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27 maio, 2026

XMobots lança sensor eletro-óptico para helicópteros e drones com preço até 50% menor que soluções estrangeiras

O XSIS 222A combina câmera termal, zoom de 30x, telêmetro e apontador laser em um gimbal de menos de 6 kg; sistema, desenvolvido integralmente no Brasil, já passou por demonstrações operacionais para policias militares e integra o SARP CAT 2 adquirido pelo Exército Brasileiro 


*LRCA Defense Consulting - 27/05/2026

A XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, apresenta ao mercado de segurança pública e defesa o XSIS 222A, um gimbal eletro-óptico desenvolvido e produzido integralmente no Brasil para ampliar a consciência situacional de aeronaves tripuladas e remotamente pilotadas em missões críticas. Com peso inferior a 6 kg e perfil de 22 cm, o sensor reúne câmera de alta definição, infravermelho termal, telêmetro laser e apontador laser IR em uma plataforma compacta compatível com o drone Nauru 1000C e com helicópteros.

O nome do produto reflete sua arquitetura: XSIS é a sigla de XMobots Stabilized Imaging System. A estabilização ocorre simultaneamente nos três eixos mecânicos, por acionamento direto (direct drive), e em mais três eixos digitais, eliminando vibrações e mantendo o horizonte nivelado, condição essencial para missões de vigilância de longa duração.

Capacidades técnicas e alcance operacional
A câmera eletro-óptica (EO) Full HD oferece zoom óptico de 30x, com campo de visão mínimo de 1 grau. O sensor infravermelho (MWIR, mid-wavelength infrared, faixa de 3 a 5 micrômetros) é resfriado e entrega imagem SD com zoom óptico de 14x e campo de 2 graus, possibilitando identificação de alvos em total escuridão. A função picture-in-picture combina as duas imagens simultaneamente na tela do operador.

Segundo os critérios de Johnson, utilizados pela indústria para medir a eficácia de sensores de vigilância, o XSIS 222A consegue detectar um ser humano a distâncias entre 15 km e 30 km e identificá-lo entre 2 km e 8 km. Para veículos, a detecção chega a até 72 km em condições ideais. Esses números colocam o sensor em patamar comparável ao de equipamentos importados de fabricantes europeus e norte-americanos, segundo a empresa.

O processador embarcado suporta compressão H.265, telemetria KLV e transmissão unicast e multicast. A conexão com a aeronave é feita por cabo Ethernet único, com protocolo aberto. Um cartão SD removível com comando de apagamento seguro de dados completa o conjunto, atendendo requisitos operacionais de sigilo em missões táticas. A classificação NON-ITAR, a sigla em inglês de International Traffic in Arms Regulations, viabiliza a exportação sem as restrições impostas pela legislação norte-americana de controle de armamentos.

 

Segurança pública: demonstrações para polícias militares e feiras do setor
A XMobots realizou demonstrações operacionais do XSIS 222A para policias militares de diferentes estados brasileiros, exibindo as capacidades do sensor em cenários que exigem resposta rápida. Entre as funções destacadas estão o monitoramento em tempo real, o rastreamento de pessoas, a leitura automática de placas de veículos e o reconhecimento facial integrado via API a bancos de dados externos.

O sistema esteve em exibição na Drone Policial 2026, realizada em março em Foz do Iguaçu (PR), e na LAAD Milipol Security Brazil 2026, em abril no Rio de Janeiro, dois dos principais eventos do setor de segurança pública no país. Em maio de 2026, a empresa levou o produto à XPONENTIAL 2026, maior feira de robótica e sistemas autônomos dos Estados Unidos, realizada em Houston.

A empresa destaca como diferenciais competitivos o custo-benefício, com valores até 50% inferiores em relação a soluções internacionais equivalentes, e a estrutura de suporte inteiramente nacional, incluindo programa de treinamento, assistência técnica e pós-venda realizados no Brasil.

Histórico militar: o Exército Brasileiro e o SARP CAT 2
Antes de chegar ao mercado de segurança pública, o XSIS já acumula histórico no ambiente militar. O Exército Brasileiro contratou a XMobots para fornecer o SARP CAT 2 Nauru 1000C, sistema composto por três aeronaves remotamente pilotadas de decolagem e pouso vertical, dois gimbals XSIS 222A intercambiáveis, dois radares (um indicador de alvos móveis terrestres e um de abertura sintética), terminais de comunicação e estações de controle embarcadas em contêiner. As entregas tiveram início em março de 2022.

Para habilitar os militares a operar o conjunto, a XMobots realizou mais de 660 horas de instrução teórica e 200 horas de treinamento prático ao longo de sete fases. A empresa empregou examinadores credenciados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para qualificar os soldados, inédito no Brasil no contexto de operadores militares de drones. O Exército emprega os sistemas em missões de defesa, segurança e vigilância do território nacional.

Software de operação e integração com o ecossistema XMobots
O XSIS 222A opera em conjunto com o XSIS Manager, software de mapeamento móvel da própria XMobots que permite planejar e executar missões de inteligência, vigilância, reconhecimento, aquisição de alvos e busca e salvamento. A interface exibe as coordenadas geográficas do alvo rastreado em tempo real e aceita a inserção manual de coordenadas de apontamento pelo operador.

O gimbal também acompanha automaticamente a proa da aeronave remotamente pilotada (função Segue RPA), rastreia alvos fixos e móveis em solo, como pessoas, carros e embarcações, e determina as coordenadas geográficas dos alvos com o telêmetro laser. O sistema opera sem o efeito de "gimbal-lock no nadir" (também chamado de "singularidade de buraco de fechadura" ou keyhole singularity), condição técnica que garante liberdade de movimento irrestrita quando a câmera aponta diretamente para baixo, crítica em missões de vigilância urbana.

Indústria de defesa brasileira e competição internacional
O XSIS 222A é descrito pela XMobots como o primeiro gimbal eletro-óptico voltado para defesa e segurança desenvolvido integralmente no Brasil. A caracterização é relevante num setor historicamente dominado por fornecedores norte-americanos, israelenses e europeus. A classificação NON-ITAR amplia o leque de potenciais clientes internacionais, já que países com restrições ao acesso a tecnologias sob controle dos EUA podem adquirir o produto sem entraves regulatórios adicionais.

A diretora comercial e de marketing da companhia, Thatiana Miloso, afirmou durante a XPONENTIAL 2026 que o foco da empresa é desenvolver sistemas completos, preparados para operações complexas e para as novas demandas globais de defesa e segurança. O CEO e fundador da XMobots, Giovani Amianti, representou a empresa na feira norte-americana ao lado do especialista em novos negócios Caique Garbim.

Ficha técnica: XSIS 222A

Sistema: XSIS 222A (XMobots Stabilized Imaging System)

Tipo: gimbal eletro-óptico de 3 eixos com estabilização giroscópica e digital

Câmera EO: Full HD, zoom óptico de 30x

Câmera MWIR: SD, zoom óptico de 14x (infravermelho termal resfriado)

Sensores adicionais: telêmetro laser e apontador laser infravermelho

Peso: inferior a 6 kg | Perfil: 22 cm

Detecção EO (humano): 15–30 km | Identificação: 2–8 km

Detecção EO (veículo): até 72 km (valor teórico)

Classificação de exportação: NON-ITAR

Compatibilidade: Nauru 1000C e helicópteros tripulados


20 maio, 2026

O Brasil arma suas máquinas: drones terrestres e aéreos avançam na Base Industrial de Defesa

Em menos de dois anos, o Brasil passou de observador a protagonista na corrida global pelos sistemas autônomos de combate. Robôs EOD nacionais já integram o Exército, drones armados avançam em bancadas de engenharia e fabricantes consolidados como a Taurus anunciam portfólios que vão do calibre .22 ao .50, agora também podendo ser embarcados em veículos não tripulados terrestres e aéreos.
 
Primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país pela Ambipar Robotics (imagem original renderizada com IA)

 
*LRCA Defense Consulting - 20/05/2026
Em meados de maio de 2026, o Exército Brasileiro recebeu o primeiro robô de Neutralização de Artefatos Explosivos (EOD — Explosive Ordnance Disposal) inteiramente produzido no país. O sistema foi fabricado pela Ambipar Robotics, de Jacareí (SP), e foi entregue ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate, onde será usado no processo de certificação de tropas brasileiras para missões de paz da ONU, no âmbito do United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS).
A diretora executiva da empresa, Fernanda Morelli Macedo, celebrou a entrega nas redes sociais como "o primeiro robô militar nacional desenvolvido no Brasil", ressaltando que a conquista demonstra que o país possui capacidade técnica e profissionais qualificados para desenvolver tecnologias estratégicas de alto valor. A plataforma é descrita como multi-operacional e foi desenvolvida com apoio da empresa Detronics.
A chegada do robô EOD nacional é especialmente relevante porque, até então, o Exército Brasileiro operava equipamentos importados nessa função, como os modelos alemães tEODor e Telemax, que por anos foram mantidos de forma artesanal, inclusive com peças reproduzidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) da FAB. O novo sistema da Ambipar Robotics representa, portanto, um salto de soberania tecnológica.
A Taurus avança para os UGVs armados
Enquanto a Ambipar Robotics consolida sua presença no segmento EOD, a Taurus Armas revelou, em live com analistas e investidores realizada em 18 de maio de 2026, que está desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, um conjunto de veículos não tripulados, tanto aéreos quanto terrestres (UGV), destinados a receber as armas de médio e pesado calibre que a empresa pretende produzir quando a tecnologia estiver disponível.
O anúncio foi feito pelo CEO global Salesio Nuhs durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. Nuhs não revelou o parceiro tecnológico para o desenvolvimento dos UGVs, mas analistas do setor apontam que a Ambipar Robotics, já fornecedora de plataformas robóticas ao Exército, seria uma parceira natural, embora nenhuma das empresas tenha confirmado tal acordo.
O drone aéreo armado da Taurus já existe em forma concreta: o TAS (Tactical Air Soldier), um quadricóptero equipado com armamento tático nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e 9 mm, foi apresentado inicialmente na LAAD Defence & Security 2025, no Rio de Janeiro, e reapresentado no World Defense Show 2026, em Riade, na Arábia Saudita. Segundo a empresa, o TAS foi desenvolvido com um fabricante brasileiro de drones do agronegócio e conta com câmera 4K estabilizada em três eixos, sistema de controle de fogo integrado, sensores de distância, ponteiro laser e identificação de alvos com inteligência artificial embarcada.
A Marinha do Brasil, por meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), já assinou com a Taurus um Protocolo de Intenções para o desenvolvimento de novos sistemas de armas, incluindo o drone armado, destinado às tropas anfíbias. A cerimônia contou com o apoio institucional do BNDES, alinhada à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê R$ 112,9 bilhões em investimentos em defesa até 2026.
Para completar o portfólio de armas coletivas que alimentará esses sistemas autônomos, a Taurus negocia a aquisição da fabricante turca Mertsav Savunma, especializada em metralhadoras nos calibres 5,56 mm, 7,62 mm e .50 BMG, além de fuzis, pistolas e lança-granadas. O CEO afirmou, na mesma live de maio de 2026, que a due diligence está "bastante avançada" e que a decisão deve ser tomada "com certeza absoluta" até o final do ano. A estratégia é trazer a tecnologia para São Leopoldo (RS) a fim de atender às Forças Armadas brasileiras. "A Taurus será a única empresa fabricante de armas do mundo que vai ter um portfólio do calibre .22 ao calibre .50", disse Nuhs.
TAS (Tactical Air Soldier), da Taurus Armas
XMobots: do reconhecimento ao combate reutilizável
A XMobots, de São Carlos (SP), apontada como a sexta maior empresa de drones civis do mundo, avança em duas frentes distintas no segmento de defesa. A primeira é a versão armada do Nauru 1000C, drone de 150 kg já utilizado pelo Exército Brasileiro em missões de inteligência e reconhecimento de fronteiras. Em parceria com a MBDA, maior grupo de mísseis da Europa, a empresa integra ao Nauru 1000C dois mísseis Enforcer Air, projetados para atingir veículos com blindagem leve a até 8 km de distância. Esse seria o primeiro sistema de arma aéreo não tripulado genuinamente brasileiro.
A segunda frente é o Nauru 100D, lançado em abril de 2025 sob a marca XMobots Defense. Trata-se de um sistema tático de vigilância de 9 kg, montável em menos de três minutos a partir de duas mochilas, com decolagem e pouso vertical elétrico (eVTOL) e até seis horas de autonomia. Na LAAD Security Milipol Brazil 2026, realizada em São Paulo em abril de 2026, a empresa revelou o conceito UCAV (Unmanned Combat Aerial Vehicle) do aparelho: uma versão armada capaz de atacar a 60 metros de altura com bombas de alto explosivo (HE) ou cargas antitanque (HEAT), corrigir a trajetória em tempo real e retornar à base para ser rearmado e operar novamente, diferenciando-se das chamadas munições vagantes (loitering munitions), que são descartadas no impacto.
Além do UCAV, a XMobots apresentou o conceito Swarm (enxame): até 30 aeronaves lançadas simultaneamente a partir de um contêiner de 20 pés, três para reconhecimento e 27 para ataque coordenado, com alcance previsto entre 120 km e 340 km. A empresa afirma ter capacidade produtiva de 360 unidades por mês e ter iniciado a fabricação de um lote-teste de 20 sistemas. Em janeiro de 2026, a XMobots também firmou acordo de cooperação técnica com a Marinha do Brasil e a Petrobras para adaptar drones da família Nauru a operações embarcadas em navios, com investimento de R$ 40 milhões.
Drones Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA (acima) e Nauru 100D armado com granada de alto explosivo (HE) (abaixo)

O Exército quer mais: consulta por drones armados SARP 3
O Estado-Maior do Exército (EME) abriu, em março de 2025, consulta pública para a aquisição de até três Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas categoria 3 (SARP 3). Os requisitos publicados no edital são exigentes: peso máximo de decolagem de 700 kg, alcance mínimo de 300 km, altitude máxima de 18.000 pés e autonomia de pelo menos 48 horas. Em termos de armamento, o Exército espera que as aeronaves sejam capazes de transportar ao menos quatro foguetes de 70 mm ou dois mísseis guiados por laser com alcance mínimo de 4 km, além de bombas ou granadas não guiadas. O edital previa consulta aberta até 4 de agosto de 2025.
Atualmente, todas as aeronaves remotamente pilotadas no arsenal das Forças Armadas brasileiras são de monitoramento; nenhuma porta armamento. A consulta pública do EME sinaliza que essa realidade deve mudar em horizonte próximo.
A guerra na Ucrânia como laboratório: drones armados com espingardas
O conflito na Ucrânia continua acelerando a inovação tática em sistemas não tripulados. Pilotos ucranianos passaram a equipar seus VANTs com armas de fogo para abater quadricópteros FPV (first person view) russos, criando uma nova forma de combate aéreo em que os pilotos, sentados a quilômetros de distância, duelam indiretamente nos céus por meio de suas máquinas. Analistas de defesa observam que esse desenvolvimento não é uma excentricidade, mas o próximo passo lógico após meses de testes com armas completas embarcadas em drones de baixa altitude realizados por ambos os lados. O fenômeno reforça a percepção de que qualquer sistema não tripulado moderno precisa, já no projeto, incorporar capacidade de ataque ou de resposta a ameaças aéreas.
Base Industrial de Defesa: avanço real, desafios estruturais
Os desenvolvimentos recentes indicam que a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira saiu de uma posição praticamente inativa nesse segmento para articular, em menos de dois anos, múltiplas iniciativas simultâneas: o primeiro robô EOD nacional (Ambipar Robotics), o primeiro drone armado com potencial de emprego em forças especiais e fuzileiros navais (Taurus/TAS), os primeiros testes de mísseis em drone brasileiro (XMobots/MBDA) e os primeiros conceitos de enxame e UCAV reutilizável (XMobots/Nauru 100D).
Analistas do setor, porém, alertam que as iniciativas ainda carecem de uma estratégia nacional integrada. O documento Defesa BR 2027–2057, referenciado em publicações especializadas, propõe a criação de um Comando de Drones e Robôs de Combate (CDRC) centralizado no Ministério da Defesa, com centros regionais vinculados às três Forças. A proposta permanece no plano conceitual, mas ganha relevância à medida que os projetos industriais avançam e que as informações das guerras atuais convergem para essa necessidade.
A Nova Indústria Brasil (NIB), com sua Missão 6 voltada à defesa nacional, representa o principal vetor de financiamento público. Os R$ 112,9 bilhões previstos até 2026 e a meta de 55% de domínio das tecnologias críticas de defesa são sinais de que o governo federal reconhece a urgência estratégica do tema. O desafio agora é transformar protótipos e memorandos de intenção em sistemas certificados, produzidos em escala e integrados à doutrina das Forças Armadas.

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