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02 junho, 2026

Com drones armados, Taurus protagoniza simpósio do Exército e impressiona alto escalão

Em demonstração histórica no QGEx, empresa realizou tiros reais com fuzil e lançador de granadas embarcados no TAS, além de lançamento de granada de morteiro

Taurus TAS com lança-granadas de 40mm de repetição

*LRCA Defense Consulting - 02/06/2026

A Taurus Armas foi a grande protagonista do 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre 2026 (SSNTFT), realizado entre 25 e 27 de maio de 2026 nas dependências do Quartel-General do Exército (QGEx), em Brasília. No último dia do evento, dedicado às demonstrações práticas no Estande de Tiro General Darcy Lázaro, a empresa realizou uma sequência de apresentações que exibiu ao Alto Comando do Exército capacidades táticas inéditas no Brasil: um drone armado, de fabricação nacional, realizando tiros reais de fuzil e de lançador de granadas, além do lançamento de uma granada de morteiro de 120 mm.

O evento foi supervisionado pelo general de exército Hertz Pires do Nascimento, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), instância responsável por orientar a incorporação de tecnologias emergentes pela Força Terrestre. A presença do comandante do Exército, general de exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e do Alto Comando conferiu ao simpósio um peso institucional que ultrapassa o de uma simples mostra tecnológica: trata-se de etapa do processo decisório sobre aquisição e desenvolvimento de sistemas não tripulados pelas Forças Armadas brasileiras.

O SSNTFT reuniu ao todo mais de uma dezena de empresas da Base Industrial de Defesa. Entre as participantes: Ares, PlasmaHub, Modirum Gespi, AeroID, XMobots, RADeCO, Condor Tecnologias Não Letais, Advanced Technologies Security & Defense (ADTech), BR Vant e Ambipar Robotics, além da própria Taurus, que se destacou pela abrangência e pelo êxito das demonstrações realizadas.

O pano de fundo: um país sem defesa e um ministro em desabafo
Horas antes das demonstrações, na manhã do dia 27, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, reuniu-se com cerca de 30 executivos da BID no B Hotel, no setor hoteleiro norte de Brasília, num evento fechado à imprensa. O diagnóstico que apresentou foi contundente: "A defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa. Eu digo que a sociedade precisa saber. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos."

Múcio relatou os resultados da Operação Atlas, o maior exercício militar realizado pelas Forças Armadas em 2025, concebido como ensaio para a defesa do território no Norte diante da ameaça venezuelana ao Essequibo. A constatação foi alarmante: a Marinha demoraria 20 dias para chegar ao Norte; os blindados do Exército, baseados no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, levariam 55 dias. "Se houvesse um conflito real, quando nós chegássemos lá, o povo já estaria instalado", disse o ministro.

Parte dos executivos presentes ao desabafo de Múcio seguiria, após o almoço, para o Estande de Tiro General Darcy Lázaro, onde todo o Alto Comando do Exército chegou por volta das 15 horas para assistir à demonstração de drones e robôs. O argumento econômico estava no ar: uma munição vagante custa US$ 3,5 mil; um carro de combate moderno como o Leopard 2A8 sai por US$ 34 milhões. A assimetria de custo, somada às lições da Ucrânia e do Oriente Médio, tornava o SSNTFT mais do que um evento técnico.

 Vídeo com a demonstração do Taurus TAS e com as palavras do Gen Ex Hertz e Gen Ex Tomás

O TAS em ação: três configurações, três demonstrações reais
O sistema demonstrado pela Taurus foi o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero de emprego tático apresentado inicialmente na LAAD Defence & Security 2025, no Rio de Janeiro. No simpósio do QGEx, o TAS foi exibido em três configurações distintas, todas com resultado positivo. A apresentação organizada pelo DCT durou uma hora.

Na primeira configuração, o drone operou armado com o fuzil T4, em calibre 5,56 mm, arma também de fabricação Taurus. O TAS executou disparos em modo semiautomático (tiro a tiro) e em rajada, comprovando o funcionamento do sistema de controle de fogo integrado à plataforma. A estabilidade durante os disparos e a precisão observada geraram reação imediata entre os militares presentes.

Na segunda configuração, o TAS foi integrado a um lançador de granadas de repetição de 40 mm da fabricante turca Mertsav Savunma Sistemleri, empresa cujas negociações de aquisição pela Taurus estão em curso. O lançamento de granadas reais a partir do drone, com impacto confirmado no solo, representou um marco nas demonstrações do evento. A sinergia entre a plataforma aérea e o lançador referenda, na prática, a lógica que orienta a estratégia de expansão da Taurus no segmento de armas coletivas.

Na terceira demonstração, o TAS foi equipado com uma granada de morteiro de 120 mm em versão inerte, lançada por gravidade. Ainda que sem carga explosiva real, a demonstração evidenciou a capacidade da plataforma de transportar e empregar munições de maior porte, uma perspectiva relevante para o conceito de apoio de fogo embarcado em plataformas não tripuladas.

Taurus TAS com fuzil Taurus T4 5,56mm. Acima, pronto para abrir fogo; abaixo, atingindo os alvos com precisão


Taurus TAS com granada de morteiro 120mm

Repercussão e impacto estratégico
A reação do Alto Comando às demonstrações da Taurus foi notavelmente positiva. O desempenho do TAS nas três modalidades, especialmente os tiros reais com o T4 e com o lançador de granadas, provocou reações de genuína surpresa e interesse entre os generais presentes. O evento sinalizou que uma empresa brasileira alcançou, por esforço próprio, um patamar tecnológico até então restrito a poucas indústrias de defesa no mundo.

O simpósio tinha como objetivo declarado nivelar o conhecimento estratégico do Alto Comando sobre sistemas não tripulados e subsidiar decisões de aquisição e desenvolvimento. Nesse contexto, a demonstração da Taurus se inseriu como a referência mais concreta de capacidade disponível na BID nacional, com potencial de encurtar o caminho entre a necessidade operacional identificada pelas Forças Armadas e a contratação efetiva.

Ao percorrer os estandes das empresas participantes, o general Tomás Paiva reforçou o comprometimento institucional do Exército com o desenvolvimento tecnológico nacional. Em declaração pública, o comandante avaliou positivamente o desempenho da BID: "Fiquei satisfeito com o que vi, principalmente em ver a base industrial de defesa correndo atrás e com soluções interessantes e muito diferentes. A progressão foi muito rápida." Paiva afirmou ainda que o Brasil tem hoje "percepção de ameaça na América do Sul", emprestando sentido estratégico imediato ao investimento em sistemas como o TAS.

Além das demonstrações de voo, o estande da Taurus exibiu duas outras plataformas. A mais chamativa foi o mockup de um drone VTOL (Vertical Take-Off and Landing) de configuração aerodinâmica agressiva, plataforma distinta do TAS, projetada para atuar como munição vagante (loitering munition), capaz de operar sozinha ou em enxame. A segunda plataforma, de menor porte e estrutura aberta no estilo FPV, é dedicada à interceptação de drones adversários (C-UAS).

A composição do estande, com um drone de ataque armado (TAS), uma munição vagante VTOL e um interceptador C-UAS, indica que a Taurus está estruturando uma linha completa de sistemas aéreos não tripulados para fins militares, complementar ao seu portfólio tradicional de armas. Tudo indica que a empresa avança na construção de uma nova divisão voltada à robótica, tanto em plataformas aéreas quanto terrestres, com foco no mercado de defesa.

Em primeiro plano, drone interceptador (C-UAS), seguido de drone VTOL (laranja) para munição vagante e enxame; ambos ainda em mockup.

O crime organizado como catalisador da urgência
O SSNTFT ocorreu num contexto interno que confere urgência adicional ao tema. Investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro revelaram que o Comando Vermelho passou a utilizar drones agrícolas de grande porte para transportar armas e drogas entre comunidades. As aeronaves têm capacidade para transportar até 80 quilos (equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15) e autonomia de até 12 quilômetros sem pouso. Segundo as investigações, integrantes da facção teriam sido enviados à guerra na Ucrânia para adquirir treinamento específico no uso de drones de grande porte.

Em outubro de 2025, durante a Operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão, drones menores foram usados pelos traficantes para monitorar movimentações policiais em tempo real. Como resposta, em maio de 2026, o Governo do Rio formalizou pedido ao Ministério da Justiça para a compra de fuzis antidrone e a Polícia Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT), estrutura dedicada ao uso institucional de drones em operações policiais, investigações e ações de inteligência em todo o estado.

O quadro expõe uma assimetria preocupante: o crime organizado brasileiro já operava drones com doutrina importada de conflitos internacionais, enquanto as forças de segurança corriam para estruturar sua resposta. O SSNTFT e as capacidades demonstradas pela Taurus inserem-se precisamente nessa janela de urgência: não apenas como modernização das Forças Armadas, mas como necessidade de segurança pública com implicações imediatas.

 

A convergência entre armamento e robótica
A Política de Transformação da Força Terrestre (Força 40), formalizada em abril de 2026, estabelece os sistemas não tripulados como vetor central de modernização do Exército Brasileiro, com ênfase em inteligência, vigilância, reconhecimento e fogos embarcados em plataformas autônomas. O simpósio do QGEx foi, em essência, o primeiro passo estruturado para que o Alto Comando avalie quais empresas e sistemas estão aptos a atender essa demanda, num horizonte que se estende até 2039.

O general Tomás Paiva detalhou o plano de aquisição: drones das categorias 0, 1 e 2 serão alocados prioritariamente ao Batalhão de Precursores, à Brigada Aeromóvel e à 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada. As munições vagantes ficarão com as tropas especiais. Para os drones das categorias 3 e 4, de maior alcance e autonomia, serão criados dois batalhões especializados, um em Taubaté (SP) e outro no Rio de Janeiro (RJ). Os drones que exigem tecnologia ainda não disponível na BID nacional serão buscados no exterior via mecanismo governo a governo (G2G), com perspectiva de incorporação por empresas brasileiras.

As diretrizes para aquisição devem ser preparadas a partir de junho de 2026, quando uma nova reunião do Alto Comando está prevista. A Taurus reúne condições únicas para se posicionar nesse processo: com o TAS operacional em tiros reais, o portfólio de armas em expansão e a aquisição da Mertsav em andamento (empresa turca com expertise em lançadores de granadas e fuzis integráveis a drones), a empresa oferece uma proposta integrada de plataforma, armamento e munição sob o mesmo guarda-chuva industrial.

O horizonte, porém, não é isento de turbulência. No dia 29 de maio, dois dias após o SSNTFT, o governo federal contingenciou R$ 4,4 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa. O corte chega num momento em que o Exército reconhece publicamente suas deficiências, planeja aquisições urgentes e enfrenta ameaças crescentes no entorno estratégico. Resta aos militares fazer planos e torcer para que o inimigo não chegue antes do dinheiro necessário para a transformação da Força sair do papel.
 

TAURUS NO SSNTFT 2026 — DADOS PRINCIPAIS

Evento

1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre 2026 (SSNTFT)

Data

25 a 27 de maio de 2026 (demonstrações práticas: dia 27)

Local

QGEx / Estande de Tiro Gen Darcy Lázaro — Brasília (DF)

Empresa

Taurus Armas S.A.

Sistema central

TAS (Tactical Air Soldier) — quadricóptero armado

Armamentos testados

Fuzil T4 5,56 mm (tiro a tiro e rajada); lançador de granadas de repetição Mertsav 40 mm (tiro real); granada de morteiro inerte 120 mm (lançamento por gravidade)

Outros itens expostos

Mockup de drone VTOL de ataque; drone interceptador C-UAS de menor porte

Responsável pela exposição

Gen Ex Hertz Pires do Nascimento, chefe do DCT

Autoridades presentes

Gen Ex Tomás Paiva (Cmt do Exército) e Alto Comando do EB

Próximos passos (EB)

Diretrizes para aquisição a partir de junho/2026; nova reunião do Alto Comando prevista; batalhões de drones em Taubaté (SP) e Rio de Janeiro (RJ)

Participantes (SSNTFT)

Ares, PlasmaHub, Taurus, Modirum Gespi, AeroID, XMobots, RADeCO, Condor Tecnologias Não Letais, ADTech, BR Vant, Ambipar Robotics e outras


20 maio, 2026

O Brasil arma suas máquinas: drones terrestres e aéreos avançam na Base Industrial de Defesa

Em menos de dois anos, o Brasil passou de observador a protagonista na corrida global pelos sistemas autônomos de combate. Robôs EOD nacionais já integram o Exército, drones armados avançam em bancadas de engenharia e fabricantes consolidados como a Taurus anunciam portfólios que vão do calibre .22 ao .50, agora também podendo ser embarcados em veículos não tripulados terrestres e aéreos.
 
Primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país pela Ambipar Robotics (imagem original renderizada com IA)

 
*LRCA Defense Consulting - 20/05/2026
Em meados de maio de 2026, o Exército Brasileiro recebeu o primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país. O sistema foi fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP), e foi entregue ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate, onde será usado no processo de certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU, no âmbito do United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS).
A diretora executiva da empresa, Fernanda Morelli Macedo, celebrou a entrega nas redes sociais como "o primeiro robô militar nacional desenvolvido no Brasil", ressaltando que a conquista demonstra que o país possui capacidade técnica e profissionais qualificados para desenvolver tecnologias estratégicas de alto valor. A plataforma é descrita como multi-operacional e foi desenvolvida com apoio da empresa Detronics.
A chegada do robô EOD nacional é especialmente relevante porque, até então, o Exército Brasileiro operava equipamentos importados nessa função, como os modelos alemães tEODor e Telemax, que por anos foram mantidos de forma artesanal, inclusive com peças reproduzidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) da FAB. O novo sistema da Ambipar Robotics representa, portanto, um salto de soberania tecnológica.
A Taurus avança para os UGVs armados
Enquanto a Ambipar Robotics consolida sua presença no segmento EOD, a Taurus Armas revelou, em live com analistas e investidores realizada em 18 de maio de 2026, que está desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, um conjunto de veículos não tripulados, tanto aéreos quanto terrestres (UGV), destinados a receber as armas de médio e pesado calibre que a empresa pretende produzir quando a tecnologia estiver disponível.
O anúncio foi feito pelo CEO global Salesio Nuhs durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. Nuhs não revelou o parceiro tecnológico para o desenvolvimento dos UGVs, mas analistas do setor apontam que a Ambipar Robotics, já fornecedora de plataformas robóticas ao Exército, seria uma parceira natural, embora nenhuma das empresas tenha confirmado tal acordo.
O drone aéreo armado da Taurus já existe em forma concreta: o TAS (Tactical Air Soldier), um quadricóptero equipado com armamento tático nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e 9 mm, foi apresentado inicialmente na LAAD Defence & Security 2025, no Rio de Janeiro, e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade, na Arábia Saudita. Segundo a empresa, o TAS foi desenvolvido com um fabricante brasileiro de drones do agronegócio e conta com câmera 4K estabilizada em três eixos, sistema de controle de fogo integrado, sensores de distância, ponteiro laser e identificação de alvos com inteligência artificial embarcada.
A Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), já assinou com a Taurus um Protocolo de Intenções para o desenvolvimento de novos sistemas de armas, incluindo o drone armado, destinado às tropas anfíbias. A cerimônia contou com o apoio institucional do BNDES, alinhada à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê R$ 112,9 bilhões em investimentos em defesa até 2026.
Para completar o portfólio de armas coletivas que alimentará esses sistemas autônomos, a Taurus negocia a aquisição da fabricante turca Mertsav Savunma, especializada em metralhadoras nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .50 BMG, além de fuzis, pistolas e lança-granadas. O CEO afirmou, na mesma live de maio de 2026, que a due diligence está "bastante avançada" e que a decisão deve ser tomada "com certeza absoluta" até o final do ano. A estratégia é trazer a tecnologia para São Leopoldo (RS) a fim de atender às Forças Armadas brasileiras. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs.
TAS (Tactical Air Soldier), da Taurus Armas
XMobots: do reconhecimento ao combate reutilizável
A XMobots, de São Carlos (SP), apontada como a sexta maior empresa de drones civis do mundo, avança em duas frentes distintas no segmento de defesa. A primeira é a versão armada do Nauru 1000C, drone de 150 kg já utilizado pelo Exército Brasileiro em missões de inteligência e reconhecimento de fronteiras. Em parceria com a MBDA, maior grupo de mísseis da Europa, a empresa integra ao Nauru 1000C dois mísseis Enforcer Air, projetados para atingir veículos com blindagem leve a até 8 km de distância. Esse seria o primeiro sistema de arma aéreo não tripulado genuinamente brasileiro.
A segunda frente é o Nauru 100D, lançado em abril de 2025 sob a marca XMobots Defense. Trata-se de um sistema tático de vigilância de 9 kg, montável em menos de três minutos a partir de duas mochilas, com decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOL) e até seis horas de autonomia. Na LAAD Security Milipol Brazil 2026, realizada em São Paulo em abril de 2026, a empresa revelou o conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle) do aparelho: uma versão armada capaz de atacar a 60 metros de altura com bombas de alto explosivo (HE) ou cargas antitanque (HEAT), corrigir a trajetória em tempo real e retornar à base para ser rearmado e operar novamente, diferenciando-se das chamadas munições vagantes (loitering munitions), que são descartadas no impacto.
Além do UCAV, a XMobots apresentou o conceito Swarm (enxame): até 30 aeronaves lançadas simultaneamente a partir de um contêiner de 20 pés, três para reconhecimento e 27 para ataque coordenado, com alcance previsto entre 120 km e 340 km. A empresa afirma ter capacidade produtiva de 360 unidades por mês e ter iniciado a fabricação de um lote-teste de 20 sistemas. Em janeiro de 2026, a XMobots também firmou acordo de cooperação técnica com a Marinha do Brasil e a Petrobras para adaptar drones da família Nauru a operações embarcadas em navios, com investimento de R$ 40 milhões.
Drones Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA (acima) e Nauru 100D armado com granada de alto explosivo (HE) (abaixo)

O Exército quer mais: consulta por drones armados SARP 3
O Estado-Maior do Exército (EME) abriu, em março de 2025, consulta pública para a aquisição de até três Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas categoria 3 (SARP 3). Os requisitos publicados no edital são exigentes: peso máximo de decolagem de 700 kg, alcance mínimo de 300 km, altitude máxima de 18.000 pés e autonomia de pelo menos 48 horas. Em termos de armamento, o Exército espera que as aeronaves sejam capazes de transportar ao menos quatro foguetes de 70 mm ou dois mísseis guiados por laser com alcance mínimo de 4 km, além de bombas ou granadas não guiadas. O edital previa consulta aberta até 4 de agosto de 2025.
Atualmente, todas as aeronaves remotamente pilotadas no arsenal das Forças Armadas brasileiras são de monitoramento; nenhuma porta armamento. A consulta pública do EME sinaliza que essa realidade deve mudar em horizonte próximo.
A guerra na Ucrânia como laboratório: drones armados com espingardas
O conflito na Ucrânia continua acelerando a inovação tática em sistemas não tripulados. Pilotos ucranianos passaram a equipar seus VANTs com armas de fogo para abater quadricópteros FPV (first person view) russos, criando uma nova forma de combate aéreo em que os pilotos, sentados a quilômetros de distância, duelam indiretamente nos céus por meio de suas máquinas. Analistas de defesa observam que esse desenvolvimento não é uma excentricidade, mas o próximo passo lógico após meses de testes com armas completas embarcadas em drones de baixa altitude realizados por ambos os lados. O fenômeno reforça a percepção de que qualquer sistema não tripulado moderno precisa, já no projeto, incorporar capacidade de ataque ou de resposta a ameaças aéreas.
Base Industrial de Defesa: avanço real, desafios estruturais
Os desenvolvimentos recentes indicam que a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira saiu de uma posição praticamente inativa nesse segmento para articular, em menos de dois anos, múltiplas iniciativas simultâneas: o primeiro robô EOD nacional (Ambipar Robotics), o primeiro drone armado com potencial de emprego em forças especiais e fuzileiros navais (Taurus/TAS), os primeiros testes de mísseis em drone brasileiro (XMobots/MBDA) e os primeiros conceitos de enxame e UCAV reutilizável (XMobots/Nauru 100D).
Analistas do setor, porém, alertam que as iniciativas ainda carecem de uma estratégia nacional integrada. O documento Defesa BR 2027–2057, referenciado em publicações especializadas, propõe a criação de um Comando de Drones e Robôs de Combate (CDRC) centralizado no Ministério da Defesa, com centros regionais vinculados às três Forças. A proposta permanece no plano conceitual, mas ganha relevância à medida que os projetos industriais avançam e que as informações das guerras atuais convergem para essa necessidade.
A Nova Indústria Brasil (NIB), com sua Missão 6 voltada à defesa nacional, representa o principal vetor de financiamento público. Os R$ 112,9 bilhões previstos até 2026 e a meta de 55% de domínio das tecnologias críticas de defesa são sinais de que o governo federal reconhece a urgência estratégica do tema. O desafio agora é transformar protótipos e memorandos de intenção em sistemas certificados, produzidos em escala e integrados à doutrina das Forças Armadas.

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