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31 outubro, 2026

Exército faz primeiro tiro real com REMAX 4 em robô terrestre nacional

Ensaios do CTEx no CAEx integraram a estação de armas da ARES ao Apollo, plataforma da Ambipar Robotics; resultado é marco de engenharia, ainda distante da qualificação operacional



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LRCA Defense Consulting - 31/10/2026 - 07h50

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) conduziu, entre 25 e 29 de outubro de 2026, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), no Rio de Janeiro, os primeiros testes de integração entre o sistema de armas remotamente controlado (SARC) REMAX 4, da ARES Aeroespacial e Defesa, e o Apollo, veículo terrestre não tripulado desenvolvido pela Ambipar Robotics. Segundo o CTEx, o objetivo foi verificar a eficiência e a confiabilidade da integração e avaliar, de forma preliminar, a estabilidade e o desempenho do conjunto. O ponto alto ocorreu em 28 de outubro, quando o REMAX realizou disparos reais com operação totalmente remota, feito que o CTEx e a ARES apresentam como inédito para o sistema.

A distinção merece explicação. O REMAX sempre foi operado à distância: instalado em blindados como o Guarani, permite que o atirador dispare abrigado no interior da viatura. A novidade é que, no Apollo, não há ninguém embarcado; plataforma e armamento são comandados de fora do veículo, por enlace, o que reduz a exposição do operador. Trata-se de um sistema teleoperado, com a decisão de tiro nas mãos de um militar, e não de emprego autônomo de força letal, como a referência do comunicado a sistemas autônomos poderia sugerir.

À revista Tecnologia & Defesa, Henrique Saraiva, engenheiro da ARES e líder técnico da integração, classificou o "primeiro disparo do REMAX com operação totalmente remota" como um marco do projeto, obtido poucos dias após a montagem do conjunto. 


Tiro real com metralhadora de 7,62 mm 
Os detalhes publicados em 30 de outubro pela Tecnologia & Defesa complementam o comunicado do CTEx. No dia 28, a REMAX 4 foi equipada com uma metralhadora M240B, de calibre 7,62 x 51 mm, e efetuou os disparos reais, com resultados descritos como satisfatórios. No dia 29, recebeu uma metralhadora Browning M2, de calibre .50 (12,7 x 99 mm); a publicação não registra tiro real com esse armamento. Também foram feitos testes preliminares de mobilidade em diferentes tipos de terreno.

Segundo a revista, o primeiro protótipo do Apollo tem tração 4x4, massa de 750 kg, capacidade de carga de outros 750 kg, velocidade de 5 km/h e autonomia de cinco horas. Foi construído em três meses, com orientação do CTEx, e recebeu a REMAX 4 em um dia. Fernanda Morelli, diretora executiva da Ambipar Response Robot, afirmou que a próxima versão terá desempenho significativamente superior, sem detalhar parâmetros.

A velocidade informada equivale ao passo de um homem e revela a natureza experimental do conjunto. Basta para ensaios de integração, mas não para acompanhar tropa embarcada nem para deslocamentos táticos rápidos, exigências que a versão seguinte terá de atender. 


Das conversas ao tiro em menos de três meses 
O resultado fecha uma sequência acompanhada pela LRCA Defense Consulting. Em 31 de julho, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no CTEx, uma plataforma robótica sobre esteiras da Ambipar Robotics foi apresentada com lançador duplo do míssil anticarro MAX 1.2 AC, da SIATT, como registrou o portal em 2 de agosto. Em 5 de agosto, a LRCA noticiou as conversas entre a Ambipar Robotics e a ARES sobre a integração de sistemas de armas em veículos não tripulados, ainda sem anúncio formal de parceria.

Em 19 de agosto, a Tecnologia & Defesa informou que a ARES desenvolvia um controle à distância para a REMAX 4, destinado ao Sistema de Veículo Terrestre Remotamente Pilotado (SVTRP) coordenado pelo CTEx, com a Ambipar e o apoio da SIATT. Pouco depois, a empresa apresentou ao Exército a solução sem fio, instalada para testes em uma viatura M113 BR. Os disparos de outubro mostram a evolução dessa frente de trabalho, embora a arquitetura das comunicações e suas proteções não tenham sido divulgadas.

O precedente do THeMIS 

O ineditismo tem limites claros. Em 18 de abril de 2023, após a LAAD, o CAEx recebeu uma demonstração do THeMIS, veículo não tripulado da estoniana Milrem Robotics, empresa do EDGE Group, equipado com a mesma REMAX 4, instalada no local em cerca de uma hora. A presença desse armamento em um robô terrestre, portanto, já havia sido vista no País; os registros daquela demonstração, porém, não mencionam tiro real com comando remoto. O que se apresenta agora como novo é a combinação de disparo efetivo, operação totalmente remota e plataforma nacional. 


Uma base para várias missões 

De acordo com as informações divulgadas, o Apollo foi concebido como plataforma multifuncional: além de estações de armas, poderá servir a transporte logístico, evacuação de feridos e inteligência. A integração de lançadores do MAX 1.2 AC está prevista, mas dependerá de ensaios específicos. A configuração exibida em 31 de julho, sobre esteiras, era outra plataforma da Ambipar e não comprova que o Apollo já tenha operado com o míssil.

A lógica acompanha a experiência da guerra na Ucrânia, onde veículos terrestres não tripulados, entre eles o próprio THeMIS, vêm sendo usados em evacuação de feridos, transporte de suprimentos e limpeza de rotas. Para a Base Industrial de Defesa (BID), uma plataforma apta a receber diferentes módulos permite aproveitar sistemas já desenvolvidos no País, desde que cada configuração seja validada quanto a estabilidade, alimentação elétrica, segurança do armamento e comando e controle.

Um sistema maduro em nova função 
O REMAX resulta de um projeto iniciado em 2006 pela ARES em parceria com o CTEx. A REMAX 4, estabilizada em dois eixos e dotada de câmeras diurna e termal e de telêmetro laser, teve sua padronização no Exército formalizada por portaria em abril de 2026, quando a família REMAX já somava mais de 300 unidades em operação. Sua adaptação a um veículo sem tripulação abre novas formas de emprego para uma tecnologia conhecida da tropa, mas exige um conjunto próprio de verificações. 


O que ainda falta saber 

Não foram divulgados o alcance do enlace de controle, o comportamento sob interferência ou bloqueio eletrônico, a precisão dos disparos com o veículo em movimento, os mecanismos de segurança em caso de perda de comunicação nem avaliação pela tropa. Tampouco houve anúncio de encomenda, produção seriada ou incorporação do Apollo ao Exército. Os ensaios representam validação preliminar de engenharia, não a conclusão de um processo de qualificação militar.

Há também um fator empresarial a observar. O Grupo Ambipar está em recuperação judicial desde outubro de 2025, com reestruturação de dívidas superiores a R$ 10 bilhões, e a assembleia de credores que votaria o plano foi suspensa por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em setembro de 2026. Não há informação pública sobre eventual efeito do processo na unidade de robótica, mas a solidez financeira do fornecedor será variável relevante se o projeto avançar para aquisição.

O Apollo deverá ser apresentado ao público na Mostra BID Brasil 2026, de 24 a 26 de novembro, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Será a ocasião para saber se o protótipo de 5 km/h já tem sucessor e quais são os próximos passos do programa.

13 maio, 2026

De 2023 à guerra de hoje: o recado do Exército ao mercado de defesa

Post do COTER/DF/CAEx sobre o UGV THeMIS chega quando a Força acaba de aprovar política que coloca sistemas não tripulados no centro de sua transformação

UGV THeMIS integrado ao sistema de armas de controle remoto REMAX 4
 

*LRCA Defense Consulting - 13/05/2026

O Comando de Operações Terrestres (COTER), juntamente com a Diretoria de Fabricação (DF) e com o Centro de Avaliações do Exército (CAEx), publicou nas redes sociais, nesta semana, imagens sobre a demonstração do veículo terrestre não tripulado THeMIS, realizada em abril de 2023 no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), na Marambaia (RJ). O evento, promovido pela Milrem Robotics e pelo EDGE Group, apresentou o veículo integrado ao sistema de armas de controle remoto REMAX 4, de tecnologia nacional.

Veículos Terrestres Não Tripulados (UGVs), ou "drones terrestres", são robôs operados remotamente ou autônomos que atuam em solo, essenciais em cenários perigosos. Amplamente usados em 2025 e 2026 para logística, desminagem e evacuação, especialmente na Ucrânia, eles oferecem baixo perfil e riscos reduzidos aos soldados. Podem integrar drones aéreos presos (tethered) para inteligência 360°. 

À primeira vista, a publicação poderia parecer apenas um registro histórico ou um exercício de ufanismo institucional, do tipo “o Exército viu antes de todo mundo”. Mas o contexto em que o post aparece sugere algo mais calculado.

Da prospecção à política formal
Em 9 de abril de 2026, menos de cinco semanas antes da publicação do 
COTER/DF/CAEx, o general Tomás Paiva assinou a Portaria nº 2.662, que aprova a Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031). O documento representa a mais profunda reformulação doutrinária da Força Terrestre nas últimas quatro décadas, segundo analistas especializados.

Entre os pilares centrais da nova política está, precisamente, a “integração de sistemas não tripulados (drones) em diversos escalões”, com emprego previsto em plataformas aéreas, terrestres e marítimas. O documento determina ainda a incorporação acelerada de tecnologias emergentes, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa nacional e a atualização doutrinária para operações multidomínio, os mesmos três eixos que o COTER/DF/CAEx destacaram ao descrever a demonstração de 2023.

Em outras palavras: o que em 2023 era prospecção tecnológica virou, em 2026, orientação estratégica formal.

O intervalo entre a demonstração e o post
O THeMIS já era conhecido do Exército desde pelo menos a LAAD 2023, feira de defesa realizada no Rio de Janeiro em abril daquele ano, quando a Milrem Robotics o apresentou pela primeira vez na América Latina. A demonstração no CAEx ocorreu dias depois, com a presença do general Alexandre Martins Castilho, então chefe do Centro Tecnológico do Exército (CTEx). O evento foi noticiado na época por portais especializados como o Tecnodefesa.

O THeMIS é um veículo de lagartas com motorização híbrida diesel/elétrica, peso de 1.650 kg e capacidade de carga de até 1.200 kg. Sua arquitetura modular permite configurações para transporte logístico, evacuação de feridos, reconhecimento, desativação de explosivos e apoio de fogo remoto. O sistema está em uso em 16 países, incluindo oito membros da OTAN.

Entre 2023 e agora, o interesse do Exército pelos sistemas não tripulados terrestres não ficou estacionado. Em dezembro de 2025, a Diretoria de Fabricação abriu consultas públicas para identificar fornecedores de drones de ataque, tanto os do tipo kamikaze (Sistemas de Munições Remotamente Pilotadas, ou SMRP) quanto os reutilizáveis com capacidade de lançar munições (SARP). O movimento, noticiado no fim do ano passado, ocorreu em paralelo a uma solicitação semelhante da Comissão do Exército Brasileiro em Washington.

Recentemente, surgiram informes de que conhecidas empresas brasileiras de defesa já estão se movimentando para desenvolver modelos de UGVs, inclusive armados, o que pode significar que perceberam a nova tendêcia das Forças Armadas e estão se agilizando, ou receberam um input delas para tanto.

 

Por que publicar agora
A publicação do 
COTER/DF/CAEx tem uma leitura institucional bastante clara: ao resgatar a demonstração de 2023, a Força sinaliza continuidade e coerência. Mostra que a nova política de transformação não surgiu do nada, mas é o desdobramento de um processo de prospecção que vinha sendo conduzido há pelo menos dois anos. É, em resumo, a narrativa do “não nos pegaram de surpresa”.

O contexto geopolítico reforça a urgência do recado. A guerra na Ucrânia tornou os sistemas não tripulados terrestres parte incontornável do debate militar mundial. O próprio documento da Política de Transformação cita a “proliferação de sensores, sistemas não tripulados e fogos de precisão” como uma das lições fundamentais dos conflitos recentes, e aponta que o Exército não estará preparado para esse cenário se não acelerar a transformação.

Há também uma dimensão de Base Industrial de Defesa. Ao destacar a integração do THeMIS com o REMAX 4, sistema de armas nacional, o Exército sinaliza ao mercado que a demanda por tecnologia estrangeira passa necessariamente por parcerias com a indústria brasileira. Não por acaso, a nova política estabelece que os investimentos em modernização devem beneficiar empresas nacionais.

R$ 400 bilhões e o desafio do financiamento
A nova política estima que serão necessários R$ 400 bilhões até 2040 para viabilizar a modernização completa da Força Terrestre. As primeiras mudanças já estão sendo incorporadas ao Plano Estratégico do Exército 2024-2027, com consolidação prevista para o ciclo 2028-2031. Analistas, porém, alertam que, sem financiamento adequado, parte das transformações pode avançar mais devagar do que o planejado.

O que o post do COTER/DF/CAEx faz, nesse quadro, é simples mas eficaz: ancora no passado recente uma transformação que começa agora. O THeMIS visto em 2023 no Campo de Provas da Marambaia pode nunca ser comprado pelo Exército Brasileiro, mas o fato de ele ter sido avaliado serve, hoje, como prova de que a instituição estava atenta quando o futuro ainda era tendência.

26 abril, 2022

Centro de Avaliações do Exército apoia teste de ingração de sistema de armas


*Noticiário do Exército - 22/04/2022

O Centro de Avaliações do Exército (CAEx) apoiou, no período de 5 a 13 de abril, testes de integração da Viatura Blindada Multitarefa Leve sobre Rodas 4x4 (VBMT-LR 4x4) com o sistema de armas REMAX 4. A atividade, conduzida pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e pela empresa Ares, contou com o apoio da diretoria de fabricação e da empresa IVECO.

Militares e técnicos do CTEx, do CAEx e engenheiros da Ares participaram das atividades, cujo objetivo foi realizar testes de integração da viatura IVECO LMV-BR 4x4 com o sistema de armas REMAX 4, da Ares. O objetivo dos testes é viabilizar a continuidade do projeto REMAX, otimizado por novas interfaces mecânicas e elétricas na plataforma veicular.

Foram efetuados testes de rodagem em diversos tipos de terreno para verificar padrões e realizar a convergência na malha de estabilização do sistema de armas. Foram efetuados tiros com a viatura parada e em movimento, usando os calibres 7,62 mm e .50 polegada. Foi avaliado o comportamento do sistema, que mantém a linha de visada no alvo com emprego de traqueamento de imagem, quando alvo e viatura podem estar estacionados ou em movimento.

O REMAX 4 possui, como diferencial em relação à versão anterior, uma maior capacidade de armazenamento de munição, além de ser mais leve e mais compacto. No REMAX 4, a consciência situacional proporcionada pelo equipamento permite ao chefe da viatura acessar as mesmas informações que o atirador, a respeito da viatura e do alvo, o que caracteriza constante melhoria na modernização e atualização do equipamento e prolonga o ciclo de vida dos sistemas e materiais de emprego militar do Projeto Guarani.

A melhora contínua da família de blindados sobre rodas e de sistemas tecnológicos de armas remotamente controladas são produto do trabalho constante do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército e da Base Industrial de Defesa e Segurança.

02 dezembro, 2021

Ares apresenta a nova versão do REMAX 4 ao público pela primeira vez


*LRCA Defense Consulting - 03/12/2021

Durante a 10ª edição da Conferência de Sistemas e Tecnologia Militar (CSTM), realizada entre os dias 24 e 28 de novembro, em Brasília (DF), a ARES Aeroespacial e Defesa apresentou pela primeira vez ao público a nova versão do REMAX 4. A estação de armas que possui alto nível tecnológico foi desenvolvida e fabricada em parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx).

O REMAX 4 passará a integrar a Viatura Blindada Multitarefa, Leve Sobre Rodas (VBMT-LSR) 4x4 e traz mudanças significativas, como a redução da altura em 20% e do peso em 12 kg.

Além do aumento da capacidade do cofre da munição, o projeto permite integração com outros armamentos, como lançadores automáticos de granadas e mísseis anti-carro, além da integração de um sistema de alerta laser - ELAWS 2, da Elbit Systems.

Na apresentação, estiveram presentes, pelo Exército Brasileiro, o Diretor de Fabricação, General de Brigada Tales Villela, o Comandante Militar do Sul, General de Exército Valerio Stumpf Trindade, o atual 4º Subchefe do Estado-Maior do Exército, General de Brigada Julio Cesar Palú Baltieri, além de outras autoridades.

No dia 02, a empresa concluiu os testes de fábrica do lote que irá compor a soma de 68 sistemas Remax produzidos ao longo de 2021. Os sistemas seguirão para o 4° Depósito de Suprimento do Exército Brasileiro e posteriormente serão integrados nas viaturas produzidas pela Iveco Brasil.



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