ministério da Defesa, a Atech atua em áreas como tráfego aéreo, sistemas de comando e controle, sistemas embarcados e simuladores, e já entrega projetos no Brasil e em países da América Latina, Ásia e África.

O peso do modelo G2G
O acordo entre ALADA e Atech se insere num movimento estrutural mais amplo da política de defesa do Brasil. Em março de 2026, o Ministério da Defesa publicou a Portaria GM-MD nº 1.456, que regulamenta a atuação da pasta em operações de exportação e prestação de serviços técnicos relacionados a produtos de defesa brasileiros, com participação de estatais vinculadas em negociações G2G.

A lógica do modelo é simples e já comprovada por grandes potências exportadoras: mesmo que contratos envolvam empresas privadas, a negociação é conduzida diretamente pelo governo do país fornecedor, que atua como garantidor, supervisionando e assegurando a entrega dos produtos. Potências como EUA e França utilizam amplamente esse modelo, e os próprios caças Gripen foram vendidos ao Brasil por meio de um contrato com o governo da Suécia.

No caso brasileiro, um entrave jurídico impedia que o governo representasse diretamente empresas privadas nesse tipo de transação internacional. A solução encontrada foi usar estatais como ponte institucional entre o comprador estrangeiro e a fornecedora privada. É exatamente nesse papel que a ALADA se posiciona.

A empresa foi designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir esse tipo de contratação em nome do Estado brasileiro, consolidando sua posição institucional nesse segmento.

Um acordo no momento certo
O MoU com a Atech chega em meio a um cenário de expansão sem precedentes das exportações de defesa do Brasil. Segundo o Ministério da Defesa, a indústria brasileira somou US$ 1,02 bilhão em exportações autorizadas apenas no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos US$ 457 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

O setor reúne mais de 300 empresas credenciadas e mais de 2.200 produtos catalogados, representa 3,5% do PIB e envolve até 3 milhões de empregos diretos e indiretos. O segmento aeroespacial lidera, respondendo por cerca de 30% das exportações totais, seguido por eletrônicos como radares e sistemas de guerra eletrônica.

Não é a primeira parceria estratégica recente da ALADA. Em abril, durante a Feira Internacional de Defesa e Aeronáutica do Chile (FIDAE), o Ministério da Defesa assinou memorandos de entendimento com a ALADA, a EMGEPRON e a IMBEL para ampliar a segurança jurídica e fomentar operações de exportação de produtos de defesa no modelo G2G. Na mesma ocasião, a ALADA firmou acordo com a Embraer para alavancar plataformas como o KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano em mercados da América Latina e da África.

O que esperar da parceria
Para Rodrigo Padron, o MoU com a ALADA representa mais do que uma formalidade burocrática. "A assinatura deste acordo reforça a relevância da cooperação entre empresas brasileiras no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e na ampliação da competitividade do país no mercado internacional", afirmou o dirigente da Atech.

A combinação das competências das duas organizações é estrategicamente complementar. A Atech é responsável pelos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo e de defesa aérea brasileiro, além de estar presente em projetos como o Programa das Fragatas da Classe Tamandaré, fornecendo soluções para o sistema de gerenciamento de combate e para o sistema integrado de gestão da plataforma. Esse portfólio tecnológico, articulado pelo papel institucional da ALADA como canal G2G, pode abrir portas em mercados onde a credencial estatal pesa tanto quanto a qualidade do produto.

O formato G2G permite integrar políticas públicas e soluções industriais, assegurando prazos, compliance e interoperabilidade. Para a Base Industrial de Defesa, isso reduz o risco de projeto e amplia a previsibilidade de receita.

O acordo entre ALADA e Atech é, nesse sentido, mais um tijolo na construção de uma arquitetura institucional que o Brasil ainda está aprendendo a erguer, mas que, dado o ritmo das exportações e o volume de parcerias sendo firmadas, parece estar ganhando velocidade e consistência. 

17 abril, 2026

ALADA: de catalisadora espacial a protagonista das exportações de defesa do Brasil

Estatal aeroespacial da FAB acumula quatro MoUs estratégicos na FIDAE 2026 e consolida papel inédito como intermediária governamental para negócios G2G da Base Industrial de Defesa


*LRCA Defense Consulting - 17/04/2026

Em menos de um ano de existência, a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. - ALADA já reescreveu seu próprio enredo. Criada em julho de 2025 com a missão de fortalecer o setor aeroespacial nacional e impulsionar o Programa Espacial Brasileiro, a estatal vinculada à Força Aérea Brasileira revelou, durante a FIDAE 2026, em Santiago, um segundo e igualmente estratégico propósito: tornar-se o principal instrumento do Estado brasileiro para viabilizar exportações de defesa no modelo governo a governo, o chamado G2G.

A revelação não foi discreta. Em plena Feira Internacional de Aeronáutica e Espaço do Chile, o Ministério da Defesa formalizou memorandos de entendimento com três de suas empresas vinculadas, a ALADA, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) e a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), criando a base legal para que essas estatais atuem como intermediárias em negociações de defesa intergovernamentais. No mesmo evento, a ALADA assinou ainda um MoU próprio com a Embraer e outro com a AEL Sistemas, completando uma agenda de acordos que surpreendeu o setor pelo escopo e pela velocidade.

O nó jurídico que travava o Brasil
Para entender o significado dessa movimentação, é preciso compreender um obstáculo histórico que até então tornava o Brasil uma exceção incômoda no mercado global de defesa. A equipe jurídica do Ministério da Defesa entendia que a legislação brasileira não permitia que o país fizesse a intermediação de vendas de empresas privadas em contratos G2G; o modelo só podia ser usado em negociações com estatais. O problema era que as estatais não produzem os produtos necessários para atender à demanda internacional.

O resultado prático era que países que adotam o G2G como condição para adquirir equipamentos militares - prática comum na África, no Oriente Médio e em parte da América Latina - encontravam no Brasil uma porta fechada. Empresas como a Embraer, de capital aberto e natureza privada, simplesmente não se encaixavam num formato de contrato entre estados soberanos.

A solução encontrada foi criativa: uma estatal pode fechar um acordo de colaboração com a empresa privada para produtos específicos e atuar como sua representante durante as negociações. Os MoUs assinados na FIDAE 2026 institucionalizam exatamente essa estratégia. A ALADA, designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir esse tipo de contratação em nome do Estado, passa a ocupar o papel que faltava na arquitetura exportadora brasileira.

Embraer: o teste de maior visibilidade
O acordo de maior repercussão na FIDAE foi, sem dúvida, o MoU firmado entre a ALADA e a Embraer. O foco é específico: contratos do tipo G2G, modalidade em que o Estado brasileiro atua como interlocutor direto na negociação com países compradores. O acordo chega num momento em que a Embraer busca ampliar sua presença em mercados estratégicos na América Latina e na África.

Para Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa, o memorando abre uma opção que antes simplesmente não existia. Em sua avaliação, o acordo permitirá que países que exijam contratos entre governos acessem uma nova modalidade de negociação para adquirir produtos e soluções da empresa. Os principais equipamentos em foco são o KC-390 Millennium, cargueiro tático considerado o mais moderno de sua classe, e o A-29 Super Tucano, líder global em missões de ataque leve e treinamento avançado.

Além de destravar mercados antes inacessíveis, o modelo G2G oferece à Embraer um argumento menos óbvio, mas igualmente relevante: credibilidade política junto a clientes que tradicionalmente desconfiam de fornecedores puramente comerciais em contratos de defesa. Ao transitar por uma entidade oficial como a ALADA, o KC-390 e o Super Tucano deixam de ser apenas produtos de uma empresa privada brasileira e passam a carregar, ao menos formalmente, o endosso institucional do governo federal.

AEL Sistemas: tecnologia de ponta no circuito G2G
A parceria com a AEL Sistemas, subsidiária israelense-brasileira, amplia o alcance da iniciativa para o segmento de sistemas eletrônicos de defesa. A iniciativa reforça o papel da ALADA como articuladora de oportunidades para a Base Industrial de Defesa, especialmente em negociações que envolvem contratos diretos entre governos.

O presidente da ALADA, Sergio Roberto de Almeida, destacou o potencial competitivo embutido no acordo. Para ele, a parceria evidencia a qualidade tecnológica de produtos como o WAD, utilizado no caça Gripen, e o Link-BR2, que demonstram o potencial competitivo do Brasil no cenário internacional. Já Samir Mustafá, diretor de Desenvolvimento de Negócios da AEL, ressaltou que o memorando abre espaço para negociações G2G que fortalecem a cooperação institucional e as relações estratégicas do Brasil com parceiros internacionais.

Uma nova arquitetura para as exportações brasileiras de defesa
O secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, coordenou os acordos e foi enfático ao defender a iniciativa. Para ele, operações dessa natureza são fundamentais para estimular e fortalecer a exportação de produtos fabricados no Brasil, conferindo credibilidade institucional às negociações e ampliando o acesso a novos mercados. O secretário destaca que as empresas brasileiras possuem capacidade instalada expressiva e produtos com reconhecimento mundial de alta qualidade, o que favorece o crescimento das vendas externas.

Os números do setor sustentam o otimismo. O Brasil mais do que dobrou suas exportações de produtos de defesa no primeiro trimestre de 2026: saltaram de US$ 457 milhões no mesmo período de 2025 para US$ 931 milhões. O resultado mantém uma trajetória de crescimento que já havia registrado recordes consecutivos em 2024 e 2025, com Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal entre os principais destinos.

Das estrelas ao mercado global: a dupla vocação da ALADA
Esse novo papel estratégico não apaga a missão original da empresa. Concebida como um catalisador do Programa Espacial Brasileiro, a estatal tem por missão fortalecer a indústria aeroespacial nacional, maximizar o potencial estratégico do país no setor e promover a autossuficiência em materiais aeronáuticos e espaciais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros em tecnologias sensíveis.

Já no segundo semestre de 2025, a ALADA demonstrava essa vocação dupla. Em setembro daquele ano, a empresa promoveu encontros com representantes das Embaixadas dos Estados Unidos e da Alemanha, discutindo as potencialidades dos centros de lançamento da Força Aérea Brasileira, especialmente o Centro Espacial de Alcântara, e buscando ampliar a cooperação técnica e identificar novas oportunidades de negócios.

A síntese dessa trajetória foi expressa pelo próprio presidente da ALADA ao discursar na cerimônia de ativação da empresa, em julho de 2025: para ele, a ALADA não é apenas uma empresa, mas um instrumento de transformação nacional, a materialização do sonho brasileiro de alçar voos cada vez mais altos, literal e figurativamente.

ALADA integra o SIMDES e reforça presença na Base Industrial de Defesa
A consolidação da ALADA como peça central da estratégia de defesa brasileira ganhou um novo capítulo durante a LAAD 2026, um dos principais eventos do setor na América Latina: a estatal aeroespacial formalizou sua entrada no SIMDES - Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, passando a integrar oficialmente o ecossistema da Base Industrial de Defesa.

A adesão vai além do simbolismo institucional. Ao ingressar no SIMDES, a ALADA passa a participar de fóruns estratégicos, comitês temáticos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à cooperação setorial e à competitividade da indústria nacional, espaços onde política industrial e agenda exportadora se constroem coletivamente. Para uma empresa que acumula MoUs com Embraer, AEL Sistemas, EMGEPRON e IMBEL e que foi designada pelo Ministério da Defesa como intermediária oficial em contratos G2G, essa inserção amplia consideravelmente sua capacidade de articulação com o setor privado.

O ingresso também sinaliza convergência de agendas. O SIMDES apresentou, durante o encontro, seu Planejamento Estratégico 2026–2030, estruturado em três eixos: Inovar, Escalar e Exportar, que orientam a atuação da entidade na construção de uma base industrial mais robusta e integrada. O alinhamento com a missão da ALADA é direto: a estatal nasceu, justamente, para ser o elo entre inovação aeroespacial, projetos estratégicos e mercado internacional.

Com menos de um ano de existência, a ALADA já acumula uma agenda que poucos esperavam para uma empresa tão jovem: acordos com gigantes da indústria de defesa, credenciamento para negociações G2G e, agora, assento formal no principal fórum sindical da Base Industrial de Defesa brasileira. O movimento consolida sua posição não apenas como executora de projetos aeroespaciais, mas como articuladora de um ecossistema que o Brasil precisava construir há décadas. 

Formalização da adesão ao SIMDES

Os desafios do caminho
Analistas do setor, contudo, advertem que a assinatura de memorandos de entendimento é apenas o ponto de partida. Um MoU é, por definição, uma declaração de intenções, não um contrato. O impacto real sobre as receitas e o portfólio de exportações só se materializará se a ALADA conseguir conduzir operações G2G concretas até o fechamento de negócios efetivos.

O principal risco apontado é burocrático: se a estatal introduzir etapas adicionais de aprovação sem contrapartida em agilidade ou financiamento soberano, pode acabar funcionando como mais uma camada de processo num setor onde a velocidade de negociação frequentemente é fator decisivo. Concorrentes como Estados Unidos, França e Itália já operam há décadas com estruturas G2G consolidadas, que combinam financiamento governamental, garantias políticas e suporte logístico de longo prazo. O acordo Embraer-ALADA é uma primeira resposta estruturada do Brasil a essa realidade.

Se a ALADA conseguir converter seus MoUs em contratos efetivos com parceiros africanos e latino-americanos, o Brasil terá dado um salto qualitativo na sua estratégia de inserção no mercado global de defesa. A Base Industrial de Defesa brasileira reúne 283 empresas e 2.064 produtos cadastrados no Ministério da Defesa, incluindo aeronaves, embarcações, soluções cibernéticas, radares, sistemas de comunicação e armamento. Todo esse portfólio agora tem, pela primeira vez, uma vitrine institucional estruturada para alcançar governos que antes o Brasil simplesmente não conseguia alcançar.

O mercado e os ministérios de defesa, de Nairóbi a Bogotá, estarão de olho.

15 abril, 2026

Brasil avança nas exportações de defesa: ALADA e AEL Sistemas firmam parceria estratégica na FIDAE 2026

Memorando assinado em Santiago abre caminho para negociações governamentais e coloca tecnologia nacional, como o Link-BR2 e o WAD do Gripen, no radar do mercado internacional

 

*LRCA Defense Consulting - 15/04/2026

Em meio à maior feira aeroespacial da América Latina, a FIDAE 2026, o Brasil deu mais um passo concreto para ampliar sua presença no mercado global de defesa. A ALADA - Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. firmou um novo acordo estratégico no setor de Defesa e Segurança com a AEL Sistemas, ampliando sua atuação no modelo de exportações governamentais (G2G).

A cerimônia de assinatura do Memorando de Entendimento (MoU) reuniu executivos das duas empresas e simboliza uma aposta coordenada do Estado brasileiro na internacionalização de sua Base Industrial de Defesa (BID). O evento ocorreu no contexto de uma ofensiva diplomática mais ampla do Ministério da Defesa, que aproveitou a vitrine chilena para consolidar acordos com parceiros estratégicos.

O que está em jogo: tecnologia nacional de ponta
No centro do acordo estão produtos que sintetizam a maturidade tecnológica alcançada pela indústria brasileira de defesa. Entre eles estão o Link-BR2, voltado para comunicações seguras e interoperáveis, e o WAD, empregado no caça Saab F-39 Gripen operado pela Força Aérea Brasileira. Esses equipamentos representam um salto na capacidade da Base Industrial de Defesa brasileira, consolidando o país como fornecedor competitivo em um setor altamente exigente.

O Link-BR2 é um sistema de enlace de dados tático que permite a comunicação segura entre aeronaves e plataformas terrestres e navais. Já o WAD (Wideband Airborne Datalink) integra a aviônica do Gripen E/F, caça de quinta geração que está sendo parcialmente fabricado no Brasil em parceria com a sueca Saab. Ambos os sistemas são desenvolvidos pela AEL Sistemas, empresa gaúcha com décadas de experiência em eletrônica embarcada para aplicações militares.

Os protagonistas e suas visões
Do lado da ALADA, o presidente Sergio Roberto de Almeida foi enfático ao destacar o que o acordo representa para a projeção do Brasil no exterior. Segundo ele, "a assinatura deste memorando com a AEL reforça o compromisso da ALADA em promover soluções de alto valor da indústria nacional no mercado internacional. A qualidade tecnológica de produtos como o WAD, utilizado no Gripen, e o Link-BR2, evidencia o potencial competitivo do Brasil."

Pela AEL Sistemas, o diretor de Desenvolvimento de Negócios, Samir Mustafá, situou o acordo dentro de uma visão de longo prazo para a cooperação industrial entre o Brasil e nações parceiras. Para Mustafá, "a formalização deste memorando representa um passo inicial para a construção de uma relação estruturada no campo da Defesa, com foco em soluções tecnológicas e integração industrial. A parceria também abre espaço para potenciais negociações no modelo governo a governo (G2G), fortalecendo a cooperação institucional e as relações estratégicas entre o Brasil e parceiros internacionais."

A ALADA como novo braço exportador do Estado
Para compreender o significado do acordo, é necessário entender o papel crescente que a ALADA vem assumindo na arquitetura institucional da defesa brasileira. A iniciativa reforça o papel da ALADA como articuladora de oportunidades para a Base Industrial de Defesa (BID), especialmente em negociações que envolvem contratos diretos entre governos. A empresa foi recentemente designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir esse tipo de contratação em nome do Estado brasileiro, consolidando sua posição institucional nesse segmento.

Trata-se de uma mudança relevante na forma como o Brasil estrutura suas exportações de defesa. Em vez de relegar esse processo exclusivamente à iniciativa privada, o país passa a dispor de um veículo estatal capaz de negociar contratos de governo a governo, uma modalidade que oferece maior segurança jurídica, agilidade diplomática e possibilidade de incluir cláusulas de transferência de tecnologia e suporte logístico de longo prazo.

O modelo G2G tem ganhado relevância internacional por oferecer maior previsibilidade e segurança nas transações, além de facilitar acordos mais amplos que incluem treinamento, suporte logístico e transferência de conhecimento. Nesse cenário, a atuação da ALADA se torna central ao conectar empresas da Base Industrial de Defesa com oportunidades internacionais em nível governamental.

AEL Sistemas: um gigante pouco conhecido do grande público
A AEL Sistemas é hoje uma das empresas mais relevantes (e menos visíveis ao público em geral) da indústria de defesa brasileira. Com mais de 460 colaboradores e cerca de 190 engenheiros dedicados à inovação, a AEL Sistemas é um dos principais expoentes da Base Industrial de Defesa brasileira. A empresa é referência no desenvolvimento de sistemas embarcados, aviônicos e soluções de comando e controle, atendendo às demandas das Forças Armadas no Brasil e no exterior. Atualmente, mais de 50% do faturamento da companhia é proveniente de exportações, evidenciando sua competitividade global.

Reconhecida por sua competência em engenharia de sistemas complexos e software crítico, a AEL participa de programas estratégicos da Defesa Nacional, contribuindo para o fortalecimento da BID e para a autonomia tecnológica do Brasil. A empresa integra cadeias globais de tecnologia sensível, mantendo elevados padrões de qualidade, certificação e segurança da informação.

O fato de mais da metade do faturamento vir do exterior já coloca a AEL em uma posição diferenciada em relação a muitas outras empresas da BID brasileira, que ainda dependem majoritariamente de contratos domésticos com as Forças Armadas.

Um sinal de amadurecimento da indústria nacional
A parceria entre ALADA e AEL não deve ser lida de forma isolada. Ela se insere em um movimento mais amplo de consolidação da indústria de defesa brasileira como fornecedor internacional relevante. O Programa F-X2, que resultou na adoção do Gripen E/F pela FAB, impôs um extenso programa de transferência de tecnologia que elevou significativamente as capacidades da BID. Empresas como a própria AEL, a Embraer Defesa & Segurança e outras foram beneficiárias desse processo.

A parceria com a AEL também sinaliza um momento de amadurecimento da indústria de Defesa no Brasil, que busca expandir sua presença global e aumentar a exportação de tecnologias desenvolvidas no país. O movimento fortalece a autonomia tecnológica nacional e cria novas oportunidades econômicas em um setor considerado estratégico para a soberania e o desenvolvimento industrial.

O cenário geopolítico global, marcado pelo aumento dos gastos militares em diversas regiões e pela busca por diversificação de fornecedores, especialmente após as tensões geradas pela guerra na Ucrânia, também cria uma janela de oportunidade para países como o Brasil, que oferecem tecnologia competitiva sem os ônus políticos associados aos grandes exportadores ocidentais ou à Rússia e à China.

Próximos passos: do memorando ao contrato
Como todo Memorando de Entendimento, o documento assinado em Santiago não representa ainda um compromisso comercial concreto. Ele estabelece um marco de intenções e abre formalmente o caminho para negociações mais detalhadas. O verdadeiro teste da parceria estará na capacidade das duas empresas, bem como do aparato diplomático e institucional do Estado brasileiro, de identificar mercados-alvo, estruturar propostas competitivas e fechar negócios G2G efetivos.

A presença do Brasil na FIDAE 2026 com um estande denominado "Espaço Brasil", articulando múltiplas empresas e instituições, indica que há uma estratégia de projeção coordenada em curso. O acordo ALADA-AEL é, nesse sentido, um dos frutos mais visíveis dessa articulação.

Para um país com ambições de se tornar um exportador relevante de sistemas de defesa de alto valor tecnológico, cada memorando conta. O desafio agora é transformar intenções em contratos, e contratos em presença permanente nos mercados internacionais de segurança e defesa. 

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