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19 setembro, 2026

Imagens da visita da FAB à Mac Jee revelam MAR-1 e produção de bombas BGB-82

Registros divulgados pela empresa mostram que a comitiva do COMGAP conheceu o míssil antirradiação, munições aéreas de 500 libras e a estrutura industrial destinada à fabricação em série



*LRCA Defense Consulting - 19/09/2026

O material fotográfico divulgado pela Mac Jee sobre a visita de uma comitiva do Comando-Geral de Apoio da Força Aérea Brasileira (COMGAP) acrescenta informações que não aparecem no texto institucional da empresa. As imagens mostram que os oficiais tiveram contato direto com o míssil antirradiação MAR-1, com bombas BGB-82 de 500 libras e com instalações destinadas à fabricação e ao acabamento de munições aéreas.

A constatação torna o encontro mais significativo. A visita não se limitou à apresentação genérica das capacidades do grupo. Dirigentes responsáveis por material bélico, certificação, manutenção e pesquisa aeroespacial observaram produtos específicos e a estrutura industrial que poderá sustentar sua produção, seu recebimento e seu apoio durante a vida útil.

A Mac Jee divulgou os registros nesta quinta-feira (17), sem informar a data exata em que a visita ocorreu. A comitiva foi liderada pelo tenente-brigadeiro do ar Valter Borges Malta, comandante-geral de Apoio da FAB, e reuniu representantes de organizações que participam de diferentes etapas do ciclo de vida dos meios aeronáuticos e bélicos. 


O MAR-1 integrou a apresentação 

Uma das fotografias mostra claramente um exemplar identificado como MAR-1, ainda com as inscrições do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e da antiga Mectron. Ao fundo, aparece outro componente com a mesma designação. A imagem confirma que o míssil fez parte da agenda apresentada à comitiva.

O MAR-1 foi desenvolvido no Brasil para missões de supressão de defesas aéreas. Seu sistema de guiamento passivo busca as emissões eletromagnéticas de radares adversários, permitindo atacar sensores e sistemas de defesa antiaérea. O projeto teve participação do DCTA e da Mectron e chegou a ser exportado ao Paquistão.

Em novembro de 2025, a Mac Jee anunciou a aquisição da propriedade intelectual exclusiva do MAR-1 e do míssil ar-ar MAA-1B Piranha II. Desde então, a empresa passou a apresentar planos de modernização do MAR-1, incluindo aumento de alcance e aperfeiçoamento de sua capacidade de detectar diferentes faixas de emissão de radares.

A fotografia não comprova que a FAB tenha decidido retomar o programa ou adquirir uma nova versão. Entretanto, elimina uma dúvida importante: o MAR-1 não era apenas uma possibilidade associada ao portfólio da Mac Jee. Ele foi efetivamente mostrado aos dirigentes da Aeronáutica.

Comitiva reúne áreas decisivas para o futuro do míssil
Além do comandante do COMGAP, participaram da visita o major-brigadeiro do ar Luiz Cláudio Macedo Santos, chefe do Estado-Maior do COMGAP; o major-brigadeiro Clauco Fernando Vieira Rossetto, diretor da Diretoria de Material Aeronáutico e Bélico (DIRMAB); o brigadeiro do ar Eduardo Alexandre Bacelar, diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE); e o coronel aviador Gabriel Gaertner, diretor do Parque de Material Bélico da Aeronáutica do Rio de Janeiro (PAMB-RJ).

Também estiveram presentes o coronel engenheiro Nelson Muta Hotta, subdiretor de Material Bélico; o coronel aviador Alisson Henrique Vieira, diretor do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI); e o coronel engenheiro Bruno Giordano de Oliveira Silva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEAv).

A composição da delegação é compatível com uma avaliação ampla. A DIRMAB e a Subdiretoria de Material Bélico atuam na gestão dos meios da FAB. O PAMB-RJ está ligado à manutenção e ao apoio do material bélico. O IFI tem responsabilidades de certificação, validação e garantia da qualidade. IAE e IEAv acrescentam competências relacionadas a foguetes, propulsão, sensores e tecnologias avançadas.

Essas atribuições não autorizam concluir que exista uma encomenda. Mostram, porém, que estavam presentes os órgãos capazes de examinar os principais desafios para recolocar um armamento complexo em condições de desenvolvimento, certificação, produção e sustentação. 



BGB-82 de 500 libras recebeu destaque 
Outro conjunto de imagens registra a apresentação da BGB-82, bomba de emprego geral de 500 libras fabricada pela Mac Jee. Em uma das fotografias, a comitiva aparece reunida ao redor da munição. Em outra, o brigadeiro Malta recebe uma maquete com a inscrição BOMB BGB-82 500 LBS.

A BGB-82 integra a família brasileira de bombas baseada na série internacional MK. A classe de 500 libras corresponde à categoria da MK-82, munição de queda livre amplamente utilizada e que também pode servir de base para a instalação de kits de guiagem.

O material fotográfico mostra ainda bombas de diferentes dimensões na área de exposição da empresa. Uma delas traz inscrição associada à família BGB. Outra aparece identificada como munição penetradora, embora o enquadramento não permita determinar com segurança o modelo apresentado.

A escolha da BGB-82 para a lembrança entregue ao comandante do COMGAP reforça a centralidade desse produto na visita. As bombas aeronáuticas parecem ter sido uma das principais capacidades industriais demonstradas pela empresa. 


Imagens mostram capacidade de produção em série 
A comitiva também percorreu uma ampla área fabril. As fotografias mostram numerosos corpos cilíndricos acondicionados em estruturas metálicas, peças em diferentes etapas de acabamento, equipamentos de movimentação e áreas protegidas para tratamento industrial.

O formato dos componentes e sua proximidade com a apresentação da BGB-82 indicam uma área relacionada à fabricação de corpos de bombas aeronáuticas. Não é possível determinar pelas imagens se as peças estavam carregadas com material explosivo ou se eram corpos inertes ainda em processamento.

Mesmo com essa ressalva, os registros comprovam que a FAB conheceu mais do que maquetes e projetos. A delegação observou uma infraestrutura organizada para produção seriada, armazenamento intermediário, inspeção e acabamento. Esse aspecto interessa diretamente ao COMGAP, à DIRMAB, ao PAMB-RJ e ao IFI, pois a incorporação de um armamento depende da capacidade de fornecimento regular, controle da qualidade, documentação técnica e apoio logístico. 


Possível apresentação do Armadillo 
Uma das fotografias externas mostra a comitiva diante de um veículo da família HMMWV e de uma estrutura verde com superfícies inclinadas e grades de proteção. O conjunto é compatível com o Armadillo, sistema lançador de foguetes de 70 mm desenvolvido pela Mac Jee sobre plataforma 4x4 e equipado com lançador retrátil.

Como o equipamento aparece parcialmente fora do enquadramento e não há identificação visível, não é possível assegurar que se trate do Armadillo. A imagem permite apenas registrar que uma plataforma terrestre da empresa, aparentemente ligada ao sistema, também foi apresentada aos visitantes.

As imagens redirecionam a interpretação da visita 
Antes da análise das fotografias, a composição da comitiva permitia considerar diferentes projetos do grupo, entre eles o acelerador RATO-14X, o MAA-1B e o kit de guiagem DAGGER. O material visual torna o quadro mais preciso.

Não aparecem nas imagens divulgadas identificações inequívocas do RATO-14X, do MAA-1B, do DAGGER ou do drone ANSHAR. Isso não significa que esses programas tenham ficado fora das reuniões. Significa apenas que a própria seleção de fotografias feita pela Mac Jee priorizou o MAR-1, a família de bombas BGB e a infraestrutura industrial.

A presença dos diretores do IAE e do IEAv mantém aberta a possibilidade de que o RATO-14X e outras tecnologias de propulsão tenham sido discutidos. O registro público, contudo, aponta de forma mais direta para armamentos aeronáuticos e para a capacidade de produzi-los em escala.
 

Segunda visita amplia o acompanhamento da FAB 
A nova visita ocorreu pouco mais de dois meses depois de a Mac Jee receber, em 1º de julho, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, acompanhado pelo próprio brigadeiro Malta, pelo diretor-geral do DCTA, tenente-brigadeiro do ar Mauro Bellintani, e pelo vice-diretor do departamento, major-brigadeiro do ar Eric Breviglieri.

A primeira comitiva representava o nível estratégico e científico-tecnológico da FAB. A segunda reuniu órgãos ligados à certificação, ao material bélico, à manutenção e ao apoio logístico. A sequência indica um acompanhamento institucional mais amplo das capacidades da Mac Jee.

Ainda não há anúncio público de contrato, requisitos formais, cronograma de ensaios ou encomenda. As imagens, porém, permitem uma conclusão mais sólida do que a oferecida pelo comunicado: a FAB examinou produtos concretos, entre eles o MAR-1 e a BGB-82, e conheceu a estrutura industrial que poderia sustentar sua fabricação e seu apoio.

O fato não confirma a retomada do míssil antirradiação nem uma nova aquisição de bombas. Mostra que a relação entre a Aeronáutica e a Mac Jee alcançou um nível em que programas, produtos e meios de produção são apresentados diretamente aos responsáveis pelas etapas que transformam tecnologia em capacidade militar operacional.

07 julho, 2026

Visita do comandante da Aeronáutica à Mac Jee reforça elo com o 14-X e outros programas estratégicos

Presença do Alto Comando da FAB nas instalações da empresa de São José dos Campos ocorreu no mesmo dia da inauguração do túnel hipersônico T5, e ganha novo significado após declarações do presidente do conselho da empresa sobre um míssil antiaéreo de médio alcance derivado do MAA-1B e um MAR-1 com alcance estendido



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LRCA Defense Consulting - 07/07/2026

O Grupo Mac Jee recebeu, em 1º de julho de 2026, em suas instalações de São José dos Campos, o tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da Aeronáutica. A comitiva incluiu o tenente-brigadeiro do ar Valter Borges Malta, comandante-geral de Apoio da Força Aérea Brasileira (COMGAP), o tenente-brigadeiro do ar Mauro Bellintani, diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e o major-brigadeiro do ar Eric Breviglieri, vice-diretor do mesmo órgão (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial). Em publicação no LinkedIn, a empresa descreveu a visita como reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo grupo e classificou a presença do Alto Comando como reforço à cooperação entre Forças Armadas, base industrial de defesa e centros de inovação tecnológica do país. Durante o encontro, a Mac Jee apresentou capacidades industriais, projetos estratégicos e investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Dois eventos, uma só data
A escolha do dia não parece casual. Também em 1º de julho, a Força Aérea Brasileira inaugurou, no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), em São José dos Campos, o Túnel de Choque Hipersônico T5, estrutura de 50 metros destinada a ensaios em condições superiores a Mach 5. O equipamento foi concebido para apoiar o Projeto Estratégico PROPHIPER, conduzido pelo IEAv e financiado pelo Comando da Aeronáutica, cujo objetivo é desenvolver o veículo hipersônico 14-X, com propulsão scramjet integrada à fuselagem. A própria Mac Jee é parte interessada nesse programa: a empresa desenvolve o RATO-14X, veículo acelerador que deve colocar o 14-X em condições para futuros ensaios em voo, em colaboração com o IEAv, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A Revisão Preliminar de Projeto do RATO-14X foi concluída nos dias 2 e 3 de junho, poucas semanas antes da visita do Alto Comando. O lançamento do 14-X está previsto para o fim de 2027, no Centro Espacial de Alcântara.

 

Parcerias já em curso com a FAB
A relação entre a Mac Jee e a Força Aérea não se limita ao programa hipersônico. Em novembro de 2025, a empresa adquiriu, da extinta Mectron, em parceria com a FAB, a propriedade intelectual dos mísseis MAR-1, de antirradiação, e MAA-1B, ar-ar de curto alcance, ambos hoje sob gestão da companhia sediada no Vale do Paraíba. Em 12 de junho, a Mac Jee também esteve entre as empresas que assinaram protocolos de intenção com o Comando da Aeronáutica durante o 1º Encontro de Inovação Aeroespacial (INOVAERO), na Base Aérea de Salvador, no âmbito do Parque Industrial Tecnológico Aeroespacial da Bahia (PITA-BA), evento que reuniu o ministro da Defesa e o próprio comandante Damasceno.

Fundada em 2007, com capital cem por cento nacional e fábricas em São José dos Campos e Paraibuna, a Mac Jee reúne hoje as empresas Mac Jee Defesa, Mac Jee Tecnologia e Equipaer. Seu portfólio inclui munições aéreas das séries MK e BLU, o kit de guiagem de precisão Dagger, o sistema lançador de foguetes Armadillo, espoletas eletrônicas HiRel, o drone kamikaze Anshar e linhas de produção de materiais energéticos como TNT, RDX e HMX.

A frente MBDA e o que ela pode significar
A visita ao Alto Comando também ocorre em meio a um movimento mais amplo de aproximação da Mac Jee com fabricantes estrangeiros. Em 29 de maio, a empresa assinou memorando de entendimento com a MBDA, maior grupo europeu de mísseis, formalizando um diálogo iniciado no Paris Air Show de 2023. Entre os eixos de convergência citados pelas próprias empresas estão a propulsão hipersônica, área na qual a MBDA desenvolve o projeto europeu HYDIS (Hypersonic Defence Interceptor System). As competências consolidadas em materiais energéticos e propulsão sólida, exibidas pela Mac Jee na sua trajetória recente, foram apresentadas no AUSA Global Force Symposium 2026, em Huntsville, Alabama.

 

Possíveis novos capítulos
Um eixo que pode ganhar relevância a partir da aproximação com o Alto Comando é o de defesa aérea multicamada e combate a drones. A Mac Jee já mantém memorando com a norte-americana MSI Defense Solutions para integrar o foguete guiado Armadillo, calibre de 70mm, ao sistema EAGLS de combate a aeronaves não tripuladas, tema que dialoga diretamente com as lacunas de defesa antiaérea de curto alcance hoje discutidas no âmbito do Exército Brasileiro. Outra frente em aberto é o Anshar, drone kamikaze de fabricação própria apresentado no Dubai Airshow de 2023, com alcance declarado de até 180 quilômetros e uma hora de autonomia de voo, mas sem contrato público confirmado com a FAB até o momento.

De fornecedora de componentes a desenvolvedora de sistemas completos
A visita do Alto Comando ganha um significado adicional à luz de declarações do próprio presidente do conselho da Mac Jee, Simon Jeannot, em vídeo institucional (abaixo) gravado durante a Eurosatory 2026, feira de defesa terrestre realizada recentemente em Paris. 

Míssil ar-ar de quarta geração MAA-1B com alcance de 40 quilômetros. Ar-ar ou antiaéreo?
Ao apresentar o portfólio da empresa, Jeannot afirmou que o míssil ar-ar de quarta geração desenvolvido com a FAB (referência ao MAA-1B, já testado em nível de maturidade tecnológica TRL 7 e com produção iniciada) está servindo de base para uma nova família de mísseis antiaéreos de médio alcance, equipada com propulsor mais longo e alcance de 40 quilômetros.

O MAA-1B, apelidado Piranha II, é uma evolução do MAA-1A e tem origem no americano AIM-9 Sidewinder, guardando semelhanças conceituais com o israelense Python 4, da Rafael. Originalmente concebido pela extinta Mectron em parceria com a Embraer e o DCTA, é um míssil de curto alcance com guiamento infravermelho de sensor duplo, alta manobrabilidade e resistência a contramedidas como flares, com cerca de 2,8 metros de comprimento e 89 quilos, velocidade próxima de Mach 3,5 e alcance original de até 12 quilômetros, empregado a partir de caças F-5M em testes operacionais. 

É justamente esse perfil de manobrabilidade e guiamento por infravermelho, adequado ao combate contra alvos ágeis a curta distância, que torna o MAA-1B uma base tecnológica plausível para um interceptador de curto a médio alcance, categoria que depende de mísseis capazes de reagir rapidamente a ameaças de baixa altitude, como aeronaves tripuladas, drones e mísseis de cruzeiro. 

Jeannot, porém, não especifica qual seria a plataforma de lançamento dessa nova família: sua fala não menciona uma viatura, um lançador terrestre ou qualquer outro vetor de solo, tampouco descarta a manutenção do lançamento a partir de caças, como no MAA-1B original. Vale registrar, no entanto, que o termo por ele empregado, "mísseis antiaéreos", costuma ser reservado, no vocabulário do setor de defesa, a sistemas de defesa aérea de solo (os chamados SAM, na sigla em inglês), em contraposição a "ar-ar", usado para mísseis lançados por aeronaves contra alvos também aéreos. 

Essa escolha de palavras abre espaço para a hipótese de uma versão de fato destinada a emprego terrestre (SAM), mas, na ausência de confirmação explícita sobre o lançador, também não se pode descartar que se trate simplesmente de uma versão aperfeiçoada do próprio míssil ar-ar, com maior alcance de engajamento contra alvos aéreos.

 

Míssil antirradiação 
MAR-1 com alcance superior a 100 quilômetros
Segundo o dirigente, o MAR-1 também está sendo estendido: partindo de um alcance de referência de 70 quilômetros, citado por ele no vídeo, a empresa desenvolve uma versão com propulsor maior capaz de superar os 100 quilômetros.

O MAR-1 é o primeiro míssil antirradiação concebido no Brasil, também originado no fim dos anos 1990 em parceria entre a Mectron e o DCTA. Trata-se de um míssil ar-terra tático do tipo fire-and-forget ("dispare-e-esqueça"), com guiamento passivo por radar, estrutura de cerca de 4 metros e 266 quilos, ogiva de 90 quilos e materiais que reduzem sua assinatura de radar, empregado a partir de aeronaves como AMX, F-5M e Gripen E/F. Sua função é localizar e atacar radares e sistemas de defesa antiaérea inimigos em missões de supressão de defesas aéreas (SEAD), abrindo corredores de penetração para outras aeronaves de combate; o míssil já foi exportado ao Paquistão, integrado aos caças Mirage ROSE e ao JF-17. 
 
Na versão estendida, Jeannot associou o novo alcance a uma antena de banda larga descrita como capaz de cobrir a maior parte do espectro de frequências utilizado por radares, permitindo ao míssil da Mac Jee, segundo o dirigente, detectar e atacar uma gama mais ampla de sistemas inimigos. Esse tipo de antena de banda larga é o componente central de qualquer míssil antirradiação: é ela quem localiza a emissão do radar alvo e guia o míssil até a fonte, de forma análoga ao papel do buscador (seeker) em outras famílias de mísseis desse tipo, como o norte-americano AGM-88 HARM. Ampliar a cobertura de frequências da antena significa, na prática, tornar o míssil capaz de atacar uma variedade maior de radares e sistemas de defesa aérea adversários, incluindo modelos mais modernos que operam em bandas menos usuais. Jeannot classificou essa tecnologia de antena como exclusiva e rara no mundo, sob controle brasileiro, argumento que a empresa já vinha utilizando para posicionar o MAR-1 como ativo estratégico de soberania nacional.

Linha de mísseis livre de restrições ITAR
Jeannot também enquadrou toda a linha de mísseis da empresa como livre de restrições ITAR, o regime de controle de exportação de defesa dos Estados Unidos, reforçando o discurso de soberania tecnológica que a Mac Jee já vinha associando a outros produtos, como os materiais energéticos fornecidos à Arábia Saudita. 

 
Trajetória de transformação e aposta da FAB na empresa
Tomado em conjunto com a visita de 1º de julho, o anúncio de Jeannot sugere uma trajetória de transformação: de fornecedora de componentes e materiais energéticos, a Mac Jee caminha para se firmar como desenvolvedora de sistemas de mísseis completos, incluindo uma possível frente de defesa antiaérea que, até então, não fazia parte do que a empresa divulgava publicamente sobre o MAA-1B. Até o fechamento desta matéria, porém, nem a Mac Jee havia detalhado prazos, contratos ou nomes oficiais de programa para o míssil antiaéreo, nem a publicação sobre a visita do Alto Comando mencionava desdobramentos concretos além do encontro institucional.

Ainda assim, é difícil minimizar o peso simbólico do gesto. Não é todo dia que uma empresa de capital nacional recebe, ao mesmo tempo, o comandante da Aeronáutica, o comandante-geral de Apoio e toda a cúpula do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial em suas próprias instalações, e justamente no dia em que a FAB inaugurava um túnel hipersônico construído para testar tecnologia da qual a própria Mac Jee é parte interessada. 

No jogo institucional da base industrial de defesa brasileira, esse tipo de visita costuma funcionar como reconhecimento explícito a um parceiro que ganhou peso estratégico, sobretudo para uma empresa que, em poucos meses, deixou de ser apenas fornecedora de componentes e coadjuvante em programas de terceiros para se posicionar como protagonista de uma linha própria de mísseis ar-ar, antirradiação e, possivelmente, antiaéreos.

Se essas movimentações (a aquisição do MAR-1 e do MAA-1B, o avanço do RATO-14X, o memorando com a MBDA e o anúncio de Jeannot na Eurosatory) se confirmarem como trajetória consistente, e não apenas como sequência de anúncios pontuais, a visita de 1º de julho poderá ser lembrada menos como um evento protocolar e mais como o momento em que o Alto Comando da FAB sinalizou publicamente sua aposta na empresa.

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