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06 abril, 2026

Brasil e Turquia: a aliança industrial de defesa que está redesenhando o mapa geopolítico do Sul Global

Da ratificação legislativa aos contratos concretos, a parceria bilateral entre Brasília e Ancara avança a passos largos e pode transformar a indústria de defesa dos dois países por décadas, com implicações diretas na Embraer, Akaer, SIATT e Taurus 

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 06/04/2026

Havia quatro anos que o documento aguardava. Assinado simultaneamente em Ancara e Brasília em 25 de março de 2022, o Acordo de Cooperação na Indústria de Defesa entre Brasil e Turquia percorreu um longo caminho burocrático antes de ganhar força de lei. O Senado Federal brasileiro aprovou o projeto (PDL 262/2024) em setembro de 2025. Agora, nos primeiros dias de abril de 2026, o acordo cruzou o último obstáculo: a Comissão de Relações Exteriores da Grande Assembleia Nacional da Turquia (TBMM) aprovou o texto por unanimidade, encaminhando-o ao plenário para votação final.

O vice-ministro das Relações Exteriores turco, Mehmet Kemal Bozay, foi além do protocolo diplomático durante a sessão. Segundo a transcrição oficial da comissão, ele afirmou que a parceria já "ultrapassou o estágio de intenções", citando projetos em andamento com a Embraer, a Akaer Engenharia e programas conjuntos de drones como o ANKA e o AKSUNGUR. Em outras palavras: mesmo antes da ratificação formal, o acordo já havia gerado realidade industrial.

Embraer e TUSAŞ: quando o jato comercial aponta para o cargueiro e o caça
O símbolo mais visível da cooperação foi selado em abril de 2025, durante a LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro. A Turkish Aerospace (TUSAŞ) e a Embraer assinaram um Memorando de Entendimento para explorar a colaboração industrial, incluindo a potencial produção dos jatos comerciais E2 da Embraer, especificamente o E190-E2 e o E195-E2, na Turquia. O vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin acompanhou pessoalmente a cerimônia de assinatura.

Mas analistas do setor rapidamente perceberam que o acordo vai muito além de jatos regionais. O Ministro da Defesa do Brasil, José Mucio, disse à Reuters que a Embraer está negociando a venda da aeronave de transporte militar KC-390 para a Turquia, Polônia e Finlândia. O KC-390, que compete diretamente com o lendário C-130 Hercules da Lockheed Martin, já foi selecionado por oito países europeus, a maioria deles membros da OTAN, entre 2019 e 2025, somando cerca de 29 aeronaves encomendadas ou planejadas.

Há ainda uma terceira camada, mais ambiciosa: especialistas cogitam a possível participação brasileira no desenvolvimento do caça de 5ª geração KAAN, projeto estratégico da TUSAŞ. O primeiro protótipo do KAAN está previsto para voar entre maio e junho de 2026, com outros dois protótipos em construção. Nenhuma das empresas confirmou oficialmente esse desdobramento, mas a lógica industrial da parceria aponta nessa direção.

O motor que fez história: Kale e SIATT
Um dos marcos mais concretos da cooperação bilateral aconteceu de forma quase silenciosa, mas com enorme peso estratégico. Durante a LAAD 2025, a empresa Kale Jet Engines confirmou o contrato de exportação inaugural do motor turbojato KTJ-3200 para atender a demanda da brasileira SIATT e seu míssil antinavio MANSUP-ER. Foi a primeira exportação desse motor fora da Turquia.

O significado é duplo. Para a Turquia, representa a consolidação de sua indústria de propulsão no mercado internacional. Para o Brasil, resolve um gargalo crítico: o CEO da SIATT, Rogério Salvador, afirmou durante a LAAD 2025 que a indústria brasileira de turbinas não teria disponível e "pronto para uso" o motor pretendido pela empresa.

O MANSUP-ER, graças ao uso do motor turbojato, terá um alcance superior a 200 km, um salto significativo em relação aos 70 km do MANSUP original, que usa propulsão a foguete. O míssil é um projeto conjunto Brasil-Emirados Árabes Unidos e já foi adquirido pelas marinhas dos dois países. A SIATT já iniciou a integração do KTJ-3200 no MANSUP-ER, com múltiplos motores a serem entregues para testes de voo.


Akaer: a engenharia brasileira no coração dos programas turcos
Menos conhecida do grande público, a empresa paulista Akaer Engenharia, sediada em São José dos Campos, representa um caso raro de integração profunda em programas estratégicos estrangeiros. Desde 2023, a empresa participa do programa HÜRJET, o treinador avançado e avião de combate leve em desenvolvimento pela TUSAŞ, sendo responsável pelo projeto estrutural, cálculos e instalação de sistemas da fuselagem traseira e empenagens.

A parceria é a demonstração prática de que o Brasil não é apenas um comprador de tecnologia turca, mas também um fornecedor de competências de alto nível. A relação foi incrementada ainda mais em 2025, com um MoU entre a Akaer e a Aselsan, empresa turca líder em eletrônica de defesa, para o desenvolvimento conjunto de soluções na área.


 

Taurus mira a Turquia e um mercado de US$ 74 bilhões
A movimentação mais recente, e também a de maior repercussão no mercado financeiro, envolve a Taurus Armas. Em 2 de abril de 2026, a empresa apresentou uma proposta não vinculante para adquirir o controle acionário da Mertsav Savunma Sistemleri, companhia turca especializada no desenvolvimento e na fabricação de sistemas de armas de médio calibre.

A lógica estratégica por trás da operação é direta. A Mertsav possui três unidades de produção em Istambul e na Área Industrial de Defesa de Kırıkkale, além de um portfólio que inclui metralhadoras leves nos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, metralhadoras pesadas calibre .50 BMG e outros armamentos. Trata-se exatamente do segmento de produtos que a Taurus precisa incorporar para ampliar sua atuação no mercado militar e, inclusive, atender compromissos já assumidos com o Corpo de Fuzileiros Navais brasileiro.

Ao adquirir a Mertsav, a Taurus encurtaria em vários anos o desenvolvimento dessa linha de armamentos e daria um salto de capacidade no segmento militar. Como esta Consultoria já observou anteriormente, a operação teria um significado inédito: seria a primeira vez que uma empresa brasileira absorveria tecnologia estrangeira de ponta no campo das armas coletivas com o objetivo explícito de nacionalizar sua produção e, posteriormente, exportá-la.

Mais do que uma aquisição corporativa, a operação representaria uma mudança de identidade para a Taurus. A empresa deixaria de ser apenas a maior vendedora mundial de armas leves para se transformar em um fabricante completo de sistemas militares, com produtos que abrangeriam desde o calibre .22 LR até o .50 BMG.

Para a própria Mertsav, a transação também mudaria radicalmente sua posição no mercado. Deixaria de ser uma empresa turca pouco conhecida internacionalmente para se tornar a fornecedora da tecnologia que equipará duas Forças Armadas brasileiras. Isso porque, por meio de uma licitação internacional vencida pela Taurus, a empresa fornecerá 300 metralhadoras pesadas calibre .50 ao Exército Brasileiro.

Se a aquisição for concluída, a Taurus passará a contar com unidades produtivas no Brasil, nos Estados Unidos, na Índia e na Turquia, tornando-se uma das poucas fabricantes de armamentos do hemisfério sul com presença efetivamente global.

A geopolítica por trás dos contratos
O que está sendo construído entre Brasília e Ancara não é apenas uma série de acordos comerciais. É uma reconfiguração estratégica que responde a um momento de fragmentação global.

A cooperação Brasil-Turquia reflete o esforço brasileiro de diversificar suas parcerias internacionais, reduzindo dependências históricas e buscando inovação em setores estratégicos da defesa. Do lado turco, a lógica é simétrica: a indústria de defesa do país busca ampliar mercados além da OTAN, e o Brasil, com cerca de US$ 25 bilhões gastos anualmente em defesa, representa um cliente estratégico de primeira ordem.

A Turquia foi bem-sucedida na fabricação de drones e se tornou um exportador influente, com papel importante em conflitos como o de Nagorno-Karabakh, projetando sua indústria de defesa para o cenário mundial. O Brasil, por sua vez, já aparece entre os novos atores que ganharam espaço no mercado europeu de defesa, ao lado de Coreia do Sul e Turquia, segundo relatório da Fondation pour la Recherche Stratégique.

A complementaridade é quase perfeita: a Turquia lidera em drones, motores a jato e caças leves; o Brasil se destaca em aeronaves de transporte, jatos regionais e engenharia aeroespacial. O acordo de 2022, ao proteger propriedade intelectual e permitir transferência de tecnologia, cria o arcabouço legal para explorar exatamente essa sinergia.

O que vem a seguir
Com a ratificação turca iminente no plenário da TBMM, espera-se uma aceleração dos projetos em curso. Fontes diplomáticas indicam novas rodadas de negociação e visitas técnicas ainda em 2026. O primeiro voo do MANSUP-ER está previsto para meados deste ano. A Taurus aguarda conclusão da due diligence com a Mertsav. E a TUSAŞ promete pelo menos duas novidades relevantes na feira SAHA 2026.

A parceria que começou como um protocolo de intenções assinado em 2022 tornou-se, em quatro anos, um eixo concreto da política industrial de defesa de dois países que querem ser protagonistas, e não coadjuvantes. na ordem global que se redesenha.

10 dezembro, 2025

Marinhas do Brasil e da Índia firmam acordo histórico para manutenção de submarinos Scorpène

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 10/12/2025

Em um marco para a cooperação naval Sul-Sul, a Marinha do Brasil (MB) assinou ontem, 9 de dezembro, um Memorando de Entendimento (MoU) tripartite com a Marinha da Índia e o estaleiro estatal indiano Mazagon Dock Shipbuilders Limited (MDL). O acordo foca na troca de informações sobre manutenção de submarinos da classe Scorpène e outras embarcações, visando aprimorar o suporte ao ciclo de vida dessas plataformas estratégicas.​

A cerimônia ocorreu durante a visita oficial do Almirante Dinesh K. Tripathi, Chefe do Estado-Maior da Marinha indiana (CNS), ao Brasil, entre 9 e 12 de dezembro. Tripathi reuniu-se com autoridades brasileiras, incluindo o Ministro da Defesa José Múcio Monteiro Filho, o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas Almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire e o Comandante da MB Almirante Marcos Sampaio Olsen. Os signatários foram o Almirante Tripathi, o Almirante Olsen e o Capitão Jagmohan, presidente da MDL.​

Pilar estratégico da parceria bilateral
O MoU alinha-se aos cinco pilares da cooperação Índia-Brasil para a próxima década, com defesa e segurança em destaque, conforme acordos da visita do Primeiro-Ministro Narendra Modi ao Brasil e reuniões como a de outubro de 2025 entre o Ministro Rajnath Singh e o Vice-Presidente Geraldo Alckmin. Inclui compartilhamento de práticas de manutenção, logística, treinamento e inovação em reparos, além de avanços em P&D, serviços hidrográficos e conscientização marítima no Atlântico Sul e Oceano Índico.​

Tanto o Brasil quanto a Índia operam submarinos Scorpène – o Brasil em seu programa PROSUB e a Índia no Projeto 75 pela MDL –, o que potencializa sinergias operacionais e interoperabilidade em exercícios conjuntos, cibersegurança e compartilhamento de dados classificados.​

Impactos para a defesa regional
Essa iniciativa fortalece a prontidão naval de ambas as nações e abre portas para colaborações futuras, como uma possível visita de Estado do Presidente brasileiro à Índia em 2026. Analistas veem o acordo como um contrapeso estratégico em regiões de crescente tensão marítima, promovendo autonomia tecnológica sem dependência de fornecedores tradicionais.

28 outubro, 2025

Gripen E: como o Brasil "furou a fila" e se tornou pioneiro na operação do caça, antes mesmo da Suécia


*LRCA Defense Consulting - 28/10/2025

Em um movimento que surpreendeu muitos observadores da aviação militar global, a Força Aérea Brasileira (FAB) consolidou-se como a operadora mais experiente do caça sueco de última geração Saab JAS 39 Gripen E, superando até mesmo a própria Força Aérea desse país (SwAF). Enquanto a Suécia celebrava a recepção de suas primeiras unidades operacionais neste mês, os céus brasileiros já ecoavam o rugido dos motores do Gripen há anos, acumulando milhares de horas de voo e experiência vital.

No último dia 20 de outubro, a base aérea de Såtenäs, lar da Skaraborg Wing (F 7), testemunhou a cerimônia de entrega formal dos primeiros caças JAS 39 Gripen E à SwAF. Este evento marca o início de uma ambiciosa modernização que prevê a incorporação de 60 aeronaves até 2027. Para os entusiastas suecos, um marco de orgulho nacional.

Contudo, a 12.000 km de distância, pilotos da FAB já eram veteranos no cockpit do mesmo vetor. Em Anápolis, os esquadrões brasileiros já acumulavam mais de 2.000 horas de voo no Gripen E, uma demonstração clara da prioridade e do sucesso da parceria entre Brasil e Suécia.

A pergunta inevitável: por que o Brasil chegou primeiro?
A resposta para essa curiosidade dos hangares de Anápolis e das redes de spotters brasileiros reside no contrato de 2014, um divisor de águas para a aviação de caça no país. Em 24 de outubro daquele ano, o então ministro da Defesa assinou em Brasília o maior contrato de caças da história brasileira: 36 Gripen E/F por US$ 5,4 bilhões. Mais do que uma simples compra, o acordo incluía a transferência total de tecnologia, a criação de uma linha de montagem em Gavião Peixoto (SP) e um empréstimo sueco com condições favoráveis.

"O Brasil não foi apenas cliente. Foi parceiro de desenvolvimento", resume o brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, ex-comandante do Programa Gripen no Comando da Aeronáutica. "Financiamos parte da evolução do E, ganhamos prioridade na linha de produção e ainda montamos 15 caças aqui."

Uma cronologia que fala por si:

● 10 de setembro de 2019: entrega formal do FAB 4100, o primeiro Gripen E do mundo, em Linköping, Suécia. O Brasil foi o primeiro a receber.

● 24 de setembro de 2020: primeiro voo do F-39E no Brasil, em Gavião Peixoto.

● Dezembro de 2021: o primeiro esquadrão operacional com quatro aeronaves é estabelecido em Anápolis.

● Setembro de 2024: o décimo Gripen E é entregue à FAB, consolidando sua frota.

● 20 de outubro de 2025: primeiro Gripen E operacional é entregue à Força Aérea Sueca.

Por que a Suécia permitiu essa "ultrapassagem"?
A aparente "lentidão" sueca teve razões estratégicas e técnicas:

● Testes rigorosos para padrões suecos: a Flygvapnet (Força Aérea Sueca) impôs requisitos de certificação NATO pós-adesão (prevista para 2024), além da integração com seu complexo sistema de defesa dispersa (Bas 90) e testes exaustivos em clima ártico. Essas exigências adicionais naturalmente atrasaram a entrega operacional em cerca de dois anos.

● Validação em situação real, o Brasil como "laboratório vivo": a Saab, fabricante do Gripen, inteligentemente utilizou o Brasil como um ambiente de testes dinâmico. O FAB 4100, protótipo operacional, foi o primeiro a:

  • disparar o míssil Meteor em voo real (2022), um marco para a capacidade ar-ar do Gripen;
  • testar o radar AESA Raven ES-05 em ambiente tropical, crucial para a performance em regiões   de alta umidade e calor;
  • voar em formação com aeronaves distintas da FAB, como o F-5M e o A-29 Super Tucano, avaliando a interoperabilidade.

Produção em duas linhas
Enquanto a Suécia priorizava a fase de protótipos de teste para seus próprios requisitos específicos, a Saab direcionou esforços para a linha de produção brasileira, visando cumprir os prazos contratuais firmados com a FAB. O resultado foi a presença de oito Gripen E em Anápolis antes mesmo de o primeiro Gripen sueco levantar voo em Såtenäs.

Próximos passos da operação Gripen
O futuro promete mais marcos importantes para ambos os países:

● Novembro de 2025: o primeiro Gripen montado 100% no Brasil deverá sair da linha de produção da Embraer em Gavião Peixoto, um testemunho da capacitação tecnológica nacional.

● 2026: a frota brasileira de 36 caças Gripen E/F estará completa, garantindo a espinha dorsal da defesa aérea por décadas.

● 2027: a Suécia concluirá a entrega de suas 60 unidades, alcançando sua capacidade operacional plena.

Assim, o Brasil não apenas adquiriu o Gripen E; ele o coproduziu e o testou extensivamente, contribuindo significativamente para sua maturidade operacional. A entrega sueca em 20 de outubro de 2025 foi um marco simbólico para Estocolmo. Para Brasília, foi a confirmação de que, no céu de Anápolis, o Gripen já é uma realidade sólida e vitoriosa. 

O caça que nasceu na Suécia agora fala português fluente e voa mais alto do que nunca sob as asas da FAB.


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A Força Aérea Sueca recebeu formalmente o primeiro caça JAS 39 Gripen E em uma cerimônia no dia 20 de outubro de 2025, na base aérea de Såtenäs (Skaraborg Wing, F 7). Essa entrega marca o início da modernização da frota sueca, com um total de 60 aeronaves planejadas até 2027.  


Suécia recebe seu primeiro Gripen E: quais ganhos operacionais para a Força Aérea Sueca?

*Meta-defense, por Fabrice Wolf - 27/10/2025

A Suécia atingiu um marco importante com a entrega do primeiro JAS 39 Gripen E às forças armadas. Conforme anunciado oficialmente por FMV – Forsvarets materialverk, a aeronave foi transferida para a Flygvapnet. Isso designa a Força Aérea Sueca, que atualmente opera as versões C e D do Gripen. Essa transição para a iteração E confirma a modernização desejada pelo comprador estatal e pelo fabricante da aeronave. O anúncio abre a fase de integração do esquadrão, com os primeiros procedimentos de apropriação e validações associadas. Faz parte de uma trajetória de implantação gradual, que converterá a frota operacional para o novo padrão no ritmo definido pela agência FMV Sweden.

Para mensurar o impacto operacional, essa transferência deve primeiro ser enquadrada na lógica de ramp-up. A transferência inicia uma sequência de treinamento, testes em ambiente nacional e ajustes para suporte. A Força Aérea Sueca valida os procedimentos e, em seguida, expande gradualmente o emprego nas unidades da linha de frente. A agência estatal coordena essas etapas com o fabricante para garantir a disponibilidade e o fluxo de entrega. Essa combinação de operações e qualificação acelera a transição do Gripen C para o D. Também otimiza recursos, pois cada aeronave entregue fornece feedback útil para a próxima entrada em serviço.

Em termos de sensores, a iteração E traz um ganho decisivo para detecção e identificação. De acordo com a Saab – Gripen EA aeronave possui o radar de varredura eletrônica ativa ES-05 Raven, conhecido como AESA. No alcance do Saab Gripen, ele combina esse radar com o sistema de Busca e Rastreamento por Infravermelho, ou IRST Skyward G. A fusão de dados cruza essas fontes e, em seguida, apresenta um quadro tático consolidado ao piloto. O conjunto de guerra eletrônica MFS-EWS detecta e bloqueia ameaças, o que aumenta a capacidade de sobrevivência em ambientes contestados. Essa combinação de sensores e guerra eletrônica multiplica as opções de combate, inclusive na presença de emissões inimigas intensas. 

Para propulsão, a aeronave é equipada com o motor GE F414G, que melhora o empuxo e a reserva de energia. De acordo com o fabricante, esse motor atinge aproximadamente noventa e oito quilonewtons em pós-combustão e suporta manobras sustentadas. A iteração E também carrega mais combustível interno, com um aumento de aproximadamente quarenta por cento em comparação com as versões C e D. Essa reserva aumenta a autonomia, o que amplia o alcance sem depender sistematicamente de reabastecimento. Ela fornece uma margem útil para o transporte de armas pesadas, preservando o desempenho. Esse torque motor-combustível permite perfis mais ambiciosos, com transições rápidas entre interceptação, apoio e vigilância aérea prolongada. 

CEO da SAAB cercado por líderes da Flygvapnet e da FMV durante a entrega do primeiro Gripen E para a Força Aérea Sueca

Em termos de armamento, o Gripen E pode transportar uma carga útil de mais de cinco toneladas, distribuídas em dez pontos fixos. O fabricante menciona a integração do míssil ar-ar de longo alcance Meteor, capaz de atingir alvos além do alcance visual (BVR). A aeronave também utiliza mísseis de curto alcance IRIS-T, adequados para combate visual. Pode transportar munições guiadas ar-solo, o que consolida seu perfil versátil para interdição e apoio. Essa flexibilidade transforma o planejamento, pois um único voo pode combinar defesa aérea e ataques de precisão. Ela fortalece a dissuasão, que se baseia em opções confiáveis ​​diante das mudanças nas trajetórias inimigas. 

Em termos de capacidade de sobrevivência, o conjunto de guerra eletrônica MFS-EWS implementa sensores de alerta, contramedidas e modos de interferência. A aeronave explora esses efeitos para reduzir a exposição e, em seguida, quebrar o bloqueio dos radares e mísseis inimigos. Essa abordagem permite aproximar-se de uma área defendida ou contorná-la, dependendo da missão. Ela complementa o desempenho cinético, que nem sempre é suficiente contra ameaças modernas. A capacidade de operar com emissões controladas também oferece discrição de rádio. Combina-se com a fusão de sensores para ajudar a tripulação a escolher o momento certo para detectar, engajar ou desengajar. 

Ao mesmo tempo, a aeronave foi projetada para guerra em rede e interoperabilidade com parceiros. O fabricante enfatiza links de dados seguros, que compartilham alvos e posições continuamente. Essa arquitetura agiliza a cooperação com aliados, inclusive dentro da estrutura escandinava da OTAN. A Força Aérea Sueca pode, assim, inserir Gripen E em sistemas combinados e, em seguida, reunir esforços de vigilância. Esse rápido fluxo de informações encurta os ciclos de tomada de decisão, aumentando a eficácia dos recursos mobilizados. Otimiza o uso de sensores e munições, já que cada patrulha se beneficia dos olhos e armas da força expandida. 

Por fim, os ganhos práticos serão alcançados por meio da adoção do esquadrão, com uma transição controlada de C para D. O feedback inicial será incorporado à documentação e, em seguida, consolidará as ações de manutenção e planejamento de missão. O aumento da capacidade combinará treinamento, disponibilidade e integração de novas capacidades para alinhar doutrina e ferramentas. Essa sequência determinará a obtenção da capacidade operacional inicial e, em seguida, a expansão para um uso mais amplo. Isso dará ao comando maior margem para distribuir funções entre os esquadrões. Também reforçará a ambição da Suécia de ter uma ferramenta confiável para enfrentar ambientes contestados no norte da Europa. 

Conclusão
Em última análise, a entrega do primeiro Gripen E confirma o início de uma nova fase para a Flygvapnet. A adição de sensores, guerra eletrônica e propulsão expande as opções disponíveis para as aeronaves de combate suecas. O componente multifuncional, com Meteor e IRIS-T, oferece suporte à defesa aérea e ao ataque de precisão. A integração da rede melhora a interoperabilidade, o que se aplica à cooperação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e parceiros nórdicos. Os próximos passos envolverão a conversão de unidades, seguida pela validação da capacidade operacional inicial, ou COI. Isso levará à capacidade operacional final, ou COF, após a consolidação de todos os padrões e volumes.

 

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