Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador Tamandaré. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tamandaré. Mostrar todas as postagens

05 março, 2024

Resiliência financeira em projetos de Defesa: o caso da Emgepron e das fragatas Classe Tamandaré


*InvestDefesa, por Rodrigo Campos - 04/03/2024

Em tempos de incertezas econômicas amplificadas por crises globais, a capacidade de um país de manter seus Projetos Estratégicos de Defesa torna-se um indicador de sua resiliência e compromisso com a soberania nacional.

A recente notícia de que a EMGEPRON – Empresa Gerencial de Projetos Navais, vinculada umbilicalmente à Marinha do Brasil, enfrenta um déficit de R$ 2,95 bilhões  no Programa das Fragatas Classe Tamandaré, sem que isso afete o cronograma de entrega dos navios, destaca a importância da engenharia financeira na gestão de projetos de alta complexidade.

Este cenário evidencia a necessidade premente de fortalecer o ecossistema financeiro de defesa, assegurar a previsibilidade do orçamento público e garantir o fluxo financeiro para os Projetos Estratégicos de Defesa.

Importância da Engenharia Financeira em Defesa

Sobretudo em Projetos Estratégicos de Defesa, onde a complexidade e os custos elevados são a norma, uma engenharia financeira bem estruturada é crítica para a viabilização e garantia para a entrega desses projetos.

No contexto deste artigo, bem como na gestão de projetos como aqueles conduzidos pela Emgepron, a engenharia financeira refere-se ao conjunto de estratégias e técnicas para otimizar os recursos financeiros disponíveis e garantir o financiamento adequado para projetos de grande escala e longo prazo.

Essas estratégias incluem a diversificação de fontes de financiamento, a implementação de instrumentos de mitigação de riscos (e.g. seguro garantia), e a aplicação de métodos para a gestão eficaz de custos e investimentos. Na prática, envolve a análise detalhada das necessidades de financiamento, identificando as melhores opções para obter recursos, seja por meio de parcerias público-privadas, empréstimos, emissão de títulos, ou outras.

A recente iniciativa da Emgepron de buscar nova capitalização, diante do déficit projetado, é um exemplo claro de como a engenharia financeira pode assegurar a continuidade e o sucesso de projetos estratégicos, apesar das adversidades.

Emgepron: Um Modelo para as Forças Armadas
A Emgepron, como braço estratégico da Marinha do Brasil, exemplifica um comprometimento excepcional com a inovação e a resiliência frente aos desafios financeiros. Ela não apenas navega com habilidade por águas turbulentas financeiras, mas demonstra uma capacidade de manter a excelência técnica e operacional, uma qualidade indispensável em projetos de defesa de alta complexidade e de importância estratégica.

Tanto o Exército quanto a Aeronáutica do Brasil estão igualmente empenhados em proteger seus Projetos Estratégicos contra as restrições orçamentárias, aplicando diferentes estratégias para assegurar a continuidade e a eficácia de suas iniciativas. No entanto, a inovação trazida pela Marinha do Brasil, quando criou a Emgepron, sugere um modelo potencialmente replicável que poderia servir de inspiração para as outras Forças.

A singularidade da Emgepron reside numa estrutura que a permite agir não apenas como um executor de projetos, mas como um agente de inovação financeira e técnica, uma vez que é uma empresa pública não-dependente do Orçamento da União. Isso lhe proporciona uma camada adicional de flexibilidade e resiliência em sua gestão econômico-financeira, facilitando a superação de desafios dos mais diversos, minimizando o impacto negativo de fatores exógenos que poderiam comprometer a integridade e o progresso de seus projetos.

A existência de uma empresa como a Emgepron, focada na gestão de projetos de defesa com expertise técnica e capacidade de inovação financeira, pode servir como uma valiosa inspiração para o Exército e a Aeronáutica. A adoção de um modelo semelhante por estas Forças poderia não apenas aprimorar a gestão de seus projetos estratégicos, mas promover uma maior integração e cooperação com a Indústria de Defesa brasileira.

O Papel do Governo na Sustentação dos Projetos de Defesa

É crítico que o Governo Brasileiro reconheça a importância estratégica dos investimentos em Projetos Estratégicos de Defesa e se comprometa firmemente com seu financiamento. A sustentabilidade de longo prazo desses projetos depende não apenas de soluções financeiras inovadoras, mas também de um apoio governamental consistente e previsível. O compromisso do governo com os projetos de defesa não apenas fortalece a soberania nacional, mas também estimula o desenvolvimento tecnológico e a inovação dentro da Base Industrial de Defesa, contribuindo para a economia nacional de maneira significativa.

A construção de um ecossistema financeiro robusto que suporte efetivamente os projetos de defesa exige uma colaboração estreita entre o governo, a indústria de defesa, e as instituições financeiras. A implementação de mecanismos de financiamento inovadores e sustentáveis, juntamente com a melhoria da previsibilidade orçamentária e o estabelecimento de fundos de reserva para defesa, são passos cruciais nessa direção. Essas ações conjuntas podem assegurar um fluxo financeiro contínuo e estável, essencial para a realização de projetos de defesa de grande escala.

Conclusão
A experiência da Emgepron no manejo do Programa das Fragatas Classe Tamandaré ilustra a importância de uma gestão financeira inovadora e resiliente em Projetos Estratégicos de Defesa. A habilidade em superar desafios financeiros, mantendo a excelência técnica e a entrega de resultados, destaca o modelo da Emgepron como referência.

No entanto, é crucial reconhecer um fenômeno recorrente que observei em minha atuação como consultor em outras Forças: as superações sucessivas de adversidades financeiras podem criar uma distorção de percepção política e social, levando à crença de que os orçamentos iniciais estão majorados. Essa percepção errônea pode gerar desafios adicionais, como a redução de futuros orçamentos com base na premissa de que a eficiência financeira pode sempre compensar deficiências orçamentárias.

Tal cenário sublinha a importância de não apenas adaptar-se e superar desafios financeiros quando eles ocorrem, mas de trabalhar proativamente para evitar sua recorrência. A sustentabilidade financeira de longo prazo depende tanto da habilidade em gerenciar adversidades, quanto do compromisso em evitar que tais situações se manifestem no futuro.

*Rodrigo Campos é Especialista em Financiamentos, Seguros e Garantias para o Setor de Defesa; Pesquisador do Ecossistema Financeiro de Defesa.

14 setembro, 2021

Construção de fragatas ainda tem oportunidades para a indústria nacional

Fragata Classe Tamandaré (FCT)


*Portal BIDS - 13/09/2021

O Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT) ainda oferece uma série de oportunidades para empresas da base industrial naval e da base industrial de defesa do Brasil. A expectativa é que as atividades de construção das quatro unidades contratadas pela Marinha tenham início no começo de 2022.

O Consórcio Águas Azuis (uma Sociedade de Propósito Específico) e o estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), onde os navios serão construídos, buscam fornecedores de equipamentos e serviços no Brasil e no exterior. Eles seguem critérios de competitividade e de conteúdo local especificados pela força naval.

“Em todos os processos fazemos essa procura. É uma etapa de compliance que a empresa precisa fazer, onde buscamos fornecedores internacionais e alternativas. Comparamos e decidimos a melhor solução — com pilares e critérios diversos: comerciais, técnicos, engenharia, qualidade e conteúdo local”, afirmou o CEO Águas Azuis, Fernando Queiroz, na última semana, durante evento com representantes de fornecedores locais no estaleiro Brasil Sul, promovido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron).

Desafio

“Pedimos para que as empresas brasileiras aceitem o desafio e vejam com interesse as oportunidades geradas com essas quatro [unidades contratadas], mais a visão de futuro com potencial necessidade de mais navios e a operação com toda demanda durante 30 anos de operação e vida do navio”, ressaltou Queiroz. Ele acrescentou que existem pacotes de fornecedores estrangeiros que incluem fabricantes de componentes do Brasil.

O PFCT prevê 31,75% de conteúdo local mínimo para a primeira fragata, passando para a meta de 40,50% nas demais unidades, considerando materiais, serviços e mão de obra. A Emgepron e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmaram acordo para o acompanhamento e aferição do conteúdo local utilizando a metodologia do banco.

Oportunidades fechadas
CMS e IPMS — Atech;
Propulsores principais — MAN do Brasil;
Raytheon do Brasil — Sistema de navegação;
Sistema de extinção de incêndio — Johnson Controls do Brasil;
Sistema de climatização — Heinen & Hopman do Brasil;
Sistema de comunicação interno e externo — Rohde & Schwarz;
Medidas de apoio à guerra eletrônica (MAGE) — Omnisys;
Guindaste de Hangar — Strauhs;
Embarcações miúdas — DGS;
Cilindros (vasos de pressão) — Cigtech;
Proteção catódica — ICM;
Compressores — Sauer;
Bombas — Netzsch e Asvac;
Tintas — Jotun;
Isolamento térmico para tubulações e equipamentos — Acital;
Máquina de suspender, cabrestantes e RAS capstan — Strauhs;
Mesa cirúrgica e foco cirúrgico — AFAC;
Grupo gerador — MTU;

Oportunidades em aberto

Planta elétrica (em discussão) — Queiroz contou que existe um pré-contrato com um grande fornecedor elétrico, que precisará aliar o conhecimento com demanda e necessidade de conteúdo local (componentes);
Grupo gerador* — MTU (fechado), com previsão de alternador Weg (em análise);
Tubulações e acessórios (flanges e colares);
Proteção balística;
Válvulas diversas;
Escadas em geral e escadas tipo prancha (gangway);
Casulo para balsas salva-vidas, balsa salva-vidas e equipamentos de salvatagem diversos;
Fundição de aço e usinagem (peças pra montagem dos navios em si);
Módulos para sistemas de comunicação;
Escotilhas e porta de visita;
Sinos e gongos;
Âncoras e amarras;
Espaços habitáveis e espaços de cozinha (nível industrial);
Espaços de lavanderia (nível industrial);
Workshop (equipamentos, ferramentas e maquinários diversos);
Sistema de reabastecimento em mar;
Manufatura e instalação de sistemas de exaustão (mão de obra, fabricação, instalação);
Ammunition crane (guindaste para movimentação de guarnição);
Torpedo Stowage System;
Equipamentos de controle de avarias;

Oportunidades estaleiro (serviços)
Calibração de instrumentos;
Serviços de medição de ruído e vibração;
Ensaios não destrutivos – ultrassom;
Ensaios não destrutivos – gamagrafia;
Ensaios não destrutivos – líquido penetrante;
Ensaios não destrutivos – partículas magnéticas;
Usinagem de corpos de prova para ensaios mecânicos;
Testes de carga (guindastes e pontes);
Serviços de mergulho – inspeção de sistema de propulsão e casco;
Serviços para indústria metal-mecânica (usinagem, estruturas, etc) para navio e estaleiro;
Mão de obra – pintura (tubulação, elétrica, carpintaria);
Ativos (alguns galpões modulares, elementos metálicos, equipamentos etc);

Fonte: Sinaval/Portos e Navios/Danilo Oliveira

01 setembro, 2020

EMGEPRON assina Declaração da Eficácia do Contrato de obtenção das Fragatas “Classe Tamandaré”

 

 

*LRCA Defense Consulting - 01/08/2020

No dia 26 de agosto, na sede administrativa da EMGEPRON, no Rio de Janeiro (RJ), foi realizada a assinatura da Declaração da Eficácia do Contrato de obtenção das Fragatas “Classe Tamandaré”.

Esse ato administrativo representa um marco para a continuidade das etapas necessárias à construção de quatro modernos navios, dotados de elevado poder de combate e capacidade tecnológica.
 
O Programa Fragatas “Classe Tamandaré” integra o processo de renovação dos meios navais da Esquadra brasileira, visando incrementar a capacidade de defesa (monitoramento e proteção) da Amazônia Azul.

Os navios serão construídos em estaleiro nacional com elevados índices de conteúdo local, estando prevista a Transferência de Tecnologia. O fato contribuirá para a geração de empregos e para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa do País. 



 

Postagem em destaque