Pedido protocolado no Ibama abrange estruturas já concluídas em MS, Mato Grosso e Paraná, e marca a entrada do SISFRON na etapa final antes da operação efetiva
*LRCA Defense Consulting - 11/07/2026
A Embraer solicitou ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a Licença de Operação para colocar em funcionamento campos de antenas do Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) já construídos em 26 municípios de Mato Grosso do Sul. O pedido foi publicado no DOU (Diário Oficial da União) nesta sexta-feira (10) e alcança ainda dez municípios de Mato Grosso e o município de Guaíra, no Paraná.
O pedido ao Ibama
Segundo a publicação, as obras
de implantação dos campos de antenas já foram finalizadas, e a empresa busca
agora a etapa seguinte do licenciamento ambiental, necessária para o
funcionamento regular das estruturas. O aviso não detalha quantas antenas foram
instaladas, quando entrarão efetivamente em serviço, nem o valor investido
especificamente nessa fase de operação.
Municípios abrangidos
Em Mato Grosso do Sul, o pedido
cobre Amambai, Antônio João, Aquidauana, Aral Moreira, Bandeirantes, Bela
Vista, Campo Grande, Caracol, Corumbá, Coxim, Dois Irmãos do Buriti, Dourados,
Iguatemi, Jardim, Miranda, Mundo Novo, Nioaque, Nova Alvorada do Sul, Pedro
Gomes, Ponta Porã, Porto Murtinho, Rio Brilhante, Rio Verde de Mato Grosso, São
Gabriel do Oeste, Sonora e Terenos. As estruturas integram a rede militar usada
para ampliar a vigilância, as comunicações e a troca de informações em áreas
estratégicas do território nacional.
O que é o Sisfron
O Sisfron é um dos principais
programas militares de vigilância territorial do País. Conforme material da
própria Embraer, o sistema busca proteger os 16.886 quilômetros de fronteiras
terrestres brasileiras, distribuídos por dez estados e correspondentes a uma
área que alcança 27% do território nacional. A companhia se apresenta como
responsável pela implantação e integração do sistema, que reúne tecnologias de
monitoramento, comunicação e comando e controle.
Entre os equipamentos citados pela empresa estão radares de vigilância de superfície capazes de detectar veículos leves a até 20 quilômetros, radares tridimensionais com alcance de até 200 quilômetros, sistemas de monitoramento de radiocomunicações e viaturas que integram diferentes tecnologias em uma única rede.
Mais do que antenas de telecomunicações
Embora o aviso do Ibama utilize a expressão "campos de antenas", elas não são simples torres de telecomunicações. Essas estruturas integram a infraestrutura de comunicações do SISFRON, responsável por conectar:
- radares;
- sensores eletro-ópticos;
- estações de monitoramento;
- postos de comando;
- centros de comando e controle;
- viaturas especializadas;
- enlaces de dados.
Na prática, elas formam a espinha dorsal da rede que permite a transmissão segura e em tempo real das informações coletadas na faixa de fronteira. Sem essa infraestrutura de comunicações, sensores e radares operariam de forma isolada. Com as antenas em funcionamento, o sistema passa a permitir:
- consciência situacional em tempo real;
- compartilhamento imediato de informações;
- coordenação entre unidades do Exército;
- integração com outros órgãos de segurança;
- maior rapidez na resposta a ilícitos transfronteiriços.
O pedido de licença ocorre poucos meses depois de a Embraer anunciar outro avanço importante na Fase 2 do SISFRON: a entrega de mais de 50 soluções veiculares integradas de Comunicações Táticas, destinadas às organizações militares de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Origem do contrato
A participação da Embraer no
Sisfron remonta ao contrato de R$ 839 milhões firmado com o Exército Brasileiro
para a primeira fase do programa, inicialmente voltada ao monitoramento de
aproximadamente 650 quilômetros da fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai
e Bolívia. Na época, o projeto previa uma rede formada por radares, sensores,
sistemas de comunicação e aeronaves não tripuladas, com integração à 4ª Brigada
de Cavalaria Mecanizada, em Dourados, ao Comando Militar do Oeste, em Campo
Grande, e ao comando central do Exército, em Brasília.
Esse contrato foi originalmente executado pela Savis Tecnologia e Sistemas, empresa especializada em integração de sistemas de monitoramento de fronteiras, posteriormente incorporada pela Embraer em 2021. Desde então, a Embraer Defesa & Segurança tornou-se diretamente responsável pela continuidade do programa.
Uma das notícias mais relevantes do SISFRON
A liberação da Licença de
Operação pelo Ibama é o passo que faltava para que os campos de antenas, já
erguidos nos 37 municípios listados no pedido, passem a operar de forma regular
e contribuam efetivamente para a vigilância da faixa de fronteira.
Sob o ponto de vista técnico, esta talvez seja uma das notícias mais relevantes do SISFRON nos últimos anos. Ela indica que uma parcela significativa da infraestrutura física já foi concluída e está entrando na etapa final antes da operação efetiva. Em programas complexos de comando e controle, a ativação da rede de comunicações costuma representar a transição entre a fase de implantação e a de emprego operacional.
Para a faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, isso significa um avanço concreto na capacidade do Exército Brasileiro de integrar sensores, radares e centros de comando em uma única arquitetura de vigilância contínua.

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