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01 agosto, 2026

Guarani volta ao radar das Filipinas em plano de compra de mais de 500 blindados

Manila estuda renovar a frota terrestre com centenas de veículos de combate, e o blindado brasileiro, já presente no país, surge como candidato favorecido pela experiência prévia, mesmo sem lista oficial de concorrentes 

 

*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026

O Departamento de Defesa Nacional das Filipinas (DND) anunciou a intenção de adquirir mais de 500 blindados para ampliar a mobilidade e a proteção de suas forças terrestres, abrindo espaço para que o VBTP-MR Guarani 6x6, fabricado no Brasil pela Iveco Defence Vehicles (IDV), volte a ser considerado em Manila. O veículo já integra o Exército filipino desde 2024, mas o DND ainda não divulgou uma lista oficial de plataformas candidatas ao novo programa.

O anúncio filipino
O plano foi revelado pelo secretário de Defesa Nacional das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., em entrevista à emissora estatal Radyo Pilipinas, em 23 de julho de 2026. Segundo o ministro, o País asiático pretende adquirir mais de 500 fighting vehicles para permitir que as tropas terrestres reajam com mais rapidez a ameaças e reduzam a necessidade de deslocamentos a pé. Teodoro afirmou ainda que as novas viaturas deverão funcionar como fator de dissuasão, mas não revelou valores, cronograma ou requisitos técnicos, alegando razões de segurança.

O porta-voz do Exército filipino (Philippine Army), coronel Louie Dema-ala, confirmou publicamente o apoio da força ao plano, classificando veículos modernos e confiáveis como essenciais para que os soldados respondam com rapidez, manobrem com eficácia e cumpram missões com mais proteção. Dema-ala remeteu ao próprio DND qualquer detalhamento adicional sobre o programa.

A frota blindada atual das Filipinas inclui os tanques leves Sabrah e FV101 Scorpion, variantes do transporte blindado M113 e viaturas sobre rodas como o Kia KM450 e o K151 Raycolt, conjunto majoritariamente envelhecido diante do cenário de tensão no mar do Sul da China. O próprio anúncio ocorre em meio à ampliação de exercícios conjuntos das unidades blindadas filipinas com forças dos Estados Unidos e do Japão, incluindo manobras com viaturas de combate japonesas Type 16, o que sugere que Manila poderá buscar uma combinação de veículos sobre rodas e sobre lagartas, e não a compra de um único modelo para a totalidade do programa.

O histórico do Guarani em Manila
O relacionamento entre o Guarani e o Exército filipino não é novo. Em 2020, a Elbit Systems, empresa israelense responsável pela integração de subsistemas, foi confirmada como vencedora de um contrato de aproximadamente US$ 46 milhões para o fornecimento de 28 unidades do VBTP-MR 6x6 Guarani, fabricadas pela IDV em Sete Lagoas (MG). Os veículos recebem torre remotamente controlada, metralhadora de 12,7 mm ou canhão automático de 30 mm conforme a configuração, sistema de gerenciamento de campo de batalha Torch-X e rádio definido por software E-LynX, ambos da Elbit.

As primeiras cinco unidades chegaram ao Porto de Manila em fevereiro de 2024. Um segundo lote de nove unidades foi embarcado no Porto de Santos em 2025. Segundo reportagem publicada pela revista Sociedade Militar em 31 de julho de 2026, relatos especializados mais recentes indicam que apenas 14 das 28 viaturas contratadas teriam sido efetivamente entregues até aquele momento, com os atrasos atribuídos majoritariamente à integração dos sistemas da Elbit, e não à fabricação da plataforma pela IDV. Como o governo filipino e as empresas envolvidas não divulgaram um balanço público detalhado do contrato, o número exato de unidades já incorporadas ao Exército filipino deve ser tratado com ressalva.

A exportação do Guarani às Filipinas também já enfrentou um obstáculo regulatório. Em 2023, o Escritório Federal de Assuntos Econômicos e Controle de Exportações da Alemanha (BAFA) suspendeu temporariamente a exportação de componentes de origem alemã presentes no blindado, entre eles aço balístico, placas de proteção contra minas, periscópios, partes da transmissão e componentes do sistema de refrigeração. A restrição foi revertida meses depois, após negociações entre os governos envolvidos, permitindo a continuidade das entregas. O episódio expôs a dependência de uma cadeia internacional de fornecedores em um produto fabricado no Brasil e deve pesar na avaliação filipina sobre segurança de fornecimento em qualquer encomenda futura.

Por que o Guarani é visto como favorito, sem ser garantido
A principal vantagem do Guarani é a experiência operacional já acumulada pelo Exército filipino com a plataforma, somada à estrutura logística, de manutenção e de treinamento já implantada para sua operação. A adoção de um modelo já conhecido tende a reduzir custos com ferramental, peças de reposição, simuladores e formação de equipes técnicas, além de facilitar a integração de novas unidades a uma cadeia logística já em funcionamento.

Há, no entanto, uma diferença de nomenclatura relevante entre o produto brasileiro e o anúncio filipino. O Guarani atualmente em serviço nas Filipinas é classificado principalmente como veículo blindado de transporte de pessoal, enquanto o termo fighting vehicles, usado por Teodoro, remete normalmente a um veículo de combate de infantaria, categoria que costuma receber armamento mais pesado e missão de apoio direto às tropas desembarcadas. Como o DND ainda não revelou os requisitos técnicos do programa, permanece em aberto se a futura encomenda incluirá o Guarani, viaturas mais pesadas, veículos sobre lagartas ou uma combinação de plataformas especializadas.

A relação de defesa entre Brasil e Filipinas
O vínculo militar entre os dois países ultrapassa o programa Guarani. Brasil e Filipinas assinaram, em 2022, um memorando de cooperação em defesa que abriu espaço para iniciativas em logística, indústria, treinamento e intercâmbio tecnológico. Em fevereiro de 2026, o DND classificou o Brasil como parceiro relevante para seu programa de modernização das Forças Armadas e como seu único parceiro formal de defesa na América Latina, sinalizando interesse em ampliar a cooperação industrial. A Força Aérea das Filipinas também opera seis unidades do A-29 Super Tucano, da Embraer, outro produto brasileiro incorporado ao processo de modernização militar filipino, o que reforça o histórico institucional que pode facilitar negociações governamentais e novos acordos industriais em torno do Guarani, ainda que cada aquisição dependa de avaliação própria.

Mudança de controle acionário da fabricante
O cenário industrial por trás do Guarani também mudou nos últimos meses. Em 18 de março de 2026, o grupo italiano Leonardo concluiu a aquisição da Iveco Defence Vehicles e da marca de caminhões militares ASTRA, negócio avaliado em aproximadamente €1,6 bilhão. A operação inclui a planta de Sete Lagoas (MG), onde é fabricado o Guarani, e reorganiza a IDV como uma OEM (Original Equipment Manufacturer) integrada ao portfólio de eletrônica, sensores e torres da Leonardo, com potencial de elevar o padrão de exportação do blindado brasileiro.

Um desdobramento corporativo mais recente, contudo, ainda gera incerteza sobre o desenho final do grupo. Segundo comunicado da própria Leonardo, reproduzido pela Investing.com em 31 de julho de 2026, a companhia mantém negociações não vinculativas com a alemã Rheinmetall sobre a venda de parte da IDV recém-adquirida. O diretor financeiro do grupo, Giuseppe Aurilio, descreveu a existência de um acordo de cavalheiros com a Rheinmetall, sem caráter formalmente vinculativo, e classificou a venda como uma entre várias alternativas em avaliação, e não a única. O executivo destacou que o negócio de caminhões da IDV está em crescimento e é lucrativo, o que colocaria a Leonardo em posição mais confortável para negociar. O diretor-executivo Lorenzo Mariani acrescentou que o grupo recebeu consultas de outras partes interessadas na mesma unidade.

É importante notar que essas tratativas com a Rheinmetall dizem respeito, segundo fontes internacionais como Defense Post e MarketScreener, ao negócio de caminhões militares e logísticos da IDV, marcas ASTRA e Eurocargo, e não à linha de veículos blindados de combate, na qual se insere o Guarani. Ainda assim, o episódio confirma que a reestruturação societária em torno da fabricante segue em curso, num momento em que Manila avalia expandir sua frota blindada, o que reforça a relevância de acompanhar a governança da IDV como variável relevante para qualquer negociação futura entre Brasil e Filipinas.

O que ainda não está confirmado
Até o fechamento desta reportagem, nenhuma fonte filipina ou brasileira havia confirmado a inclusão formal do Guarani em uma licitação ou lista restrita do novo programa de mais de 500 veículos. O DND não divulgou plataformas candidatas, valores ou cronograma. A menção ao blindado brasileiro no noticiário internacional decorre, por ora, de inferência editorial baseada no histórico de relacionamento e na infraestrutura logística já instalada nas Filipinas, e não de documento oficial de licitação.

05 julho, 2026

Depois do EMADS, o que protegerá as baterias antiaéreas? A camada antidrone que o Brasil ainda não tem

Com a aquisição do sistema antiaéreo de média altura em andamento, o Exército Brasileiro precisa urgentemente de uma resposta cinética de curto alcance para proteger seus próprios lançadores, os ASTROS e instalações críticas. O Gepard modernizado pode ser a solução paliativa, e uma torre Skyranger 30 sobre o Guarani pode ser a definitiva.

 

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LRCA Defense Consulting - 05/07/2026

A decisão do Exército Brasileiro de adquirir o sistema antiaéreo de média altura EMADS, da MBDA/Leonardo, marca a entrada do país em uma capacidade de defesa aérea que simplesmente não existia antes. As futuras baterias do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Jundiaí, representarão um salto qualitativo sem precedentes na proteção do espaço aéreo brasileiro de baixa e média altitude.

Mas um sistema de médio alcance como o EMADS, por mais eficaz que seja contra aeronaves e mísseis de cruzeiro, carrega uma vulnerabilidade intrínseca: seus próprios lançadores, estacionados para o tiro, são alvos estáticos de alto valor. E um drone de ataque barato, voando rente ao solo, pode alcançá-los antes que qualquer míssil interceptador tenha tempo de reagir.

Com a experiência das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a lição já foi aprendida pela Europa. A Bélgica formalizou em julho de 2026 a compra de 20 sistemas Skyranger 30, da Rheinmetall, como complemento direto aos 10 lançadores NASAMS adquiridos em conjunto com os Países Baixos, num pacote de 3,1 bilhões de euros. O conceito é preciso: o Skyranger protege as baterias NASAMS de drones de baixa altitude, e o NASAMS protege o espaço aéreo de médio alcance. Dois sistemas, duas camadas, um único ativo defensivo coerente.

O Brasil está prestes a ter a camada de médio alcance. Ainda não tem a camada de curto alcance para protegê-la.

O que o Brasil já tem: 37 canhões esperando um sensor
O Exército Brasileiro não está de mãos vazias. Desde 2013, opera 37 Viaturas Blindadas de Combate Antiaérea (VBC AAe) Gepard 1A2, adquiridas junto ao Exército Alemão por US$ 41 milhões, com cerca de 540.000 projéteis de 35 mm em estoque. As viaturas estão distribuídas entre a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, no Paraná, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, no Rio Grande do Sul, e a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, no Rio de Janeiro.

O Gepard tem dois canhões Oerlikon de 35 mm com cadência elevada e alcance de 5,5 km. Na Ucrânia, um único sistema desse tipo foi creditado com a destruição de mais de dez drones Shahed-136 e dois mísseis de cruzeiro. É o mesmo calibre que a Rheinmetall usa em seu sistema SKYNEX, hoje considerado o melhor produto cinético antidrone do mundo, embora haja relatos citando problemas com sua complexidade.

O problema brasileiro é o sensor, não o canhão. O Gepard 1A2 carrega dois radares orgânicos: um de busca em banda Echo e um de tiro em banda Juliet, ambos projetados para detectar aeronaves tripuladas com grande seção transversal de radar. Na Operação Punhos de Aço 2025, as guarnições da 6ª Brigada de Infantaria Blindada constataram que esses radares não conseguem adquirir drones de baixa seção radar. A solução foi recorrer ao método manual, usando o periscópio e corrigindo a trajetória dos projéteis em tempo real por observação direta, um processo eficaz, mas exigente e consumidor de munição.

O próprio blog do Exército foi honesto no diagnóstico: esse método manual será o prioritário para engajamento de drones, enquanto os radares orgânicos da viatura não forem adequados. Essa é precisamente a lacuna que uma modernização estrutural do Gepard poderia fechar.

Modernizar o Gepard: o que é necessário e o que já está em andamento
A modernização do Gepard para o papel antidrone não exige a substituição do canhão. Exige quatro intervenções, que podem ser implementadas de forma incremental:

A primeira, e mais urgente, é a integração via datalink a radares externos capazes de detectar alvos de baixa seção radar. O computador digital já embarcado no 1A2 tem capacidade latente de receber designação de estações externas, o que significa que, ao receber a coordenada do alvo de um radar moderno como o Embraer Saber M200, a viatura pode estar apontada e pronta antes que o alvo entre em seu campo de visão. Sete Gepard assim dispostos em rede com um centro de monitoramento podem cobrir uma área de 12 km². Esse conceito foi estudado na época da chegada das viaturas e permanece válido.

A segunda intervenção é a substituição ou complementação do radar orgânico de tiro por um sensor em banda X, com capacidade de rastrear alvos de baixa seção radar. A Rheinmetall, fabricante tanto do Gepard quanto do sistema SKYNEX, propôs à Ucrânia exatamente esse pacote: novo módulo de rastreamento com radar melhorado e sistema de direção de tiro otimizado para a ameaça drone. O mesmo pacote é potencialmente disponível para o Brasil.

A terceira, e talvez a mais transformadora, é a certificação para uso da munição AHEAD de 35 mm. Diferentemente do projétil convencional HEI-T, o AHEAD detona a uma distância calculada do alvo, lançando uma nuvem de subprojéteis tungstênio na trajetória do drone. Isso exige uma interface eletrônica entre o cano e o computador balístico para medir a velocidade do projétil na saída e programar o tempo de detonação em cada rodada individualmente. Os Gepard ucranianos, que usam munição convencional, necessitam de mais projéteis para abater cada alvo do que um SKYNEX com AHEAD. Para o Brasil, que tem estoque limitado, a eficiência por projétil é um fator relevante.

A quarta é a automação do ciclo de engajamento, o diferencial central do SKYNEX. O Gepard modernizado com sensor externo e AHEAD ainda depende de um atirador para fechar o ciclo. A automação completa exigiria a substituição do módulo de direção de tiro por um processador moderno capaz de calcular soluções de tiro autônomas, o que representa a intervenção mais cara e mais próxima de uma modernização de meia vida. A KNDS, detentora do programa Gepard, já propôs esse pacote integrado à Ucrânia. Para o Brasil, seria o caminho mais rápido para chegar a um Gepard funcionalmente equivalente ao SKYNEX.

Em paralelo, há um desenvolvimento nacional relevante já em curso. A ARES Aeroespacial e Defesa firmou contrato com o Exército Brasileiro para atualização tecnológica das torres UT-30BR já instaladas nos Guarani, incluindo o desenvolvimento de um kit antidrone. Esse contrato aponta na direção correta, mas parte de um calibre diferente (30 mm contra 35 mm) e de uma plataforma diferente do Gepard.

A hipótese Guarani com torre Skyranger 30: mais do que especulação
A proposta de instalar a torre Skyranger 30 sobre o Guarani 6x6 é tecnicamente fundamentada. A torre pesa entre 1,8 e 2,5 toneladas com munição, dependendo da configuração, e foi projetada especificamente para ser instalada em veículos rodados 6x6 de maior porte. A própria Rheinmetall desenvolveu, para a Áustria, uma versão com uma tonelada a menos que o modelo padrão para adequação ao chassi do Pandur EVO 6x6, demonstrando que a empresa tem experiência e disposição para adaptar a torre a plataformas mais leves.

O Guarani, com peso operacional em torno de 20 toneladas e projeto modular que já acomoda torres com canhão de 30 mm como a UT-30BR, tem o anel de torre e a estrutura superior dimensionados para sistemas nessa faixa de peso. A instalação da versão mais leve do Skyranger 30 é, portanto, uma hipótese tecnicamente plausível que mereceria estudo formal de viabilidade.

A vantagem estratégica de uma solução assim vai além da técnica. O Guarani é fabricado pela IDV em Sete Lagoas, Minas Gerais, com mais de 700 unidades entregues ao Exército e produção contínua prevista. Instalar uma torre Skyranger 30 sobre um chassi nacional significaria produção local do veículo, eventual transferência de tecnologia da torre e integração de conteúdo nacional em sensores e comunicações, alinhando-se diretamente à política de Nova Indústria Brasil e ao chamamento da Finep para desenvolvimento de sistemas não tripulados e defesa.

Há ainda um elemento de relacionamento industrial que torna essa hipótese menos especulativa do que parece. A Rheinmetall está no Brasil pela porta do programa de blindados sobre lagartas, com o Lynx equipado com torre Skyranger 35 como candidato ao programa da Nova Família de Blindados sobre lagartas. A empresa fez apresentações formais na Diretoria de Fabricação e na Chefia de Material do Exército. Mais relevante ainda: o sistema EMADS que o Brasil está adquirindo utiliza, no Exército Italiano, o radar X-TAR 3D da própria Rheinmetall. Isso significa que a empresa já é fornecedora indireta do programa de defesa antiaérea brasileiro, com relacionamento institucional estabelecido.

Pandur EVO Skyranger 30 das Forças Armadas Austríacas

A geometria do problema: o que precisa ser protegido
A questão da cobertura antidrone de curto alcance não se resume às futuras baterias EMADS. O Exército Brasileiro opera os ASTROS II MK6, lançadores de foguetes, de mísseis de cruzeito e, futuramente, do Missíl Tático Balístico (provavelmente na versão MK7). Um lançador ASTROS estacionado para tiro, coordenadas conhecidas, é um alvo de alto valor estratégico para qualquer adversário com capacidade de emprego de drones. A doutrina ucraniana demonstrou que sistemas de lançamento de foguetes são alvos prioritários para ataques por drones de baixo custo antes e imediatamente após o disparo.

O mesmo raciocínio se aplica a instalações críticas de infraestrutura nacional como hidrelétricas, refinarias, instalações portuárias, instalações de radar (vide Oriente Médio) e bases militares. Um sistema C-UAS de curto alcance, capaz de proteger uma área de 12 km², é exatamente o que a doutrina europeia emergente descreve como camada interna da defesa aérea em camadas: barata, móvel e pronta, para que os sistemas de prestígio como o EMADS e o NASAMS não precisem gastar mísseis de US$ 400.000 para abater drones muito mais baratos.

O cenário em perspectiva
O Exército Brasileiro tem em mãos uma janela de oportunidade que não estará aberta indefinidamente. O Gepard será o único meio cinético autopropulsado de curto alcance do inventário por muitos anos. Modernizá-lo com sensores adequados e munição AHEAD é a resposta imediata, possível de ser contratada rapidamente e com custo muito inferior à aquisição de um sistema novo. A Rheinmetall, com relacionamento estabelecido no Brasil e o pacote de modernização já desenvolvido para a Ucrânia, é o interlocutor natural.

No médio prazo, a decisão sobre uma VBC AAe nacional baseada no Guarani com torre Skyranger 30 é uma questão de doutrina, prioridade orçamentária e vontade política. Os elementos técnicos estão presentes: a plataforma é nacional, a torre existe, a compatibilidade de peso é plausível, e o fabricante já está no Brasil. O que falta é que o Exército formalize o estudo de viabilidade e inclua essa demanda no planejamento de longo prazo do Projeto Estratégico de Defesa Antiaérea.

O que não falta é urgência. A Bélgica decidiu comprar defesa antiaérea de curto alcance no mesmo ato em que comprou o NASAMS. O Brasil ainda não tomou essa decisão. E as baterias EMADS chegarão.

30 abril, 2026

Exército Brasileiro inicia 2ª fase de testes com a Viatura Guarani – Implemento de Engenharia no CAEx


*LRCA Defense Consulting - 30/04/2026

O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) deu início, em 27 de abril, aos ensaios da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Média sobre Rodas (VBTP-MR) Guarani na configuração Implemento de Engenharia, em sua segunda fase. A atividade envolve a Diretoria de Fabricação (DF), a Diretoria de Material de Engenharia (DME), a empresa IVECO Defence Vehicles (IDV) e o apoio de militares do Batalhão Escola de Engenharia (BEsE). 

A viatura, baseada na plataforma 6x6 do Guarani, incorpora implementos específicos para atividades de desminagem, limpeza de superfície e marcação de solo. Esses equipamentos visam ampliar as capacidades de engenharia de combate, permitindo que as tropas superem obstáculos, removam minas terrestres e preparem itinerários em cenários de alta complexidade operacional.

A fase atual de testes ocorre após a conclusão, em 10 de abril, da instrumentação completa da viatura pela IVECO. Essa etapa é fundamental para garantir a coleta de dados precisos e confiáveis durante os ensaios. O Laboratório de Ensaios Veiculares (LEV) do CAEx, sob chefia da Capitão Mayara Magalhães Carvalho, coordena os trabalhos técnicos em parceria com a indústria. 

O que está sendo avaliado
Durante os testes, são realizados ensaios padronizados de desempenho veicular e operacional, incluindo:
- Aceleração;
- Velocidade máxima e mínima;
- Transposição de rampas e degraus;
- Determinação do raio de giro;
- Outras verificações dinâmicas e funcionais.

Os procedimentos seguem normas que asseguram rastreabilidade, repetibilidade e representatividade dos resultados, fornecendo subsídios técnicos sólidos para análises e decisões no âmbito do Exército Brasileiro. A campanha intensiva de testes, que teve preparação entre os dias 13 e 17 de abril, tem previsão de encerramento em meados de junho. 

Contexto do projeto
A VBTP-MR Guarani, desenvolvida em parceria entre o Exército Brasileiro e a IVECO, é a principal plataforma blindada sobre rodas da Força Terrestre, projetada para substituir veículos mais antigos como o EE-11 Urutu. Com tração 6x6, motor diesel de aproximadamente 383 cv, blindagem em forma de V capaz de resistir a minas e capacidade anfíbia, o Guarani destaca-se pela modularidade, permitindo diversas configurações (transporte de pessoal, comando, ambulância, entre outras).

A variante de Engenharia faz parte do esforço de modernização do Programa Guarani. Implementos como lâminas dozer, braços manipuladores e sistemas de remoção de obstáculos — alguns originários de parcerias internacionais, como com a Pearson Engineering — transformam o chassi em uma ferramenta versátil para engenharia de combate. Essa capacidade é essencial em operações mecanizadas, onde a mobilidade sob ameaça (superação de campos minados, remoção de barricadas ou preparação de rotas) torna-se fator decisivo. 

A 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada (“Brigada Guarani”), em Palmas (PR), já atua na criação da doutrina de emprego dessas viaturas.

Importância estratégica
Segundo fontes do Exército, a atividade reforça a integração entre centros de pesquisa, diretorias técnicas, tropa e indústria de defesa. O desenvolvimento bem-sucedido do Guarani Implemento de Engenharia contribuirá diretamente para o incremento do Poder de Combate da Força Terrestre, entregando um material seguro, confiável e eficaz para as unidades de engenharia das brigadas mecanizadas.

“Essa variante amplia uma capacidade crítica: garantir mobilidade sob risco em operações de alta complexidade”, destacam análises especializadas. O projeto alinha-se à estratégia de autonomia tecnológica e fortalecimento da Base Industrial de Defesa nacional. 

A conclusão bem-sucedida dos testes no CAEx representa mais um passo na consolidação da família Guarani como plataforma versátil e moderna, capaz de atender às demandas atuais e futuras do Exército Brasileiro em diferentes teatros de operações. 

03 novembro, 2025

Exército Brasileiro implanta tecnologia PROTEUS na Viatura Guarani e amplia consciência situacional


*LRCA Defense Consulting - 03/11/2025

No último mês de outubro, o Exército Brasileiro concretizou um novo avanço tecnológico em seu processo de modernização ao realizar a primeira instalação prática do Sistema Gerenciador de Plataforma (SGP), parte do projeto PROTEUS, na Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média de Rodas (VBTP-MSR) 6x6 Guarani. Entre os dias 27 e 30, equipes da Diretoria de Fabricação (DF) trabalharam no 1º Batalhão de Infantaria Mecanizado, onde também ministraram treinamento para a tropa sobre a utilização da nova tecnologia.

O projeto PROTEUS simboliza um salto em tecnologia ao integrar diversos sistemas eletrônicos da viatura, ampliando as capacidades de consciência situacional, apoio à decisão e inteligência logística. O SGP permite ao comandante uma visualização integrada das câmeras do veículo e sistema de armas, acesso essencial a informações e alertas do veículo, controle do sistema de comunicações via rádio e acesso a um Gerenciador de Campo de Batalha, facilitando a tomada de decisões em tempo real no campo de combate.

Esta inovação representa um esforço para modernizar a infantaria mecanizada do Brasil com tecnologia de ponta baseada em padrões abertos e modulares, garantindo interoperabilidade e atualizações futuras, além de fortalecer a autonomia tecnológica nacional. A cooperação efetiva com o 1º Batalhão de Infantaria Mecanizado foi fundamental para incorporar as reais necessidades do usuário final, evidenciando o compromisso das Forças Armadas com a excelência e a evolução contínua dos meios de defesa.

A VBTP-MSR Guarani, produzida no Brasil em parceria com a indústria nacional, é peça-chave na estratégia de mobilidade e proteção da tropa, e com o PROTEUS passa a contar com um sistema que eleva seu potencial operacional para os desafios da guerra na Era da Informação.

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