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31 outubro, 2026

Exército faz primeiro tiro real com REMAX 4 em robô terrestre nacional

Ensaios do CTEx no CAEx integraram a estação de armas da ARES ao Apollo, plataforma da Ambipar Robotics; resultado é marco de engenharia, ainda distante da qualificação operacional



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LRCA Defense Consulting - 31/10/2026 - 07h50

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) conduziu, entre 25 e 29 de outubro de 2026, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Rio de Janeiro, os primeiros testes de integração entre o sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4, da ARES Aeroespacial e Defesa, e o Apollo, veículo terrestre não tripulado desenvolvido pela Ambipar Robotics. Segundo o CTEx, o objetivo foi verificar a eficiência e a confiabilidade da integração e avaliar, de forma preliminar, a estabilidade e o desempenho do conjunto. O ponto alto ocorreu em 28 de outubro, quando o REMAX realizou disparos reais com operação totalmente remota, feito que o CTEx e a ARES apresentam como inédito para o sistema.

A distinção merece explicação. O REMAX sempre foi operado à distância: instalado em blindados como o Guarani, permite que o atirador dispare abrigado no interior da viatura. A novidade é que, no Apollo, não há ninguém embarcado; plataforma e armamento são comandados de fora do veículo, por enlace, o que reduz a exposição do operador. Trata-se de um sistema teleoperado, com a decisão de tiro nas mãos de um militar, e não de emprego autônomo de força letal, como a referência do comunicado a sistemas autônomos poderia sugerir.

À revista Tecnologia & Defesa, Henrique Saraiva, engenheiro da ARES e líder técnico da integração, classificou o "primeiro disparo do REMAX com operação totalmente remota" como um marco do projeto, obtido poucos dias após a montagem do conjunto. 


Tiro real com metralhadora de 7,62 mm 
Os detalhes publicados em 30 de outubro pela Tecnologia & Defesa complementam o comunicado do CTEx. No dia 28, a REMAX 4 foi equipada com uma metralhadora M240B, de calibre 7,62 x 51 mm, e efetuou os disparos reais, com resultados descritos como satisfatórios. No dia 29, recebeu uma metralhadora Browning M2, de calibre .50 (12,7 x 99 mm); a publicação não registra tiro real com esse armamento. Também foram feitos testes preliminares de mobilidade em diferentes tipos de terreno.

Segundo a revista, o primeiro protótipo do Apollo tem tração 4x4, massa de 750 kg, capacidade de carga de outros 750 kg, velocidade de 5 km/h e autonomia de cinco horas. Foi construído em três meses, com orientação do CTEx, e recebeu a REMAX 4 em um dia. Fernanda Morelli, diretora executiva da Ambipar Response Robot, afirmou que a próxima versão terá desempenho significativamente superior, sem detalhar parâmetros.

A velocidade informada equivale ao passo de um homem e revela a natureza experimental do conjunto. Basta para ensaios de integração, mas não para acompanhar tropa embarcada nem para deslocamentos táticos rápidos, exigências que a versão seguinte terá de atender. 


Das conversas ao tiro em menos de três meses 
O resultado fecha uma sequência acompanhada pela LRCA Defense Consulting. Em 31 de julho, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no CTEx, uma plataforma robótica sobre esteiras da Ambipar Robotics foi apresentada com lançador duplo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, da SIATT, como registrou o portal em 2 de agosto. Em 5 de agosto, a LRCA noticiou as conversas entre a Ambipar Robotics e a ARES sobre a integração de sistemas de armas em veículos não tripulados, ainda sem anúncio formal de parceria.

Em 19 de agosto, a Tecnologia & Defesa informou que a ARES desenvolvia um controle à distância para a REMAX 4, destinado ao Sistema de Veículo Terrestre Remotamente Pilotado (SVTRP) coordenado pelo CTEx, com a Ambipar e o apoio da SIATT. Pouco depois, a empresa apresentou ao Exército a solução sem fio, instalada para testes em uma viatura M113 BR. Os disparos de outubro mostram a evolução dessa frente de trabalho, embora a arquitetura das comunicações e suas proteções não tenham sido divulgadas.

O precedente do THeMIS 

O ineditismo tem limites claros. Em 18 de abril de 2023, após a LAAD, o CAEx recebeu uma demonstração do THeMIS, veículo não tripulado da estoniana Milrem Robotics, empresa do EDGE Group, equipado com a mesma REMAX 4, instalada no local em cerca de uma hora. A presença desse armamento em um robô terrestre, portanto, já havia sido vista no País; os registros daquela demonstração, porém, não mencionam tiro real com comando remoto. O que se apresenta agora como novo é a combinação de disparo efetivo, operação totalmente remota e plataforma nacional. 


Uma base para várias missões 

De acordo com as informações divulgadas, o Apollo foi concebido como plataforma multifuncional: além de estações de armas, poderá servir a transporte logístico, evacuação de feridos e inteligência. A integração de lançadores do MAX 1.2 AC está prevista, mas dependerá de ensaios específicos. A configuração exibida em 31 de julho, sobre esteiras, era outra plataforma da Ambipar e não comprova que o Apollo já tenha operado com o míssil.

A lógica acompanha a experiência da guerra na Ucrânia, onde veículos terrestres não tripulados, entre eles o próprio THeMIS, vêm sendo usados em evacuação de feridos, transporte de suprimentos e limpeza de rotas. Para a Base Industrial de Defesa (BID), uma plataforma apta a receber diferentes módulos permite aproveitar sistemas já desenvolvidos no País, desde que cada configuração seja validada quanto a estabilidade, alimentação elétrica, segurança do armamento e comando e controle.

Um sistema maduro em nova função 
O REMAX resulta de um projeto iniciado em 2006 pela ARES em parceria com o CTEx. A REMAX 4, estabilizada em dois eixos e dotada de câmeras diurna e termal e de telêmetro laser, teve sua padronização no Exército formalizada por portaria em abril de 2026, quando a família REMAX já somava mais de 300 unidades em operação. Sua adaptação a um veículo sem tripulação abre novas formas de emprego para uma tecnologia conhecida da tropa, mas exige um conjunto próprio de verificações. 


O que ainda falta saber 

Não foram divulgados o alcance do enlace de controle, o comportamento sob interferência ou bloqueio eletrônico, a precisão dos disparos com o veículo em movimento, os mecanismos de segurança em caso de perda de comunicação nem avaliação pela tropa. Tampouco houve anúncio de encomenda, produção seriada ou incorporação do Apollo ao Exército. Os ensaios representam validação preliminar de engenharia, não a conclusão de um processo de qualificação militar.

Há também um fator empresarial a observar. O Grupo Ambipar está em recuperação judicial desde outubro de 2025, com reestruturação de dívidas superiores a R$ 10 bilhões, e a assembleia de credores que votaria o plano foi suspensa por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro de 2026. Não há informação pública sobre eventual efeito do processo na unidade de robótica, mas a solidez financeira do fornecedor será variável relevante se o projeto avançar para aquisição.

O Apollo deverá ser apresentado ao público na Mostra BID Brasil 2026, de 24 a 26 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Será a ocasião para saber se o protótipo de 5 km/h já tem sucessor e quais são os próximos passos do programa.

26 setembro, 2026

Robôs terrestres abrem rotas e chegam pelo ar à retaguarda russa na Operação Vivaldi

O 3º Corpo de Exército da Ucrânia relata 30 km de trajetos desminados e o emprego de veículos explosivos lançados por drones; os resultados e o alegado pioneirismo ainda dependem de confirmação independente 

Imagem meramente ilustrativa rendererizada por IA


*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026

Na ofensiva ucraniana no eixo de Lyman, no norte da região de Donetsk, robôs terrestres passaram a cumprir tarefas diretamente ligadas à progressão das tropas. Segundo o 3º Corpo de Exército, veículos não tripulados abriram rotas minadas no setor de Shandryholove e outros, transportados por drones aéreos pesados, foram lançados na retaguarda russa para ataques explosivos. As duas ações integram a Operação Vivaldi, mas têm funções e divulgações distintas.

Desminagem antes da progressão 
Em comunicado divulgado em 24 de setembro e repercutido pela agência Ukrinform no dia seguinte, o 3º Corpo afirmou que seus sistemas terrestres abriram 30 km de rotas no setor de Shandryholove. De acordo com a unidade, os robôs concluíram o trecho mais difícil em duas noites, sem mortos nem feridos entre os sapadores envolvidos. A comparação apresentada pelo Corpo é que duas companhias de engenharia precisariam de aproximadamente uma semana para executar a mesma tarefa.

Os 30 km se referem à extensão acumulada de rotas, não a uma faixa contínua de terreno nem à área total desminada. A unidade não informou publicamente a quantidade e o tipo de engenhos removidos, a largura das passagens, o número de robôs empregados ou o método de verificação da segurança dos trajetos. Por isso, tanto a extensão divulgada quanto a estimativa de tempo poupado devem ser atribuídas ao 3º Corpo, sem convertê-las em medidas independentes de produtividade.

O Corpo afirma ainda que veículos não tripulados retiram cerca de 60% das minas antipessoal em sua área de responsabilidade. Essa proporção descreve a atuação geral da formação, e não deve ser confundida com a operação específica em Shandryholove. Segundo os militares, os sistemas também fazem transporte de suprimentos, evacuação de feridos e lançamento remoto de minas. 


Robôs lançados por drones 
Em outra frente da Vivaldi, drones aéreos pesados da 3ª Brigada de Assalto lançaram veículos terrestres explosivos a mais de 10 km na retaguarda russa, segundo publicação do próprio 3º Corpo em 24 de setembro. A unidade atribuiu a tática ao grupo NC13 e divulgou imagens registradas pelas câmeras dos robôs. O uso do meio aéreo permitiu posicionar os veículos em locais que seriam difíceis de alcançar por deslocamento terrestre a partir das linhas ucranianas.

O Corpo classifica a ação como inédita no mundo. As imagens e a descrição divulgadas permitem relatar o emprego anunciado, mas não bastam para comprovar uma primazia histórica universal nem para medir, de modo independente, seus efeitos militares. A operação combinou também apoio de drones aéreos, guerra eletrônica, defesa antiaérea e ação da infantaria; não há base para atribuir a retomada das localidades aos robôs isoladamente. 

Imagem meramente ilustrativa rendererizada por IA

A manobra continua possível, mas sob novas condições
A Operação Vivaldi indica que a vigilância por drones dificulta ataques e contra-ataques, mas não impede avanços locais de infantaria e blindados. Segundo o vice-comandante do 3º Corpo de Exército ucraniano, coronel Rodion Kudryashov, a progressão exigiu meses de preparação: estabilizar a frente, reorganizar o comando, reunir recursos, atingir a logística russa e reduzir a capacidade inimiga de observar e atacar as tropas. Robôs terrestres e drones assumiram parte das tarefas mais expostas antes da entrada dos soldados. 

Na análise de Sameer Joshi, a lição central é que a força atacante precisa criar uma proteção local e temporária contra a observação e os ataques inimigos. Isso permite avançar por etapas; a cada nova posição, os meios de detecção, guerra eletrônica, defesa contra drones e comunicações precisam acompanhar a tropa e restabelecer a proteção. É uma leitura plausível da operação, mas os dados públicos ainda não mostram por quanto tempo essa proteção funcionou em cada avanço nem comprovam que o método produziria uma ruptura profunda. Assim, a Vivaldi sustenta uma conclusão mais precisa: a manobra permanece possível quando suas condições são preparadas e mantidas, embora seu alcance continue condicionado à reação do adversário e à capacidade de sustentar o avanço.

O que a combinação revela

Os dois usos apontam para papéis complementares na manobra: um sistema reduz a exposição de engenheiros ao preparar rotas para o avanço; o outro é inserido por via aérea para atacar a retaguarda. Em ambos os casos, o objetivo declarado é colocar máquinas nas etapas de maior risco antes de enviar soldados. Trata-se de uma evolução no emprego operacional dos robôs, não de prova de que possam substituir a engenharia de combate ou a infantaria.

Para o Brasil, o episódio reforça uma questão já presente no debate sobre sistemas não tripulados: além de veículos armados, uma força precisa integrar plataformas de engenharia, transporte, comunicações, drones aéreos e procedimentos de verificação de rotas em condições reais de combate. O LRCA já registrou o desenvolvimento nacional de robôs para neutralização de explosivos e estudos com plataformas terrestres remotamente pilotadas. A experiência ucraniana sugere aplicações a investigar, sem demonstrar que as soluções brasileiras já disponham das mesmas capacidades.

28 agosto, 2026

Taurus confirma virada estratégica e amplia core: de armas leves para veículos não tripulados

Em entrevista exclusiva ao LRCA, o CEO Global Salesio Nuhs detalha portfólio de doze sistemas, nova governança e estratégia de financiamento, mas mantém sob sigilo contratual o nome do parceiro tecnológico do projeto e uma negociação internacional em curso



*LRCA Defense Consulting - 28/08/2026

A Taurus Armas está promovendo a mudança mais significativa de seu posicionamento estratégico desde a migração de armas curtas para armas coletivas: a incorporação de sistemas aéreos e terrestres não tripulados ao núcleo do negócio, ao lado das armas leves que sustentam a companhia há 87 anos. O movimento foi anunciado publicamente durante o COP International 2026, realizado em São Paulo entre 11 e 13 de agosto, e detalhado em entrevista exclusiva concedida pelo CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, ao LRCA.

“Não estamos apresentando novos produtos. Estamos apresentando uma nova Taurus”, resumiu Nuhs durante sua participação no evento, ao lado de Gelson Cardoso, gerente de inovação da companhia. A frase sintetiza um processo que começou de forma discreta no fim de 2024 e ganhou corpo ao longo de 2026, com demonstrações ao comando do Exército Brasileiro, articulação com o Corpo de Fuzileiros Navais e negociações de financiamento com órgãos federais de fomento. 

UAV de ataque (drone lançador de munição)

UAV kamikase (drone suicida)

UAV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

Um portfólio de doze sistemas, ainda sem nome oficial 
Material institucional obtido pela reportagem, usado pela companhia em apresentação ao Exército Brasileiro, detalha um ecossistema de doze plataformas: sete sistemas aéreos (UAV ISR, UAV Kamikaze, UAV de Ataque, UAV TAS, UAV Cargo e VTOL, além do Cyber Swarm, tecnologia de enxame) e cinco terrestres (UGV EOD, UGV ISR, UGV TAGS, UGV Cargo e UGV Cleaner), somados a sistemas complementares como o Cyber Launcher, hub móvel de lançamento de drones, o Cyber DiB, drone em caixa autônoma, e o Tars K9, quadrúpede modular.

O material trazia o nome “Taurus Cyber Robotics” associado ao conjunto, mas Nuhs esclareceu ao LRCA que essa denominação não é oficial. “A divisão de sistemas não tripulados ainda está em processo de estruturação e, portanto, ainda não possui uma denominação definitiva. O nome Taurus Cyber Robotics, utilizado anteriormente, foi apenas um título empregado em uma apresentação interna realizada para o Exército Brasileiro e não corresponde à denominação formal da nova divisão”, afirmou o CEO. 

VTOL (drone de asa fixa multipropósito)

UAV Cargo (drone de logística)


Cyber Swarm (enxame de drones de reconhecimento e ataque)

Do ‘soldado voador’ ao TAS disparando munição real 

A origem do projeto remonta a dezembro de 2024, quando Nuhs revelou, durante o Taurus Investor Day, em São Paulo, que a companhia estudava, com uma fabricante italiana de drones, o conceito de um “soldado voador” armado com uma submetralhadora ultraleve em desenvolvimento. Ao longo de 2025, o conceito evoluiu para o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero configurável com o fuzil Taurus T4 5,56mm, a pistola-metralhadora Taurus RPC de 9mm ou lançador de granadas de 40mm, apresentado na LAAD Defence & Security 2025 e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade.

Em maio de 2026, no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, o TAS disparou munições reais contra alvos. O comando do Exército também assistiu, segundo o release do COP International, à demonstração de uma configuração para lançamento de munição de morteiro de 120mm. Segundo Nuhs, o TAS não foi um desvio de rota, mas uma antecipação deliberada. “O que fizemos foi antecipar especificamente esse desenvolvimento para demonstrar, na prática, nossa capacidade tecnológica e assumir o protagonismo de sermos o primeiro fabricante de armas a integrar uma arma a um drone, controlar seu voo e realizar com sucesso o disparo e o acerto do alvo”, disse. 

TAS dispara munições reais contra alvos no 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre

O que a Taurus mantém internamente, e o que terceiriza 

Questionado sobre a origem da tecnologia, já que drones aéreos e terrestres são áreas historicamente alheias ao core da companhia, Nuhs afirmou que a estratégia não é desenvolver cada componente do zero. “O mercado já possui componentes amplamente consolidados e validados em áreas como baterias, sensores, sistemas de comunicação e parte da eletrônica embarcada. O foco da Taurus está nas tecnologias que realmente agregam diferencial competitivo, capacidade operacional e soberania tecnológica”, disse, citando como prioridades internas as camadas de integração, software de missão, autonomia, inteligência artificial aplicada, comando e controle e integração de armamentos.

Sobre a capacidade de levar os doze sistemas à produção seriada, o CEO foi categórico: “Não dependemos de parceiros para viabilizar a produção seriada dos sistemas. Os parceiros complementam nossa capacidade, fornecendo tecnologias e hardware especializados, enquanto a Taurus mantém o domínio da engenharia do produto, da integração dos sistemas, da industrialização, dos testes, da certificação e do suporte ao ciclo de vida”. 

UGV ISR (drone de inteligência, vigilância e reconhecimento)

UGV TAGS (drone para apoio de fogo armado)

UGV Cleaner (drone de crearance & desminagem)

UGV EOD (drone de intervenção e manipulação)

Nova governança para dois negócios distintos 
A companhia já promoveu uma reorganização de sua Diretoria para acomodar a nova frente de negócio. Jean Castilhos foi promovido a Diretor de Engenharia, Armas, Munições e Acessórios, com a missão de preservar foco e continuidade no core tradicional da companhia. Leonardo Sesti, que já dirigia o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), permanece no cargo, mas passa a atuar de forma mais voltada aos veículos não tripulados. Segundo a empresa, a mudança não exigiu aprovação do Conselho de Administração, por se tratar de decisão de alçada executiva.

“Cada negócio passa a contar com liderança e responsabilidades claramente definidas, evitando dispersão de foco”, justificou Nuhs, que também rebateu, de forma direta, a leitura de que a expansão para sistemas não tripulados representaria um salto maior do que a capacidade da companhia. “Evoluímos das armas individuais, como revólveres e pistolas, para as armas coletivas, incluindo fuzis e metralhadoras, e agora avançamos para sistemas não tripulados. É uma ampliação progressiva das nossas competências dentro do mesmo ambiente de defesa e segurança, e não uma diversificação para um setor sem relação com aquilo que já fazemos”, afirmou.

Financiamento sob demanda, sem valores fechados 
A Taurus evita, por ora, divulgar o investimento total previsto para a nova área. Segundo a empresa, o planejamento estratégico prevê que o desenvolvimento da nova área seja realizado de forma gradual e financeiramente disciplinada, com utilização prioritária de instrumentos públicos de fomento à inovação, incluindo editais de subvenção econômica da Finep, nos quais parte dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação pode ser suportada por recursos não reembolsáveis. A companhia também mantém tratativas com o BNDES e poderá realizar aportes próprios dentro do orçamento vigente, preservando sua geração de caixa e sem comprometer os investimentos e a operação do negócio tradicional.

A empresa evitou, também, comentar como a aquisição em curso da fabricante turca de armas coletivas Mertsav Savunma se concilia, no fluxo de caixa, com os investimentos em sistemas não tripulados, informando apenas que ambos os projetos seguem o mesmo princípio de disciplina financeira e que valores não serão antecipados antes da conclusão da due diligence. 

Cyber Laucher (drone lançador de múltiplos UAVs)

UGV Cargo (resgate e logística)


Cyber Dib (drone em caixa autônoma)

Parceiro do TAS e negociação internacional seguem em sigilo

Nem todas as perguntas enviadas pelo LRCA foram respondidas em detalhe. A Taurus confirmou que existe cláusula contratual que impede a divulgação do nome do fabricante brasileiro de drones do agronegócio, parceiro no desenvolvimento do TAS. A empresa também confirmou que negocia uma primeira aquisição internacional de um sistema de menor escala, mencionada no release do COP International, mas não revelou país, cliente ou sistema envolvido, alegando compromissos de confidencialidade.

Questionada diretamente se avalia comprar, licenciar tecnologia ou formar uma joint venture com alguma empresa de drones para viabilizar o portfólio de doze sistemas, a Taurus respondeu que a possibilidade não está descartada, embora não haja negociação em curso nesse sentido no momento.

Protocolo com o CFN segue em vigor, em paralelo ao Exército 
Um ponto que parecia contraditório entre a cobertura anterior do LRCA e a fala do CEO foi esclarecido ao longo das perguntas enviadas pela reportagem. Em maio de 2026, o LRCA havia noticiado que o Corpo de Fuzileiros Navais assinara protocolo de intenções com a Taurus para o desenvolvimento de um drone armado destinado a tropas anfíbias. Nuhs, por sua vez, havia dito que o desdobramento do projeto para a Marinha viria “em uma etapa seguinte” à validação com o Exército. Questionada sobre a aparente contradição, a empresa esclareceu que o protocolo com o CFN segue vigente e está sendo tratado de forma concomitante ao trabalho já em curso com o Exército, e não apenas em etapa posterior.
TARS K9 (Taurus Robotic Soldier K9)


O contexto: uma Base Industrial de Defesa em ebulição 
A movimentação da Taurus ocorre em meio a um adensamento acelerado do segmento de sistemas não tripulados na Base Industrial de Defesa brasileira. Em maio de 2026, o Exército recebeu o primeiro robô EOD inteiramente produzido no País, fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP). No campo aéreo, a XMobots avança com a versão armada do Nauru 1000C, equipado com mísseis Enforcer Air desenvolvidos com a MBDA, além do conceito de enxame do Nauru 100D. O Estado-Maior do Exército mantém, ainda, consulta pública aberta para a aquisição de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas de categoria 3 (SARP 3), sinalizando que o emprego de aeronaves armadas deve deixar de ser exceção nas Forças Armadas brasileiras nos próximos anos.

O que ainda falta esclarecer 
A Taurus chega ao fim desta apuração com um discurso consistente sobre governança, disciplina financeira e divisão de competências entre o que desenvolve internamente e o que terceiriza. Ao mesmo tempo, mantém sob sigilo contratual informações que normalmente pesam na avaliação de risco de um projeto dessa envergadura: o nome do parceiro tecnológico central do TAS, os termos da negociação internacional em andamento e o valor total a ser investido na nova frente de negócio ao longo dos próximos anos. A empresa também não estabeleceu, até o momento, um teto de investimento ou um percentual de receita que sirva de limite para o projeto, condicionando o ritmo de expansão à disponibilidade de recursos de fomento e à evolução dos requisitos operacionais definidos junto às Forças Armadas. 


Uma aposta alinhada à guerra do futuro 

O momento escolhido pela Taurus para essa virada não é aleatório. Conflitos recentes, da Ucrânia ao Oriente Médio, consolidaram os sistemas não tripulados como elemento decisivo do campo de batalha contemporâneo, capazes de neutralizar blindados, artilharia e ativos de alto valor a um custo muito inferior ao das plataformas que substituem. Diante dessa mudança de paradigma, fabricantes tradicionais de armamento em todo o mundo enfrentam a mesma escolha: adaptar-se à lógica dos sistemas autônomos e integrados, ou correr o risco de ver seu portfólio tradicional perder relevância estratégica diante de forças mais bem equipadas para o combate não tripulado.

Ao decidir alterar seu próprio core de negócio, incorporando robótica e inteligência artificial à sua base histórica em armas leves e coletivas, a Taurus se posiciona no lado ofensivo dessa transformação, e não no reativo. É uma postura de inovação pouco comum entre fabricantes tradicionais, que tendem a proteger o negócio consolidado até que a disrupção se torne inevitável. Se a companhia conseguir sustentar essa transição com a mesma disciplina de governança e capital que hoje descreve em discurso, o resultado pode ser uma Taurus estrategicamente mais relevante do que jamais foi como fabricante apenas de armas leves: uma das poucas empresas de defesa mundiais capazes de entregar, sob uma mesma marca, todo o espectro que vai do revólver ao sistema autônomo integrado.

Essa aposta também carrega um fator que não pode ser desprezado na avaliação de risco: o histórico do próprio executivo à frente da decisão. Salesio Nuhs assumiu o comando global da Taurus em 2018, quando a companhia enfrentava dificuldades financeiras severas e chegou a ser cotada como candidata a uma recuperação judicial. Em pouco mais de meia década, sob sua gestão, a empresa se reergueu a ponto de se tornar a maior vendedora de armas leves do mundo em volume, em um turnaround considerado "de livro" no setor. Se as mesmas características de liderança, iniciativa e capacidade de execução que sustentaram essa recuperação se repetirem na nova frente de sistemas não tripulados, as chances de que o movimento atual também dê certo são, no mínimo, consideráveis.

O tamanho dessa aposta, porém, é proporcional ao risco de execução. O sucesso deste novo turnaround dependerá menos do portfólio já demonstrado, e mais da capacidade da empresa de transformar protótipos e demonstrações em contratos recorrentes, sem comprometer o caixa nem a rentabilidade do negócio tradicional que ainda sustenta a companhia. É essa equação, entre ousadia estratégica e disciplina de execução, que definirá se a Taurus estará indo além do que suas capacidades permitem ou se, realmente, liderará a próxima geração da indústria de defesa brasileira.

05 agosto, 2026

ARES e Ambipar Robotics discutem integração de sistemas de armas em UGVs

Visita técnica entre as duas empresas brasileiras abre conversa exploratória sobre armar plataformas robóticas terrestres, em movimento que se soma a outras iniciativas de robotização em curso na Base Industrial de Defesa
 


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LRCA Defense Consulting - 05/08/2026

A ARES Aeroespacial e Defesa recebeu, no início de agosto de 2026, uma visita técnica da Ambipar Robotics, em encontro que incluiu troca de experiências, apresentação de capacidades e discussões sobre a integração dos sistemas de armas da ARES em veículos terrestres não tripulados (UGVs, na sigla em inglês). A informação foi divulgada pela própria ARES em publicação institucional na rede social LinkedIn, na qual a empresa descreveu o encontro como um reforço do relacionamento entre companhias que atuam no desenvolvimento de tecnologias para os setores de defesa e segurança.
A publicação não detalha cronograma, escopo contratual ou modelo específico de UGV envolvido nas conversas. Trata-se, segundo o texto divulgado, de um encontro voltado à troca de conhecimentos e perspectivas para o futuro, o que caracteriza a aproximação, neste momento, como estágio exploratório de integração, sem confirmação de protótipo físico ou de acordo formal entre as partes.
O portfólio da ARES
A ARES é uma empresa brasileira com mais de 50 anos de atuação, subsidiária da israelense Elbit Systems desde 2010, dedicada ao planejamento, desenvolvimento, fabricação e integração de estações de armas, sistemas navais e equipamentos optrônicos. Seu principal produto em uso operacional é o REMAX, sistema de armas remotamente controlado presente em viaturas como a VBTP-MSR e a VBMT-LSR Guarani, do Exército Brasileiro. 
Em novembro de 2025, a empresa apresentou também o SARC UT30BR2, torre não tripulada equipada com canhão automático Mk44 Bushmaster II de 30x173mm, metralhadora coaxial de 7,62x51mm e lançador de granadas fumígenas de 76mm, versão atualizada do SARC UT30BR já em uso pelas brigadas mecanizadas do Exército.
A Ambipar Robotics e a robotização terrestre
A Ambipar Robotics, sediada em Jacareí (SP), consolidou presença crescente junto ao Exército Brasileiro ao longo de 2026. Em julho, a empresa entregou ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate o primeiro robô de neutralização de artefatos explosivos (EOD) inteiramente desenvolvido no País, destinado à certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU. A mesma empresa fornece ainda a plataforma robótica sobre esteiras utilizada pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) como base para os estudos do Sistema de Veículos Terrestres Remotamente Pilotados (SVTRP).
Em 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no CTEx, no Rio de Janeiro, essa mesma plataforma foi apresentada publicamente armada com um lançador duplo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, em parceria com a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico) e apoio técnico do próprio CTEx. Até o momento, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro divulgaram nota oficial detalhando cronograma de testes, adoção ou produção em série dessa configuração.
Um precedente já testado
A combinação entre plataforma robótica e sistema de armas da ARES não seria inédita no País. Em anos anteriores, o Exército Brasileiro testou o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX, da própria ARES. O precedente indica que já existe validação técnica prévia da integração entre estações de armas da empresa e plataformas robóticas terrestres, ainda que, naquele caso, sobre um chassi importado.
Leitura do movimento
Caso a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics avance para integração formal, o Brasil passaria a ter dois caminhos paralelos de UGV armado com componentes nacionais: um voltado ao engajamento de precisão contra blindados, com a parceria já demonstrada entre Ambipar Robotics e SIATT em torno do MAX 1.2 AC, e outro potencialmente voltado a armamento cinético de médio calibre ou metralhadora remota, caso a conversa com a ARES resulte em integração do REMAX ou do SARC UT30BR2. As duas linhas não seriam necessariamente concorrentes entre si, mas complementares, atendendo a diferentes perfis de missão.
O movimento também se soma a outro sinal já registrado pela reportagem: em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo uma família própria de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamento de médio e pesado calibre, sem confirmar parceiro tecnológico. A recorrência da Ambipar Robotics como fornecedora de plataforma em diferentes frentes de conversa reforça a hipótese de que a empresa busca se posicionar como fornecedora preferencial de chassi robótico para múltiplos integradores de armamento na Base Industrial de Defesa, e não como parceira exclusiva de um único fabricante.
Ressalva editorial
Até o fechamento desta matéria, a aproximação entre ARES e Ambipar Robotics está apoiada exclusivamente na publicação institucional da ARES em rede social, de caráter genérico, sem nota conjunta, imagem de protótipo ou cronograma público. A informação deve ser tratada como estágio exploratório de conversas entre as duas empresas, e não como integração confirmada ou projeto em desenvolvimento formal.

02 agosto, 2026

Exército revela UGV armado com míssil MAX 1.2 AC durante evento no CTEx

Ambipar Robotics e SIATT integram plataforma robótica terrestre a lançador duplo do míssil anticarro nacional; VBMT Guaicurus foi apresentado com o mesmo armamento no mesmo evento 


*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026

No dia 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, o Exército Brasileiro revelou publicamente um veículo terrestre não tripulado (UGV) armado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC. O sistema é fruto de um trabalho conjunto entre a Ambipar Robotics, responsável pela plataforma robótica, e a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), fabricante do míssil, com apoio técnico do próprio CTEx.
A existência do UGV foi registrada em imagens exclusivas pelo jornalista Roberto Caiafa, do canal Defesa Raiz, presente no desfile do CTEx. Segundo relatou Caiafa, testemunha ocular da apresentação, trata-se de um veículo totalmente autônomo em termos de deslocamento, mas operado remotamente para o disparo dos mísseis, o que retira o atirador da linha direta de fogo e amplia a capacidade de emboscada anticarro em terrenos de risco. O jornalista classificou o desenvolvimento como uma possível revolução para o emprego da cavalaria e da infantaria brasileiras, ainda que a plataforma esteja, neste momento, em estágio de demonstração, sem data anunciada para adoção ou produção em série.
No mesmo evento, e também de forma inédita, foi apresentada uma viatura blindada multitarefa (VBMT) 4x4 Guaicurus, produzida pela IDV em Sete Lagoas (MG), equipada com o MAX 1.2 AC sobre a torre manual REMAN, da ARES Aeroespacial e Defesa. Segundo Frederico Medella, diretor comercial e de marketing da ARES, o mesmo míssil também pode ser integrado ao SARC REMAX 4, o que permitiria o disparo de dentro da viatura, sem exposição do atirador pela escotilha. As duas apresentações, do UGV e do Guaicurus, reforçam a estratégia do Exército e da indústria nacional de multiplicar as plataformas capazes de empregar o MAX 1.2 AC.
 
Vídeo do canal @1MinutodeGuerra 
O míssil MAX 1.2 AC
O MAX 1.2 AC, batizado em homenagem ao sargento Max Wolff Filho, herói da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, é um míssil anticarro superfície-superfície de médio alcance, desenvolvido pela SIATT em parceria com o CTEx. Anteriormente conhecido como MSS 1.2 AC, foi oficialmente adotado pelo Exército Brasileiro em julho de 2025, por meio do Boletim do Exército nº 28. 
Utiliza guiamento a laser por feixe (SACLOS), com alcance operacional de até 3.200 metros; em teste recente no Campo de Provas da Marambaia, atingiu 100% de acerto contra um alvo a 2.500 metros. A ogiva de carga oca é projetada para penetrar blindagens pesadas, com capacidade secundária para engajar posições fortificadas, depósitos logísticos, embarcações fluviais e helicópteros ou drones voando em baixa altitude. Em maio de 2026, a SIATT entregou ao Exército, em Formosa (GO), o primeiro lote de produção em série do míssil, fabricado em sua nova planta industrial de Caçapava (SP).
Vídeo do canal Defesa Raiz, no YouTube
Um movimento mais amplo de robotização
A revelação do UGV armado se soma a outros indícios de que a robotização terrestre avança na Base Industrial de Defesa brasileira. Em julho de 2026, a própria Ambipar Robotics já havia entregue ao Exército o primeiro robô nacional de neutralização de artefatos explosivos (EOD), destinado ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate. 
Em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, uma família de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamentos de médio e pesado calibre, sem confirmar o parceiro tecnológico. 
Analistas do setor já apontavam a Ambipar Robotics, fornecedora recorrente de plataformas robóticas ao Exército, como parceira natural para esse tipo de projeto. O Exército também já testou, em anos anteriores, o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX.
O que ainda falta confirmar
Até o fechamento desta matéria, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro haviam divulgado nota oficial sobre o UGV armado com o MAX 1.2 AC. A informação está apoiada no registro em vídeo e no relato de Roberto Caiafa como testemunha presencial do desfile do CTEx, e ainda não foi replicada por outros veículos especializados em defesa. Tampouco há, até o momento, cronograma público de testes, adoção ou produção em série para a plataforma.

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