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21 agosto, 2026

O que realmente define uma Empresa Brasileira de Defesa?

O valor estratégico está no conhecimento, na engenharia e na capacidade industrial mantida no País 



*Mauro Beirão - 21/08/2026

A origem do capital e o controle acionário são fatores relevantes. Influenciam investimentos, propriedade intelectual e decisões estratégicas. No entanto, a dimensão de uma empresa de defesa vai muito além da composição societária. Seu verdadeiro valor estratégico reside no capital humano especializado, engenheiros e técnicos, na infraestrutura de P&D, nos laboratórios, nas instalações industriais e, sobretudo, no conhecimento e nas competências tecnológicas acumulados ao longo de décadas em território brasileiro. 

Uma distinção fundamental 

Uma empresa controlada por capital brasileiro pode depender amplamente de tecnologias concebidas no exterior. Em sentido inverso, uma empresa pertencente a um grupo internacional pode manter no Brasil centenas de profissionais especializados, realizar pesquisa e desenvolvimento, operar laboratórios e linhas de produção, desenvolver, integrar, fabricar e sustentar sistemas utilizados pelas nossas Forças Armadas.

Qual dessas empresas representa maior capacidade nacional?
Na indústria de defesa, a verdadeira riqueza está no conhecimento. O patrimônio real nem sempre aparece no balanço financeiro: está nas pessoas. Quando uma empresa de defesa desaparece, o País perde não apenas uma companhia, mas equipes, conhecimento tácito, fornecedores especializados, processos industriais e experiência acumulada. Algumas dessas competências levam décadas para serem reconstruídas. 

Um problema particularmente relevante no Brasil 
O Brasil desenvolveu uma expressiva indústria de defesa a partir das décadas de 1970 e 1980. Não conseguiu, porém, assegurar a continuidade das encomendas e dos investimentos necessários à sua sustentação. Programas estratégicos são frequentemente postergados, volumes de aquisição reduzidos e os recursos destinados à Defesa convivem historicamente com contingenciamentos e incertezas orçamentárias.

O Ministério da Defesa reconhece que a consolidação da Base Industrial de Defesa (BID) depende da atuação coordenada entre o Estado e o setor produtivo. Isso exige demanda interna consistente, previsibilidade orçamentária, continuidade dos programas estratégicos, investimentos sustentados em P&D, domínio de tecnologias críticas e redução de dependências externas. Também são fundamentais um marco regulatório estável, incentivos adequados, apoio às exportações e maior integração entre Forças Armadas, governo, indústria e academia.

A falta de previsibilidade produz consequências que vão além do adiamento de aquisições. Interrompe investimentos, desestrutura cadeias de fornecedores e, sobretudo, provoca a perda de profissionais altamente especializados e do conhecimento acumulado. É essa descontinuidade que explica por que tão poucas empresas brasileiras de defesa conseguem manter suas capacidades e sobreviver por longos períodos. 

O dilema da indústria de defesa brasileira 
Existe uma contradição que precisa ser enfrentada. O Brasil deseja uma BID forte, tecnologicamente autônoma e preferencialmente nacional. Ao mesmo tempo, frequentemente não oferece às empresas a previsibilidade de demanda necessária para sustentar estruturas altamente especializadas durante décadas. Depois, quando algumas enfrentam dificuldades, desaparecem ou são incorporadas por grupos internacionais, lamentamos a desnacionalização da indústria.

Considere uma empresa brasileira de eletrônica de defesa e tecnologia aeroespacial, criada há várias décadas e com participação relevante em alguns dos principais programas estratégicos das três Forças Armadas. Ao longo de sua trajetória, formou gerações de engenheiros, consolidou competências tecnológicas, implantou laboratórios e desenvolveu capacidades de produção e integração de sistemas. Também investiu na qualificação de seus profissionais, enviando-os ao exterior para absorver conhecimentos e tecnologias em alguns dos mais avançados centros da indústria mundial. Em determinado momento, passou a integrar um grande grupo internacional de defesa. O controlador tornou-se estrangeiro. Mas, em vez de reduzir sua presença no País, ampliou os investimentos locais. A engenharia permaneceu e cresceu no Brasil, assim como os laboratórios e a capacidade produtiva. Investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e treinamentos no exterior proporcionaram acesso a novos conhecimentos e tecnologias. A capacidade de engenharia foi quadruplicada.

Décadas depois, a empresa continua empregando centenas de brasileiros, mantém um corpo técnico altamente especializado, realiza atividades de P&D no País e fora dele e participa dos principais programas estratégicos das Forças Armadas do Brasil. Podemos defini-la simplesmente como estrangeira?

Do ponto de vista do controle societário, a origem estrangeira do capital é um fato. Sob a perspectiva da capacidade tecnológica, a realidade é bem mais complexa. Sua integração a um grupo internacional pode ter contribuído justamente para preservar no Brasil uma capacidade de engenharia que poderia ter sido perdida.

Isso não significa defender indiscriminadamente a aquisição de empresas brasileiras por grupos estrangeiros. Dependência tecnológica, propriedade intelectual, autonomia decisória, acesso a códigos-fonte, componentes críticos e restrições internacionais continuam sendo questões fundamentais para a soberania.

Significa, porém, reconhecer que nacionalidade do capital e nacionalidade da capacidade tecnológica não são necessariamente a mesma coisa. 

O que realmente deveria ser medido 
A legislação brasileira diferencia Empresa de Defesa (ED) de Empresa Estratégica de Defesa (EED) e estabelece requisitos específicos para cada categoria. Essa classificação jurídica é necessária e importante.

Mas existe uma dimensão adicional que deveria integrar a discussão sobre a BID:
  • Quanto de capacidade estratégica a empresa efetivamente mantém no País?

  • Quanto de alta tecnologia aplicada à defesa é desenvolvida no país?

  • Onde estão seus engenheiros, P&D, laboratórios e produção?

  • Quem domina a integração dos sistemas?

  • Quanto conhecimento foi efetivamente absorvido?

  • Qual é a capacidade brasileira de manter, modificar e modernizar determinado produto durante seu ciclo de vida?
Essas perguntas ajudam a medir algo que a simples composição acionária não consegue demonstrar: a densidade tecnológica existente no território brasileiro. 

Soberania exige continuidade 
Nenhuma indústria de defesa sobrevive apenas de discursos sobre soberania. A BID precisa de contratos, investimentos, exportações e, sobretudo, previsibilidade.

Não existe engenharia sem programas. Não existe P&D permanente sem recursos. Não existe linha de produção sem encomendas. E não existe preservação de conhecimento sem continuidade.

Os recorrentes contingenciamentos dos recursos destinados à Defesa não representam apenas um problema para as Forças Armadas. Eles afetam diretamente a capacidade de sobrevivência da própria indústria que o País afirma considerar estratégica. Quando um programa é postergado, pode parecer que o Brasil simplesmente deixou uma aquisição para o futuro. Mas existe um custo invisível: o engenheiro que deixa a empresa, o fornecedor que abandona determinado produto, o laboratório que deixa de receber investimentos e o conhecimento que deixa de ser transmitido à próxima geração. Quando os recursos finalmente retornam, reconstruir essas capacidades pode custar muito mais do que teria custado preservá-las.

Afinal, o que é uma Empresa Brasileira de Defesa? 

Talvez precisemos ampliar essa definição. Uma empresa brasileira de defesa não deveria ser avaliada apenas pelo passaporte de seus acionistas, mas também pelo que efetivamente desenvolve, produz e preserva no Brasil.

A origem do capital deve ser conhecida. O controle societário precisa ser transparente. Dependências externas devem ser identificadas e tecnologias críticas precisam, sempre que possível, estar sob domínio nacional.

O Brasil já demonstrou inúmeras vezes sua capacidade de desenvolver tecnologia de defesa. Seu grande desafio histórico tem sido mantê-la. Conhecimento estratégico leva décadas para ser construído. E quando esse conhecimento permanece no Brasil, ele também faz parte do patrimônio tecnológico e da capacidade de defesa do País.
 
 
*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional. 

12 maio, 2023

Ministério da Defesa credencia a primeira empresa de defesa do setor financeiro no Brasil


*LRCA Defense Consulting - 12/05/2023

Durante a 39ª reunião da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), realizada no dia 11, no Ministério da Defesa, foi anunciado o credenciamento da primeira Empresa de Defesa do Setor Financeiro no Brasil. Esse credenciamento segue a Portaria GM-MD Nº 6.173/2022, que regulamenta o credenciamento de entidades financeiras como Empresas de Defesa (ED) e classificação de serviços financeiros como Produtos de Defesa (PRODE).

A InsurBids Tecnologias de Seguros, teve seu pedido de credenciamento aprovado pelo colegiado da CMID. Especializada no Setor de Defesa e Segurança, a empresa foi designada em dezembro de 2022 como Agente Implementador do Projeto InsurTech Defesa, que é resultado do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Defesa e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). O Projeto buscou atender às necessidades da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) brasileira em termos de seguros garantia, crédito e correlatos, essenciais para a mitigação de riscos empresariais e acesso às compras governamentais e ao mercado internacional.

O Produto de Defesa da InsurBids é a "Estruturação de Serviços Financeiros Especializados em Seguros Garantia e Crédito para Empresas da BIDS Brasileira". A solução oferece um serviço completo para contratação de garantias e seguros de crédito, apoiando exportações de PRODEs e PEDs e negócios de empresas da BIDS junto ao Poder Público. O serviço abrange desde captação até recomendação de ajustes, tornando empresas atrativas e em conformidade com os critérios de análise de riscos e crédito a instituições financeiras e seguradoras. Seleciona instituições financeiras e seguradoras privadas baseadas no perfil e demanda de crédito da empresa e atua na mediação e acompanhamento das negociações, oferecendo assistência durante a vigência das garantias.

A InsurBids é uma InsurTech que opera por meio de uma Plataforma na Internet, que se propõe a ser um Hub de integração entre diferentes atores, como Corretoras de Seguros e Companhias Seguradoras especializadas em Seguros Garantia e Crédito.

O modelo tecnológico proposto pela InsurBids é disruptivo, e ao longo de sua trajetória de negócios, incorporará tecnologias inovadoras, como Blockchain, Tokenização de Ativos Securitários e Inteligência Artificial.

A adoção dessas tecnologias contribuirá para reduzir a assimetria de informações, a falta de transparência e a dificuldade de acesso a dados confiáveis. O objetivo é superar uma das principais barreiras que afastam o Setor de Defesa e Segurança do Setor Financeiro e de Seguros, promovendo uma melhor comunicação e cooperação entre eles.

Com o credenciamento da primeira Empresa de Defesa do Setor Financeiro, o Ministério da Defesa demonstra seu compromisso com o Ecossistema Financeiro de Apoio à Indústria de Defesa Brasileira, fundamental para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e Segurança nacional, além disso, abre caminho para que instituições financeiras e seguradoras possam oferecer produtos sob medida para o Setor de Defesa e Segurança.

Eduardo Piñeiro, cofundador, ressalta a estratégia empresarial: "O pioneirismo da InsurBids no desenvolvimento de soluções InsurTech voltadas para o Setor de Defesa e Segurança evidencia nossa visão inovadora e compromisso com o crescimento sustentável da indústria nacional."

Jorge Marcelo de Barros, cofundador da InsurBids, destaca a relevância do credenciamento para a visibilidade da empresa: "O credenciamento é crucial para que as empresas da BIDS identifiquem a InsurBids como uma empresa financeira especializada no setor de Defesa e Segurança. Ao mesmo tempo, permitirá que instituições financeiras e seguradoras reconheçam nossa expertise no Setor de Defesa e Segurança, ampliando as oportunidades de negócios e parcerias estratégicas neste segmento."

Sobre a InsurBids
• A InsurBids Tecnologias de Seguros é uma InsurTech especializada no Setor de Defesa e Segurança, fundada por executivos com ampla experiência em projetos e negócios nacionais e internacionais nos setores de Defesa, Segurança, Tecnologia, Financeiro e Seguros. Com sede em São Paulo (SP), a InsurBids atua em todo o território nacional, oferecendo soluções inovadoras e disruptivas para atender às necessidades específicas da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS) brasileira. A empresa oferece garantias, seguros e financiamentos por meio de parcerias estratégicas com corretoras, seguradoras e bancos. Além disso, a InsurBids apoia as empresas da BIDS em seus negócios com o Setor Público nas aquisições governamentais.

Sobre as Tecnologias

• O Blockchain é um sistema de registro digital que permite a criação de um histórico confiável e imutável de transações. A Tokenização refere-se ao processo de converter direitos sobre ativos financeiros em tokens digitais, facilitando sua negociação e rastreabilidade. Já a Inteligência Artificial é um campo da ciência da computação que busca desenvolver sistemas capazes de aprender, raciocinar e resolver problemas de forma autônoma. A adoção dessas tecnologias contribuirá para reduzir a assimetria de informações, a falta de transparência e a dificuldade de acesso a dados confiáveis. O objetivo é superar uma das principais barreiras que afastam o Setor de Defesa e Segurança do Setor Financeiro e de Seguros, promovendo uma melhor comunicação e cooperação entre eles.

Dados do Setor
• Em 2022, os gastos militares globais atingiram o recorde de US$ 2,24 trilhões, com um aumento de 3,7% em termos reais. O Setor de Defesa e Segurança brasileiro representa cerca de 5% do PIB e gera 2,9 milhões de empregos. Emprega cerca de 2,9 milhões de pessoas, sendo 1,6 milhão de empregos diretos e 1,3 milhão de empregos indiretos. Cada emprego gerado no setor resulta em 2,6 empregos em outros setores, evidenciando a importância do investimento nesse setor para estimular o mercado de trabalho como um todo.

Resumo
• A InsurBids foi credenciada como a primeira Empresa de Defesa do Setor Financeiro no Brasil, fortalecendo o Setor de Defesa e Segurança com soluções inovadoras.
• A empresa atua como uma InsurTech pioneira, oferecendo serviços financeiros especializados em seguros garantia e crédito para empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança.
• A InsurBids utiliza tecnologias disruptivas, como Blockchain e Inteligência Artificial, para reduzir a assimetria de informações entre o Setor de Defesa e Segurança e o Setor Financeiro e de Seguros.
• O Setor de Defesa brasileiro representa cerca de 5% do PIB e gera 2,9 milhões de empregos, enfrentando desafios como dependência do orçamento governamental e concorrência internacional.
• O credenciamento da InsurBids demonstra o compromisso do Ministério da Defesa com o fortalecimento da indústria e o apoio ao ecossistema financeiro de apoio à Base Industrial de Defesa e Segurança.

23 novembro, 2021

Guia de Empresas e Produtos de Defesa - edição 2021 já está disponível


*LRCA Defense Consulting - 23/11/2021

O Guia de Empresas e Produtos de Defesa, edição 2021, produzido pelo Ministério da Defesa, já está disponível ao público neste link.

A excelente e completa publicação se destina a divulgar as Empresas Estratégicas de Defesa / Empresas de Defesa credenciadas pelo Ministério da Defesa e seus respectivos Produtos Estratégicos de Defesa / Produtos de Defesa, em conformidade com o preconizado na Lei nº 12.598/12, de forma ordenada por Bens, Serviços e Informações, nos idiomas português, inglês e espanhol.

A edição 2021 do Guia de Empresas e Produtos de Defesa apresenta cerca de 140 empresas da área de defesa e aproximadamente 900 produtos específicos. Nela, é possível saber as diferenças entre Empresa Estratégica de Defesa e Empresa de Defesa, por exemplo, bem como entre Produtos de Defesa e Produtos Estratégicos de Defesa, além de outros conceitos, definições e informações.

Os itens correlatos, com suas respectivas fotos, quando existirem, são reunidos em grandes “famílias”, chamadas de grupos, representados por um código numérico de dois dígitos, originários da Federal Supply Group, visando estabelecer uma uniformidade de identificação do material.

Cada grupo é dividido em classes, representadas por quatro dígitos, originárias da Federal Supply Class, as quais agrupam itens relativamente homogêneos, baseados em critérios de similaridade de características, visando estabelecer uma uniformidade de identificação do material.

As Empresas e os respectivos Códigos de Empresas (CODEMP/NCAGE) estão relacionados aos produtos e seus respectivos Nato Stock Number (NSN) ou não, além da classe a que pertencem, e-mail, telefone e classificação nacional das suas atividades econômicas.

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