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19 junho, 2026

O drone de ataque virou míssil de cruzeiro barato: o que isso significa para a defesa antiaérea brasileira

Shahed-238 (Irã) e Geran-3 (Rússia); drones de ataque com turbina a jato
 


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LRCA Defense Consulting - 19/06/2026

A chegada de variantes a turbina a jato do Shahed-136/Geran-2 irano-russo, somada aos ataques de drones e mísseis contra radares americanos, sauditas e jordanianos durante a guerra de 2026 entre Israel, Estados Unidos e Irã, expõe uma mudança silenciosa na natureza da ameaça que as defesas antiaéreas precisam enfrentar. O que começou como um drone lento e barato, abatível por uma metralhadora ou um canhão antiaéreo, hoje tem uma variante que se comporta, na prática, como um míssil de cruzeiro subsônico de baixo custo. Para o Brasil, a discussão não é apenas sobre como se defender: é também sobre se a indústria nacional, que já demonstrou domínio de propulsão a jato em plataformas não tripuladas, tem ou não uma oportunidade real nesse mercado emergente.

Antes de entrar no diagnóstico técnico, vale deixar explícito o fio que conecta as duas partes desta reportagem, porque ele não é só uma analogia industrial. Não existe forma barata de qualificar um sensor ou um interceptador contra um drone a jato sem ter, à disposição, um alvo de teste que reproduza fielmente o comportamento daquele drone, da mesma forma que qualquer força aérea usa drones-alvo modelados sobre ameaças reais para validar seus próprios sistemas de defesa. Por isso, ao longo deste texto, as medidas de defesa antiaérea (sensores e armas) aparecem sempre ao lado da possibilidade de o Brasil desenvolver seus próprios vetores de ataque equivalentes ao Shahed-136 e ao Shahed-238/Geran-3: não como digressão, mas como insumo necessário ao próprio programa de defesa, além de, eventualmente, abrir uma frente de exportação e uma opção doutrinária própria.

Da hélice ao turbojato: o que muda

O Shahed-136, conhecido na nomenclatura russa como Geran-2, cruza a aproximadamente 180 km/h, velocidade compatível com a de um avião agrícola. É essa lentidão que historicamente permitiu respostas de baixo custo contra ele: canhões antiaéreos, metralhadoras pesadas e até helicópteros e aronaves agrícolas ou de treinamento com atiradores a bordo, solução amplamente empregada pela Rússia e pela Ucrânia.

A variante a jato, batizada de Shahed-238 pelo Irã e de Geran-3 pela Rússia, é outra categoria de problema. Equipada com um motor turbojato do tipo Tolou-10/13 (derivado não licenciado do tcheco PBS TJ100/TJ150), ela atinge entre 550 e 600 km/h em cruzeiro, com picos de até 700 ou 800 km/h em mergulho final. Há divergência entre as fontes: o Irã declara um teto mais conservador, de 500 km/h, enquanto fontes russas chegam a citar 800 km/h, número ainda não confirmado de forma independente. Mesmo no piso dessas estimativas, a velocidade já está na faixa baixa de mísseis de cruzeiro subsônicos clássicos, como o Kh-101 russo ou o Tomahawk americano.
Shahed-238 (Irã) e Geran-3 (Rússia); drones de ataque com turbina a jato

Por que a defesa atual não foi desenhada para isso
Para entender o tamanho do problema, vale simular três cenários de alcance de detecção, 50, 100 e 200 quilômetros, contra os dois perfis de ameaça: o Shahed-136 clássico, a hélice, com cruzeiro de aproximadamente 180 km/h, e o Geran-3 a jato, com cruzeiro estimado entre 550 e 600 km/h. Em todos os casos, assume-se que o tempo disponível é o trajeto entre o ponto de detecção e o alvo protegido, dividido pela velocidade de cruzeiro do drone, simplificação que ignora manobras evasivas e mudanças de rota, mas que serve para comparar ordens de grandeza.

Alcance de detecção

Tempo até o impacto (Shahed-136, ~180 km/h)

Tempo até o impacto (Geran-3, ~575 km/h)

50 km

≈ 17 minutos

≈ 5 minutos

100 km

≈ 33 minutos

≈ 10 minutos

200 km

≈ 1 hora e 7 minutos

≈ 21 minutos

Os números deixam claro onde está o ponto de inflexão. Contra o Shahed-136, mesmo o alcance mais modesto, de 50 quilômetros, já entrega uma janela generosa, suficiente para qualquer aeronave em alerta rápido, como o A-29, decolar e interceptar com folga. Contra o Geran-3, a equação só começa a fazer sentido operacional a partir de 100 quilômetros, quando a janela passa a cobrir o tempo mínimo de decolagem de alerta (entre 5 e 8 minutos) somado a uma margem de manobra; com 200 quilômetros de alcance, a janela de cerca de 21 minutos já se aproxima do conforto observado contra o drone a hélice. No entanto, como será visto abaixo, a velocidade do drone a jato já será um novo problema, pois supera a dos interceptadores aéreos improvisados (helicópteros e aeronaves turboélice).

O problema é que alcançar 100 ou 200 quilômetros de detecção contra um alvo de baixo RCS voando rasante é, por si só, um desafio de engenharia muito maior do que cobrir 50 quilômetros. O horizonte de radar de um sensor terrestre é limitado pela curvatura da Terra e pela altura da antena, de modo que detectar um alvo rasante a 200 quilômetros exigiria altitude de voo incompatível com o próprio perfil baixo do drone, ou então um sensor elevado (aerotransportado, em balão ou em mastro alto), e não um radar fixo ao nível do solo. Dobrar ou quadruplicar o alcance nominal de um sistema, portanto, não resolve o problema se a antena continuar à mesma altura.

Esse é o mesmo tipo de falha que já apareceu na avaliação brasileira do Gepard durante a Operação Punhos de Aço: os radares orgânicos do sistema (banda MPDR-12/Echo) não conseguiram adquirir drones de baixo RCS voando baixo, forçando as guarnições a voltar ao rastreio manual por periscópio. O problema não é exclusivo de um efetuador específico: é estrutural, e afeta canhão, aeronave leve ou sistema de mísseis de curto alcance igualmente, se o sensor de cueing (sensor de indicação ou de alerta) não entregar alcance e antecedência suficientes. 

O padrão se repete: do Oriente Médio à Ucrânia
A guerra de 2026 entre Israel, Estados Unidos e Irã deixou um retrato claro desse problema em escala real. Bases americanas no Catar, na Jordânia e na Arábia Saudita tiveram radares de alerta precoce e sistemas de defesa de mísseis THAAD danificados por enxames combinados de drones e mísseis; o Catar relatou ondas de drones lançadas do Irã, parte delas interceptada, parte não; e o Kuwait sofreu um ataque direto contra um centro 
tático de operações americano, com baixas. Em praticamente todos os episódios, o fator comum foi a saturação de defesas dimensionadas para ameaças mais rápidas e em menor número, não para enxames de baixo custo voando baixo.

Na Ucrânia, a evolução é ainda mais didática. A defesa improvisada que funcionava contra o Shahed-136 a hélice, com helicópteros, aeronaves agrícolas ou de treinamento e armas de pequeno calibre, perde efetividade contra o Geran-3 justamente pela diferença de velocidade: a mesma plataforma aérea que servia de interceptador barato contra o alvo lento simplesmente não alcança o alvo rápido.

 
Soldado russo tentando engajar um drone de ataque unidirecional ucraniano sobre Moscou usando um MANPADS enquanto outros disparam armas automáticas, mas o drone continua o voo 

O Brasil já tem uma peça do quebra-cabeça: o Albatroz Vórtex
É aqui que a história ganha um ângulo particular para o Brasil. Em dezembro de 2025, na Base Aérea de Santa Cruz, a Stella Tecnologia e a paulista AERO Concepts realizaram o primeiro voo do Albatroz Vórtex, um drone de inteligência, vigilância e reconhecimento com peso máximo de decolagem de cerca de 150 quilos, autonomia de até 24 horas e alcance entre 150 e 250 quilômetros, equipado com uma turbina a jato 100% nacional, a ATJR 15-5. O voo foi resultado de um acordo de cooperação assinado em novembro de 2025 entre o Ministério da Defesa, a Força Aérea Brasileira e as duas empresas, dentro da estratégia institucional batizada de Força Aérea 100 e do ecossistema do Parque Industrial e Tecnológico Aeroespacial da Bahia.

A AERO Concepts mantém uma linha de turbinas que cobre uma faixa de empuxo entre 500 e 5.000 newtons, ou seja, justamente a categoria de motor usada em drones de ataque do tipo Shahed-238/Geran-3. O Albatroz Vórtex, vale repetir, é hoje uma plataforma de ISR, sem missão de ataque declarada. Mas a competência tecnológica que ele comprova (integração de turbina, aviônica e célula em escala miniaturizada) é exatamente a mesma base que sustentaria, em tese, o desenvolvimento de um vetor de ataque nacional equivalente ao Shahed-238, e é também a peça que, lá na frente, fecharia o ciclo descrito na abertura deste texto: a mesma plataforma que poderia atacar é a que serviria de alvo de teste para qualificar os sensores e interceptadores discutidos nas seções seguintes.

Drone Albatroz Vórtex, da Stella Tecnologia

Medidas de curto, médio e longo prazo para o Brasil

Curto prazo: sensores
A prioridade imediata não é necessariamente comprar um radar novo, mas elevar a altura do sensor já disponível, já que o horizonte de radar contra alvo rasante depende mais disso do que da potência de transmissão. Aerostatos de vigilância, torres em pontos críticos da fronteira e de áreas de infraestrutura sensível, ou o uso de plataformas já na frota da FAB, como o E-99/R-99, como sensor avançado de baixa altitude, são opções que aproveitam capacidade já instalada. 

Em paralelo, a indústria nacional de radar (Bradar, subsidiária da Embraer Defesa, além de Orbisat e Omnisys) tem histórico em vigilância terrestre e contrabateria que poderia ser direcionado para um modo específico de baixa altitude e baixo RCS, em vez de depender de importação pontual de sistema completo.

Curto prazo: armas
Contra o perfil de ameaça mais provável no curto prazo, o drone a hélice clássico, a medida mais rápida é adotar postura de alerta pronto para aeronaves leves já em uso, como o A-29 Super Tucano, com piloto e armamento prontos para decolagem em poucos minutos. É uma medida de implementação quase imediata, porque não depende de desenvolvimento de novo equipamento, apenas de doutrina, escala e rotina operacional.

Voo do Albatroz Vórtex em junho de 2026, no 1º INOVAER 

Médio prazo: sensores

No médio prazo, vale investir em linhas de pesquisa de radar passivo ou multiestático, que detectam o drone pela perturbação que ele causa em sinais de rádio e televisão já existentes, sem precisar emitir sinal próprio, reduzindo a vulnerabilidade do próprio sensor e ajudando especificamente contra alvos de baixa observabilidade. Outra possibilidade é equipar plataformas como o Albatroz Vórtex e o Atobá, da própria Stella Tecnologia, com payload de vigilância de baixa altitude, dando a elas uma função dupla de sensor avançado, além do papel original de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Médio prazo: armas
É também no médio prazo que caberia um programa de upgrade do Gepard, tratando sensor e munição como um pacote único, e não como medidas isoladas. A Punhos de Aço expôs uma falha de cadeia completa: o radar orgânico (banda MPDR-12/Echo) não adquiriu drones de baixo RCS, a guarnição recorreu ao rastreio manual por periscópio, e o canhão de 35 mm carece de munição com fusão de proximidade adequada contra alvo pequeno. Resolver isso exigiria substituir ou complementar o radar orgânico por um sensor com melhor desempenho contra baixo RCS, qualificado e integrado à plataforma, e licenciar ou nacionalizar uma munição programável do tipo AHEAD, etapas que dificilmente se completam no curto prazo, mas que são viáveis dentro de um horizonte de poucos anos.

O mesmo horizonte de médio prazo é onde a indústria nacional de mísseis e foguetes tem o espaço mais claro para entrar. A Avibras Aeroco, em processo de reativação de portfólio (FOG-MPM, linha ASTROS), e a SIATT, com sua competência em mísseis guiados (MANSUP/SDCL, extensão de vida do Penguin Mk2), são vetores naturais para o desenvolvimento de um míssil de defesa antiaérea de curto alcance lançado do solo, no estilo do conceito britânico Gravehawk, que adapta um míssil ar-ar (no caso brasileiro, o equivalente seria o MAA-1) para lançamento terrestre contra alvos lentos e rápidos. 
 
Como camada complementar de baixo custo, a guerra eletrônica contra GNSS (jamming ou spoofing na área de proteção) reduz a precisão terminal do drone mesmo sem abatê-lo, aproveitando competência já existente na BID, como a da Mectron.

Em primeiro plano, drones interceptadores (C-UAS) Taurus, seguido de drone VTOL (laranja) para munição vagante e enxame; todos ainda em mockup

Cabe também ao médio prazo, e não ao longo prazo, o desenvolvimento de drones interceptadores, o conceito de usar um drone barato e rápido para abater outro drone, em vez de gastar munição de canhão ou míssil. A barreira tecnológica aqui é mais baixa do que a de outros itens deste artigo: a experiência ucraniana mostra que boa parte da solução depende de guiamento por operador via FPV, não de buscador autônomo sofisticado, e o Brasil já tem tanto a base industrial de células (SkyDrones, XMobots, Stella) quanto a experiência institucional recente da licitação de munição vagante do Exército (37 empresas habilitadas, 33 nacionais) para sustentar esse desenvolvimento dentro de poucos anos.

Ainda no médio prazo, e em paralelo ao próprio tema deste artigo, vale registrar que a BRVANT Soluções Tecnológicas já apresentou, no 1º INOVAERO, um drone de concepção semelhante à do Shahed-136, com propulsão a hélice. Se confirmado como vetor de ataque (vale a ressalva de que, até a publicação desta reportagem, não há confirmação oficial de que a BRVANT tenha apresentado a plataforma com essa finalidade declarada, em vez de como demonstrador tecnológico ou conceito de ISR), o desenvolvimento se encaixaria no nível de maturidade e custo equivalente ao do Shahed-136 clássico, complementando, num horizonte mais próximo e mais barato, a hipótese de longo prazo de um vetor a jato equivalente ao Shahed-238/Geran-3. 

E, voltando ao fio condutor desta reportagem, uma plataforma nacional desse tipo seria também o alvo de teste de baixo custo ideal para qualificar tanto os radares de baixa altitude quanto os mísseis terra-ar e a munição programável do Gepard mencionados nas seções anteriores, fechando o ciclo entre detectar, abater e simular a ameaça.

Longo prazo: sensores

No horizonte mais distante, o objetivo deveria ser consolidar uma arquitetura de sensoriamento em camadas (radar elevado, radar passivo e guerra eletrônica) integrada a um comando e controle automatizado nacional, capaz de cruzar dados de fontes diferentes e reduzir o tempo entre detecção e decisão, em vez de depender de um único sistema de radar como ponto único de falha.

Longo prazo: armas
No longo prazo, a fronteira é a própria possibilidade discutida ao longo deste artigo: usar a competência em propulsão a jato miniaturizada, provada pelo Albatroz Vórtex e pela turbina ATJR 15-5, para desenvolver um vetor de ataque nacional equivalente ao Shahed-238/Geran-3, complementando, no topo da escala de custo e desempenho, o caminho mais rápido e mais barato que a BRVANT já indica no médio prazo. 

O financiamento para essa frente já está disponível via Carta Convite MCTI/Finep/FNDCT nº 943682. O programa EMADS (CAMM-ER, modelo de cooperação governo a governo com a Itália), já em andamento, funciona como guarda-chuva institucional que dá viabilidade orçamentária e política para encaixar todas essas iniciativas, de curto, médio e longo prazo, em vez de tratá-las como esforços isolados.

Drone brasileiro tipo "Shahed-136, da BRVANT

Ameaça e oportunidade na mesma turbina
O avanço tecnológico que torna um drone de ataque mais difícil de interceptar é, em essência, o mesmo que o Brasil acabou de provar que sabe construir. A diferença entre ameaça e oportunidade, nesse caso, não está na tecnologia em si, mas na decisão política e industrial de para que lado apontar essa turbina: para detecção e defesa, ou também para um vetor de ataque sob bandeira nacional. 

As duas frentes, aliás, não são mutuamente exclusivas, e a experiência de outros países que cultivam simultaneamente indústrias de defesa antiaérea e de drones de ataque sugere que tratá-las separadamente seria desperdiçar a competência que custou caro para construir.

09 fevereiro, 2026

AERO Concepts e Stella Tecnologia: a dupla brasileira que coloca o país no mapa mundial das turbinas aeronáuticas

Parceria estratégica desenvolve o Albatroz Vórtex com turbina 100% nacional, consolidando autonomia tecnológica em área crítica de defesa


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LRCA Defense Consulting - 09/02/2026

Dez anos de uma decisão que mudou os rumos da engenharia aeronáutica brasileira. Em 2006, o engenheiro Alexandre Roma deixou uma posição confortável em uma multinacional alemã de referência mundial em turbinas para abraçar um sonho aparentemente impossível: desenvolver tecnologia de propulsão aeronáutica integralmente nacional. Duas décadas depois, sua empresa, a AERO Concepts, celebra 10 anos de existência formal e coloca o Brasil entre os poucos países do mundo capazes de desenvolver e produzir turbinas a jato para aeronaves não tripuladas.

O marco mais recente dessa trajetória veio em dezembro de 2025, quando o drone Albatroz Vórtex, desenvolvido pela Stella Tecnologia em parceria com a AERO Concepts, realizou com sucesso seu primeiro voo na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Equipado com a turbina ATJR 15-5, totalmente projetada e fabricada no Brasil, o voo representa um salto tecnológico sem precedentes para a indústria aeroespacial nacional.

Uma história construída com propósito
A história da AERO Concepts não começa em 2016, ano de sua fundação formal em Ribeirão Preto (SP), mas uma década antes. "Deixar uma empresa alemã de excelência, onde vivi um dos melhores períodos da minha vida profissional, não foi simples," relembra Alexandre Roma. A decisão foi motivada pela oportunidade de integrar um projeto voltado ao desenvolvimento de uma turbina aeronáutica nacional, em colaboração com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a FINEP.

O projeto, então denominado TAPP – Turbina Aeronáutica de Pequena Potência – enfrentou desafios típicos de iniciativas de alta tecnologia no Brasil: restrições orçamentárias, mudanças de cenário e risco de descontinuidade. Mas a convicção de Roma e de sua equipe permaneceu inabalável.

Em 2016, nasceu a AERO Concepts, não como um ponto de partida, mas como a continuidade de um trabalho coletivo iniciado anos antes. Dez anos depois, em 2026, a empresa reúne cerca de 40 colaboradores diretos e dezenas de profissionais indiretos, com uma carteira de projetos que inclui contratos com as Forças Armadas e reconhecimento internacional.

Parceria estratégica com visão de futuro
A parceria entre AERO Concepts e Stella Tecnologia foi formalizada em abril de 2024, durante a Feira Internacional do Ar e Espaço (FIDAE), no Chile. As empresas, ambas de capital nacional, unem suas especialidades para desenvolver tecnologias complexas para os mercados civil e militar, com recursos majoritariamente nacionais e utilização de projetistas brasileiros, representando um avanço significativo para o Brasil em tecnologias críticas de defesa.

Esta é a primeira vez que o Brasil fornece turbinas a jato de 500N ou 1000N prontas para aplicação em plataformas de voo de menor porte, como drones de médio e grande porte. A turbina ATJR 15-5, com empuxo de 500N, foi concebida a partir de análise de mercado e teve todo seu desenvolvimento realizado com recursos próprios da AERO Concepts, passando pelas etapas de projeto, fabricação de protótipos, ensaios em bancada e validação em voo.

Gilberto Buffara, fundador e CEO da Stella Tecnologia, ressalta a importância da parceria: "A integração da turbina à plataforma Albatroz Vórtex foi possível graças ao elevado nível de maturidade técnica dos drones da Stella, já adequados para ensaios com propulsão a jato."

 O histórico voo do Albatroz Vortex
 
O Albatroz Vórtex: tecnologia de ponta com DNA brasileiro
O Albatroz Vórtex é uma plataforma aérea não tripulada com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, desenvolvida pela Stella Tecnologia com base em sua já consolidada família de drones. A incorporação da propulsão a jato expande significativamente o envelope operacional da aeronave, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação.

Turbinas a jato oferecem vantagens em relação a motores convencionais, como maiores velocidades, melhor desempenho em altitudes elevadas, capacidade de gerar elevado empuxo e menor nível de vibração, fatores que aumentam eficiência, alcance e durabilidade estrutural das aeronaves.

O primeiro voo do Albatroz Vórtex, realizado em 17 de dezembro de 2025, validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea — um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.

Reconhecimento das Forças Armadas
A importância estratégica do desenvolvimento foi reconhecida pela Força Aérea Brasileira. Recentemente, a Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram um Protocolo de Intenções que estabelece as bases para cooperação técnica e institucional no desenvolvimento de Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados (SARP) e drones de aplicação dual, com foco em Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR).

O protocolo formaliza a cooperação que já vinha acontecendo. De acordo com informações da publicação especializada Janes, o desenvolvimento e os testes do Albatroz Vórtex ocorreram como parte de um Acordo de Cooperação e Parceria para Desenvolvimento Tecnológico assinado em novembro de 2025 com a Força Aérea Brasileira.

Esse apoio institucional é fundamental para o avanço da tecnologia. Como destacou Gilberto Buffara, "A indústria brasileira vem apresentando excelentes resultados quando conta com o apoio das Forças Armadas. Esse esforço conjunto fortalece a soberania nacional, reduz dependências externas e transforma conhecimento, engenharia e inovação em capacidades estratégicas reais para o Brasil."

Infraestrutura única na América Latina
O sucesso da AERO Concepts não se limita ao desenvolvimento de turbinas. A empresa foi responsável pela criação do primeiro Banco de Ensaios de Compressores e de Sobrevelocidade (BEC-BESV) do hemisfério Sul, entregue ao Instituto de Aeronáutica e Espaço em janeiro de 2024.

Montado em uma área de 469 m², o BEC conta com uma capacidade de acionamento de 2,5 MW, rotação de até 30.000 rpm, taxa de compressão de 10:1 e vazão máxima de 10 kg/s, possuindo uma estrutura capaz de realizar testes de segurança, desempenho e confiabilidade de componentes aeronáuticos.

Esta infraestrutura, única na América Latina, coloca o Brasil em condições reais de projeto e fabricação de turbinas a gás de uso aeronáutico, ao lado de um seleto grupo de países desenvolvidos.

Visão de longo prazo e soberania tecnológica
Em seu comentário sobre os 10 anos da AERO Concepts, Gilberto Buffara foi direto: "A AERO Concepts mostra que soberania tecnológica nasce de decisões difíceis sustentadas no tempo, não de discurso vazio. Alexandre Roma trocou conforto e previsibilidade por risco real e engenharia pesada, apostando no valor estratégico de dominar propulsão."

A tese que sustenta o trabalho dessas empresas é simples, mas poderosa: é possível fazer engenharia de classe mundial no Brasil com ética, competência, visão de longo prazo e persistência. O resultado é tecnologia nacional, contratos reais e, acima de tudo, continuidade, algo raro no ecossistema brasileiro de inovação.

Alexandre Roma enfatiza: "AERO Concepts foi criada para desenvolver propulsão a jato nacional com aplicações no mundo real. Ver uma de nossas turbinas voando em uma plataforma robusta como o Albatroz Vórtex confirma a maturidade da engenharia brasileira e valida uma linha completa de turbinas que varia de 500 a 5.000 newtons."

Próximos passos e impacto estratégico
A AERO Concepts mantém uma linha de turbinas com empuxo entre 500 e 5.000N, voltada a diferentes classes de plataformas não tripuladas, ampliando as possibilidades de aplicação dessa tecnologia em futuros projetos. Em paralelo, a empresa está consolidando processos produtivos, visando dominar integralmente as tecnologias de fabricação de turbinas a jato no país, incluindo a obtenção de matérias-primas estratégicas e redução de dependências externas.

O foco está em padronização e autonomia tecnológica, com a meta de atender às demandas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, ampliando o uso de plataformas como a da Stella em planos estratégicos nacionais.

Simultaneamente, a Stella Tecnologia continua os ensaios em voo do Albatroz Vórtex, com foco na expansão do envelope operacional, refinamento dos sistemas embarcados e maturação da aeronave como solução de alta performance para aplicações em defesa, segurança pública e monitoramento.

Um marco para a Base Industrial de Defesa
O voo do Albatroz Vórtex evidencia a capacidade da indústria nacional de integrar sistemas aéreos não tripulados com propulsão a jato, consolidando competências industriais estratégicas e fortalecendo a autonomia tecnológica do país.

Este é um momento histórico para a Base Industrial de Defesa brasileira. Como destacou Alexandre Roma ao receber a Medalha Mérito Santos Dumont em 2018, em reconhecimento aos serviços prestados à FAB, o desenvolvimento de turbinas aeronáuticas nacionais vai além da tecnologia: trata-se de soberania, de capacidade de decisão autônoma e de construir o futuro que o Brasil merece.

A parceria entre AERO Concepts e Stella Tecnologia prova que, com visão de longo prazo, investimento em pesquisa e desenvolvimento, e apoio institucional adequado, o Brasil pode, e deve, ocupar seu lugar entre as nações que dominam tecnologias críticas. A jornada começou com uma decisão corajosa há 20 anos. Hoje, essa decisão se materializa em turbinas que voam, em contratos que sustentam empresas e, principalmente, em conhecimento que permanece no país.

06 fevereiro, 2026

Stella Tecnologia e Força Aérea firmam parceria estratégica para desenvolver drones militares nacionais

Protocolo de Intenções estabelece cooperação de cinco anos para criar sistemas aéreos não tripulados com tecnologia 100% brasileira, incluindo drones kamikaze e plataformas de vigilância avançadas


*LRCA Defense Consulting - 06/02/2026

Em uma cerimônia realizada na nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), a Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram nesta quinta-feira (6/2) um Protocolo de Intenções que marca um novo capítulo na indústria brasileira de defesa. O acordo estabelece as bases para uma cooperação técnica de cinco anos, com foco no desenvolvimento de sistemas aéreos não tripulados de última geração com tecnologia nacional.

A parceria, assinada pelo Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica, e por Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, prevê o desenvolvimento de drones de vigilância, reconhecimento, busca e salvamento, além de sistemas de ataque único, os chamados drones kamikaze, com propulsão nacional.

Segunda parceria amplia escopo tecnológico
Esta é a segunda parceria firmada entre a Força Aérea Brasileira e a empresa fluminense. A primeira cooperação, estabelecida em 2023, teve como foco a definição coordenada de conceitos relacionados a sistemas e veículos aéreos não tripulados, além da condução de pesquisas técnicas sobre o tema.

O novo protocolo, com duração prevista de 60 meses e possibilidade de prorrogação, amplia significativamente o escopo da cooperação. Entre os principais eixos de atuação estão:

  • Desenvolvimento de plataformas SARP (Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados) para Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) com enlaces além da linha de visada e integração de sensores avançados, incluindo aplicações de inteligência artificial;
  •  Avaliação de capacidades de lançamento de cargas com controle e precisão;
  •  Desenvolvimento de sistemas aéreos remotamente pilotados de ataque único (drone kamikaze), com prioridade para soluções de propulsão nacionais e exploração de alternativas energéticas eficientes.

A cooperação será conduzida em regime de colaboração mútua, sem transferência direta de recursos financeiros entre as partes, com planejamento conjunto, acompanhamento institucional e alinhamento às diretrizes estratégicas da Aeronáutica e da política nacional de inovação.

Autonomia tecnológica como prioridade estratégica
Na avaliação do Comandante da Aeronáutica, o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira depende do apoio das Forças Armadas. "Nós temos tudo para criar resultados duradouros e já começamos isso. Dando continuidade, juntando as três Forças e priorizando o material nacional, vamos muito longe. Nós temos muita capacidade e as Forças têm que priorizar esse material", afirmou o Brigadeiro Damasceno durante a cerimônia.

Para Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, a assinatura representa um passo concreto na consolidação da capacidade industrial brasileira. "Este Protocolo materializa uma relação de confiança construída com base em engenharia, execução e entrega. Nosso compromisso é transformar projetos complexos em capacidades reais, com tecnologia nacional, disciplina técnica e foco absoluto nos interesses estratégicos do Brasil", declarou.

O executivo também destacou os desafios enfrentados pelo setor no Brasil e ressaltou a importância do apoio institucional da Defesa. "Talvez, precisemos mais da Defesa, mais do que em qualquer momento da história recente. Então, acho que esse é um grande passo. Muito obrigado por apoiar a indústria nacional, a nossa iniciativa", afirmou Buffara.

Albatroz Vortex: marco da propulsão a jato nacional
O protocolo é assinado em um momento de avanços concretos da Stella Tecnologia. Recentemente, a empresa anunciou o sucesso do voo de testes do Albatroz Vortex, aeronave não tripulada de alta performance desenvolvida integralmente no Brasil, equipada com uma turbina a jato nacional desenvolvida pela AERO Concepts.

O ensaio, realizado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea — um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.

O Albatroz Vortex, com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, amplia significativamente o envelope operacional da família de drones da Stella ao incorporar propulsão a jato, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação.

Esse marco posiciona o Brasil entre um seleto grupo de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato a sistemas aéreos não tripulados, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.

Nova sede do INCAER reúne história e futuro
A assinatura do Protocolo ocorreu na sala de reuniões da nova sede do INCAER, espaço conhecido internamente como Nacele — em referência simbólica ao núcleo estrutural que sustenta e impulsiona sistemas aeronáuticos. O ambiente integra o conjunto de áreas restauradas do Instituto e foi concebido para sediar encontros institucionais de alto nível.

Inaugurada em janeiro de 2026, a nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica marca um novo capítulo na preservação da memória, da cultura e da identidade institucional da Força Aérea Brasileira. Criado em 1986 e anteriormente sediado na histórica Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o INCAER passou a operar em Brasília em um hangar histórico restaurado.

Sob a direção do Tenente-Brigadeiro do Ar Vincent Dang, o Instituto ampliou sua integração ao Comando da Aeronáutica e o alcance de suas atividades culturais, acadêmicas e institucionais. O novo espaço preserva elementos originais da estrutura e, ao mesmo tempo, incorpora soluções modernas para abrigar o acervo documental, exposições, áreas de pesquisa e ambientes destinados a atividades educativas e culturais.

Para Buffara, o local da cerimônia reforça o significado estratégico do momento. "Assinar este Protocolo em um ambiente que preserva a memória da Força Aérea Brasileira e, ao mesmo tempo, está voltado à reflexão estratégica e à inovação tecnológica dá ainda mais sentido ao compromisso que estamos assumindo com o país", afirmou.

Brasil na corrida tecnológica dos drones militares
A assinatura do protocolo ocorre em um contexto de crescente investimento das Forças Armadas brasileiras em tecnologia de drones. A Marinha do Brasil, por exemplo, ativou em dezembro de 2025 o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, marcando um salto conceitual e tecnológico com foco na prontidão operativa e no preparo para o enfrentamento de novas ameaças.

Em novembro de 2025, a Marinha finalizou testes pioneiros com drones táticos de ataque durante a Operação Furnas 2025. O protótipo, desenvolvido por militares do Batalhão de Combate Aéreo, possui 1,64 metro de envergadura, autonomia de até 25 minutos e é equipado com carga explosiva capaz de neutralizar veículos e aeronaves.

O Exército Brasileiro também tem acelerado a criação de novas unidades de drones, inspirado nas lições do conflito na Ucrânia. Segundo instrutores ucranianos que participaram de missões técnicas na Europa, a adaptação rápida às novas tecnologias se tornou uma questão de sobrevivência no campo de batalha moderno.

O Exército já opera o Nauru 1000, drone nacional com capacidade de decolagem de 180 quilos, autonomia de voo de até oito horas e velocidade de 110 km/h. O modelo combina sensores de alta resolução com oito motores independentes que garantem pousos e decolagens verticais autônomos.

Sobre a Stella Tecnologia
Fundada em 2015, a Stella Tecnologia é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) e referência no desenvolvimento, fabricação e operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) de última geração no Brasil.

Com sede em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, a empresa desenvolveu o Atobá, o maior VANT de classe MALE (Medium-Altitude Long-Endurance) já desenvolvido no país, com 8 metros de comprimento, 11 metros de envergadura e 500 kg de peso máximo de decolagem.

O primeiro voo do Atobá ocorreu em 20 de julho de 2020, data do aniversário de Alberto Santos Dumont. A aeronave possui autonomia de 28 horas, velocidade máxima de 180 km/h e capacidade de transportar 70 kg de carga útil, incluindo sensores avançados como câmeras Argos 8 da Hensoldt e radar de abertura sintética.

A empresa também desenvolveu o Albatroz, drone projetado especificamente para operações embarcadas no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico da Marinha do Brasil, com capacidade de decolar em apenas 95 metros de pista.

Em abril de 2025, a Stella firmou parceria estratégica com o Grupo Thales, uma das maiores corporações globais em defesa e aeroespacial, para o desenvolvimento conjunto de sistemas embarcados de vigilância e defesa aplicáveis a veículos aéreos não tripulados.

Presenças ilustres na cerimônia
Prestigiaram a cerimônia de assinatura os Brigadeiros Vincent Dang, Diretor do INCAER; Ary Soares Mesquita, chefe do Gabinete do Comandante da Aeronáutica; Walcyr Josué de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Comandante-Geral do Pessoal; e Fábio Luís Morau, chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica.

Contexto internacional
A importância estratégica dos drones militares foi evidenciada nos conflitos recentes, particularmente na guerra entre Ucrânia e Rússia, onde sistemas não tripulados de diversos portes — desde pequenos drones comerciais adaptados até plataformas avançadas de ataque — transformaram as táticas de combate moderno.

Segundo levantamento da Business Research Insights de fevereiro de 2025, o mercado global de UAVs está em forte expansão, com previsão de crescimento anual entre 15% e 20%, impulsionado por inovações tecnológicas, maior aceitação regulatória e aumento de aplicações comerciais e de defesa.

Países como Estados Unidos, China, Israel, Turquia e Irã já consolidaram suas indústrias de drones militares. O Brasil, com a parceria entre Stella Tecnologia e a FAB, busca posicionar-se neste seleto grupo de nações com autonomia tecnológica no setor.

A parceria entre Stella Tecnologia e Força Aérea Brasileira reforça a estratégia de fortalecimento da base industrial e tecnológica de defesa do país, reduzindo dependências externas, estimulando o desenvolvimento nacional de tecnologias críticas e consolidando o Brasil como um dos protagonistas na América Latina no desenvolvimento de plataformas aéreas não tripuladas de alto desempenho. 

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