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05 julho, 2026

Depois do EMADS, o que protegerá as baterias antiaéreas? A camada antidrone que o Brasil ainda não tem

Com a aquisição do sistema antiaéreo de média altura em andamento, o Exército Brasileiro precisa urgentemente de uma resposta cinética de curto alcance para proteger seus próprios lançadores, os ASTROS e instalações críticas. O Gepard modernizado pode ser a solução paliativa, e uma torre Skyranger 30 sobre o Guarani pode ser a definitiva.

 

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LRCA Defense Consulting - 05/07/2026

A decisão do Exército Brasileiro de adquirir o sistema antiaéreo de média altura EMADS, da MBDA/Leonardo, marca a entrada do país em uma capacidade de defesa aérea que simplesmente não existia antes. As futuras baterias do 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Jundiaí, representarão um salto qualitativo sem precedentes na proteção do espaço aéreo brasileiro de baixa e média altitude.

Mas um sistema de médio alcance como o EMADS, por mais eficaz que seja contra aeronaves e mísseis de cruzeiro, carrega uma vulnerabilidade intrínseca: seus próprios lançadores, estacionados para o tiro, são alvos estáticos de alto valor. E um drone de ataque barato, voando rente ao solo, pode alcançá-los antes que qualquer míssil interceptador tenha tempo de reagir.

Com a experiência das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, a lição já foi aprendida pela Europa. A Bélgica formalizou em julho de 2026 a compra de 20 sistemas Skyranger 30, da Rheinmetall, como complemento direto aos 10 lançadores NASAMS adquiridos em conjunto com os Países Baixos, num pacote de 3,1 bilhões de euros. O conceito é preciso: o Skyranger protege as baterias NASAMS de drones de baixa altitude, e o NASAMS protege o espaço aéreo de médio alcance. Dois sistemas, duas camadas, um único ativo defensivo coerente.

O Brasil está prestes a ter a camada de médio alcance. Ainda não tem a camada de curto alcance para protegê-la.

O que o Brasil já tem: 37 canhões esperando um sensor
O Exército Brasileiro não está de mãos vazias. Desde 2013, opera 37 Viaturas Blindadas de Combate Antiaérea (VBC AAe) Gepard 1A2, adquiridas junto ao Exército Alemão por US$ 41 milhões, com cerca de 540.000 projéteis de 35 mm em estoque. As viaturas estão distribuídas entre a 5ª Brigada de Cavalaria Blindada, no Paraná, a 6ª Brigada de Infantaria Blindada, no Rio Grande do Sul, e a Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, no Rio de Janeiro.

O Gepard tem dois canhões Oerlikon de 35 mm com cadência elevada e alcance de 5,5 km. Na Ucrânia, um único sistema desse tipo foi creditado com a destruição de mais de dez drones Shahed-136 e dois mísseis de cruzeiro. É o mesmo calibre que a Rheinmetall usa em seu sistema SKYNEX, hoje considerado o melhor produto cinético antidrone do mundo, embora haja relatos citando problemas com sua complexidade.

O problema brasileiro é o sensor, não o canhão. O Gepard 1A2 carrega dois radares orgânicos: um de busca em banda Echo e um de tiro em banda Juliet, ambos projetados para detectar aeronaves tripuladas com grande seção transversal de radar. Na Operação Punhos de Aço 2025, as guarnições da 6ª Brigada de Infantaria Blindada constataram que esses radares não conseguem adquirir drones de baixa seção radar. A solução foi recorrer ao método manual, usando o periscópio e corrigindo a trajetória dos projéteis em tempo real por observação direta, um processo eficaz, mas exigente e consumidor de munição.

O próprio blog do Exército foi honesto no diagnóstico: esse método manual será o prioritário para engajamento de drones, enquanto os radares orgânicos da viatura não forem adequados. Essa é precisamente a lacuna que uma modernização estrutural do Gepard poderia fechar.

Modernizar o Gepard: o que é necessário e o que já está em andamento
A modernização do Gepard para o papel antidrone não exige a substituição do canhão. Exige quatro intervenções, que podem ser implementadas de forma incremental:

A primeira, e mais urgente, é a integração via datalink a radares externos capazes de detectar alvos de baixa seção radar. O computador digital já embarcado no 1A2 tem capacidade latente de receber designação de estações externas, o que significa que, ao receber a coordenada do alvo de um radar moderno como o Embraer Saber M200, a viatura pode estar apontada e pronta antes que o alvo entre em seu campo de visão. Sete Gepard assim dispostos em rede com um centro de monitoramento podem cobrir uma área de 12 km². Esse conceito foi estudado na época da chegada das viaturas e permanece válido.

A segunda intervenção é a substituição ou complementação do radar orgânico de tiro por um sensor em banda X, com capacidade de rastrear alvos de baixa seção radar. A Rheinmetall, fabricante tanto do Gepard quanto do sistema SKYNEX, propôs à Ucrânia exatamente esse pacote: novo módulo de rastreamento com radar melhorado e sistema de direção de tiro otimizado para a ameaça drone. O mesmo pacote é potencialmente disponível para o Brasil.

A terceira, e talvez a mais transformadora, é a certificação para uso da munição AHEAD de 35 mm. Diferentemente do projétil convencional HEI-T, o AHEAD detona a uma distância calculada do alvo, lançando uma nuvem de subprojéteis tungstênio na trajetória do drone. Isso exige uma interface eletrônica entre o cano e o computador balístico para medir a velocidade do projétil na saída e programar o tempo de detonação em cada rodada individualmente. Os Gepard ucranianos, que usam munição convencional, necessitam de mais projéteis para abater cada alvo do que um SKYNEX com AHEAD. Para o Brasil, que tem estoque limitado, a eficiência por projétil é um fator relevante.

A quarta é a automação do ciclo de engajamento, o diferencial central do SKYNEX. O Gepard modernizado com sensor externo e AHEAD ainda depende de um atirador para fechar o ciclo. A automação completa exigiria a substituição do módulo de direção de tiro por um processador moderno capaz de calcular soluções de tiro autônomas, o que representa a intervenção mais cara e mais próxima de uma modernização de meia vida. A KNDS, detentora do programa Gepard, já propôs esse pacote integrado à Ucrânia. Para o Brasil, seria o caminho mais rápido para chegar a um Gepard funcionalmente equivalente ao SKYNEX.

Em paralelo, há um desenvolvimento nacional relevante já em curso. A ARES Aeroespacial e Defesa firmou contrato com o Exército Brasileiro para atualização tecnológica das torres UT-30BR já instaladas nos Guarani, incluindo o desenvolvimento de um kit antidrone. Esse contrato aponta na direção correta, mas parte de um calibre diferente (30 mm contra 35 mm) e de uma plataforma diferente do Gepard.

A hipótese Guarani com torre Skyranger 30: mais do que especulação
A proposta de instalar a torre Skyranger 30 sobre o Guarani 6x6 é tecnicamente fundamentada. A torre pesa entre 1,8 e 2,5 toneladas com munição, dependendo da configuração, e foi projetada especificamente para ser instalada em veículos rodados 6x6 de maior porte. A própria Rheinmetall desenvolveu, para a Áustria, uma versão com uma tonelada a menos que o modelo padrão para adequação ao chassi do Pandur EVO 6x6, demonstrando que a empresa tem experiência e disposição para adaptar a torre a plataformas mais leves.

O Guarani, com peso operacional em torno de 20 toneladas e projeto modular que já acomoda torres com canhão de 30 mm como a UT-30BR, tem o anel de torre e a estrutura superior dimensionados para sistemas nessa faixa de peso. A instalação da versão mais leve do Skyranger 30 é, portanto, uma hipótese tecnicamente plausível que mereceria estudo formal de viabilidade.

A vantagem estratégica de uma solução assim vai além da técnica. O Guarani é fabricado pela IDV em Sete Lagoas, Minas Gerais, com mais de 700 unidades entregues ao Exército e produção contínua prevista. Instalar uma torre Skyranger 30 sobre um chassi nacional significaria produção local do veículo, eventual transferência de tecnologia da torre e integração de conteúdo nacional em sensores e comunicações, alinhando-se diretamente à política de Nova Indústria Brasil e ao chamamento da Finep para desenvolvimento de sistemas não tripulados e defesa.

Há ainda um elemento de relacionamento industrial que torna essa hipótese menos especulativa do que parece. A Rheinmetall está no Brasil pela porta do programa de blindados sobre lagartas, com o Lynx equipado com torre Skyranger 35 como candidato ao programa da Nova Família de Blindados sobre lagartas. A empresa fez apresentações formais na Diretoria de Fabricação e na Chefia de Material do Exército. Mais relevante ainda: o sistema EMADS que o Brasil está adquirindo utiliza, no Exército Italiano, o radar X-TAR 3D da própria Rheinmetall. Isso significa que a empresa já é fornecedora indireta do programa de defesa antiaérea brasileiro, com relacionamento institucional estabelecido.

Pandur EVO Skyranger 30 das Forças Armadas Austríacas

A geometria do problema: o que precisa ser protegido
A questão da cobertura antidrone de curto alcance não se resume às futuras baterias EMADS. O Exército Brasileiro opera os ASTROS II MK6, lançadores de foguetes, de mísseis de cruzeito e, futuramente, do Missíl Tático Balístico (provavelmente na versão MK7). Um lançador ASTROS estacionado para tiro, coordenadas conhecidas, é um alvo de alto valor estratégico para qualquer adversário com capacidade de emprego de drones. A doutrina ucraniana demonstrou que sistemas de lançamento de foguetes são alvos prioritários para ataques por drones de baixo custo antes e imediatamente após o disparo.

O mesmo raciocínio se aplica a instalações críticas de infraestrutura nacional como hidrelétricas, refinarias, instalações portuárias, instalações de radar (vide Oriente Médio) e bases militares. Um sistema C-UAS de curto alcance, capaz de proteger uma área de 12 km², é exatamente o que a doutrina europeia emergente descreve como camada interna da defesa aérea em camadas: barata, móvel e pronta, para que os sistemas de prestígio como o EMADS e o NASAMS não precisem gastar mísseis de US$ 400.000 para abater drones muito mais baratos.

O cenário em perspectiva
O Exército Brasileiro tem em mãos uma janela de oportunidade que não estará aberta indefinidamente. O Gepard será o único meio cinético autopropulsado de curto alcance do inventário por muitos anos. Modernizá-lo com sensores adequados e munição AHEAD é a resposta imediata, possível de ser contratada rapidamente e com custo muito inferior à aquisição de um sistema novo. A Rheinmetall, com relacionamento estabelecido no Brasil e o pacote de modernização já desenvolvido para a Ucrânia, é o interlocutor natural.

No médio prazo, a decisão sobre uma VBC AAe nacional baseada no Guarani com torre Skyranger 30 é uma questão de doutrina, prioridade orçamentária e vontade política. Os elementos técnicos estão presentes: a plataforma é nacional, a torre existe, a compatibilidade de peso é plausível, e o fabricante já está no Brasil. O que falta é que o Exército formalize o estudo de viabilidade e inclua essa demanda no planejamento de longo prazo do Projeto Estratégico de Defesa Antiaérea.

O que não falta é urgência. A Bélgica decidiu comprar defesa antiaérea de curto alcance no mesmo ato em que comprou o NASAMS. O Brasil ainda não tomou essa decisão. E as baterias EMADS chegarão.

30 abril, 2026

Exército Brasileiro inicia 2ª fase de testes com a Viatura Guarani – Implemento de Engenharia no CAEx


*LRCA Defense Consulting - 30/04/2026

O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) deu início, em 27 de abril, aos ensaios da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Média sobre Rodas (VBTP-MR) Guarani na configuração Implemento de Engenharia, em sua segunda fase. A atividade envolve a Diretoria de Fabricação (DF), a Diretoria de Material de Engenharia (DME), a empresa IVECO Defence Vehicles (IDV) e o apoio de militares do Batalhão Escola de Engenharia (BEsE). 

A viatura, baseada na plataforma 6x6 do Guarani, incorpora implementos específicos para atividades de desminagem, limpeza de superfície e marcação de solo. Esses equipamentos visam ampliar as capacidades de engenharia de combate, permitindo que as tropas superem obstáculos, removam minas terrestres e preparem itinerários em cenários de alta complexidade operacional.

A fase atual de testes ocorre após a conclusão, em 10 de abril, da instrumentação completa da viatura pela IVECO. Essa etapa é fundamental para garantir a coleta de dados precisos e confiáveis durante os ensaios. O Laboratório de Ensaios Veiculares (LEV) do CAEx, sob chefia da Capitão Mayara Magalhães Carvalho, coordena os trabalhos técnicos em parceria com a indústria. 

O que está sendo avaliado
Durante os testes, são realizados ensaios padronizados de desempenho veicular e operacional, incluindo:
- Aceleração;
- Velocidade máxima e mínima;
- Transposição de rampas e degraus;
- Determinação do raio de giro;
- Outras verificações dinâmicas e funcionais.

Os procedimentos seguem normas que asseguram rastreabilidade, repetibilidade e representatividade dos resultados, fornecendo subsídios técnicos sólidos para análises e decisões no âmbito do Exército Brasileiro. A campanha intensiva de testes, que teve preparação entre os dias 13 e 17 de abril, tem previsão de encerramento em meados de junho. 

Contexto do projeto
A VBTP-MR Guarani, desenvolvida em parceria entre o Exército Brasileiro e a IVECO, é a principal plataforma blindada sobre rodas da Força Terrestre, projetada para substituir veículos mais antigos como o EE-11 Urutu. Com tração 6x6, motor diesel de aproximadamente 383 cv, blindagem em forma de V capaz de resistir a minas e capacidade anfíbia, o Guarani destaca-se pela modularidade, permitindo diversas configurações (transporte de pessoal, comando, ambulância, entre outras).

A variante de Engenharia faz parte do esforço de modernização do Programa Guarani. Implementos como lâminas dozer, braços manipuladores e sistemas de remoção de obstáculos — alguns originários de parcerias internacionais, como com a Pearson Engineering — transformam o chassi em uma ferramenta versátil para engenharia de combate. Essa capacidade é essencial em operações mecanizadas, onde a mobilidade sob ameaça (superação de campos minados, remoção de barricadas ou preparação de rotas) torna-se fator decisivo. 

A 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada (“Brigada Guarani”), em Palmas (PR), já atua na criação da doutrina de emprego dessas viaturas.

Importância estratégica
Segundo fontes do Exército, a atividade reforça a integração entre centros de pesquisa, diretorias técnicas, tropa e indústria de defesa. O desenvolvimento bem-sucedido do Guarani Implemento de Engenharia contribuirá diretamente para o incremento do Poder de Combate da Força Terrestre, entregando um material seguro, confiável e eficaz para as unidades de engenharia das brigadas mecanizadas.

“Essa variante amplia uma capacidade crítica: garantir mobilidade sob risco em operações de alta complexidade”, destacam análises especializadas. O projeto alinha-se à estratégia de autonomia tecnológica e fortalecimento da Base Industrial de Defesa nacional. 

A conclusão bem-sucedida dos testes no CAEx representa mais um passo na consolidação da família Guarani como plataforma versátil e moderna, capaz de atender às demandas atuais e futuras do Exército Brasileiro em diferentes teatros de operações. 

03 novembro, 2025

Exército Brasileiro implanta tecnologia PROTEUS na Viatura Guarani e amplia consciência situacional


*LRCA Defense Consulting - 03/11/2025

No último mês de outubro, o Exército Brasileiro concretizou um novo avanço tecnológico em seu processo de modernização ao realizar a primeira instalação prática do Sistema Gerenciador de Plataforma (SGP), parte do projeto PROTEUS, na Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média de Rodas (VBTP-MSR) 6x6 Guarani. Entre os dias 27 e 30, equipes da Diretoria de Fabricação (DF) trabalharam no 1º Batalhão de Infantaria Mecanizado, onde também ministraram treinamento para a tropa sobre a utilização da nova tecnologia.

O projeto PROTEUS simboliza um salto em tecnologia ao integrar diversos sistemas eletrônicos da viatura, ampliando as capacidades de consciência situacional, apoio à decisão e inteligência logística. O SGP permite ao comandante uma visualização integrada das câmeras do veículo e sistema de armas, acesso essencial a informações e alertas do veículo, controle do sistema de comunicações via rádio e acesso a um Gerenciador de Campo de Batalha, facilitando a tomada de decisões em tempo real no campo de combate.

Esta inovação representa um esforço para modernizar a infantaria mecanizada do Brasil com tecnologia de ponta baseada em padrões abertos e modulares, garantindo interoperabilidade e atualizações futuras, além de fortalecer a autonomia tecnológica nacional. A cooperação efetiva com o 1º Batalhão de Infantaria Mecanizado foi fundamental para incorporar as reais necessidades do usuário final, evidenciando o compromisso das Forças Armadas com a excelência e a evolução contínua dos meios de defesa.

A VBTP-MSR Guarani, produzida no Brasil em parceria com a indústria nacional, é peça-chave na estratégia de mobilidade e proteção da tropa, e com o PROTEUS passa a contar com um sistema que eleva seu potencial operacional para os desafios da guerra na Era da Informação.

25 janeiro, 2025

IAV 2025: Exército Brasileiro busca adquirir MBT e IFV com alto grau de comunalidade


*European Security & Defence, por Pedro Felstead - 24/01/2025

Em seus planos de modernização para adquirir novos carros de combate principais (MBTs) e veículos de combate de infantaria (IFVs), o Exército Brasileiro está buscando obter soluções com alto grau de comunalidade, conforme foi revelado.

Em discurso na conferência internacional de veículos blindados (IAV 2025) da Defence iQ, realizada em Farnborough (Inglaterra) de 21 a 23 de janeiro, o general Hertz Pires do Nascimento, comandante do Comando Militar Sul do Exército Brasileiro, disse em 21 de janeiro que, ao substituir os MBTs Leopard 1 e os veículos blindados de transporte de pessoal (APCs) M113 do Brasil, o exército "está buscando plataformas com o mais alto nível possível de comunalidade".

O general observou que o projeto MBT está programado para começar em 2028 com o objetivo de fornecer ao exército uma frota de tanques “em linha com as tendências atuais na guerra de tanques”, mas que um subprograma “também inclui a implementação de um projeto de veículo de combate de infantaria”.

O Gen Hertz não deu mais detalhes sobre o programa, que poderia, por exemplo, envolver a aquisição de um IFV pesado sobre esteiras com uma variante de apoio de fogo direto, mas acrescentou: “Estamos buscando oportunidades de mercado internacional e potenciais parceiros para cooperar no desenvolvimento desses projetos com o objetivo de construí-los no Brasil”.

Em uma apresentação abrangente, o Gen Hertz também detalhou os atuais esforços de modernização do Exército Brasileiro. Em relação ao desenvolvimento das forças blindadas, ele observou que o Guarani 6×6 APC é o foco principal. Desenvolvido pela Iveco em colaboração com o Exército Brasileiro, o Guarani já está em serviço operacional, com o Gen Hertz observando que mais de 1.300 APCs Guarani serão finalmente entregues em diversas variantes, incluindo uma variante armada com um canhão Elbit de 30 mm operado remotamente, um veículo de posto de comando, veículos de defesa aérea com unidades de disparo e radar, veículos de comunicação e variantes de ambulância, além do APC básico. Uma variante de engenharia blindada, acrescentou o general, está nos estágios finais de avaliação e subsequente produção em série.

Para modernizar seus regimentos de cavalaria mecanizada e substituir seus carros blindados Engesa 6×6 Cascavel armados com canhões de 90 mm, o Exército Brasileiro selecionou o Centauro II armado com um canhão de 120 mm e construído pelo Consórcio Iveco – Oto Melara (CIO), disse o Gen Hertz. Ele acrescentou que o Exército Brasileiro concluiu a avaliação técnica e operacional de dois veículos de amostra e em breve espera assinar um contrato para 98 veículos. Enquanto isso, 98 Cascavel serão atualizados por um consórcio de empresas brasileiras contratadas em 2023 para estender suas vidas úteis, acrescentou o general. Enquanto os canhões de 90 mm dos Cascavel serão mantidos, parte da frota será armada com o míssil anti-tanque brasileiro MAX 1.2 AC (da SIATT) para aumentar seu poder de fogo.

Em relação aos veículos mais leves, o Gen Hertz disse que a introdução dos Iveco LMV-BR 2 4×4s “representa uma mudança significativa nas capacidades das brigadas mecanizadas”, acrescentando que algumas dessas plataformas já estão em serviço e que 420 veículos devem ser entregues até 2033 para substituir os veículos de carroceria macia atualmente em serviço.

Em termos de artilharia, o Gen Hertz observou o sucesso do programa estratégico de lançadores múltiplos de foguetes Astros do Brasil. Enquanto o sistema de artilharia Astros II entrou em serviço com o Exército Brasileiro no início dos anos 1990, o Astros II Mk6, que entrou em serviço em 2014, pode disparar mísseis de cruzeiro AVMT-300 brasileiros com alcance de 300 km.

O general também destacou o programa do Exército Brasileiro para adquirir obuses autopropulsados ​​(SPHs) de 155 mm. Em abril de 2024, foi anunciado que o exército havia selecionado a Elbit Systems de Israel para fornecer 36 de seus SPHs sobre rodas ATMOS, embora um contrato para esses sistemas tenha sido adiado pelo governo brasileiro em vista da conduta de Israel na guerra em Gaza.

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