O 3º Corpo de Exército da Ucrânia relata 30 km de trajetos desminados e o emprego de veículos explosivos lançados por drones; os resultados e o alegado pioneirismo ainda dependem de confirmação independente
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*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026
Na ofensiva ucraniana no eixo de Lyman, no norte da região de Donetsk, robôs terrestres passaram a cumprir tarefas diretamente ligadas à progressão das tropas. Segundo o 3º Corpo de Exército, veículos não tripulados abriram rotas minadas no setor de Shandryholove e outros, transportados por drones aéreos pesados, foram lançados na retaguarda russa para ataques explosivos. As duas ações integram a Operação Vivaldi, mas têm funções e divulgações distintas.
Desminagem antes da progressão
Em comunicado divulgado em 24 de setembro e repercutido pela agência Ukrinform no dia seguinte, o 3º Corpo afirmou que seus sistemas terrestres abriram 30 km de rotas no setor de Shandryholove. De acordo com a unidade, os robôs concluíram o trecho mais difícil em duas noites, sem mortos nem feridos entre os sapadores envolvidos. A comparação apresentada pelo Corpo é que duas companhias de engenharia precisariam de aproximadamente uma semana para executar a mesma tarefa.
Os 30 km se referem à extensão acumulada de rotas, não a uma faixa contínua de terreno nem à área total desminada. A unidade não informou publicamente a quantidade e o tipo de engenhos removidos, a largura das passagens, o número de robôs empregados ou o método de verificação da segurança dos trajetos. Por isso, tanto a extensão divulgada quanto a estimativa de tempo poupado devem ser atribuídas ao 3º Corpo, sem convertê-las em medidas independentes de produtividade.
O Corpo afirma ainda que veículos não tripulados retiram cerca de 60% das minas antipessoal em sua área de responsabilidade. Essa proporção descreve a atuação geral da formação, e não deve ser confundida com a operação específica em Shandryholove. Segundo os militares, os sistemas também fazem transporte de suprimentos, evacuação de feridos e lançamento remoto de minas.
Robôs lançados por drones
Em outra frente da Vivaldi, drones aéreos pesados da 3ª Brigada de Assalto lançaram veículos terrestres explosivos a mais de 10 km na retaguarda russa, segundo publicação do próprio 3º Corpo em 24 de setembro. A unidade atribuiu a tática ao grupo NC13 e divulgou imagens registradas pelas câmeras dos robôs. O uso do meio aéreo permitiu posicionar os veículos em locais que seriam difíceis de alcançar por deslocamento terrestre a partir das linhas ucranianas.
O Corpo classifica a ação como inédita no mundo. As imagens e a descrição divulgadas permitem relatar o emprego anunciado, mas não bastam para comprovar uma primazia histórica universal nem para medir, de modo independente, seus efeitos militares. A operação combinou também apoio de drones aéreos, guerra eletrônica, defesa antiaérea e ação da infantaria; não há base para atribuir a retomada das localidades aos robôs isoladamente.
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A manobra continua possível, mas sob novas condições
A Operação Vivaldi indica que a vigilância por drones dificulta ataques e contra-ataques, mas não impede avanços locais de infantaria e blindados. Segundo o vice-comandante do 3º Corpo de Exército ucraniano, coronel Rodion Kudryashov, a progressão exigiu meses de preparação: estabilizar a frente, reorganizar o comando, reunir recursos, atingir a logística russa e reduzir a capacidade inimiga de observar e atacar as tropas. Robôs terrestres e drones assumiram parte das tarefas mais expostas antes da entrada dos soldados.
Na análise de Sameer Joshi, a lição central é que a força atacante precisa criar uma proteção local e temporária contra a observação e os ataques inimigos. Isso permite avançar por etapas; a cada nova posição, os meios de detecção, guerra eletrônica, defesa contra drones e comunicações precisam acompanhar a tropa e restabelecer a proteção. É uma leitura plausível da operação, mas os dados públicos ainda não mostram por quanto tempo essa proteção funcionou em cada avanço nem comprovam que o método produziria uma ruptura profunda. Assim, a Vivaldi sustenta uma conclusão mais precisa: a manobra permanece possível quando suas condições são preparadas e mantidas, embora seu alcance continue condicionado à reação do adversário e à capacidade de sustentar o avanço.
O que a combinação revela
Os dois usos apontam para papéis complementares na manobra: um sistema reduz a exposição de engenheiros ao preparar rotas para o avanço; o outro é inserido por via aérea para atacar a retaguarda. Em ambos os casos, o objetivo declarado é colocar máquinas nas etapas de maior risco antes de enviar soldados. Trata-se de uma evolução no emprego operacional dos robôs, não de prova de que possam substituir a engenharia de combate ou a infantaria.
Para o Brasil, o episódio reforça uma questão já presente no debate sobre sistemas não tripulados: além de veículos armados, uma força precisa integrar plataformas de engenharia, transporte, comunicações, drones aéreos e procedimentos de verificação de rotas em condições reais de combate. O LRCA já registrou o desenvolvimento nacional de robôs para neutralização de explosivos e estudos com plataformas terrestres remotamente pilotadas. A experiência ucraniana sugere aplicações a investigar, sem demonstrar que as soluções brasileiras já disponham das mesmas capacidades.

