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14 abril, 2026

Modirum Gespi e Savox Communications assinam MoU para parceria estratégica no setor de defesa e segurança pública do Brasil

Colaboração reforça a posição de liderança da Modirum Gespi no setor de defesa e fortalece a Base Industrial de Defesa do Brasil 

 

*LRCA Defense Consulting - 14/04/2026

A Modirum | Gespi, uma das principais empresas brasileiras de soluções de defesa com foco em tecnologias de missão crítica e IA, e a Savox Communications, empresa finlandesa líder global em comunicações táticas, proteção auditiva e soluções de comunicação para ambientes exigentes, anunciaram a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU). O acordo visa acelerar a introdução de tecnologias avançadas de comunicação no mercado brasileiro, com potencial de fabricação local e registro como Produtos Estratégicos de Defesa (PED).

O anúncio, divulgado por meio da unidade de Sistemas de Comunicação e Energia da Modirum Gespi, reforça o compromisso das duas empresas com o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. A parceria combina o profundo conhecimento de mercado e a presença local da Modirum | Gespi com o portfólio de classe mundial da Savox, reconhecido por forças armadas, polícias e equipes de emergência em mais de 60 países.

Foco da colaboração
A parceria priorizará soluções como:

  • Câmeras corporais (body cameras);
  • Headsets táticos com proteção auditiva;
  • Unidades PTT (Push-To-Talk);
  • Sistemas de intercomunicação Savox IMP;
  • Sistemas de comunicação sem fio para equipes Savox Pack-COM.

Esses equipamentos são projetados para operações em ambientes de alto ruído, estresse e risco, garantindo comunicação clara e confiável em missões críticas de defesa, segurança pública, bombeiros e forças especiais. A Savox, com mais de 40 anos de experiência, já fornece soluções para as Forças de Defesa da Finlândia e diversos programas militares internacionais, incluindo sistemas integrados de comunicação para soldados desmontados e veículos.

A Modirum | Gespi, sediada em São José dos Campos (SP) e com histórico de mais de 50 anos no setor (herdado da Gespi), atua em sistemas de defesa full-spectrum, incluindo soluções baseadas em IA, awareness situacional, veículos blindados, munições e eletrônica de defesa. Recentemente, a empresa expandiu suas capacidades com a aquisição de participação majoritária na Ocellott (abril de 2025), especializada em engenharia eletrônica complexa para defesa e aeroespacial, e integra o grupo Modirum Defence, com presença global em telecomunicações críticas e tecnologias avançadas.

Declarações dos executivos

Henrique Lemos, Vice-Presidente Executivo Comercial de Sistemas de Comunicação e Energia da Modirum Gespi, destacou:
“Essa parceria com a Savox representa um passo importante em nossa estratégia de crescimento no Brasil. Ao combinar nosso profundo conhecimento do mercado local, nossa sólida expertise técnica e nosso relacionamento próximo com os clientes às soluções de classe mundial da Savox, aceleraremos nossa entrada no mercado e entregaremos as capacidades exigidas pelas agências brasileiras de defesa e segurança pública.”

Pauli Soisalo, Vice-Presidente Sênior de Vendas da Savox Communications, complementou:
“O Brasil é um mercado estrategicamente vital para a Savox, e a Modirum Gespi é a parceira ideal para apoiar nosso crescimento. Seu acesso ao mercado, juntamente com outras capacidades essenciais, será fundamental para acelerar nossa estratégia de entrada no mercado brasileiro.”

Contexto estratégico
O acordo ocorre em um momento de forte impulso à Base Industrial de Defesa brasileira. Em março de 2026, o Ministério da Defesa lançou o Catálogo de Produtos da BID, destacando a importância da soberania tecnológica e da redução de dependências externas. A parceria prevê não apenas importação e comercialização, mas também iniciativas de fabricação local, o que alinharia os produtos Savox aos requisitos de PED e beneficiaria a cadeia industrial nacional em termos de empregos qualificados, transferência de tecnologia e competitividade.

A Modirum | Gespi tem se posicionado como uma organização de defesa “full-spectrum”, integrando hardware robusto, software de IA e sistemas turnkey para terra, mar e ar. A colaboração com a Savox reforça essa estratégia ao adicionar comunicação táctica comprovada em missões reais, atendendo às demandas de modernização das Forças Armadas Brasileiras e das forças de segurança pública.

A Savox, por sua vez, ganha um parceiro estratégico com forte rede junto a clientes institucionais no Brasil, facilitando demonstrações, avaliações e implantações iniciais. A empresa finlandesa já demonstrou capacidade de parcerias internacionais, como o recente MoU com a Nokia para soluções de comunicação de defesa.

Perspectivas
Especialistas do setor veem essa aliança como um exemplo positivo de internacionalização da BID: empresas brasileiras com know-how local atuando como porta de entrada para tecnologias maduras e comprovadas, gerando valor tanto para a soberania nacional quanto para a inovação operacional.

O MoU estabelece as bases para uma parceria de longo prazo, com foco inicial em comercialização acelerada e possível evolução para produção local. Detalhes contratuais específicos ainda não foram divulgados, mas as empresas sinalizam que os produtos serão adaptados às necessidades operacionais brasileiras em ambientes de defesa e segurança pública.

A Modirum | Gespi e a Savox Communications não comentaram prazos para os primeiros contratos ou entregas, mas fontes do setor indicam que as soluções devem ser apresentadas em eventos importantes da BID, como a Mostra BID Brasil, prevista para novembro de 2026 em Brasília.

Essa parceria reforça o papel crescente do Brasil como polo de defesa na América Latina e demonstra o interesse de players europeus de alta tecnologia em investir no mercado brasileiro por meio de colaborações estratégicas. 

07 abril, 2026

O "Touro Bravo" digitalizado: como a Agrale Marruá se tornou o coração tecnológico do SISFRON

Viaturas 4x4 de fabricação gaúcha são transformadas em centros de inteligência móveis pela Embraer e pela Modirum | Gespi para vigiar os 16 mil quilômetros da fronteira brasileira



*LRCA Defense Consulting - 07/04/2026

Em meados de 2025, doze jipes militares saíram do Arsenal de Guerra de São Paulo em direção ao Pantanal e à fronteira oeste do Brasil. À primeira vista, pareciam viaturas táticas convencionais. Por dentro, eram outra coisa: centros de comando digitais sobre rodas, equipados com rádios criptografados, sistemas de dados e infraestrutura de comunicações capaz de conectar um soldado na selva ao quartel-general de uma brigada a centenas de quilômetros de distância.

Essas viaturas são a Agrale Marruá, o jipe 4x4 produzido em Caxias do Sul (RS) que, após mais de duas décadas de serviço nas Forças Armadas brasileiras, vive hoje sua mais ambiciosa transformação e está no centro de um dos maiores programas de defesa do país: o SISFRON.


O programa e a fronteira em risco
O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) é um programa estratégico do Exército Brasileiro cujo propósito é fortalecer a presença e a capacidade de monitoramento e de ação do Estado na faixa de fronteira terrestre, potencializando a atuação dos entes governamentais responsáveis pela área. Com fronteiras que tocam dez países e cobrem alguns dos territórios mais remotos e permeáveis do continente, como o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado, o desafio logístico e tecnológico é imenso.

O SISFRON foi concebido não apenas como um "sistema de sensores", mas como uma arquitetura completa de comando, controle, comunicações, computação e inteligência (C4I), integrando radares, sistemas optrônicos, redes de dados e centros de operações militares.

É dentro dessa arquitetura que a Marruá encontrou novo propósito.

O "Touro Bravo" que virou laboratório tecnológico
Produzida desde 2004 pela Agrale em Caxias do Sul, a Marruá foi aprovada pelo Exército Brasileiro em 2005 e hoje é usada por forças armadas de pelo menos sete outros países, incluindo Argentina, Equador, Namíbia, Paraguai, Suriname e Emirados Árabes Unidos, com exportações recentes para Malásia e Uruguai. Seu nome reflete sua vocação: resistência em terrenos extremos.

No âmbito do SISFRON, o Exército recebeu novos Marruás dos modelos AM 23 (¾ tonelada) e AM 31 (1½ tonelada), entregues inicialmente no Arsenal de Guerra de São Paulo, onde receberam equipamentos modernos voltados para comunicações especializadas. A transformação é cirúrgica: o chassi gaúcho permanece; a inteligência embarcada é nova.


A Embraer como integradora: escala e profundidade
A grande responsável pela transformação industrial das Marruás no SISFRON é a Embraer Defesa & Segurança. Como integradora principal do Projeto de Sensoriamento e Apoio à Decisão 2 (SAD 2), a Embraer conta com subcontratadas como a RF COM Ltda, de São José dos Campos, responsável por converter viaturas de transporte não especializadas em Nós de Acesso e Postos de Comando, e a ITURRI Brasil, de Atibaia, encarregada dos Postos Rádio.

Segundo informações institucionais, a Embraer já superou a marca de 50 soluções veiculares entregues ao programa, incluindo viaturas de comunicações, centros móveis, postos de comando e outras plataformas especializadas.

Além das Marruás, a empresa entregou algo mais pesado. Os Centros de Comando e Controle (CC2) fornecidos pela Embraer integram rádios táticos de longo, médio e curto alcance, enlaces de dados, comunicações satelitais e redes IP que permitem voz, dados e vídeo com camadas de segurança compatíveis com os requisitos militares. Esses sistemas são instalados em caminhões 6x6, que funcionam como quartéis-generais digitais móveis posicionados nas regiões mais críticas da fronteira.

Ao todo, 15 unidades de CC2 deverão ser entregues nesta fase, compondo uma malha de centros móveis capazes de apoiar diretamente os comandos na região oeste, área crítica para o combate a crimes transnacionais, contrabando e tráfico de drogas.

A Modirum | Gespi e o nicho de alta tecnologia
Em paralelo à atuação da Embraer em escala industrial, a Modirum | Gespi tem emergido como um ator de nicho na modernização eletrônica de plataformas militares. A empresa adquiriu participação majoritária na Ocellott, uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) brasileira reconhecida por sua excelência em engenharia eletrônica complexa, com o objetivo de consolidar capacidades críticas sob um único teto e acelerar a entrega de sistemas de defesa totalmente integrados.

O portfólio da Modirum | Gespi abrange sistemas de Comando & Controle, comunicações e energia, além de plataformas aéreas autônomas. A empresa promove a integração de inteligência artificial para processamento de imagens e sinais, bem como suporte a VANTs e sistemas autônomos, capacidades que se alinham diretamente à arquitetura C4I do SISFRON.

Recentemente, a empresa divulgou em seu perfil na rede social LinkedIn a entrega de um lote de viaturas Marruá modernizadas ao SISFRON, informação que, embora ainda não confirmada por fontes militares oficiais independentes, aponta para uma participação crescente da empresa no programa.


Complementaridade, não concorrência
A divisão de trabalho entre as duas empresas é menos uma disputa e mais uma complementaridade estrutural. Enquanto a Embraer opera como integradora sistêmica  responsável pela rede, pelo volume de viaturas e pela entrega de centros de comando de grande porte, a Modirum | Gespi se posiciona em modernizações de alta especificidade tecnológica, como a inserção de camadas de IA e eletrônica avançada em plataformas específicas.

Juntas, as soluções embarcadas permitem que uma única viatura atenda às demandas de comunicações táticas, estratégicas ou logísticas, conforme o contexto da missão, otimizando recursos, aumentando a mobilidade das tropas e garantindo maior eficiência operacional, especialmente em regiões desafiadoras como o Pantanal e as áreas de fronteira oeste.

O horizonte
O SISFRON continua em expansão. A Fase 2 do programa amplia a experiência da Fase 1, centrada no Mato Grosso do Sul, para novos setores da fronteira, com a entrega de dezenas de viaturas táticas de comunicações e múltiplos centros de comando. O programa integra o Novo PAC do governo federal, no eixo Inovação e Indústria da Defesa, o que garante continuidade de investimentos.

Para o "Touro Bravo" de Caxias do Sul, o futuro é digital. Cada novo lote entregue representa não apenas mais um veículo nas fronteiras, mas um nó a mais em uma rede de vigilância que o Brasil vem construindo, tijolo a tijolo ou, neste caso, viatura a viatura.

01 abril, 2026

Brasil lança lancha blindada de alta performance para proteger o litoral nacional

Desenvolvida pela Modirum | Gespi, a Aruanã 29FT une tecnologia nacional, velocidade e poder de fogo para missões dos Fuzileiros Navais 


*LRCA Defense Consulting - 01/04/2026

A soberania marítima do Brasil ganhou um novo e poderoso aliado. A Aruanã 29FT, lancha blindada de alta performance desenvolvida pela empresa brasileira Modirum | Gespi, foi recentemente destaque em reportagem televisiva ao ser apresentada em operação com os Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, força de elite responsável pela proteção do extenso litoral nacional e por missões estratégicas em todo o território.

Com peso superior a 7 toneladas, a embarcação foi projetada para integrar o conceito de Embarcações de Desembarque Litorâneo (EDLIT) e é fruto de um projeto desenvolvido pelo próprio Corpo de Fuzileiros Navais, com construção baseada na experiência da Modirum | Gespi e com desenvolvimento inteiramente nacional.

Velocidade, proteção e poder de fogo
A lancha é capaz de atingir até 43 nós, o equivalente a aproximadamente 80 km/h, uma marca expressiva para uma embarcação com o peso e a proteção que carrega. O desempenho, no entanto, não compromete a segurança: a blindagem do casco é projetada para resistir a tiros de munição supersônica, como projéteis de fuzil calibre 7,62 mm.

Em termos de armamento, a configuração inclui uma metralhadora de longo alcance calibre .50 e duas metralhadoras calibre 7,62 mm, com capacidade de disparo de até mil tiros por minuto, dotação que a coloca entre as lanchas militares mais bem armadas em operação no país.

Tecnologia embarcada de ponta
A consciência situacional é outro ponto forte da plataforma. O sistema de comando e controle inclui comunicação VHF fixa, antena GPS com sensor de rumo integrada à rede NMEA 2000, tela multifunção para navegação e monitoramento de sensores, AIS e carta de navegação eletrônica. Em configurações avançadas, a lancha pode operar com três rádios militares, dois VHF e um HF, permitindo comunicação além da linha de visada e compatibilidade com rádios da família E-LYNX.

O sistema conta ainda com câmeras integradas de alta definição e imagem termal, que identificam pessoas e outras embarcações mesmo em condições de baixa visibilidade, como perseguições noturnas ou em ambientes com névoa e fumaça.

DNA brasileiro, testado em campo
A história da Aruanã com a Marinha do Brasil é longa e consolidada pela operação real. Como parte do projeto de substituição das Embarcações de Transporte de Tropa por Lanchas de Combate com maior capacidade operacional, o 1º Batalhão de Operações Ribeirinhas recebeu um protótipo da embarcação para testes e avaliação por mais de um ano, período que resultou em 39 sugestões de alterações para incrementar o poder de combate, a segurança da tripulação e a capacidade logística.

A Aruanã se tornou a única lancha produzida no Brasil comprovadamente capaz de atender a todos os requisitos para operação na região amazônica, incluindo a capacidade de ser embarcada em todos os navios da Marinha do Brasil, requisito essencial para missões naquela região, além de contar com casco de alumínio reforçado com resina UHRR, que aumenta sua resistência e durabilidade.

Missão: proteger o Brasil nas águas
O emprego da Aruanã 29FT está inserido em ações de Segurança Marítima voltadas ao enfrentamento de ameaças de baixa intensidade, incluindo pesca ilegal, crimes ambientais, migração irregular, tráfico de drogas e tráfico de pessoas. A versatilidade da plataforma, porém, vai além: ela pode ser configurada e customizada conforme a necessidade de aplicação, seja para resgate, patrulha ou interceptação.

A família Aruanã já opera em múltiplas frentes de segurança pública e defesa nacional. Outros modelos da linha já foram adquiridos pela Polícia Federal, pela Marinha do Brasil e pelas Secretarias de Segurança Pública do Amazonas e do Pará. Na versão 29FT–TT, entregue à Polícia Federal, três motores de 300 HP permitem atingir até 54 nós (100 km/h), com autonomia superior a 6 horas e capacidade para oito tripulantes.

A empresa por trás da lancha
A Modirum | Gespi é uma empresa 100% brasileira com raízes de meio século na indústria de Defesa e Segurança. Fundada em 1974 e certificada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a companhia desenvolveu ao longo das décadas parcerias tecnológicas internacionais, incluindo com a israelense Rafael Advanced Defense Systems e a alemã Dynamite Nobel Defence, que viabilizaram transferências de tecnologia para projetos estratégicos nacionais.

Com a Aruanã 29FT em operação nos mares brasileiros, a empresa reafirma que a indústria nacional de defesa é capaz de entregar soluções de classe mundial e que a soberania do Brasil pode ser guardada por tecnologia feita em solo brasileiro. 

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