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16 fevereiro, 2022

Weg registra lucro líquido de R$ 874 mi no 4º trimestre, alta de 17,8% em um ano

Weg registra lucro líquido de R$ 874 mi no 4º trimestre, alta de 17,8% em um ano


*Investing - 16/02/2022

A Weg encerrou o quarto trimestre de 2021 com lucro líquido de R$ 874 milhões, com crescimento de 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e Amortização) somou R$ 1,124 bilhão no último trimestre do ano, com aumento de 14,7% ante o registrado um ano antes. A margem Ebitda caiu 2,9% pontos porcentuais para 17,2%.

Segundo a empresa, os desafios na cadeia de suprimentos global e o consequente aumento dos custos das matérias-primas, em conjunto com a alteração no mix de produtos, devido notadamente à volta da receita de novos projetos de geração eólica, resultaram em redução das margens operacionais neste trimestre.

A receita operacional líquida totalizou R$ 6,540 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 33,7% ante o último trimestre de 2020, sendo 28,6% no mercado interno e 38,1% no mercado externo.

A geração de caixa nas atividades operacionais foi de R$ 939,4 milhões no ano de 2021. Este resultado foi impactado pela maior necessidade de capital de giro no período, notadamente em relação ao aumento dos estoques da companhia. Este movimento fez-se necessário em virtude do cenário de volatilidade e incertezas na cadeia global de suprimento.

No quarto trimestre a empresa investiu R$ 321,3 milhões em modernização e expansão de capacidade produtiva, máquinas e equipamentos e licenças de uso de softwares, sendo 52% destinados às unidades produtivas no Brasil e 48% destinados aos parques industriais e demais instalações no exterior.
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A WEG destacou que:
- A Receita Operacional Líquida (ROL) foi de R$ 6.540,0 milhões no 4T21, 33,7% superior ao 4T20 e 5,5% superior ao 3T21;

- O EBITDA atingiu R$ 1.124,9 milhões, 14,7% superior ao 4T20 e 1,7% inferior ao 3T21, enquanto a margem EBITDA de 17,2% foi 2,9 pontos percentuais menor do que no 4T20 e 1,3 ponto percentual menor do que o trimestre anterior;

- O Retorno Sobre o Capital Investido (ROIC) atingiu 30,5% no 4T21, crescimento de 5,0 pontos percentuais em relação ao 4T20 e redução de 0,8 ponto percentual em relação ao 3T21.

Mensagem da Administração:
A continuidade da recuperação econômica mundial contribuiu para o crescimento das nossas receitas neste trimestre. Além do aumento na demanda por equipamentos industriais em diversas regiões, mantivemos o nosso bom desempenho no fornecimento de soluções ligadas à geração de energias renováveis.

No mercado interno, a área de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia (GTD) foi o grande destaque no comparativo com o mesmo período do ano anterior, influenciada principalmente pelos negócios de geração eólica e solar. Nossa operação de Motores Comerciais e Appliance apresentou sinais de acomodação no nível de negócios, após a elevada demanda observada nos últimos trimestres.

No mercado externo registramos novamente desempenho positivo na área de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais, impulsionado pela contínua demanda de fabricantes de equipamentos (OEMs) de diversos segmentos de mercado. Nossos negócios relacionados a GTD e Motores Comerciais e Appliance também apresentaram boa performance, com crescimento de vendas e aumento da participação em mercados importantes.

Os desafios da cadeia de suprimentos global e consequente pressão no custo dos produtos vendidos, em conjunto com a alteração de nosso mix de produtos, continuaram a pressionar as margens operacionais da companhia. Apesar deste contexto, nosso modelo de negócio baseado na verticalização e flexibilidade financeira nos permitiu usufruir de uma maior disponibilidade de produtos e aproveitar oportunidades de crescimento de receita com ganho de participação de mercado nas principais regiões onde atuamos.

O release completo pode ser consultado neste link.

21 fevereiro, 2021

Taurus: variação cambial turbinará resultado do 4T20 em cerca de R$ 61 milhões


*LRCA Defense Consulting - 21/02/2021

Diferentemente dos três primeiros trimestres de 2020, quando a variação cambial trimestral foi positiva, o quarto trimestre inverteu a mão e apresentou um número negativo, ou seja, neste trimestre o real se valorizou perante o dólar norte-americano.

Esse fato será decisivo para que empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança, como Taurus Armas e Embraer, ambas com a maior parte da dívida fortemente dolarizada, registrem um impacto positivo nos números dos respectivos balanços, turbinando lucros ou atenuando prejuízos, conforme for o caso.

O Jornal do Brasil, em edição de 29/01/2021, divulgou que, com base nos demonstrativos financeiros padronizados que as empresas de capital aberto entregam à CVM, a consultoria Economatica calculou que a queda de 7,87% na cotação do dólar Ptax (a taxa oficial de câmbio do Banco Central) no 4º trimestre de 2020 poderá afetar de maneira positiva o lucro das empresas, ao reduzir o valor da dívida em dólar (isto sem considerar operações de hedge ou swap cambial, que minimizam o impacto da oscilação do câmbio na dívida e no faturamento das empresas exportadoras/importadoras).

O caso da Taurus Armas
Para fins de comparação, toma-se aqui o caso da empresa multinacional Taurus Armas, que possui cerca de 91% de sua dívida em dólares americanos, mas que, em compensação, exporta  praticamente 85% de sua produção no Brasil
 
No primeiro trimestre do ano passado, o dólar registrou a maior valorização trimestral em 18 anos, com cerca de 29%. Como, para fins contábeis de balanço, é utilizada a cotação de fechamento do dólar do final de cada trimestre, e como a variação cambial se acentuou no final do final do trimestre, este fato intempestivo - um verdadeiro "pênalti financeiro convertido aos 45 minutos do segundo tempo" - fez com que as empresas brasileiras que têm boa parte da dívida em moeda estrangeira (como a Taurus) vissem o lucro líquido ser derrubado em quase 70%, como mostra esta reportagem do Estadão de 02/06: "Alta do dólar pressiona dívida e derruba lucro das empresas em 70% no trimestre".

Assim, como já era esperado pelo mercado, esse fato impactou fortemente a dívida em dólares da Taurus Armas, fazendo com que suas despesas financeiras passassem de R$ 16,2 milhões no 1T19, para R$ 209,2 milhões no 1T20. Desse total, R$ 195,4 milhões, ou 93,4%, foram referentes às variações cambiais passivas.

Ao fim e ao cabo, em que pese ter tido, na época,  um desempenho recorde no Ebitda (R$ 45,4 milhões), no lucro bruto (R$ 102,9 milhões) e no caixa líquido (R$ 77,7 milhões), a Taurus registrou no 1T20 um resultado líquido final negativo de R$ 157,1 milhões,
refletindo a forte e atípica desvalorização da moeda nacional no período.

Nos dois trimestres seguintes, a variação cambial também foi positiva, mas em números bem menores, sendo plenamente sobrepujada pelos excelentes resultados operacionais em todos os demais campos, o que contribuiu para que a empresa voltasse a apresentar um sólido lucro trimestral, como mostra o gráfico abaixo.


Expectativas para o 4º trimestre

A Taurus produziu 1.103 mil armas nos primeiros nove meses de 2020 (9M20). Em média, 6,9 mil armas foram produzidas por dia, com suas duas fábricas em forte atividade: a do Brasil, operando à plena capacidade; e unidade americana - fábrica que está em atividade há pouco mais de um ano e, portanto, ainda em ramp-up - já superando os volumes produzidos nos 9M19 pela antiga unidade industrial. Com o crescimento do interesse pelos produtos da Taurus e o mercado altamente comprador, o volume de vendas de armas nos 9M20 totalizou 1.290 mil unidades, 28,4% superior aos 9M19. 

No Brasil, as vendas dos 9M20 foram 132,7% acima do mesmo período de 2019, enquanto que nos EUA, maior mercado para a empresa, foram vendidas mais de 1 milhão de armas no mesmo período. 


Para o 4T20, todos os indicadores apontam que o mercado foi demandante em níveis recordes, tanto aqui como, principalmente, em terras do Tio Sam, pois a Taurus está com backorders (pedidos em carteira) fortes, de cerca de 1,5 milhão de armas para o mercado dos EUA e de 150 mil armas para o mercado nacional. Na prática, essa quantidade significa que, se não recebesse mais nenhum pedido a partir de hoje, a multinacional gaúcha teria que produzir a pleno por cerca de 12 meses para poder entregar todos os pedidos que tem em carteira. 

Com relação ao endividamento em moeda estrangeira, estima-se que a Taurus tinha, em 31/12/2020, uma dívida em dólares no valor de cerca de 151 milhões. Assim, a desvalorização da moeda norte americana em 7,87% impactará positivamente no resultado da empresa, gerando um forte ganho financeiro próximo de de 11,8 milhões de dólares, ou algo como 61 milhões de reais ao câmbio de 30/12/20.

Esse cenário, aliado ao permanente controle de custos e redução de despesas, permite antever que os resultados operacionais e financeiros da empresa possam continuar apresentando números próximos ou mesmo superiores aos do 3T20, quando atingiu oito marcas históricas, obtendo o maior resultado para um trimestre em termos de: produção, volume de vendas, receita líquida, lucro bruto, margem bruta, Ebitda, margem Ebitda e lucro líquido. 

Em síntese, mesmo após descontada a variação cambial incidente sobre o produto das vendas, é lícito estimar que a Taurus Armas traga números muito consistentes e positivos no balanço referente ao 4T20.

Embraer

A propósito, a Embraer, com uma dívida em dólares de 23.276.826,00 (em 31/12/2020), deverá ter um ganho financeiro próximo de US$ 1,831 milhão no 4T20.

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