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08 dezembro, 2025

Guerra de mísseis: SIATT rebate acusações da Avibras em disputa judicial sobre Sistema ASTROS


*LRCA Defense Consulting - 08/12/2025

A SIATT – Engenharia, Indústria e Comércio S/A protocolou nesta segunda-feira uma resposta contundente à notificação judicial apresentada pela Avibras, refutando integralmente as acusações de uso indevido de propriedade intelectual e solicitando o imediato arquivamento do procedimento. A disputa judicial envolve a integração do míssil antinavio MANSUP ao sistema de lançamento ASTROS e pode afetar projetos estratégicos da Marinha do Brasil.

Contexto da disputa
O conflito teve início no final de outubro, quando a Avibras Indústria Aeroespacial S/A, empresa em processo de recuperação judicial, ajuizou notificação contra a SIATT, ligada ao grupo EDGE dos Emirados Árabes Unidos, alegando indícios de uso indevido de propriedade intelectual relacionada ao sistema ASTROS.

A controvérsia gira em torno do recebimento pela SIATT de uma viatura ASTROS 2020 do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), destinada à modernização para integrar sistemas de lançamento do míssil MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície). A Avibras acusou a concorrente de se apresentar como detentora de capacidade técnica para modificação do sistema ASTROS, além de alegar quebra de termos de confidencialidade e contratação de ex-funcionários.

A defesa da SIATT: "manobra oportunista"
Na resposta protocolada, a SIATT não economizou nas palavras. Logo no início da manifestação, a empresa classificou a medida da Avibras como uma tentativa de instrumentalizar o Judiciário para fazer acusações graves contra uma concorrente, caracterizando a iniciativa como manobra oportunista de uma empresa aparentemente desesperada para superar sua crise financeira.

A SIATT esclareceu que jamais interveio na tecnologia do sistema ASTROS propriamente dito. Segundo a resposta judicial, o que a empresa fez foi integrar o míssil MANSUP ao sistema através de um mecanismo desenvolvido pela própria SIATT, uma tecnologia de natureza "stand-alone".

"A SIATT basicamente faz uma conversão momentânea da plataforma lançadora para acomodar o suporte do míssil MANSUP, que leva algumas poucas horas e pode ser revertida a qualquer momento, sem qualquer interferência nos sistemas preexistentes", explica o documento.

Reconhecimento institucional
A empresa destacou que a Marinha do Brasil reconhece formalmente a SIATT como a única empresa nacional que detém capacidade completa para a integração do míssil, por possuir conhecimento sobre as interfaces mecânicas, eletrônicas e sistêmicas do MANSUP.

Esse reconhecimento fundamentou a Declaração de Exclusividade concedida pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), que concluiu que a SIATT possui capacidade técnica para adaptar plataformas para o lançamento do MANSUP, incluindo, mas não se limitando ao sistema ASTROS.

Questão de compatibilidade, não apropriação
A SIATT reafirmou que nunca se apresentou como titular, detentora ou parceira autorizada do sistema ASTROS. As menções ao sistema foram apenas indicações de compatibilidade, prática comum na indústria de defesa, similar ao que ocorre com outros sistemas multipropósito mundialmente.

Quanto à acusação de apropriação indevida de informações, a resposta protocolada afirma que a Avibras não apresentou prova alguma, tampouco indicou quais seriam os alegados segredos industriais violados.

Dano reputacional
Paradoxalmente, a SIATT argumenta que o único prejuízo reputacional concreto identificado no episódio recaiu sobre ela própria. A empresa apontou que a Avibras divulgou nota à imprensa no mesmo dia da notificação, gerando diversas notícias negativas que abalaram a reputação da SIATT no mercado.

Contexto estratégico
O projeto em disputa é de alta relevância estratégica. A integração do MANSUP ao sistema ASTROS permite que o míssil antinavio seja disparado a partir de plataformas terrestres, além de navios, aumentando significativamente a capacidade de defesa costeira do Brasil. 

A prova de conceito foi realizada em dezembro de 2024, e o Corpo de Fuzileiros Navais entregou a primeira viatura ASTROS demonstradora à SIATT no final de outubro. O projeto visa fortalecer a defesa litorânea brasileira com baterias missilísticas de forma inédita, utilizando a modularidade do sistema.

Situação delicada da Avibras
A Avibras, tradicional empresa brasileira de defesa com mais de 60 anos de história, atravessa momento difícil. Em recuperação judicial desde 2020, a empresa enfrenta dificuldades financeiras após não conseguir entregar mísseis e viaturas planejadas ao Exército Brasileiro devido a cortes orçamentários e à pandemia de COVID-19.

Recentemente, a empresa teve aprovado um plano alternativo de recuperação judicial e busca retomar sua capacidade produtiva com apoio da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados.

Implicações para a defesa nacional
O desfecho desta disputa pode ter impactos significativos para a Base Industrial de Defesa Brasileira. De um lado, há a necessidade de proteger direitos de propriedade intelectual de empresas nacionais tradicionais. De outro, existe a urgência de avançar em projetos estratégicos de defesa costeira que fortaleçam a soberania nacional.

Especialistas apontam que a disputa exemplifica tensões típicas do setor de defesa, onde a necessidade de inovação e integração de sistemas muitas vezes colide com questões de propriedade intelectual e contratos comerciais.

Próximos passos
A SIATT manifestou confiança de que a avaliação dos fatos levará ao reconhecimento da improcedência das acusações. A empresa reafirmou seu compromisso com integridade, ética e respeito às normas legais, destacando sua determinação em continuar avançando em suas atividades tecnológicas em prol da defesa e soberania nacional.

O caso agora aguarda análise judicial, enquanto o projeto estratégico de integração do MANSUP ao sistema ASTROS permanece em desenvolvimento pelos Fuzileiros Navais, com a primeira viatura já em processo de modernização.

A disputa levanta questões fundamentais sobre inovação, propriedade intelectual e cooperação na indústria de defesa brasileira, em um momento em que o País busca fortalecer sua autonomia tecnológica e capacidade de defesa costeira.

30 maio, 2024

Míssil Anti-carro é testado com sucesso no Centro de Avaliações do Exército


*LRCA Defense Consulting - 30/05/2024

O Centro de Avaliações do Exército (CAEx), localizado em Guaratiba (RJ), realizou, em 22 de maio do corrente, o teste de lançamento para avaliação técnica do Míssil Superfície-Superfície 1.2 Anti-carro (MSS 1.2 AC). O teste verificou a segurança no emprego do material e o cumprimento dos requisitos técnicos projetados, além de ratificar os quesitos de segurança e eficácia. Na ocasião, o míssil foi lançado contra um alvo com blindagem e, para averiguar o êxito do teste, foi utilizado um conjunto de câmeras e drones que registraram sua trajetografia.

O teste foi executado por engenheiros e técnicos, militares e civis, cuja atividade foi conduzida pelo Chefe do CAEx, General de Brigada João Paulo Zago.


O Míssil MSS 1.2 Anti-carro é equipado com sistema de visão noturna infravermelho que permite seu emprego em condições de pouca visibilidade. Seu peso também favorece a utilização por tropas aeroterrestres e aeromóveis. Essas características conferem versatilidade ao armamento, que pode ser empregado em operações militares contra diversos tipos de ameaças, como veículos blindados, construções fortificadas, depósitos de combustível e munição, embarcações e até contra helicópteros pairando à baixa altura.

A evolução do Míssil MSS 1.2 Anti-carro até a sua versão atual é resultado do projeto elaborado pela Seção de Mísseis e Foguetes do Centro Tecnológico do Exército em parceria com a empresa SIATT Engenharia, Indústria e Comércio.

O desenvolvimento do Míssil MSS 1.2 Anti-carro pelo Exército Brasileiro insere-se no escopo da Ciência, Tecnologia e da Inovação e coopera com o desenvolvimento nacional. Entre os principais benefícios sociais do projeto, estão a geração de empregos e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, além da projeção internacional do Brasil pela geração de novas capacidades militares.

Sistema de Armas MSS 1.2 AC
O MSS 1.2 AC é um míssil superfície-superfície anti-carro de médio alcance, desenvolvido segundo requisitos do Exército Brasileiro. O sistema é constituído pela Munição (míssil em seu container lançador) e pela Unidade de Tiro. Emprega guiamento do tipo “beam-rider”, no qual o operador é responsável por realizar o apontamento óptico em direção ao alvo. Durante o voo do míssil, a Unidade de Tiro emite um feixe laser invisível codificado, harmonizado com a mira óptica, que provê a referência de guiamento para o míssil.

O sistema tem capacidade de perfurar blindagens com até 500 milímetros de espessura em chapa de aço padrão OTAN. O Míssil MSS 1.2 AC neutraliza ameaças a até 4000 metros, sendo empregado principalmente contra veículos blindados.

Além disso, pode, secundariamente, ser utilizado contra outros alvos compensadores, como: concentração de veículos, construções fortificadas, depósitos de combustível e ou de munição, barcos fluviais e helicópteros pairando à baixa altura.


Fonte: Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro
 

20 agosto, 2023

O desenvolvimento da nova geração de drones brasileiros agora tem um parceiro: o Grupo EDGE dos Emirados Árabes Unidos


*Defense Arabia, por Patrícia Marins - 19/08/2023

A mais recente iteração dos drones TUPAN estreou na IDEX2023. Esta tecnologia de ponta resulta de um esforço colaborativo entre as empresas Turbomachine e SIATT, que estabeleceram parcerias com o grupo EDGE.

A família de drones TUPAN abrange capacidades de decolagem e aterrissagem verticais de alta velocidade (HSVTOL), mesclando propulsão elétrica com diminutos motores de turbina movidos a Jet-A. Essa fusão inovadora deu origem a uma linha de drones compactos, mas de alto desempenho, com velocidade notável, capacidade de carga útil e redundância.

Entre eles, destaca-se o modelo RC 300, capaz de transportar uma carga útil de 2,5 kg a velocidades que chegam a 150 km/h. Enquanto isso, as variantes maiores – Tupan-1000, 2000 e 3000 – devem suportar cargas de até 600 kg, voar a velocidades de 850 km/h e percorrer distâncias de até 1.200 km. Ao adotar um novo motor turbofan, o TUPAN pode atingir velocidades de até 1.000 km/h. Notavelmente, a versão militar TUPAN 3000 exibe potencial para transportar munições inteligentes e outros armamentos.

Esses drones HSVTOL, tipificados pelo TUPAN, abrigam perigos inerentes devido aos seus atributos únicos que os tornam indescritíveis e excepcionalmente manobráveis. Sistemas de radar militares comuns geralmente requerem um limite mínimo de velocidade de aproximadamente 15m/s para detecção. Em contraste direto, esses drones podem manipular o posicionamento do motor, permitindo que eles iludam esses radares. Em meros momentos, eles podem fazer a transição para o modo de ataque, acelerando de 500 a 1.000 km/h.

Considerando seus fundamentos tecnológicos avançados e potencial para operações secretas, a disseminação global desses drones, desenvolvidos em conjunto pela SIATT e EDGE, parece altamente plausível.

Os últimos tempos testemunharam uma cooperação significativa entre as indústrias de armas brasileiras e árabes emergentes. Essa aliança promete introduzir mudanças substanciais no cenário do comércio global de armas, por meio das quais importadores tradicionais evoluem para exportadores.

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Sobre a Tupan Aircraft Company
*LRCA Defense Consulting

A Tupan tem sede no Brasil, mas também está sediada em Dubai/EAU. Com o objetivo de desenvolver, fabricar e comercializar os DRONES HSVTOL (High Speed, Vertical and Short Take Off and Landing) multimissão da TUPAN, pilotados de forma autônoma ou remota.

A empresa conta com uma experiente equipe de engenheiros formados pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) no DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) com passagens anteriores pela Embraer e Avibras, todas renomadas Instituições Brasileiras com histórico consolidado.

A proposta deste projeto é uma mudança de paradigma no transporte de cargas em todo o mundo. Hoje em dia, esse serviço é fornecido por caminhões (entregas demoradas), trens e navios (baratos, mas lentos) ou aviões (rápidos, mas caros). O TUPAN, um novo serviço autônomo de carga aérea, fornecerá transporte aéreo rápido e acessível.

A história da TUPAN começa em 2007 com a Turbomachine Co., fundada pelo Engenheiro Alberto Carlos Pereira Filho. Nessa época, sua equipe foi desafiada pela Petrobras a desenvolver a primeira turbina a gás brasileira nas instalações do CTA/ITA. Era um turbogerador estacionário de 50 kW levando ao co-desenvolvimento de um motor turbo de 1 MW. Em 2009 a Avibras solicitou o desenvolvimento do motor turbojato TJ1000 para acionar o míssil MTC300 para o exército brasileiro.

Desde 2016 a empresa trabalha com clientes estrangeiros, prestando serviços na área de propulsão. A empresa está desenvolvendo um motor turbofan de 1.200 kgf de empuxo misto, tecnologia estratégica inédita no país, com o desenvolvimento de hélices com alta relação empuxo/peso. M.Sc. Alberto Pereira fundou a TUPAN, com o objetivo de vencer o tremendo desafio aeronáutico de dotar uma aeronave VTOL de um voo de cruzeiro eficiente, onde os motores são devidamente concebidos para o efeito, sendo o grande diferencial que pode cumprir os requisitos de voo.

Saiba mais:
- Turbomachine e Siatt projetam o primeiro drone brasileiro de decolagem vertical

20 julho, 2023

Marrocos, a nova potência militar do Magreb, pode ser uma oportunidade ímpar para a Indústria de Defesa brasileira

Rabat está modernizando rapidamente seu exército, aproximando-se cada vez mais dos padrões ocidentais e equiparando-se às capacidades argelinas

*LRCA Defense Consulting - 20/07/2023

Esta editoria publicou ontem a matéria Marrocos conta com o Brasil na indústria militar, onde uma publicação marroquina cita a Taurus Armas e divulga que o Marrocos quer fabricar submarinos tipo "Riachuelo", o avião Embraer Super Tucano, mísseis brasileiros antinavio guiados por radar, a aeronave multimissão Embraer C390 Millennium e o lançador de mísseis brasileiro Astros.

Como diversos internautas colocaram em dúvida a capacidade do Marrocos para concretizar tais intenções, a LRCA Defense Consulting resgatou um relatório de junho de 2022, que mostra a pujante capacidade militar desse país, especialmente do Exército e da Força Aérea, e seus planos de se equiparar à vizinha e rival Argélia em potencial militar.

Embora o Brasil esteja bem melhor ranqueado pelo Global Firepower, é interessante verificar a quantidade e a qualidade do armamento pesado marroquino, especialmente no que diz respeito à caças, tanques, artilharia antiaérea de alta altitude e lançadores de mísseis e foguetes.

Vale ressaltar também que, de maneira similar à Índia e à Arábia Saudita, as forças armadas marroquinas têm uma verdadeira "salada de frutas" no que diz respeito ao armamento leve, especialmente em fuzis, o que pode se constituir em uma excelente oportunidade para a Taurus Armas.

Em síntese, quer parecer que o Acordo de Cooperação em Defesa recentemente assinado com o Marrocos, bem como a manifesta intenção desse país em dispor de armamentos brasileiros, é uma oportunidade ímpar para a Indústria de Defesa nacional, concluindo-se também que as pretensões marroquinas podem ser muito mais concretas do que sugere uma simples avaliação superficial.

Marrocos: a nova potência militar do Magreb

*Atalayar - 23/06/2022

2021 foi um ano agitado para os planejadores militares marroquinos. A lista de compras das Forças Armadas Reais Marroquinas (FAR) incluía 1.000 lançadores e mísseis anti-tanque, tanques de batalha T-72M e munição para seus novíssimos drones turcos Bayraktar TB2, de acordo com o Registro de Armas Convencionais das Nações Unidas.

Estas novas aquisições complementam os esforços de Rabat para modernizar sua FAR, a fim de enfrentar a tempestade geopolítica no norte da África e enfrentar seu grande rival regional no Magrebe: a Argélia. Para isso, o reino Alawi vem aumentando seus gastos militares, adquirindo equipamentos cada vez mais modernos e potencializando exercícios militares com parceiros como os Estados Unidos.

Um exército cada vez mais moderno
Rabat é, junto com Argel e Cairo, o maior comprador de armas da África, e é considerado o quinto melhor exército do continente e o segundo melhor do Magreb. Aqui, Rabat contou com vários parceiros, mas principalmente os EUA e a França, aproximando-se cada vez mais dos padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).

A este respeito, Marrocos recebeu a designação dos EUA de 'Major Non-NATO Ally', que Washington concede a países fora da Aliança Atlântica com os quais mantém uma relação de segurança mais estreita, e é um dos três únicos países do continente a fazê-lo (junto com a Tunísia e o Egito).

Além disso, a normalização das relações com Israel em 2020, além do reconhecimento americano da soberania marroquina sobre o Saara Ocidental e o estreitamento das relações com Washington, também abriu as portas do Reino à poderosa indústria militar israelense, além de aproximar as relações com os Emirados Árabes Unidos, país às vezes chamado de 'pequena Esparta' devido ao seu forte potencial militar. Desta forma, Rabat tem vindo a adquirir nos últimos anos equipamentos modernos que visam tornar o Reino uma potência militar em vários domínios .

Em 2008, a força aérea das FAR deu um grande salto com a aquisição de mais de vinte caças-bombardeiros F-16C/D Block 52+ dos EUA , recebidos em 2011, que entretanto foram modernizados e já foram utilizados em combate no contexto da intervenção militar saudita no Iémen e da coligação internacional contra o Daesh na Síria e no Iraque. Além disso, em 2019, o Reino confirmou a compra de mais 25 F-16 Viper Block 70/72 – modelo mais recente desta série – e, em 2021, Washington teria aprovado a venda ao país árabe do poderoso sistema antiaéreo MIM-104F (PAC-3) Patriot.

Quanto ao exército, Rabat também comprou 222 tanques M1A1 Abrams em 2012 e espera-se que receba outros 162 tanques M1A2 Abrams em um futuro próximo. Este tanque americano é considerado um dos mais avançados do mundo, e foi utilizado com sucesso por Washington nas duas guerras do Golfo, em condições desérticas, as mesmas que se encontram em grande parte da fronteira argelino-marroquina e no Sahara Ocidental, potenciais teatros de conflito para Rabat.

O Reino também obteve ou obterá em breve outros armamentos dos EUA, como helicópteros de ataque AH-64 Apache e drones navais MQ-9B Sea Guardian (este último vendido no contexto dos Acordos de Abraham). Recentemente, Rabat também adquiriu drones suicidas franco-israelenses Harfand, e o famoso turco Bayraktar TB2, este último sendo a chave para a vitória do Azerbaijão na Guerra de Nagorno-Karabakh de 2020 e agora usado pela Ucrânia em sua defesa contra as tropas russas. O reino também receberá em breve 36 canhões franceses CAESAR de 155 mm, um sistema de artilharia com alcance de 40 quilômetros.

Paralelamente, Rabat aposta na modernização das suas forças navais, passando de uma frota de 'águas verdes' (focada na defesa costeira) para uma frota de 'águas azuis' (com capacidades de projeção), com o objetivo de consolidar o país norte-africano como um dos principais players navais do Mediterrâneo Ocidental.

Instalação de indústrias militares
O rei Mohammed VI, em discurso às FAR no 66º aniversário da sua criação, insistiu no objetivo de rearmar o país, reforçar e modernizar as forças armadas através do desenvolvimento da indústria militar local e da colaboração com os seus parceiros. “Continuaremos a dar prioridade ao plano de equipar e desenvolver as Forças Armadas Reais, segundo programas integrados, assentes nomeadamente na instalação de indústrias militares e no desenvolvimento da investigação científica [...]

“Temos defendido o reforço da cooperação entre as nossas Forças Armadas Reais e as suas homólogas em países irmãos e amigos, escolha que tem dado resultados louváveis ​​e contribuído para consolidar a influência do nosso exército e a sua presença internacional”, acrescentou o dirigente marroquino, referindo-se ao reforço de Rabat na base da colaboração com os seus parceiros.

De referir aqui os exercícios militares do Leão Africano, realizados todos os anos no reino Alawi com a participação de vários países, nomeadamente dos EUA, o que permite a Marrocos continuar a modernizar as suas forças armadas à imagem dos exércitos ocidentais. Na última edição, que terminou a 30 de junho, cerca de 7.500 militares do Reino e vários parceiros participaram nos maiores exercícios do continente, que incluíram manobras conjuntas terrestres, aéreas e marítimas. Num sinal da proximidade das relações entre Washington e Rabat, estas manobras decorreram pela segunda vez na sua história perto do Sahara Ocidental, e a 50 quilómetros dos campos de refugiados de Tindouf (na Argélia), sede da Frente Polisario. 

Paraquedistas marroquinos armados com resistentes mas obsoletos fuzis Kalashnikov

Cada vez mais perto da Argélia
Com esta rápida modernização, Rabat pretende aproximar-se das capacidades do seu rival argelino, tradicionalmente considerado a principal potência militar do Magrebe. As relações bilaterais entre os dois países têm sido difíceis desde a independência, quando travaram um breve conflito conhecido como Guerra das Areias. Desde então, Rabat e Argel disputam a preponderância regional, sendo o Sahara Ocidental um dos focos das suas relações bilaterais, estando a fronteira encerrada desde 1994.

Embora ambos tenham tentado no passado facilitar os laços bilaterais, nos últimos meses a relação deteriorou-se rapidamente, depois de a Argélia cortar o fornecimento de gás ao reino Alawi e romper relações diplomáticas, no contexto do rompimento do cessar-fogo com a Frente Polisário no Sahara Ocidental e da receção de apoios de vários países, como EUA, Espanha, Emirados Árabes Unidos e Israel, à proposta de autonomia de Rabat.

Em termos de potencial militar, o Marrocos subiu para o 56º lugar no ranking Global Firepower, índice que mede o poderio militar de 142 dos exércitos do mundo. A Argélia, por sua vez, ocupa a 31ª posição. Rabat se beneficiou dos armamentos e da cooperação ocidentais, mas Argel se beneficiou de Moscou, que tem uma relação de segurança profunda e histórica com a potência eurasiana, o seu principal fornecedor de armas. E a República Árabe também está se rearmando rapidamente, dando origem a uma crescente corrida armamentista no Magrebe.

Se o Marrocos agora tem os poderosos F-16, a Argélia tem os Sukhoi Su-30 (e a Argélia teria comprado os Sukhoi Su-34), o marroquino Abrams enfrenta o argelino T-90S e o sistema antiaéreo Patriot está sendo combatido pelo S-400 Triumf.

Sistema israelense de foguetes de lançamento múltiplo PULS MLRS em serviço com as forças armadas do Marrocos

Além disso, Argel tem uma vantagem no domínio marítimo, onde, por exemplo, tem até seis submarinos mobilizados, contra nenhum de Marrocos (embora haja rumores de que o reino Alawi planeia adquirir tais embarcações em breve), e, em termos quantitativos, tem, em geral, mais equipamentos mobilizados do que o seu vizinho.

Qualitativamente, no entanto, Rabat tem visto uma melhoria significativa em muitos domínios, estreitando a distância entre os dois países ano a ano. Ao mesmo tempo, a situação diplomática do Reino melhorou significativamente desde os Acordos de Abraham, e o fortalecimento do relacionamento com os EUA pode impulsionar ainda mais o avanço das FAR para os padrões ocidentais, modernizando o exército do Reino, enquanto um potencial enfraquecimento da Rússia após a invasão da Ucrânia pode funcionar contra a Argélia.

Segundo um relatório da Fundação Mediterrânica de Estudos Estratégicos, um think tank francês, as forças armadas marroquinas já estão bem preparadas para a defesa territorial e contra-ofensiva, na chave da Argélia, e, quando receberem todo o armamento que está a ser enviado, “terão fortes capacidades nos domínios naval e aéreo, nomeadamente no que diz respeito a ataques profundos, projeção de força e negação de acesso”.

Nos próximos anos, enquanto Rabat continua a fortalecer seus laços com Washington e Tel Aviv e a Argélia continua a prejudicar o relacionamento, as FAR continuarão a se desenvolver e se modernizar, tornando o Marrocos uma potência militar no Mediterrâneo Ocidental .
 

30 março, 2022

Exército testa o Sistema Míssil Superfície-Superfície 1.2 Anti-carro (MSS 1.2 AC)


*LRCA Defense Consulting - 30/03/2022

O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) apoiou, em 24 de março, o disparo do Sistema Míssil Superfície-Superfície 1.2 Anti-carro (MSS 1.2 AC), executado pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx).

O equipamento é composto pela munição (míssil e tubo lançador) acoplada a uma unidade de tiro para mira e disparo, que compõem um conjunto leve, de fácil transporte e de rápida entrada ou saída de posição. Os parâmetros intrínsecos do sistema no terreno foram testados com base nos requisitos do Exército Brasileiro.

O MSS 1.2 AC, desenvolvido pela SIATT Engenharia segundo diretrizes técnicas do Exército Brasileiro, é um míssil superfície-superfície anti-carro de médio alcance, guiado a laser, para uso por tropas em solo ou em viatura. Ele provê maior portabilidade, flexibilidade e precisão no combate contra veículos blindados, por intermédio da implementação de alta tecnologia pela base industrial de defesa e segurança, em conjunto com o Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército. 

O sistema é constituído pela Munição (míssil em seu container lançador) e pela Unidade de Tiro. Emprega guiamento do tipo “beam-rider”, no qual o operador é responsável por realizar o apontamento óptico em direção ao alvo. Durante o voo do míssil, a Unidade de Tiro emite um feixe laser invisível codificado, harmonizado com a mira óptica, que provê a referência de guiamento para o míssil.


Além da portabilidade e precisão, este sistema dificulta a utilização de contramedidas, uma vez que o receptor laser está voltado para trás, não há ação que possa ser feita pelo alvo para interferir no guiamento do míssil.

O Sistema MSS 1.2 engloba ainda um Simulador de Tiro, com alto grau de representatividade de ambientes reais, para adestramento de atiradores sem a necessidade de emprego de mísseis reais, e um Equipamento de Teste para medidas e alinhamento das Unidades de Tiro do sistema.

Participaram do evento o Chefe do CTEx, General de Brigada Armando Morado Ferreira, o Chefe do CAEx, General de Brigada Alexandre Martins Castilho, engenheiros e técnicos da empresa SIATT Engenharia, responsável pela fabricação do sistema desenvolvido pelo CTEx,  militares da Marinha do Brasil, e militares do CTEx e da Seção de Testes da Divisão de Avaliação de Material do CAEx. 


 


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